N/A: Olá para todos. Esse capítulo ficou muuuuuuuito grande. O maior até agora, 50 páginas de Word XD

Thaty: Obrigada flor ^^

Lady Allana: Hahaha Sim, você sempre tem comentários XD Espero que você goste desse pequeno post de hoje. Isso sim é um milagre.

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Capítulo 8: Revelações

-Cara, nem da pra acreditar que o ano foi... -Kira falou pensativa.

Já era dia dois de janeiro, mas as aulas ainda não haviam começado. O feriado ainda iria por alguns dias antes de todos os alunos voltarem. Não que muitos alunos tivessem ido para casa devido às festas na escola, mas mesmo assim.

As quatro amigas estavam sentadas diante da lareira na sala comunal. Já passava da uma da manha, mas elas queriam um tempo para serem amigas de novo. Sem falar de nada triste, ou planejar nada. Simplesmente ficarem ali, lado a lado, como costumava ser antes.

-Nem me fale. -Katherine suspirou -O tempo esta passando assustadoramente rápido.

-Ah mas isso é bom. -Gabrielle falou se espreguiçando -Dai a escola termina e é vida pra gente. Virar adulto, trabalhar...

-Ah Gabrielle, acho que você é a única pessoa no mundo que quer terminar a escola e começar a trabalhar logo. -Kira falou rindo.

-Eu quero mais e fugir se é que você me entende. -Gabrielle falou sorrindo.

-Bom, se eu morasse com a sua madrasta eu também ia querer fugir. -Lily falou revirando os olhos.

-Você viveu com ela queridinha. Lembra? Antes de começarem as aulas...

-Eu sei, Gabrielle. Mas você entendeu o que eu quis dizer. Um mês com aquela mulher já é um pesadelo, imagina uma vida inteira.

-Você se acostuma. -Gabrielle falou tristemente.

Lily suspirou. A idéia não era evitar assuntos tristes?

-Come 'ere baby. -ela falou fazendo um gesto para Gabrielle se aproximar mais.

Gabrielle sorriu. Adorava aquela musica. (n/a: Crazy, Aerosmith)

Ela apoiou a cabeça no ombro de Lily e começou a cantar junto.

You know you drive me up the wall
the way you make good on all the nasty tricks you pull
Seems like we're makin' up more than we're makin' love
And it always seems you got somthin' on your mind other than me
Girl, you got to change your crazy ways
You hear me

Gabrielle riu levemente. Katherine revirou os olhos e Kira encostou a cabeça no outro ombro de Lily.

Say you're leavin on a seven thirty train
and that you're headin' out to Hollywood
Girl you been givin me the line so many times
it kind gets like feelin bad looks good

Kira comecou a cantar junto. Lembrava dessa musica numa das tardes que passavam na casa de Gabrielle, cantando musicas a todo volume só para irritar Christine.

That kind lovin'
Turns a man to a slave
That kind lovin'
Sends a man right to his grave

Kira deu uma cutucada em Katherine. A morena revirou os olhos, mas no fim passou o braço pelo pescoço da amiga. Se não pode contra elas...

I go crazy, crazy, baby, I go crazy
You turn it on
Then you're gone
Yeah you drive me
Crazy, crazy, crazy for you baby
What can I do, honey
I feel like the color blue. .

Fazia tanto tempo que elas não tinham uns minutos só para elas. Desde que esse ano escolar começara cada uma delas estivera ocupada demais com coisas sem importância e não haviam se lembrado que o importante era elas estarem ali uma para a outra como as verdadeiras amigas que elas sempre foram.

You're packin up your stuff and talkin like it's tough
and tryin to tell me that it's time to go
But I know you ain't wearin' nothin' underneath that overcoat
And it's all a show

Elas nem viram as quatro pessoas que desciam as escadas em direção a sala comunal, na intenção de visitarem clandestinamente a cozinha...

That kind lovin'
Makes me wanna pull
Down the shade, yeah
That kinda lovin'
Yeah, now I'm never gonna be the same

Elas eram de fato lindas... Elas eram de fato perfeitas e eles estavam de fato loucos...

I go crazy, crazy, baby, I go crazy
You turn it on
Then you're gone
Yeah you drive me
Crazy, crazy, crazy for you baby
What can I do, honey
I feel like the color blue. . .

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Quando as aulas começaram de novo os professores não pareciam muito interessados em pegarem leve com os alunos. Já no primeiro dia eles tiveram varias novas lições e trabalhos para serem entregues na semana seguinte.

-Cara, eu não agüento mais! -Sirius reclamou -As aulas só voltaram ontem e já tem uma pilha de tarefa acumulada.

-Como se você fizesse lição alguma, Sirius. -Remus falou revirando os olhos.

-Eu não faço, mas também não gosto de ver coisas acumulando na minha mochila. -o moreno falou como se fosse obvio.

Remus revirou os olhos.

-Mudando de assunto... -Peter falou -Quando a gente vai por a Evans de detenção?

-Hum, boa pergunta Rabicho... -Sirius falou pensativo.

-Tem que ser logo, porque na semana de lua cheia não da. -Remus lembrou.

-O que você acha, Pontas? -Peter perguntou virando-se para o amigo.

-É, o que você quiser Peter. -James respondeu vagamente.

Os amigos trocaram olhares cansados.

-É com você, Almofadinhas. Você é o melhor amigo. -Remus falou.

-Ah, obrigado, Aluado. Faz uma semana que eu quero fazer isso. -Sirius falou estralando os dedos.

Ele se pôs de frente para James, que sequer vira o amigo ali e acabou batendo nele. Quando ele levantou a cabeça para perguntar o que tinha acontecido o punho de Sirius atingiu-o com tudo, fazendo-o cair para trás.

-CARALHO, SIRIUS! -James gritou irritado, levantando-se num pulo -O que você pensa que esta fazendo?

