Obrigada a todos que acompanham e comentam. Aqui vai o nono capitulo.

XXX

O dia estava lindo, bem ensolarado e quente. Ino estava suando, aquela era a terceira loja de decoração que ela entrava para procurar o que precisava. Ela olha as peças expostas, mas fica em dúvida. Um senhor aparentando quarenta anos se aproxima e a cumprimenta com um sorriso. – Bom dia, posso ajudá-la?

-Bom dia, espero que possa me ajudar sim. Preciso de uma persiana para quebrar a claridade da sala. Eu e meu namorado vamos nos mudar amanhã, mas a sala do apartamento tem uma janela muito grande e entra muita luz.

-E isso a incomoda? – Ino dá um sorriso para o vendedor. – Na verdade, não me incomodo, mas meu namorado tem olhos muito sensíveis à claridade.

-Tem razão, os olhos do jovem Daimyo são bem claros. – Ino fica séria. Em todas as lojas que ia os vendedores a reconheciam e a tratavam de forma diferente. Uma repetição do que tinha acontecido em Suna. Ela já começa a sair da loja, mas o vendedor a chama. –Não quer ver as persianas, minha jovem? Acho que tenho o que precisa, se me passar às medidas da janela, gostaria de ajudá-la. – O homem lhe sorria de forma acolhedora.

Ino o olha feliz e lhe passa as medidas. Ele lhe traz algumas amostras de tecidos e várias fotos de cortinas. Ino olha tudo encantada. O homem continua tratando-a com atenção e respeito, o que deixava Ino aliviada. Não queria que Gaara ficasse chateado, como acontecera em Suna.

-Eu gostei desta. - Ela mostra uma foto de uma persiana vertical. – Mas eu preciso de algo pronta entrega. Gaara sente dor de cabeça se seus olhos ficam expostos a luz intensa durante muito tempo.

-Sem problemas. Posso mandar instalar hoje, no final da tarde. Tem alguém lá que possa receber meu pessoal?

Ino pensa um pouco. Gaara ficaria preso no gabinete naquele dia. Ele queria deixar tudo em ordem antes de irem ao País da Terra. Tinha saído de casa bem cedo e com certeza voltaria tarde. Tinha lhe deixado a vontade para escolher o que quisesse para o apartamento deles. Ino estava muito feliz em arrumar tudo. Eles tinham ficado um longo tempo no apartamento novo no dia anterior. Ino tomara medida de todas as janelas. Sabia que Gaara não se sentia bem com excesso de luminosidade e queria colocar persianas em todos os cômodos. Precisaria comprar várias coisas para o apartamento. Tinham combinado que Ino passaria no gabinete no horário do almoço.

-Eu estarei lá, por volta das seis horas. Dá tempo de confeccionar?

-Com certeza. Quer escolher o tecido e a cor? – Ino faz a escolha. Atencioso, ele lhe mostra outros itens. Almofadas, tapetes e futons. Ino se empolga e compra várias coisas, queria deixar o apartamento novo mais acolhedor. – Gostaria de escolher persianas para os outros cômodos também, mas essas não têm pressa para entrega. – O homem concorda e ela escolhe persianas para cada um dos outros cômodos e passa as medidas para o vendedor.

-Eu tenho algumas peças que tenho certeza vão lhe agradar. – Ele a leva para a parte de cima da loja. Lá Ino vê coisas maravilhosas, um jogo em preto e branco para o quarto lhe chamou a atenção. Completo, lençol, colcha, fronhas, edredon e cobertor. Ino decide comprar o jogo todo. Ela passa duas horas agradáveis ali dentro. O vendedor era gentil e educado. Ino descobrira que ele era o dono da loja. Ele tinha duas empregadas que trabalhavam nas vendas, mas ele quisera atender Ino.

-Por que quis me atender, Hajime-sama? – Ino pergunta com um sorriso, eles estavam tomando chá nos fundos da loja. – Porque, assim como você, eu também sou de Konoha e também já fui um ninja.

-Sério? De Konoha? E por que está aqui? – Ino fica surpresa. Não esperava encontrar ninguém de sua vila ali. – Há vinte anos, eu conheci Yue, minha esposa. Ela era daqui do País do Vento. Eu estava aqui em missão e precisei levar meu uniforme para consertar. Eu tinha feito um rasgo nele, e não podia volta para Konoha com meu uniforme daquele jeito. Depois de andar muito encontrei uma alfaiataria. Pertencia ao pai de Yue. Assim que a conheci soube que ela tinha que ser minha. Pedi que ela fosse comigo para Konoha, mas Yue não queria deixar o pai sozinho. Ele já era viúvo. Então voltei á minha vila, mas meu coração ficou aqui. Voltei alguns meses depois para ficar com ela. Nos casamos e passamos a morar aqui na capital.

-E você deixou de ser um ninja? – Ino perguntou surpresa. – Sim, deixei. Eu deixaria qualquer coisa para ficar com ela. Montamos esta loja juntos e fomos felizes por vinte anos. Tivemos quatro filhos. Ela morreu faz dois anos, mas eu jamais a esquecerei. Nunca me arrependi da decisão que tomei. Yue era dedicada, amorosa e atenciosa, como você, Ino-sama. –Ino o olha surpresa. – Por que diz isso? - O homem lhe dirige um sorriso calmo. – Você veio aqui procurar persianas para deixar a casa mais confortável para seu namorado, certo? Isso demonstra o cuidado que tem com ele. Demonstra que o ama.

Ino o ouve em silêncio. Ela amava Gaara, e não gostava de pensar que em breve teria que deixá-lo. Não sabia como seria depois que ela tivesse que voltar a Konoha. A situação ali no País do Vento estava difícil. Gaara não poderia simplesmente ir ao País do Fogo. Ela não poderia vir sempre. Ela olha para Hajime. Ele parecia realizado. Ino se levanta para sair. Despede-se do homem e saindo da loja encontra com Kenko. Tinha combinado que tudo o que comprara seria entregue no apartamento deles, quando fossem instalar a persiana. Ino sente lágrimas nos olhos. Sabe que teria que fazer uma escolha, mas não se sentia preparada para isso, ainda. Ela termina as compras e leva tudo para o apartamento novo, junto com Kenko. Depois voltam ao apartamento onde ela morava. Ela precisava ir até o bar onde tinha estado no dia anterior. Ela decide levar Kenko com ela. Ibiki lhe tinha alertado sobre o risco dela ser feita de refém.

O bar estava fechado, mas como no dia anterior, ela força a porta e entra. Kenko ficou escondido, vigiando. Ino se esconde atrás do balcão novamente. Não demora muito e dois homens entram no bar. Eram civis. Ino aguarda que eles falem algo, mas mais um homem entra e Ino o reconhece.

- Temos novas ordens. –Baki fala irritado. Gaara tinha razão, ele estava na capital. – Em breve colocaremos o plano em ação e depois veremos se o jovem Daimyo não pedirá ajuda.

-O que está planejando?

-O chefe não me falou, mas será algo grande e obrigará Sabaku no Gaara a pedir ajuda ao Hokage.

- E depois que os ninjas de Konoha estiverem aqui, daremos um jeito no Daimyo, certo?

-Com certeza. O chefe não vai precisar mais dele, e nem do irmão. Com os dois países unidos, eu cuidarei da Vila de Suna. E os irmãos Sabaku irão para o inferno. – Baki fala com ódio.

-E a loira? Ela está sempre ao lado dele.

-Nós nos livraremos dela, quando chegar a hora. Agora saiam. Um de cada vez. E não voltem mais aqui. Vocês já chamaram a atenção. Soube que viram alguém entrando aqui.

-Apenas um vagabundo procurando um lugar quente para dormir, Baki.

-Pode ser, mas não vamos nos encontrar mais aqui. Cuidem de tudo. Nos encontraremos em outro local daqui a três dias, eu os avisarei. Agora vão.

Ino espera um longo tempo, antes de sair do lugar. Ela mal respirava. De que plano eles estavam falando? O que eles pretendiam? Ela tentara ler os pensamentos de Baki, mas não conseguira. Ela precisava alertar Gaara.

Kenko a esperava do lado de fora, ele era discreto e leal e Ino confiava nele. Já era hora do almoço. Ela entra no apartamento e depois de tomar um banho e se vestir, ela sai novamente, desta vez em direção ao gabinete de Gaara.

Myiako estava sentada a sua mesa. Ino tenta ler seus pensamentos, mas nos últimos dias ela estava tomando cuidado. Só pensava em serviço quando Ino estava por perto. Nem em Gaara ela pensava mais. Sinal de que alguém a tinha alertado sobre Ino. E provava que ela estava ligada aos grupos de oposição. Ino a cumprimenta, mas quando ia entrar na sala de Gaara a outra a chama.

-Ino-sama, o Daimyo não está. Ele teve que sair, mas disse que se você aparecesse deveria esperar por ele.

Ino suspira. Gaara não lhe dissera que sairia. Ela senta e espera. Myiako a olhava de forma disfarçada. Ino pega uma revista e finge ler. Mas não perde um movimento sequer da secretária. Ino continua tentando ler os pensamentos da outra. Ela sentia que a moça estava se esforçando em evitar qualquer pensamento comprometedor. Ino pensa um pouco. Provavelmente Gaara não a deixaria interrogar a secretaria, pois Ino não tinha nenhuma prova da traição da outra. Precisava de provas.

-Myiako, eu já vou. Acho que Gaara-sama irá demorar muito e eu tenho um compromisso. Diga a ele que passei por aqui, por favor.

-Está bem, Ino-sama. Eu direi. – Ino se levanta e sai. Ao chegar à escada ela desce o primeiro lance espera alguns minutos, subindo de novo, em silêncio e para antes de chegar à porta. Ela se concentra e começa a sondar os pensamentos da outra. Agora sim, ela estava pensando em Gaara. Pensamentos bem pervertidos. Droga, será que ela não podia pensar outra coisa que não fosse levar seu namorado para a cama? Ino já estava ficando com vontade de bater na outra, quando ela parece se lembrar de algo. Ino acompanha cada pensamento. A outra abre uma gaveta e retira um envelope, dentro um papel com alguns nomes e datas. Ino acompanha, ela não reconhece nenhum daqueles nomes, e as datas eram todas próximas. Myiako estava pensando em Baki enquanto lia. Ino continua observando os pensamentos da outra e descobre onde ela guarda o envelope. Se ela pudesse pegar, seria a prova necessária para Gaara permitir que ela interrogasse Myiako. Ela entra na sala de Myiako que a olha surpresa. – Mudei de idéia, vou esperar Gaara.

Não demora muito e Gaara aparece. Ela o olha, ele estava sério desde o dia anterior, desde que tinha conversado com Ibiki. Ele não tinha lhe contado o que eles tinham conversado. Ino se levanta e espera o namorado se aproximar.

-Olá, tudo bem? – Ela pergunta com um sorriso. Ele apenas confirma com a cabeça e a chama para entrar em sua sala. Depois de entrarem, ele senta e a olha.

-Onde você esteve? – Ela senta a sua frente, estranhando. Geralmente ele a abraçava e beijava assim que entravam na sala. E geralmente acabavam fazendo amor sobre a mesa dele. Mas ele estava distante. Depois que ele lhe levara para conhecer o apartamento novo, onde eles tinham feito amor por um longo tempo, ele se fechara daquela forma. Ino sabia que ibiki tinha lhe falado algo que o estava incomodando.

