Capítulo 9

- Sei por experiência própria, que não é muito bom falar com uma mãe a respeito de seus filhos. Acredite-me, sei muito bem que é um terreno perigoso. Mas, vou correr o risco. Está entalado em minha garganta, então vou falar senão sufoco.

Catherine a levou pela mão até um banco de pedra. Sentaram-se e ela continuou:

- Sei que você não gostou do que eu disse no carro. Mas veja Sara, a gente cria os filhos pro mundo não pra nós. Você não vai protegê—los pra sempre. Mais cedo ou mais tarde, a vida vem cobrar o que é dela, você querendo ou não. O que você precisa fazer, e sei que você e Gil fizeram e fazem muito bem é orientá-los, educá-los, dar-lhes bons exemplos e confiar virão até vocês em busca de orientações e quando tiverem alguma dúvida. Não tem necessidade de trazê-los na barra de sua saia, Sara!

- É fácil falar...

- Eu sei como às vezes, é difícil se conter. Eu lutei muito para dominar a sensação de culpa, pelo trabalho me afastar de muita coisa da vida da Lindsey. Além do fato, dela ter crescido sem pai. Isso não era minha culpa, mas eu me culpava mesmo assim.

- Então, sou uma péssima mãe?

- Não, não é! Pelo que tem me contado, esses anos todos, você se saiu muito bem. O que precisa é você acreditar nisso!

- Como assim?

- Olhe, Sara, porque você teve uma infância trágic, não significa que seus filhos terão também. Pelo amor de Deus, Sara, você é uma pessoa inteligente! Não permita que o seu passado assombre seu presente e atravanque seu futuro. Eram outros tempos, outras circunstâncias. Você não é sua mãe, Gil não é seu pai, a história de vocês é diferente!

- Não sei, Cath. Pergunte ao Gil; ainda hoje tenho pesadelos com isso!

- Já está mais do que na hora, de você resolver esse assunto, não acha?

Sara respirou fundo antes de responder. Catherine não entendia o quanto isso ainda doía, apesar de ter acontecido, há tanto tempo. A loira, como se lesse seus pensamentos, segurou suas mãos e disse:

- Eu sei que é difícil, Sara, a gente não muda de repente, só porque um belo dia falou que ia mudar. Mas pense nisso, ok? Você tem uma vida estável, um homem que te adora e dois filhos lindos, espertos e inteligentes. Mude por eles e por você. Não seja aquela mãe chata, que afasta os filhos.

Nem bem acabou de falar e Grissom apareceu com as duas crianças. Sara levantou-se e se juntou a eles. Trazia os olhos cheios d'água e, sabendo-a muito emotiva o marido atribuiu isso à dor do momento.

- Ah, vocês estão aqui? Bem que suspeitei, quando saíram de fininho!

- Ninguém "saiu de fininho", amor!O que queria? Que berrássemos pra onde iríamos, pra todo cemitério ouvir? - Falou Sara tentando sorrir.

Grissom nem teve tempo de responder, porque Catherine lhe perguntou, com certa urgência na voz, se tudo já havia terminado. Ante a resposta afirmativa do amigo falou:

- Daqui a pouco o pessoal chega em casa e eu não estou!

- Só te peço 5 minutos, Cath! Gostaria de fazer uma oração por ele. – E, virando-se para as crianças, explicou – Era um grande amigo do papai. Warrick Brown.

- Tio Warrick está aqui? – Perguntou Emily, que em seu entusiasmo infantil achava Vegas mágica, enquanto para Grissom trazia uma enxurrada de lembranças, nem sempre agradáveis.

-Fique o tempo que precisar, Gil. Afinal, vocês não vieram lá da esquina. Vou indo à frente com Sara. Deu uma piscadela, pra ele. – Aproveitamos para pôr as fofocas em dia!

Sara então, avançou repentinamente, para os filhos e, sem mais essa nem aquela, abraçou-os e deu um enorme beijo na bochecha de cada um como se não os visse há tempos. Depois, retirou-se com Catherine, não sem antes lançar um olhar comprido, ao marido.

William que estava naquela idade em que os meninos DETESTAM ser beijados, fazendo uma careta, limpou a bochecha melecada, com as costas da mão, e perguntou ao pai:

- O que deu nela?

- Não sei! Ela está muito emotiva hoje, deve ser o momento. Devemos respeitar isso! – Disse Grissom, muito emocionado, abaixando a cabeça.

- Sei. – Disse o menino antes de fazer silêncio. E, sendo desconfiado como Sara, pensou "Emotiva, é? Aí tem... Acredite no que quiser, papai...".

A casa de Catherine estava bem barulhenta. Grupinhos de pessoas distribuíam-se pela sala. Cinthia usava agora, um tipo de chinelo, dando alívio aos pés doloridos. Falava de gravidez com Lindsey. Greg perguntava quando Grissom ia embora. A resposta, claramente não lhe agradava:

- Tão cedo? Esperava mostrar o laboratório, para as crianças!

- Pretendo levar as crianças lá, amanhã de manhã. Isto se o Ecklie não se incomodar, bem entendido! – Disse sorrindo, o antigo supervisor.

Greg se encheu de importância e ficou de conversar com Ecklie, para que ele não causasse problemas, pois essa era uma ocasião especial. Grissom agradeceu-lhe.

As crianças haviam se trocado, e se sentiam mais confortáveis em seus jeans e camisetas. Andavam de grupo em grupo, escutando velhas histórias, onde seus pais eram os heróis.

Sentado numa poltrona, comendo salada de batata e frango frito, Brass aproveitou para puxar Catherine, que agitada, percorria a sala, de um lado pro outro, com uma bandeja nas mãos.

- Quer alguma coisa, Jim?

- Estou contando às crianças, ue fomos a Chicago, assim que elas nasceram.

- Sim é verdade. Os demais não puderam ir, então nós dois fomos representando o pessoal.

Brass pareceu nostálgico ao relembrar aquele dia. Os gêmeos nem tinham um dia de nascidos, quando eles chegaram. Grissom estava muito nervoso e só queria saber se Sara estava bem.

- Sara estava exausta: foram 14 horas sofridas de trabalho de parto, antes do médico se resolver pela cesariana. William tinha o cordão umbilical, enrolado no pescoço.

Emily não conteve sua curiosidade:

- Como nós éramos como bebês?