Capitulo 9

_O que está querendo dizer Jason? – perguntou, ainda tentando manter a mascara.

_Você, melhor do que eu, sabe que ele não se parece com o pai. – retrucou.

_Jason, não sei aonde quer chegar com essa conversa.

_Poxa mãe, ficaram todos esses anos juntos, ele cuidou da senhora todos os dias, acha que papai faria isso?

Ela sentou no sofá e olhou para ele como se tudo parecesse fazer sentido apenas naquele momento.

_Não, ele não faria. – respondeu. – Mas eu nunca consegui chegar perto do Jensen o suficiente.

_Isso porque a senhora fica repelindo ele. – retrucou de cara amarrada, enquanto cruzava os braços.

_Jason, por Deus! Está me culpando? – perguntou descarada fazendo o filho girar os olhos, impaciente. – Eu admito que não quis conversar com ele no começo, mas é que eu não tinha mais ninguém a quem culpar, Jensen não merecia eu sei, mas eu tinha apenas a ele e...

_E mesmo assim o maltratou, por todo esse tempo. – disse, as palavras a atingindo em cheio. – Ele só quer que a senhora o reconheça como filho.

_Mas eu o reconheço como meu fi...

_Então mostre isso. – cortou, saindo em direção a cozinha. – Vamos jantar, pode falar com ele mais tarde.

Sentaram-se todos a mesa e o jantar se seguiu, Jason contou sobre as coisas que aprendeu com Jensen na oficina e Jim dava alguns palpites no meio, Donna encarava fixamente o próprio prato que já estava vazio a alguns minutos, pensava em um modo de falar com Jensen, não sabia ao certo como ele reagiria quando dissesse tudo o que tinha pra dizer, só esperava que ele lhe perdoasse.

Misha prestava atenção em cada palavra do namorado, mas não era como se tivesse muito interessado, a cada segundo seu pensamento ia em direção a Jensen, podia vê-lo em sua mente, consolando Danneel, levando ela pra cama e fazendo amor com ela, isso acabou fazendo com que perdesse o apetite e logo parou de comer.

Jim era o único que parecia inteiramente feliz, já fazia algum tempo que gostava daquela mulher, ele e o pai dos garotos eram amigos na juventude, mas a amizade acabou assim que um deles conseguiu a garota mais popular do colégio naquela época, Donna.

Puxa! Ele ainda guardava na memória a primeira vez que colocou os olhos nela. Tão linda! Estava sol e ela estava no parque, sentada em uma toalha xadrez vermelha, o vestido que usava era amarelo e lembrava-se de ter jogado a bola nela.

Riu de repente, chamando a atenção dos outros.

_O que foi Jim? – perguntou Donna, encarando-lhe com aqueles lindos olhos.

_Lembra do dia em que nos conhecemos? – e sorriu vendo ela assentir.

Jensen estacionou em frente ao hospital onde Jared trabalhava, passou pela porta de vidro e encontrou Danneel sentada em um dos bancos, a cabeça baixa e os olhos preocupados fitavam o chão.

_Dan, você está bem? – perguntou, chegando perto da moça. – O seu pai está bem?

_Jen! – e levantou, abraçando-o, precisava tanto dele naquele momento.

Sabia que o pai era um homem forte, sabia que ele agüentaria bem, mas ainda assim não podia deixar de se sentir insegura quanto à saúde dele, afinal já era um homem de idade.

_O Jay disse que ele está bem, só vai ficar de observação até amanhã de manhã, não foi tão grave. – disse, recuperando o fôlego por estar falando muito rápido. – Eles pensaram que ele estava tendo um enfarte, mas não foi, ele só passou mal.

_O Jared ta aqui?

_Sim, ele disse que faz questão de ficar com o pai o resto da noite, eu disse que não precisava, mas ele insistiu, foi... Muito legal da parte dele.

_É foi sim. – e sorriu, pensando que talvez ele estivesse no lugar errado, na verdade não achava que tinha algum lugar ali, entre aquelas pessoas, era sempre tão... Desencaixado. – Você vai passar a noite aqui também?

_Não eu vou pra casa, minha mãe vai ficar e eu vou vir pela manhã, para buscá-lo. – e viu Jensen menear a cabeça. – Você... Me leva pra casa?

_Claro, você vai agora?

Danneel assentiu e pegou a bolsa.

_Vou dar tchau pra minha mãe e já venho.

_Eu vou esperar lá fora. – respondeu e a viu sumir pelo corredor.

Saiu e encostou-se no carro, olhou para cima, as estrelas estavam tão brilhantes aquela noite, viu-se perdido em outra realidade, uma realidade onde ele não ficava entre o amor que Jared sentia por Danneel, porque sim, ele sabia que o amigo estava apaixonado por ela, e isso já fazia uns dois anos.

Sorriu, em meio ao pensamento, se imaginando como padrinho do casamento deles, seria tão bom se as coisas fossem como naquela realidade que estava imaginando, seu pai nunca teria ido embora, Jason nunca teria ido para a Rússia, e ninguém nunca teria conhecido Misha.

Jason nunca teria se apaixonado pelo moreno e Jensen também não, naquela realidade ele não ficaria o tempo inteiro lutando contra si mesmo, contra a vontade de se aproximar de Misha e tomá-lo, ele não ficaria aborrecido pelo fato de simplesmente não conseguir mais esconder aquilo que estava sentindo, porque Jason já tinha percebido e não faltava muito para o resto das pessoas que o conheciam perceberem.

