O Verdadeiro Gosto da Bebida

Nas terras de Shura tudo transcorria normalmente. A maioria das pessoas já tinha até se esquecido da existência do noivo grotesco de Rin. Claro que nem todos agiam assim. O senhor Akisawa e a ama Mizuki ainda se preocupavam, pois em menos de um mês, o general estaria de volta para a infelicidade de todos. Sesshoumaru por sua vez, estava confiante, havia enviado Jaken para que descobrisse um meio de reverter a situação a favor de Rin, por quem já nutria um forte sentimento e que não podia esconder mais. Depois da noite em a tornou mulher as coisas entre eles já não poderiam mais ser como antes. Como ele mesmo respondeu a ela tudo mudaria. Rin agora pertence a ele, não poderia ser de nenhum outro mais em sua vida. É uma lei entre os youkais que ninguém toca em sua fêmea humana. Aquele que ousar cometer tal façanha é punido com a morte. E ele jamais permitirá que Tetsuo se aproxime de sua Rin.

[ ... ]

Apesar da noite que teve com Sesshoumaru, Rin ainda estava triste. Ouviu do youkai que daria um jeito de livrá-la da promessa de casamento, mas ainda assim, sentia algo no coração que a incomodava. Não que não acreditasse que o youkai faria algo por ela, era algo mais que estava fora de seu controle.Não sabia o que poderia ser. Parecia que estava sentindo algo que dizia que mesmo que Sesshoumaru conseguisse libertá-la de Tetsuo, ela não teria um futuro com ele, que no fim de tudo, ele partiria de Shura, sozinho, sem ela. Passou o dia todo fora da casa grande, não queria encontrar o youkai. Já quase de noite, cansada entrou na adega da casa grande. Resolveu beber um pouco de vinho para equecer as tristeza que sentia.

- É só um pouco mesmo... nada de mais... só um golinho... bem pouquinho...

O golinho virou dois, três, quatro e ela entornou mais da metade da garrafa, ficando bêbada e trocando as pernas. Tentou fazer um quatro e caiu sentada no chão.

- Droga... hic... a culpa é sua... youkai maldito... minha vida... hic... já não é mais... a mesma por sua causa... hic... – e deu mais um gole do vinho.

[ ... ]

Na parte da manhã Sesshoumaru havia saído para cuidar de seus negócios com Jaken e voltou na hora do almoço, que foi servido assim que ele adentrou a casa grande. Estranhou que Rin não estava à mesa com todos.

- Senhora Mizuki, onde está a senhorita Rin?

- Lorde Sesshoumaru! Ela saiu boa parte da manhã e não a vi quando voltou para casa, mas creio que deva estar no quarto dela. Eu vou chamá-la para que venha almoçar.

- Não! Deixe-a descansar, afinal de contas, ontem foi sua festa de aniversário.

- O Lorde tem razão, Mizuki. Deixe Rin a vontade, hoje ela pode.

- Sim, senhor Akisawa! Se bem que eu não a vi mais depois que cortamos o bolo... nem imagino onde ela poderia ter ido... mas eu bebi tanto e acabei dormindo na área da varan...

Mizuki tratou de fechar a boca quando percebeu a cara de repreensão de seu senhor. Já Sesshoumaru fingiu que não sabia de nada. Melhor que ninguém soubesse mesmo onde Rin realmente passou a noite e com quem. Depois do almoço o youkai ficou boa parte no escritório cuidando de alguns papeis e resolveu sair dali e procurar por ela. Subiu ao quarto e não a encontrou. Perguntou para algumas servas e criados se alguém a viu e disseram que não. Mandou preparar um cavalo e foi até a cachoeira de águas termais, mas ela já tinha passado por ali. De volta a casa grande, resolveu se concentrar e percebeu a presença dela bem próxima a adega. Já era inicio de noite, então ele foi até lá e a encontrou encostada num dos pilares tomando sua segunda garrafa de vinho. Entrou correndo, ficando próximo a ela, tirando a bebida de sua mão.

- Rin! O que pensa que está fazendo?!

- Aaah! Me deixa... hic... youkai... hic... não... me venha com sermões... – ela o encarou, apontando o dedo na cara dele - ... você não é ninguém para me dizer seja o que for!

