Disclaimer:Twilight não me pertence, mas está fanfic, sim. Então, por favor, respeitem.
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8. RESPOSTAS
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"A vida é uma grande pergunta em busca de grandes respostas."
- Augusto Cury -
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Bella e Edward trocaram um longo e significativo olhar, entretanto por mais que o simples olhar que partilhavam quisesse dizer um milhão de coisas, eles não diziam absolutamente nada. Eles estavam mudos, paralisados; a verdade que evitaram durante todo o fim de semana veio cheia de vida para destruí-los na segunda-feira, era como se o céu cinzento fosse um presságio para as nuvens negras e tempestuosas que se acumulariam em suas cabeças a partir daquele momento.
- Edward? Bella? – clamou Emmett com a voz temerosa. Era como se o grande rapaz estivesse sentindo o clima tenebroso que dominava seus amigos.
Isabella fechou seus olhos contendo as lágrimas que estavam embaçando a sua visão e que forçavam o caminho por suas pálpebras para correr livres por seu rosto pálido. Edward fechou suas mãos em punho, controlando a raiva que se alastrava como fogo em palha por seu corpo, tensionando seus músculos, acelerando seus batimentos cardíacos e sua pulsação, deixando a sua respiração errática e irregular.
Rosalie, rápida em reconhecer as reações das pessoas a sua volta, arregalou seus olhos e levou suas mãos a sua boca, tentando esconder a surpresa que a tomava.
- É verdade? – pediu ligeiramente estridente a loira.
- Onde vocês ouviram isto? – rebateu Edward grosseiramente. Agilmente Emmett retirou seu tablet da bolsa, acessando com agilidade sua própria conta pessoal de e-mail, abrindo a referida mensagem sobre o fato de Edward e Bella serem irmãos e entregou ao amigo.
Com um estado de espírito tomado pela fúria Edward leu a mensagem atordoado, ele não podia acreditar que o Dr. Amun quebrou a promessa que fizera a ele e a Bella na sexta-feira, divulgando para toda Princeton o grau de parentesco dele com o amor de sua vida.
- Aquele bastardo! – exclamou Edward fechando novamente suas mãos em punho, sendo impossibilitado de quebrar o tablet ao meio por Bella que o pegara no último minuto. Mesmo com as lágrimas obstruindo a sua visão, a morena leu o e-mail, sentindo-se nauseada diante da traição do professor que havia prometido em não contar nada a ninguém.
Um silêncio ensurdecedor recaiu sobre os quatro. Seus pensamentos voavam para todos os lados; a revelação, todos saberem, o julgamento... tudo estava pairando sobre a cabeça de Bella e Edward, acreditando que foram traídos, tão focados no drama que não conseguiam ver a maior evidência de um erro: que o resultado sanguíneo era de outro laboratório que não era o do Dr. Benjamin Amun.
- Quando vocês receberam isto? – pediu Bella ainda atordoada e com os olhos cheios de lágrimas. – Quem mandou isso?
- De manhã. – rebateu a loira. – Não sei quem mandou Bella, é uma conta bloqueada. – lastimou pesarosa.
- Mas podemos descobrir. – interviu rapidamente Emmett, atraindo a atenção dos outros três. – Eu tenho um amigo que é hacker, ele pode descobrir o IP de quem mandou o e-mail. – deu de ombros, enterrando suas mãos nos bolsos de sua calça.
- Então vamos lá! – exclamou Rosalie ligeiramente aliviada por conseguirem ajudar seus amigos.
Para a loira, por mais que o exame dizia que os dois eram era difícil acreditar nisso. Tudo bem que pela reação tanto de Edward, quanto de Bella ela poderia dizer que era verdade, mas isso não mudava o que ela sentia, o que via em relação aos dois. O amor deles era verdadeiro, e nada, nada fraternal. Eles sequer haviam sido criados juntos, isto não pode ser considerado que são irmãos, isso não é um crime. Pelo menos ela não conseguia visualizar um, pelo menos.