-Tentando fazer você reagir James. -Sirius retrucou irritado -Você tem andado como um fantasma. Chega dessa autopiedade. Não é assim que você vai conseguir a Lily. Vira homem, inferno!

James olhou em choque para Sirius.

-Cara, a Kira ta te fazendo mal. Você ta virando um ser humano. -James falou com um sorriso maroto.

-O que você quer dizer com... -Sirius não teve tempo de completar a frase, já que no minuto seguinte foi o punho de James que acertou seu rosto.

-Essa foi pra retribuir, Almofadinhas. -James falou com um sorriso vitorioso.

-Finalmente as coisas voltaram ao normal... -Remus falou com um suspiro aliviado.

-A gente deixa eles se matarem? -Peter perguntou.

-Eles não vão se matar. -Remus concluiu tranqüilo -Pelo menos eles não fizeram isso até hoje.

-Ei Aluado! -James chamou -Vamos logo que nos temos que planejar como por a Lily em detenção.

Remus revirou os olhos.

-Eu não disse?

XxX

No dia seguinte eles já tinham um plano mais ou menos formado. Eles teriam que tentar fazer Lily azarar Sirius. Remus não estava botando muita fé nesse plano, mas como Lily estava muito mudada talvez ela realmente azarasse Sirius se ele lhe desse motivos. E de uma coisa eles sabiam: quando Sirius queria ele conseguia ser um perfeito idiota.

-Senhorita Evans! –os marotos pararam no corredor ao ouvirem a pequena primeiranista de vibrantes cabelos vermelhos dirigir-se timidamente para Lily.

-Olá. –Lily falou com um sorriso –Eu posso ajudar?

A menina fez um gesto de confirmação nervoso e engoliu em seco antes de falar.

-É que... As minhas amigas falam que é só coincidência, mas... –ela respirou fundo –Você é a autora desse livro, não é? –a menina perguntou estendendo o volume de cor azul bebê que Lily conhecia tão bem.

-Sim. –Lily respondeu com um sorriso –Esse livro é meu.

O sorriso da menina aumentou.

-Eu adoro esse livro! Você escreve muito bem!

-Obrigada.

-Você poderia... –a pequena hesitou, parecendo tímida –Você se importaria de...

-Você me deixaria assinar seu livro? –Lily perguntou no lugar dela –Seria uma honra para mim.

O rosto da menina iluminou-se ainda mais. De longe os marotos haviam acompanhado cada detalhe da conversa.

-Um livro! Ela escreveu um livro. –Sirius falou como se a idéia fosse ridícula.

-Nós já ouvimos isso, Sirius. –Remus falou revirando os olhos.

-Nós temos que saber sobre o que é esse livro! –James falou decidido –Talvez lá nós possamos conseguir algumas respostas!

-Ah é James? –Sirius falou debochado –Você tem noção que esse é um livro de garotas? Isso deve ser um nojo de ler. Quem leria uma droga dessas?

No mesmo instantes três olhares marotos viraram-se para Remus, que arqueou a sobrancelha.

-Nem pensem nisso. –ele avisou.

-Ah qual é Aluado! –James pediu –Você é o único de nós que gosta de ler.

-Mesmo assim, James! –Remus reclamou –Imagina se alguém me vê lendo um livro desses? Sem chance.

-Eu prometo não arrumar confusão por um mês na escola. –James falou.

Remus deu de ombros.

-Dois meses! –o moreno insistiu.

Remus deu de ombros mais uma vez.

-Eu passo o resto do ano sem me meter em confusão! –James prometeu.

Isso chamou a atenção de Remus. O lobisomem olhou lentamente para James e arqueou a sobrancelha.

-Palavra de maroto? –Remus exigiu.

-Palavra de maroto. –James afirmou sem hesitar.

-Certo. Eu leio o livro.

XxX

Lily voltava das aulas da tarde, exausta. Esses dias estavam sendo uma loucura e ainda havia mais uma festa para planejar...

-Olha quem esta aqui...

Lily bufou frustrada. Conhecia aquela voz odiosa. Colocou seu melhor sorriso falso no rosto.

-Bellatrix, meu amor. –ela falou com falsa empolgação –Como vai a rainha das mal amadas? –a ruiva provocou –Veio me ameaçar como ameaçou a Katherine, no lugar de procurar a Kira?

O olhar de Bellatrix era de puro ódio.

-Aquela sua amiguinha é só mais umazinha qualquer que o Sirius vai usar e depois descartar. Eu não tenho que me preocupar com ela.

-Ah que bom. –Lily falou irônica –Sendo assim, que tal você sair do meu caminho?

Os olhos de Lily irradiavam uma frieza de dar medo. Bellatrix não era a única que sabia ser ameaçadora quando queria.

-Você pode estar se achando toda confiante agora, sangue ruim, mas saiba que o momento que as pessoas da sua laia serão todas destruídas esta se aproximando.

-Como quiser, Bellatrix. –Lily falou decidida a ignorar a garota. Ela afastou-se e deu as costas para Bellatrix.

Uma pequena multidão começava a se juntar ali, esperando por uma briga. Lily viu Remus vindo pelo corredor. Ela não ia pegar uma detenção por causa daquela cretina. Não valia a pena.

-Quando nosso mestre subir ao poder sangues-ruim como você serão os primeiros a sofrerem. –Bellatrix continuou sem se importar com a platéia que a ouvia –E logo depois virão os traidores do sangue, como os pais medíocres daquele seu namoradinho Potter.

Nessa hora uma fúria cega tomou conta de Lily e ela não mediu conseqüências. Ela virou tão rápido que Bellatrix nem teve tempo de reagir antes do punho de Lily acerta-la em cheio no rosto. A morena caiu no chão. Expressões de choque vinham de todos.

-Dobre a língua para falar dos Potter, sua cobra venenosa. Eles têm muito mais classe, honra e dignidade do que sua família sangue puro jamais terá. –Lily falou cheia de raiva.

A essa altura dos acontecimentos Remus já estava ali ao seu lado.

