Capítulo 9
Grissom não deixara que Catherine acompanhasse os outros dois CSIs na visita à Strausser&Smith, o que, à princípio , a deixara um pouco irritada. Mas se tinha que ser assim, que fosse. Para ela, uma pilha de relatórios a conferir não era a coisa mais interessante a se fazer. Por sorte o diurno estava precisando de ajuda num triplo homicídio e ela se livrou do escritório. Na cena, coletando evidências, ela se distrairia e deixaria de pensar na visita dos colegas ao escritório.
Enquanto isso, na sala de Josh Strausser, localizada no 3º andar de um prédio de cor bege com grandes vidros escuros nas janelas, Nick e Sara aguardavam diante de uma mesa bem organizada, com alguns documentos empilhados em alinhamento perfeito.
Não esperaram muito, afinal. Logo um homem bem vestido, usando terno azul marinho por cima da camisa branca e da gravata também azul, adentrou a sala e se apresentou a eles:
_Bom dia, senhores – ele cumprimentou.
Sara e Nick ficaram de pé para apertar a mão do homem. Ele prosseguiu:
_Sou Josh Strausser, presidente e sócio majoritário da Strausser&Smith.
_Olá, senhor. – Nick retribuiu o cumprimento. – Sou Nick Stokes e esta é Sara Sidle, somos da Criminalística de Las Vegas. Gostaríamos de falar um pouco sobre os seus funcionários.
_Dois deles em particular – completou Sara.
_Ah, claro! – Josh sorriu cordialmente, mas os peritos perceberam a hesitação, a nota de receio em sua voz.
Ele fez sinal para que os dois CSI's se sentassem novamente e foi, ele próprio, se acomodar na cadeira do outro lado da mesa.
_Bem, de qual deles estamos falando? –ele perguntou
_Primeiro – anunciou Sara – deve saber que um deles, o senhor Stuart Nelson, está morto.
_Sim, eu soube. Ruth Nelson, esposa dele, me contou. Realmente não entendo como foram capazes de fazer semelhante brutalidade a alguém como Stuart.
_Bom, hoje nós recebemos uma ligação de outro funcionário, que se identificou como Paul Carter, e nos informou que um colega dele, daqui mesmo da exportadora ameaçou Stuart Nelson dois dias entes de sua morte. Segundo ele, esse funcionário se chama Calvin Maloy.
_O senhor saberia nos dizer se é verdade essa informação? – perguntou Sara. – Ou pelo menos nos informar a reputação desses dois funcionários?
_Maloy... – Ele repetiu, tentando associar o nome a algum outro evento – Desculpem, mas o nome não me é familiar. Para ser bem sincero, eu não me envolvo muito nessa parte. Quem sabe de todos os problemas da empresa, de todas as reclamações e conhece todos os funcionários é o departamento de Recursos Humanos. A encarregada de lá se chama Marcy Talbot. Podem falar com ela se quiserem mais informações.
_Claro! – consentiu Nick.
_No entanto, não creio que esses senhores tenham uma má reputação. Pelo menos aqui. – Josh continuou. – Do contrário, eu me lembraria de seus nomes. Os bagunceiros e fanfarrões sempre deixam sua marca. – Ele sorriu enigmaticamente para eles.
_Entendo. – Sara retribuiu o sorriso, fazendo Nick olhar dela para Josh e retomar o controle da conversa.
_Senhor Strausser, será que poderíamos dar uma volta pela empresa, talvez falar com algum funcionário?
_Claro que sim! Fiquem à vontade. – Josh respondeu. – Mas não poderei ir até lá com vocês. Tenho alguns relatórios de entrega para preencher e ligações a fazer. Espero que entendam.
_Entendemos, sim, senhor Strausser. – disse Sara.
_Se tivermos algum progresso ou algum problema, nós o informaremos – completou Nick.
