Autor: Rapousa
Capa: i184.photobucket (ponto) com/albums/x306/Julinhah/caparealmentepronta2 (ponto) jpg?t (igual) 1189562316 (retirar os espaços e substiutir o que tem dentro dos parênteses pelos símbolos correspondentes)
Gênero: Comédia/Romance
Shippers: Harry/Draco... ou Draco/Harry (quem sabe :P?)
Resumo: Harry Potter sempre parece achar que é a única e mais infortunada criatura, se acha sozinho e o único com um grande problema, isso não é meio... emo? Já pensou se o mundo mágico não existisse, se Harry Potter e cia fossem brasileiros? Quem sabe um loiro surfista não pode aplacar os temores de um emo de olhos verdes... (Harry Potter x Draco Malfoy) (Universo Alternativo)
Capítulo 9 - Brigando
"Ah, o amor que nunca vou ter
a flor de minha idade se transforma em perseguição
todo o carinho nunca recebido,
agora desfruta de uma incondicional destruição
-
O mundo gelado e frio, cala e reprime
Porque não posso chorar?
Porque não posso ser eu mesmo?
Preso nesta casca que me envolve procuro
e não encontro nada
o vazio me preenche
-
Alone in the dark
No one to understand
My scars hurts me
You hurt me
-
O mundo gelado e frio, cala e reprime
Porque eu não posso deixar de existir?
Porque ninguém me entende?
Tão diferente de todas essas pessoas frias
eu não encontro nada que me complete
o vazio me preenche
-
And I'll die tomorrow
You'll die never understanding me
I'm seek, I'm scared, I'm all alone
And you'll die first!"
E em cima desse poema que Harry acabara de escrever pôs uma foto sua e de Draco. Pena que ele nunca conseguia convencer o outro a usar maquiagem, nem os olhos ele queria contornar! Contudo, obviamente pra isso servia a magia do Photoshop. Depois que começara a postar fotos com Draco – que Harry pelo menos convencera a fazer uma expressão menos sarcástica e enjoada do que a que ele usualmente expressava em suas feições – conseguia sempre ultrapassava o número limite de comments permitidos por fotos no seu fotolog. Então, por quê será que agora que acabara de postar outra foto maravilhosamente insinuante e com duas beldades masculinas como tema com um poema bem depressivo e tinha certeza de que lotaria seus comments mais uma vez, ele tinha uma das mãos apoiada no rosto e estava longe de se sentir o máximo ou se gabar internamente pelo sucesso ascendente?
Harry não saberia informar por quê estava tão triste agora. Ou será que saberia?
oOo
"Manhã chuvosa..." foi o que ele pensou assim que acordou na terça-feira fatídica, uma semana após o... acontecimento... ou encontro... ou amasso... ou, bem, seja lá o que tenha sido, na casa do Draco na segunda da semana anterior.
Não que nada demais tivesse acontecido após o beijo. Eles pareciam simplesmente os mesmo de sempre. Como se nada jamais tivesse acontecido, como se Harry não estivesse confuso e como se eles não tivessem feito nada demais. A normalidade voltara e Harry não poderia realmente reclamar. Viver assim era seguro, ele sabia o que esperar do dia seguinte e não se desesperava com sentimentos conflitante, pelo menos não a maior parte do tempo.
Ele suspirou ao sair do prédio, amaldiçoando internamente São Pedro ou quem quer que fosse que tomasse conta do envio de chuva à Terra. Justo hoje, justo neste dia que tudo que Harry queria era chegar tranqüilamente ao colégio, tinha que chover. Só porque ele andara planejando tirar a poeira da bicicleta e ir com ela hoje? Era isso? Um grande complô para destruir Harry Potter?! Então por que não o tinham matado logo no acidente que levara seus pais? Ah, não, ele tinha de ser deixado no mundo só para sofrer um pouco mais! Sozinho, abandonado e amaldiçoado!
Harry ajeitou o capuz do casaco, com essa chuva seu cabelo estaria um lixo até ele chegar na escola. Chapinha? Já teria ido para as cucuias há muito tempo! Ajeitou os óculos no nariz, tentando esconder sua expressão de desgosto com o mundo. Carrancudo assim ele foi o caminho todo até a escola, claro que não pudera ir de bike, e óbvio que o ônibus demorara, mas previsível ainda era ele se atrasar, novidade...
Harry já entrou pelo portão do colégio com sua pior cara de mau humor, braços cruzados e desafiando alguém a se aproximar para ralhar com ele pelo atraso. Vendo que ninguém viria pentelhá-lo com algum sermão, e com a consciência limpa por só estar perdendo uma aula de física – matéria na qual ele era um dos melhores alunos –, Harry tirou uma folha de papel meio abarrotada da bolsa, um lápis e resolveu começar a escrever um poema, o clima estava perfeito, completamente deprimente.