-Lily, o que aconteceu? –ele pediu.

Antes que Lily pudesse responder a professora Vector apareceu ali.

-O que esta havendo aqui? –a professora exigiu.

-Eu soquei Bellatrix Black. –Lily falou confiante, para uma chocada professora –E pode por nos registros de Hogwarts. E escreva meu nome e o dela muito certo. –Lily falou de forma orgulhosa, no que aplausos vieram dos alunos ali presentes.

XxX

-Então no fim a Lily só pegou um dia de detenção? –Katherine perguntou para Remus.

Os dois estavam mais uma vez sozinhos na sala da monitoria. A monitora chefe havia saído para fazer suas rondas e os outros monitores também já haviam ido embora. Remus ficara para organizar a sala e Katherine também.

-Sim. –ele respondeu –A professora McGonagall considerou a provocação que a Lily recebeu. Então a Lily só recebeu um dia de detenção e a Bellatrix perdeu pontos para a Sonserina.

-Você que vai supervisionar a detenção dela? –a morena perguntou.

-É. Assim eu pego leve com ela. –ele falou com um sorriso maroto.

-Olha só. Quem imaginaria que nosso monitor chefe tinha um lado tão maroto. –Katherine falou irônica.

-Para você ver como as pessoas surpreendem, Rider.

Katherine sorriu levemente, mas não respondeu mais nada.

Remus olhou para a morena sentada na mesa. Ela lia e organizava os papéis da reunião, sem prestar atenção a ele. Ele não sabia como ela conseguia ficar tão indiferente a situação. Para ele era impossível. Pensar que eles já haviam se beijado ali naquela mesma sala só fazia sua cabeça ferver com idéias, mas ela parecia alheia a tudo isso. Talvez o beijo que significara algo para ele não havia significado nada para ela.

Ele se aproximou e sentou-se numa cadeira próximo a ela.

-Eu ouvi que você terminou com a Lufa-Lufa. –Katherine comentou displicente sem tirar os olhos dos papéis que lia.

Remus arqueou a sobrancelha.

-Eu terminei com ela essa tarde. Como você já estava sabendo?

-Com certeza terminar na frente do quadro da Camponesa Tristonha não foi sua melhor idéia. –Katherine explicou –A única felicidade dela é espalhar a desgraça alheia.

Remus soltou uma risada infeliz.

-Por que você terminou com ela? –Katherine perguntou olhando-o finalmente –Vocês pareciam tão bem juntos.

-É que... –Remus desviou os olhos –Eu não gostava dela o mesmo tanto que ela gostava de mim. E também havia coisas que eu estava escondendo dela.

Ele virou-se para encara-la e algo no olhar de Katherine o assustou. Ela mordia o canto do lábio parecendo pensativa e havia um sinal de entendimento em seus olhos, como se ela soubesse exatamente do que ele tava falando. Isso o preocupou.

-Rider... –ele começou, mas ela pareceu despertar e levantou-se nervosamente.

-Nós temos que terminar isso, Lupin. Acho bom nós trabalharmos mais rápido. –ela falou de maneira nervosa, nada convencional nela.

Ela levantou-se e derrubou alguns papéis no chão.

-Droga! –ela murmurou nervosamente, antes de se abaixar para recolher os papéis.

-O que deu em você Katherine? –Remus perguntou incomodado, ajoelhando-se para ajuda-la com os papéis.

-Do que você me chamou? –ela perguntou levantando os olhos para ele.

-De Katherine. –ele falou tranqüilo.

-Você nunca me chamou pelo nome. –ela falou baixinho.

-Você nunca disse que queria que eu te chamasse pelo seu nome. –ele falou olhando fundo nos olhos dela.

Ao se ver presa pelos olhos cor de mel de Remus Katherine levantou-se rapidamente, deixando os papéis no chão mesmo. Remus levantou-se também.

-Olha, Lupin... –ela começou virando-se para ele.

Remus não permitiu que ela terminasse. Puxou para perto de si, colando seus lábios. Katherine soltou um murmúrio de surpresa e seu corpo pareceu travar com a tensão. Ela não reagiu para se soltar, mas também não reagiu para retribuir o beijo.

-Katherine... –ela ouviu Remus murmurar seu nome e seu corpo simplesmente amoleceu.

No segundo seguinte seus braços envolviam o pescoço do maroto e ela o beijava de volta, com a mesma atenção e desejo.

Ela deu dois passos para trás e sentiu a mesa batendo em suas costas. Remus pareceu também perceber a situação. Ele passou as mãos nas pernas dela, fazendo-a sentar-se na mesa. A coisa toda parecia absurdamente descontrolada e ao mesmo tempo absurdamente certa.

Lily, Kira e Gabrielle vinham pelo corredor na direção da sala da monitoria para chamar Katherine. Ela sempre perdia a noção do tempo. Lily abriu a porta e já ia entrar, quando voltou para trás e fechou a porta mais uma vez.

-O que foi Lily? –Kira perguntou confusa.

-Creio que nossa amiga não precisa ser interrompida no momento. –ela falou com um sorriso maroto.

-O que te faz pensar isso? –Gabrielle perguntou confusa.

-Quem sabe o fato de ela estar se agarrando com o Remus em cima da mesa? –Lily falou irônica.

As três trocaram sorrisos maldosos.

-Circulando meninas. –Lily falou –Com sorte nossa moreninha chega bem tarde no dormitório hoje...

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Suas bocas não se separavam, mesmo que os pulmões queimassem pela necessidade de ar. Nenhum deles precisava tanto assim de ar naquele momento. Os corpos estavam colados que pareciam a ponto de se fundirem e estranhamente parecia sobrar espaço entre eles.

Remus mordiscou o lábio inferior de Katherine e ouviu ela murmurar alguma coisa que ele não conseguiu entender. Suas mãos foram para o elástico que prendia o cabelo dela, que ele puxou, deixando os fios negros caírem livres. A sensação dos cabelos macios dela era maravilhosa.