- O que você tem? – Ela pergunta, preocupada. – O que foi que Ibiki-shishou lhe falou?

Gaara desvia o olhar e começa a brincar com uma caneta. Sentia uma pontada de dor na cabeça. Ino fica esperando pela resposta. Precisava contar a ele o que tinha descoberto, mas naquele momento ela queria descobrir o que estava acontecendo para deixá-lo daquele jeito. Depois de um tempo ele a olha. Ela podia ver que ele estava muito sério.

-Ele não disse nada demais, Ino, eu estou preocupado com tudo o que está acontecendo. Já lhe pedi para não sair sozinha, pois é perigoso, mas parece que você faz questão de não me ouvir.

-Como assim? Kenko me acompanhou o tempo todo hoje. –Ela fala zangada. - E eu sei que Ibiki lhe disse algo que o deixou incomodado. Não minta para mim.

-Lendo meus pensamentos, Yamanaka?

-Não Gaara-sama, você sabe que eu não faria isso. Somente posso ler seus pensamentos se for para salvar sua vida. É uma regra de Konoha. – Ela se levanta e se dirige para a porta. – Aonde você vai?

-Embora. Se você não está disposto a se abrir e conversar comigo, não vou ficar aqui te incomodando. – Ela sai da sala, chateada. Não sabia o que tinha acontecido com ele, mas se Gaara queria se isolar, não iria atrapalhá-lo. Ela se dirige para o apartamento deles. Mas, ao chegar lá ela pensa um pouco, tinha que contar a Gaara o que tinha descoberto então ela volta ao escritório.

Gaara fica olhando a porta fechada. Droga, tinha deixado Ino chateada. Ela não tinha culpa do que estava acontecendo nem do que Ibiki lhe tinha dito. Ele suspira e volta a trabalhar. Precisava colocar tudo em ordem antes de viajar para o País da Terra. Ele chama Myiako e lhe passa algumas instruções. A moça continuava tentando seduzi-lo e aquilo o estava irritando ainda mais. Ele sente que sua dor de cabeça estava aumentando. Começa a massagear as têmporas. Myiako observa o chefe e vê uma oportunidade de se aproximar. Sem pedir licença, ela se posiciona atrás da cadeira de Gaara e começa a massagear os ombros dele. Ele se levanta, mas antes que possa dizer algo, Myiako se aproxima e o beija, ao mesmo tempo em que a porta se abre e Ino entra, vendo a cena.

-Desculpem, não queria atrapalhar. – Ela sai rápido dali. Gaara empurra Myiako. - O que pensa que está fazendo? Droga, pegue suas coisas e suma daqui, agora. – Myiako o olha e sai. Gaara sai em seguida e trancando a sala vai atrás de Ino. Precisava encontrá-la rápido. Sua dor de cabeça estava piorando. Ele chega ao apartamento deles e a encontra arrumando a mochila. – O que você está fazendo? Largue isso.

-Eu vou embora. Não tente me impedir. –Ele vê que ela estava furiosa e tenta abraçá-la, mas ela o empurra. – Pare com isso, volte ao escritório. Acho que você tem muito que fazer lá.

-Ino, eu não fiz nada. – Ela o olha com raiva. – Gaara, eu vi vocês dois se beijando.

-Deixe-me explicar. – Ela continua arrumando sua mochila. Gaara se aproxima e a segura pelos braços. Ino olha para ele com raiva. – Me solte.

-Não, até me ouvir. Foi Myiako que me beijou. Ela me pegou de surpresa e você entrou na minha sala no mesmo momento. Ino, você sabe que ela tem me assediado desde que cheguei aqui. Você mesma já viu isso nos pensamentos dela. – Ele sente a sua dor de cabeça aumentando.

-Por favor, Gaara, você é o shinobi mais forte de Suna, vai me dizer que não conseguiu empurrar uma mulher de cinqüenta quilos? Qual o problema? Ela é o seu tipo, é uma civil. – Ino respira fundo, sentia uma vontade imensa de chorar, mas não faria isso, não na frente dele. – Eu sou uma idiota. Estava preocupada que Ibiki-shishou tivesse te ofendido de alguma forma, e você se divertindo com a secretária.

-Ino por favor, não faça assim. Me ouça. – A voz de Gaara sai baixa e contida, Ino o olha. Ele tinha se sentado na cama de cabeça baixa e olhos fechados. Ino percebe que ele não está bem. Por um momento pensa em deixá-lo sofrer, mas depois fica sensibilizada e toca a nuca dele, aplicando um ninjutsu médico. Ele se sente aliviado. A dor de cabeça o estava matando. -Por que fez isso?

-Por que não deixaria nem um cachorro sofrendo. – Ela pega a mochila e se dirige para a porta, mas ele entra na frente e a segura. – Me solte.

- Não vou deixá-la sair, me ouça, por favor. Se não acredita em mim, leia os meus pensamentos e veja o que aconteceu.

-Sabe que não posso fazer isso. – Ela o olha, com raiva. – Gaara, saia da minha frente e volte para sua secretária.

-Ino, eu te amo. Acha mesmo que me arriscaria a te perder por causa de uma aventura? Não tenho nada com Myiako, nunca tive.

Ela suspira e senta na cama. Ele parecia estar sendo sincero. Droga, ela também o amava. Sabia que Myiako queria seduzir Gaara por ordem de alguém. E com certeza ela tinha se aproveitado do estado de fraqueza de Gaara. Ela se vira para ele.

-Você sabe que não deve sair ao sol sem óculos escuros. Seus olhos são muitos claros e sensíveis a luz. – Ela tenta se acalmar. –Não vou ler seus pensamentos. Já entendi o que aconteceu. Ela se aproveitou que você não estava bem e achou que podia se insinuar. Ela continua desejando você. Eu vou matá-la, mas não agora. Estou preocupada com você. Conte-me o que Ibiki lhe disse. Sei que isso está te incomodando, eu sei o quanto ele pode ser desagradável e até cruel.

Gaara conta o que Ibiki tinha lhe dito. Ela olha para o chão e pensa durante um tempo, depois o olha, séria. –Depois que meu pai morreu, Ibiki achou que devia cuidar de mim, ele era amigo do meu pai e é uma espécie de padrinho meu. Eu o conheço desde que nasci. Já lhe disse que eu cresci dentro do Prédio de Inteligência. Tanto Ibiki como meu pai me treinaram. Eu fui treinada para ser a líder do clã, porém a decisão de assumir a liderança foi minha. Quanto ao Esquadrão de Interrogatório, isso é um desejo de Ibiki, não meu. Eu nunca quis esse posto e duvido muito que Naruto concordaria com isso. Mal dou conta do meu clã e das missões que realizo. Gaara, eu amo você. Devia confiar em mim. Devia ter me contado ontem mesmo o que Ibiki tinha lhe dito. – Ela acaricia o rosto dele. – Jamais me casaria com alguém do meu clã. Não posso pensar em destino pior para alguém. – Ela fala com humor e continua acariciando o rosto de Gaara. Ele solta um gemido rouco e a puxa para seus braços, beijando-a com paixão.

Ela deita e o puxa junto. Ele a olha, sério. – Por que não leu meus pensamentos?

-Não podia. Sei que você me pediu, mas não tenho o direito de fazer isso. Tenho que seguir as regras de minha vila, afinal sou a líder do clã Yamanaka. Você é um Senhor Feudal, não importa se é meu namorado, eu não posso quebrar uma regra por causa de uma briga de namorados. Não seria certo. E não preciso ler seus pensamentos para saber o que você quer fazer agora. – Ele sorri e ela toca os lábios dele com a ponta dos dedos. –Adoro seu sorriso. – Ele a beija novamente. – Me desculpe, deveria ter conversado com você ontem. – Ele fala olhando-a com desejo.

-Deveria mesmo. – Ela bate de leve no braço dele. – Da próxima vez que alguém lhe disser algo sobre mim, fale comigo ao invés de se isolar. – Ele concorda e começa a levantar. – Preciso voltar ao escritório.

-Você só pode estar brincando. – Ela o puxa para baixo novamente. – Você vai fazer amor comigo, aqui e agora. Ou eu pego minha mochila e vou para Suna, fazer companhia ao seu irmão.

Ele ri e a beija, enquanto a despe e se despe em seguida. Durante um longo tempo, só se ouvem gemidos e gritos de prazer. Eles ficam deitados juntos durante um longo tempo. Ele se levanta. – Ino, preciso ir. Mandei Myiako pegar as coisas delas e sumir de lá e agora estou sem secretária.

-Espere, eu vou com você. Posso ajudá-lo e preciso falar com você sobre o que descobri hoje. – Eles se arrumam e voltam ao escritório. Ino pega os óculos escuros e o obriga a usar. – Sabe que não pode sair sem ele. – Ele coloca os óculos e eles saem.

- Ino, você sabe que não deve investigar. Principalmente naquele lugar. Sabe que aquela região é perigosa. – Eles estavam no escritório e Ino acabara de contar a Gaara tudo o que tinha acontecido. – Kenko estava comigo, ele ficou vigiando do lado de fora.

-Mesmo assim, sabe que está proibida de investigar. – Ele suspira, resignado. – E com Baki por perto, tem idéia do perigo que correu?

-Gaara, pare com isso. Precisamos descobrir o que eles estão planejando. Eu ia pedir que você me deixasse interrogar Myiako, mas agora isso está fora de cogitação, você a colocou para correr. E eu ainda quero matá-la. –Ino olha o relógio já eram quase quatro horas. – Tem algum compromisso, Yamanaka?

-Sim, preciso ir ao apartamento novo. Ás seis horas vai o instalador da persiana lá e eu preciso recebê-lo. – Ela fica séria. – Voltamos à estaca zero. Myiako foi embora e aqueles homens vão se reunir em outro lugar. – Ele a olha. – Você não se lembra de nenhum nome da lista? – Ino fecha os olhos e se concentra. Ela começa a forçar a memória e pegando uma folha de papel, ela começa a escrever os nomes que lembrava, ainda com os olhos fechados. Ele a olhava, ela abre os olhos e lhe entrega a lista.

-Reconhece algum desses nomes? – Ele nega com a cabeça. – Devem ser civis. Não tenho muito contato com civis.

-Só se for agora, por que antes você tinha muito contato com civis do sexo feminino.

-Você nunca vai esquecer isso? – Ele pergunta sério. – Deveria? – Ela sorri, adorava provocá-lo. Ele sorri também, depois fica sério. – Vou investigar estes nomes e pedirei a ANBU procurar por Baki.

Ela concorda. A ANBU ainda estava na capital. – Diga a eles para procurarem naquela região.

Eles continuam trabalhando, era mais fácil trabalhar com Ino que também era uma ninja do que com Myiako. – Vou pedir que chamem Myiako aqui, afinal ela precisa receber o salário dela deste mês. E ela será interrogada por alguém de Suna. Pedirei ao meu irmão para enviar um inquiridor. – Ela o olha, desanimada e ele entende. – Ino, os inquiridores não conseguiram lhe fazer falar por que você é melhor do que eles nisso, mas Myiako é uma pessoa comum.

-Está bem, mas eu gostaria de assistir o interrogatório. – Ele concorda. Ela volta a olhar o relógio. – Tenho que ir. – Ela levanta, mas antes de chegar á porta, ele a abraça. – Me desculpe por hoje.

Ela concorda, ele a puxa para mais perto. – Por que você mandou instalar uma cortina em nosso apartamento? Aonde pretende colocá-la?

