UM PEIXE FORA D'ÁGUA
PADALECKI ALTERNATIVE UNIVERSE
CAPÍTULO VIII
- Quem é Megan?
- Uma garota com quem andei saindo.
- Namoro ou amizade?
- Nem uma coisa nem outra. Apenas trabalho.
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- Chateado, J-man? Problemas com o Tahmoh?
- Não. Conosco está tudo bem. Problemas de família. Minha irmã Megan me ligou ontem à noite. Chorando. Parece que ela estava saindo com um cara há coisa de uns seis meses e estava toda animada. Fazendo planos, de casamento inclusive. E o cara sumiu do mapa. Literalmente. Entregou o apartamento, não deixou endereço, o celular não completa chamada e, desde então, ele não fez mais nenhum contato. Ela está inconsolável.
- E, se bem me lembro, essa não é a primeira desilusão amorosa da sua irmã.
- Não mesmo. Coitada da Meg. Embarca em cada furada. Antes, eu estava lá para protegê-la. Mas, agora ...
- Sua irmãzinha cresceu, Jared. Mesmo que você continuasse morando com eles, ainda seriam a vida dela e as escolhas dela, não importa se certas ou erradas. Restaria a você consolá-la, como, aliás, está fazendo.
- É! Mas, o cafajeste saberia que ela tem um irmão que se importa com ela. Mas, eu vou atrás deste mau caráter e vou ensiná-lo a respeitar uma garota de família.
- Três anos de pós-graduação em Direito e, basta alguém mexer com a irmã, para o respeitado advogado voltar a agir com base em códigos de honra do século retrasado. Justiça com as próprias mãos só continua existindo em lugares atrasados como esse de onde você veio. É como dizem: você tira o sujeito da favela, mas não consegue tirar a favela de dentro do sujeito.
- Você fala isso porque não foi com a sua irmã. Ou, talvez, porque a forma como esse cafajeste agiu não tenha sido muito diferente da forma como você próprio agiu no passado. Você bem que merecia uma coça pela forma canalha como iludia os pobres garotos. Ou pensa que, por serem rapazes, eles sofreram menos.
- Hoje, eu tenho plena consciência de que agi como um canalha. Se eu pudesse voltar no tempo, juro que faria diferente. Você está certíssimo. Eu merecia mesmo ter levado uma coça. Sorte minha nenhum deles ter um irmão grande e forte como você. Se bem que o mais provável é que esse irmão grande e forte também acabasse se apaixonando por mim.
- Você brinca, mas podia muito bem ter acontecido. Enfim, são águas passadas. O importante é que você reconheceu seu erro e mudou de atitude. Mas, se ninguém fizer nada, quem garante que esse patife não vai continuar se aproveitando da ingenuidade de garotas como a Megan?
- Dito isso, me esclareça quais serão os seus próximos passos. Você vai caçar o rapaz e vai aplicar-lhe um corretivo no melhor estilo mafioso. E depois? Vai fazer o quê? Só falta você me dizer que vai obrigá-lo a se CASAR com a sua irmã. Jared, quando o cara não presta, o melhor é que desapareça de uma vez. Já imaginou se o cara resolvesse sumir depois que eles estivessem casados ou com a Megan grávida?
- GRÁVIDA? Acha possível qu .. ? Se esse DESGRAÇADO engravidou a minha irmã e sumiu, eu MATO o FDP.
- CALMA, Jared. SENTA e se acalma. Agora, respira fundo. Vai ver que não é nada disso. Ele pode ter sumido por outro motivo qualquer. Nada de tomar atitudes precipitadas ou extremas. E, depois, lembre-se que podemos estar falando do pai do seu futuro sobrinho ou sobrinha.
- Você fica brincando, mas, se foi mesmo isso, eu não vou deixar barato. Eu faço PIOR que matar ou quebrar o sujeito. Eu arranco até o último centavo do infeliz para o pagamento da pensão alimentícia do meu sobrinho e, se o desgraçado não pagar, eu meto ele na cadeia.
- É assim que um homem civilizado age, J-man. Agora sim você falou como um verdadeiro advogado. Estou orgulhoso de você.
- Falando sério, Chad. A Megan me preocupa.
- Eu não conheço a sua irmã tanto quanto gostaria, mas sei que, na comunidade, existe uma pressão social muito grande para que as moças de família casem cedo. A Megan e seus pais vivem essa expectativa e isso não é bom. O casamento não pode ser a única forma de realização de uma garota nos dias de hoje. A Megan precisa conviver mais com pessoas que tenham outras expectativas e outros interesses. Por que você não aluga um apartamento para ela aqui mesmo em Manhattan? E não me diga que o problema é o preço dos aluguéis, porque, se for esse o caso, você me fala e eu me responsabilizo pelo aluguel. Trata-se de investir num futuro melhor para a sua irmã.