Sentiu os lábios de Remus desgrudarem dos seus e descerem para seu pescoço, passando pela fina corrente de prata que ali se prendia. Um presente de Natal que ganhara de...

-Patrick! –Katherine murmurou de repente parecendo acordar.

Ela afastou Remus de si energicamente.

-Lupin, eu tenho namorado. –ela falou chocada –Eu não estou jogando a culpa em você e me livrando da minha própria, mas o Patrick não merece isso. –ela declarou firme –Eu sinto muito, mas isso não devia ter acontecido. –ela falou antes de sair da sala, sem sequer olhar para trás.

No momento em que se viu sozinho Remus não pôde segurar um grito frustrado. Estivera tão perto...

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No dia seguinte a escola inteira comentava o fim do namoro de Katherine e Patrick. Aparentemente tudo acontecera tão rápido que nem ele mesmo sabia porque eles haviam terminado. Todos estavam esperando que Katherine surgisse a qualquer momento com um novo namorado, afinal não havia para nenhum deles nenhum outro motivo cabível para o rompimento.

-Explica de novo essa história, Katherine. –Gabrielle pediu confusa –Você não vai ficar com o Lupin, mas terminou com o Patrick. O que deu em você?

Katherine suspirou cansada. Aparentemente as amigas haviam visto sua sessão de beijos com Remus e agora não a deixavam em paz.

-Eu já falei, Gabrielle. –a morena começou impaciente –Eu não vou ficar com o Remus porque eu não quero e eu terminei com o Patrick porque eu beijei o Remus. Se meu namoro com o Patrick estivesse tão bom quanto aparentemente estava eu não teria beijado outro garoto por impulso. E ele também não merecia que eu fizesse isso.

-Ok, você esta sendo muito generosa com os sentimentos do seu ex... –Kira começou um tanto irônica –mas e os sentimentos do Lupin? Você esta pensando neles?

Katherine respirou fundo, procurando paciência como se falasse com crianças especialmente estúpidas.

-O Lupin não precisa que eu me preocupe com os sentimentos dele. Ele já é grandinho o bastante e eu tenho certeza que ele sabe que o que aconteceu com a gente foi meramente fruto de uma atração de minuto.

-Ah é... Como aquelas outras duas vezes né? –Lily falou irônica calçando seus tênis. Ela estava se arrumando para sua detenção que começaria em alguns minutos.

-Sim, como aquelas outras vezes. –Katherine respondeu tranqüila –E acho bom você ir logo ou você vai se atrasar Lily.

-Ok, queridinha eu já vou. –Lily falou colocando-se de pé –Desejem-me sorte.

-Como se você precisasse... –Kira comentou irônica.

Lily olhou para a amiga com uma cara de falso choque.

-Ora, obrigada por essa, Kira. –a ruiva falou irônica.

-Sempre as ordens. –Kira falou tranqüila enquanto folheava uma revista calmamente.

Lily revirou os olhos e deu uma risada antes de sair do quarto em direção a sala de troféus que esperava para ser limpa.

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-De jeito nenhum, Pontas! –Remus falou inconformado, tentando empurrar o amigo para fora da sala –Não tem jeito de eu deixar isso acontecer.

-Remus, por favor! Você é meu amigo. –James lembrou agarrando-se ao batente, tentando voltar para dentro da sala.

-Eu estou começando a pensar que você tem abusado demais desse detalhe. –Remus falou irônico parando de empurrar James por um minuto.

Os dois estavam tendo essa discussão na porta da sala de troféus. James queria ficar ali, escondido sob a capa de invisibilidade para espiar a conversa de Remus e Lily. E Remus se negava a deixar isso acontecer.

-Aluado por favor! –o moreno insistiu –Você vai me contar de qualquer jeito o que ela falou, porque eu não posso ficar e ouvir por mim mesmo? –ele insistiu de forma quase infantil.

-Porque não! –Remus falou exasperado –A conversa que eu vou ter com a Lily é particular. Eu vou te contar o que achar que posso te contar, mas eu não posso trair a confiança dela desse jeito!

James abaixou a cabeça, começando a considerar seriamente o que o amigo falava. De fato ele não tinha o direito de ficar ali e ouvir tudo o que a ruiva tinha a dizer.

Ele ia dizer para Remus que ia embora quando eles ouviram passos se aproximando.

-Droga, ela chegou! –Remus praguejou baixinho –Entra depressa James. Se esconde embaixo da capa e não abra a boca! –ele exigiu.

James acenou com a cabeça e se colocou contra um dos cantos da sala se cobrindo com a capa. Ele mal teve tempo de se certificar que estava todo coberto quando a ruiva entro na sala. James teve que respirar fundo duas vezes. Ela estava simplesmente linda. Com uma calça jeans desbotada, uma camisa que deixava sua barriga a mostra e os cabelos presos numa trança.

-Boa noite, Remus. –Lily falou sorrindo animada.

-Boa noite, Lily. –Remus falou sorrindo amigo –Você parece bem animada para quem ta de detenção.

-É que fazia tempo que eu não tinha oportunidade de conversar com você e eu sentia falta disso. –ela respondeu tranqüila –Então eu pensei que enquanto eu limpava os troféus nós podíamos conversar que nem antigamente.

Remus deu um sorriso. Ele fez um aceno com a varinha e um pano começou a mover-se sozinho polindo os troféus.

-Na verdade eu estava pensando na mesma coisa. –ele falou com um sorriso maroto –Tirando a parte de você estar limpando os troféus.

Lily riu.

-Você continua igualzinho, Remus. Engana a escola inteira com essa cara de santo, quando na verdade é tão ruim quanto os seus amigos.

Remus riu.

-Ei, isso é um elogio ou eu deveria estar ofendido? –ele perguntou fingindo estar inconformado.

-Leve essa do jeito que quiser. –Lily falou levantando as mãos em sinal de rendição.