O menino ficou pelo menos uns quinze minutos apenas concentrado em escrever sua obra prima, sim, pois era impossível versos tão belos e intensos serem tratados como nada menos do que uma obra digna de um mestre. Ao terminar de escrever Harry resolveu reler as linhas que tinha tracejado, ali estava tudo que ele sentia, quase tudo que ele era, impossível alguma outra obra poder conter tanta profundidade de uma só vez! Oh, esse poema estava...
"Um lixo." disse uma voz arrastada e sarcástica por cima do ombro de Harry.
"Ein?" perguntou ele sem assimilar direito o que lhe era dito, ainda que houvesse se virado no mesmo instante ao reconhecer a voz que recentemente aparecia em sua cabeça como uma consciência paralela à dele. "Draco?" foi sua segunda pergunta.
O garoto loiro apenas levantou uma sobrancelha em resposta à última pergunta, e Harry pôde adivinhar que só aquele gesto dizia algo como: "Não, sou o coelhinho da páscoa. Sua anta!"
"Er... lixo? Do que você está..." Harry parou de falar, tomou nota de que segurava o seu poema na mão e que Draco parecia observar por cima do ombro dele instantes atrás, logo, como tinha uma pontinha de certeza que lixo não era um adjetivo que Draco usualmente usaria para ele assim, do nada, então lixo só poderia ser...
"Ei ei ei!! O que foi que você chamou de lixo? Meu poema?" perguntou Harry agora indignado. Draco então dirigiu-lhe seu sorriso mais sarcástico e desdenhoso.
"Poema?" disse ele como se a palavra soasse engraçada. "Um completo desperdício de tempo e de papel isso sim.", disse ele de forma agradável com o desdém mais cruel embutido em cada palavra.
Harry olhou para o menino pensando em xingá-lo. Porém, a verdade é que Draco não poderia entender muito de poesia. Primeiro porque não identificara de imediato a obra prima às mãos de Harry, e segundo, não era muito provável que um mauricinho parafinado e metido de fato se interessasse por poesia. Harry sorriu com pena.
Draco mantinha seu melhor sorriso superior e desdenhoso, estava só esperando Harry explodir, como sempre. O que lhe renderia alguma compensação pelo fato de essa droga de chuva tê-lo feito se atrasar para a aula e deixado-o estressado. Mas qual não foi sua surpresa quando o olhar que Harry lhe lançou se assemelhava mais ao olhar que se lançaria a um E.T. do qual você tem pena do que a alguém que acaba de te insultar. Por um milésimo de segundo Draco quase se deixou surpreender pela reação de Harry, mas no milésimo de segundo seguinte ele já tinha um ar desdenhosamente curioso. Ergueu levemente uma sobrancelha, numa espécie de pergunta muda.
O menino sorriu em resposta, um sorriso digno de uma tia velha e carinhosa para um sobrinho meio tapado. Draco sentiu involuntariamente o rosto corar, de raiva, é claro! Como aquele emozinho ousava sorrir pra ele dessa forma?!
"Oh, pobre criança... eu entendo que você seja ignorante quanto à beleza de uma poema, ou não saiba identificar uma obra prima... Não é todo mundo que tem essa capacidade, não se preocupe!" Harry sorriu docemente, e não pôde deixar de sentir uma pontada de diversão por ver o rosto de Draco corar ainda mais.
"Para sua informação..." começou Draco já zangado com a zombaria do outro, mas foi interrompido quando viu por cima do ombro de Harry o diretor do colégio vindo em suas direções.
Harry percebendo que o outro parara de falar e agora tinha o olhar perdido por cima de seu ombro, na mesma hora se virou para ver do que se tratava. O diretor estava acompanhado de uma senhora de aparência oriental, e Harry não pôde deixar de se perguntar quem seria. Ficou encarando a mulher, tentando imaginar de onde já a tinha visto.
"Ah, olá senhores!" cumprimentou Dumbledore ao reparar nos dois garotos.
"Olá, diretor." cumprimentou Draco.
"Olá, senhor!" disse também Harry.
"Essa é a sra. Chang, mãe de uma aluna nossa do segundo ano, a Cho." disse o diretor apresentando a mulher, e Harry enfim entendeu de onde a conhecia, era a mãe de Cho Chang.
"Ah, muito prazer!" disse Harry de imediato sorrindo largamente.
