Capítulo 9

"Não está meio tarde para uma volta?"

Eles já estavam no jardim. Draco ia à frente andando com passos largos. Havia poucas luminárias do lado de fora da mansão. Pelo menos depois que você entrava na floresta. Um poste de luz a cada vinte passos. Draco parecia saber exatamente para onde estava indo, em momento algum demonstrou dúvida sobre qual direção seguir. Ao menos era o que Ginny esperava. Ela mesma já não sabia o caminho de volta. Estava tarde e todas as luzes da mansão já haviam se apagado. Os pinheiros de cinco metros da floresta não permitiam ver muita coisa ao longe. Draco andava com segurança. Rápido e ágil. Ginny tinha dificuldades. Já estivera na Floresta Proibida muitas vezes. Esse ano principalmente, devido às detenções de Filch. Mas nunca se acostumara a andar em terrenos cheios de declines e buracos. Não tinha metade da agilidade que Draco tinha. Desejou desesperadamente uma vassoura.

"Qual é, Ginny!" ela levantou a cabeça e viu Draco encostado de lado em um pinheiro com um sorriso divertido, ele sequer arfava! "Estamos quase chegando. Você não vai me pedir para te carregar, né?" dizendo isso voltou a andar.

Quando Ginny já estava considerando a idéia de ser carregada ela viu uma claridade vindo de certo ponto da floresta. Quanto mais se aproximava, maior parecia a intensidade da luz. Andou mais uns vinte passos até chegar ao local. Malfoy já estava lá.

Vários postes de luz formavam um circulo enorme. Pelo menos três vezes maior que o seu quarto na mansão Malfoy. No centro dele uma árvore que Ginny não saberia dizer qual era. Mas era monstruosa. O galho mais fino tinha duas vezes o diâmetro da cintura dela. E, apesar de inacreditável, o tamanho não era a coisa mais fantástica da árvore. E sim o fato de haver uma casa nela. Não uma casinha comum, sobre poucos galhos. Era uma casa por toda ela. Com vários andares, níveis, sacadas, portas e janelas de diferentes formatos e tamanhos. Escadas, escorregadores, cordas, trapézios. E, acima de tudo, deveria ter a área total maior do que a Toca.

"Legal, né?"

Malfoy perguntou sem tirar os olhos da casa. Ginny percebeu um leve sorriso de orgulho.

"Foi você quem construiu?"

Draco riu.

"Você está louca? Minha mãe jamais me deixaria mexer com obras. Além do que, nessa época eu nem tinha varinha. Não tinha como construí-lo."

Ginny concordou com a cabeça e já ia dizer que ele poderia ter feito aquilo do modo trouxa quando Draco voltou a falar.

"Minha mãe fez para mim." Ele disse com os olhos brilhando provavelmente pelo reflexo das luzes "Ela sempre quis uma filha menina para brincar de casinha. Depois que eu nasci, meu pai não queria mais filhos. Então ela construiu uma casinha e chamou de forte. Passávamos a maior parte das minhas férias aqui. Meu pai sempre ocupado demais para desconfiar."

Ginny olhou surpresa para ele.

"Desconfiar?"

Draco continuou a olhar seu forte.

"Meu pai diria que isso era brincadeira de menina e acabaria demolindo o forte. No fundo eu sabia que os outros meninos não brincavam de casinha, mas aqui eu tinha minha mãe só para mim. E ela estava feliz mesmo eu não sendo uma garota."

Ele ficou quieto de repente e Ginny imaginou que ele deveria estar lembrando de Narcisa. A Narcisa da vida real que não era fria e indiferente. Pelo menos não com ele.

Por um impulso ela chegou mais perto dele e segurou sua mão. Draco olhou para ela com a testa franzida em uma expressão confusa. Ginny respondeu com um sorriso.

***

"Porque você não me mostra como é lá dentro?" A voz dela foi suave. E combinava perfeitamente com o sorriso em seu rosto.

Draco apertou um pouco mais a mão dela e seguiu em direção ao forte. Procurava a primeira entrada secreta. Sua mãe não tinha economizado na imaginação quando projetou a casa. Enquanto ajudava Ginny a descer as escadas para a entrada subterrânea, começou a lembrar da primeira vez que esteve lá. E quando desceu atrás dela, a emoção foi praticamente a mesma. Fazia, pelo menos, uns cinco anos que ele não entrava lá. No segundo ano de Hogwarts, quando entrou para o time de Quadribol, começou a sentir-se adulto demais para brincar de casinha. Narcisa ficara deprimida, mas nunca insistiu no assunto. Ele nunca mais voltou ao forte e acreditava que nem sua mãe.

Não estava igual. Era uma versão trouxa do seu forte. Os móveis eram feitos de bambu trançado, diferente dos originais que tinham sido feitos de raízes magicamente retorcidas e que saíam das paredes de barro. Mas estavam todos exatamente nos mesmos lugares. E Draco podia ver todas as entradas secretas.

