IX

Ana e Eric estavam voltando para mesa quando viram Klaus se agarrando com uma garota... Eric não se espantou com isso pois o amigo era assim, ia para as festas e baladas e ficava mesmo com as garotas sem se importar se alguém estava olhando ou quem estivesse olhando, já Ana ficou um pouco constrangida, Eric percebeu isso e decidiu que era melhor eles irem para outro lugar se quisessem conversar.

- Ana... Você gostaria de andar na praia comigo? – Eric perguntou, já que a boate ficava apenas a algumas quadras de uma praia, ele detestava essas boates mas tinha ido por causa de Ana.

- Hm... Tenho que avisar a Ceci, você espera um minutinho?

- Claro – Eric respondeu então Ana foi até sua amiga que estava nos braços de Patrick dançando como se só houvesse os dois no universo inteiro.

- Ceci... – Ana cutucou a amiga que se assustou e imediatamente se afastou um pouco de Patrick o qual conteve a risada. – eu vou dar uma volta na praia... – mas antes de dizer mais alguma coisa Cecília a interrompeu e falou

- Praia? Ai que idéia legal amiga, poderíamos ficar lá até o sol nascer vamos sim não é Patch?

- Claro – Patrick sorriu e beijou a bochecha de Cecília, Ana se sentiu um tanto quanto frustrada, pois queria ficar sozinha com Eric para conversarem, mas aceitou o entusiasmo da amiga, afinal, casais apaixonados são assim mesmo...

- Ok, vou falar pro Eric que vocês vão também – Ana falou e saiu para encontrar com Eric que a esperava na escada que dava para a área vip.

- Vamos? – Eric perguntou sorrindo

- Aham... mas a Ceci e o Patrick disseram que vão conosco... – Ana respondeu um pouco chateada, Eric a olhou e entendeu claramente que isso não tinha sido idéia dela, ele iria socar o Patrick quando chegassem no hotel.

- Tudo bem, vamos então, eu já avisei ao Klaus que dessa vez vamos pegar um táxi para voltarmos para o hotel. – Ana sorriu e os quatro foram caminhando em direção a praia, as ruas estavam bastante vazias, mas Ana não se preocupou quanto a questão de serem assaltadas ou algo do tipo pois estava com a sua muralha protetora bem ao lado, e exatamente nesse momento que ela pensou isso Eric segurou a sua mão, Ana não teve coragem de olhá-lo mas sabia que ele estava sorrindo por ela não tentar se afastar, então ela sorriu também.

Eles chegaram a praia as duas da manhã, estava bastante escuro ainda e como a praia não tinha muita iluminação Ana ficou com medo de caminhar no escuro e preferiu ficar sentada enquanto Cecília e Patrick brincavam perto das ondas do mar e Cecília gritava e dava risadas quando Patch a agarrava.

- Não quer dar uma volta? – Eric perguntou para Ana gentilmente sem querer forçá-la a fazer nada, nesse momento Eric não estava mais segurando a mão de Ana, mas os dois estavam sentados muito perto um do outro.

- Eu tenho medo de cair... Está muito escuro, a escuridão não gosta muito de pessoas desastradas como eu. – Ana deu uma leve risada e sua afirmação tão sincera e boba fez Eric rir também

- Sem problemas – Eric se levantou e estendeu a mão para Ana se levantar também – eu protejo você. – sorriso de Eric foi muito encorajador e mesmo com vergonha pelo que havia acabado de dizer Ana se levantou e segurou na mão de Eric, que a segurou a mão dela com uma de suas mãos e com a outra enlaçou sua cintura dando mais equilíbrio ainda a Ana que sorriu com a proximidade e com o calor do corpo de Eric perto do seu que espantava o frio de madrugada da praia.

Cecília viu sua amiga se afastar um pouco com o BRUTAMONTES apelido que ela havia dado mentalmente para Eric, então ela sorriu, afinal, ela não queria que só ela ficasse feliz nessa história toda, queria que a sua amiga experimentasse exatamente o que ela estava experimentando... Perdida nesses pensamentos Cecília nem percebeu quando Patrick a agarrou novamente por trás e beijou seu pescoço, então ela gritou e riu novamente.

- Eu simplesmente amo quando você faz isso – Patch sussurrou no ouvido de Cecília e em seguida deu uma leve mordida, que fez ela se arrepiar da ponta do pé até o último fio de cabelo.