"Prazer." disse Draco sem olhar duas vezes para a mulher.
"Estes são nossos alunos do primeiro ano, Harry Potter e Draco Malfoy." introduziu Dumbledore apontando respectivamente para cada um deles.
"Oh, Harry! Minha filha já havia falado de você." disse a sra. Chang sorrindo para Harry, que sentiu seu rosto corar loucamente, então Cho já havia reparado nele? Tinha até falado com a mãe sobre ele! Harry sentiu suas entranhas se moverem de forma excitada.
"Fico lisonjeado em saber que sua filha falava de mim." disse Harry de forma mais sincera e entusiasmada do que pretendia.
"Ah sim, a Cho gostava muito de você."
"Mas, aonde ela está estudando agora? Porque ela saiu de Hogwarts?" perguntou Harry lembrando-se que infelizmente nunca mais veria Cho.
E surpreendentemente a sra. Chang riu do comentário do garoto. "Não, não, Cho não saiu do colégio. Ela está em intercâmbio na Coréia, volta logo agora depois das férias."
"Sim, e a sra. Chang veio tratar da volta de Cho, agora que terminará seu semestre de intercâmbio." emendou Dumbledore.
"Então ela vai voltar a estudar aqui? Logo depois dessas férias do meio do ano?" perguntou Harry empolgado.
"Exato." completou a sra. Chang sorrindo da empolgação de Harry.
Faltava só esse mês terminar e depois as curtas férias de julho para que Cho voltasse! Harry se lembrou nostalgicamente de como a menina era estilosa, seus longos cabelos pretos com pontas roxas, meias coloridas, saltos plataforma, os chaveiros que ocupavam toda a bolsa, as saias de prega com meia calça quadriculada por baixo... Ah, ela era quase uma popstar de tão perfeita e cheia de estilo!
"Bem, se a senhora puder me acompanhar até a diretoria sra. Chang..." disse Dumbledore guiando a mulher até a sala que ficava mais a frente no corredor logo após a recepção do colégio.
"Foi um prazer, rapazes", disse a mulher despedindo-se dos dois.
"Que nada, o prazer foi todo nosso." respondeu Harry todo sorriso. Draco apenas maneou a cabeça educadamente.
Harry acompanhou sonhadoramente Dumbledore e a mãe de Cho indo embora. Que senhora mais simpática e educada! E Cho havia falado dele para a mãe! Harry suspirou sonhador. Cho Chang, a menina com quem ele sonhara desde que entrara em Hogwarts havia reparado nele! Mesmo que seus encontros e conversas não fossem as mais longas e interessantes, afinal, sempre acabava ocorrendo algum incidente... mas ela iria voltar!
Um arrepio correu pela espinha de Harry, que se sentiu fuzilado por um olhar congelante, se virando, viu que o olhar pertencia a Draco, tinha além de tudo, um quê de desprezo profundo. Involuntariamente se encolheu com o olhar, sabendo que coisa boa não viria.
Draco levantou uma sobrancelha de forma desdenhosa.
"Por que você não lambeu logo o sapato da velha japonesa?" perguntou de forma fria e distante.
"Coreana. Cho é descendente de coreanos."
"Hunf" Draco soltou ar pelo nariz com desprezo. "Cho? Aquela japonesa maluca do segundo ano que se veste como uma árvore de natal ambulante?"
Harry sentiu como se tivesse levado um tapa na cara.
"Ár-arvore... de natal?!" Era sua vez de ficar corado de raiva. "Pois fique sabendo que ela é a criatura mais estilosa e poser que já passou por esse colégio! Não é como você que anda todo metido a playboyzinho escroto, a Cho é uma diva da moda, suas roupas têm um estilo próprio incopiável!" defendeu Harry de forma quase fanática.
Draco apenas encarou-o sarcasticamente, da forma que sabia que mais o incomodaria. Não iria responder a toda essa ladainha em defesa de uma japa que se vestia da forma mais ridícula que ele já vira, só não era mais ridícula que a forma que Harry se vestia.
"Quê foi? Eu tô falando a verdade, você é que tem inveja do poder dela!" disse Harry de fato incomodado com a falta de resposta e o olhar irônico de Draco.
Após esse comentário Draco não pôde evitar uma risada bem sarcástica.
"Inveja?! Por acaso eu sentiria inveja de uma menina? Ainda por cima uma que insiste em andar de forma ridícula pela rua!" disse ele ainda com um sorrisinho no rosto.
Harry se sentiu revoltado com as palavras dirigidas a Cho Chang. Ridícula?!
