Quando os sonhos se tornam realidade

8. Rabugice e Inveja

Lys acordou cedo, porque estava ansiosa pelas aulas desse dia. Levantou-se antes que todas as outras, arranjou-se e desceu até à sala comum. Como ainda faltava algum tempo até ao pequeno-almoço, Lys ocupou uma mesa e começou a fazer os trabalhos de casa, que eram imensos. Decidiu começar pelos de Poções. Pegou num rolo de pergaminho, desenrolou-o sobre a mesa e escreveu o título: "As propriedades da selenita e os seus usos na manufactura de poções". Depois abriu o seu livro de Poções e pôs mãos à obra. Passadas duas horas, ela já tinha acabado todos os trabalhos de casa e estava a ler o livro "Monstros fantásticos e onde encontrá-los" quando Hermione e Sayoko desceram do dormitório.

- Acordaste cedo… – brincou Sayoko.

- Vamos mas é tomar o pequeno-almoço – disse Hermione.

As três raparigas dirigiram-se para o salão e sentaram-se. Pouco depois chegaram Harry e Ron.

- Olá – cumprimentaram, ao sentarem-se.

- Porque é que estás tão contente, Hermione? – perguntou o ruivo, estranhando a felicidade da amiga.

- Os chapéus desapareceram. Afinal, parece que os elfos domésticos sempre querem liberdade – comentou Hermione.

- Que chapéus? – questionou Lys.

- Os que a Hermione anda a fazer para os elfos domésticos serem libertados. Mas duvido que eles considerem aquilo roupa, a mim parecem-me mais bexigas de lã – disse Ron.

Hermione não lhe falou durante toda a manhã por causa daquele comentário infeliz.

Elysa gostou de uma das aulas que mais ansiava: Encantamentos. Depois de um longo discurso sobre os NPFs por parte do professor Flitwick, que Lys achou super fofo, os alunos passaram a aula a rever os Encantamentos de Convocação. Lys teve algumas dificuldades a início, mas depois Hermione deu-lhe algumas indicações e Lys conseguiu realizar com sucesso um ou dois Encantamentos de Convocação. Mas, na sua opinião, Encantamentos ia ser uma disciplina difícil e teria que treinar muito. O professor concluiu a aula marcando-lhes o maior trabalho de casa de Encantamentos de sempre e o grupo dirigiu-se para Transfiguração, outra disciplina que Lys estava desejosa por experimentar.

Depois de um grande discurso sobre os NPFs – os professores estavam a tornar-se um pouco repetitivos – a professora McGonagall mandou-os treinarem os feitiços de Desaparição. Lys leu as instruções que vinham no livro e murmurou o feitiço. O caracol que estava à sua frente desapareceu. A professora, que estava a falar com Neville, olhou para a mesa de Elysa e perguntou:

- Menina Robins, onde está o seu caracol?

- Eu… eu não sei – respondeu, desconsolada, a rapariga.

- É bom que saiba que não deve esconder aquilo que é suposto fazer desaparecer por magia – declarou a professora McGonagall, severamente.

- Eu não o escondi – disse Lys.

- Veremos.

A professora tirou a sua varinha do bolso e murmurou um feitiço. Nada aconteceu.

- Bem, parece que não estava a mentir. Acha que consegue fazê-lo outra vez? – inquiriu a professora, fazendo aparecer um novo caracol à frente de Elysa. A rapariga murmurou o feitiço e o caracol eclipsou-se.

- Devo felicitá-la, pois fez um Feitiço de Desaparição perfeito. Não esperava que conseguisse algo tão difícil logo à primeira tentativa. Afinal, a menina é uma principiante. Mas parece que não é tão principiante assim. Dez pontos para Gryffindor.

Alguns Gryffindors bateram palmas, mas a professora fulminou-os com o olhar e os aplausos cessaram. Ainda mais ninguém havia conseguido fazer os seus caracóis desaparecerem. Hermione resmungou algo como "ela não é assim tão boa" e revirou os olhos. De seguida, fez com que o seu caracol desaparecesse, o que valeu aos Gryffindor mais dez pontos. Apenas Hermione e Elysa não tiveram trabalhos de casa a Transfiguração; os restantes alunos tinham que praticar os Feitiços de Desaparição. Harry e Ron estavam visivelmente preocupados com a enorme quantidade de trabalhos de casa que tinham para fazer. Por isso, passaram a hora de almoço na biblioteca a pesquisar sobre as utilizações da selenita. Lys não os acompanhou porque tinha os trabalhos em dia e Hermione ainda estava aborrecida com Ron por causa do comentário aos chapéus para os elfos domésticos, por isso também não foi. Elysa almoçou e, como ainda tinha algum tempo livre, decidiu ir apanhar ar fresco. Quando passou pelos grandes portões de entrada do castelo, notou que o ar estava realmente fresco. Estremeceu.