- Eu não sei se peço pra você parar, ou se peço para você continuar a fazer isso... Você me deixa tão... Atordoada – Cecília deu uma risada e olhou nos olhos de Patrick, uma das coisas que deixava ela atordoada também eram os olhos dele, eram azuis acinzentados, do tipo que muda de cor dependendo da luz... Eram lindos e ela sentia que qualquer coisa que ele quisesse que ela fizesse bastaria apenas ela olhar para os olhos dele que ela diria sim sem pestanejar ou questionar, e ela tinha medo do poder que ele poderia ter sobre ela se ela se apaixonasse de verdade e se prendesse a ele.

- Uma moeda pelos seus pensamentos? – Patrick falou acariciando a bochecha de Cecília, sorrindo com um olhar de curiosidade.

- Você tem olhos muito bonitos – ela disse sem revelar completamente a verdade, ela sabia mentir bem por que ele não percebeu e respondeu simplesmente

- E você tem a risada mais linda que já ouvi - ele beijou uma bochecha dela – o sorriso mais doce que já vi – ele beijou o outro lado – e os lábios mais bonitos que já beijei – então ele beijou Cecília que praticamente desmoronou em seus braços, não no sentido literal da frase... Mas vocês me entenderam.

- O que você mais gosta de fazer? – Eric perguntou a Ana enquanto eles andavam pela praia.

- hm... Assobiar – Ana deu uma risadinha.

- Assobiar? Nunca tinha ouvido isso antes na minha vida – Eric riu – por que você gosta tanto de assobiar?

- É uma longa história... – Ana tentou desconversar

- Temos até o nascer do sol... – Eric deu outra risada

- Ok... Foi assim... Quando eu era bem pequena, eu tinha uns cinco pra seis anos e eu estava na casa da minha tia, eu e os meus primos estávamos assistindo algum programa na televisão eu não lembro muito bem qual era o nome, mas no meio da musica de abertura do programa os personagens ao invés de cantar a letra da musica começavam a assobiar, meus primos assobiavam junto dos cantores, eu tentava, tentava, mas só saia baba da minha boca sabe? – Eric começou a rir quando Ana imitou como tentava assobiar quando era criança, então ela continuou a contar a história – Enfim... meus primos perceberam e começaram a rir de mim, eu era uma criança muito irritadiça então eu sai de perto deles e fui brincar com a minha boneca bem longe para que eles não pudessem me zoar, então eu continuei praticando até que uma hora sem me dar conta de como eu tinha feito eu consegui soltar um assobio, depois consegui de novo, e novamente, treinei durante três dias até conseguir cantar twinkle twinkle Litlle star sem cuspir uma gota de baba ou errar a melodia, minhas bochechas chegavam a doer, mas a dor valeu a pena, então no final de semana fui novamente para a casa da minha tia e entrei assobiando a musica, meus primos não acreditavam, então eu comecei a rir da cara dos dois e me sentei para assistir o programa de novo e na parte da musica eu já conseguia assobiar a melodia sem nenhum problema e depois disso assobiar qualquer canção fazia com que eu me sentisse 'um ser superdotado de habilidades super especiais' – Ana riu – então... É por isso que eu amo assobiar por que foi o dia em que eu pude calar a boca dos meus primos bobocas, viu? Eu falei que a história era grande... – Ana sorriu um pouco encabulada por ter falado demais.

- Pelo visto eu vou ter que fazer você falar um pouco mais sobre a sua infância, não tinha visto você falar tanto a noite toda, e eu gostei bastante da sua história – Eric sorriu – por favor, não fique com vergonha, você devia falar bastante mesmo você tem uma voz bonita Ana.

- Obrigada – Ana disse mais encabulada ainda quase virando um morango de tão vermelha que ela ficou pelo elogio.

- Ei, não me agradeça por dizer a verdade – Eric disse alisando o cabelo de Ana, nesse momento os dois pararam de andar um pouco e ele olhou para ela intensamente "ele vai me beijar..." "espere... eu quero que ele me beije?" ela retribuiu o olhar de Eric " .Deus... ele realmente vai me beijar, o que eu faço?" Ele sorriu "Sim, eu quero que ele me beije, aqui, agora" então os dois ouviram Cecília gritar de longe:

- Gente! Olha o que eu achei! Que linda! – e isso definitivamente quebrou o momento dos dois, Eric pigarreou e sorriu carinhosamente para Ana, tocou a bochecha dela e com os olhos ele disse e Ana pode entender "tão perto..."

Os dois foram até onde Cecília e Patrick estavam a viram com uma coisa relativamente gigante na mão, uma concha.