Josh apenas sorriu em resposta e os acompanhou até a porta. Assim que os CSIs saíram da sala, ele voltou para sua cadeira e, depois de sentar-se confortavelmente, pegou o celular em seu bolso e discou um número. Não demorou a ser atendido e foi breve em sua conversa:
_Vou ser rápido. Preciso de um serviço seu. Aparentemente alguém resolveu falar mais do que devia, já sabe o que fazer. Enviarei os detalhes mais tarde. – dizendo isso, ele desligou o aparelho. Sua voz era calma, serena e até exibia um sorriso de satisfação ao desligar. Ele sabia que era preciso, não queria que nada desse errado, e para isso, precisaria cuidar bem das pessoas que o cercavam.
Enquanto isso, no térreo, Sara e Nick conversaram com a atendente do departamento de Recursos Humanos, que os informou sobre a reputação de Calvin Maloy e também de Paul Carter. Nenhum dos dois, no entanto, tinha nenhuma reclamação, nenhuma indicação de que fossem encrenqueiros ou que gostassem de arrumar confusão. Saíram da sala com alguns registros dos dois funcionários em questão e, chegando ao pátio, onde alguns raios de sol tentavam dissipar o vento frio, viram um homem que devia ter por volta de 40 anos vir ao encontro deles.
_Hey, vocês! – ele chamou, se aproximando deles – Vocês são da polícia, não são?
_Somos da criminalística. – explicou Nick, analisando disfarçadamente a figura do homem que se aproximava deles. – E o senhor é...?
_Paul Carter. Eu liguei para vocês falando do desgraçado do Maloy. – o homem se identificou.
_E o senhor saberia nos informar algo mais sobre o senhor Maloy? Sobre a relação dele com os outros funcionários e com Stuart Nelson? – perguntou Sara.
_O Maloy era um metido a engraçadinho. Cheio de pose, vivia dizendo que ia fazer e acontecer, ameaçava todo mundo... Mas quando o Nelson veio falar com ele, reclamar dos adiantamentos e empréstimos que ele tinha pego na empresa, ele ficou mesmo com raiva. – nessa última parte, Carter inclinou-se levemente para eles, como que confidenciando o fato. – Dava para ver nos olhos dele que ele não estava brincando.
_Acha que ele seria capaz de matar mesmo o senhor Nelson? – Nick especulou.
_Não sei. – o homem se esquivou da resposta – Mas o cara é maluco. Eu não duvido de nada!
_Obrigado pela ajuda, cara. – Nick agradeceu.
Ele e Sara voltaram para o carro, deixando o homem supervisionando o resto da entrega, vez ou outra chamando a atenção de algum dos homens que carregavam caixas de papelão que pareciam muito pesadas.
Um pouco adiante, Sara se virou para o colega:
_Acha que ele está falando a verdade?
_Não sei. Mas vou ver se consigo um mandado com o Grissom para a casa de Maloy.
_Baseado em quê?
_Uma testemunha que o viu ameaçar o Sr. Nelson. – ele sorriu, parando ao lado dela em frente à porta do motorista do Tahoe.
_Podemos tentar, embora eu ache que já sei a resposta. – ela sorriu de volta. – Você dirige?
_Claro. Mas vai ser difícil prestar atenção na estrada com você ao meu lado.
Ela olhou para o chão, sorrindo. Nick adorava quando ela fazia aquele ar de divertimento encabulado. Ele olhou disfarçadamente para os lados. Não havia mais ninguém no estacionamento. Então ele deixou o kit no chão e a abraçou pela cintura gentilmente, inclinando-se para beijá-la.
_Nickie! Aqui não! – ela sussurrou, repreendedoramente, surpresa pelo gesto dele.
_Não tem ninguém por perto. Só quero um beijo . Só isso e nada mais. – ele fez uma cara de criança que implora um brinquedo caro aos pais.
_Nada mais mesmo? – ela perguntou, maliciosamente, enquanto sorria pra ele.
_Pelo menos por enquanto. – ele respondeu, colando os lábios nos dela, que retribuiu o beijo prontamente.
_Ok, já chega! – ela afirmou depois que se afastaram. – Vamos voltar para o laboratório. Pode aparecer alguém.