Obviamente conforme deixavam o campus, os burburinhos e os olhares de reprovação sobre o casal de meios-irmãos não era nenhum pouco discreto. Todos os julgavam. Bella e Edward era o assunto no campus de Princeton naquela segunda-feira, algo que servia somente para deixar os nervos dos dois à baía, prestes a explodir. Todos discutindo sua própria vida era irritante demais, mas fazendo uma força hercúlea todos conseguiram ignorar até que estivessem confortavelmente sentados no Jeep de Emmett.
O caminho até o hacker que Emmett conhecia foi feito em silêncio, os pensamentos deles iam por caminhos escusos e confusos, era muito que processar sem que ninguém soubesse, agora com toda Princeton os julgando, ficaria muito mais complicado lidar com esta situação. Nenhum dos dois sabia como resolver isto, como deveriam proceder a partir desta bomba.
Mas como saber também? Quando e em que realidade você poderia esperar que isto aconteceria com você? Quando esperar que o amor da sua vida, aquela pessoa que foi feita para você, era a única que o mundo, a sociedade, o universo não permitiria que ficasse junto? Era um golpe baixo demais e completamente atordoante. Não havia como enxergar um ponto de partida para tentar consertar tudo isto.
De repente o fato de terem ignorando esta verdade, a verdade de possuírem a mesma mãe biológica, foi um verdadeiro erro. Eles deveriam ter sido maduros naquele momento e conversarem, decidirem, procurarem ajuda legal para saber como proceder. Se tivessem feito isto desde o início, nada desse inferno estaria acontecend e eles saberiam como lidar com isto. Mas agora a merda já havia batido no ventilador e não havia absolutamente nada que pudessem fazer, todos os julgariam, transformariam a sua vida em um verdadeiro inferno, e tanto que lutariam para provar que merecem ficar juntos, isto os desgastaria e chegaria um momento que não valeria mais a pena mais lutar.
Sim, tanto Edward, quanto Bella sabiam disso, que em algum momento o fato de viverem lutando para provar o amor deles, acabaria afetando o relacionamento de uma maneira negativa, e por mais que se amassem verdadeiramente essa situação faria com que o amor ficasse fatigado, em farrapos, possivelmente incapaz de reparação.
Era triste e fatal o futuro que parecia já delineado para o casal, mas nenhum dos dois estava dando a mínima para consequências futuras, Edward e Bella estavam preocupados somente com o aqui e o agora; por isso determinados a provar que eles se amavam como homem e mulher, e nada os faria mudar este fator.
Finalmente chegaram ao local, e rapidamente Edward e Emmett acompanharam o hacker, Peter, enquanto Bella e Rosalie sentaram no quintal para conversarem. Bella necessitava falar com alguém sobre o que estava acontecendo, e um sentimento dentro de si dizia que Rose seria a pessoa certa para falar naquele momento, que ela iria compreender a situação sem fazer pré-julgamentos ou até mesmo julgar, ou dizer algo que afetaria ainda mais a sua amiga, e por isto que em meio a mais lágrimas que Bella narrou a Rosalie o que ela e Edward haviam descoberto, e como haviam descoberto o fato de que eram filhos da mesma mulher.
Bella também explicitou que os dois haviam ignorando esta revelação durante todo o fim de semana, focando-se tão somente em manter as coisas como estava, algo que era completamente impossível, mas ingênuos e cegos no início acreditaram que era melhor. A futura médica, inclusive, começou a se lastimar por ter sido a porta voz dessa decisão naquele momento no escritório do Dr. Amun de ser a primeira a ignorar a verdade.
Rosalie, sendo extremamente compreensiva como sempre foi, não julgou a sua amiga, na verdade ela não conseguiu dizer nada para abrandar a situação, ela somente abraçou Bella e deixou que ela chorasse em seu ombro, enquanto a confortava. A situação que seus amigos partilhavam era singular, e por mais que pela educação que a sociedade impõe ela deveria torcer o nariz diante desta situação, ela não conseguia. Ela sabia que o amor dos dois era forte, único, perfeito, que os dois haviam nascido para serem um do outro, era o mesmo sentimento que ela partilhava em relação à Emmett, e se fosse ao contrário, que ela e seu amor estivessem no lugar de seus amigos, ela sabia que gostaria de ficar ao lado do seu Emmett, mas não sabia se teria forças o suficiente para isso.
Intimamente Rosalie se orgulhou da força de espírito de seus amigos, para se manterem serenos em um momento como este, ou pelo menos parcialmente serenos.