Ginny largou sua mãe e ele teve vontade de pegá-la de volta. A garota foi andando pelo nível subterrâneo e passando delicadamente as pontas dos dedos nas superfícies, inconsciente do leve franzido que tinha entre suas sobrancelhas. E então ela olhou para Draco e sorriu.

"UAU!" sua voz saiu baixa, como se ela tivesse medo de que, se falasse alto demais, o lugar desapareceria em pó.

"Você ainda não viu nada!" ele sorriu também.

Draco foi até uma poltrona e levantou o seu assento. E lá estava a primeira passagem. Pegou a mãe de Ginny e entraram no corredor iluminado por várias pequenas luzes.

***

Quanto tempo eles passaram lá era um mistério para Ginny. Havia tantas portas, passagens e labirintos que era quase impossível não achar aquilo divertido. Narcisa tinha construído o forte para que ela brincasse também, então todo ele era do tamanho ideal para um adulto.

No nível mais alto havia um tipo de varanda com uma espreguiçadeira dupla cheia de almofadas. Ginny deitou-se em uma delas e Draco se sentou na beirada da varanda com os pés para fora. Os Malfoys pareciam ir contra usar sacadas seguras.

"Se você pular daí vai quebrar mais do que uma perna, mesmo assim você poderia tentar."

Draco olhou para ela com uma sobrancelha erguida.

"Você bem que queria"

Ginny levantou-se e se sentou ao lado de Draco. De onde estavam, era possível ver quase todo o território Malfoy. Ela concentrou-se no lago e no reflexo da lua cheia em sua superfície escura. Dali de cima ele era quase tão assustador quanto de dentro do barco. Lembrou-se do dia que quase se afogou e dos dias anteriores ao afogamento. Perguntou-se se, o incidente do lago tivesse acontecido no primeiro dia, Malfoy teria pulado para salvá-la. E, se a resposta fosse negativa, o que tinha mudado até aquele dia. Olhou para ele. Draco olhava a lua. Seu perfil era suave, quase sonhador. Então ele sorriu e o rosto dele tomou aquela expressão sarcástica usual.

"Você não consegue tirar seus olhos de mim" perguntou sem desviar os olhos da lua.

Ginny olhou para o céu também.

"Você bem que queria"

"Suas respostas sempre têm que ser uma imitação das minhas?"

Pela visão periférica Ginny soube que ele não tinha sequer se mexido.

"Sou obrigada a admitir que, quando o assunto é sarcasmo, os sonserinos são melhores."

"Sou obrigado a admitir que... esquece, não há nada que eu admire em um grifinório."

Ginny olhou para ele com os olhos estreitos. Draco sorria divertido, mas ainda olhava para a lua.

"Muito covarde da sua parte não querer admitir que admire algo em nós."

Ele deu de ombros. Os olhos ainda vidrados no céu.

"O que você tanto olha para a lua?"

Draco riu pelo nariz.

"Isso te incomoda?"

Ginny considerou se deveria dizer a verdade. Se dissesse, com certeza ele nunca mais pararia de olhar.

"Não." Mentiu.

Draco franziu a testa e olhou-a com o canto dos olhos poucos segundos antes de voltar o olhar para o céu.

"Mentirosa"

A garota suspirou.

"Um pouco, talvez" deu de ombros para fingir que não ligava "Não entendo o que fascina tanto uma pessoa para ela não tirar os olhos da lua.".

"Nem eu" ele respondeu também dando de ombros.

Ginny ficou esperando o resto da resposta, mas ela não veio. Suspirou impaciente antes de voltar a perguntar.

"Então porque você continua olhando para ela?"

Draco molhou os lábios com a língua antes de responder.

"Minha mãe é louca pela lua. Ela fala que meus olhos são prateados porque ela sentia desejo de lua. Uma bobagem, meu avô tinha olhos prateados. De qualquer forma, ela olha para a lua todas as noites antes de dormir. Quase um ritual."

"E você também olha para se sentir mais perto dela." Ginny tentou acompanhar o pensamento dele.

Malfoy olhou para ela com a testa franzida. Era a primeira vez que ele deixava a lua de lado.

"Você realmente acha que eu seria capaz de fazer algo tão piegas assim?"

Ginny sentiu sua bochecha corar. Era o tipo de coisa que ela seria capaz de fazer. Draco riu, mas voltou a ficar sério e olhou para a lua novamente.

"Meu pai me ensinou a encarar aquilo que me intimida."

Ginny olhou para ele assustada.

"Você tem medo da lua?!"

Draco rolou os olhos.

"Não sua tapada." Então olhou para ela "Você não se sente intimidada pelo tamanho do universo? Ele não faz você se sentir... pequena?".

Draco levantou a mão e aproximou-a de Ginny. Ela prendeu a respiração esperando pelo toque, mas ele apenas pegou uma mecha do seu cabelo e colocou-o atrás da orelha dela.

"Eu não preciso do universo todo para fazer com que eu me sinta pequena." Olhou para o chão. Eles estavam mais altos que os pinheiros "O seu forte já é o suficiente.".