-Na sala, o aposento recebe muita luz do sol e vai incomodar seus olhos. Você vai viver com dor de cabeça lá. Vou colocar cortinas em todos os cômodos, ficará mais confortável para você. – Ele encosta a testa na dela e fecha os olhos. Novamente ela estava cuidando dele. – Obrigado por cuidar de mim, Ino. Ninguém além de meus irmãos se preocupou comigo assim, antes. – Ela fica séria e o beija com carinho e amor. Ela se lembra da conversa com Hajime, na loja. – Eu gosto de cuidar de você, não precisa me agradecer.

Ino chega ao apartamento quinze minutos antes do horário marcado. Ela já tinha avisado ao porteiro sobre os instaladores. Aproveita e abre todas as janelas para arejar um pouco. Logo o instalador chega e para surpresa de Ino, Hajime vem junto com ele, com mais um carregador. Eles trazem todas as coisas que Ino comprara. – Boa tarde, minha jovem, eu vim para confirmar as medidas das outras janelas. – Ino mostra o apartamento ao homem e ele tira as medidas, enquanto o outro instala a persiana na sala. Ino e Hajime estavam na cozinha quando Gaara entra. Imediatamente, Hajime faz uma reverência, surpreendendo Gaara. Ino sorri. – Hajime-sama era um ninja de Konoha, Gaara.

Gaara o olha, surpreso. – Não sabia que havia ninjas de Konoha morando aqui na capital. Fico feliz em conhecê-lo. – Gaara senta ao lado de Ino e a puxa para perto. Ele simpatiza com o outro homem. Ficam conversando até que o instalador termine o serviço. – Vamos, minha jovem, venha ver como ficou a persiana.

Eles chegam a sala, e Hajime mostra a cortina colocada. – Agora você não terá mais problemas de excesso de luz, Gaara-sama. – Gaara olha para Hajime. – Ficou perfeito, eu lhe agradeço.

-Ino-sama, você me disse que pretendem mudar amanhã, se precisar posso lhe oferecer meus carregadores e meu veículo para transportar suas coisas para cá.

Ino olha para Gaara que concorda. – Ótima idéia, terei que ficar no escritório o dia todo amanhã e não poderei lhe ajudar.

-Então estamos combinados. A que horas gostaria que meu pessoal chegasse lá? – Ino pensa um pouco. Gaara costumava sair de casa por volta das sete da manhã. Ela precisaria de tempo para arrumar suas coisas e as dele. – Por volta das nove, pode ser?

- Eles estarão lá. – Ino passa o endereço e se despede do homem. Depois que o pessoal de Hajime sai, Ino abraça Gaara. – O que veio fazer aqui? Pensei que ficaria trabalhando até tarde.

-Vim falar com você. A ANBU já está atrás de Baki e também pedi que eles investigassem aqueles nomes. Recebi uma mensagem de Shikamaru. Ele pretendia vir para cá com minha irmã, mas respondi que fossem para Suna. Pretendo ir para lá quando retornarmos do País da Terra. Onoki aceitou nos receber. Com certeza ele já sabe o que está se passando e sabe por que quero falar com ele. Iremos depois de amanhã. Acha que conseguirá trazer tudo para cá amanhã?

-Não há muitas coisas e com o pessoal de Hajime, ficará mais fácil. Não queria tirar mais ninjas de sua segurança para ajudar na mudança. – Ela o olha, séria. – Tem certeza de que devo ir com você? Talvez fosse melhor eu ficar aqui.

-Negativo. – Ele a aperta em seus braços. – Já disse que quero que você fique perto de mim. – Eles saem do apartamento voltando para casa. Quatro ninjas os acompanhavam, os mesmos do dia anterior.

Entram no apartamento deles e Gaara a puxa pela mão. – Venha comigo. – Ela sorri sabia o que namorado queria. Ele a leva até o quarto e eles se despem entrando no banheiro. Juntos dentro do Box, Ino puxa Gaara de encontro ao corpo dela. Ele beija seu pescoço e vai descendo os lábios pelo seu colo, alcançando os seios. Gaara suga um após o outro, arrancando gemidos de prazer da namorada. Ele continua sua trajetória, chegando ao umbigo dela. Ino solta um suspiro. Ele continua descendo até alcançar sua intimidade, ele coloca uma das pernas dela sobre seu ombro e encosta a boca nela, sugando-a e depois começa a explorá-la com a língua. Ino se contorce e solta um grito, Gaara se levanta e vira de costas para ele, fazendo-a se inclinar para frente. Ele a penetra com cuidado, fazendo Ino soltar um gemido, eles sentem a água quente caindo sobre eles. Gaara começa a se mover bem rápido, segurando Ino pelo quadril, ela apoiada na parede. Ino grita o nome dele ao atingir o orgasmo, Gaara goza em seguida e a puxa de encontro ao seu peito, ofegante. – Você está bem? – Ele pergunta rouco, Ino apenas confirma com a cabeça. Ela se vira de frente para ele e o beija intensamente. Eles terminam o banho e saem do banheiro. Gaara deita e olha para ela. Ino estava enrolada na toalha, secando os cabelos. – Vou preparar algo para nós, tem alguma preferência?

-Não se preocupe com isso. Eu vou buscar algo para nós. - Ele a puxa para a cama, deitando-a a seu lado. – Sinto não poder ajudá-la amanhã.

-Está tudo bem. Já fiz várias mudanças. E essa será muito fácil, só preciso levar nossos pertences pessoais. Assim que você sair amanhã, eu começo a embalar tudo, quando o pessoal de Hajime-sama chegar, já estará tudo pronto. Estarei livre depois do almoço e posso ir te ajudar, se quiser. – Ele concorda, agradecido. Realmente com a ajuda dela ficaria mais fácil.

-Por que Hajime se mudou para o País do Vento?

-Ele se apaixonou por uma moça daqui. – Ino conta a história do lojista para Gaara. Ele a olha fixamente e Ino sabe o que ele está pensando. – Gaara, eu sei que também tenho que fazer uma escolha, mas ainda não estou pronta para isso. – Ele a abraça. – Bem, pelo menos você está pensando em fazer uma escolha. Isso já me deixa feliz. – Ele levanta e se veste – O que quer comer?

-Traga o que você preferir. – Ela continua deitada, depois dele sair. Gaara já deixara claro que queria que ela ficasse ali com ele, mas será que era possível? Ino tinha sua obrigação com seu clã, mas sabia que havia outros membros que poderiam assumir a liderança. Ela podia continuar trabalhando ali no País do Vento. Droga, ela tinha direito a ser feliz. Gaara a amava e ela o amava também. Ele queria construir uma família com ela e Ino podia se imaginar carregando um filho dele. Sabia que isso era um sonho, mas eles tinham o direito de sonhar. Ino se levanta e vai preparar a mesa para eles. Deixaria para pensar no futuro quando a situação entre os dois países estivesse resolvida. O importante agora era manter a autonomia do País do Vento, não apenas por que era o correto, mas também para proteger o homem que ela amava.

XXX

Ino estava terminando de colocar o apartamento novo em ordem. No dia anterior ela tinha comprado alguns vasos com plantas que agora enfeitavam a varanda. Hajime tinha enviado o resto das persianas, que foram instaladas ainda na parte da manhã. O apartamento estava lindo, parecia um lar. Ino estava adorando arrumar o lugar para eles. Após terminar ela se prepara e sai em direção ao gabinete de Gaara, junto com Kenko. Ela entra na sala de Gaara e o encontra sério e cansado.

-Olá, precisando de ajuda? – Ele lhe sorri e puxa para seu colo, beijando-a. - Como estão as coisas na casa nova?

-Tudo em ordem. E aqui, como está?

-Complicado. Não consigo despachar os documentos e atender as pessoas ao mesmo tempo. Preciso cancelar todos os meus compromissos pelo resto da semana, mas não consegui encontrar a agenda.

-Deixe comigo. Vou procurar na mesa da Myiako. – Ino encontra a agenda e passa a tarde remarcando os compromissos dele. Também atendeu as chamadas e só passou para ele o que era realmente importante. Em alguns casos ela usou as habilidades mentais para evitar que Gaara perdesse tempo sem necessidade. Já eram mais de cinco horas, quando Ino conseguiu parar um pouco. Aquilo era mais cansativo do que uma missão ninja, ela pensa. Ela descansa a cabeça nos braços e relaxa um pouco. Não sabia se Gaara tinha almoçado ou não. Nem sabia se ele ainda estava vivo, pensa com humor. Ela sai e compra um lanche voltando em seguida. Ela entra na sala dele e o vê lendo um documento concentrado, ele lhe acena com a cabeça, voltando a ler o documento.

-Gaara-sama, você almoçou hoje? – Ele nega e ela coloca o lanche sobre a mesa dele. –Coma algo. Não quero ter que carregar para casa. – Ele levanta a cabeça e Ino vê que ele está esgotado.

-Ino ainda tenho muita coisa para fazer, não tenho tempo para comer.

-Agora você conseguiu ser mais idiota que o Naruto, o que é uma façanha e tanto. – Ele estreita os olhos, um pouco zangado pelo comentário, mas Ino tira os documentos da frente dele e coloca o lanche a sua frente. –Coma, não quero ter que obrigá-lo.

-E como você faria isso? – Ele se encosta-se à cadeira olhando-a.

-Simples, transferindo minha mente para seu corpo. Não existem regras que me proíbam de fazer isso. – Ela cruza os braços, séria. – Então, como vai ser?

-Você só pode estar brincando.

-Acha mesmo? –Ino posiciona as mãos, começando a executar o jutsu. – Pare com isso Ino.

-Então coma. – Ela continua posicionando as mãos. Ele solta um suspiro e começa a comer. – Bom menino. – Ela sorri e se coloca atrás da cadeira dele, massageando-lhe os ombros com chákra. Ele sente os músculos relaxando. – Sente-se melhor?

-Sim, obrigado. Você ia mesmo transferir sua mente para o meu corpo?

-Faria o que fosse preciso para fazê-lo comer. Não pode ficar o dia todo sem se alimentar.

-Esqueceu que sou um shinobi? Já passei dias sem comer. – Ele termina o lanche e a puxa para o colo. – Obrigado pela ajuda. Você foi ótima, daria uma excelente secretária.

-Está brincando? Esse trabalho é perigoso demais, eu quase morri de tédio. Isso não é vida para shinobi. – Ela responde, encostando a cabeça no peito dele. Gaara afaga os cabelos dela sentindo o aroma que exalavam. Ele a beija e Ino abre a camisa dele, acariciando-lhe o peito, enquanto aprofunda o beijo. Ele solta um gemido e invade a boca dela com a língua, ao mesmo tempo que acaricia o corpo dela, tocando os seios por cima da roupa. Ele interrompe o beijo e Ino vê que os olhos dele estavam escuros de desejo. – Céus, é melhor parar por aqui, ainda tenho muito trabalho para fazer. – Ela faz um beicinho e sai do colo dele. – Precisa de ajuda com os documentos? – Ele olha para a pilha de correspondência que havia ali. – Você poderia abrir a correspondência e separar, por favor? – Ela concorda e passa as próximas duas horas abrindo e separando a correspondência. Ela deixou de lado o que julgou confidencial. Havia uma mensagem de Kankuro, mas não parecia ser algo urgente. – Tem uma do seu irmão, quer abrir agora? – Ele concorda e ela passa para ele. – Kankuro está confirmando que está a nossa espera, após a viagem até o País da Terra e nos deseja sorte. Ele diz também que os ninjas de Konoha já estão treinando junto com os de Suna.

