História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 15 – Lembranças
Naquela manhã, Milo foi para a LSE com Aioria praticamente sem emitir uma só palavra. Sim, porque Aioria encontrava-se tão empolgado com o quase diálogo que tivera com Marin que falava sozinho, fazendo ele mesmo os comentários que caberiam a Milo.
Milo, apesar de contente pela satisfação do amigo, aproveitou o tempo livre para pensar um pouco no que tinha feito. Por quê? Mas os pensamentos de Milo foram logo redirecionados para Aioria quando notou que ele usava um gorro vermelho. Sim, era verdade... Aioria não estava andando pelas ruas segurando as orelhas como de costume... Aquilo não iria ficar barato!
- Ei, Aioira! Comprou um gorro para esconder as orelhas de abano?
- Minhas orelhas NÃO são de abano, Milo. E foi a Marin quem me deu esse gorro.
- Ah! Então, tá. Ela também deve ter achado que suas orelhas SÃO de abano. – poucas coisas irritavam mais Aioria do que o tom propositadamente condescendente de Milo.
A partir daí, eles foram discutindo até a sala de aula e notaram que somente estavam disponíveis cadeiras na primeira fileira e, para desgosto de ambos, foi lá que eles se sentaram, bem em frente ao Prof. Dokho.
Milo, então, começou a olhar ao seu redor, para tentar combater o sono que se apossara de tão logo se sentara. Shaka estava sentado com Mú, de mãos dadas. Aldebaran, Shina e Marin estavam nos fundos da classe e lhe lançaram sorrisos. Seya, Hyoga, Shun, Ikki e Shiryu (seriam esses os nomes?) estavam no meio da classe, sempre juntos Misty e Algol estavam logo atrás. Aquele monte de outros colegas também estava por lá, mas Milo duvidava que conseguisse se lembrar do nome deles a essa hora da manhã. Kamus e Afrodite estavam sentados lado a lado. Afrodite cochichava algo no ouvido de Kamus que sorria divertido. Aquilo o incomodou. Desde quando eles tinham virado tão amigos? E desde quando Kamus sorria daquele jeito? Possivelmente desde que resolvera agredi-lo sem motivo pensou Milo enquanto tentava prestar atenção à aula.
O prof. Dohko falava, em tom monocórdico sobre a OMC, o GATT e as Rodadas de Negociação. Não demorou muito para que Milo, que tinha dormido nada ou muito pouco na noite anterior, dormisse bem em frente ao professor. E logo começasse a sonhar.
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Pensar que dez anos já tinham se passado de sua formatura do colégio em Korfú. Milo e Aioria vieram especialmente de Atenas para o encontro. Ficariam, então, uma semana na ilha, cada um com sua família para, somente então, começarem sua viagem a Londres.
Aioria não estava nem um pouco animado com a festa. Ver novamente seus colegas, tantos deles que nunca mais saíram da ilha. Suas amigas de escola estavam todas casadas e com filhos e, para piorar, as lembranças de Aioria da escola não eram tão agradáveis. Recuperações, brigas, desilusões e as inevitáveis comparações com Aioros. Enfim, a escola foi sinônimo de confusão para nosso leonino.
Já para Milo era diferente. Ele sempre se dera bem com quase todos os colegas. Ficara com inúmeras de suas amigas de escola e (também!) com as turistas do hotel do pai de Aioria. Na verdade, apesar de Milo ser um dos alunos mais pobres da escola, era também um dos mais queridos. Sempre organizava os programas, sempre ia razoavelmente bem nos exames e sempre fora o objeto de desejo das colegas. Nada mal para quem deveria ser jogado para escanteio pela elitista sociedade de Korfu. Mas Milo sempre tivera facilidade em se relacionar com os outros e sua beleza tinha o dom de lhe abrir portas (e outras coisas mais).
Enfim, Milo e Aioria entraram no salão e Milo imediatamente foi cercado pelas colegas. Todas mulheres, é claro! Cada uma falava mais do que a outra. Todas queriam saber se ele tinha se casado, se estava namorando alguém, se estava noivo. E Milo respondia a todas com o bom humor habitual, esclarecendo que ainda estava sozinho porque em Atenas não existiam mulheres tão lindas quanto em Korfu. Claro que Milo notou pelos olhares que três ou quatro lhe lançavam que elas estariam mais do que dispostas a reviver os velhos tempos, mas Milo jamais se envolvera com mulheres casadas ou com mulheres de amigos, de forma que não tinha interesse algum nas ofertas. Ademais, nenhuma delas fora importante para ele. Nada mais além de amigas e velhas conhecidas.