***

"Bom dia, senhorita." Amélia estava de pé ao lado de sua cama. Ginny reprimiu o desejo de jogar um travesseiro nela e anunciar que voltaria a dormir e sonhar com a noite anterior. "A senhora Malfoy disse que te espera no carro em meia hora."

"Aonde nós vamos?" perguntou com a voz sonolenta e esfregando os olhos com as mãos fechadas.

"Completar o enxoval." Amélia abria as cortinas do quarto.

"Draco também vai?" perguntou esperançosa.

Amélia abriu um sorriso alegre. Ginny imaginou o quão feliz a senhora estava, vendo os dois se suportarem.

"Infelizmente não, querida. Draco e o senhor Malfoy vão passar o dia caçando."

Ginny abriu os olhos e arqueou as sobrancelhas. Não conseguia visualizar Draco caçando. Perguntou-se se esse já era um hábito antigo.

Quando Amélia deixou o quarto, a garota correu para ficar pronta. A coisa com a qual sempre sonhou, quando o assunto era casamento, era o enxoval. Ginny tinha uma – nada secreta – paixão por roupas de cama, mesa e banho. E guardanapos. Era louca por guardanapos de tecido. Mas a sua maior paixão era copo, caneca ou taça. Ela conhecia todas as taças para tipos específicos de bebidas. Canecas? Tinha aos montes, um armário cheio delas. Em todos os seus copos contavam uma história. Se tinha uma coisa que nunca faltaria em sua casa era recipiente para bebidas.

Correu para a saída assim que terminou de se vestir. Narcisa esperava no carro falando com uma mão na orelha. Ginny inicialmente pensou que ela estava falando com o motorista. Mas começou a perceber que ela dava respostas a perguntas não feitas por ele. Na verdade o rapaz que dirigia o carro não falava coisa alguma. Essa velha louca está falando sozinha Ginny concluiu depois de Narcisa rir escandalosamente de uma piada imaginaria. A ruiva bufou. Se tinha uma coisa da qual ela não poderia chamar Narcisa, era de velha. A mãe de Draco deveria ter engravidado aos dez anos para ter um filho na idade dele e ainda manter-se com cara de vinte e poucos anos. Ficou procurando defeitos na mulher. Estava com raiva dela e de sua conversa sem sentido. Só uma pessoa muito amarga e cruel era egoísta ao ponto de manter uma conversa com a própria cabeça. Porque não guarda um pouco de saliva e conversa com o seu filho? Estreitou os olhos para a loira. Foi então que se deu conta que estava com raiva dela por causa de Draco. Porque essa Narcisa não desejava a lua. Porque essa Narcisa não brincava no forte. Porque essa Narcisa não amava o Draco como ele deveria ser amado. Ela era a única pessoa que o amava na vida real e aqui ela se atrevia a ser uma vaca! Porque você não cala essa maldita boca?! Pensou furiosa.

Narcisa deu uma última gargalhada e calou. Ginny sentiu o coração parar. Ela tinha dito aquilo em voz alta? Narcisa tirou a mão da orelha e Ginny viu um objeto dourado sem sua mão. A mulher loira o dobrou ao meio e guardou-o na bolsa.

"Odeio quando essa falsa me telefona. Só quer saber mais detalhes do casamento para fofocar por aí." Narcisa disse para si mesma, mas alto suficiente para Ginny ouvir.

Telefona? Ginny não precisou buscar muito na memória para saber sobre o que ela estava falando. Narcisa tinha um telefone portátil e falava realmente com alguém. Bufou novamente.

Agora ela não era nem velha e nem louca.

Maldito mundo injusto!

***

Draco olhou para a arma de cano longo que seu pai havia lhe entregado.

"Não tenho certeza se sei usar isso." Segurava-a longe de seu corpo. Sabia que aquilo era mortal, só não sabia exatamente como.

Lucio remexia em um armário cheio de outras armas de vários tamanhos. Draco não conseguia encontrar motivos para os trouxas precisarem de tantos tipos diferentes de armas. Era tão inútil quanto duas varinhas. Você não poderia usar as duas ao mesmo tempo, pra que duas então?

"Draco! Segure essa arma direito!" Lucio segurava uma arma igual à de Draco.

"Não tenho certeza se sei usar isso." Repetiu debilmente.

Lucio rolou os olhos.

"Você atira desde os doze anos de idade!"

Draco observou como seu pai segurava a arma e tentou imitá-lo. Não ia perguntar nada, provavelmente Lucio usaria a arma nele se o irritasse mais um pouco. Saíram da grande cabana que se encontravam (eles tinham viajado duas horas para chegar ao local que era permitida a caça. Como esperado, Lucio era dono de boa parte do território) e seguiram floresta adentro. Draco ainda sem saber como sua arma funcionava.