-Isso deve ter deixado o Daimyo do Fogo curioso, mas ele não poderá fazer nada sem levantar suspeitas. Porém acho que Naruto será obrigado a enviar mais ninjas para cá.

-Pensei o mesmo, mas pretendo negar a entrada de mais shinobis de Konoha aqui. Direi ao Daimyo do Fogo que não tenho alojamento para todos.

-Como se ele se importasse. Ele dirá que os ninjas poderão acampar no deserto e comer areia. –Ino fala levemente irritada. – Ele não tem idéia do que seja a vida de um ninja. – Gaara a olha, fazia anos que ele também não saia em missão. – Ino, ele é um civil.

Ela concorda e volta a separar a correspondência dele. Parecia que aquilo não acabava mais. Já eram mais de oito horas, quando ela se levanta e se alonga um pouco, sentia o corpo dolorido. Ele acompanha os movimentos dela. Ela o olha e sorri. -A correspondência acabou.

-Vá para casa descansar, vamos sair cedo amanhã.

-E você, também não vai descansar?

-Não se preocupe comigo, já passei muitas noites sem dormir.

-Eu sei você não dormia por causa da Shukaku. – Ela fala séria, imaginava como a vida dele deve ter sido difícil. Ele confirma. – Às vezes penso que tive sorte em ser seqüestrado pela Akatsuki.

-Como pode dizer isso? Você morreu. Se não fosse por Chio-sama e Naruto, você não estaria aqui agora.

-Eu sei, mas foi graças a eles que me livrei daquele demônio e comecei a ter uma vida normal.

-Entendo. – Ino o olha, estava cansada. – Bem, eu vou para casa então. Infelizmente vou passar a primeira noite no apartamento novo sozinha.

-Sinto muito, mas não tenho opção. – Ele olha para a mesa, cheia de papéis. – Quando voltarmos ainda precisarei arrumar uma secretária. Você não gostaria de trabalhar comigo aqui? Eu pagaria um salário para você, é claro.

-Esqueça, não nasci para vida burocrática, posso ajudá-lo até encontrar uma secretária, mas não poderia ficar presa a uma mesa por muito tempo. Enlouqueceria em poucos dias.

Ele concorda e a olha. Quem a visse em roupas civis, jamais diria que ela era uma ninja. Ino era pequena, mal chegava à altura dos ombros dele. Os cabelos longos e loiros e os olhos azuis lhe conferiam um aspecto delicado. Mas ele sabia que ela era forte, a tinha visto lutando. E também tinha as habilidades mentais e seus conhecimentos técnicos para investigação. Ino era uma kunoichi perfeita. E uma mulher maravilhosa.

Ela o beija e sai em direção ao apartamento deles. Passaria a noite sozinha. Não seria fácil, estava acostumada a dormir praticamente em cima de Gaara. Ele precisava acordá-la todos os dias para poder sair da cama. Isso já tinha se tornado uma rotina para os dois, uma das muitas coisas que eles dividiam em sua intimidade de casal. Ela deita e custa a dormir. Depois de algumas horas ela sente algo tocando seu corpo. Ela abre os olhos assustada.

-Desculpe, não queria acordá-la. – Gaara estava se acomodando ao lado dela. – Pensei que você não viria para casa hoje. – Ela fala sonolenta e já se aconchegando no peito dele para voltar a dormir. Ele sorri e acaricia as costas dela. –Achei que você sentiria falta do seu colchão particular. – Ele fala com humor. Ela sorri de olhos fechados e encaixa a perna entre as pernas dele. – Tem razão, você é mais confortável que a cama. – Ela responde e logo em seguida dorme. Ele puxa a coberta sobre eles. Adorava sentir o corpo dela colado ao dele. Ele fecha os olhos e logo está dormindo também.

XXX

-O que sabe sobre a Vila Oculta da Pedra e o Tsuchikage? – Gaara olha para a namorada que estava sentada ao seu lado. Ino usava o uniforme de ninja da Areia. Eles tinham parado para um descanso. Saíram de casa bem cedo, e já estavam perto do destino deles. Quatro ninjas da Areia os escoltavam.

-É a vila oculta do País da Terra, os shinobis de lá utilizam principalmente Jutsus Doton, é considerada uma das cinco grandes vilas ninjas, é um país poderoso, mas pouco explorado. A vila foi fundada entre montanhas, e suas casas são de pedras, construídas em área com ruínas. O líder é o Terceiro Tsuchikage Onoki que foi aluno do Segundo, e não suporta o fato dos ninjas mais jovens estarem tomando o lugar dos mais velhos. Tem idade avançada e vive reclamando de problemas corporais causados pela idade, mas recusa-se a se aposentar e escolher um sucessor, argumentando que ainda é forte o bastante para governar a Vila. – Ela olha para Gaara. - E acho que ele não gosta de você.

-Por que diz isso?

- Te considerava muito jovem para o cargo de Kage, imagine então para Senhor Feudal. E depois foi ele que treinou Deidara, que foi quem te seqüestrou.

-Isso aconteceu depois de Hana ter ido embora de Suna, meus irmãos chegaram a pensar que os fatos estavam relacionados.

-Duvido. Onoki-sama não se envolveria com a Akatsuki. Ele deve ter ficado decepcionado com o pupilo dele. –Ela pensa um pouco. – Onoki é desconfiado, provavelmente ele não aceitará bem a minha presença. Eu sou o que ele chama de "leitora de mentes" e vai imaginar que você esta me levando lá para ler os pensamentos dele.

Gaara percebe uma ponta de magoa na voz de Ino. –Isso acontece sempre?

-Desconfiarem de mim? – Ele confirma. – O tempo todo. Até hoje só duas pessoas confiaram em mim, seu irmão e Shikamaru. A maioria pensa que vou me aproveitar das minhas habilidades. Mesmo você já me perguntou se eu estava lendo seus pensamentos.

-Prometo que não vou mais fazer isso. – Ele entende a mágoa dela. – Você tem um dom que poucas pessoas possuem.

-Você acha que isso é um dom? Está mais para uma maldição. – Ela se levanta. – É melhor continuarmos, sabe que não é seguro ficarmos parados muito tempo. – Ele concorda e se levanta, puxando-a para seus braços. – Ino, não pense nisso como uma maldição, tenho certeza de que você já conseguiu salvar muitas vidas com suas habilidades mentais.

Ela sorri e encosta a cabeça no peito dele. –Poucas pessoas pensam assim. Mas já estou acostumada.

Ele a beija e eles voltam a se mover. Gaara queria chegar á Vila da Pedra antes de escurecer.

XXX

-Naruto, como estão suas relações com Gaara? Ele lhe pediu ajuda? – O Daimyo do Fogo estava visivelmente ansioso. – Nossas relações estão ótimas, Daimyo-sama, mas Gaara não me pediu ajuda. Acho que ele está não está precisando ainda.

-Entendo, mas mande-lhe uma mensagem oferecendo nossos shinobis. Sabe que os ninjas da Folha são superiores. – Ele pensa um pouco. – Imagino que Yamanaka Ino está se comportando. Isso é ótimo. Eu aprecio a presença dela ao lado de Gaara, isso demonstra ao povo do País do Vento que existe um laço entre nossas vilas.

-Concordo senhor. Fotos dos dois juntos têm aparecido nos jornais de lá e daqui.

-Sim, eu sei. Bem, mande a mensagem e diga a Yamanaka que deve ficar lá até que o novo Daimyo seja escolhido.

-A reunião para a escolha de um novo Daimyo do Vento já foi marcada? – Naruto pergunta. – Ainda não, Naruto. Mas não precisamos ter pressa, afinal Gaara pode administrar seu país e se precisar de ajuda, pode recorrer a nós. Fique atento para mandar reforços para Gaara assim que ele pedir. Até mais.

Naruto desliga a conexão e fica pensativo. Deixar Ino ao lado de Gaara despertaria mais desconfiança na oposição. Mas não faria nada a respeito. Sabia que Ino já tinha alertado Gaara sobre as intenções do Daimyo do Fogo. Gaara já estava se movendo e ele também tomaria providências. Mandaria uma mensagem para Ino e Shikamaru, iria desconsiderar as ordens do Daimyo e devolveria os privilégios de investigadora a Ino, assim como a patente de jounin de ambos. Precisava deles, agora mais do que nunca. Precisavam de provas de que o Daimyo do Fogo estava por trás da oposição. Senão teria que tomar outras atitudes.

XXX

Eles chegam á Vila da Pedra no fim da tarde. Estava quente e Ino sentia muito calor, o uniforme da Areia era muito fechado, próprio para andar no deserto, protegendo do sol. Ino olha para Gaara, ele estava usando pintura nos olhos para protegê-los. Eles aguardam a permissão para entrarem na Vila.

-Você está bem? – Gaara a olha, percebia que o calor estava incomodando a namorada. – Estarei depois de um longo banho. – Ele a puxa para perto. – Isso é um convite? – Ele sussurra em seu ouvido. – Seria ótimo, mas acho difícil que fiquemos no mesmo quarto. – Ele a olha, surpreso. – Onoki gosta de se fingir conservador. Como não somos casados, ele com certeza irá nos colocar em quartos separados e irá mandar uma jovem para lhe fazer companhia durante a noite, provavelmente a própria Hana. – Ele a olha sério. – Como você sabe?

-Já investiguei sobre ele. – Ino o olha. – Tome cuidado.

Aquilo o surpreendeu, não imaginava que Ino tivesse investigado sobre o Tsuchikage, mas antes que ele dissesse algo um ninja da Pedra veio para recebê-los e pedir que entrassem. Logo eles estão na confortável sala de reuniões de Onoki. Ino se coloca um pouco atrás de Gaara. Sabia que não deveria ficar ao seu lado, pois ele era o Daimyo. A porta se abre e o Tsuchikage entra. De pequena estatura e idade avançada, ele chegava a ser engraçado, mas Ino não se deixa enganar. Estava diante de um Kage poderoso. Ele faz uma reverência á Gaara que o cumprimenta com um aperto de mão, demonstrando apreço pelo outro. Onoki olha diretamente para Ino que lhe faz uma reverência.

-Gaara-sama, é um prazer receber o mais novo Daimyo da história ninja. Sente-se, por favor.

- O prazer é meu Onoki-sama. Obrigado por me receber. – Eles se sentam. Ino permanece em pé. Gaara se sente incomodado com a situação, mas sabe que ela está agindo de acordo com o protocolo. – Sabe por que estou aqui.

-Sim, sei o que está acontecendo em seu País, mas pensei que iria pedir ajuda a Konoha, afinal a aliança de suas vilas é antiga. E você e Naruto-sama são amigos há muito tempo. – Ele olha para Ino. – Seu relacionamento com a Vila da Folha pode ser considerado intimo.

- O problema é que não sei se posso confiar totalmente no País do Fogo. – Gaara observa a reação do outro. Onoki não demonstra surpresa diante da informação o que faz Gaara crer que ele já está sabendo das ambições do Daimyo do Fogo. – Entendo meu jovem. Mas é de se estranhar que você me diga não confiar em seu aliado e vem acompanhado de uma kunoichi da Folha. E não uma kunoichi qualquer. – Onoki olha para Ino e estreita os olhos. Ino suspira. Já sabe o que vem a seguir. – Não me sinto a vontade com alguém que pode ler mentes por perto.