Duas horas depois que haviam chego os rapazes se reuniram as meninas no jardim para dizerem que haviam descoberto quem enviou o e-mail contando a todos a situação tão íntima de Bella e Edward passavam. Felizmente descobriram a verdade antes de acusarem o Dr. Amun por divulgar o parentesco deles, a pessoa que havia informado a todo campus a condição deles fora Alice Brandon, uma garota que nenhum deles antes havia conversado, a não ser por Edward, que a havia conhecido na primeira semana de aula, mas que mesmo assim não manterá uma relação amigável com ela. Nenhum deles conseguia entender o motivo dela fazer algo assim.
Agradecendo a Peter pela ajuda, os quatro retornaram ao campus onde como quase uma frente armada foi à procura de Alice Brandon. Eles a encontraram na cafeteria da faculdade falando a plenos pulmões do absurdo e do repudio que sentia do fato que os dois sendo irmãos, estarem juntos, como namorados e possivelmente fazendo tudo o que namorados fazem, como beijar e terem sexo.
Edward queria estrangular a pequena menina de cabelos negros, curtos e espetados nas pontas; Bella que o segurou, dizendo que ele não deveria bater em uma menina, contudo enquanto ela segurou o namorado e meio-irmão, sua amiga Rosalie que agiu por impulso deferindo um golpe nada suave, com a palma de sua mão na face da garota.
- Sua vagabunda! Por que não cuida da sua própria vida? Por que tem que se meter no relacionamento alheio? Me diga o que você ganhou com isso? – exigiu a loira furiosa. Alice que esfregava a face que havia sido acertada pela mão de Rosalie sorriu vitoriosa.
- O fim deste casalzinho de merda! – exclamou divertida. – É nojento estes dois, e todo esse tempo agindo como dois apaixonados, sendo irmãos! Isso é doentio, vocês merecem ir para a cadeia por este crime que estão cometendo. Ou vai me dizer que vocês não sabiam que incesto é crime? – gritou alto o suficiente para que todos que estavam na cafeteria ouvissem.
O som de um tapa desferido no rosto da pequena mulher que foi ecoado desta vez veio, para a surpresa de todos, de Bella, que estava com os olhos injetados em fúria, tremendo de raiva diante das acusações de Alice Brandon.
- Você não tem o direito de se meter na minha vida! – exclamou Bella com seu dedo estirado rente a face da pequena mulher.
Alice riu zombeteira.
- O que será que a Igreja vai dizer ao saber que você, uma pessoa tão devota, comete um dos piores pecados? Que dorme com o seu próprio irmão? Hein, Isabella? – riu cheia de ironia.
Bella que estava prestes a rebater a acusação da pequena morena ficou paralisada. Ela não havia pensado nisso, como o fato de estar com Edward, seu irmão, era uma afronta as leis de Deus, leis estas que ela segue desde que nascera. Mais uma vez o peso de suas decisões, de ignorar toda a verdade do parentesco a sufocou. Seu mundo estava ruindo e não havia absolutamente nada que ela pudesse fazer para consertá-lo.
Alice riu vitoriosa mais uma vez.
- Você sabe que eu tenho razão, que isso é um crime, e que nada que vocês fizerem será suficiente para ficarem juntos. Vocês não podem ficar juntos. Pelo menos não aqui, não nos Estados Unidos, e provavelmente em metade do mundo! – clamou com determinação e um legítimo prazer doentio em sua voz.
- Qual é a porra do seu problema? – gritou Rosalie, como se fosse uma mama urso, defendendo suas crias. – O que você tem a ver com a vida deles? Não era o seu lugar se meter em algo tão pessoal. Já era uma situação delicada sem que você se metesse, você só piorou a situação! Você está prejudicando duas pessoas que não fizeram absolutamente nada para você!
Alice virou o seu rosto com uma expressão que poderia indicar pesar, mas era óbvio que era uma expressão falsa, nada naquela garota era verdadeiro.