Ele concordou com a cabeça e ela foi para o lado do passageiro, enquanto ele entrava no carro e ocupava o assento do motorista para voltarem ao laboratório.
Mais tarde, naquele dia, depois de uma longa jornada de trabalho, Catherine chegou em casa e ia se preparar para dormir já que Lindsey estava na casa da tia. Tomou um longo banho e vestiu uma camisola longa de cetim branco com uma fenda na perna direita que mostrava tanto quanto era permitido. Assim que terminou de vestir-se, ouviu o som da campainha.
"Quem será à uma hora dessas?" pensou ela, enquanto vestia o robe de cetim também branco por cima da camisola e descia as escadas. Quando atendeu a porta, um sorriso nasceu em seu rosto. Era Josh.
_Oi! O que faz aqui tão tarde? – ela perguntou, sorrindo e abrindo espaço para que ele entrasse.
_Vim te ver. – ele respondeu, entrando e parando ao lado dela, enquanto ela fechava a porta atrás deles. Virou-se pra ele, em seguida, dando-lhe um beijo de leve e o pegou pelo braço levando-o até o sofá.
_Que bom que veio me ver. – ela disse, sentando-se de frente para ele.
_Senti sua falta. – ele disse, pegando a mãe dela entre as dele. – Seus amigos foram até a empresa, hoje.
_É, eu sei. – ela concordou, desmanchando o sorriso.
_Achei que você fosse também.
_Eu não pude. Contei ao meu chefe sobre nós dois e ele achou melhor eu não me envolver diretamente no caso. E depois, não fui encarregada para o caso da morte do seu contador.
_Contou ao seu chefe sobre nós? Por quê? – ele parecia mais curioso do que surpreso ao questioná-la.
_Por que estamos investigando um caso que envolve sua empresa. Se eu me aprofundar demais na investigação e souberem sobre nós, isso pode fazer qualquer evidência que eu coletar se tornar inaceitável.
_E o que o seu chefe disse?
_Ah, nada! Apenas me pediu o que eu já sei, para não me envolver diretamente com o que acontece na empresa, para não analisar evidências importantes... Mas, isso me dá mais tempo para ficar com você. – ela acrescentou,sorrindo novamente.
Ela se acomodou no ombro dele, recostando-se no sofá, cruzando uma perna por cima da sua e de uma das pernas dele. A fenda na camisola se abriu, deixando à mostra a pele alva e macia de sua perna. Josh a abraçou com uma mão e pousou a outra sobre a perna dela, subindo de leve por sua coxa, quase não tocando, mas apertando de leve em alguns pontos. O contato das mãos dele fazia Catherine se arrepiar.
Ela fechou os olhos, tornando a abri-los devagar.
_Pare com isso... – pediu com voz mansa. – sabe muito bem aonde isso vai nos levar.
_Sei. E isso não te excita? – ele sussurrou em seu ouvido.
Não esperou resposta. Era uma pergunta retórica e ele sabia muito bem a resposta. A beijou, ainda mantendo a mão sobre a coxa de Catherine, subindo mais. A mão dela estava desfazendo os botões da camisa dele com certa dificuldade. Depois do segundo ela desistiu da tarefa e enfiou a mão pela passagem que conseguira abrir e acariciou o peito dele, fincando as unhas de vez em quando, conforme ele fazia pressão com os dedos em sua perna. Os lábios dele foram deixando os dela e passando ao pescoço, entre beijos e lambidas que a faziam suspirar.
Desistindo de procurar caminho entre a fenda da camisola, ele desatou o nó do robe e o empurrou para o lado, deixando o ombro dela à mostra. Catherine descruzou as pernas, girando o corpo de modo a ficar por cima dele, com um joelho de cada lado do corpo de Josh. Da mesma forma fez com as mãos, apoiando-as no encosto do sofá, prendendo-o com o corpo e voltando a beijá-lo apaixonadamente. Ele passou as mãos por sua cintura, fazendo uma delas subir devagar até alcançar um seio, que ele massageou de leve sob o tecido fino, fazendo um gemido de êxtase se soltar da garganta dela em meio ao beijo. Ela aproximou mais o corpo das mãos dele, aprofundando o toque, enquanto ele continuava lhe beijando a boca, descendo para o maxilar, pescoço... Ela encostou seus lábios do ouvido dele e sussurrou:
_Eu avisei para que parasse. Mas se não vai parar, é melhor fazer isto direito. Meu quarto é no fim do corredor.