- Nossa Ceci! Que linda! – Ana falou eufórica

- Pois é eu tropecei nela enquanto eu e Patch andávamos... Ele já iluminou com a lanterna do celular e a concha está limpa, eu já pus no ouvido para ouvir aquele ecozinho que faz o barulho do mar... Nossa é muito bonito. – ouvindo isso Ana colocou a concha em seu ouvido e ficou encantada com o som que ela fez

- É realmente muito bonita Ceci. – Ana sorriu

- Quem sabe não possamos ouvir o canto da alguma sereia se tivermos paciência, huh? – Mas eu já estou ouvindo – Patrick falou rindo – O som da sua voz é o único canto de sereia que ouço.

- Idiota – Cecília deu um tapinha na cabeça de Patch que a beijou na bochecha e a abraçou por trás

- Get a room*! – Ana falou rindo para os dois que a ignoraram completamente.

*Get a room – Arrumem um quarto (indireta para um casal respeitar as pessoas em volta, ou simplesmente uma frase para brincar com o mesmo)

Depois de algum tempo conversando e rindo os quatro se sentaram na areia, Ana pegou seu celular e colocou pra tocar sua setlist de músicas antigas do Coldplay e em especial ela colocou essa musica quando o sol começou a nascer no horizonte.

Daylight

To my surprise, my daylight

(Para minha surpresa, minha luz do dia)

I saw sunrise, I saw sunlight

(Eu vi o nascer do Sol, eu vi a luz do dia)

I am nothing in the dark

(Eu não sou nada na escuridão)

And the clouds burst, to show daylight

(E as nuvens se abrem para mostrar a luz do dia)

Ooh and the sun shine, yeah on this heart of mine

(Ooh, e o Sol brilhará, nesse meu coração)

Ooh and I realise, who cannot live without

(Ooh e eu percebo, sem quem não poderia viver)

Who come apart without it

(Ooh sem quem não sou nada)

On a hilltop, on a sky-rise

(No topo de um morro, sobre um arranha-céu)

Like a firstborn, child

(Como o primeiro filho, criança)

And at full tilt, and at full flight

(Em completa inclinação, em um vôo completo)

Defeat darkness, bring the daylight

(Derrote a escuridão, trazendo a luz do dia)

Ooh and the sun shine, yeah on this heart of mine

(Ooh, e o Sol brilhará, nesse meu coração)

Ooh and I realise, who cannot live without

(Ooh e eu percebo, sem quem não poderia viver)

Who come apart without

(Ooh sem quem não sou nada)

Daylight

(Luz do dia)

Slowly breaking through the daylight

(Lentamente surgindo, a luz do dia)

Slowly breaking through the daylight

(Lentamente surgindo, a luz do dia)

Slowly breaking through the daylight

(Lentamente surgindo, a luz do dia)

Slowly breaking through the daylight

(Lentamente surgindo, a luz do dia)

Ana colocou sua cabeça no peito de Eric e fechou os olhos.

- Eu acho melhor irmos andando... – Ana disse de repente a Cecília – já é tarde deveríamos estar em casa...

- Dependendo do ponto de vista, ainda é muito cedo – Patrick deu falou interrompendo Ana e todos riram.

- Aninha minha querida, eu mandei uma mensagem para a sua mãe dizendo que você ia dormir lá em casa lembra? Pra que a pressa?

- Ah é mesmo... Você mandou, eu tinha esquecido disso – Ana se sentiu aliviada por sua amiga ter lhe lembrado disso.

- Então... – Disse Eric se levantando – por que vocês não vão para o hotel conosco tomar café da manha e depois vão pra casa? – ele sorriu em direção a Ana

- Parece uma ótima idéia – Cecília comemorou envolvendo os seus braços em Patch que sorriu largamente para ela.

- Bem... – Ana não tinha muita certeza quanto a isso, porém a idéia de passar mais tempo ao lado de Eric a interessava muito então ela concordou -... Acho que podemos fazer isso e ir pra casa – ela sorriu de volta para Eric.

- Tudo resolvido então... – Patrick falou levantando e pegando Cecília nos braços, ela deu um gritinho de surpresa –... ao infinito e além!* - dito isso ele saiu correndo com ela nos braços, ela gargalhava nos braços dele

- Me Poe no chão idiota! – ela dava risadas

- Crianças – Ana e Eric falaram ao mesmo tempo, então os dois se olharam e começaram a rir

*ao infinito e além! – expressão usada pelo personagem Buzz Lightyear de Toy Story quando ele se preparava para decolar para realizar alguma missão.