-Assassinada? Tem certeza?- perguntou Han arregalando os olhos. Leia assentiu.
-Nós temos uma lista de suspeitos e é... extensa.- Han franziu a testa e balançou a cabeça.
-Sabia que era algo grave assim que recebi sua mensagem.
-Essa não é a pior parte.- ele a olhou sério.- Han... pode ter sido alguém da Aliança.- ela sussurrou a última parte. Estavam num dos quartos de hóspedes sozinhos, mas nunca se sabe quem pode estar escutando atrás da porta.
Han sentou-se na ponta da cama, refletindo sobre as implicações daquela informação.
-Se isso for verdade... é o fim da República.
-Não vamos nos precipitar.- disse Leia um tanto ofendida.- Toda forma de governo tem seus traidores.
-É, mas essa não é uma boa hora para eles aparecerem.- Leia teve que concordar.
-Sim... agora mais do que nunca precisamos de um líder.
-Já escolheram alguém para substituir Mon Mothma?
Ela corou.
-Eu... mas só temporariamente.- acrescentou depressa quando Han olhou para ela erguendo as sobrancelhas.
-Entendo. E como você está com tudo isso?- A princesa suspirou.
-Bem, sabe... eu sinto falta dela.- Han pegou sua mão e ela sentou-se ao seu lado.- Nem fizemos um funeral. Foi tudo muito... apressado.
-Ela não se importaria.
-Eu sei...- parou um momento para sentir as mãos dele em contato com as suas.- Senti sua falta.
-Eu sei.- ela pisou no seu pé e ele deu uma risadinha.-Também senti a sua. Esse lugar é um pesadelo.
-Por quê?
-Todo mundo é tão educado e... limpo.- Leia reprimiu um sorrisinho. Decidiu brincar com ele um pouco.
-Quer dizer que você não me acha educada e limpa?
-Limpa, pode ser. Mas educada?- ela pisou em seu pé de novo.- Viu só?
Os dois riram. Leia enconstou a cabeça em seu ombro.
-Soube que a Rainha não aceitou sua ideia de usar um disfarce.
-Como você soube disso?- Han olhou para Leia assustado.
-Li os relatórios da missão. Sou a nova líder, lembra?
-Ah, sim... mas acho que ela vai mudar de ideia.
-Por quê?
-Ela não tem opção. Está com medo. Além do mais... eu sempre consigo fazer mulheres teimosas virem para o meu lado.- ele passou o braço em volta dela.
Leia pensou naquelas palavras. Lembrou-se do diário de Mon Mothma e dos pequenos trechos que leu. Sua mãe era de Naboo, então ela tinha um pouco de lá. Questionou-se se deveria contar aquilo para Han ou não. Talvez fosse melhor ler mais do diário primeiro.
-Mas ainda não entendi o que você veio fazer aqui. Quer dizer, eu sei que é um planeta pacífico, mas com esses ataques...
-Um dos suspeitos do assassinato de Mon Mothma está aqui. O Governador.
-O Governador?- Han imediatamente entrou em estado de alerta.
-Você o conhece, não é?
-Sim. Sua casa foi invadida recentemente. Achamos que foi a mesma pessoa que tentou matar a Rainha.
-Ele estava num jantar com Mon Mothma quando ela foi envenenada.
Han franziu a testa, tentando juntar as peças daquele quebra-cabeças. O Governador Sturm era um velhinho aparentemente inofensivo, bastante patriota. Ele era apoiador da Nova República, ou pelo menos era o que dizia.
-Mas outras pessoas também estavam naquele jantar. Isso tudo pode ser apenas coincidência.- argumentou Leia.
-Uma coincidência e tanto.
-Concordo.- eles pararam alguns segundos enquanto pensavam sobre aquele mistério.
-Você acha que o assassino virá atrás de você agora?- perguntou Han. Ela ouviu um "quê" de preocupação em seu tom de voz.
-Ackbar acha que sim. Ele queria me isolar em um planeta seguro. Mas achei melhor investigar isso pessoalmente.
-Nenhum planeta é seguro.- Han disse taciturno. Leia apertou sua mão com mais força.
-Eu posso ajudá-lo com seu problema com a Rainha.
-Como?
Leia mordeu o lábio.
-Hum... também já fui da realeza, entendo mais ou menos o que ela passa. Podemos nos dar bem e se ela confiar em mim eu posso convencê-la a ficar do seu lado.- ela tentou não revirar os olhos diante da burrice das próprias palavras. Era um "plano" tão vago e cheio de defeitos...
Han só olhou para ela e assentiu. Sentiu que havia algo mais que Leia não estava contando, mas já conhecia a esposa há tempo suficiente para saber que não adiantava insistir quando ela não queria falar sobre algo.
Ouviram uma batida na porta. Han automaticamente levou a mão à blaster.
-Quem é?!- perguntou um tanto ameaçador.
-General Solo, trago uma mensagem da Rainha.- disse a voz de um rapaz do outro lado.
Han levantou-se e foi até a porta.
-O que é?
-Senhor, desculpe incomodá-lo. Mas a Rainha gostaria de convidá-los para jantar em seus aposentos hoje à noite, é uma espécie de boas-vindas à Sra. Leia Organa-Solo.