Sem dizer uma palavra, ele a empurrou delicadamente para o lado, levantando-se e pegando-a no colo em seguida e levou a até o quarto, fechando a porta.
Era plena madrugada e Nick estava na casa de Sara. Eles viam um filme na sala, ela abraçada a ele, que tinha a atenção presa ao televisor. Mas, ao contrario dele, a atenção de Sara estava em outra coisa.
_Acha que mais alguém desconfia de alguma coisa? – ela perguntou, olhando para ele, que ainda tinha os olhos no aparelho à frente.
_Não, não. Não da pra desconfiarem de nada. O cara que morreu vivia sozinho, a garota que o achou é a única que sabe sobre a maldição...
_Nick! Não estou falando do filme! - ela o repreendeu, fazendo-o olhar para ela. – estou falando de nós dois.
_Eu acho que não. Quer dizer, só se a Catherine contou, mas acho que não seria do feitio dela fazer isso.
_Eu falei com ela depois que você saiu. Acho que ela não contaria. Até porque, ela também está envolvida com alguém.
_Warrick? – ele perguntou, quase com a certeza da resposta.
_Não! É o cara das flores. Acho que o nome é...Josh. Mas o assunto ainda é sobre nós. Acredito que ela não vá contar nada. Mesmo assim é melhor tomarmos cuidado. Viu o Ecklie fez com a Sophia só porque ela ficou do lado do Grissom, e o que ele fez com a gente, nos separou em duas equipes sem motivo algum. Imagine só o que faria se soubesse que nós... – um arrepio percorreu seu corpo só por imaginar a possibilidade.
Nick a abraçou com mais força e ficaram em silêncio por um momento. Silêncio que foi quebrado pelo som do celular dele, que pegou o aparelho no bolso e o atendeu.
_Alô? – ele ouviu por um breve tempo. – Agora? Mas a gente acabou de sair do trabalho! – esperou mais um pouco, com cara de protesto, enquanto Sara o observava.
_Tudo bem. Eu ligo para ela. – ele desligou o aparelho e se virou para a namorada:
_Trabalho. Pelo menos um de nós se salvou. Vou com a Catherine. Parece que é um caso simples de homicídio.
_Homicídios nunca são simples. – ela argumentou.
_Bom, preciso ir. Vou ligar para Catherine do estacionamento.
Ela o acompanhou até a porta e se despediu dele com um beijo, observando-o até que o elevador descesse.
No estacionamento, o CSI pegou o celular novamente, parado ao volante do Tahoe preto e ligou para a colega.
Quando o telefone tocou, Catherine dormia abraçada à Josh, com uma perna jogada negligentemente por cima dele.
O som do telefone despertou a ambos e tocou três vezes antes de ser atendido pela voz sonolenta dela.
_Alô.
_Oi, Cath. Sei que te acordei, desculpe. Mas é que temos um caso.
_Agora? Que horas são?
_Pouco mais de 3 da manhã. – ele conferiu o relógio de pulso. – Passo aí para te pegar daqui uns...15 minutos.
_Ok. Vou estar te esperando.
Ela desligou o aparelho totalmente desperta, agora. Josh, que também despertara, a olhava como que esperando que dissesse alguma coisa.
_Trabalho. Sinto muito. – ela se desculpou. – Precisa ir, agora.
_Até quando vai me esconder da sua família e amigos? – ele perguntou, num tom ameno, olhando para ela.
Ela fechou os olhos e sorriu, tornando a abri-los em seguida, retribuindo o olhar dele.
_Não estou... "escondendo" você. Só não quero sair espalhando isso para todo mundo. Vamos devagar, uma coisa por vez... Acredite, vai ser melhor assim!
