Sóbria
Apertei o botão do 8º andar e tamborilei na caixa de cebola frita que eu carregava. Eu não conseguia parar de comer aquilo, é tão mágico... Não sei explicar.
Eu estava ansiosíssima com o emprego novo e realmente esperava que desse tudo certo. Com um emprego perto do Jake e do sapateado da Helena, nossas vidas seriam facilitadas.
O elevador parou, abrindo passagem para um enorme hall seguido de um corredor largo, tudo muito claro. Me lembrou a revista que eu trabalhava em LA. Parei na recepção e a mocinha me indicou a sala que eu devia ir – e podia entrar direto.
Bati à porta uma vez e entrei. Uma moça mais ou menos da minha idade, com cabelos num tom estranho de loiro, meio vermelhos, e olhos verdes sorriu pra mim, indicando a cadeira à frente. Fechei a porta e sentei.
-Que bom que aceitou nosso convite, Sra. Black...
-Leah. – Corrigi rapidamente. Não precisávamos de tanta formalidade.
-Leah. – Ela repetiu. – Sou Melissa Jordan, editora chefe. – Eu sabia, é claro. – Nossa estagiária nos mostrou o seu trabalho, falou muito bem de você. Sem contar as indicações que a LA fez.
-Estagiária? – Perguntei.
-Sim. Ela também é nova aqui, mas muito competente. Como eu acredito que você seja. Ela vai te acompanhar nos primeiros dias, já deve estar vindo pra cá, pra que eu as apresente.
Aquiesci e me ajeitei na cadeira.
-Me fale de você, por que se mudou pra cá?
Ta ok, aquilo era bem esquisito. Eles sabiam tudo de mim pela entrevista.
-Bom... – Comecei. – Na verdade eu sou daqui. La Push, eu digo. Meu marido e eu. Nós nos mudamos pra Los Angeles há sete anos, mas meu sogro está doente, então voltamos.
Ela balançou a cabeça.
-Gostei muito do seu currículo. Acredito que vai ser ótimo tê-la conosco.
Ela era louca, cheguei à conclusão.
-Também... – Comecei a falar, mas fui interrompida por uma batida na porta.
-Mel? – Uma voz de sinos falou. Senti o gelo na espinha. – Me chamou?
-Sim Nessie. Entre. – Me neguei a olhar pra trás e contei até cinquenta mentalmente duas vezes. – Leah, essa é a estagiária que eu falei, Renesmee Cullen.
Engoli seco e pisquei devagar antes de me virar para olhá-la. Eu estava me acostumando em não ter que conviver com o fantasma dessa garota, mas parecia que ela estava me provando. Quando a encarei, com um olhar devidamente mortal, ela sorria pra mim de um jeito que devia significar muito mais que "bem vinda" e um brilho diabólico no olhar.
Mas a chefe não deve ter percebido todo esse ar infernal que ela exalava, porque continuou com aquele olhar deslumbrado pra pirralha inútil.
-Renesmee. – Falei devagar, absorvendo cada sílaba.
-Oi Leah. – Ela falou sorrindo.
-Vocês se conhecem? – Melissa perguntou casualmente. – Melhor ainda. Nessie, mostre a sala que vai ser dela, dê os comandos e auxilie-a no que for preciso. Leah, os dossiês estão na sua mesa, Nessie vai explicar tudo.
Havia uma tensão entre ela e eu enquanto eu me levantava e nós olhávamos no olho uma da outra, uma troca de elogios silenciosa. Ela levantou uma sobrancelha e meneou a cabeça.
-Siga-me. – Disse e virou as costas pra sair pela porta.
Foi o que eu fiz, após acenar para Melissa. Segui com ela pelo corredor cheio de portas, subimos um lance de escadas, outro corredor. A monstrinha parou numa porta larga de vidro temperado sem placa de identificação e a abriu, me mostrando uma sala de tamanho não-reclamável com uma enorme janela, mesa de vidro, estantes e murais, sem contar o sofá e as poltronas confortáveis. A sala era cor de gelo e havia outra porta ao leste, mas de madeira escura. E uma pilha de pastas esperando por mim.
-Tem o seu próprio banheiro. – Ela anunciou. - Minha sala é no final do corredor, está identificada. Aprecie enquanto eu não volto pra... – Sorriu malévola. – te explicar tudo.
-Sem pressa. – Respondi, lançando um ultimo olhar de ódio eterno antes que ela saísse fechando a porta.
Sentei à mesa, liguei meu notebook, dei uma olhada rápida nos dossiês para saber do que se tratavam, peguei o primeiro para analisar direito e abri minha caixa de cebola frita. Uma manhã ocupada me aguardava.
Por volta das 11h30, a monstrinha bateu à porta novamente e entrou sem que eu autorizasse. Me esclareceu algumas duvidas e trouxe mais alguns trabalhos, detalhes que deviam ser levados em consideração.
-Deixe aí, vamos almoçar daqui a pouco. – Falou, se levantando e afastando da minha mesa.