- Devia ter trazido um agasalho – murmurou, batendo os dentes.

O céu estava cinzento e ameaçava chover. Como não tinha mais nada que fazer, foi até ao pé da cabana de Hagrid. Tentou ver alguma coisa pela janela, mas não conseguiu. Depois, foi ter com a Professora Grubbly-Plank, que estava já a preparar a aula de cuidados com as Criaturas Mágicas. Lys foi a primeira a chegar à aula. Estava molhada e com frio, mas ajudou a professora a carregar com uns galhos para uma mesa. A professora agradeceu-lhe muitíssimo, e compensou-a dando dez pontos para Gryffindor. Aos poucos, os alunos foram chegando.

- Novidades? – inquiriu Harry, quando o Trio chegou ao recinto da aula.

- Nem por isso – respondeu Elysa, tentando ocultar o facto de estar enregelada e absorta nos cabelos loiros de Malfoy.

Harry não acreditou na amiga e segui-lhe o olhar, que estava novamente fixo num dos piores inimigos do rapaz-que-sobreviveu: Draco Malfoy. Harry não sabia a razão daquele fascínio, porque ele não via nada de bom no loiro. Mulheres!, pensou.

- Todos presentes? – bradou a professora. – Vamos então a isto. Quem me sabe dizer como se chamam estas coisas? – perguntou, indicando o monte de galhos.

Elysa achava que sabia, mas não queria fazer figura de parva se errasse, por isso não levantou a mão. Mas, ao contrário de Lys, a mão de Hermione ergueu-se, o que fez com que Malfoy a gozasse. Elysa olhou-o. De repente, os galhos transformaram-se. Ganharam braços e pernas nodosos e castanhos, com dedos longos e finos. Uns olhos brilhavam-lhes nas caras achatadas e castanhas. Pareciam figuras de madeira.

- Então, alguém sabe o nome destas criaturas? Menina Granger?

- Bowtruckles – respondeu Hermione. – São guardiães de árvores e vivem geralmente em árvores boas para varinhas.

- Cinco pontos para os Gryffindor – anunciou a professora. – Alguém sabe o que comem?

- Bichos-de-conta – proferiram Hermione e Lys, ao mesmo tempo. Olharam-se embaraçadas e Hermione fez cara de amuada.

- Mas preferem ovos de fada, se os conseguirem arranjar – completou Elysa, recebendo um olhar penetrante de Hermione.

- Muito bem, menina Robins. Mais cinco pontos. Agora juntem-se em grupos de três para estudarem os Bowtruckles mais minuciosamente. Quero que me entreguem um desenho com as suas partes do corpo claramente classificadas.

Elysa sabia que iria ser posta de parte. O Trio juntou-se, mas depois Harry afastou-se e foi-se juntar a Lys, o que a deixou extremamente surpresa.

- Mas… - começou a rapariga.

- Não te ia deixar sozinha. Somos amigos, lembras-te? E assim vai dar tempo para que aqueles dois – indicou Ron e Hermione com a cabeça – façam as pazes.

- Eles gostam um do outro, não é verdade?

- Também acho que sim – respondeu Harry. – Mas são cabeçudos de mais para o admitirem.

Elysa riu-se e começou a fazer o desenho.

- Queres ajuda? – perguntou a Harry, quando acabou o seu desenho.

- Já 'tá na hora de irmos embora. Depois faço-o como trabalho de casa. Mas vais-me ajudar, que tu é que tens jeito para isto.

Lys foi a única que conseguiu acabar o desenho antes da aula terminar. Até Hermione ficara a meio do trabalho. Por causa disso, Elysa recebeu um elogio da professora Grubbly-Plank, que lhe dissera que ela desenhara rápido e extremamente bem. O desenho estava uma cópia perfeita do Bowtruckle. A rapariga até lhe captara a expressão calma que lhe povoava o rosto. O grupo dirigiu-se às estufas, pois iriam ter Herbologia. Sem que isso constituísse surpresa para ninguém, a Professora Sprout iniciou a sua aula com um discurso sobre os NPFs. Todos estavam muito cansados daquele tema, pelo que poucos ouviram quilo que a professora estava a dizer. E houve outra surpresa por parte da professora Sprout: esta marcou-lhes mais outro grande trabalho de casa.