- Você está certo, Chad. Obrigado pelo oferecimento. Eu sei que é de coração. Mas, a Megan é responsabilidade minha. E o que eu recebo no escritório daria para sustentar umas cinco famílias. Amanhã mesmo eu começo a procurar um apartamento para a Meg.
- Pode deixar que eu trato disso para você. Eu tenho um corretor de confiança. E peça para a Megan me enviar um currículo. Melhor, mande ela me procurar aqui em casa. Ela vai trabalhar em um dos meus negócios. Eu vou ligar para os diretores de RH de todas as minhas empresas e ver onde é possível encaixá-la. Vou buscar várias opções. Ela escolhe a que mais se identificar. Se for preciso, a empresa dá o treinamento necessário.
- Obrigado, Chad. Não vou perder tempo discutindo, porque sei que não ia adiantar mesmo. Mas, também porque, neste caso, você está coberto de razão. Já passou da hora de eu tirar a minha irmã de lá.
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- Desculpe aparecer na sua casa tão tarde e sem avisar. Mas, como eu sei que você não é de dormir cedo ...
- Bobagem! Você é de casa, Jared. Pode aparecer à hora que quiser. Mas, confesso que estou surpreso. Duas visitas no mesmo dia e você chegando a essa hora? O que está pegando?
- O assunto ainda é a Megan. Mas, o que está me preocupando agora não diz respeito diretamente a ela. Tem mais a ver com o namorado que sumiu. Parece que tem muito mais coisas por trás dessa história do que eu estava sabendo ou poderia imaginar. Eu vou te contar o que eu descobri e depois você me diz se é só paranoia minha ou se eu tenho mesmo bons motivos para ficar preocupado.
- O lance da gravidez ..
- A Meg me garantiu que não há a menor hipótese dela estar grávida. Os dois nem mesmo chegaram a ir para a cama. E parece que só não aconteceu porque ELE deu para trás, porque se dependesse da Meg ... Ah! .. Chad, deleta essa última frase minha.
- Jared, podem me acusar de tudo, menos de ser moralista. E, se é isso que o preocupa, eu não vou fazer um 'mau juízo' da sua irmã porque ela quis transar com o namorado. Nem que ainda estivéssemos nos velhos e bons tempos de vovô garoto. Se quer saber, acho uma atitude bastante saudável. Estranho seria se ela não quisesse. É isso que você deve ter em mente. A sua irmã tem desejos e já está na idade de ter essa experiência. Conforme-se, meu amigo, porque, se é que não aconteceu ainda, não demora e a sua irmã fazer um cara de sorte viver momentos de extrema felicidade.
- Chad, você acertou em cheio quando disse que, ainda hoje, eu me deixo guiar pelos conceitos 'ultrapassados' que meus pais e as pessoas de respeito da minha comunidade sempre me disseram serem os corretos. E, por mais espantoso que isso possa parecer a seus olhos, muitos destes conceitos ainda fazem muito sentido para mim. Neste caso, por exemplo. Eu olho para a Meg e ainda vejo uma menininha. Eu ainda me coloco no papel do irmão que tem a obrigação de tomar satisfações do garoto que puxou a trança dessa menininha. Não sei se isso um dia vai mudar. Ou mesmo se eu quero que mude.
- Se foram esses conceitos que moldaram o seu caráter, eu diria que o resultado final foi bastante satisfatório. Não digo para esquecê-los, mas para usá-los com moderação. Sempre com senso crítico e lembrando o que diz a letra fria da lei.
- Obrigado, Chad. Nós fazemos uma boa dupla. Obrigado por bater forte todas as vezes que foi preciso.
- Você também tem uma mão pesada, Jared. Nunca deixou de me jogar na cara as verdades desconfortáveis que eu precisava escutar. E é isso que eu espero de um amigo. Que não passe a mão na minha cabeça quando me vir agindo errado.
- Se for preciso, eu te dou umas porradas também.
- Aí que eu gamo de vez.
- Babaca!
- Eu também te amo, cara.