***

O lugar que Narcisa escolheu para completar o enxoval era uma megaloja que vendia de tudo. Desde par de meias até sofás de couro. O item mais barato – um prendedor de guardanapos – custava mais caro que todo o material escolar do sexto ano em Hogwarts (incluindo a vassoura para o Quadribol e o malão de Ginny). Pelo menos em números, visto que os trouxas usavam uma moeda diferente dos bruxos. Narcisa entregou um objeto para Ginny que emitia uma fina luz vermelha e apitava quando esta era direcionada a um monte de riscos pretos na etiqueta. Tudo o que Ginny quisesse ela tinha que apitar o objeto na etiqueta do produto.

No começo ela procurava pelos preços, mas só por questão de hábito. Enquanto tentava não se encantar muito com as coisas, imaginou o que seria feito daquilo tudo quando descobrissem que os noivos tinham fugido um mês antes do casamento. Provavelmente será tudo devolvido. Este pensamento fez com que ela se animasse a comprar tudo pela frente.

Não era exatamente um dinheiro gasto, afinal.

***

"Oh Deus! O que aconteceu com você?" A voz preocupada de Amélia fez Draco sentir-se mais estúpido do que já se sentia com a maldita tipóia em seu braço direito.

"Segundo meu pai, aparentemente eu sou um idiota que desaprendeu a atirar" tentou dar de ombros, mas seu braço doeu "Ai! Eu deveria me juntar a macacos e tentar sobreviver" ele continuou "Apesar dele não achar que eu seria aceito por uma espécie tão tecnologicamente avançada." Completou com ar pensativo. Não se sentia tão estúpido quando estava fazendo piada. E seu pai tinha resmungado tudo aquilo mesmo, no caminho de volta para a mansão.

Amélia rolou os olhos.

"É verdade! Alguns macacos já sabem segurar uma pedra!" acrescentou e sorriu ao ver Amélia suspirando.

"Vá para o banho, Draco" a senhora ordenou sorridente "eu vou preparar algo para você comer e pegar um remédio para a dor.".

Draco fez uma careta. Odiava o gosto amargo de remédio.

"Eu não preciso de nada para a dor." Resmungou.

Amélia arqueou as sobrancelhas.

"Você já está com idade suficiente para não me dar trabalho por causa de gosto amargo, Draco!" Como ela sabe sobre o gosto?

"Eu não quero estar grogue quando Ginny chegar. Hoje é aniversário dela."

Os olhos da senhora brilharam. Draco sabia que esse argumento daria certo. O que ele não sabia era se isso ia além da desculpa. No fundo ele realmente queria ver Ginny esta noite.

Foi para o seu quarto e lutou para se despir. Se sentiria totalmente ridículo se precisasse ser socorrido por Amélia. Com muito esforço conseguiu tirar toda a roupa e entrar debaixo do chuveiro. A água quente era um alívio caindo em seu ombro dolorido. Aproveitou esse alívio para vestir outra roupa. Escondeu a tipóia dentro do cesto de roupa-suja para ninguém obrigá-lo a usar.

Amélia entrou no quarto trazendo uma bandeja com uma tigela. Draco sentiu o cheiro de sopa.

"Acho que sopa não vai matar minha fome."

"Não é para você ficar sem fome." Amélia respondeu colocando a sopa sobre a escrivaninha "Isso aqui é só para você não desmaiar enquanto Edward prepara o jantar.".

Draco considerou se a vontade de jantar era maior que a vontade de não ouvir mais a o que Lucio tinha para falar sobra a falta de competência mental de Draco. Provavelmente ele quebrará a regra do silêncio durante a refeição.

"Eu não vou jantar com os meus pais hoje."

"Mas é lógico que não!" Amélia colocou as mãos na cintura "Eu já mandei arrumarem o jardim com velas para um jantar só seu e da senhorita Virginia".

Velas?! Draco levantou as sobrancelhas sentindo dor na testa. Ele tinha se machucado de forma patética.

"Acho que um jantar a luz de velas no jardim é meio exagerado."

Amélia riu alto. O rapaz não conseguia ver o que tinha tanta graça.

"Draco, querido" ela começou sorrindo "Vocês estão noivos no meio da adolescência. Um jantar a luz de velas não é pior do que isso. Além do que, toda mulher gosta de um pouco de romance, não precisa ficar com medo de parecer ridículo." Ela começou a sair.

"Eu estou no final da adolescência, e não tenho medo de parecer ridículo." Disse enquanto via-a deixar o quarto. Eu tenho medo de ela pensar que eu esteja me apaixonando por ela completou em pensamento.

A sopa já tinha começado a esfriar quando Draco resolveu tomá-la. Na verdade ele não gostava muito de sopa, mas a fome era o suficiente para obrigá-lo a continuar. E ele nem estava sentindo muito o gosto dos vegetais, seu estômago estava anestesiado com a idéia de ter um jantar romântico com Ginny em poucas horas. Era obrigado a admitir que estava ansioso para vê-la. É lógico que ela nunca saberia disso, mas ele gostava da companhia dela. Gostava de suas conversas e brincadeiras e gostava principalmente do seu cheiro de cereja, Droga! Imaginou se não deveria vestir outra roupa, alguma coisa mais adequada a um encontro.