-Se minha presença o incomoda, Onoki-sama, posso me retirar. – Ela fala pela primeira vez. – Mas gostaria de esclarecer que não leio mentes, mas pensamentos, e existe uma regra em Konoha que nos impede de ler pensamentos de Kages e senhores feudais. Eu sou a líder do clã Yamanaka e preciso dar o exemplo. – Ela se dirige para a porta. Gaara fica olhando para ela sair da sala. Depois se vira para Onoki. – Sabe que Yamanaka Ino é minha namorada. Confio na ética dela.

-Sei, mas assim mesmo é melhor nos resguardarmos. – Gaara o olha sem entender. – Você tem certeza de que ela não o está vigiando para o Hokage?

-Naruto não usa truques baixos, Onoki. – O Tsuchikage entende a indireta e resolve voltar ao assunto da aliança. – Gaara-sama, você quer uma aliança com minha vila, uma aliança que me interessa desde o tempo do Terceiro Kazekage, porém o que me oferece em troca?

-Meu exército. Sabe que os ninjas da Areia são superiores aos seus. – Gaara responde sem medo de ser rude. - Sabe que o Daimyo do Fogo não irá se contentar apenas com o País do Vento. Sabe que meu exército somado ao dele irá criar uma grande força praticamente invencível. Seu país terá condições de se defender disso?

Onoki olha para o jovem a sua frente. Tinha mandado investigar sobre Sabaku no Gaara, assim que recebera sua mensagem pedindo uma reunião. Sabia da capacidade do rapaz. Ele era eficiente e inteligente. A Vila da Areia tinha progredido sob sua administração. E ele tinha investido no treinamento de seus ninjas, criando um exército poderoso, mas ainda não forte o suficiente para derrotar os ninjas da Folha.

-Muito bem, meu caro, concordo com você. Com certeza, se o País do Vento for anexado ao País do Fogo, o próximo alvo será o meu país. O Daimyo da Terra se deixou convencer pelo Senhor Feudal do Fogo quando o mesmo pediu para darmos a chance de você governar o seu país. Porém tenho ouvido rumores de grupos de oposição que não concordam em ter um ninja no poder. E eles me parecem bem organizados. – Onoki o olha sério. – Penso que organizados demais. Talvez estejam recebendo apoio do Daimyo do Fogo.

-É provável, e por isso não posso permitir que mais ninjas da Folha se instalem em meu país. Pretendo pedir que todos se retirem em breve.

-Inclusive sua namorada? – Gaara olha firme para o outro. – Não pretendo me separar de Ino.

-Muito bem meu caro, vou analisar sua proposta. A aliança me interessa, porém preciso conversar com meus conselheiros. – Onoki levanta e olha para o outro. Gaara o encara, ainda sentado. – Pedirei que levem você e sua namorada para os quartos de ambos.

-Eu e minha namorada moramos juntos na capital e gostaríamos de ficar no mesmo quarto. – Gaara ainda está sentado. Onoki o olha, um pouco surpreso com o pedido. – Eu não sou jovem, Gaara-sama, e não gosto destas liberalidades de hoje em dia. Vocês não são casados e isso seria impróprio.

-Mandar uma ninja á minha vila para me seduzir não é algo impróprio? – Gaara ainda não tinha se levantado, apesar do outro ser o chefe da vila ele era um Senhor Feudal e isso o tornava a autoridade maior naquela reunião. Enquanto ele não se levantasse o outro não poderia dar a reunião por terminada. Onoki o olha e solta um suspiro. –Está bem. – Gaara se levanta e Onoki abre a porta dando passagem a Gaara. Do lado de fora Ino os esperava. Ela estava séria e parecia concentrada. Ele se aproxima. Onoki chama uma ninja que estava próxima e pede que leve os dois ao quarto de hospedes. – Eles ficarão no mesmo quarto. Avise Hana. – Gaara para ao ouvir o nome de sua ex-namorada. Ino o olha analisando a reação dele. Sabia que ela tinha sido o primeiro amor dele e o tinha magoado e ele ainda não tinha se recuperado totalmente disso. – Gaara-sama, os espero para jantar ás oito. Alguém irá buscá-los e acompanhá-los até a sala de jantar. Até mais tarde. – Onoki se afasta e Gaara e Ino seguem o outro ninja até o quarto. Assim que entram, Ino se livra do uniforme. – Eu já estava sufocando. - Ela se senta e retira as botas, massageando os pés. – Como foi a reunião? Ele aceitou a aliança? – Gaara a puxa para seus braços. - Que tal um banho e depois conversamos? – Ela sorri. – Só se for bem depois, Gaara-sama. – Ele concorda. A conversa poderia esperar. Mas o desejo deles não.

Eles estavam deitados abraçados. –É melhor nos vestirmos, daqui a pouco alguém vem nos chamar para jantar. Estranhei Onoki ter nos colocado no mesmo quarto. Você o ameaçou de alguma forma?

-Claro que não. Que tipo de Senhor Feudal você acha que sou? – Ele pergunta de bom humor. – Do tipo shinobi. – Ela responde saindo da cama. Ele admira a beleza da jovem, mas sem querer a imagem de uma mulher morena aparece em seus pensamentos. Sabia que veria Hana novamente e estava tentando se preparar para isso. Não queria que Ino achasse que ele sentia algo pela outra. – Ele tentou nos separar, mas eu deixei claro que queríamos ficar juntos. –Ele também se levanta. - Durante o jantar, acho que ele tomará cuidado com os pensamentos o tempo todo.

-Com certeza. Já estou acostumada. –Ela abre a mochila e pega uma roupa de dentro. Tinha trazido um vestido, pois já esperava o convite para jantar, era a companheira de Gaara e seria ofensivo não convidá-la. Ela se veste e Gaara aprecia sua elegância. – Você está linda. Fique bem perto de mim, não quero nenhum ninja da Pedra olhando-a. – Ino ri. Ela prende o cabelo em uma trança e faz uma maquiagem bem leve. Coloca sandálias de salto. – Você trouxe tudo isso na mochila? – Ele também já estava pronto. Usava uma calça escura e uma camisa verde que realçava os olhos dele. Estava lindo.

-Eu sou mulher, Gaara-sama. Não poderia aparecer para jantar de uniforme empoeirado. Não ficaria bem para a namorada de um Senhor Feudal. – Ela responde olhando-o. Uma batida na porta. Ino abre a porta e vê uma ninja. – Olá eu vim buscá-los para jantar. Estão prontos? –Ino se vira para chamar Gaara, mas ele encarava a ninja com uma expressão séria. A ninja se adianta e faz uma reverência. – Boa noite, Gaara-sama, quanto tempo, como vai?

-Boa noite, Hana. Vou bem obrigado. – Ino prende a respiração. Então aquela era Hana? Ino volta a reparar na jovem. Ela era linda. Pequena e delicada. Pele morena, olhos negros e cabelos pretos longos. Gaara se aproxima e coloca as mãos sobre os ombros de Ino. – Podemos ir? – Hana concorda e eles saem, seguindo a ninja. Ino já imaginava que aquela seria uma longa noite. Ela analisa os pensamentos da outra. Não podia deixar de sentir ciúmes e queria saber quais eram as intenções da outra. Mas pelo jeito Hana tinha sido alertada sobre ela. Ino solta um suspiro e olha para Gaara. A fisionomia dele parecia esculpida em pedra. Ele parecia hipnotizado pela figura da ninja que caminhava a frente deles. Eles chegam à sala de jantar. O lugar era grande e bem decorado. Onoki estava lá acompanhado de um jovem muito bonito. Gaara entra na frente sem esperá-la e Ino para um pouco na porta, olhando-o. Tinha a impressão de que ele tinha se esquecido da presença dela. Bem, estava na hora de Gaara conhecer o lado perverso de sua personalidade. Ela entra também e faz uma reverência graciosa.

-Onoki-sama, obrigada pelo convite. – Ino dá seu melhor sorriso ao Tsuchikage. – Ora, minha jovem, é sempre bom ter rostos bonitos a nossa volta. Sente-se ao meu lado, por favor. – Ino percebe a manobra, sentando ao lado dele, ficaria de frente ao rapaz moreno e Gaara ficaria de frente a Hana. Como Ino tinha imaginado, Onoki pretendia fazer Hana seduzir Gaara novamente. Ino senta no local indicado por Onoki. Gaara não desviava os olhos da morena. Ino solta um suspiro e sorri para o rapaz a sua frente, esperando ser apresentada.

- Yamanaka Ino, este é meu neto, Hisashi. – Ino o olha e bate os cílios loiros de forma sedutora, o rapaz solta a respiração lentamente. – Boa noite, Ino-sama. É um prazer conhecê-la. – A voz do rapaz está levemente rouca. Gaara parece despertar e observa sua namorada. Parecia que só tinha se lembrado dela naquele momento.

-O prazer é meu, Hisashi. Por favor, me chame de Ino, apenas. –Ela sorri novamente. – Ino, soube que você é da vila da Folha, porém eu a vi chegando com um uniforme da Areia.

-Estou suspensa e, portanto não posso usar o uniforme de minha vila. Então, Gaara-sama me ofereceu o uniforme de sua vila, mais apropriado para viajar pelo deserto. Porém um pouco fechado demais para meu gosto. – O rapaz desceu o olhar para o decote dela, que deixava parte dos seios á mostra, aonde repousava o colar que Gaara lhe dera. Gaara observa o rapaz e estreita os olhos. – Entendo. Deve ser difícil para alguém tão delicado, usar roupas pesadas.

-Delicada? Eu? Esquece que sou uma ninja. Não há nada de delicado em kunoichis. Somos treinadas para atravessar tempestades de areia e temporais de granizo e sairmos inteiras, não é fácil, mas com um pouco de esforço é possível.

O rapaz ri, estava gostando do flerte com a namorada do Senhor Feudal do País do Vento. – Pois eu acho que você atravessaria uma tempestade de Areia e sairia linda e elegante. E com a mesma aparência de uma flor delicada que demonstra agora.

-Obrigada, talvez um dia eu teste sua teoria. – Ela abaixa o olhar. Podia sentir a raiva de Gaara ao seu lado. Sentia uma vontade enorme de rir, percebeu que Hana tinha baixado a guarda. Com certeza não estava mais conseguindo se concentrar e evitar que Ino lesse seus pensamentos. Ino a sonda e vê que ela pretendia levar Gaara para a cama dela. Droga, por que sempre tinha uma mulher querendo fazer sexo com o seu namorado? Ino ergue o olhar e vê que Hisashi a encarava sem disfarçar. Ela então olha para Onoki. Podia perceber que o Tsuchikage estava se divertindo com a situação.

-Eu estive na vila da Folha há alguns meses, mas tenho certeza de que não a vi. Com certeza não a esqueceria. – O rapaz fala, sem disfarçar o interesse.

-Saio em muitas missões. É raro permanecer muito tempo em minha vila. – Ino o encara, enquanto leva uma porção de alimento a boca, passando a língua nos lábios em seguida. Pode perceber que o rapaz não tinha perdido nenhum de seus movimentos. Ele solta um gemido bem baixo, mas Ino o ouve e dá um pequeno sorriso.

- Hisashi, Yamanaka Ino é uma ninja investigadora. – Ino olha surpresa para Onoki. Pelo jeito ele também a tinha investigado. – Sabe que ela tem a habilidade de ler pensamentos?