Aquiesci, levantei e comecei a checar minha bolsa para não esquecer nada, me perguntando porque ela ainda estava lá plantada. Quando ergui a cabeça para olhá-la, ela estava concentrada em minha aliança dourada da mão esquerda, quase como se pudesse derretê-la com a força do olhar. Com muito custo olhou para mim e sorriu de um jeito que quase me fez sentar de novo, de tão infernal que foi.
-Que sorte a sua. – A pseudo-vampira falou. – Ser casada com o Jake.
-É, eu sei.
-Tenho certeza que você aproveitou bastante os anos que tiveram juntos.
Ela alternava olhares de mim para minha aliança. Eu não estava gostando nem um pouco do tom dela.
-Sim. – Respondi. Ela deu de ombros.
-Pena que não vai durar mais. – Disse, fazendo bico. Franzi a testa.
-Ta querendo dizer o quê? – Ela sorriu.
-Sabe que eu realmente invejo você? O Jacob tem uma pegada... Imagine um homem desse te pegando daquele jeito tipo... pra sempre?
-Do que você está falando? O que você sabe? – Perguntei realmente brava. Ele é meu marido, dá licença?
A monstra sorriu.
-Seu marido deixou um rastro quente em mim.
(N/A: Ouçam a música: Pink – Sober http:/ /www. youtube. com/ watch?v =jxexx_TdneA)
Paralisei, encarando-a. Eu devo ter parado de respirar também, porque, num certo ponto, meu pulmão protestou.
-Você é louca, o Jake não faria nada, eu não seu do que está falando. Você é maluca. Todos vocês, sanguessugas esquisitos. Todos...
O sorriso dela dobrou de tamanho enquanto eu tagarelava. Ela levantou uma sobrancelha e meneou a cabeça.
-Ele não faria? – Perguntou.
-Não! – Quase gritei. Eu estava ficando fora de controle.
Renesmee deu um passo pra frente. Não me movi, ainda em choque com o que ela falara. Ela estendeu a mão pra mim.
-Vamos ver se não faria. – Disse num tom demoníaco e com um sorriso no rosto tocou meu braço.
Levei um susto no primeiro momento. Pelos meus olhos passava a casa de Charlie, as escadas, o banheiro. É mesmo, esses sanguessugas têm dessas coisas esquisitas.
Jacob estava no banheiro quando ela entrou. E o olhar deslumbrado que eu mais odeio na vida.
"A impressão... – Ela falou, passando a mão nele. – Você pertence a mim, Jacob. E eu quero que você seja meu."
Ofeguei com a cena seguinte. Ele a beijou, Jacob... a beijou. Ele... me traiu. Um nó se formou em minha garganta e, de repente, a sala voltou a se materializar, assim como a pirralha descarada à minha frente com seu sorrisinho de vadia.
-É tudo uma questão de tempo. – Falou e lançou-me uma piscadela.
Eu não tinha reação. Parecia impossível absorver a informação. Não era real, não podia ser real.
Respirei devagar enquanto ela me encarava divertida. Ela vinha do inferno e deveria voltar pra lá. E eu mesma faria isso, se tivesse condições psicológicas para tal.
-Nessie? – Uma outra moça chamou à porta. Tem gente te esperando na sua sala.
Ela fez que sim com a cabeça.
-To indo. – A moça saiu e ela deu um passo pra trás, ainda me encarando. – Reflita um pouquinho. Aproveite o almoço para isso.
Sentei novamente assim que ela saiu. Eu mal conseguia sentir meu coração bater.
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Diferente do dia na casa da minha mãe, dessa vez eu estava comendo sem parar. A pseudo-monstra fez questão de sentar á minha frente, com um enorme pedaço de carne praticamente cru e cheio de sangue.
-Nojenta. – Sibilei. Ela ia ouvir.
-Nada se compara ao seu prato. – Ela retrucou no mesmo volume. – Você come como um cavalo.
-Nunca vi você reclamar do Seth. E o Jake é cinco vezes pior que eu, espero que saiba cozinhar. – Coloquei uma garfada de purê na boca.
Não, eu não estava desistindo do meu marido. Só estava jogando o mesmo jogo que ela. Ela tombou a cabeça e passou os dedos nas costas da minha mão.
-Não se preocupe, Leah. – Disse, ao mesmo tempo que a imagem do meu Jacob passando as mãos nas pernas dela passava pelos meus olhos rapidamente, um calor subiu pela minha espinha.
-Aconteceu alguma coisa? – Melissa perguntou, olhando de Renesmee para mim, confusa.
-Não. – Respondi tranquila e sorri o mais convincente possível.
A mão da monstra ainda estava sob a minha e, mais rápido que antes, a imagem de um cara muito bonito, de olhos claros, apareceu, antes que ela desfizesse o gesto.
-Por quê? – Perguntou para mel com um ar interessado.
-Não sei, parecia que estava acontecendo alguma coisa.
Esqueci de acrescentar. Mel tinha dessas de ser "sensitiva". Ela era a superstição em pessoa.
-Não, não. – Falamos juntas e Melissa sorriu, voltando a se concentrar em seu prato vegetariano.