O menino abriu a boca, pensou em responder, mas preferiu se calar, não valia a pena estressar mais ainda o seu dia que já começara de mal a pior - tirando pela notícia de que Cho voltaria logo. Ele preferiu simplesmente se virar e voltar a encarar a folha de papel em que escrevera seu mais novo poema em forma de perfeição.
"Ha! Eu já disse que isso que você insiste em chamar de poema está um lixo, é melhor jogar fora antes que mais alguém leia isso e você passe vergonha."
Harry virou-se novamente para ele e fuzilou-o com o olhar.
"Isso aqui," disse ele balançando a folha de papel entre o rosto dos dois "é a obra de uma vida! É minha alma, meu ser, meu estado de espírito!!"
"Agora entendi porquê parece tanto com um lixo." disse Draco com um sorriso enviesado, cheio de desprezo.
PÁ!
TRIIIIIIIIIIM!
"Se eu sou um lixo, então não sei por quê você às vezes insiste em me beijar com tanto desejo!" Harry se virou ajeitando a mochila nas costas e foi para a sala, aproveitando que o sinal acabara de bater.
Draco pôs a mão aonde levara o tapa, viu Harry andando de forma pesada e mal humorada na direção da sala de aula. Aparentemente dessa vez fora um pouco longe de mais para o emozinho. Ainda com um ar abobalhado, começou a andar também em direção à sala. Física, para coroar esse dia que prometia ser uma merda. Saco!
Harry andou carrancudo e apressado até a sala de aula. Ao subir a rampa começou a amassar e a rasgar o poema que tinha escrito. Como alguém poderia ser tão cruel e insensível como Draco Malfoy? Que garoto mais estúpido, idiota, imbecil, mal educado, metido, insensível, convencido, sem noção, escrotinho e... Ah! Tudo o mais que alguém desprezível e infortunadamente egoísta poderia ser!!
Harry abriu a porta da sala um tanto quanto brutalmente, amassou novamente o que havia sido seu poema incrível e perfeito e tacou-o na lata de lixo, aonde mais ninguém mais pudesse lê-lo e humilhá-lo. Jogou-se na carteira ao lado de Neville - coisa que já não fazia há algum tempo. Estava sempre sentado com Draco, ou pelo menos razoavelmente perto dele. Obviamente, tinham de fingir que estavam ficando mais próximos, mais amigos, caso vazasse que eles eram um casal. Agora ninguém mais acharia que era completamente impossível, porém, hoje Harry não estava nem um pouco interessado em continuar com esse planinho medíocre. Afinal, até agora Pansy não parecia nem um pouco interessada em espalhar a história para ninguém. Malfoy idiota!
Harry se largou na cadeira sem reparar nos outros colegas de classe que o olhavam com curiosidade, ou ainda no professor que havia parado de falar e o observava desde entrara. De cara amarrada, Harry tacou a mochila encima da carteira e ficou de braços cruzados fitando o nada.
"Sr. Harry...?" perguntou o professor "Há algum motivo específico para ter entrado em sala de aula de forma tão tempestuosa?"
Acordando do transe e dissipando a aura de raiva que nele se instaurara, Harry olhou para o professor como se não houvesse reparado nele até aquele momento.
"Ah... professor Lupin." disse Harry como se o reconhecesse vagamente "Não, nada de errado, tudo certo." disse abrindo enfim a mochila e tirando de lá o caderno e o estojo.
O professor ainda observou Harry abrir o estojo de forma agressiva, porém, logo achou melhor continuar a aula, virando-se de novo para o quadro.
"Bem, como eu ia dizendo antes de sermos interrompidos..."
E a porta se abriu novamente. Só que dessa vez surgiu Draco Malfoy. Claro que ele não abriu a porta de forma tempestuosa e mal humorada como Harry fizera, porém, sua expressão foi suficiente para fazer o professor Lupin perder momentaneamente a fala. Draco tinha um olhar de choque, como se tivesse visto o fantasma de Einstein e este tivesse lhe dado um chute. Além de ter uma mão posta na bochecha, como se a face fosse cair a qualquer momento.
"Hum hum." pigarreou "Sr. Draco, eu ficaria muito feliz se o senhor entrasse logo e fechasse a porta, sim?" disse Lupin, pois Draco tinha o olhar perdido vagueando pelos alunos da classe, a mão ainda na maçaneta da porta aberta.
"Uhn." Draco apenas soltou um muxoxo, olhou rapidamente aonde Harry havia sentado e continuou seu caminho para o lado oposto da sala.