No entanto, um dos maridos, um contemporâneo de escola, ainda que mais velho, ofendeu-se com o assédio coletivo. Ele era casado com uma das mulheres que se oferecia de forma descarada a Milo, e ele acabou disparando em voz alta:
- Bom, querida, nosso pop star pode até fazer sucesso rápido, mas parece que ele não mudou tanto assim. Ninguém, nunca, fica com ele por mais de dois meses, não é?
- ... – todos os que estavam por perto viraram-se para Milo à espera de uma resposta que não veio. E Aiacos continuou, claramente descontrolado e bêbado:
- Mas imagino que este seja o destino de um pop star. Esquenta a cama de muita gente, mas termina a vida na solidão!
Todos ficaram mudos com a grosseria de Aiacos, o dono da maior locadora de carros de Korfu. E todos esperavam a resposta de Milo que, em verdade, não sabia o que responder. Aiacos tinha razão. Ele realmente nunca, em sua vida, ficara com alguém por mais de dois meses. O que ele poderia dizer em sua defesa? Que ele nunca se apaixonara? Que as mulheres nunca se apaixonaram por ele? Assim, Milo meramente sorriu e foi pegar uma bebida com Aioria, enquanto ouvia ao longe o início da discussão entre Aiacos e Christa.
Todos os seus amigos e amigas passaram a noite insinuando como Aiacos era grosseiro e em como seu casamento ia mal. Em como Christa o chifrava com a cidade inteira. Mas nada daquilo amenizava seu desconforto. Aiacos tinha razão, afinal. Todas as mulheres que tivera somente o usaram para esquentar sua cama. Nenhuma o quis realmente. Ninguém o quis realmente. Não que ele tivesse se incomodado muito ao longo de sua vida com aquilo. Muitas vezes ele achava que era porque ele era um joão ninguém que transitava em uma sociedade abastada. Outras, ele achava que era por que ele era bonito e que beleza somente fomentava desejo e não amor.
Mas Milo sempre tentara não se incomodar muito com aquilo. Ele sempre tentara se consolar com as loucuras, aventuras e diversões incessantes que aquela situação proporcionava. E, até pouco tempo atrás, esse consolo fora suficiente. Porém, atualmente, Milo sentia a falta de algo. Ele sentia a solidão. Há muito tempo já que ele se sentia só. E ele queria, como queria, um relacionamento estável, se apaixonar, ter alguém que fosse seu e, mais importante, ele queria ser de alguém que o quisesse realmente.
E o sonho mudou... Ele estava nos braços de alguém muito querido. Ele tentava ver seu rosto em vão. Mas via seu cabelo comprido, liso e esverdeado, e o perfil de um rosto tão lindo que parecia pertencer a um anjo. E viu os lábios do anjo se moverem, formando seu nome:
- MILO KERAMIDAS!
Ooooooooooooooooooooooo Final do Flash back ooooooooooooooooooooooooooo
Milo acordou com um sobressalto. Aioria o empurrou com o cotovelo e ele praticamente caiu da cadeira. A classe inteira ria e ele focalizou o professor Dohko parado bem à sua frente, com cara de poucos amigos:
- Eu lhe fiz uma pergunta, Milo Keramidas!
- Desculpe, professor, o senhor poderia repeti-la?
- Não, não posso, Sr. Keramidas. Eu acho que o senhor deveria ...
Mas a frase ficou perdida no ar com a entrada do ser mais exótico que Milo já vira na vida. Cabelos amarelo-esverdeados, longos e cacheados. Olhos castanho-arroxeados. Altura considerável. E ele batera na porta e entrara na classe, fazendo com que absolutamente todos os olhares convergissem para si, inclusive os olhares assassinos lançados pelo professor Dohko. Tudo o mais foi esquecido. Milo foi esquecido e nunca soube qual foi o comentário desagradável que o professor Dohko estava prestes a disparar para ele..