Quando chegaram ao salão para comerem qualquer coisa, Angelina Johnson interpelou Harry e berrou com ele. Pelo que Elysa percebeu, Harry acabara de arranjar um castigo para o dia da prova de Quidditch. Lys ainda sabia muito pouco sobre esse desporto, mas estava ansiosa por assistir a uma partida.

Ah, pois é…, lembrou-se Lys. O Harry vai cumprir o seu primeiro castigo com a bruxa da Umbridge hoje!

- Boa sorte, Harry – desejou Elysa, quando ele partiu para o castigo.

Hermione, Ron e Elysa ficaram ainda mais um pouco no salão.

- Fogo, pá. Tenho montes de trabalhos de casa para fazer! Isto está a dar comigo em doido! – queixou-se Ron.

- Pois é, Ron. Devias começar a gerir melhor o teu tempo – advertiu Hermione, rabugenta.

- Já fizeram as pazes? – perguntou Lys, em tom divertido.

- Muito engraçadinha – resmungou a sabe-tudo, lançando-lhe um olhar furioso.

- Pára, Hermione. Já estás a irritar-me com essa fúria toda. Deixa lá a rapariga! O que é que ela te fez? – exclamou Ron, zangado.

- Vai passear, Ron. Depois não me venhas pedir para te ajudar nos trabalhos de casa! – gritou Hermione, saindo enraivecida do salão.

Lys lançou um olhar de "o que é que ela tem?" a Ron.

- Oh, esquece lá isso. Ela está habituada a ser sempre a melhor.

Elysa não percebeu o comentário.

- Bem, tenho coisas que fazer. Até logo! – despediu-se Ron, saindo também ele do salão.

Elysa arrastou-se até à sala comum dos Gryffindor. Fez o trabalho Encantamentos rapidamente e treinou um pouco os feitiços que aprendera nesse dia. Depois, escreveu uma carta para a sua mãe adoptiva, a dizer que estava a adorar tudo, mas que tinha saudades de casa, apesar de não ser totalmente verdade. Lys estava a adorar toda aquela agitação. Adorava tudo naquele mundo, desde o mais pequeno ser mágico à magia mais poderosa. Passado algum tempo, Hermione entrou na sala comum e sentou-se a tricotar mais "chapéus". Não falou a Lys: estava amuada.

- Olá – saudou Ron, quando chegou, já tarde.

- Olá, Ron. Onde estiveste? – quis saber Elysa.

- Apeteceu-me dar uma volta – respondeu, em tom evasivo.

O ruivo sentou-se numa poltrona e esticou as pernas.

- Pareces cansado – observou Lys, meigamente. – Queres que te faça algum trabalho de casa?

- Fazias isso por mim? – inquiriu Ron, com um olhar de extrema adoração.

- Claro.

O Weasley foi buscar o seu saco.

- Faz-me a composição sobre a selenita, OK?

- Tudo bem – respondeu Lys, pegando na sua própria composição.

Elysa conseguiu fazer uma composição boa, sem copiar a sua. Tirou as ideias principais e escreveu tudo de outra maneira, tão completa como a sua. Quando Ron leu a composição, deu um salto de alegria.

- Isto está óptimo! Obrigado, obrigado, obrigado, mil vezes obrigado! – exclamou o ruivo, cobrindo de beijos a face de Lys.

Isso foi a gota de água para Hermione. Levantou-se e arrancou o pergaminho das mãos de Ron. Leu-o de alto a baixo e resmungou:

- Não está nada de especial. Se me tivesses pedido, eu também te tinha feito uma coisa igual.

- Caso não te lembres, tu disseste-me para não te pedir ajuda nos trabalhos de casa - comentou Ron em tom cortante. – Deixa-te de parvoíces, Hermione. Admite lá que ela é melhor que tu.

- Pfff – proferiu Hermione. – Ela tem é sorte.

- Pois, pois. Por isso é que conseguiu fazer os caracóis de Transfiguração desaparecerem primeiro que os teus.

- Importam-se de parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui?! – exclamou Lys, irritada.

- Deves achar-te muito importante… - bufou Hermione, antes de desaparecer nas escadas que davam para os dormitórios das raparigas, batendo com os pés.

- Não lhe ligues – disse Ron. – Ela está é com inveja.