Se Harry não estivesse excepcionalmente interessado nas formas de sua lapiseira, teria notado que o olhar que Draco dirigiu a ele o teria surpreendido. Talvez ele esquecesse por um momento a sua raiva, talvez ele enfim entendesse o que estava sentindo, e talvez descobrisse que Draco sentia o mesmo. É possível que se tivesse olhado para Draco no exato momento em que os olhos do outro encontraram a sua pessoa, ele enfim percebesse tudo que deixara passar e enfim captasse a essência do outro e o porquê de eles sempre se implicarem tanto. Mas o fato é, Harry Potter não olhou naquele preciso centésimo de segundo para Draco Malfoy.
Harry escolheu analisar a sua lapiseira, e descobriu que ela tinha um pequeno furinho do tamanho de uma agulha na parte em que ele a segurava para escrever. Claro que isso jamais compensaria aquele efêmero segundo em que ele não olhou para Draco, mas enfim, nem sempre as coisas seguem pelo caminho mais fácil ou o mais prático. Por isso Harry, mesmo tendo feito uma nova descoberta, continuou mal humorado e carrancudo até o sinal do intervalo tocar.
"Então senhores, isso é tudo. Espero que de fato façam esses exercícios até a próxima aula." disse Lupin fechando o caderno que segurava nas mãos e dispensando a turma que apressadamente se levantou correndo para aproveitar o intervalo. Harry, ainda carrancudo, continuou rabiscando a mesa com sua lapiseira, como se aquilo de alguma forma fosse uma atividade remotamente interessante.
Draco se levantou do outro lado da sala no exato momento que o sinal tocou. Não pretendia ficar lá dentro, se Harry desse mais um ataque de loucura ele poderia acabar ferido, e como não pretendia macular de livre e espontânea vontade seu rosto ou corpo, preferiu sair no meio da 'multidão', aonde se sentiria um pouco mais protegido. Quando estava na porta Draco parou. Não podia sair assim... um emozinho chorão e estressadinho o batera. E bem, apesar dos pesares, sabia que fora sua própria culpa. Ele sabia que daquela vez fora um pouco longe de mais na ofensas... o que na verdade não justificava o tapa que levara, violência física nunca seria justificada por ofensas. Mas... nem tinha sido tão forte assim... Embora fosse uma ousadia sem limites alguém sequer pensar em agredi-lo fisicamente! Quer dizer... mas Harry não parecia do tipo violento.
Draco se deu conta de que estava parado à porta, e que a maior parte da turma já havia passado por ele. Vagarosamente se virou para onde sabia que Harry estaria sentado, viu o menino rabiscando freneticamente a mesa, a sua carranca era das piores. Draco pensou em falar algo, nem que fosse para irritá-lo mais... ou talvez pedir desculpas... tá, nada tão extremado assim. Talvez ele devesse apenas chamá-lo pra comer um croissant de chocolate (oh sim, porque ele sabia perfeitamente o quanto Harry gostava dessa bomba calórica vendida no colégio).
Olhando novamente para Harry rabiscando a mesa - só faltava sair fumaça pelas narinas - se pegou sorrindo. Ele era tão engraçado, tão bisonhamente semelhante a algo como fofo... Draco abriu a boca para convidá-lo a comer um bom croissant.
"Sr. Harry, gostaria de falar com o senhor em particular." a voz do professor Lupin soou pela sala, sobressaltando Draco e interrompendo-o antes de pronunciar ao menos uma sílaba.
Talvez, se Harry parasse um momento de rabiscar a própria mesa, tivesse visto Draco na porta olhando-o, e talvez metade de seus problemas tivessem sido resolvidos. Talvez o dia ficasse bom, talvez ele voltasse pra casa com um sorriso de orelha a orelha, ou talvez eles tivessem dado mais um passo a frente. Todavia, Harry novamente não olhou para onde ele deveria olhar, preferiu continuar rabiscando a própria mesa. Em troca, conseguiu ser chamado por alguém, mas quem o chamou não era a pessoa que o faria ter uma torrente de sentimentos diversos - e por vezes novos - ao mesmo tempo. Foi apenas o professor.
Ao ouvir Harry sendo chamado por Lupin, Draco deixou os ombros caírem, se virou e foi embora, a frase que ia dizer se perdendo eternamente no nada.
Bem, não importava mesmo, aquele emozinho depressivo e afrescalhado que se ferrasse! Draco levara um tapa, não podia depois dessa afronta simplesmente ficar oferecendo doces ao criminoso. Afinal ele nem falara nada de mais mesmo! Harry é que era estressado e precipitado! Ele que viesse pedir desculpas a Draco, afinal, Draco jamais levantara a mão para bater em alguém, nem em um emo imbecil daqueles! Que coisa mais estúpida e selvagem a se fazer! É, isso mesmo, o emozinho viesse rastejar aos seus pés, porque Draco não ia simplesmente fingir que não fora violentado fisicamente!