- Você está certa eu não tenho nada a ver com a vida dos dois, mas é meu dever cívico dizer a todos o crime federal que estão cometendo, e claro, não posso esquecer o prazer de me vingar de você Edward, será que você se lembra de que praticamente me estuprou? Me forçou a transar com você, como se eu fosse uma das suas prostitutas? Se eu estou fazendo isso é para foder com a sua vida, uma pessoa como você não merece o amor, e graças a mim, você nunca terá! – explanou vitoriosa.
- Eu nunca estuprei você! Você está louca? – defendeu-se Edward, gritando a plenos pulmões para todos na cafeteria. – Você que pediu! Você disse que queria sentir a sensação de como seria ser forçada a fazer sexo, se houve um estupro, foi consensual! Se não estava gostando bastava dizer para parar! – o ruivo havia fechado novamente suas mãos em punhos, tremendo violentamente de raiva. – Você não tinha o direito de fazer isto com Bella, se você me odeia tanto, deveria ter feito algo apenas para mim!
- E qual seria a graça disso? – replicou com um sorriso em escarnio. – Eu não teria prazer nenhum em foder apenas com a sua vida, precisava ser algo grandioso! Abençoado seja o Dr. Amun que decidiu contar a vocês na faculdade o grau de parentesco e como um completo amador, deixou as amostras sanguíneas tão comprometedoras para trás.
- Você se apossou de propriedade da universidade! – exclamou acusatoriamente Rosalie.
- E? Vão me expulsar? Que seja. – deu de ombros. – Pelo menos tive o prazer de ver isto! – exclamou Alice, recolhendo sua bolsa que estava sobre a mesa. – Agora se vocês me dão licença eu tenho uma reunião com o meu advogado, e fiquem cientes que em breve vocês estarão recebendo algo sobre esta agressão que me submeteram. – falou arrogantemente, saindo com ar superior de onde os quatro amigos estavam.
Os quatro trocaram um olhar confuso, eles ainda tinham a atenção de todos na cafeteria, mas o barulho das fofocas era abafado por sua reação ainda pelas palavras de Alice Brandon giravam em suas mentes.
- Vocês terão que procurar um advogado e também explicar a situação para seus pais. – pronunciou Emmett com segurança, com seus braços cruzados em seu peito. – Edward e Bella, vocês vão precisar de todo o apoio possível neste momento, e tenho certeza que os pais de vocês vão apoiá-los, assim como eu e Rose iremos apoiá-los. – declamou com um sorriso sincero.
- Pode contar conosco para qualquer coisa. – sorriu compreensiva Rosalie, abraçando seu namorado.
Edward e Bella esboçaram um sorriso agradecido.
- Obrigada Rose e Emm. Vocês são incríveis. – agradeceu Bella sorrindo melancolicamente.
Cientes que estavam correndo contra o tempo, Edward e Bella seguiram para os seus apartamentos, e exigindo urgência para seus pais pediram que viessem a Princeton. Tanto Carlisle e Esme, quanto Charlie e Renée surpreenderam-se com o pedido dos seus filhos adotivos, mas diante da desesperadora urgência que falaram, afirmaram que no mais tardar no dia seguinte estariam em Nova Jérsei.
Edward também telefonou para o advogado de sua família pedindo a sua presença em Princeton. Felizmente Seth Clearwater estava em Nova Iorque e diante do pedido urgente do jovem rapaz, seguiu em um trem para Princeton para enfim descobrir o motivo da urgência.
Por ética da profissão, quando chegou ao local em que havia combinado de encontrar com seus clientes, Seth ouviu o caso de Edward Cullen e Isabella Swan com atenção, não demonstrando nenhuma reação a favor ou contra a situação. Ele como um bom advogado deveria dançar conforme a música, conforme o que seu cliente quer; e no caso do jovem casal é evitar um processo judicial com a acusação de incesto.
Obviamente que o caso deles era extremamente incomum e complicado, pois não era um incesto intencional, era pelo acaso. Entretanto a corte nunca antes havia negado a acusação em casos assim: para a justiça estadunidense no momento em que se toma ciência da infração penal, no caso o incesto, deve ser extinta a relação, e por mais que desde a descoberta da situação eles não tiveram nenhum contato mais íntimo, não foi declarado o fim do relacionamento. Assim, para todos os efeitos os dois ainda são namorados.