-É mesmo? Que simpática, ela.- disse Han sarcástico. Não ficou muito feliz com esse convite logo após ter ouvido falar de um jantar em que alguém fora envenenado. Leia foi até eles abrindo um largo sorriso.
-Diga à Rainha que agradecemos muito e aceitamos o convite.- disse fazendo uso de sua educação adquirida na Corte de Alderaan.- Diga-lhe que agradeço também por ela ter me disponibilizado um quarto e por sua paciência para com meu marido. Sei como é difícil.
O mensageiro fez uma mesura.
-Está bem, Senhora. Mais algum recado?
Han Solo queria mandar um, mas olhando sob uma perspectiva diplomática talvez não fosse um bom recado para se mandar.
-Não, isso é tudo.- disse Leia ainda sorrindo.
O mensageiro fez outra mesura e se retirou. Han fechou a porta com um pouco de força a mais do que era necessário.
-Viu? Eu sou educada.
-Uhum... espero que você não se junte com a Rainha e passem a noite toda me criticando.
-Não posso prometer nada.- disse Leia dando-lhe as costas.
Mel realizou seus afazeres de forma automática naquela manhã. Não estava prestando atenção em nada ao seu redor. Luke também estava muito quieto. O único que falava era Rosch.
-Que bela manhã, não é?- dizia enquanto passava a manteiga na torrada.- As manhãs em Tatooine são muito belas. Especiais, não acha... Ben?
Luke não respondeu. Rosch continuou mesmo assim.
-Sim, muito limpas, iluminadas...mas você parece mau-humorado, Ben. Não chegou a dormir ontem?
-Dormi muito bem, obrigado.
-Fico feliz! Quero que você se sinta confortável aqui, claro. Como se fosse sua própria casa. Como era sua casa, Ben? Com seus pais?
Mel sentiu seu coração parar enquanto alimentava Mesch, olhou para Rosch. Seus olhos brilhavam num misto de raiva e malícia. Mas Luke não pareceu reparar em nada.
-Não tive pais.
-Não?!- exclamou Rosch numa surpresa exagerada.- Ora, sinto muito, Ben. Sei como é crescer sem os pais...
-Não pretendo abusar de sua hospitalidade por muito tempo.- interrompeu Luke.- Planejo partir amanhã mesmo.
Os olhos de Rosch brilharam como Mel nunca antes havia visto.
-Ah, você não vai há lugar algum... Luke.
Silêncio. Todos os sentidos Jedi de Luke se aguçaram.
-Do que me chamou?
Rosch parecia a própria personificação do mal, sorrindo na ponta da mesa. O clima ficou muito pesado. Luke lentamente levou a mão ao sabre de luz.
-Ora, Luke... você já está na minha casa há algum tempo. Está na hora de nos chamarmos pelos nossos próprios nomes não acha? Eu te chamo de Luke, e você pode me chamar pelo nome que meus pais me deram... Thomas.
Mel era uma estátua. Nunca ouvira falar naquilo antes, não sabia se ele estava mentindo ou não.
-Mel... tire as crianças daqui.- essa ordem não veio de Rosch, veio de Luke.
Ela entendeu imediatamente. Colocou a colher de volta no prato e pegou Mesch no colo.
-Venham, Mesch e Kesch.
-Mas eu não terminei!- reclamou Kesch com a boca suja.
-Obedeçam sua prima.- disse Rosch, pela primeira vez na vida.
Mel conseguiu levar Mesch e um relutante Kesch para cima.
-Então... cai o pano, não é?- disse Rosch.
Luke se levantou e ativou o sabre de luz. Rosch nem piscou.
-É preciso mais do que isso para me assustar depois do que eu passei, Skywalker.
-Eu não sei o que você quer, Rosch... ou seja lá como você queira se chamar.- Luke apontou o sabre direto para ele.- Mas eu vou sair daqui agora mesmo e nós nunca mais nos veremos novamente.- parou um momento depois acrescentou- E levarei as crianças comigo.
-Sim... Mel, não é?
-E os outros dois também. Ninguém merece crescer com você.
Rosch levantou-se lentamente.
-Que história linda. O valente Jedi veio salvar as crianças indefesas do garoto malvado. Infelizmente... as coisas não são tão preto no branco assim.
-Fique onde está!
-NÃO!- a palavra ecoou por todos os cantos da casa. Era como se mil vozes tivessem gritado junto com ele. Suas mãos esmurraram a mesa e ela se partiu ao meio. Luke foi pego totalmente de surpresa. Ele sentiu um forte empurrão no peito e caiu de costas no chão. Percebeu que seu sabre voara da sua mão.
-Eu nunca fico onde estou... nem por um segundo...- ele segurou o sabre de luz com força. Luke tentou se levantar mas algo o empurrava para baixo. Rosch caminhou até ele e apontou o sabre para seu peito.
-Não!- gritou Mel da escada.
Luke viu tudo em câmera lenta. Ela correndo até eles. Rosch se virando e desferindo um golpe direto em seu rosto.
-Não!- Luke gritou. Sentiu a pressão sumir com a momentânea desatenção de Rosch e foi em direção a garota.- Não, não, não...
Pegou-a no colo. Ela sangrava muito e estava desacordada.
-Por favor, não morra...
Luke olhou de volta para Rosch, mas ele não estava mais lá. Viu apenas muita bagunça e uma porta aberta.