E foi pensando nisso e chutando tudo que aparecesse no chão a sua frente que Draco passou seu intervalo, e sem saber porquê, uma parte quase inaudível de si mesmo rezava secretamente para Harry procurá-lo, para que simplesmente não passasse a ignorá-lo para sempre. Claro, dar o braço a torcer estava fora de questão.
oOo
"Sr. Harry, gostaria de falar com o senhor em particular." disse o professor.
Harry desviou os olhos do borrão de grafite que produzira na mesa ao rabiscá-la com tanta intensidade e encarou o professor Lupin, do outro lado da sala, organizando papéis sobre a mesa. De forma ainda exasperada e meio contra a vontade, Harry levantou-se e foi até a mesa do professor ver o que ele queria.
Lupin esperou atento até o último aluno deixar a sala para enfim trancar sua maleta e se virar para o jovem.
"Harry, eu sei que você é um bom aluno em física, mas no geral você presta atenção às minhas aulas, o que houve hoje? Você esteve totalmente aéreo e desligado, além, é claro, daquela sua entrada nada discreta." Lupin encarou Harry, esperando alguma resposta.
Harry encarava seus allstars pretos, como se analisar o quadriculado que fizera de canetinha na borracha branca do tênis fosse algo interessante. Abriu a boca pensando em dizer algo, mas nada lhe veio à mente, então a fechou logo em seguida. O que poderia dizer para o professor? "Bem, é só que eu acho que estou gostando do Draco mais do que como amigo, às vezes ele parece me responder, mas em outras horas fica apenas me xingando e me humilhando. Só que hoje ele passou dos limites, então eu bati nele e agora estou com raiva porque acho que ele nunca mais vai olhar na minha cara e eu não sei o que fazer." Não, essa não parecia a coisa mais sensata a se dizer a um professor.
Harry soltou um suspiro exasperado, não tinha o que dizer e não fazia idéia de como despistar o professor.
"Bom, pelo que eu pude reparar no jeito do sr. Draco hoje, creio que aconteceu algo entre os dois." disse Lupin olhando Harry de esguelha esperando alguma reação, e não se decepcionou, pois Harry pareceu ficar inquieto com a afirmação. "Harry, só quero que entenda que além de aluno gosto de você como pessoa, e se eu puder fazer qualquer coisa para te ajudar, mesmo que só para um conversa entre... amigos, é só falar comigo, ok?" disse ele segurando o ombro do garoto de forma paternal.
"Ah... é só que, bem..." Harry soltou um suspiro, de alguma forma sentira conforto das palavras do professor. "O Draco fica sempre me humilhando e me zoando, e zoando tudo que eu faço ou gosto. Sempre que pode ele ri da minha cara, zomba de tudo, mas tipo, no geral eu zombo de volta, porque sei lá, é só o jeito dele. Mas hoje ele passou dos limites e bem, eu... eu acabei dando um tapa nele." Harry se sentiu envergonhado unicamente de mencionar o que fizera e seus fracos motivos. Como ele podia ter sido tão cabeça quente? Partir para a violência do nada? E bater em alguém que era quase um namora... amigo, só por causa de implicâncias? "Mas eu sei que estou errado," se apressou em acrescentar "não devia já sair saindo pra porrada." completou tristemente.
Lupin pareceu avaliar Harry por um momento, parecendo satisfeito ao final.
"Olha Harry... eu sugiro que você vá pedir desculpas a Draco. Creio que ele já deve ter consciência do que diz e percebeu que tudo tem um limite. Mas ainda assim, palavras de implicância não são motivos para violência física, você sabe."
Harry se sentiu ainda mais idiota. Claro que ele estava errado, não devia ter feito aquilo. No entanto, Draco bem que pedira! Aquilo que ele falara fora demais. Tudo bem zoá-lo como ele fazia com freqüência, mas hoje ele estava fora de si! É... aquele tapa não fora de todo o mal! Serviria para Draco aprender a abaixar a bola e ter um mínimo de respeito pelos sentimentos alheios.
"Olha Harry, eu tenho que ir se não me atraso. Mas o que eu te digo é, vale a pena perder o Draco por causa do orgulho? Se não te interessar a amizade dele deixe isso pra lá e passe a ignorá-lo, contudo, se ainda quiser tê-lo como companhia, vá falar com ele." completou Lupin pegando sua maleta e se dirigindo à porta. "Até a próxima Harry!" disse saindo.