Isso não é um encontro, Draco!

Bufou irritado com o efeito que Ginny vinha causando nele.

Ouviu a porta se abrindo e olhou na direção só para ver Ginny entrando devagar.

"Hey!" ela cumprimentou sorrindo.

Draco sorriu em resposta. Era quase que um alívio vê-la novamente.

"Você não sabe o que Amélia está aprontando!" a garota sentou na cama dele. Ele virou a cadeira para ela e eles ficaram de frente um para o outro.

"Eu consigo imaginar." Ele respondeu simplesmente.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo indeterminado.

"Comprei um presente para você!" ela voltou a falar e sorriu mais ainda "Não saia daqui!" saiu correndo para fora do quarto e nem fechou a porta. Draco imaginou o que poderia ser.

Ela voltou em menos de um minuto. Trazia uma caixa preta em suas mãos. Sentou-se na cama novamente e entregou-a para Draco. Ele tentou erguer uma sobrancelha, mas a sua testa doía.

"Eu não comprei nada para você."

"Eu não esperava que você o fizesse. Abra!" ela ordenou.

***

Draco abriu a caixa cuidadosamente e depois desdobrou o papel de seda. Seus olhos ficaram um tempo parados na camisa dentro da caixa. Ginny esperando uma reação.

"É rosa!" ele disse levantando os olhos para Ginny.

"Não é rosa! É salmão!" ela replicou divertida. Não esperava um agradecimento mesmo.

"Salmão é apelido de rosa!" Draco tirou a camisa da caixa e abriu-a.

"Não!" Ginny pegou a camisa da mão dele "Salmão é a mistura de rosa com amarelo".

Draco rolou os olhos.

"Duas cores super masculinas. Nunca me senti tão macho na minha vida" sua voz era sarcástica e fez com que ela sorrisse ainda mais.

"Você poderia usá-la hoje no jantar!"

"Eu não vou usar isso nunca!" ele tentou pegar a camisa de volta.

"Por favor" ela insistiu fazendo a voz mais pidona que aprendera em todos esses anos como caçula de seis irmãos "Pelo meu aniversário!" ela soube que tinha conseguido na hora em que Draco suspirou e abaixou a cabeça.

"Pelo seu aniversário." Ele respondeu derrotado.

Ginny sorriu com a vitória. Colocou as mãos no rosto dele e o fez olhar para ela.

"Obrigada" sussurrou e beijou-lhe a bochecha.

Levantou-se e saiu para se arrumar. Quando estava atravessando a porta pensou em uma coisa e voltou para o quarto.

"É bom para você, que nós dois nunca nos encontremos durante a guerra. Eu te derroto muito fácil!" disse rindo e saiu.

Por mais que estivesse com fome, não se desesperou. Tomou um banho demorado e lavou os cabelos massageando bem o couro cabeludo. Precisava relaxar depois do dia estressante com Narcisa. Enquanto passava o leave-in no cabelo e sentia o cheiro de cereja que ele tinha, começou a escolher mentalmente a roupa que iria vestir. Não sabia exatamente o que deveria usar para um encontro no jardim.

Não é um encontro, Ginny!

Imaginou que Molly deveria ter comprado alguma coisa escandalosamente sexy para ela seduzir Draco. Desejou que essa não fosse a única opção.

Encontrou, na gaveta de vestidos, um tomara-que-caia de veludo molhado cor-de-rosa com uma fita roxa sob o busto. Ia até o joelho e não era tão escandaloso quanto o longo preto, de costas nuas e fenda na perna direita. Optou pelo cor-de-rosa. Amassou o cabelo com as mãos e calçou uma sandália roxa sem salto. Draco entrou no seu quarto quando ela terminava de afivelar o pé direito. Ele usava a camisa nova.

"Deveria ter batido. E se você me pegasse nua?" levantou-se e colocou a mão na cintura como se estivesse realmente brava.

"Era essa a intenção" ele sorriu e ofereceu o braço esquerdo para ela "Vamos?"

"Porque está sendo educado?" perguntou desconfiada.

"Amélia me mataria se eu não te tratasse como uma dama, depois do trabalho que ela teve com esse jantar."

Ela sorriu e segurou o braço dele. Foram em silêncio até o jardim, mas não era incômodo. Os dois não falavam nada, simplesmente porque ainda teriam muito tempo juntos. O jantar duraria horas e eles esticariam a noite no forte. Ginny já estava ciente de que gostava da companhia dele mais do que qualquer outra coisa.

Quando chegaram ao jardim, ela sentiu seu maxilar afrouxar. Amélia não tinha economizado na decoração. A grande mesa de vidro tinha dado lugar à uma menor, para duas pessoas. Várias velas com formatos de flores faziam um caminho até a mesinha. A tenda estava cercada por tochas antas enfiadas na grama. E, sobre a mesa, vários copos com velas suspensas por fios de Nylon. Eles andaram pelo caminho de velas e chegaram à mesa. Ginny obseravava com atenção os copos suspensos.