-Vadia. – Sussurrei para a vampirinha e ela me encarou. Sorri com o olhar fuzilante dela.
Ela cortou um pedaço grande de carne e enfiou na boca, para logo em seguida tocar minha mão novamente, numa provocação silenciosa.
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-Achei que mamíferos como vocês não se alimentassem mais de leite depois da época da amamentação. – Renesmee falou ao parar ao meu lado no fastfood onde eu resolvi parar para comprar um milkshake.
-Achei que monstros não pudessem gerar monstros que não pelo método tradiocional. – Retruquei. O moço entregou um suco de morango para ela. – Ninguém te avisou que isso passa longe do gosto de sangue? – Debochei.
E, novamente, a cena de Jacob nos braços dela passou pelos meus olhos.
-Torce, Renesmee. – Falei, assim que o moço com meu milkshake voltou a focalizar na minha frente e ela começava a se afastar. – Torce pra não me encontrar num lugar sem público.
Ela parou e virou-se lentamente pra mim.
-Vai fazer o quê?
-Eu vou fazer cinzas de você. Literalmente. Me aguarde.
-Esse assunto vai ser resolvido antes do que você imagina.
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Eu estava tentando ser o mais forte que eu podia, mas aquela era uma situação com a qual eu não sabia lidar direito.
Joguei meu milkshake praticamente inteiro no lixo do corredor, já no andar da revista – ele começava a ficar enjoativo e eu já não conseguia mais engolir, sentindo algumas vertigens. Antes que eu entrasse na sala, aquele maldito toque, com a maldita cena nas minhas costas.
-Qualquer coisa, Leah Black, estou na minha sala. – Disse, passando por mim.
Vi-a entrar na última porta do corredor e respirei fundo, entrando na minha sala. Fechei a porta e encarei o cômodo. Fora ela quem me indicara para o emprego, ela havia preparado tudo. Era isso, ela queria me infernizar, tirar meu Jacob de mim. E era o que ela faria naquelas duas semanas: tirar meu chão.
Pisquei devagar e engoli seco. Eu tinha a impressão que a imagem de Jacob se atracando com ela no banheiro da casa da minha mãe não ia sair da minha cabeça tão cedo.
"É tudo uma questão de tempo" ela disse. E como se a frase fosse o ponto chave, eu desabei. Foi o que meu pai dissera anos atrás. "É uma questão de tempo, filha. Pensando friamente, Sam não te pertence mais. Ele é da Emily."
Solucei e senti que as lágrimas lavavam meu rosto. Fui até o banheiro quase sem enxergar o caminho, sentei na privada e chorei, chorei, chorei. Vomitei de chorar. A ultima coisa do universo que eu queria era passar por isso novamente, mas o destino parecia querer pregar uma peça em mim, queria me deixar sóbria, porque eu já estava alegre demais.
Eu estaria fadada ao fracasso, meu destino era péssimo.
N/A: Uma coisa a dizer sobre esse capítulo: #TENSE, muito #TENSE ._.
É, eu sei :S
Mas é agora que a coisa começa a encaminhar para o ápice. E eu tinha dito que vocês iam ter um bocado de Leah nesse capitulo, né? Rs
Enfim, tenho que agradecer quem comentou no twifics: Tamy, alana, AmaBlack, Mily, Pam, Débora, Anninha, BeBeSantos e Thais Priscila; no FF (onde o povo sumiu '-'): sweet present of nature, Ingrid F., Janete Alves, BeBeSantos, Bunny93 e Pam e no nyah (sempre me surpreendendo ;O): PaahCP, Dessa_Carol, Michelle Cullen, Annaa, Mii Cullen Swan, Anna, Michele Day, aLisson, Shyblack, angelgirl2008, Aklm, SatsukChan, Sully, AnicelyPotter e madu.
Tomara que os meus leitores voltem, apesar de eu ter demorado um pouquinho pra postar ;( Mas acreditem, é pelo bem de vocês, to adiantando vários capítulos, mi/
Até o próximo, oks?
xoxo
BL
N/B: Minha notinha tinha que tá no começo do capítulo, mas ok. Juro, esse capítulo não é nem um pouco recomendado para se ler se você está emocionalmente abalada. Gente, o que a Leah quer fazer com a Nessie é tipo, exatamente o que a by passa no capítulo, to com uma raivinha acumulada desse projeto-de-vampira =O
PS: 1) Estou com uma fic nova, Leah/Sam. O nome é Fire Bomb e ela está postada no FF e no nyah!, se quiserem dar uma olhada lá, comentar e tudo mais, eu ficaria muito grata *-* 2) Querem saber news sobre o universo Twilight de forma divertida? Acesse o tjakemmesper. wordpress. com e/ou siga no twitter: jakemmesper, o site ta no começo, mas promente ;D 3) Me sigam no twitter, se quiserem saber novidades sobre minhas fics e/ou papear e/ou ver as bobeiras que eu escrevo: by_ziinha 4) Quer fazer alguma pergunta pra mim? Eu respondo: formspring. me/ byziinha
De todos os links é só tirar os espaços.
