Capitulo 9 – Uma missão maior.

— Mayko Kikio, informe sua posição.

— Estou em posição de você parar de me chamar dessa forma, Lee-san. – retrucou Kikio, pela enésima vez através da ausculta. Lee a estava chamando assim desde o momento que a viu vestida com roupas de dançarina do ventre e foi flagrado olhando pras suas pernas. – Lado oeste da casa principal, salão de festas. Nada de anormal. Ainda.

Kikio estava em frente a um grande espelho de onde poderia capitar discretamente cada detalhe do grande salão com o pretexto de ajeitar sua fantasia. Tirou uma micro câmera no formato de estrasse de seu decote e grudou-a na lateral da moldura enquanto fingia reposiciona-lo – O leilão começa depois da apresentação. Nada de artefato ainda. Conseguem ver?

—Posicione mais acima, na altura dos seus olhos. - ouviu a voz de Neji.

—Não sei se vai fazer muita diferença levando em conta que sou praticamente uma anã. – explicou para o estrasse como se fala-se com uma criancinha.

—Faça como lhe pedi. – retrucou Neji sem se alterar. Ela revirou os olhos e arrancou o estrasse com a unha, reposicionando-o alguns centímetros acima onde Neji pediu.

Ele, Tenten e Lee, agora enxergava parte do salão e a lateral do rosto fortemente maquiado da menina, que voltou a se ajeitar no espelho, quando notou um servo do castelo se aproximando...

Um lorde da vila rubi solicitou serviços de segurança pois havia sido ameaçado por bandidos do mercado negro que estavam atrás de um objeto raro, adquirido por ele, lord Nobuya Hideki e que estaria sento leiloado naquela tarde. Porem o contratante não fizera a menor questão de mostrar que objeto era esse. Simplesmente entregou fotos de prováveis mercenários que poderiam rouba-lo e informou que se algum deles aparecesse, os impedissem de qualquer maneira. O problema é que eles próprios também não poderiam entrar. O sr. Nobuya tinha total aversão à ninjas, e isso dificultava muito as coisas. Porem...

— Lord Nobuya Hideki, teve a informação que Konoha tinha laços colaborativos com os Maiko e EXIGIU que eu lhe enviasse alguém do clã para executar um espetáculo para ele e seus convidados. – falou Tsunade, controlando o impeto de joga alguma coisa na parede, enquanto dava as instruções da missão - Aparentemente ele não faz a menor ideia das qualidades militares dos Maiko. – Sorriu para Kikio - É onde você entra, Kikio-san...

Aquilo não era nenhuma surpresa para ela, porque era exatamente assim que seu clã trabalhava. Eles entravam em vilas e cidades como ciganos comuns fazendo números artísticos de dança, entretendo a população enquanto faziam investigações nas surdinas. Entravam e saiam de qualquer lugar com informações importantíssimas sem sequer serem notados como ameaça. Não foi diferente com Lord Nobuya que logo de cara ficou mais que encantado com a performance que Kikio improvisou para a avaliação dele em seu castelo:

—Deve estar orgulhosa por um Lord da minha classe ter solicitado seus serviços, não é mesmo, menina? – Vangloriou-se sentado em um grande trono enquanto uma criada lhe servia uma taça de vinho

—É sempre uma honra servir aos nobres, senhor. – reverenciou a contragosto o bufão a sua frente.

—Os Maikos não famosos por seus atributos artísticos, não é verdade? Já vi algumas apresentações de vocês. Sou particularmente fã dos números sensuais de dança... as mulheres de seu clã são muito... exuberantes... - falou de maneira insolente. - Você é um belo exemplo disso. – ergueu-se do trono com o cálice em mão e começou uma inspeção à garota. – Não sabia que Konoha também trabalhava na área de entretenimento. – completou com deboche.

—Gostamos da reputação de sermos bons em tudo que nos pedem. – Sorriu educadamente para o senhor que lhe avaliava sem nenhum pudor de alto a baixo.

—Não tenho duvidas alguma de seus atributos, minha cara... – anuiu enquanto a circundava - mas você tem alguma experiencia no ramo de entretimento ao publico? senhorita?

—Maiko Kikio, senhor. –virou-se para encarar-lo de frente, no fundo dos olhos, a melhor maneira de destreinar alguém - Tenho outro numero solo de dança, que uso para apresentações especiais em nosso acampamento. Se o senhor permitir, ficaria feliz em apresenta-lo. - ampliou o sorriso pra disfarça o constrangimento.