Os dois riram juntos e sentaram-se lado a lado no chão da sala. Sempre era tão fácil falar com Lily. Não importava quanto tempo passasse, ele sempre sabia o que falar para ela e ela sempre sabia o que falar para ele. A amizade deles meio que não tinha explicação, vinha de lugar nenhum e estava lá firme e forte e prometia estar para sempre.

-Então... Socar sonserinas é moda nova ou aquilo teve um real motivo? –Remus perguntou divertido.

-Aquela vagabunda mereceu. –Lily falou dando de ombros.

-Mas por que Lily? –Remus insistiu –Você não é de perder a cabeça desse jeito, sem contar que agressão física? Se fosse um feitiço eu entenderia melhor, mas um soco?

Lily não respondeu nada, limitando-se a fixar os olhos no pano que limpava os troféus sozinho.

-Um dos alunos que viu a briga... –Remus continuou com cuidado, sabia que podia estar entrando em terreno perigoso –Disse que você só se irritou e bateu na Bellatrix quando ela colocou os pais do James no meio da discussão.

Os olhos de James se arregalaram em surpresa. Esse detalhe Remus não tinha lhe contado.

-E dai? –Lily resmungou.

-E dai? –Remus repetiu descrente –Você grita aos quatro ventos que odeia o Pontas e quando alguém ofende os pais dele você parte pra agressão? –ele falou um tanto irônico –Se esforça mais, Lily, essa não convenceu.

Lily suspirou e Remus teve a impressão que era tristeza o que estava ali.

-Lily, eu sou seu amigo. Se tem alguma coisa que você quer me contar eu vou ouvir. –ele afirmou segurando a mão dela entre as suas, numa forma de conforta-la e garantir que estava ali.

-Eles são boas pessoas, Remus. –Lily falou olhando agora para as mãos dos dois ali juntas –Aquela cobra não tinha o direito de dizer nada daquilo a respeito deles.

James se encheu de orgulho. Sua ruivinha ali defendendo seus pais parecia tão lindo. Mas foi ai que ele se tocou que tinha uma coisa faltando, mas Remus aparentemente também percebeu porque logo ele fez a pergunta que rodava a cabeça de James.

-De onde você conhece os pais de James?

Lily olhou para ele e ele sentiu como se aqueles olhos verdes devorassem até sua alma.

-Eu te conto, Remus, mas você tem que jurar que não vai contar para ninguém, especialmente para o Potter. –ela pediu –Eu confio muito em você Remus, mas eu não quero que ele saiba.

Remus sentiu uma dor enorme no peito sabendo que faria Lily contar algo a ele e que James estaria ali ouvindo algo que ela estava confiando a ele, mas de certo jeito ele não estaria mentindo para ele.

-Eu não vou contar nada ao James. –ele afirmou.

Lily respirou fundo. O que quer que ela tivesse para contar a Remus agora parecia ser extremamente doloroso para ela.

-Eu menti, Remus. –ela falou de repente, encarando-o de forma profunda –Todo esse tempo eu estive mentindo.

-O que você quer dizer com isso, Lily? –Remus perguntou confuso.

-Eu não voltei para Hogwarts porque meus pais morreram. –ela falou, voltando a olhar para o pano mágico –Eu já ia voltar antes deles morrerem. Estava decidido. Eles estavam se mudando da Austrália para o Japão e eu havia dito que não queria mais ficar pulando de país para país e eles me entenderam. Eu disse que queria voltar para Hogwarts e eles entenderam. –ela sorriu triste –Nós estávamos vindo de carro para Londres, porque tínhamos passado uns dias na casa de uma amiga da minha mãe que morava no interior. Meus pais tinham ficado de se encontrar com os pais da Gabrielle para combinarem se eu podia ficar la até o começo das aulas.

(n/a: o resto dessa parte sera mostrado como flashback, mas a Lily esta contando para o Remus)

FLASHBACK

Lily e os pais estavam num carro, vindo por uma das estradas que levava a Londres. Era uma noite calma, a lua e as estrelas brilhavam no céu.

Lily sentia-se tão feliz. Depois de tanto tempo voltar para Hogwarts parecia um sonho. Ela nunca imaginara que seus pais a deixariam voltar sem eles, mas na verdade ela sequer pedira. Tivera medo de irritar os pais. Como fora boba. Bastara pedir, conversar e eles deixaram.

Eles conversavam felizes, rindo. Petúnia havia ficado na outra cidade porque encontrara um rapaz, que na opinião de Lily era tão desagradável quanto ela. Mas ela estava bem ali, sem a irmã para chamá-la de aberração e de coisas bem piores a cada cinco minutos.

Petúnia sempre tivera inveja de Lily, mas depois da transformação que ela sofrera a coisa piorou bastante porque Lily se tornou mais bonita, mais popular, mais tudo.

Eles riam enquanto o pai de Lily dirigia calmamente pelas estradas vazias. Um ou outro carro passava por eles, mas bem raramente. Mas de repente algo aconteceu.

Eles vinham por uma parte da pista que era reta. Era possível ver tão longe quanto o farol do carro permitisse e não vinha ninguém por ali, nem a frente nem atrás deles. E foi por isso mesmo que o susto foi ainda maior. Do nada uma figura surgiu no meio da pista. No um segundo que teve antes de tudo acontecer Lily soube que aquilo havia sido aparatação.

O pai de Lily virou a direção tentando evitar bater na figura encapuzada, mas mesmo o carro não estando a uma velocidade muito grande a virada foi muito brusca. Ele perdeu o controle do veiculo e este capotou, parando fora da pista, num campo gramado.

Lily sentia-se tonta. Estava presa de cabeça para baixo pelo cinto. Ouviu seu pai dizer algo, mas não conseguiu assimilar exatamente o que era. Sua cabeça latejava. Soltou seu cinto e caiu. Conseguiu sair pela janela aberta do seu lado. Seu pai também estava fora do carro. Viu que sua mãe ainda estava presa ao cinto, desacordada, pelo menos era o que ela esperava. Seu corpo inteiro doía e tremia, sua cabeça pesava e ela tinha vontade de fechar os olhos e dormir.