- Eu estou me sentindo culpado de não ter procurado saber mais sobre esse sujeito que a Meg estava namorando. Até ela me ligar chorando, eu achava que esse era apenas mais um namorico inconsequente como outros que ela teve antes. Mesmo depois de escutar o final da história, eu continuei achando que a Meg estava levando esse namoro mais a sério do que deveria. Engano meu. Não era um namorico. Já havia todo um clima de noivado, uma expectativa de casamento. O sujeito conquistou não só a Meg, mas a família inteira. Eu falei hoje com meus pais e eles se recusam a acreditar que alguém tão adorável e tão respeitador tenha aprontado com a Meg. Acham que tudo não passa de um grande mal entendido e que o sujeito vai aparecer a qualquer momento e esclarecer tudo. Minha mãe está preocupada porque acha que, para ele ter sumido, é porque alguém o ameaçou e que algo de ruim pode ter acontecido com ele.
- E por que sua mãe acha isso?
- Esse cara que namorou a Meg é de fora da comunidade e andou entrevistando moradores antigos.
- Isso até faz sentido. Um cara de fora da comunidade que chega fazendo perguntas. Algum chefão do crime local pode muito bem ter achado suspeito ou se sentido ameaçado.
- Quando a minha mãe falou, eu até considerei essa possibilidade. Mas, à medida que eu fui me inteirando dos fatos e descobrindo o tipo de perguntas que ele fazia, tenho certeza que não.
- Agora, cá entre nós, isso de namorado muito respeitador é coisa de gay que não saiu do armário.
- Não duvido nada. Mesmo porque o verdadeiro interesse desse sujeito nunca foi a Meg. Tudo leva a crer que esse cara apenas usou a Meg e o resto da família para chegar até mim.
- Como é que é?
- Paciência que eu já chego lá.
- Você está dando muita volta, Jared. É sinal de que as informações ainda estão bagunçadas na sua cabeça. Você saiu daqui de manhã dizendo que ia passar no escritório. Ao invés disso, você foi à casa dos seus pais. Estava com a Megan até essa hora?
- Chad, desculpa! Eu devia ter avisado. Sei que foi falta de profissionalismo. Mas, não adiantava eu ficar no escritório. Eu me conheço. O trabalho não ia render. Eu não ia conseguir me concentrar em processos e recursos sem antes tirar toda essa história a limpo. Essa hipótese da Meg ter engravidado ficou martelando na minha cabeça.
- Quanto ao escritório, não esquenta. O pessoal sabe se virar. Eles teriam feito contato se tivesse aparecido um problema mais sério. Quanto à sua irmã, eu devia ter imaginado que você ficaria assim.
- Eu passei metade da tarde escutando a Meg disser o quanto o cafajeste era carinhoso, compreensivo e maravilhoso. Enfim, o namorado perfeito. Foi preciso muito autocontrole, porque a minha vontade era gritar para ela deixar de ser idiota e parar de defender o cafajeste. Mas, não deu para escutar calado ela dizer que não entendia o que ELA fez de tão errado para que o canalha resolvesse ir embora. Depois de tudo, a coitadinha ainda se acha culpada pelo mau-caratismo do pilantra. Resultado: fui lá consolar e sai deixando a Meg mais arrasada do que ela já estava.
- A Megan ainda vai precisar de um tempo para conseguir ver a situação com o distanciamento necessário.
- Não é fácil aceitar que a pessoa que a gente ama traiu a nossa confiança.
- Isso é uma indireta? É ainda aquela velha história minha com o Brandon?
- Não. Nós não combinamos que nunca aconteceu? Por que eu me importaria com algo que nunca aconteceu? Eu quis dizer que no fundo eu entendo como a Meg está se sentindo.
- Exato! É da Megan que estamos falando. Você a deixou chorando e aí?
- Eu ainda fiquei um tempo trocando ideias com os meus pais, mas voltei a me aborrecer. Meus pais parecem estar mais preocupados com o que possa ter acontecido com o cafajeste do que com o estado emocional da Meg. Saindo de lá, eu fui procurar o Jeff no escritório de contabilidade. Eu queria saber mais sobre o sujeito. Informações mais objetivas. Algumas coisas que a Meg e meus pais disseram fizeram acender uma luz amarela. Falando com o Jeff, acendeu a luz vermelha. Depois de arrancar tudo que o Jeff sabia e de ter dado um esporro nele por não ter me contado antes, eu pedi que ele me levasse para falar com as pessoas da comunidade que o sujeito procurou e as que tiveram, por qualquer motivo, um contato maior com ele. E, aí, não foi só a luz vermelha que começou a piscar. Disparou uma sirene que ainda não parou de tocar. E, quanto mais eu penso a respeito, mais tudo me parece suspeito.
- O que você descobriu?