Seth explicou que a situação deles era complexa e a chance de vitória no caso era mínima, nunca a corte tradicionalista como era, aceitaria incesto consensual, o que ele poderia tentar evitar é o processo penal e a prisão, como também retirarem a denúncia que Alice Brandon havia feito contra Bella, por agressão; mas isso era apenas que conseguiria.
Evidentemente Edward e Bella tentaram argumentar sobre o pedido de concessão para que ambos ficassem juntos, sem se preocupar com a lei e futuramente se casarem, livres de qualquer dor de cabeça com relação ao fato de serem irmãos, todavia Seth afirmou que este pedido era certo de recusa, desta maneira o advogado orientou aos seus clientes nem mesmo colocar este pedido na petição inicial, evitando um mal estar no júri que definiria o caso, bem como abstrair de envolver o Ministério Público na ação.
Nenhum dos dois ficou feliz com a recusa de Seth, mas isso não quer dizer que eles não concordaram, pois pelo falatório e olhares acusatórios no campus pela manhã, puderam ter uma breve visão de como um pedido desses poderia causar um inferno na vida deles, piorando ainda mais uma situação já delicada.
Com os problemas legais já devidamente encaminhados por Seth, Bella e Edward estavam exaustos no fim do dia, e evitando sair à rua e atrair mais atenção a eles, ordenaram comida chinesa. Jantaram em silêncio, o clima pesado ainda pairava entre os dois.
Havia tantas coisas que precisavam conversar, decidir e ponderar que não sabiam sequer por onde começar. Na verdade, nenhum dos dois estava determinado a ser aquele que assumiria a culpa pelo fim do relacionamento deles, apesar de que ambos sabiam que deveriam ficar separados. Não havia nada que pudessem fazer que possibilitaria que ficassem juntos, pois se ficassem estavam cientes que suas vidas seriam um inferno, ninguém os deixaria em paz. Todos os acusariam, apontariam, seria um caos em qualquer lugar que eles vivessem, seja no Alaska ou no Havaí eles seriam julgados, para os dois os Estados Unidos era o pior lugar do mundo para ficarem juntos.
Naquela noite, Edward e Bella tiveram uma despedida fria – optaram mais uma vez para passar a noite sozinhos em seus devidos apartamentos -, nem mesmo quando eram apenas amigos eles se despediam desta maneira, mas ambos estavam confusos e temerosos, cada gesto era meticulosamente pensado e calculado, um passo em falso poderia por a baixo algo que já estava em ruínas.
Carlisle Cullen e Esme Everson foram os primeiros a chegarem na terça-feira, assim como Seth, os pais adotivos de Edward ouviram com atenção sobre a descoberta recente de seu filho e namorada, e antes mesmo que pudessem finalizar a história, ambos declararam completo apoio aos dois; assim como todos que haviam demonstrado alguma opinião sobre o tema, Carlisle e Esme também afirmaram que por mais que o exame de DNA determine que sejam irmãos, Bella e Edward não eram irmãos, eles nunca foram criados como tal, e se não tivessem se conhecido nunca saberiam que partilhavam do mesmo sangue.
Os pais adotivos de Isabella, Charlie e Renée foram mais relutantes em aceitar a situação e apoiar a sua filha e o namorado-irmão, entretanto ao verem que a jovem estava quebrada, e completamente necessitada de apoio familiar, mudaram sua opinião aceitando o fato de que os dois poderiam partilhar o mesmo sangue, mas era apenas isto, eles não eram irmãos e nunca seriam irmãos. Eles eram apaixonados um pelo outro, e isto assim deveria ficar.
Foram dias difíceis para o jovem casal os seguintes a divulgação do fato de serem irmãos a toda comunidade de Princeton e seus familiares.
Isabella fora excomungada da Igreja que frequentava em Princeton, segundo o padre Sam por mais que fosse desconhecido o grau de parentesco deles, Bella e Edward haviam infringido uma lei máxima da Igreja, haviam tido um relacionamento, e não houvesse lástima, ou penitência que pagassem que os livrariam desta imensa mancha de pecado. Nenhum dos dois poderia colocar o nariz para fora de casa que já eram julgados, Edward até mesmo acabara agredindo uma pessoa no supermercado que não economizou palavras em dizer o quanto era nojento à relação dele com Bella; entretanto, algo que ninguém esperava, nem mesmo Seth com seus longos anos dedicados a advocacia previu que a impressa tomaria conhecimento, e algo que deveria ser discutido particularmente, sem a intervenção de ninguém, tornou-se um verdadeiro circo da mídia nacional.