-É mesmo, então você poderia ver o que estou pensando agora? – Hisashi pergunta, com malicia, se encostando a cadeira. – Poderia me dizer o que eu gostaria de estar fazendo neste momento?

-Minha namorada só usa suas habilidades á trabalho. – Gaara fala sério. – Não seria adequado ela ler o pensamento só por diversão, certo Ino?- Ela se vira para Gaara. Ele olhava fixamente para ela. Ótimo, ele se lembrou de lhe dar atenção.

-Gaara tem razão. Normalmente eu só uso minhas habilidades a trabalho. Temos códigos de ética definidos pelo Hokage. – Ino se sente satisfeita, Hana estava furiosa e Ino podia ler seus pensamentos sem esforço algum.

-Muito bem, minha jovem, essa é a atitude digna de uma líder de clã.

-Você é a líder do clã Yamanaka? – Ino confirma com a cabeça. – Soube que os lideres dos grandes clãs pertencem ao alto escalão e são equiparados aos conselheiros. Ocupam lugar de destaque na administração da vila, ao lado do Hokage.

-Exatamente, você está bem informado sobre a minha vila. – Ino sorri para Hisashi e percebe que Gaara fica zangado. Ela abre o sorriso mais ainda. - O que foi fazer lá?

-Conheci um ninja de lá durante uma missão e ele me convidou a conhecer a vila de vocês. O nome dele é Rock Lee. Ele me levou a uma festa de aniversário em uma casa maravilhosa, com um lindo jardim e piscina. Era o aniversário de uma moça de olhos bem claros, Hinata, senão me engano.

-Então você esteve em minha casa. Hinata é minha amiga e comemorou o aniversário dela lá. Infelizmente, eu não estava em Konoha na ocasião. E Lee é um grande amigo meu, também. – Ino agora estava sendo sincera.

-Ele é um mestre em taijutsu, nunca via alguém mais rápido ou mais forte. - Hisashi fala com admiração.

-Com certeza. Eu treinei com ele durante três anos. – Gaara ouve aquilo surpreso. – Ninguém consegue superá-lo, além de nosso Hokage.

-Naruto é um ninja formidável. – Onoki elogia. - E um grande herói. E vejo que você se orgulha de seu Kage, Ino. – Ino confirma com a cabeça. – Realmente, Naruto é um ninja exemplar e um excelente Kage.

-Com certeza, gostaria de vê-lo lutando um dia. – Hisashi fala olhando Ino fixamente. A loira o encara da mesma forma. - Deve ser ótimo poder ser treinada por Rock Lee. – Ele fala com um brilho de admiração nos olhos. – Mas imagino que não deva ter sido fácil.

Ino abre um sorriso. – Ele quebrou meu braço duas vezes, mas valeu a pena.

-Quebrou seu braço? Quanta crueldade. – Hisashi comenta, estreitando os olhos. Percebia a raiva de Gaara, mas não ligava. Hana estava lá para distrair o Daimyo do Vento e ele podia aproveitar o flerte com Ino.

-Isso é comum na vida de um shinobi, como bem sabe. Já me feri várias vezes. – Ela sente a raiva de Gaara ao seu lado, por não estar lhe dando atenção. Mas ele estava merecendo o castigo.

–Pretendo visitar sua vila novamente, quem sabe talvez eu tenha sorte de encontrá-la lá. – Hisashi comenta. Adoraria encontrar a loira novamente, longe daquele ruivo, de preferência.

-Minha namorada não voltará tão cedo a sua vila e como ela mesma disse, está sempre saindo em missões. E em suas folgas estará comigo no País do Vento. – Ino tem que segurar a risada. – Mais uma vez Gaara tem razão, porém darei uma festa em minha casa no meu aniversário, que será no final do próximo mês. Pedirei para Lee avisá-lo, será um prazer recebê-lo lá. – Ino pode perceber a surpresa de Gaara. Nunca tinha dito á ele a data de seu aniversário e ele nunca tinha perguntado. Ino sabia quando era o aniversário dele, Temari sempre dava uma recepção em Suna e já a tinha convidado para ir, mas as missões nunca permitiram.

-Ficarei a espera. – Ficará mesmo, pensa Ino. – Ótimo. – Ino diz simplesmente. Já tinha alcançado seu objetivo, Gaara tinha se esquecido da presença de Hana, que nesse momento só pensava em matar Ino. Pelo jeito ela sentia saudades de Gaara.

Eles continuam a jantar. Ino podia ler os pensamentos tanto de Hana quanto de Hisashi, ela estava furiosa e frustrada e ele esperançoso de levar Ino para cama naquela noite. Ino podia sentir que Gaara estava zangado e confuso com o comportamento dela.

Hana decide atrair a atenção de Gaara novamente para si. Com um sorriso falso, ela se vira para Ino. -Ino, sabia que eu e Gaara-sama já nos conhecíamos? – Ino fica surpresa com a ousadia de Hana. – Sim já, ele me contou que você esteve em Suna há alguns anos atrás. – Agora foi a vez da outra se surpreender. Gaara tinha ficado tenso com a pergunta de Hana.

-Eu me machuquei durante uma missão e como estava próxima de Suna, recebi atendimento médico lá. – Hana olha para Gaara. – Gaara foi muito gentil comigo. Acho que nunca agradeci o que ele fez por mim. – Ino se concentra e Hana emite um gemido de dor. – O que foi Hana, não se sente bem? – Hisashi pergunta à amiga. – Só uma leve dor de cabeça, nada demais.

-Que estranho, você estava bem agora mesmo. – Ino volta a se concentrar e Hana emite outro gemido, um pouco mais alto desta vez. – Céus, que dor de cabeça.

-Talvez Ino possa ajudá-la. Ela tem conhecimento médico. – Ino olha zangada para Gaara. – Acho que Hana deveria procurar um médico mesmo, Gaara. Não é normal sentir dor de cabeça assim de repente. – Ino para o jutsu e Hana respira aliviada. – Pronto passou, mas como eu estava falando, Gaara foi muito gentil e prestativo.

-Meu namorado costuma tratar bem todos os visitantes que chegam à vila de Suna. – Ino responde olhando a outra. – Acharia muito estranho se você tivesse me dito que ele a tratou de outra forma.

-Mas ele foi extremamente gentil comigo. Passamos muitas horas juntos, não foi Gaa-kun? –Ino percebe o desconforto de Gaara e volta a executar do jutsu de dor de forma intensa. Hana dá um grito e leva as mãos á cabeça. – Minha cabeça vai estourar. – A jovem tinha lagrimas nos olhos e todos se levantam preocupados.

-Deixe-me tentar ajudá-la. – Ino se aproxima e coloca a mão sobre a cabeça da outra ao mesmo tempo em que libera o jutsu. Ela se abaixa e sussurra no ouvido da outra. – Se não quiser se sentir pior ainda, pare de provocar meu namorado. – A outra a olha surpresa e Ino lhe dá um sorriso, levantando-se. – Sente-se melhor? Talvez devesse ir se deitar.

-Acho que tem razão. Com licença, Onoki-sama, Gaara-sama. – Ela se levanta e sai da sala rapidamente. Todos voltam a se sentar. Ino olha para Gaara, podia perceber que os comentários de Hana o tinham deixado chateado.

Onoki olha para Ino com um sorriso. – Realmente os clãs de Konoha são muito fortes por causa de seus líderes. – Ino sorri, pelo jeito Onoki tinha percebido o que tinha acontecido.

-Obrigada, Onoki-sama, sua opinião tem muito peso para mim. – Ino responde sincera. Eles terminam o jantar. Onoki olha para Gaara. – Gostaria de terminar a nossa conversa agora, se não se importa, Gaara-sama. – Gaara confirma. – Hisashi, pode nos dar licença, por favor? – O rapaz se levanta para sair e Ino faz o mesmo. – Por favor, Ino, poderia ficar? – Ela olha surpresa para o Kage e volta a se sentar. Depois que Hisashi sai, Onoki encara Gaara. – O conselho aprovou nossa aliança, jovem Daimyo. Conte conosco caso o País do Fogo tente anexar o seu país. Mas se esta jovem é um exemplo do que enfrentaremos, temo que nossos exércitos não sejam suficientes. – Onoki olha para Ino. – Espero que um dia possamos lutar lado a lado, minha jovem. Com certeza você é uma grande kunoichi.

-Mais uma vez obrigada, Onoki-sama. Será uma grande honra lutar ao seu lado. – Ino responde com sinceridade. Eles se levantam e saem da sala em direção ao quarto. Logo que entram, Gaara se aproxima da janela de costas para Ino. – Pode me explicar seu comportamento esta noite? – Ele fala sem olhar para ela. – Você parecia tão distraído com Hana que achei que não tinha notado nada do que acontecia a sua volta. – Ela entra no banheiro e tira a roupa ficando somente de calcinha. Depois de terminar sua higiene ela volta para o quarto e o encontra na mesma posição. Ela se deita e ele entra no banheiro. Passados alguns minutos, Ino sente as mãos deles puxando-a de encontro ao seu corpo. – Eu não estava nem um pouco distraído. E aquele rapaz esteve bem próximo de morrer.

-Hana também. Você ficou estático quando a viu. – Ino fala sem se virar para ele. –Então seu comportamento desta noite foi vingança? Queria me provocar? Me deixar com ciúmes?

-Eu só queria que você prestasse atenção em mim. Você entrou na sala de jantar sem nem olhar se eu estava junto ou se eu tinha ficado no quarto. Só tinha olhos para Hana.

-Que bobagem é essa? Por que esta dizendo isso? Ino, eu te amo.

-Você ficou babando por causa dela e esqueceu que eu estava lá. – Ela continua de costas para ele. Gaara beija o pescoço dela e vai descendo os lábios pelas costas dela. – Acha mesmo que eu me esqueci da sua presença? Não seja tola. – Ele a vira de frente para ele. – Não tem como alguém esquecê-la. Nunca. – Ele volta a beijar o seu pescoço. – Acha mesmo que a presença de Hana causou algum efeito em mim?

-Sim, você ficou abalado. Não minta Gaara. E antes que pergunte, eu não li seus pensamentos.

-Ino, eu não fiquei abalado, e não vou perguntar se leu meus pensamentos. Prometi que não faria isso novamente. – Ele volta a beijá-la. – Ino, eu não sinto nada pela Hana. Já lhe contei o que aconteceu entre nós. Não esperava vê-la na porta do quarto e muito menos jantando conosco. Com certeza, Onoki esperava que eu tivesse alguma reação, ou até passasse a noite com ela. Mas eu não quero outra mulher que não seja você. – Ele beija o pescoço dela enquanto Ino acaricia os cabelos dele. – Odiei cada minuto em que te vi dando atenção aquele idiota. Minha vontade era socá-lo e arrastar você para longe dele. Por que fez aquilo?

- Por que não queria que você ficasse olhando para Hana. Ela é linda e me deixou insegura. – Ele levantou a cabeça, olhando-a. – Você ficou com ciúmes?

-Muito. – Ela acaricia o rosto dele. - Logo teremos que nos separar. O Daimyo do Fogo voltará a pressionar Naruto a enviar mais ninjas e você terá que tomar uma decisão. Terá que negar a entrada deles e mandar de volta os que estão no País do Vento, e eu terei que ir também. – Ino sente as lágrimas escorrendo por seu rosto, não agüentava mais se fazer de forte. Um pequeno soluço sacode o corpo dela, seguido por outros, logo ela esta chorando encostada ao peito dele. – Eu estarei longe e você estará aqui cercado por mulheres que o desejam.