"Ai! Droga!" ela ouviu Draco resmungar. Quando se virou para olhá-lo, ele tentava puxar para trás uma das pesadas cadeiras rendadas.

"O que foi?" perguntou enquanto puxava a sua cadeira.

Ele sentou-se massageando o ombro direito.

"Sofri um acidente durante a caça."

"Uhn! Por isso que sua testa está roxa." Comentou enquanto pegava o guardanapo branco à sua frente.

Draco levou a mão a testa.

"Ficou roxa?" perguntou desanimado.

Ela sorriu e fez que sim com a cabeça. Esperou que ele começasse a história, mas ele não o fez.

"Você vai me contar o que aconteceu ou vai esperar que eu adivinhe?"

Draco ficou em silêncio e ela imaginou que fosse uma pausa dramática. Então ele suspirou e balançou a cabeça em negativa.

"Você vai rir" ele concluiu.

"Não vou!" ela respondeu fingindo estar inconformada.

"Promete?"

"Prometo" a curiosidade estava consumindo-a.

Ele suspirou e ficou pensando por um tempo.

"Meu pai viu um alce e atirou nele, mas ele correu. Quando nós o vimos novamente ele ordenou que eu atirasse, eu já tinha visto ele atirando e não me pareceu difícil" ele parou e Ginny se pegou inclinando para frente para que ele continuasse.

"Você vai rir"

"Você não confia em mim?" ela suplicou.

Ele suspirou novamente.

"Quando eu atirei a arma deu um solavanco para trás e deslocou meu ombro"

"E o que aconteceu com a sua testa?"

"Quando eu caí, a arma disparou e acertou um galho que caiu na minha cabeça"

Ginny sentiu seus lábios começarem a tentar se esticar em uma risada. Fez um bico tentando disfarçá-la.

"Você prometeu que não ia rir!" ele protestou.

Ginny ficou quieta sabendo que, se abrisse a boca, iria explodir de tanto dar risada.

"É muito dramático para você estar achando graça."

Os lábios dela começaram a tremer. Draco suspirou.

"Pode rir, Weasley"

Ginny gargalhou até perder o ar. Quando olhava para ele via que estava emburrado. Concentrou-se para parar de rir.

"Ah, Draco!" disse entre uma arfada e outra "Se fosse comigo você estaria se matando de rir!"

Ele abriu a boca, inconformado.

"É lógico que não!"

Uma música instrumental começou a tocar e Ginny sentiu cheiro de comida. Um dos rapazes, que servia o jantar, entrou empurrando um carrinho. Quando chegou mais perto colocou um prato na frente de Ginny e um na frente de Draco. Ele falou alguma coisa em uma língua que ela imaginou ser francês e serviu duas taças de um vinho cor-de-rosa. Quando Draco respondeu em francês também, Ginny se espantou. Nunca imaginou que Draco era bilíngüe.

"Imagino que isso seja camarão" ela observou o prato enquanto o rapaz ia embora.

"É um prato novo de Edward. Camarão regado à um molho de queijos suaves e acompanhado por batata souté" ele respondeu enquanto colocava o guardanapo sobre o colo.

***

Draco começou a comer devagar. Seus pais não estavam nesse jantar, então não havia a regra do silêncio. Olhou para Ginny com a intenção de começar uma conversa e reparou que ela procurava alguma coisa no meio do molho de queijos.

"O que você está fazendo?"

Ginny levantou a cabeça para olhá-lo. Sua expressão era de quem tinha sido tirada de um devaneio.

"Separando a cebola" voltou a remexer seu molho.

"Por quê?"

Ginny olhou para ele novamente e levantou uma sobrancelha.

"Porque eu não como cebola. Eu separo em todas as refeições. Você nunca reparou porque fica muito centrado no seu prato e na regra estúpida do silêncio"

Draco sorriu com a reação dela. Olhou para o seu prato e não viu cebola nenhuma. Elas estavam cortadas em minúsculos pedaços.

"Você não está meio grandinha para não gostar de cebola?"

A garota suspirou impaciente como se já tivesse escutado isso de várias outras pessoas antes.

"Gosto não é relacionado a idade" voltou a separar as cebolas. Draco percebeu um montinho branco se formando na beirada do prato.

"Você pelo menos já provou?"

Ela não levantou a cabeça, apenas acenou positivamente.

"Você deveria provar essa. Você sabe que a comida de Edward é a melhor"

Ginny olhou para ele com uma expressão pensativa. Depois balançou a cabeça e voltou a olhar o prato em busca de cebolas.

"Ele não entenderia" Draco a ouviu sussurrar. Isso despertou interesse nele.

"O que eu não entenderia?"

A garota levantou a cabeça, assustada. Provavelmente ela não esperava que ele a ouvisse.

"Você vai achar que eu sou louca" ela disse com a voz divertida. Aparentemente ela se achava louca também.