Juristas, teólogos, psicólogos, médicos, e todos os tipos diferentes de profissionais começaram a lucrar com o caso. Muitos apoiavam que se eles nunca foram criados como irmãos, e nunca viveram juntos eles não eram irmãos. Porém muitos mais eram contra o caso de Edward e Bella, os acusando de criminosos. Sim, para estes radicais o casal deveria ser mandado para a prisão e lá, serem condenados à sentença de morte.
Neste cenário conturbado, como também a necessidade de respostas que Edward e Bella seguiram para o local que dera início as suas origens: Phoenix, Arizona. Felizmente o caso era pouco conhecido no estado, ninguém os reconheceu quando andavam pela cidade, o que era um avanço surpreendente depois de semanas sendo apontados e julgados em Princeton.
Por mais que a calmaria fosse reconfortante, nenhum dos dois quis curtir esta liberdade. Edward e Bella, assim que desembarcaram em Phoenix seguiram diretamente para o Monastério Nossa Senhora de Guadalupe para tentar buscar as respostas que tanto buscavam.
Para a infelicidade do jovem casal o clima no convento era diferente do restante da cidade, ali o fato deles serem filhos da mesma mulher era demasiadamente conhecido, e assim como a comunidade cristã de Nova Jérsei, a de Phoenix também os repudiava. Isabella nem mesmo podia fazer um simples sinal da cruz quando passou em frente à pequena capela do Monastério, pois o olhar reprovador do padre Liam foi intimidador. A única pessoa no Monastério que demonstrou apoio total ao caso dos irmãos, usando, inclusive, palavras específicas para dar o seu apoio foi irmã Irina, que diante das suas afirmações, foi acusada de quebrar seus votos a Deus, o que acabou resultando a sua expulsão da congregação que fazia parte, como também foi excomungada pela Igreja por sua posição.
Todos que demonstravam apoio ao casal sofreram algum tipo de consequência, era como se os dois fossem uma mina terrestre, uma arma química, onde bastava chegar próximo para acontecer uma desgraça em sua vida também. E fora assim, completamente temerosa que pudesse acontecer algo a si mesma, que a irmã Zafrina encontrou com o jovem casal no hotel em que estava ficando para falar o pouco que sabia sobre a mãe biológica deles.
Como havia sido a pessoa que ficara ao lado de Elizabeth Masen em seu leito de morte, tornando-se mais do que a sua psicóloga, sua confidente, Zafrina sabia do grau de parentesco entre Edward Cullen e Isabella Swan antes mesmo que eles fizessem, entretanto a freira nunca se viu na necessidade de divulgar essa informação a alguém, e cumprindo a sua promessa que fizera a ex-prostituta e mãe biológica das duas crianças que em algum momento faria com que os dois soubessem de sua existência, entregando assim para cada um o diário que ela os havia deixado ela foi os procurar.
Bella e Edward estava retornando do jantar quando o recepcionista os informou que uma doce senhora gostaria de falar com os dois. Crendo que seria irmã Irina, ambos rapidamente pediram ao recepcionista informasse que a mulher subisse em seu andar, onde poderiam conversar com mais privacidade na ante sala de seus respectivos quartos – o jovem casal de namorados e irmãos, não dormiam juntos a semanas, e decidiram não fazer isto ainda.
Foi uma imensa surpresa para o casal de meios-irmãos ao encontrar irmã Zafrina, invés de irmã Irina. A freira psicóloga não estava vestida com as vestimentas do convento, mas sim uma saia abaixo dos seus joelhos marrom e uma camisa azul clara abotoada até o fim, ela podia não parecer uma freira, mas Bella a reconheceu.
- Irmã Zafrina? – perguntou Bella surpresa.
- Olá Isabella. Edward. – cumprimentou a freira educadamente. – Hum... eu gostaria de conversar com os dois. – pediu com urgência.