Ele não disse nada em resposta, mas sua expressão passara para uma curiosidade divertida. Catherine ajuntou o lençol à frente do corpo e se inclinou na direção dele, fazendo seus lábios roçarem de leve nos dele e sussurrou:
_Eu te recompensarei depois!
Ele a puxou para mais perto para um beijo de verdade, mas que terminou rápido. Catherine escorregou para fora da cama, ainda enrolada num dos lençóis e foi para a suíte. Josh começou a se arrumar, também, enquanto ouvia o barulho do chuveiro. Rapidamente ela se arrumou e depois levou Josh até a porta, poucos minutos antes que Nick buzinasse à sua porta. Ela vestiu o casaco preto de camurça por cima da blusa de lã rosa, pegou seu kit que já estava preparado e saiu para a madrugada fria da cidade. Apenas alguns passos e estaria novamente aquecida pelo ar condicionado do veículo, que contrastava com a garoa fria.
_Oi! – ela cumprimentou, já dentro do carro, esfregando as mãos para aquecê-las. – E então? Qual é o caso?
_Encontraram um corpo perto da Sunset. O Brass vai nos encontrar lá.
_Espero que o caso não tenha atrapalhado nada entre você e a Sara. – ela disse, com um sorriso zombeteiro.
_Não exatamente. Nós estávamos vendo um filme.
_Filme, é? Aham... Sei bem que tipo de filme estavam vendo! – ela riu.
_É sério, Cath! Estávamos mesmo vendo um filme. Sete Gritos de Horror.
_Sete Gritos de Horror? Que espécie de fil..
.
_É um filme de terror que peguei na locadora.
_Sei. - Ela assentiu com a cabeça. Terror barato com efeitos grotescos e muito sangue. Do tipo que faz as garotas se agarrarem aos rapazes e eles aproveitarem para colocar a mão em lugares que elas não permitiriam em condições normais.
_Que definição, hein! – ele exclamou, rindo.
_Bom, é que um garoto da minha turma no colégio me levava para ver filmes de vez em quando...o pai dele era segurança do cinema. – ela acrescentou.
_Sei. – Nick sorriu, olhando para ela por um momento, voltando a atenção para o trânsito de novo.
Prosseguiram com a conversa até verem as luzes dos carros da polícia e o carro de Brass a um lado na rodovia.
Nick estacionou próximo aos outros carros e eles desceram. Brass foi ao encontro deles, enfiado num casaco de couro bege.
_Olá, pessoal! – ele cumprimentou, fazendo as sílabas virarem fumaça à frente de seus lábios.
_Oi, Jim! – Catherine devolveu o cumprimento.
_E aí, Jim! O que tem pra nós? – Nick perguntou.
_Venham ver. – o capitão chamou, caminhando e sendo seguido pelos CSIs.
Um pouco à frente viram um corpo masculino, vestindo calças jeans e uma camisa de flanela, com uma jaqueta preta por cima. Estava estirado no chão. Catherine colocou seu kit ao lado do corpo e abaixou-se, pegando a câmera. Tirou várias fotos do corpo, de vários ângulos diferentes. Nick se abaixou ao lado do corpo também, atraído por algo que brilhou com a luz do flash. Ao lado da cabeça do homem, ele encontrou uma corrente prateada.
_Catherine, olha isso. – ele a chamou, indicando o que havia encontrado.
_O que é isso? – ela perguntou, e tirou algumas fotos do objeto e então Nick o ergueu no ar, para observar melhor o que era.
_Tem um dragão no pingente. Pode ser dele ou de quem o atacou.
Catherine olhou em volta por um momento.
_As marcas de tiro na cabeça dele estão bem nítidas, mas não há sangue consistente com a morte. Acho que foi desova de novo.
_Eu vou ver com o pessoal se encontraram marcas de pneu na área ao redor. – disse Brass, e encaminhou-se para onde estavam os outros policiais, deixando-os sozinhos.
_Veja as mãos dele – apontou Nick – Nenhuma marca de defesa, nem de agressão, nenhum corte. A camisa dele está arrumada.