Viu seu pai olhar na direção da pista e mesmo estando a ponto de desmaiar sentiu um aperto no peito. Ele não devia se aproximar de qualquer que tivesse sido o bruxo que houvesse surgido do nada ali.

Ela, porém, não teve tempo de dizer isso a ele, antes que um flash de luz verde atingisse seu pai e ele caísse inerte no chão.

Lily não teve muita certeza, mas ela lembrava vagamente de ter gritado nesse momento.

A figura encapuzada se aproximou dela. O rosto escondido nas sombras, mas Lily pode ver que ele mancava, devia estar fugindo dos aurores. Ele inclinou a cabeça para trás e Lily pôde ver o sorriso sádico que pairava em seus lábios quando ele levantou a varinha em sua direção.

Ela sabia o que aconteceria com ela. O mesmo que havia acontecido com seu pai e o mesmo que aconteceria com sua mãe. Ela não desviou o olhar do rosto do Comensal. A adrenalina corria tão forte agora que ela sem se lembrava mais do desejo de desmaiar de antes.

Foi quando um barulho chamou a atenção do Comensal. Sua mãe dentro do carro parecia prestes a despertar e balbuciou alguma coisa. O Comensal virou-se para ela e antes de matar Lily decidiu-se por matar a mulher.

Lily viu a luz verde atingir sua mãe, mas uma vez o corpo travado sem poder fazer nada. E sabia que agora era o fim. Ela ouviu um estalo em algum lugar perto dela. Um raio de luz vermelha veio de algum lugar que ela não soube onde. Vozes, mais vozes e então escuridão.

XxX

Ela abriu os olhos e se deparou com um teto branco. A sua cabeça latejava e a luz não ajudava nada.

Ela levou a mão aos olhos, tentando impedir aquela luz de cegá-la mas então, sem que ela fizesse nada as luzes diminuíram de intensidade.

Ela olhou em volta e viu que parecia estar num quarto todo quarto de hospital, ela imaginou. Olhando em volta ela deteve-se a visão de uma mulher que estava sentada em uma poltrona, a varinha na mão.

-Me desculpe querida. –a mulher falou –Eu devia ter pensando que quando você acordasse as luzes seriam fortes demais para você.

A voz dela era cheia de calor e bondade, Lily pensou deixando seus olhos se fecharem cansados, mas mantendo-se acordada.

-Você sabe me dizer quem é? –a mulher perguntou mais uma vez. Lily pôde dizer pelo volume da voz dela que ela estava se aproximando.

-Lily Evans. –ela respondeu com a voz cansada.

-Bom. –a mulher falou, parecendo aliviada –Você sabe onde esta?

-Levando em conta sua varinha, eu diria que no St Mungos. –Lily falou um tanto seca.

-Exatamente. –a mulher respondeu sem se abalar –Acho melhor você se sentar um pouco. Você esta dormindo há quase dois dias.

Antes que Lily pudesse responder a cabeceira da clama se levantou suavemente fazendo com que Lily ficasse sentada, mas ainda sim encostada a uma superfície firme e confortável.

Lily pôde ver com clareza as feições da bela mulher a sua frente. Ela parecia jovem. Lily nunca diria que ela teria mais que trinta e cinco anos. Ela tinha cabelos castanhos, que caiam em uma cascata de fios macios até a cintura, com graciosos cachos na ponta. Ela tinha os olhos castanho-esverdeados e lábios cheios. Algo nos olhos dela lembravam Lily alguém que ela não saberia dizer quem. As vestes azul-celeste dela mostravam que ela deveria ser alguém com muito dinheiro.

-Meu nome é Giulia Potter. –a mulher falou interrompendo a analise de Lily.

Lily olhou para a mulher com as sobrancelhas arqueadas. Não podia ser...

-Você sabe quem eu sou. –Lily falou firme.

-Sim, você é Lily Evans. Estudou em Hogwarts até parte do seu quinto ano e então se mudou sem falar mais nada para a maioria dos seus colegas, mas manteve contato com um ou outro. –Giulia falou balançando a cabeça de forma pensativa –Também sei que você era monitora, temperamental, mas tímida na maior parte do tempo e que você não se dava nada bem com o meu filho. –ela completou com um sorriso um tanto maroto.

-Você é mãe do Potter. –Lily concluiu bufando.

-Do James, sim. –Giulia afirmou rindo levemente –Muito prazer em finalmente conhece-la, senhorita Evans,

-O que você quer dizer com "finalmente"? –Lily perguntou desconfiada.

-James só fala de você. –Giulia falou tranqüila –Algo relacionado a você ter algum dia dado um fora nele e também porque você tem os olhos mais maravilhosos, os cabelos mais macios... Bom, Sirius e Peter enchem ele muito por causa disso. –Giulia comentou despreocupada.

Lily arqueou a sobrancelha.

-Até quando eu vou ficar aqui? –Lily perguntou de repente.

-Ah nós só estamos esperando duas pessoas chegarem e daí será decidido o que você vai fazer daqui para frente. –Giulia explicou com um sorriso gentil.

Lily estava se esforçando para não gostar dela, afinal de contas era a mãe daquele idiota do James Potter, mas Giulia era cativante de uma maneira única. Lily se perguntava quantos anos ela teria, porque ela parecia jovem demais para ser mãe de James.

Uma batida na porta do quarto despertou-a de seus devaneios.

-Entre. –Giulia falou.

A porta abriu-se e por ela entraram duas pessoas. Uma Lily se lembrava com perfeição: Albus Dumbledore, o diretor de sua amada escola. Ele olhou para ela com seus olhos gentis e lhe deu um sorriso caloroso.

-Senhorita Evans, você não sabe quanto me alegra vê-la bem. –ele falou.