Por mais que já estivesse indolente a essas avaliações machista, jamais se conformaria com o olhar libidinoso que alguns depravados lhe lançavam. O homem ainda teve a ousadia de pegar a ponda de seu cabelo e testar a macies entre os dedos. Então sussurrou próximo ao seu ouvido:

—Mal posso esperar...

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algumas horas dentro do castelo e Kikio já havia conseguido mapiar todas as rotas de entrada e saida, as comuns e as de possivel fuga. Tambem detectou alguns comodos camuflados onde possivelmente o lord guardasse algumas de suas reliquias. Mesmo assim pareceu que o castelo era muito bem guardado. Todos os criados, mesmo os que aparentavam apenas fazer serviços de copa, andavam armados com armas discretas em suas roupas, circulando por todo castelo. O que dava a entender que estariam preparados para qualquer tipo de ataque e isso começou a lhe fazer estranhar o fato dele ter solicitado os serviços de Konoha.

O criado veio chama-la para outra apresentação particular. Kikio já estava até prevendo que teria que mostrar suas garras. "Controle-se, Kikio. Lembre-se o que oba-chan lhe falava: - Você controla o burro com o arreio, não com o chicote!" – consolou-se enquanto preparava os ouvidos para mais uma enxurrada de galanteios...

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—Neji-Kun! Já é a segunda ausculta que você quebra! Você vai deixar alguma pra missão!?

—Gomenasai. Estava com defeito. – desculpou-se Neji, com uma Tenten exacerbada, enquanto triturava o pequeno ponto que virou farelo de plastico em sua mão. Se escutasse mais uma palavra daquele canalha pervertido, daria muito trabalho à seus colegas para impedir que ele mesmo destrinchasse aquele verme antes de qualquer mercenário! – Já temos o que precisamos. Vamos tira-la dalí.

— Não temos nada ainda, Neji! Até agora só ouvimos esse lorde de meia pataca dando em cima de Kikio-san! É importante que ela esteja lá pra qualquer emergência!

— É muito arriscado. Não sabemos o que ele realmente pretendo com ela lá dentro. Há muitos ninjas com altos niveis de chakara e entrar no castelo não vai ser fácil nem rápido.

— E é por isso que chamamos de trabalho ninja. Por que só nós ninjas podemos fazer. E adivinhe só! Maiko Kikio também é uma! e...

— Kikio-san, dê um jeito de sair daí na primeira oportunidade... – falou Neji, pelo comunicador.

Tenten esfregou uma das mãos no rosto e virou para Lee buscando apoio, mas esse já havia corrido dalí para outro ponto de observação no mesmo instante em que Kikio-san e seu decote tinham aparecido na tela do visor.

Estava se perguntando onde estaria Neji, seu amigo gênio, um dos ninjas mais jovens a se formar jounin, enquanto aquela cópia mal desenvolvida dele, estava esmagando indefesos pontos de ausculta e acabando com sua reputação ninja e em uma unica missão! Já não bastava ele ter desfalcado o material de comunicação, ele também havia - segundo ele "sem intenção" - atirado Lee de um desfiladeiro! O que teria matado qualquer um mas como era Lee, causou apenas contusões que o deixaram mais respeitoso que o normal. Alem disso estava resmungando imprecações sem sentido à três horas desde que infiltraram Maiko Kikio, no castelo.

Neji estava mais tenso do que o de costume e se já não fosse bem inteirada dele e soubesse que aquilo não era do seu feitio juraria de pés juntos que Neji estava com ciumes da Maiko. O que era pouco provável, já que conhecia-o desde a academia e nunca sequer ouvira falar dele interessado em mais nada alem de treino. Alem do que não o vira dar nenhum olhar que demorasse mais de 3 segundos àquela menina. E olha que até mesmo Lee, o garoto mais sem maldade que conhecia, tinha sucumbido à armadilha daquelas pernas... Aquela missão já começara errado.

Pensando bem havia realmente uma tensão entre Kikio e Neji. Apesar de Neji causar esse tipo de reação nas pessoas depois que o conhecem, estranhamente desde o primeiro instante na sala da Hokage, Kikio, dirigiu-se a ele com excesso de cautela. Neji por sua vez num primeiro instante não pareceu dar muita atenção a ela, mas... Juntando pequenos detalhes de comportamento estranho dele nos últimos dias, Tenten chegou a conclusão que...

...ou Neji estava sofrendo de um grave disturbio psicologico...