_Então ele não lutou com o agressor. Pode ser alguém que ele conhecia.
_Ou que o pegou de surpresa. – completou Nick.
_É.
Nesse momento, David se aproximou deles, parecendo sentir muito frio.
_Olá, pessoal!
_Oi, David!
_Hey! SuperDave! – brincou Nick – Não tocamos em nada.
_Ok, vamos logo ao trabalho, então! – ele murmurou, abaixando-se próximo ao corpo.
_Pode nos dizer a hora do morte? – perguntou Catherine.
Ele tirou o termômetro de dentro da maleta e fez uma pequena perfuração com o instrumento até atingir o fígado.
_Pela temperatura – disse ele – podemos supor que morreu há cerca de oito horas. Mas a areia do deserto fica muito fria nessa época do ano, principalmente à noite. Isso pode ter afetado as condições do corpo. Vou saber melhor depois que abri-lo.
_Ok! Obrigada, David. – Catherine agradeceu. – Já pode levá-lo.
Ela se levantou, acompanhada por Nick. Enquanto ele acompanhava os movimentos de David, ela olhou em volta, procurando por qualquer coisa que fizesse sentido por ali. Não havia muito. O vento sob a areia teria apagado qualquer pegada e a chuva não havia chegado até o deserto para fixar as marcas por mais tempo. O que também era uma sorte, visto que a chuva teria apagado qualquer evidência do corpo. Ela e Nick ainda andaram um pouco pelo local, para desespero dos policiais que os acompanhavam e pareciam estar a ponto de congelar.
Depois de se convencerem de que não achariam mais nada, os CSIs voltaram para seu carro, liberando os policiais e o Capitão, e seguiram para o laboratório.
Catherine e Nick acompanharam a necropsia da vítima. Ela coletou as impressões digitais para tentar encontrá-lo no AFIS. David deu logo a causa da morte: hemorragia cerebral causada por ferimento à bala. Ele entregou o projétil à Nick, que observou a peça com atenção.
_É o mesmo tipo de bala que encontramos no Morrison. Bala de teflon, revestida e feita sob encomenda. Isso está começando a ficar complicado.
_Vou descobrir quem é esse cara, - anunciou Catherine – você termina por aqui e leva a bala para o Bobby?
_Claro!
Catherine saiu da sala do legista e foi até os computadores. Scaneou a digital e iniciou a pesquisa pelo sistema. Não demorou muito a obter um resultado. A expressão em seu rosto era de surpresa. Ela imprimiu o resultado e saiu para os corredores, para procurar Nick. Alguns passos fora da sala, ela encontrou Greg.
_Oi, Cath! Será que podia me ajudar com uma evidência?
_Desculpe, Greg. – ela continuou andando enquanto falava. – Preciso encontrar o Nick. Fale com a Sara, ela te ajudará.
O jovem CSI ficou parado no meio corredor enquanto a colega seguia.
Encontrou Nick quando ele saía da sala do legista.
_Nick, tenho o resultado das digitais. – ela disse.
Ele pegou o papel, examinando-o.
_Calvin Maloy, funcionário da Strausser&Smith – ele levantou os olhos para ela. – Mais um? Me parece que as coisas não vão nada bem para o seu namorado. Ou isso é mais pessoal do que parece.
_Calvin Maloy não foi o cara que ameaçou o Senhor Nelson?
_Foi. Segundo Paul Carter ele ameaçou o Senhor Nelson quando foi cotado como uma possível demissão.
_Isso não faz sentido! Por que matar Calvin Maloy e não o tal Paul Carter?
_Não sei. Mas acho que o assassino é um só. As estrias nas balas retiradas do Maloy combinam com o registro do estriamento nas balas do senhor Nelson. Além de serem feitas do mesmo material.
Ela assentiu com a cabeça. Na verdade, sua preocupação era maior. Já era o terceiro funcionário da Strausser&Smith que era assassinado. E se estivessem querendo alguém maior? E se estivessem tentando chegar à Josh?
_E o que faremos, então? – ela perguntou.
_Acho que teremos que voltar à Strausser&Smith.