- O cara apareceu na comunidade oito meses atrás se dizendo escritor. Disse que veio fazer uma pesquisa de campo que o ajudasse na construção dos personagens de um romance que teria um núcleo ambientado em uma comunidade pobre de maioria latina e negra. Morar na comunidade lhe permitiria uma imersão no universo dos personagens. O que, no teatro, é chamado 'fazer laboratório'. Por conta disso, ele alugou um apartamento mobiliado na parte da comunidade que concentra o comércio, pagando um ano adiantado, em dinheiro vivo. Ele se aproveitou da informalidade reinante na comunidade para não assinar contrato de aluguel e não apresentar documentos.
- Até aí ...
- Acontece que o personagem principal do romance seria um jovem branco que cresceu nessa comunidade e que, usando de artifícios pouco ortodoxos, saiu de lá e tornou-se um rico e respeitável advogado.
- E qualquer semelhança com fatos e pessoas reais terá sido mera coincidência.
- Eu não acredito em coincidências. E, convenhamos que, neste caso, a coincidência é grande demais para ser somente coincidência. Principalmente, sabendo que esse sujeito se envolveu com a minha irmã, se enfiou na casa dos meus pais, virou o queridinho da minha mãe, assistiu partidas de baseball na TV com meu pai, bebeu cerveja com meu irmão, jogou basquete com antigos colegas do ensino médio e aproveitou todas as oportunidades que teve para fazer perguntas sobre a minha vida. E não é só isso. Todas as pessoas da comunidade que sabemos com certeza que ele entrevistou estão, de uma forma ou de outra, ligadas a episódios importantes do meu passado.
- E você não fazia a mínima ideia de que isso tudo estava acontecendo na sua família?
- Eu sabia que a Meg estava namorando, mas até aí nada de mais. Lembro também da minha mãe enchendo a bola desse namorado, dizendo que ele era uma excelente pessoa, que não tinha vícios, que era muito prestativo, e que ela estava feliz pela Meg ter, finalmente, acertado na escolha de um namorado. Eu confiei na avaliação da minha mãe e fiquei despreocupado.
- Mas, você nunca viu o rapaz? Nem mesmo por foto? Isso em plena era das selfies e das redes sociais?
- Só quando olhamos em retrospecto é que eu e o Jeff nos demos conta de uma série de estranhezas que, nestes meses todos, passaram despercebidas. Pensa bem: o sujeito não saia da minha casa, mas, por uma estranha coincidência, não estava presente em nenhuma das ocasiões que eu estive lá. Nas datas festivas, quando a família estava toda reunida e seria esperado que nos encontrássemos, como no último aniversário da Meg ou no Dia de Ação de Graças, o que aconteceu? Ou ele saiu antes de eu chegar ou chegou depois que eu saí. E tem mais. Para quem fazia tantas perguntas e mostrava tanto interesse sobre a minha vida, porque ele nunca pediu à Meg que nos apresentasse para que eu próprio matasse essa curiosidade? Pelo contrário, ele desestimulava a Meg a marcar programas que me incluíssem, usando as mais variadas desculpas.
- Mas, e as fotos? A Megan DEVE ter fotos dele.
- Segundo a Meg, ele evitava ao máximo aparecer em fotos e detestava selfies. Dizia que em fotos de família é a família que tem que aparecer ou que não nasceu para ser modelo. Para não aparecer nas fotos, ele normalmente se oferecia para ser o fotógrafo.
- Não chega a ser uma atitude suspeita. Conheço muita gente que é assim.
- Nas poucas fotos em que aparece, ele sempre dá um jeito de não mostrar o rosto. A Meg transferiu algumas fotos para o meu celular. Está vendo? Nesta, ele usa uma almofada para cobrir o rosto. Nesta outra, segura um cachorrinho. Um balão. Nesta, a mão espalmada. O que mais tem é foto da mão dele fazendo o sinal de positivo ou o V de vitória. Além disso, ele estava quase sempre de boné e óculos escuros ou usando um desses abrigos que tem um capuz integrado. Como nesta foto. O rosto está sombreado e ele está com a barba crescida. Nesta, ele abraça a Meg por trás e só vemos os óculos escuros e o boné.
- Mesmo assim. Eu conheço as mulheres. A namorada sempre pede uma foto bonita do namorado, ele sozinho em destaque na foto, para colocar num porta-retratos em cima da mesa de cabeceira para ela poder acordar e ver o cara sorrindo para ela.
- Verdade. Eu lembro que, desde garotinha, a Meg sempre teve um porta-retratos com a foto de algum rapaz na mesinha de cabeceira dela. Antes dela ter um namorado, era algum ator ou cantor por quem ela se dizia apaixonada.
- E aí?