Ela levantou-se, se escorou no pilar e quase caiu. Tentou pegar em vão a garrafa da mão dele.

- Devolva aqui!

- Não mesmo! Vai para de beber agora! Está embriagada!

- Não me diga?... hic...

Ela foi para a saída, mas ele a impediu segurando-a pelos braços.

- Não vai sair assim! – ele a envolveu em seus braços - Não deixarei que a vejam assim neste estado.

- Sesshoumaru... me soltaaa!

- Não!

- Por favor... – ela lhe lançou um olhar suplicante e a voz chorosa, e as lágrimas rolaram pela face avermelhada devido ao efeito da bebida - ... me deixa... me deixa ir... não quero saber de mais nada...

- Rin... – ele aproximou o rosto encostando a testa dele na dela.

Ela colocou as mãos no rosto dele. Fechou os olhos e o beijo convidativo do youkai tomou seus lábios. Sesshoumaru a abraçou mais forte e conforme o desejo tomava conta de seu corpo, deixou-se elevar pelo momento. Lentamente foi se abaixando, deitando-se sobre ela, com uma vontade insaciável de saborear o corpo dela por inteiro, que tinha o verdadeiro gosto da bebida. Acariciou a perna dela, levantado o kimono enquanto a beijava. Excitado não se conteve mais, retirou o membro já duro da calça e a penetrou lentamente, dando-lhe e sentindo um imenso prazer. Tinha plena consciência que não devia cometer o ato, por causa da condição momentânea dela, mas ela estava ali tão perto, a mercê dele. Não resistiu e a tomou ali mesmo no chão, pois ela já pertencia a ele de corpo, alma e coração. Deixou o desejo falar mais alto que a razão. A garota gemia, devido ao prazer que sentia, e sussurrava o nome dele em seu ouvido.

- Sesshoumaru...

Ele chegou ao ápice se retirou de dentro dela, acariciou o rosto da garota e se arrumou, depois a ela, sentindo-se o pior ser da face da terra.

[ ... ]

Já era de madrugada quando Rin despertou.

- Ai minha cabeça... Como dói...

Olhou e viu que não estava em seu quarto.

- Mas quem me trouxe para cá? Me deram um banho também... – lembrou-se que o último lugar em que estava era adega e remotamente lembrou-se da presença do youkai perto dela – Sesshoumaru...

Levantou devagar, parecia que não aguentava o peso do próprio corpo.

- Nossa... Já é de madrugada...

Resolveu procurar pelo youkai. Queria saber o que aconteceu e por que a levou para o quarto dele. Como não o encontrou resolveu esperar o dia amanhecer e então conversar com ele.

[ ... ]

- Bom dia, senhores!

Mizuki entrou na sala com um bule de chá para colocar na mesa do café onde já estavam o senhor Akisawa e Sesshoumaru que conversavam um pouco sobre os negócios e sobre os últimos acontecimentos na casa. Se bem que os não tão últimos Sesshoumaru sequer podia relatar.

- Meu bom amigo, se assim puder chamá-lo? - disse o senhor Akisawa - Lamento que a estadia nesta casa lhe tenha trazido algum desconforto.

- A que se refere?

- O fato do general Tetsuo, um desafeto de seu falecido pai, ser o noivo de minha Rin...

- Ninguém podia imaginar. - Sesshoumaru lhe respondeu tomando uma xícara de chá.

- Claro tem razão! Mesmo assim, creio que essa situação o aborreceu um pouco. Mas acredito que tudo se resolverá com o tempo.

- Bom dia papai!

Rin surgiu na sala. Deu um beijo em seu pai e olhava firme para o youkai. Não lhe cumprimentou. Sesshoumaru também a encarou.

- Sente-se filha! Tome o café conosco!

- Não obrigada. Eu vou andar um pouco. Vou até a cachoeira! Quando voltar pedirei a Mizuki que me prepare algo! – não tirou os olhos de Sesshomaru, enquanto respondia ao pai.

- Como quiser!

Saiu, mas parou na porta, dando uma última olhada para o youkai, como que estivesse querendo dizer lhe algo. E estava. Sesshoumaru viu o que ela fez. Entendeu o recado.