- Professor Dohko, com licença, eu gostaria de falar com um aluno seu. – a voz daquele ser era baixa e exótica como ele próprio. Mas claramente conseguia atrair a atenção de todos em volta. Era como se uma luz saísse de dentro dele, iluminando-o e pedindo, não, exigindo atenção.
- Claro que o senhor entende que as regras da boa educação indicam que o final da aula deveria ser esperado, não é? – sim, o professor Dohko era rabugento, mas nunca fora agressivo antes.
- Imagino que o senhor entenda que assuntos médicos tenham preferência sobre as regras da boa educação. – sim, havia uma nota provocante naquela voz. Quem seria ele, afinal?
- Assuntos médicos no meio da minha aula?
- Em verdade eu precisava falar com um aluno que atendi durante o final de semana. E quando vi que ele estava em sua aula, achei que eu devia lhe prestar uma visita. Pelos velhos tempos.
- Não precisava.
- Ah, sim! Precisava sim! Sãs as regras da boa educação se aliando aos interesses médicos. Tenho certeza que o senhor entende.
Aquela conversa cifrada acontecia bem em frente a Milo que não podia deixar de acompanhá-la. E Milo tinha a ligeira impressão que a classe inteira acompanhava a conversa. Aquele estranho homem tinha esse poder.
- E qual seria o aluno? – o visitante, languidamente, consultou uma ficha que estava em suas mãos e disse:
- Milo Keramidas. – Milo sentiu novamente sobre si o olhar nada agradável do professor Dohko.
- Com que então o senhor Keramidas tirou o dia para interromper a minha aula, não é isso?
- ... – Milo não soube o que responder, mas viu que o outro homem o olhava sorrindo de forma simpática e ele, ingenuamente, retribuiu o sorriso. Foi imediato! Nos olhos do Prof. Dohko a cólera de cem dragões se refletiu.
- E vejo que o senhor Keramidas estava se divertindo com nossa conversa. Fico feliz que ela tenha conseguido o que minha aula não conseguiu: MANTÊ-LO ACORDADO!
OK, ele dormira e ouvira a conversa que se desenvolvera bem à sua frente, mas ele não estava em condições de ser humilhado novamente. Saga, Kamus, Aiacos, Saga novamente e agora Dohko – e em frente à classe inteira. Teriam sido abertas as inscrições para o campeonato mundial de humilhação ao Milo? Seria isso? Mas era o suficiente! Ele chegara ao seu limite!
- Bom, professor, o senhor há de entender que esta conversa estava bem mais interessante do que a sua aula!
E a classe inteira explodiu em risadas, no que foi acompanhada por Shion, o médico da instituição. As risadas só cessaram quando a voz do Professor Dohko, ameaçadora, se fez ouvir novamente:
- Senhor Milo Keramidas e sua dupla de trabalho, o senhor Albert Kamus. Espero os dois em minha sala logo após a aula.
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Shaka ficou incomodado com aquilo. Desde que aquele estranho homem entrara na classe, Mu largara sua mão abruptamente. Ele estava com o olhar vidrado e ostensivamente encarava o homem.
Sim, era verdade que no dia anterior Shaka resolvera mudar por causa de Mu. Ele resolvera controlar sua desconfiança. Ele resolvera tentar controlar seus ciúmes. Ele resolvera tentar se relacionar melhor com as pessoas. E, mais do que tudo, ele resolvera se relacionar com Mu.
Aquela não fora exatamente uma decisão fácil para o crítico virginiano. Ele tinha que analisar todos os fatos de forma minuciosa. E, num relacionamento, as variáveis eram praticamente imponderáveis. Mas, depois de analisar todas essas informações, ainda assim, ele decidiu que, sim, ele iria se relacionar com Mu.
E agora aparecia um exótico ser que atraía a atenção de seu carneirinho daquela maneira? A ponto de ignorá-lo completamente? E o pior é que quando Shaka tentou perguntar o que ocorrera, Mu mandou-o ficar quieto, pois queria ouvir a conversa do professor e do tal cara. Shaka ficou aborrecidíssimo. Ele nunca seria exótico como aquele homem. Ele nunca interromperia uma aula daquela forma e, ele tinha certeza, ele nunca chamaria a atenção de uma classe inteira daquela forma. O homem era claramente não convencional, diferente e consciente de sua força. Se Mu quisesse alguém como ele, Shaka não teria a mínima chance de competir com alguém assim. E Shaka fez o que sabia fazer melhor, fechou os olhos e tentou ignorar tudo o mais a seu redor. Inclusive e, especialmente, Mu.