Harry observou-o desaparecer de vista. Era impressão dele ou a forma como o professor colocara tudo parecia dizer algo a mais? A última frase que Lupin o pegara de supetão, ele não sabia exatamente por quê.
Será que Draco passaria a ignorá-lo? Motivos ele até teria... Harry perderia Draco? Quer dizer, perderia a amizade, não, melhor, o problema é que Harry perderia a nota em química! Claro, isso era um dos fatores mais importantes... certo? Bem, Draco ignoraria ele? Começaria a ser indiferente? Pelo menos assim Harry não teria de ficar ouvindo toda a zoação e brincadeirinhas sem graça dele, não ia precisar ouvir mais a sua voz arrastada, sarcástica. E isso deveria deixa-lo feliz! Porém, a palpitação desesperada que tomou conta de seu peito não parecia concordar com isso. Droga, ele precisava falar com aquele idiota parafinado, filhinho de papai, arrogante.
Harry andou apressadamente até a porta, quase em desespero. Sua mão ia à maçaneta quanto ele parou.
Ora... de uma forma ou de outra Draco merecera o tapa, por todas as vezes que ele passou dos limites sem perguntar se Harry estava pronto. E aquele beijo forçado? O primeiro de todos... aquilo sim merecia um tapa! Harry o havia apenas economizado e feito crescer com mais e mais motivos para não só bater bem como socar Draco até... até...! Bom, o fato é que Harry também não tinha que ficar se rastejando por alguém tão imbecil. Talvez depois eles conversassem, a oportunidade com certeza iria surgir. Mas ele não ia ficar procurando Draco por aí que nem um cachorrinho. Depois do que o loiro idiota dissera e fizera, ele podia muito bem esperar um bom tempo sem que Harry falasse com ele!
O jovem então deu meia volta e sentou novamente em sua carteira. Naquele momento tudo que ele queria era um bom croissant de chocolate, pena que havia esquecido a carteira. E o sinal já ia bater, de qualquer jeito...
oOo
Ah sim, Harry agora se lembrava porque estava triste e meio deprimido apesar do post que acabara de colocar em seu flog.
Bem, era a vida. Não tinha tido oportunidade nem vontade de falar com Draco ainda naquela terça-feira fatídica. Talvez na quarta as coisas ficassem melhores. Afinal era dia de fazer o trabalho de química. Será que Draco ainda ia querer fazer o trabalho com ele?
Girou distraidamente um apontador em cima da mesa do computador. Por que a vida dele tinha que ser tão terrível? O mundo era um lugar tão cruel, frio e inóspito de carinho e compreensão. Talvez fosse melhor apenas não viver, afinal, quem sentiria falta dele mesmo?
"Harry, sai logo daí! Anda, xispa! Que história é essa de ficar entrando no computador?! Quem te permitiu?" A voz de tia Petúnia adentrou os ouvidos de Harry como um balde de água fria em seus pensamentos melancólicos.
"Ah não enche! Eu só entrei por um minutinho!" replicou mal humorado.
"Esse computador é do Dudoquinha! Anda, caí fora, não quero que você quebre o computador!", disse Petúnia empurrando o menino do quarto do filho que deveria estar agora na academia.
"Aff, eu odeio essa família, odeio a vida, odeio todo mundo! Ninguém me entende e eu não posso ficar nem pelo menos um minuto em paz!!" gritou Harry correndo para o seu quarto e batendo a porta.
Petúnia apenas o observou. Como alguém podia ser um estorvo tão grande? Que menino estranho e bisonho ele se tornara, mesmo com todas as suas tentativas de torná-lo alguém normal. Será que ela falhara tão miseravelmente assim? Bem que Válter havia dito que não deviam ter criado o filho daquela hiponga da sua irmã, não podia sair coisa boa dali!
"Válter! Precisamos dar um jeito nesse moleque, ele está cada dia mais anormal!" gritou Petúnia para seu marido.