-Obrigada, professor. –ela falou com um sorriso –É bom ver o senhor também.

Logo atrás de Albus vinha um homem que devia estar na casa dos quarenta anos para mais, de cabelos castanhos estranhamente bagunçados para um homem daquela idade, mas de um jeito até charmoso, olhos castanhos com um vivido brilho de menino arteiro, óculos e bigode e cavanhaque. Ele parecia muito com alguém...

-Lily, esse é meu marido Andrew. –Giulia falou indicando o homem.

-Que prazer vê-la acordada, senhorita Lily. –Andrew falou adiantando-se e beijando a mão dela de forma charmosa. Não era a toa o charme que James tinha –E também poder ver que seus olhos são tão lindos quanto James sempre falou.

Lily arqueou a sobrancelha de maneira debochada.

-Sei... Ele deve ter comentado uma ou duas vezes o encantador desafio que ele achou na escola. –ela comentou de maneira ácida.

-Tão temperamental como Remus sempre disse. –Andrew comentou com um sorriso despreocupado –Ele só não tinha falado que era tão sarcástica.

-Eu não era quando Remus me conheceu. –ela falou baixinho, mas todos ali ouviram.

Um silêncio desconfortável caiu no quarto. Dumbledore foi o primeiro a quebrá-lo.

-Lily, eu sinto lhe dizer que...

-Meus pais estão mortos, eu sei professor. –ela cortou seca –E não precisa se preocupar que eu não estou pretendendo chorar em nenhum futuro próximo. Assim que tudo estiver devidamente acertado na minha vida eu irei chorar rios por meus pais, mas não vai ser agora. –ela afirmou.

-Lily, minha cara. –o diretor falou de maneira gentil –Você pode chorar agora. Nós esperaremos até que você tire toda essa dor de você, se assim você desejar.

-Não, não agora. Eu só quero saber o que vai ser da minha vida. –ela falou decidida.

Dumbledore fez um gesto de entendimento com a cabeça.

-Já que você quer assim, minha jovem... Você gostaria de saber o que aconteceu aquela noite que te colocou naquela situação? –ele perguntou delicadamente.

-Por favor. –Lily pediu.

-Andrew é auror. –ele falou indicando o homem ao seu lado, que agora estava com o braço passado pelo pescoço da esposa –Ele estava em uma missão atrás do Comensal da Morte que aparatou na pista, na frente do carro dos seus pais. Graças aos esforços do Ministério eles conseguiram saber onde ele havia aparatado, mas não a tempo de impedir o que houve com seus pais. –ele falou com pesar.

-Quando eu aparatei ali você estava prestes a ser mais uma vitima dele, Lily. –Andrew falou –Mas felizmente eu pude te salvar. Só sinto muito não ter sido rápido o bastante... –ele falou com sincero pesar.

-Você apagou. –Dumbledore continuou –Andrew encontrou sua varinha em meio as coisas que caíram do carro e ao saber que você era uma bruxa não hesitou em te trazer para St Mungos. O Ministério cuidou de encobrir dos trouxas o que realmente aconteceu ali, então o que foi oficialmente informado foi que seus pais morreram num acidente de carro e você foi levada para algum hospital. Nós nos encarregamos de encontrar a sua irmã, tão logo nós descobrimos o que houve, mas ela...

-Não tem interesse nenhum em meu bem estar. Eu sei. –Lily falou despreocupada.

-Eu pedi a Giulia que ficasse guardando seu sono, para que você tivesse alguém aqui caso acordasse confusa. –Andrew explicou.

-Mas pelo jeito não foi necessário. –Giulia falou com um sorriso –Lily é simplesmente brilhante, não é querida? –ela piscou marota para Lily.

Lily não pôde evitar um sorriso. Que raio de família marota era aquela?

-Resta saber se você quer mesmo voltar para Hogwarts agora querida. –Albus continuou –Pelas leis do mundo bruxo você já é maior de idade e pode decidir o que quer fazer. Assim que você tiver decidido nós traremos um advogado bruxo e ele cuidara dos detalhes para nós.

Lily respirou fundo.

-Não há nada mais no mundo que eu deseje mais do que voltar para Hogwarts. –ela respondeu após uma pausa.

-Que assim seja então, minha criança. –Dumbledore respondeu com um sorriso caloroso.

XxX

-Eu realmente não queria ter que incomodar vocês... –Lily falou sem jeito, enquanto via Giulia pedir ao elfo doméstico que guardasse as coisas de Lily no armário.

-Você não incomoda de jeito nenhum, Lily. –Giulia falou com um sorriso tranqüilo –Eu acho mesmo melhor que você passe sua recuperação aqui do que trancada naquele hospital ou na casa da sua amiga com aquela madrasta maluca que ela tem. –a mulher completou com uma careta.

Lily riu mesmo sem querer.

-Não se preocupe querida. James não vai estar aqui. –Giulia assegurou com um sorriso, mas Lily parou de rir imediatamente.

Giulia suspirou tristemente.

-Nós mandamos ele e Sirius para a casa dos pais de Andrew na Espanha pelo tempo que você estiver aqui. –Giulia completou –Lily, eu não sei exatamente porque você e o James não se dão bem, mas...

-Porque não, ok? –ela falou dando as costas para a Giulia, então bufou irritada consigo mesma –Olha, desculpa Giulia. A gente só pode, por favor...

-Não falar sobre isso. –Giulia completou por ela. Então sorriu –Claro querida. Você tem razão. Você deveria estar descansando e eu estou aqui te enchendo.

Lily riu.

-Você é incrível, sabia Giulia? –a ruiva falou sincera –Você parece tão jovem...

-Na verdade eu só tenho trinta e cinco anos. –Giulia falou.

Lily arregalou os olhos.

-Então você casou muito nova.

-Eu casei com dezessete. –a morena confirmou –E fiquei grávida um pouco depois dos dezoito.