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Saga entrou no escritório um tanto quanto desorientado. Milo falara que viria encontrá-lo, mas Saga não acreditou. Nem por um minuto. Milo parecia querer se desvencilhar dele. E ele merecia aquilo! O que ele pensara, afinal? Ele se deixara levar por seu desejo e, incentivado pela falta de reação de Milo, o tratara mal novamente. Bom, não exatamente mal. Ele apenas agira com pressa. A pressa que seu desejo ordenava. Ele tinha certeza que não havia sido bom para Milo. Ele desperdiçara a oportunidade e talvez tivesse perdido Milo para sempre. E, passando pelos funcionários, grunhiu à guisa de bom dia.
Shura e MdM, tão logo chegaram foram avisados que Saga já estava trancado em sua sala com cara de poucos amigos, e para lá se dirigiram. Algo definitivamente não estava bem. Desde que aquele grego se mudara para a sua casa, Saga era a personificação do bom humor. A tal ponto que os funcionários organizaram um bolão para tentar adivinhar a razão da mudança de Saga. Shura e MdM, também entraram no bolão, é claro! Só não apostaram que o motivo do bom-humor era um grego de grandes olhos azuis. Na verdade, MdM apostara em "finalmente conseguiu ver os cisnes pretos do Hyde Park transando". Já Shura apostou que "os ETs que o haviam abduzido na última semana o forçaram a experimentos sexuais que envolviam a prática do swing". Enfim, qualquer das possibilidades era mais viável do que Saga se apaixonar. Mas ele se apaixonara... Logo, ver os cisnes pretos transando ou ser abduzido pelos ETs poderia acontecer com qualquer um, certo?
- Saga, hombre, o que aconteceu?
- Nada, Shura. Você não tem nada o que fazer, não?
- Guarda, Saga! Confia na gente!
- MdM, me parece que você também tem o que fazer. Ou vou ter que reportar para a matriz?
- Saga, é o Milo? – E tão logo Shura viu a expressão de Saga mudar ele se deu conta que acertara em cheio.
- Saga, é essenziale1 que eu te esclareça algo... Depois de 2 ou 3 dias, a droga finalmente saiu da corrente sangüínea. Oggi2 ele não deve estar mais tão pronto a te agradar. – MdM tomava o mau-humor por uma eventual negativa de Milo.
- Como?
- Saga, a droga funciona por 2 ou 3 giorni3. Nestes giorni o usuário tem sua vontade reduzida, alguns lapsos de memória e fica muito suscetível a estímulos sexuais. Oggi acabou.
Saga se espantou. Aquele comportamento estranho e entregue de Milo tinha a ver com o fato de MdM o ter drogado na sexta-feira? E Saga, de forma idiota e despropositada, atacara Milo e ainda tomara sua falta de reação por aceitação. Ele merecia bater com a cabeça na parede. Como ele faria para ajeitar aquela situação?
- Habla, hompre. Que pasa?
- Eu preciso dar um jeito de arrumar as coisas.
- Droga ele novamente – MdM, claro, não tinha um pingo de princípios em sua cabeça italiana.
- Não, eu preciso conquistar o Milo. Controlar o meu mau gênio e ...
- Controlar o seu mau gênio? Não vai ser fácil, hein? – e Shura começou a cantarolar o tema de Missão Impossível.
- Fora! Fora os dois! Eu preciso pensar. E não contem para ninguém que o Milo foi drogado!
E os dois, surpresos, saíram. Talvez eles devessem mudar suas apostas no bolão. Talvez MdM tivesse que apostar que Saga fizera sexo com os cisnes pretos do Hyde Park... E Shura iria mudar sua aposta para... os ETs praticaram swing em frente a Saga, mas não o deixaram participar da brincadeira.
E os dois foram procurar os organizadores do bolão.