...ou Neji estava apaixonado.

Pobre, Neji. Definitivamente era a primeira opção.

- Kikio-san, indique sua atual posição. - solicitou Neji pelo comunicador.

- Ela ainda está no castelo. - Tenten transmitiu a resposta.

- Já solicitei que você saísse a meia hora. Qual a dificuldade em executar a ordem?

— Ainda não. – Tenten ouviu a resposta sussurrada de Kikio – Eles estão me levando pra um local aparte do castelo. Talvez seja lá que esteja o tal...

De repente eles ouviram um grito súbito seguido de um baque. Kikio havia sido abatida e agora o Lord mandava que seus guardas a colocassem junto com os outros. Olhou para Neji em alerta e não precisou dizer mais nada. Neji já estava a caminho do castelo.

— Lee, nos dê cobertura! – ordenou Tenten já seguindo o jounin pro resgate.

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algumas horas depois...

— Você tem noção que quase pos tudo a perder?! – disse Neji exasperado depois de toda ação.

Estavam acampados numa floresta a algumas horas de Konoha. Haviam capturado e enviado pra prisão todos que conseguiram da organização mafiosa que capturara Kikio. As pessoas sequestras foram socorridas e libertadas. Agora os quatro estavam a caminho de casa. Kikio havia levado um golpe na nuca que a deixou um pouco desnorteada. Tenten havia acabado de lhe fazer um curativo e a ajudava a sair da barraca olhando enfadada para Neji.

— Até onde eu sei foi justamente o contrario. – Kikio sentou-se de frente a fogueira com ajuda de Tenten. - Se eu não tivesse sido capturada não teríamos achado os outros.

— Eu já tinha mandado você sair. Já tínhamos grampeado todo o castelo, conseguiríamos essa informação sem arriscarmos sua integridade e nem a nossa! Tem algum algum problema de déficit de atenção por acaso?!

— hum? Desculpa não te ouvi. – falou desviando a atenção pro fogo.

Kikio estava enrolada em uma manta ainda fantasiada e com a cabeça um pouco pesada, diante de um Neji furioso que andava de um lado para o outro que nem tigre enjaulado. Aparentemente seu prometido não gostava de ser contrariado. Sorriu. "nossa, que surpresa!"

O plano do mal caráter que os contratou era usar Kikio de isca. Ele na verdade queria capturar algum ninja de Konoha com alguma habilidade especial. Solicitou-os para uma missão simples por pensar que mandariam alguém potencialmente habilidoso porem jovem e inexperiente que pudesse ser facilmente subjugado pelos ninjas do castelo.

O que ele não contava era que guardar a casa de invasores não eram bem o proposito deles. O fato do senhor daquele castelo tê-los contratado fora mero golpe do destino. Na verdade estavam investigando, secretamente, tráfico de pessoas com habilidades especiais e Nobuya Hideki era sondado pela Anbu a algum tempo. O problema era que nunca conseguiram nenhum tipo de prova contra ele... Então Kikio dentro daquele castelo era o trunfo fundamental no recolhimento de informações.

Entrar no jogo dele foi a maneira mais eficaz de saber até onde iam as conexões daquele traficante. Como era pabuloso ao extremo fez questão de contar cada detalhe de sua organização para uma menina indefesa e subjugada só para ver o medo em seus olhos... era uma atriz maravilhosa, concluiu.

O mais impressionante nisso tudo foi ver aqueles três em ação. Eram uma equipe perfeita. Lee e sua extrema habilidade no taijutso, Tenten que controlava centenas de armas ao mesmo tempo e Neji... o que era aquele menino? Mal conseguiu ver seus movimentos! Derrubava oponentes com destreza e rapidez monstruosa! Kikio estava começando a entender o porquê de seu pai ter escolhido Neji como futuro genro. Ela começou a se senti um pouco... orgulhosa. Deu um leve sorriso olhando para ele que ainda extravasava sua frustração com resmungos que só ele entendia.

—Agora, chega! Tem alguma coisa muito estranha com você! – apontou para Neji. - E você vai me explicar o que é, agora mesmo!

—Não sei do que você esta falando. – parou para encarar a colega ainda de cara feia.

—Sabe sim, seu sonso! Olha só pra você! Nunca te vi nesse estado! Pode dizer agora qual é a tua com essa garota! – apontou para Kikio que os encarou com o cenho erguido. "qual o problema dela?"

—Somos da mesma vila, esqueceu?