- Bom Lorde,eu vou até o senhor Takeshi saber como anda a administração de tudo por aqui, com licença. Devido aos contratempos que me tomaram não pude ver nada.

Ele permaneceu sentado à mesa.

– "Ela nem me dirigiu a palavra. Como viu que acordou em meu quarto deve estar se perguntado o que aconteceu. E agora espera uma resposta minha."

Tinha que dar um fim nisto.

[ ...]

Rin chegou a cachoeira e sentou-se a margem dela. Tentou-se lembrar do que houve na adega, mas o que vinha a mente era algo meio vago. Lembrou-se de Sesshoumaru entrando e tentando tomar a garrafa da mão dela. E também de quando o abraçou. Tinha a sensação de ele a ter tomado. Mas não tinha certeza, aliás, não queria ter certeza.

– "Ele não fez isso? Não ele... isso não pode ser... não quero nem pensar...".

Nem precisou virar o rosto e ele estava ali de pé bem atrás dela.

- O que aconteceu na adega?

- Você bebeu demais... Eu a levei para o quarto...

Ficou de pé cara a cara com ele.

- Não me refiro a isso! O que houve entre nós dois?

Ele desviou o olhar e se afastou dela.

- E não fuja da resposta como fez no piquenique quando te perguntei por que me olhava com desejo!

- Eu não estou fugindo!

- Não? Há! Então me diga!

- O que você quer saber? – perguntou com certa raiva na voz.

- Ora... Quero saber a verdade... Quero saber se voc...

Ele a segurou nos braços com força.

- Sim! É isso que quer tanto saber, tanto ter certeza! Sim! Te fiz minha outra vez! – respondeu gritando com ela e a largou bruscamente. – Depois de madrugada a carreguei nos braços e a deixei em meu quarto.

Rin ficou em silêncio. De repente ficou até mesmo com vontade de chorar, mas não o fez. Os olhos se encheram de lágrimas, que teimavam em rolar. Enxugou-as. Não respondeu nada.

Sesshoumaru é que olhava para ela.

– "Ficou sem reação... também... O que eu mais eu poderia esperar?".

Rin se virou e pôs se andar de volta para a casa.

- Rin, espere!

- Esperar o quê? Um pedido de desculpas? Ah, por favor! Dispenso! Ainda tenho meu orgulho e minha dignidade! Nada justifica o que fez, Sesshoumaru!

- Eu sei muito bem disso! Não precisa me dizer! Mas o que quer que eu faça? Que volte no tempo? Que lhe diga que sinto muito? Não, não sinto...

- Não sente?! Que tocante!

- Não! E tem mais! Fiz o que fiz com desejo!

- Claro que fez! É tudo mais fácil! Para você, por ser um maldito nobre que tem direito a tudo! Só que tem uma coisa que esqueceu, amo e senhor! Pode não parecer mas eu tenho sentimentos...

- Não é só você que tem sentimentos aqui, garotinha!

- Por sua causa... - segurando o choro -... eu não sou mais uma garotinha... eu sou uma mulher!

Ele nem respondeu. Estava se tornando uma situação extremamente angustiante.

- Se quer um pedido de perdão, pode esquecer!

- Eu não quero seu maldito pedido de perdão! Eu não quero nada de você youkai! Nada! Quero que vá embora daqui e esqueça que um dia me conheceu! Não temos mais nada que conversar! Suma!

Enxugou mais uma vez as lágrimas. Ele tinha que ser duro com ela até mesmo nesta hora!

Resolveu sair daquela conversa que não estava levando a nada. Deu as costas para ele e correu dali. Sesshoumaru não foi atrás dela.

- Vai ser melhor assim, Rin! É melhor mesmo que não tenha sentimentos...

[ ... ]

Rin adentrou o quarto. Sentou-se na cama, pensando em tudo o que acabou de acontecer. Resolveu que não ia chorar mais como uma garotinha indefesa. Coisa que já não era mais. Agora é uma mulher graças a um belo youkai.

- Se pensa que vai me ver pelos cantos vertendo lágrimas, youkai, está enganado! Eu vou superar tudo isso e não vou casar com aquele velho perebento! Não existe costume nenhum que me obrigue a ficar com quem não deseja o meu coração... Por que quem eu desejo... Já não me quer mais... Depois de ter conseguido o que quis...