- Desculpa irmã, mas qualquer pessoa que se aproxima de nós, dando qualquer tipo de apoio acaba sofrendo alguma consequência. Nós não queremos isto com você. – advertiu Edward ligeiramente rude.
- Estou ciente das repercussões de encontrar os dois, mas a muito prometi a uma pessoa que esclareceria um quinhão de coisas. – pontuou a freira. – Será que posso entrar? É uma longa conversa para se ter em pé a na porta. – sorriu ligeiramente divertida.
- Claro, claro, entre irmã Zafrina. – pediu Bella com um sorriso amigável.
A freira agradeceu ao casal de irmãos com um sorriso sincero antes de se acomodar numa poltrona de frente para o sofá de 3 lugares, que supôs que os dois se sentaria. Edward ainda estava hesitante e temeroso pela irmã, por isto cruzou seus braços no peito analisando quietamente a situação; Bella em contrapartida, extremamente preocupada e educada ofereceu algo a irmã para beber, porém ela recusou de momento, insistindo que os dois sentassem para que conversassem.
Zafrina iniciou dizendo que apesar de ser contra as suas convicções religiosas, ela como uma pesquisadora concordava com o fato de que o relacionamento deles, para ela, não era um crime, era algo aceitável, já que nunca foram criados como irmãos. Entretanto, ela não podia declarar isto abertamente, pois não estava disposta a ser julgada pela Igreja e se afastar de sua verdadeira vocação.
Edward e Bella compreenderam as razões da mulher, e disse que apreciavam o apoio dela informalmente, mas tendo conhecimento que não era apenas isto que motivou a freira a procura-los, os dois jovens aguardaram ansiosos por uma explicação do motivo.
Medindo suas palavras Zafrina explicou que há alguns anos uma mulher muito doente batera no convento, e como uma casa religiosa o Monastério Nossa Senhora de Guadalupe acolheu a mulher e, ela como a pessoa responsável por acolher, e também por ser uma psicóloga certificada acabou tornando-se muito próxima da mulher em questão.
Com a sua saúde tendo melhora,s Zafrina começou a fazer terapia com a mulher, que a cada dia fazia confissões diferentes sobre a sua vida. Revelou que fora prostituta, e que ao longo dos anos tivera muitos clientes importantes em Phoenix. Em 1988, segundo a freira relembrava os relatos da mulher, Elizabeth conhecera um importante homem de negócios, e que começaram a se envolver. O caso deles era cheio de paixão, contudo quando a prostituta ficou grávida, Edward – como se chamava o homem – a abandonou dizendo que a criança não era dele.
Elizabeth completamente apaixonada por Edward e determinada em manter o fruto daquela paixão, cuidou-se ao extremo durante a gestação; gastou todas suas economias para manter o filho, contudo quando o pequeno Edward nascera, Elizabeth não tinha dinheiro, nem casa para viver e fora isto que a motivou deixar o garoto no convento.
Depois de abandonar o filho, Elizabeth entrou em uma depressão profunda, onde o excessivo uso de álcool e drogas se tornou rotina, e necessitando alimentar o seu vicio voltou a se prostituir, fora então que Marcus, seu cafetão e fornecedor, começou a violenta-la em troca de abastecê-la com seus vícios, e fora desta relação abusiva que Isabella fora concebida.
Zafrina narrou que Elizabeth havia lhe dito que tentou provocar o aborto da criança em diversas situações, mas nunca conseguira. Fora uma gestação conturbada para a mulher, que continuara se prostituindo e usufruindo de seus vícios em excesso, Marcus assim como Edward, abandonara a mulher assim que soubera da gestação, não a deixando com nada. Foram 4 meses em que viveu da caridade alheia, até que a pequena Isabella nasceu prematuramente em setembro daquele ano, e assim como havia procedido com Edward, Elizabeth deixou Isabella no Monastério.
Anos se passaram e Elizabeth sobreviveu a duras custas, abusando de sua sorte e das atividades ilícitas até que em 2008 veio bater no Monastério a beira da morte. Ela sempre soube que estava com a sua sentença de morte declarada, e naqueles últimos 6 meses de vida, Elizabeth se lastimou por todos os seus erros e pecados.