- Não sejas assim, Ron. Escusavas de te meter tanto com ela.

- Ela tem a mania.

- Olha, adeus – exclamou a rapariga, abespinhada com a atitude do ruivo.

Lys subiu as escadas que davam para o dormitório. Aproximou-se da cama de Hermione, e percebeu que ela fingia que estava a dormir. Mas decidiu não a incomodar.

No dia seguinte, nem Ron nem Harry nem Hermione fizeram companhia a Lys ao pequeno-almoço. O ruivo e o rapaz-que-sobreviveu tinham que fazer os trabalhos e Hermione ainda estava mal-humorada por causa da noite anterior. Após ter tomado os seus cereais da manhã, Elysa dirigiu-se para a biblioteca, onde encontrou Harry e Ron embrenhados a escreverem em dois cadernos com "Diário de Sonhos para Adivinhação" escrito nas capas.

- Sabem da Hermione? – inquiriu Lys.

- Hum… não faço a mínima – respondeu Harry, sem levantar os olhos do caderno.

- Provavelmente deve estar na sala de Transfiguração a treinar os feitiços de Desaparição – gozou Ron.

- Obrigado – agradeceu Elysa, saindo da biblioteca.

A rapariga dirigiu-se para a sala de Transfiguração, porque, apesar de Ron estar a gozar, ela achava que era uma hipótese muito plausível. Ao entrar pela porta, viu Hermione a um canto.

- Olá, Hermione.

- Lys? – surpreendeu-se a rapariga. – Olá. Como sabias que estava aqui?

- O Ron disse-me.

- Ãa… tu… tu gostas dele? – perguntou Hermione, corando.

- Que ideia! – gozou Elysa. – Claro que não!

Hermione suspirou, mas logo fingiu estar ocupada com os caracóis. Elysa aproximou-se da mesa da amiga.

- Que estás a fazer?

- Estou a treinar – respondeu Hermione.

- Hum…

- Não vais gozar comigo, pois não? – exclamou a rapariga, agressiva.

- Claro que não. Porque haveria de gozar?

- Porque se calhar mostraste que és melhor que eu e só cá estás há 2 dias – proferiu, tristemente.

- Não sejas tola. Nunca te iria gozar por isso. E eu não acho que seja melhor que tu – disse Lys, passando a mão pelos cabelos ondulados da amiga.

Um silêncio invadiu a sala.

- Eu invejo-te, Lys.

Elysa foi apanhada totalmente desprevenida. Aquilo que estava a acontecer era simplesmente impossível.

- Estás a gozar comigo, certo?

- Não, não estou. Tu és tão inteligente…

- Não sou melhor que tu.

- Podes não ser melhor, mas temos que ter em conta que só conheceste este mundo há pouco tempo. Tens uma capacidade de compreensão e adaptação muito grande.

- Obrigada.

- É a verdade. Agora deixa-me praticar. Não posso passar a ser a segunda melhor! – brincou, com um brilho de desafio nos olhos.

Ela acha-me inteligente…

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N.A.:

Ola

Bem, tenho que responder a duas pessoas que parece que ficaram um pouco "aborrecidas" com o capítulo anterior. Devo dizer-vos, Ireth Hollow e , que a história de Elysa pode ser parecida com a de Harry Potter, mas não o é. Ainda há muito para contar. Depois vão perceber… E quanto ao facto de Elysa ter talento para Poções e Transfiguração, isso vai ser explicado mais tarde. Como puderam ver, ela não é assim tão boa a Encantamentos, e a Cuidados com as Criaturas Mágicas só é boa porque lê muito e aquilo é fácil.

Quanto a pensares que eu estou a tornar a Elysa num ser perfeito, Ireth Hollow, temo que estejas enganada. A "minha" Elysa pode ter muitas qualidades, mas há medida que a história se vai desenrolando, vais perceber que também tem bastantes defeitos.

Acho que já respondi aos vossos receios. Espero que estejam esclarecidas e que continuem a ler e a comentar a fic. As vossas reviews são muito importantes para mim.

Agora quero avisar-vos de uma coisa: a partir do próximo capítulo vou mudar um pouco a minha forma de escrever. Em vez de me centrar SÓ no que Elysa faz e pensa, vou também centrar-me na vida de outras personagens. Se não gostarem, mandem-me uma review a dizer isso. ) E também vou começar a responder às reviews.

bjO, LyRa

Nota: Tudo o que se parecer com algum livro de Harry Potter pertence a J. K. Rowling, OK?