-Não diga isso, você ficará comigo, não a deixarei ir embora. – Ele acaricia os cabelos dela e a beija com carinho. – Não a deixarei partir.

-Sabe que eu terei que ir. Tenho que ficar ao lado do meu clã, se o Daimyo decidir invadir o País do Vento, eu serei sua inimiga e lutarei contra você. Não teremos opção. Você e seu irmão serão pressionados pela população a nos mandar embora.

- Jamais estaremos um contra o outro. - Ele a beija. – Confie em mim. Não chegaremos a entrar em guerra. E não a deixarei sair do meu lado. E por favor, nunca mais faça o que fez hoje. Eu quase matei aquele idiota, por sua causa.

-Ficou com ciúmes? – Ela pergunta passando a língua pelo peito dele. Ele solta um gemido e deita sobre ela, afastando suas pernas com os joelhos. – Demais, tenho vontade de matar qualquer um que olhe para você. E não pense em convidá-lo para seu aniversário. Essa será uma comemoração só entre nós. Sem mais ninguém. Quero você só para mim. – Ela sorri e o beija. Sabia que ele era ciumento e tinha certeza de que tinha sofrido um bocado aquela noite. Ela passa os braços pelo pescoço dele. Tinham a noite toda pela frente. E Ino iria aproveitar cada minuto.

XXX

Eles já estavam prontos para partirem. Ino vestia novamente o uniforme da Areia. Gaara a admirava, seria ótimo se ela passasse a usar aquele uniforme para sempre. Eles pegam suas coisas e saem do quarto para se despedirem de Onoki.

-Onoki-sama quer vê-los. – Um ninja os chama. Eles o seguem até a sala onde estiveram na noite anterior. Onoki estava a espera deles. –Bom dia Gaara, Ino. Não imaginei que partiriam tão cedo.

-Quero chegar a Suna antes do final de dia. Não convêm viajarmos a noite.

-Concordo com vocês. –Ele se vira para Ino. – Ino-sama tenho um favor a lhe pedir. –Ela o olha aguardando. – Gostaria de lhe pedir um favor.

-Pois não. Em que posso ajudá-lo?

-Espero que essa guerra não se concretize e que possamos nos tornar aliados de Konoha, um dia. Gostaria de contar com seu apoio junto aos outros lideres.

-Falarei com os outros lideres, mas é Naruto quem vai decidir. – Ino pensa um pouco. – Mas tudo tem seu preço, Onoki-sama. – Onoki a olha. – Já esperava por isso. Qual é seu preço, minha jovem.

-Se esta guerra vier a acontecer, quero sua palavra de que a Vila da Pedra assumirá a segurança dos irmãos Sabaku. – Gaara a olha sério, mas Ino continuava encarando Onoki.

-Vou tentar. – O homem encara Ino de braços cruzados.

-Se quer meu apoio, terá que fazer melhor do isso, Onoki. – Ino continua olhando-o. Onoki solta um suspiro. –Está bem, tem minha palavra.

Ela concorda coma a cabeça, Onoki levanta e se despede deles. Ino e Gaara saem da sala e atravessam a casa, saindo para a rua. Logo eles alcançam os portões, onde os ninjas da Areia os esperavam e começam a correr em direção a Vila de Suna. Eles correm por quase seis horas, só então parando para descansar. Ino senta ao lado de Gaara na sombra de duas pedras grandes. Ela olha em volta.

-Fique tranqüila estamos seguros. – Gaara puxa para perto. – Por que pediu para Onoki cuidar de minha segurança e de meus irmãos?

-Por que no momento os ninjas da Pedra são mais confiáveis do que os ninjas da Areia e da Folha. Onoki já sabia sobre a ambição do Daimyo do Fogo, o que quer dizer que ele tem deixado claro suas intenções. Logo ele perderá a paciência e tentará invadir seu país. Ele tentará forçar a rendição, para isso precisará eliminar você e Sabaku. Se vocês não estiverem aqui, será mais difícil isso acontecer.

Ele já tinha pensando nisso, mas não esperava que Ino pedisse isso a Onoki em troca de seu apoio junto aos lideres de Konoha.

-Eu já disse que você é maravilhosa? – Ela o abraça pela cintura e o beija. – Você também é especial. – Eles se beijam. – Você ainda não me disse se gostou do apartamento.

-Ficou ótimo. Você tem talento para decoração. – Ele acaricia os cabelos dela. Ino tinha o rosto vermelho e molhado de suor. – Parece que você não se adaptou ao uniforme de Suna.

-Tem razão, é muito quente. – Ela o olha séria. – Gaara, eu tenho pensado muito sobre nós. – Ele aguarda. – Quando tudo isso terminar, pedirei a Naruto que escolha outro líder para meu clã.

-Você tem certeza do que quer? – Ela confirma. – Sim, tenho. – Ele a beija. Sentia uma felicidade imensa. Eles ficariam juntos. Isso era tudo que ele queria.

XXX

Ela estava dentro da banheira há mais de meia hora. Sentira falta de um banho de imersão desde que chegara á capital do Vento. No apartamento novo tinha uma banheira, mas ela ainda não tivera tempo de usá-la.

-Você não vai sair daí hoje? – Gaara estava encostado no batente da porta do banheiro, com os braços cruzados. – Não, aqui está ótimo, e eu tinha areia pelo corpo todo. Você disse que aquele uniforme me protegeria do sol e da areia, mas acho que se enganou.

-Você não estaria cheia de areia se tivesse deixado o uniforme fechado como eu falei. – Ino tinha deixado a parte de cima do uniforme junto ao pescoço aberta. Não agüentava mais o calor. – Eu estava quase derretendo. – Ela olha para ele. Gaara já havia tomado banho e estava apenas com uma toalha enrolada na cintura olhando-a. – Você não vai se vestir? Seus irmãos devem estar pensando que estamos fazendo sexo.

-É o que deveríamos estar fazendo, se você saísse dessa banheira. – Ele responde com bom humor. Ino sorri. – Você é insaciável, Sabaku no Gaara.

-Você está reclamando? – Ele chega perto e se abaixa para beijá-la e puxá-la de encontro ao corpo dele, tirando-a da banheira.

-De jeito nenhum. – Ela encosta a cabeça no peito dele e fecha os olhos. Ele a coloca na cama. – Gaara, a cama vai ficar molhada.

-Não se preocupe com isso. – Ele retira a toalha e ela pode ver que ele estava excitado. Gaara deita ao lado dela e a puxa para cima dele, beijando-a e acariciando. – Ela monta sobre o corpo do namorado, beijando-o no pescoço. Batidas na porta interrompem os dois. – Gaara vamos fazer churrasco. – A voz de Kankuro chega até eles. Ino ri ao ver a cara zangada de Gaara. – Não esqueça do extintor. – Ino grita rindo.

-Muito engraçadinha, Ino. Não se esqueça que eu sou o Kazekage de Suna, agora. Me respeite.

-Kazegake temporário. – Gaara fala com a voz séria. – Não se esqueça. –Kankuro se afasta rindo.

Ino deita sobre o corpo de Gaara. Ele acaricia as costas dela. Sentia-se feliz desde que ela aceitara viver com ele ali. – Você quer morar aqui, ou prefere uma casa só para nós?

- Eu gostaria de morar aqui mesmo. Gosto de ficar perto de seus irmãos. – Ela o olha, desde que tinha lhe contado sua decisão, eles estavam fazendo planos. Ela sai de cima dele e deita ao seu lado. – Pelo menos até termos filhos, depois precisaremos de espaço para as crianças.

-Espere Ino, de quantas crianças você está falando? – Ele a olha sorrindo. –Cinco, todos ruivos. Por que, você não quer? – Ele se ergue em um braço. – Cinco? Terei que arrumar outro emprego. O salário de Kage não será suficiente. – Eles riem. - Mas não quero filhos logo após nos casarmos. Quero ter você só para mim durante um tempo. Depois de dois ou três anos, poderemos pensar em começar essa ninhada que você está planejando. – Eles riem juntos.

-Combinado. Agora acho melhor descermos. – Ela começa a se levantar, mas ele a puxa de volta. – Mais tarde, Ino, bem mais tarde. – Ela sorri e o beija. Realmente não precisavam ter pressa.

XXX

-Muito bem, quem trouxe o extintor? –Tenten chega rindo na casa de Gaara, junto com Lee e Neji. – Será que ninguém me respeita aqui? – Kankuro reclama parado junto à churrasqueira. Gaara olha para Ino em pé do outro lado do pátio. Ela conversava com Temari, Sakura e Tenten. – Ino adorei as roupas que você comprou aqui. –Tenten elogia, admirando o vestido que Ino usava. Curto com mangas, deixava as pernas de Ino á mostra.

-As roupas civis daqui são mais bonitas do que em Konoha, porém o uniforme é um verdadeiro castigo. Não aconselho o uso. – Ino comenta.

-Não diga isso, Ino. Nossos uniformes foram desenhados para caminhar no deserto. Eles nos protegem do sol e da areia. – Temari comenta. – Mas concordo sobre as roupas civis. São lindas mesmas.

-Será que essas garotas não sabem falar sobre outra coisa que não sejam roupas? – Shikamaru estava ao lado dos cunhados, próximo a churrasqueira. – Sério, gente. Eu cresci ouvindo a Ino falar sobre roupas, maquiagem e sapatos. Eu achava impossível que ela virasse uma ninja, estava mais para uma modelo.

-Eu sei como é, Temari também é assim. Porém coloque-a num campo de batalha. Parece que essas meninas se divertem mais lutando do que passeando em lojas. Ino adora passar semanas investigando algo.

Eles riem. Shikamaru vê que Gaara não desvia o olhar de Ino e decide provocar um pouco o cunhado. Ainda custava acreditar na mudança do ruivo. – Ino nasceu com habilidades mentais próprias para isso. Não consigo imaginar como deve ser namorar com alguém que pode ler qualquer pensamento seu. Não dá nem para pensar em outra garota sem correr perigo de vida.

Gaara olha para Shikamaru sério. – Ino não precisa ler meus pensamentos. Ela sabe que eu jamais pensaria em outra mulher. – Shikamaru olha para o cunhado com um sorriso.

Neji se aproxima de Ino, sério. – Ino, me dá uns minutos, por favor? – Ino concorda e se distancia do grupo, se aproximando mais da casa, ali poucas pessoas podiam vê-los. Eles param e ela olha para o rapaz aguardando. –Eu não sei se você é idiota ou irresponsável, Yamanaka.

-Como é? Você me chamou para me insultar, Hyuuga? – Ino se irrita com o jeito do amigo. –Do que está falando? – Ele a olha com os braços cruzados. – De Uchiha Sasuke. – Ino fica assustada. – Eu o encontrei antes de vir para Suna. Estava voltando de uma missão e passei próximo ao seu chalé nas montanhas, vi movimento e fui investigar. Eu encontrei Sasuke. Quando fui falar com Naruto, me surpreendi ao saber que ele já tinha conhecimento disso. – Ele a segura pelos braços, chamando a atenção de Gaara. – Como vocês podem ser tão estúpidos? Sabem do risco que estão correndo?

-Me solte, Neji. – Ino o empurra zangada. – Cuide de sua vida. – Neji se aproxima novamente, mas uma massa de areia o impede de se aproximar de Ino. Em seguida, Gaara estava ao lado da namorada. –Acho que ouviu minha namorada, Hyuuga. Deixe-a em paz.