Saiu do quarto decidida que daquele momento em diante ninguém iria mais machucá-la. Procurou o pai para conversar com ele que não ia se casar com o general.

- Filha... Você não sabe o que diz... Se eu não te entregar a ele... Todos morreremos...

- Que me importa! Eu é que não vou ser a salvação de ninguém!

- Eu não estou reconhecendo você, Rin... – disse Mizuki toda triste com o modo com que ela falava com o pai.

- De agora em diante vai ser assim, gostem ou não...

Sesshoumaru entrou na sala. Rin o encarou, mas não lhe dirigiu a palavra.

- Céus que houve com ela?– se lamentou o senhor Akisawa – Se ela se recusar na hora aquele homem a matará... Rin...

- Calma meu senhor... não pode se exaltar ... – Mizuki o acalmou – ... é uma fase, tudo novo para ela, depois com calma eu a convencerei...

[ ... ]

Tudo novo. Sim de fato tudo era novo para Rin. Noiva sempre soube que era, mas quem era o pretendente não. Soube de pouco tempo. Era só uma menina, veio a se tornar mulher e a conhecer o amor nos braços de Sesshoumaru.

Ela subiu e foi para o quarto, mas Sesshoumaru foi atrás dela. Entrou com tudo e quase a pega sem o kimono, ia tomar o seu banho.

- Que faz aqui?! Saia! Não temos mais nada que falar!

- Você na pode falar daquele jeito com seu pai!

- O que foi? Agora vai me dizer como eu devo tratar as pessoas dentro da minha própria casa?

Ele a segurou pelo braço. Ela se cobriu.

- Rin! Não tem por que descontar nele a sua raiva!

- Me solta! Você não é ninguém para me dizer nada, saia daqui!

A soltou.

- Essa sua atitude não ajuda em nada, Rin...

- Ah não diga? E a sua atitude para comigo? Me ajudou muito, não?

Ele a olhou sério. A vontade dele era dizer tudo o que sentia de verdade. Que não se aproveitou dela e sim por que a desejava como mulher, porque sente algo por ela. Mas talvez seu orgulho não o deixasse fazer isso.

- Será que não percebe nada?

- E o "quê" eu devo perceber, senhor youkai?

Ele agarrou-a, deitando com ela na cama. Segurou os braços e a encarou nos olhos.

- Que eu a desejo... A quero...

- Não! Sesshoumaru!

- ... Que não paro de pensar em você um só dia que seja... Por que...

- Não... Não...

- Por que te amo!

Rin o encarou. Os olhos dele brilhavam depois que fez a declaração. Ele saiu de cima dela e deixou o quarto. Ela ficou sem reação, não o chamou. Deveria ter dito algo? Ou já não acreditava mais nele?

- Por que só agora ele me revelou isso?

Ficou sentada na cama se segurando para não chorar. Ela jurou para si mesma que não ia verter uma lágrima que fosse.

[ ... ]

Jaken retornou da corte em dois dias e meio. Como ele amava a vida dele tratou logo de procurar seu amo e contar tudo o que descobriu.

- ... e isso é tudo que pude descobrir senhor!

- Interessante! Não terei só que acabar coma raça de Tetsuo pela calúnia que fez a meu pai e a minha família, como também desafiá-lo por causa da filha de Akisawa!

- Meu senhor pretende casar-se com a menina Rin?

- Não diga tolices, Jaken!

- Perdão, amo! É que... Toda vez que o vejo falar da senhorita Rin... Os olhos de meu senhor brilham...

Ele fez uma cara feia. Jaken até saiu de perto. Mas o fiel lacaio tinha razão. Antes mesmo de se declarar para ela isso era cada vez mais notório nele. Nem que quisesse poderia disfarçar.

- Bem que uma vez a ama dela disse que seria melhor que eu fosse o noivo. Garanto que vai pular de alegria quando souber eu vou duelar pela menina que tanto adora!

Resolveu procurar o senhor Akisawa e para resolver a questão de Rin de uma vez por todas. Depois partiria para a corte para a cerimônia oficial do título que herdou de seu pai e também para conversar com o imperador sobre Tetsuo e sua intenção de duelar com ele.

Depois que tudo isso acabasse voltaria para as terras do Oeste. Sozinho.