"Eu já acho" ele deu de ombros. A curiosidade aumentou O que pode ser tão esquisito assim?

"Eu não contei isso nem para os meus irmãos" o tom dela ainda era divertido.

"Então eu vou ficar sabendo antes deles" seu tom era mais seguro do que ele realmente estava.

"Draco" começou calmamente "Você teria que me torturar para que eu lhe contasse isso"

"Eu não me importaria em torturar você" ele sorriu.

Ela sorriu.

"Eu sei. Mas sem varinha você não me representa perigo."

Draco se deu por vencido e voltou a comer.

Passaram poucos minutos em silêncio antes de Ginny voltar a falar.

"Eu preferia ter comido sob a cerejeira" comentou pensativa.

Draco olhou para a árvore, mas não pôde vê-la no escuro.

"Não seria uma boa idéia. Hoje é o último dia dela com flores. Amanhã haverá um tapete rosa sob os galhos pelados. Nossa janta se transformaria em um jardim."

Ginny franziu o cenho.

"Mas as flores abriram anteontem!"

"Exatamente" ele confirmou com um sorriso "as flores de cerejeira vivem por três dias" voltou a olhara para o lado da árvore lembrando-se da história que sua mãe tinha lhe contado "Os antigos samurais japoneses usavam-na como símbolo da vida que eles levavam. Como nunca sabiam quando iam voltar ou se iam voltar das batalhas, eles aproveitavam o máximo, sempre esperando que tivessem uma vida curta. O lema da flor de cerejeira é: 'como se não houvesse amanhã'. Minha mãe trouxe uma muda do Japão quando meu pai virou Comensal. Ela nunca deixa que ele saia de casa sem dizer que a ama."

Draco fez a melhor expressão indiferente que pôde, enquanto remoia a saudade de Narcisa. Olhou para Ginny e sorriu. Ela estava linda com os cabelos levemente ondulados caídos sobre os ombros nus.

Merlin! Ela estaria linda até usando trapos!

"Sua mãe parece uma mulher boa" ela sorriu para ele.

Draco riu pelo nariz.

"Mas ela não é! Ela é uma boa mãe e uma boa esposa. Mas é tão má quanto eu" ele sentiu que o seu tom parecia um alerta.

Foi a vez de Ginny rir pelo nariz.

"Você não é mau, Draco!"

Draco jamais esperariaouvir isso de alguém. É lógico que ele era mau. Quando ele ria dos pobres e insultava os sangues-ruins, ele estava sendo mau. Quando ele assustava os calouros com histórias sobre a Câmara Secreta e sobre os Comensais, ele estava sendo mau. E quando ele consertou o armário na sala precisa e levou Dumbledore à morte, ele estava sendo muito mau. Ela estava enganada sobre ele. Seu coração vacilou entre uma batida e outra. Provavelmente ela não gostaria dele se soubesse que estava enganada.

"Você está enganada" disse enquanto deixava sua expressão indiferente. Ele se sentia triste por dizer isso. Sentia-se triste por não ser como ela gostaria que ele fosse.

"Draco, eu sei que você não é mau!"

O rosto dele endureceu por instantes antes de voltar a ficar sem expressão.

"Você não sabe sobre nada" a voz dele estava dura. Voltou a comer calado. Não queria ter essa conversa com ela. Não queria falar sobre não ser o homem ideal para ela. Não ser o que ela queria que ele fosse. Isso começou a irritá-lo.

"Eu sei que uma pessoa que salva a outra não é má" ela continuou em um tom entre divertido e desafiador.

Draco arrastou a cadeira para trás e levantou-se. Fazia tempos que ele não se irritava desse jeito. Tinha medo de bater nela por ela ser uma Weasley irritante. Ginny olhou para ele, assustada.

"Acho melhor terminar esse jantar por aqui. Boa noite" acenou com a cabeça e lhe deu as costas para entrar na casa. Não tinha a menor vontade de deixá-la ali, queria ficar com ela todas as horas possíveis, mas ela estava tornando isso muito difícil.

"Ah! Qual é, Draco!" ele ouviu a cadeira dela arrastando também "você está sendo um idiota!"

Ele virou-se para olhá-la. Ela estava em pé com as mãos na cintura. Respirou fundo tentando recuperar a paciência.

"Eu estou sendo um cavalheiro"

Ela rolou os olhos.

"Não acho que me deixar jantando sozinha seja atitude de um cavalheiro" ela foi se aproximando dele enquanto falava.

"Na verdade eu estava me referindo a minha tentativa de não te bater"

Ginny ergueu uma sobrancelha.

"Bater-me não vai fazer de você um cara mau" ela andou até ele e colocou uma mão em seu peito. Draco endureceu o maxilar e tentou não se afastar do toque "Draco, ser bom não é uma fraqueza."

O que ela estava insinuando? Que ele tinha medo de parecer um fraco covarde? Ele segurou firme os dois braços dela.

"Fraqueza não é a questão" seu maxilar estava duro e sua voz saia pelos dentes. Ginny tentou se desvencilhar e ele apertou mais forte os dedos.