Seria tudo tão fácil e bom se ele fosse forte o suficiente para lutar contra aquilo, ou pelo menos esconder, mas ele não era.

_Vamos?

A voz dela o tirou de seus devaneios e ele sorriu, enquanto abria a porta do carro para que Danneel entrasse. Dirigiu devagar e pela primeira vez Danneel não estava tagarelando sobre qualquer coisa, na verdade chegou a estranhar o fato dela estar tão calada.

Parou em frente à casa amarela de cerca branca e esperou que ela lhe convidasse para entrar, mas ela não o fez.

_Obrigada por me trazer. – e beijou o lado esquerdo do rosto sardento.

Danneel viu a confusão que se formou no rosto a sua frente, mas não falou nada, suas pernas ainda tremiam pelas palavras de Jared, ela nunca pensou que ele poderia lhe dizer aquelas coisas e não podia negar que tinha ficado balançada.

Não que Jensen não fosse perfeito, mas é que ele sempre fora muito distante, como se apenas seu corpo fosse presente, ele nunca se abria para ela, nunca conversavam sobre o casamento ou sobre a vida de casados que já se aproximava, Jensen simplesmente não parecia interessado em ter uma vida ao lado dela, mas ela nunca pensou que Jared quisesse.

'Eu te amo, Danneel.' Lembrava dos olhos olivas lhe encarando enquanto Jared falava seriamente. 'O Jensen é meu melhor amigo e é por isso que eu nunca te falei, porque eu o amo, ele é como um irmão pra mim e eu não podia fazer isso com ele, mas eu sempre amei você, eu não quero que se case com ele... Casa comigo, Dan, fica comigo.'

_Não vai me convidar pra entrar?

_Me desculpe, eu estou... – e engoliu em seco, com medo de deixar escapar alguma coisa. – Eu preciso ficar sozinha.

_Tudo bem, eu entendo, mas você sabe que eu estou aqui, não é? – e passou a mão pelos cabelos avermelhados. – Eu sou seu amigo acima de tudo, Dan. – e sorriu, beijando-lhe a testa.

Ela colocou a mão na maçaneta do carro, mas então se voltou para ele.

_Jen... – e baixou os olhos, sem saber de onde vinha à coragem para perguntar aquilo.

_O que?

_Você... Não tem dúvidas sobre... O casamento?

_Dúvidas?

_É.

_Que tipo de dúvidas?

_Você acha mesmo que eu sou a pessoa certa pra você?

_Você acha que eu não sou?

Ela mordeu os lábios, olhando para as mãos que suavam.

_Você é perfeito, Jen. – disse por fim.

Jensen sorriu, finalmente entendendo que algo tinha acontecido.

_Tem um 'mas' ai, não é mesmo? O que aconteceu quando foi se despedir da sua mãe?

Danneel arregalou os olhos, mas controlou seu nervosismo, conhecia Jensen a tempo suficiente para saber que ele nunca ficaria contra a sua felicidade.

_Você é perfeito, mas não foi feito pra mim. – disse por fim. – Acredite, eu queria muito que você fosse, mas não é.

Jensen sorriu, segurando nas mãos dela.

_Eu faço das suas palavras as minhas.

_Ainda bem que não mandamos os convites. – e sorriu, vendo ele concordar com a cabeça.

Ela abraçou-se a ele, com força, o amava demais, mas agora via que era mais um sentimento fraternal. Não conseguiu conter as lágrimas e logo soluçava como uma criança e Jensen sorriu baixinho, sentindo pela última vez o cheiro dos cabelos dela, sempre adorou o cheiro de morango que eles tinham.

_Ei, por que está chorando? – perguntou.

_Eu não sei, Jen. – disse ela, finalmente o largando e enxugando os olhos com as costas das mãos. – Eu só... Eu quero que a gente continue amigo, eu amo tanto você. – e soluçou mais um pouco.

Jensen angulou os lábios e beijou a testa dela mais uma vez.

_Você é minha boneca, lembra? Eu amo você e é claro que vamos continuar amigos, afinal eu vou ser o padrinho do seu casamento com o Jay. – disse.

_O que? – a voz soou aguda e ela arregalou os olhos. – Como você...

_Eu percebi já faz algum tempo. – Danneel mordeu os lábios, voltando a chorar. – Ei, ta tudo bem, tudo bem... Eu não poderia imaginar ninguém melhor pra você.

_Como você vai ficar Jen?

_Eu to bem, é sério, Dan.

Ela beijou o rosto dele mais uma vez e então se despediu, saindo do carro e entrando em casa sem olhar para trás.

Jensen dirigiu até a própria casa e estacionou a caminhonete, desligou os faróis e encostou a cabeça no volante. Não saberia dizer quanto tempo ficou ali, mas quando escutou batidas no vidro e levantou o olhar em direção a janela do carro, seu coração não estava preparado para aquilo.

Sentiu a garganta secar e as mãos tremeram ao vê-lo pedir para abaixar o vidro, coisa que fez imediatamente.

_Oi, Jensen, – as bochechas avermelharam, mas apesar da vergonha continuou. – Eu... Eu guardei um pouco de comida pra você, já é tarde, mas se quiser jantar eu te faço companhia. – e sorriu.

Aquilo era tudo o que Jensen queria no momento.


N/a: Aguardem as emoções do próximo capitulo haha' beijão, seus lindos.