—Não é só isso! Nunca vi você tratando ninja nenhuma com tanto zelo! Nem mesmo a mim, e olha que sou sua colega de equipe à anos!

Lee olhou curiosamente os dois colegas, de certo ainda na expectativa de saber o porquê de ter sido tão inesperadamente atirado de um desfiladeiro.

—Nunca precisei. Sei especificamente de todas as suas habilidades e da maioria das ninjas de Konoha. O que não é o caso dela. – apontou para menina que observava a discussão candidamente olhando de um para o outro. Tenten deu um ultimo olhar antes de desistir em direção a kikio, especulando suas feições. A garota meramente deu de ombros. Se ele não fez questão de falar aos próprios colegas não seria ela que o faria.

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Lee, Tenten e Kikio já estavam acomodados dentro da barraca e Kikio já ouvia o ressonar dos colegas a algum tempo. A cabeça já não incomodava mais, mesmo assim não conseguiu dormir. Tinha a intensa sensação de estar sendo observada. Até tinha ideia de por quem. Fechou os olhos no instante que a luz de fora entrou na barraca pela entrada. Neji Acomodou-se sobre o saco de dormir no canto da barraca ao lado dela.

— Conseguiu achar o que queria quando veio a Konoha, antes? – falou baixo olhando para o teto da barraca. Esperou alguns instantes pela resposta depois voltou-se para ela – Não precisa responder, mas seria mais educado não fingir estar dormindo.

Kikio respirou fundo buscando coragem, ergueu a cabeça verificando se os outros ainda dormiam e saiu da barraca, voltando a se sentar em frente a uma fogueira já virando brasa e cinzas. Mexeu na lenha para atiçar o fogo dando uma desculpa para não encarar Neji que a segui sentando do seu lado também sem encara-la.

—Então?

— Sim, consegui. Eu achei, Sasuke. – falou finalmente escolhendo não omitir o ocorrido. - De maneira inesperada, mas achei.

— E como foi?

— Um momento bem difícil. – disse por fim fincando a ponta em brasa do graveto que mexera o fogo no chão entre os dois. Neji pegou o mesmo graveto partiu em vários pedaços e o jogou no fogo.

— E o que você pretende, Kikio-san?

— Consertar as coisas, Neji-san. O quanto for possível.

— E no que isso implica?

— Em eu fazer o que tiver a meu alcance pra tirar Sasuke, desse caminho destrutivo.

— Mesmo correndo o risco de você mesma entrar nesse caminho?

Kikio não consegui dar uma resposta. Mas para Neji foi o suficiente.

— Boa sorte. Você vai precisar, por que a dele é maior que a sua. – Neji atirou com precisão uma pedra no dorso de um cachorro selvagem, que se aproximou demais da luz da fogueira. - Já parou pra contar quantos já tentaram traze-lo a razão? E sem sucesso, sabe por quê? ninguém perguntou se ele QUER SER SALVO!

— Neji...

— Já pensou que pode ser da índole dele ser assim? Que ele pode gostar da vida que leva?

— Sim. Já sim. Já dei todas as desculpas possíveis pra não ir atrás dele! Eu tendo todos os dias dizer a mim mesma que fiz o que poderia...

— Isso importa tanto? Por que você esta se sentido tão responsavel pelos atos dele?

— Por que eu errei com ele! Faltei com minha palavra! Vê-lo cometer todos esses absurdos é a prova mais definitiva disso.

— Você não é responsável por nada que ele faça! Ninguém é! Nem mesmo o irmão dele, que matou toda família dos dois, pode ser considerado culpado! Porque ele poderia ter escolhido perdoar e seguir em frente! Então não se culpe. Não há nada que prenda você a ele a não ser você mesma.

— O que me prende a ele é o mesmo que me prende a você. - ela voltou-se para ele de maneira determinada.

— Continua sendo nada. Por que nada prende você à mim também.

Ele finalmente a encarou só para flagrar sua expressão boquiaberta, voltando sua atenção ao fogo em seguida.

De repente, nem Neji sabia como, num instante olhava o fogo e no outro seus olhos estavam presos aos dela, assim como seu queixo que estava laçado aos delicados e firmes dedos da menina.

—Você tem alguma ideia da estupidez que acabou de dizer, garoto? – Sussurrou encarando-o com o fogo nos olhos maior que o da fogueira. - Tem alguma ideia da sua importância pra mim, Neji? – sua voz saiu suave, enquanto montava no colo dele - Tem alguma ideia de onde você se meteu?