"Você está me machucando, Draco!" ela reclamou ainda tentando se soltar.

"A questão" ele continuou, ignorando as palavras dela "é que nem todo mundo quer ser o Potter" as palavras ainda saiam pelos dentes.

"Eu não disse que você quer ser o Harry!" ela gritou em resposta. Dessa vez lutava bravamente para se soltar "Nem como todo o esforço do mundo você chegaria aos pés de Harry! Nem todo o poder de Você-Sabe-Quem te transformaria em um quinto do homem que Harry é!"

Draco não tinha forças para esconder a fúria que sentia. A máscara da indiferença – há pouco começando a derreter – escorreu completamente e revelou a ira que o consumia. Ela tinha consciência do maxilar tremendo e dos olhos estreitos. Soltou os braços dela e com uma mão a segurou pela nuca. Aproximou seus rostos o máximo que pôde.

"Você sabe bem quão homem Potter é, não?" suas testas encostaram "quantas vezes você abriu as pernas para ele, hein?"

Draco sentiu o lado direito do rosto arder. Seus olhos desviaram dos dela quando sua cabeça virou para o lado com o impacto do tapa. Ele suspirou. Era como se tivesse acordado de um transe. Em toda a sua vida nunca havia chegado tão perto de machucar uma mulher. Suavizou o máximo possível o rosto e voltou a olhá-la. A expressão de Ginny era de puro horror. Ele ainda segurava sua nuca.

"Desculpe-me" disse suspirando. Não largou a nuca dela, apenas desapertou para não machucá-la. Tinha medo de que ela fugisse. É óbvio que ela fugirá pensou amargurado. A expressão dela estava menos assustada. "É sério. Desculpe-me! Eu não planejei machucar você" passou a mão livre pelo vergão vermelho em seu braço.

"V-você é mau" ela disse com uma voz quase infantil. Draco não achou que pudesse ser tão ruim ouvir da boca dela. A decepção era quase tocável.

"Eu disse" ele fechou os olhos.

Ficaram em silêncio. A mão de draco desceu delicadamente para o lado dele. Ainda de olhos fechados ele a sentiu se aproximando e colocando os braços ao redor de seu pescoço. Não abriu os olhos com um medo idiota de que ela virasse fumaça. Ele sentiu o pescoço sendo puxado e cedeu. O rosto dela tocou a bochecha dele quando ela aproximou sua boca da orelha de Draco. A nuca dele arrepiou quando a pele fina dos lábios dela tocou seu lóbulo.

"Mas eu não ligo" ela sussurrou.

Draco puxou-a pela cintura e colou seus lábios nos dela. Beijou-a delicadamente tentando compensar a violência que usara mais cedo. Colocou nesse beijo tudo o que sentia quando ela estava perto. O desejo do falso calor que emanava de seus cabelos. A vontade louca que sentia de ouvir a voz dela, e que o fazia provocá-la para saciar-se. O desespero para sentir o cheiro de cereja que anunciava sua chegada. Ele jamais diria isso em voz alta. Jamais diria o quanto ela mexia com ele e o quanto ele precisava estar perto dela. Então ele tentou colocar tudo isso nesse beijo e torceu para que ela soubesse e também não dissesse nada.

O beijo poderia ter durado a vida inteira dele se não começasse a faltar fôlego de ambas as partes, então eles separaram seus lábios e Ginny descansou a cabeça no ombro dele.

"Feliz aniversário" ele sussurrou contra a bochecha quente dela.

"Pode apostar que é" ele a sentiu sorrindo.

Draco levantou a cabeça e viu uma parte da lua que o toldo não escondia. Fechou os olhos tomando coragem. Ele estava irremediavelmente apaixonado por Ginny Weasley.

Oh, Merlin! Logo ela?

N/A: É eu sei que deveria ter falado sobre milhares de outras coisas nesse capítulo. Eu sei que não deveria ter action. Eu sei que Eu gastei seis mil palavras para falar de apenas UM dia. Mas a história é minha e eu senti necessidade de fazer desse jeito.

Eu fiz o "forte" como eu imagino que seja o esconderijo do Peter Pan. Sim, eu amo Peter Pan, e daí?! Huahuaauuahuaha

Meu namorado sofreu um acidente parecido com o de Draco. Mas ele não caçava, apenas estava atirando em latinhas. Então, acreditem, é possível!

A discussão sobre a cor da camisa foi baseada em uma discussão do meu pai e da minha mãe sobre a cor das paredes do quarto deles (não preciso dizer quem ganhou, né?)

E, enfim, eu não como cebola. E quando vocês souberem o motivo vocês vão me chamar de louca.

Ou melhor, esse capítulo foi parcialmente baseado em fatos reais (¬¬ como se minha vida fosse legal assim).

Obrigada por ler.

Por favor, comente.

Ah! E no próximo capítulo a história de Amélia. Como ela foi trabalhar para os Malfoy e tudo mais.

Beijos e até o capítulo 10.