- Não me lembro de ter visto o porta-retratos hoje. Não sei se vi nas vezes anteriores. Posso não ter prestado atenção.
- Procura descobrir. Essa foto, se existir, seria perfeita.
- Está certo. Vou insistir com a Meg. Pode ser que ele apareça nas fotos de alguma outra pessoa. De uma amiga da Meg, talvez.
- E o seu irmão não tem nenhuma pista do paradeiro deste cara?
- O Jeff me disse que a Meg já seguiu todas as pistas possíveis e imagináveis, mas parece que ele sumiu sem deixar rastros. O próprio Jeff já tinha buscado informações com as pessoas da comunidade que poderiam saber alguma coisa e também não descobriu nada. Eu mesmo perguntei hoje para os conhecidos que encontrei e nada.
- Concordo que é tudo muito suspeito. Se esse cara está usando de subterfúgios para levantar informações sobre o seu passado, ele não pode estar com boas intenções. Isso é muito sério. A gente precisa descobrir o que esse cara pretende. Quem esse cara é na verdade. Sabendo o nome dele, fica fácil levantar as informações.
- Ele se apresentou como Tom Hanniger, de Houston, Texas. Ele teria mais ou menos a nossa idade, ou talvez um pouco menos. E é um cara bonito. Meu irmão disse, brincando, que se eu visse o sujeito, eu era bem capaz de querer disputá-lo a tapa com a Meg e que devia ser por isso que ela nunca me apresentou o namorado. Medo que eu roubasse o namorado dela.
- Para a Megan agir assim, algum motivo ela deve ter. Você dava em cima dos paquerinhas da sua irmã, J-man?
- Que ideia! É claro que não! Minha irmã é dez anos mais nova do que eu. Os paquerinhas dela eram todos pirralhos. Ela é que passou várias semanas suspirando pelo Tahmoh.
- A culpa foi inteiramente sua. Você devia tê-lo apresentado como seu namorado e não como um amigo divorciado, pai de duas filhas pequenas.
- Se a sua ideia era me fazer sentir ainda mais culpado em relação à Meg, você conseguiu.
- Águas passadas. Vamos focar no Tom. Já sabemos que é um cara gostoso, está na faixa dos trinta e é branco. E o que mais sabemos da figura dele?
- O Jeff o descreveu como sendo branco, pele bem clara, alto, mas não tão alto quanto eu, louro como você, isso dito pelo meu irmão, cabelos curtos, olhos verdes, bonito de rosto e com um corpo legal, sem marcas ou tatuagens visíveis.
- Espera aí. Tem certeza que o nome é esse mesmo? Tom Hanniger?
- Conhece o sujeito?
- Conheço não uma pessoa, conheço um personagem com esse nome. Você também viu o filme. My Bloody Valentine. Tom Hanniger é o namorado perfeito que, no final, se revela um psicopata e sai matando todo mundo.
- Depois de tudo que eu descobri hoje, faz todo o sentido que ele tenha dado um nome falso. Isso só reforça essa suspeita. Acha que ele escolheu esse nome para passar uma mensagem?
- O que eu sei é que não podemos arriscar. Graças ao meu avô, eu tenho vários contatos no FBI. Eu vou cobrar uns favores e pedir que investiguem esse Tom Hanniger.
ESCLARECIMENTOS:
1. Jared e Tahmoh mantêm um relacionamento discreto há pouco mais de 1 ano. Nem secreto nem alardeado.
2. Nesta fic, a diferença de idade entre os personagens Jared e Megan é maior que entre o ator e sua irmã arquiteta, agora também escritora de livros infantis. Megan tem agora 20 anos (ainda não tem maioridade plena) e Jared tem 32. Jared se refere a Megan no CAPÍTULO VI como sua irmãzinha chata. Na ocasião, ela tinha 10 anos.
3. Nos EUA, Direito é sempre um curso de pós-graduação e, ao final, é necessário ser aprovado no equivalente à nossa Ordem dos Advogados. Entre entrar na graduação e tornar-se advogado são, pelo menos, 7 anos. Com tão pouco tempo de formado (3 anos), por mais brilhante que seja, Jared nunca teria alcançado uma posição relevante numa banca tradicional de advocacia se não fosse amigo do dono. Lembrando que Jared entrou na faculdade com a idade que alguns saem graduados (22 anos). O que fez diferença foi ter começado a estagiar no escritório Murray desde o primeiro ano da graduação, ou seja: antes mesmo de iniciar o curso de Direito.
4. No remake de 2008 de My Bloody Valentine (Dia dos Namorados Macabro), Tom Hanniger é interpretado por Jensen Ackles.
22.07.2016