Neji não se deixa intimidar. – Gaara-sama, me perdoe, mas esse é um assunto de Konoha.

-Não, Neji esse é um assunto meu. Se você o viu, sabe que ele está cego. – O outro confirmou. – E muito doente. Ele não viverá muito. – Neji se espanta ao ouvi-la. – Ele tem mulher e um filho. Se ele for preso, morrerá longe da família. – Ela toca no braço do outro. – Por favor, Neji. Deixe-o em paz. Ele não pode prejudicar ninguém. Está arrependido de tudo que fez. Ele só quer viver com a família o tempo que lhe resta e ser enterrado em Konoha.

-Há quanto tempo você o está escondendo? –Neji pergunta mais calmo. - Há três anos.

-Hyuuga, Ino já tinha me contado sobre Sasuke. Concordo com você que o lugar dele é na cadeia. – Ino o olha, chateada. – Mas Ino não deixa de ter razão. Se ele não oferece perigo e se não tem muito tempo de vida, é melhor deixá-lo viver em paz.

Neji olha para os dois. – Tudo bem Ino, mas você será responsável se ele fizer algo que prejudique Konoha. Está abrigando um inimigo do mundo ninja. Sabe que ele é um dos mais procurados atualmente. Seu nome consta no Bingo-Book. Diga a ele para tomar cuidado. – Neji se afasta, deixando o casal a sós. Gaara observa a namorada. – Ino, mandarei uma mensagem a Naruto pedindo que ele fale com Sasuke. Neji tem razão se alguém o encontrar, você estará em sérios apuros.

Ela concorda. Aquele era o pior momento para Sasuke ser encontrado. Estavam na eminência de uma guerra. Ela abraça Gaara pela cintura. Não podia ter seu nome envolvido com Sasuke. Era a namorada do Daimyo do Vento e tudo o que ela fazia podia refletir nele. Ela se aconchega á ele. Gaara a aperta em seus braços. – Acha que ele vai denunciá-la?

-Não, Neji é de confiança. –Ele a beija e voltam para o pátio. Pelo jeito ninguém tinha reparado no que tinha acontecido. Eles passam o resto da noite sem problemas.

XXX

Os irmãos Sabaku estavam no gabinete do Kazekage. Os três eram os lideres políticos do País do Vento. Gaara falava para os irmãos sobre a aliança firmada com a Vila Oculta da Pedra e sobre o acordo entre Ino e Onoki.

-Ino negociou nossa segurança? – Kankuro olha para Gaara que confirma. – Ela é especial, mesmo. Você é uma pessoa de muita sorte, Gaara. Encontrou a parceira adequada a um líder. Tenho certeza de que serão felizes juntos.

- Mas Ino não poderá se mudar para cá. –Temari comenta. – Ela não poderá deixar o clã.

-Ino decidiu que se afastará da liderança do clã para viver comigo aqui no País do Vento. Pretendemos nos casar assim que a questão entre os nossos países estiver resolvida. Ela será uma excelente aquisição para a Força Ninja de Suna. – Gaara explica para os irmãos.

-Com certeza, não temos ninguém na Inteligência que se compare a ela. – Temari comenta olhando para os outros dois, que concordam. Uma batida na porta, e depois um ninja da Areia entra com um pergaminho selado. – Kankuro-sama, esta mensagem acaba de chegar de Konoha.

Kankuro a olha e vê os símbolos que estão no selo. – Chame Yamanaka Ino e Nara Shikamaru, imediatamente.

Gaara e Temari se aproximam. – O que está acontecendo? - Gaara pergunta. Temari pega o pergaminho. – É para eles. Somente os dois podem abrir e devem fazer isso, juntos.

Gaara se preocupa. Uma mensagem selada de Naruto naquele momento com certeza era algo muito sério. Logo a porta abre e os dois ninjas de Konoha entram. Com certeza eles estavam treinando. Usavam roupas de treino e ambos estavam suados.

-Vocês nos chamaram? – Ino e Shikamaru se aproximam e vêm o pergaminho com os símbolos dos clãs de ambos. Eles se olham. – Quando isso chegou?

-Agora há pouco. – Kankuro estende o pergaminho para eles.

Shikamaru faz sinal para Ino e ambos executam uma série de gestos com as mãos, tocando o pergaminho em seguida. Uma pequena nuvem de fumaça se forma e um sapo com barba branca e uma capa cinza aparece. Fukasaku surge na frente deles. Ino e Shikamaru fazem uma profunda reverência para o sapo.

-Fukasaku-sama, é uma grande honra recebê-lo aqui em Suna. – Kankuro também faz uma reverência.

-Olá, como vão? Ino-chan, Shikamaru-kun. Quanto tempo não os vejo. Vocês cresceram. - Os dois ficam sem graça ao ouvir aquilo. – Não somos mais crianças, Fukusaku-sama. –Ino responde um pouco irritada. Gaara vira o rosto para que a namorada não o visse rindo. – Aconteceu algo á Naruto?

-Não, Ino-chan, está tudo bem com Naruto-kun. Ele está no Monte Myoboku e me mandou para falar com vocês dois. – Ele fica sério. Os dois se olham e aguardam.

-Quer conversar com eles a sós, Fukasaku-sama? Podemos sair se quiser. – Temari pergunta.

-Não há necessidade. – Ele olha para os dois. – Ino-chan e Shikamaru-kun, Naruto-kun me mandou lhes trazer uma mensagem. – Eles aguardam. – Naruto tem uma missão para você.

-Eles estão suspensos, Fukasaku-sama. – Gaara fala um pouco irritado. – Foram suspensos pelo Daimyo do Fogo.

-A suspensão de vocês está cancelada. E a patente de jounin foi devolvida. Ino-chan, seus privilégios de investigadora estão sendo restaurados também. – Ino e Shikamaru se olham. Já esperavam por aquilo, mas não tão cedo. – E todas as restrições sobre suas habilidades mentais estão canceladas. – Agora Ino fica surpresa. - Fukasaku-sama, isso nunca foi feito antes. Nenhum Hokage tinha tomado esta atitude até agora.

-Você precisará usar todas as suas habilidades, Ino-chan. - Fukasaku-sama fala olhando-a firme. – Você deverá usar todas elas sem restrições. Naruto disse que você saberá usá-las com bom senso. – Ino concorda.

-Qual é a nossa missão, Fukasaku-sama? – Shikamaru pergunta sério.

-Vocês deverão se encontram com o capitão Sai, no País do Pássaro. Ele lhes informará a missão que deverão cumprir.

-Sai também voltará ao trabalho? – Fukasaku confirma. - Ele será o capitão na missão de vocês.

-Esperem. É claro que essa missão está relacionada ao que está acontecendo entre os dois países. Então gostaria de ter mais informações sobre isso. – Gaara estava visivelmente irritado. Tinha a nítida impressão que aquilo era muito perigoso.

-Sinto muito, Gaara-sama, mas esta missão é altamente confidencial. Ela se refere apenas ao País do Fogo.

-Quando devemos partir Fukasaku-sama? – Ino pergunta, queria resolver aquilo logo para poder conversar com Gaara. – Imediatamente, Ino-chan. Aqui estão as coordenadas do ponto de encontro. – Ele lhe entrega um papel. – Muito bem, agora podem me mandar de volta ao Monte Myoboku, por favor?

Os dois ninjas de Konoha executam uma nova série de gestos e o sapo desaparece.

-Vocês não vão. Mandarei uma mensagem a Naruto. Essa missão me parece extremamente perigosa. – Gaara fala, irritado. Shikamaru o olha. - Somos jounins, estamos acostumados a missões perigosas. E já esperávamos por este chamado.

-Você já sabia sobre isso, Shikamaru? – Temari pergunta, triste. Ele confirma. – Por que não nos disse nada?

-Não podíamos. – Shikamaru encara a namorada, sério. – Não imaginávamos que seríamos chamados tão cedo. Esperávamos ser enviados nessa missão apenas quando acabasse nossa punição. -Shikamaru olha para os outros. - Algo deve ter obrigado Naruto a se antecipar.

- E a liberar as restrições sobre minhas habilidades. – Ela olha para Shikamaru. – Vamos, temos que nos preparar.

-Eu vou com vocês. – Gaara se adianta e segura a namorada pela cintura. Sentia algo muito ruim em relação aquilo. Temari também se aproxima de Shikamaru e ele a abraça. – Não se preocupe, voltaremos antes que sintam nossa falta. – Ino o olha, não gostava de vê-lo mentindo. Eles saem.

-Por que não me contou nada sobre isso, Ino? – Eles estão no quarto deles. -Por que não podia. Gaara, você melhor do que ninguém entende a necessidade de se manter segredos. – Ele concorda. Ino estava arrumando a mochila. – Droga, não tenho nenhum uniforme da Folha.

-Use um uniforme de Suna. Assim já irá se acostumando. – Ela sorri e o abraça. – Não mesmo, ele é muito quente. Vou usar roupas de treino. – Ela entra no banho. Ele espera no quarto. Sentia-se agoniado. Não sabia por que, mas não queria que Ino fosse naquela missão. – Adianta eu pedir-lhe para não ir?

-Gaara, você sabe que eu não posso. – Ela sai do banheiro, já usando roupas de treino limpas. –Tudo bem, eu entendo. Mas assim que chegar a capital farei contato através de Konoha. Quero que deixe mensagens regulares para mim. Apenas para que eu saiba que está bem. Se houver algum problema sério, me chame ou a Kankuro. –Ino concorda. Sabia que não seria possível faze aquilo, mas não queria discutir com ele. Não sabia quando se veriam novamente. - Não se esqueça de mandar uma mensagem para Naruto sobre Sasuke. – Gaara concorda e a puxa para seus braços. - Prometa que tomará cuidado. – Ela levanta o rosto e o beija, um beijo de despedida cheio de amor. – Você também, tenha cuidado. – Ele a olha, a sensação de algo muito ruim podia acontecer estava aumentando. – Céus, se eu pudesse a impediria de sair daqui. Não estou gostando de nada disso.

Logo eles estão no portão principal, despedindo de Temari e Gaara. Kankuro e Sakura já tinha se despedido deles. Temari chorava, sem parar. Shikamaru tentava acalmá-la, sem sucesso, no fim ele lhe dá um beijo e chama Ino para irem. Ela sai dos braços de Gaara. Ela toca o rosto dele com carinho. – Não se esqueça de usar os óculos. Sabe que precisa deles, e eu não estarei por perto para curá-lo. – Ele a puxa com um gemido e a beija. Eles se separam e Ino e Shikamaru começam a se afastar velozmente. Logo somem de vista. Gaara abraça a irmã. Ela levanta o rosto e o encara. – Por que eu sinto que eles não deveriam ir? Estou com medo Gaara.

-Eu também. Partirei hoje mesmo para a capital. Tentarei descobrir o que for possível sobre essa missão Falarei com Naruto. E direi para Kankuro fazer o mesmo. – Ela concorda, mas seu coração ainda doía. Sentia que não os veria nunca mais.

XXX

Jaq.: Que bom que está gostando. Eu adoro escrever cenas com o meu casal favorito. A história mudou um pouco, espero que goste e continue acompanhando. Bjs.

Graci-chan.:Obrigada pelo comentário. Esta é a segunda fic que eu escrevo e sempre me surpreendo com a gentileza dos leitores. Continue acompanhando e comentando. Grande bj.