Notando que o casal estava envolvido na história, Zafrina finalmente revelou que a mulher em questão era mãe deles – fato que ainda não havia dito, já que não usara nomes para explicitar a situação – e que durante as suas seções de terapia, Elizabeth escreveu diários aos dois, explicando seus motivos e os pedindo perdão.
Edward recusou-se a tocar no diário, saindo da sala e trancando-se no seu quarto, onde as duas mulheres puderam ouvi-lo quebrando as coisas, batendo nas coisas. Isabella, sempre contida com as suas emoções, pediu desculpa pelo irmão-namorado, e agradeceu Zafrina por ter sido corajosa em dizer tudo isto a eles e também lhes entregar o diário; contudo Bella também pediu desculpas a freira, afirmando que ainda não estava disposta em ler as palavras de sua mãe biológica, mas que guardaria o diário para ler no momento que estivesse pronta.
Zafrina notando que era o timming perfeito para deixar o hotel, desejou boa sorte ao jovem casal e falou que se precisasse de qualquer coisa, inclusive conversar, ela estaria à disposição. Isabella agradeceu mais uma vez a generosidade da freira, antes de enfim de despedir.
Com a saída da religiosa, Isabella tornou a se sentar no sofá que estivera anteriormente onde focou o seu olhar sobre o pequeno caderno onde sua mãe biológica havia escrito suas memorias e chorou. Chorou pela mulher que lidera a vida, chorou por seus pais biológicos, chorou por Edward, chorou por si mesma e principalmente chorou por causa da situação em que estava metida.
Bella e Edward retornaram a Princeton, onde estavam fazendo o estágio voluntário no hospital comunitário, felizmente o caso dos deles havia abrandado na comunidade, ainda existia muitos comentários e julgamentos, mas estes eram em menor escala do que antes. O caso deles seria julgado em 3 semanas pela corte e, em 2 retornariam as aulas.
Fora neste momento que finalmente Bella tomara coragem de ler o que estava contido no relato de sua mãe biológica. A morena sentira uma emoção indiscutível ao ler aquelas palavras, e ao mesmo tempo em que se sentia aliviada, ela sentia-se sufocada.
Bella, enfim tomara uma decisão que mudaria completamente a sua vida e a de Edward, tanto para bem quanto para pior. Ela só esperava que ele compreendesse seus motivos.
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N/A: E aí meus amores? Com saudades de mim? Eu sei que prometi que não demoraria com os capítulos aqui, mas a minha vida acadêmica e pessoal sempre faz com que eu não cumpre as minhas promessas. Desde já vou avisar a todos que os dois últimos capítulos provavelmente só saíram em setembro – eu tenho o restante deste mês e o mês de agosto para fazer a minha monografia, antes que eu perca um ano de pós-graduação, espero que todos compreendam isto.
Depois das péssimas notícias tanto do capítulo, como as vindas desta autora que tem o nome procrastinação e o sobrenome enrolação; quero pedir desculpas principalmente pela demora e pelos possíveis erros/furos no enredo. Eu não ando numa fase muito inspiradora para escrever fanfics, o que torna tudo o que coloco a mão algo rudimentar, além, é claro, de que o tema desta fic é demasiadamente complexo, eu não tenho irmãos, então não posso sequer me imaginar na situação, tudo o que estou relatando aqui é o que eu acredito ser o pensamento de alguém envolvido em algo assim.
Quero agradecer a imensa paciência e compreensão de vocês, bem como o eterno apoio de vocês, que continuam lendo, comentando, apoiando essa imensa loucura. Senão fosse por vocês isto aqui não estaria acontecendo. Muito obrigada também a Gaby, essa super beta que desde quando isto aqui era um devaneio me apoiou, e que faz um trabalho fenomenal corrigindo meus erros gritantes, acredite eu tenho muitos! Gata, obrigada mais uma vez por tudo.
Como todo mundo já sabe se tiver perguntas ou o que for, pode pedir pelo meu twitter: [arroba] carolvenancio ou então no meu formspring: www[PONTO]formspring[PONTO]me/carolvenancio
Até o próximo capítulo!
Beijos,
Carol.
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GOSTOU OU NÃO, DEIXE-ME SABER.
REVIEWS SÃO O COMBUSTÍVEL PARA NOVOS CAPÍTULOS!