N/A: Dessa vez eu não demorei tanto para atualizar né ;P
Na verdade esse capítulo foi meio problemático, eu tinha escrito uma outra versão e detestei, embora pense em usar uma parte do texto futuramente, aí eu tinha empacado na parte que o Lupin aparece, mas então, depois de voltar da viagem de carnaval eu simplesmente resolvi terminar esse capítulo e aqui ele está :D
Eu só não estou atualizando mais rápido porque estou escrevendo duas outras fics ao mesmo tempo que essa, só que essas outras fics as pessoas só terão acesso quando estiverem prontas e terminadas, o que vai demorar um bom tempo xD Mas pelo menos quando eu começar a postá-las aqui no os capítulos não demorarão meses para serem postados xP
Anyway, espero que tenham gostado desse capítulo... huhuhuhuhu muita água irá rolar ainda :D
P.S.: Quanto a respostas das reviews, eu as ponho aqui mesmo na fic pra que todos possam vê-las e caso a dúvida de um seja a de outro todos tenham acesso, além é claro de algumas informações sobre a fic que por ventura possa vir numa resposta de review e tals, aí os mais curiosos verão algumas dicas (ou não) sobre o futuro. De qualquer jeito, é fato que eu leio e respondo todas as reviews, porque gosto muito³ delas n.n
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Matt. M. P.: Nessa vida de mercenária nós tem que fazer o que pode para se virar u,u... xP Bem taí mais um capítulo, espero que tenhas gostado :D
DW03: Cara... vô te contar que a idéia do fanho foi só pra ficar engraçado mesmo xP Nem pensei em nada conspiratório não, até porque acho que não tinha como alguém saber que eles tavam naquele amasso todo :P Foi mais tipo, aquela maldita pessoa que te liga nas horas mais impróprias e ainda pra falar besteira, tipo a famosa 'lei de Murphy' e tals. E quanto a Gina... uhn, aguarde e verá ;P
Kalyl Clyve: Adorei seu review XP Mas tipo, nem foi a Pansy que ligou não, foi só uma fanho tapado aí da vida... A não ser que a Pansy tivesse instalado um sistema de câmera e áudio secretamente no quarto do Draco o.o Oh meu deus! Será possível o.o? Agora fiquei com a pulga atrás da orelha xP E obrigado pelo apoio n.n
Sarih: Obrigado pelos parabéns E é, eu acho que ninguém gosta da dona Carolina... pobre coitada i.i Mas de qualquer jeito, bem, pelo menos dessa vez não foram 3 meses sem atualizar xP!
Rafael9692: Bom, um fã com sono ainda é um fã ;P E espero que você não tenha estado com sono demais e depois simplesmente tenha esquecido que leu essa fic o.o Sei lá, vai que você na verdade é sonâmbulo O,o Ok, chega, parei de viajar! E valeu pelo review n.n
Mathew Potter Malfoy: Feliz ano novo ultra atrasado pra você também xP! E bem, quando ao vestibular, você fala agora com um universitária de engenharia ;Dd XB
Donah Black: Thanks :D E aguarde mais capítulos n.n
Carolzita Malfoy: Que bom que ce ficou feliz com a última atualização :D Mas pelo menos dessa vez eu não demorei tanto pra atualizar xP Cara.. eu ri muito imaginando você pulando pela casa xD Anyway, espero que esse novo cap te agrade também n.n
Cissy Belly Black: Bem esse cap não foi nem D/G nem H/G nem qualquer outra coisa além de meio D/H apesar dos desentendimentos... e bem, quem sabe no próximo cap nós não teremos uma dessas coisas ;P? Ou talvez nenhum delas, ou talvez só um relance de qual delas aparecerá no futuro? Ou então... sei lá, são muitas possibilidades ;B E quando ao nome da Gina.. sei lá, Ginevra pode até ser um nome de pobre aqui no Brasil num é? No nível de Cremilda sei lá xD Bem, nem sei se o nome dela 'de verdade' vai aparecer mesmo...
Misu: Morreu? Não?! Droga! E lá se foi meu plano de que você morresse esperando u,u. Anyway, aqui tá outro capítulo xP
Emily Anne Black: Bom, o Harry já é meio emo nos livros não é mesmo xP? Todo aquele papo de que ele é imcompreendido e tals. É... minha imaginação às vezes consegue ser fértil de mais... tenho que me controlar de vez em quando x.x
Sy.P: De fato o Draco está irritante x.x Mas ele já é meio assim mesmo nos livros... eu não podia deixa-lo um doce², fora que assim dá mais graça de ler e escrever ;P E Harry - Aroldo foi uma idéia interessante õ.ó até que se encaixa... E é claro que eu li o seu comment, eu leio todos e às vezes mais de uma vez xP
Karol Misao: É isso ae, emos x surfistas ;Pd Esse capítulo nem deu pra eu te dar pra betar porque não apareceste online :X
Inu: Que bom que gostas-te n.n
Felton Blackthorn: A festa de aniversário provavelmente será no próximo capítulo ;P E aquela cena de cinema foi muito² divertida de escrever tb n,n
Lara-chan: Bom... e olha que tem gente que as vez reclama que eu tô pegando leve de mais na 'pegação' entre os dois xP Mas que bom que ce tá gostando n.n É realmente muito bom saber que as pessoas estão curtindo :D