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Milo e Kamus estavam sentados em frente à escrivaninha do Professor Dohko. Se possível, ele parecia estar ainda mais descontrolado do que estivera durante a aula. E Milo não sabia o que fazer para tirar Kamus daquela situação. Kamus era sua dupla nos trabalhos daquela matéria. Mas qualquer ser razoável pensaria que toda e qualquer punição seria dirigida tão somente a Milo. Kamus, afinal, não tinha nada a ver com aquilo. Ele precisava arranjar uma forma de tirar Kamus daquela enrascada. E, enquanto pensava, palavras e frases vagas entravam em sua mente, sem que seu inteiro sentido fosse captado ... Desrespeitoso ... Cafajeste ... Vou reportá-lo à direção da escola ... Paquerar o médico da instituição na frente da classe inteira... Você vai ser expulso... Vou acabar com a sua vida... Quero ver se aquele médico sem vergonha ainda vai te querer depois disso...
- Monsieur professeur, je pense4 que o senhor compreende que não tem o direito de ofender ou ameaçar o senhor Keramidas aqui presente. E que qualquer ato neste sentido pode ser reportado por nós à direção da faculdade.
Milo quase caiu da cadeira (novamente!). Kamus o defendera ao invés de dizer que não tinha absolutamente nada a ver com aquilo? Por quê? Agora o professor iria persegui-lo também. Mas, involuntariamente, o peito de Milo se aqueceu. Kamus o defendia. Ele não devia odiar Milo tanto assim... Milo iria tentar arranjar as coisas:
- Professor Dohko, por favor, perdoe o Kamus. Ele não fez nada. Fui eu. Eu faço questão de arcar com a responsabilidade pelos meus atos sozinho. Deixa ele fora disso. – mas tão logo acabou de falar, Milo se deu conta que o professor não o ouvira. Ele continuava a encarar Kamus, com uma raiva fria.
- O senhor vai reportar meus atos? E os do senhor Keramidas aqui?
- Professeur, se o senhor avaliar a questão, verá que o Senhor Keramidas nada mais fez do que um comentário engraçado, sem potencial ofensivo. Au contraire5 do que o senhor está falando para ele desde que entramos em sua sala. Creio que nossa conversa deva evoluir sobre o tema do trabalho e o seu prazo da entrega, n'est pas6?
- Professor, seria possível atribuir o trabalho somente a mim, e não ao senhor Kamus? – mas os dois o olharam ameaçadores e responderam de uma vez só.
- NÃO! – Milo, então, se calou.
O Professor Dohko reconheceu sua derrota. Ele nunca poderia ter se dirigido a um aluno como ele se dirigira a Milo. Maldita hora em que chamara o francês para sua sala. E, suspirando, faou:
- Os dois vão me entregar em 15 dias um trabalho de 50 (cinqüenta) laudas manuscritas sobre os assuntos que não chamaram a atenção do senhor Keramidas: OMC, sanções comerciais, prática de subsídios, julgados do Tribunal da CE.
- Merci beaucoup7! - E Kamus puxou um atordoado Milo para fora da sala.
Tão logo eles saíram, Milo começou a se desculpar:
- Kamus, me perdoa. Eu nunca imaginei que isso poderia acontecer. É o cúmulo da injustiça. Você não tem nada a ver com isso. Eu vou voltar lá e conversar com ele. Isso é o fim!
- Non, Milo! Estamos nessa juntos. E ele não tinha o direito de te ofender daquela manière8. Você não tem que se rebaixar para pedir nada para aquele descontrolado ciumento.
Tão logo Kamus falou, ele se deu conta do estranho da situação. Não fora ele quem ofendera Milo sem motivo algum? E por ciúmes? Sim, Kamus sabia que o professor estava sendo desnecessariamente injusto. Ele, claramente, ficara com ciúmes da atenção que o Dr. Shion dispensara a Milo, mas isso não era motivo para ofender Milo daquela forma. O sangue de Kamus fervera ao ouvir as ofensas e ameaças que o Professor Dohko dirigira a Milo naquela sala. E tudo o que Milo pensara fora em tirar a ele, Kamus, daquela confusão. Milo merecia suas desculpas.
- E por falar nisso, Milo... Eu queria te pedir desculpas por ontem. Eu também não tinha o mínimo direito de te agredir daquela forma. Eu fiquei tão preocupado com você que perdi a razão. Eu mal conheço você ou seus amigos para julgá-los daquela forma. Pardonnez-moi9.
- Sem erro, Kamus. Eu nem pensei naquilo – que mentira! pensou Milo – e desculpa pelo soco. Ultimamente eu estou agindo como outra pessoa. Desculpa, Kamus! Por ontem e por hoje. Acho que ando te arrastando nas confusões da minha vida desregrada – e Milo dirigiu a Kamus aquele sorriso luminoso que só ele tinha.
Kamus ficou olhando para Milo sem saber o que te dizer. Também, o que ele poderia dizer diante daquele sorriso? Milo era tão lindo. E tão alheio ao efeito que causava nos outros. Kamus sentiu seu coração se aquecer e esticou a mão para passar os dedos levemente pelo sorriso de Milo. Como ele queria que aquele sorriso sempre estivesse ali. Como ele queria que Milo sorrisse assim para ele. Sempre!
Milo ficou surpreso pela forma como Kamus o olhava. E sentiu o aroma de seu perfume. Milo simplesmente adorava o perfume de Kamus. Era amadeirado, másculo, envolvente, como Kamus. Pára, Milo! A verdade é que Kamus deveria estar chateado com ele, afinal. Ele só o metia em confusão. Kamus tinha todos os motivos do mundo para odiá-lo. Mas, não! Kamus sorria para ele. Um sorriso contido, mas um sorriso. E passava os dedos levemente em seus lábios. E o olhava como ... como o olhara na boite, antes de Milo desmaiar em seus braços. Um choque imediatamente percorreu o corpo de Milo. Era isso! Era essa a lembrança que teimava em não vir.
- Kamus, era você quem estava comigo quando eu desmaiei na boite, não era?
Milo agora se lembrava da sensação de segurança e aconchego. E se lembrava do perfume de Kamus. E se lembrou que, naquele momento, apesar de tudo, sentiu como se alguém muito querido estivesse lá, por ele, para cuidar de tudo, inclusive dele. Uma sensação maravilhosa! Algo que nunca sentira antes. Como se ele pudesse dividir o fardo da sua vida com alguém.
- Humhum. – Kamus continuava a olhá-lo daquela forma estranha, quente, aconchegante.
- KAAMUUSSS! Graças aos deuses eu te achei! Eu já estava preocupado. Eu preciso passar na sua casa para pegar as coisas que deixei lá no final de semana. E não adianta me pedir. Hoje eu NÃO durmo na sua casa, seu francesinho metido.
O encanto se quebrara. Com tristeza Kamus sentiu Milo se enrijecer. Ele viu o sorriso de Milo desaparecer. Sua mão caiu ao lado de seu corpo. Ele tinha certeza que ouvira algo mais se quebrar além do encantamento daquele momento.
- Bom, Kamus e Flor. Estou de saída. Ainda tenho que passar no médico. Desculpas mais uma vez, Kamus. Eu vou fazer o trabalho sozinho. Pode deixar!
E, ao ver Milo seguir pelo corredor, Kamus sentiu seu peito doer.
- Desculpa, Kamus. Eu não vi que você estava com o Milo. Deixa que eu vou falar com ele!
- Laissez, Fleur. Il n'est pas pour moi!10
Afrodite suspirou. Era bom que ele se conformasse logo com o fato de que iria novamente passar a noite na casa de Kamus.
E Kamus se foi com sua conhecida solidão. Agora ele sabia o que ouvira quebrar naquele momento: a sua esperança de ser feliz!
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Oi Pessoal:
Pelas reviews que recebi, notei que o tom rabugento da minha última nota deu a entender que eu iria desistir da fic. Desculpem! (Virgo-chan nega com a cabeça!) Nunca! Nunca vou largar a fic. Eu gosto muito dela! Só fiquei aborrecida, mas já passou (Virgo-chan sorri de orelha a orelha para enfatizar que voltou a ficar feliz com a fic repostada). As desculas são especialmente par você, Dark Ookami!
Gostaria de agradecer as reviews maravilhosas da Musha, da Gigi, da Elena, da Tsuki Torres, da Patin e da Dark Ookami. Obrigada!
Patin, os esclarecimentos prestados pelo Milo foram devidos à sua maravilhosa review. Ela me fez considerar que era necessário que o escorpiãozinho justificasse suas posições!
Beijos da
Virgo-chan
Jun/06
1 essencial
2 Hoje
3 dias
4 Senhor professor, eu penso.
5 Ao contrário
6 Ao contrário
7 Muito obrigado
8 maneira
9 Me perdoa
10 Deixa, Flor. Ele não é para mim!
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