-Nossa, mas você era nova demais... Não podia ter esperado mais?

Giulia riu.

-Querida, você provavelmente nunca esteve apaixonada de verdade. Quando o amor vem não tem o que fazer. –ela deu de ombros –Ele te pega, te derruba e, como no caso meu e do Andrew, te faz feliz para sempre. –ela piscou para Lily antes de sair do quarto e fechar a porta atrás dela.

Lily suspirou. Ela não queria saber como era. Se amar doesse mais do se apaixonar ai estava uma coisa que ela não queria experimentar nunca...

FIM DO FLASHBACK

Remus olhou para Lily em choque.

-Lily, você...

-Eu estou bem agora. –ela falou antes dele continuar –Minha saúde esta perfeita e de qualquer jeito eu não tive muitos machucados sérios. O comensal que matou meus pais esta em Azkaban como deveria ser. Eu fiquei na casa dos Potter por quatro dias e eles foram maravilhosos para mim. Eu nunca aceitaria que uma cadela como a Black falasse mal deles. –ela afirmou séria.

-Mas o James...

-Ele não tem que ficar sabendo. Não é da conta dele. –Lily falou e seu tom de voz deixava claro que ela não seria contestada.

-Bom, não deve ser mesmo, afinal nem os pais dele contaram para ele. –Remus soltou num tom um tanto ácido quase sem perceber.

-Meu deus, quando vocês vão perceber? –Lily falou agora irritadíssima levantando-se e começando a andar pela sala –Isso não é sobre o Potter. Não é sobre o que ele quer, o que ele sente. Isso é sobre mim! É minha vida, minha família, minha perda e a porcaria da MINHA dor! –ela falou furiosa, atirando um dos troféus que estava mais próximo contra a parede.

Remus olhou a explosão de Lily em choque. Ele realmente não tivera a intenção de magoa-la. Ele não pensara um minuto sequer antes de fazer um comentário em defesa de James e sequer lembrara que de fato James não tinha nada a ver com aquilo. Aquela era Lily, a vida dela, as escolhas dela. E por mais que as atitudes dela refletissem de algum jeito em James não era ele quem importava no momento. Ela estava ali abrindo seu coração para ele, confiando um segredo que ele estava traindo cruelmente e ele ainda defendera James.

Lily sentou-se no chão, dessa vez longe de Remus e afundou o rosto nas mãos. A essa altura o maroto já até se esquecera que James estava ali. Quem importava agora era Lily. Em silêncio ele caminhou até ela e sentou-se ao seu lado. Ele puxou-a para um abraço que ela não recusou. Lily afundou o rosto no peito de Remus e retribuiu o abraço.

-Desculpa, Lily. –ele falou afagando os cabelos dela gentilmente –Você tem razão. O James não tem nada a ver com isso.

-Não precisa falar nada, Remus. –Lily falou baixinho –Eu só queria que você me abraçasse mais...

Remus fez o que ela pediu. Segurando-a mais firmemente em silêncio.

Longos minutos se passaram até que Remus achasse que era hora de falar de novo.

-Já está mais calma agora? –ele perguntou de forma brincalhona.

Lily riu suavemente.

-Já. –ela afirmou –Mas acho que aquele troféu não deve estar tão bem...

-Não se preocupe. –Remus falou dando de ombros –Era um troféu sonserino de qualquer jeito.

Os dois riram juntos. Remus olhou fundo nos olhos verdes de Lily.

-Você esta bem mesmo?

-Estou. –ela afirmou sorrindo –Obrigada por ser meu amigo, Remus.

-O prazer é todo meu, senhorita Evans.

Eles trocaram um sorriso cúmplice antes de Remus inclinar um pouco o rosto e depositar um beijo macio nos lábios de Lily.

-Ah... –Lily falou de repente, como se lembrasse de algo –Por falar nisso...

-Nisso o que? –Remus perguntou confuso.

-Em beijo. –Lily respondeu tranqüila.

-Que beijo? –Remus perguntou confuso.

-Esse que você acabou de me dar. –Lily respondeu revirando os olhos.

-Aquilo conta como beijo? –ele provocou divertido.

-Não, pra mim conta como incesto, mas de qualquer jeito... –Lily falou divertida –Você ta saindo com alguém? –ela perguntou direta.

-Por que você esta perguntando? –Remus perguntou desconfortável.

Um sorriso malicioso curvou os lábios de Lily.

-Ah sabe como é, Reminhu... –Lily falou provocante inclinando-se na direção de Remus.

O rosto do maroto tingiu-se de um vermelho intenso, enquanto ele se inclinava para trás como se quisesse se afastar da ruiva.

-Li-Lily, o que você esta fazendo? –Remus perguntou nervoso, gaguejando.

Lily olhou para ele intensamente antes de cair na gargalhada.

-Achou que eu tava te cantando Lupin? –ela perguntou em meio as risadas.

Remus respirou aliviado.

-Sei la. –ele se defendeu –Eu não sei mais o que esperar de você.

Lily riu mais uma vez.

-Não se preocupe Remus. Eu posso ter mudado muito, mas com todo respeito, eu não tenho vontade de repetir meu relacionamento com você. Aquele namoro foi a coisa mais estranha que eu já fiz.

-Ora obrigado por isso... –Remus falou irônico.

Foi ai que ele se lembrou de uma coisa: James estava ali naquela sala. E ele acabara de confirmar que ele e Lily namoraram. Uma coisa que nenhum de seus amigos sabiam...

-Foi estranho de um jeito bom, Remus. –Lily explicou –É que não parecia namoro, parecia amizade... Sei la, era como beijar um irmão.

Remus riu.

-Eu sei. Naquela época eu achava que era apaixonado por você. –ele confessou de forma tímida –Mas toda vez que eu te beijava eu sentia que faltava algo.

-Pois é, faltava mesmo. Por isso não é por mim que eu estou perguntando. É pela Katherine. –Lily explicou.

Um olhar ferido passou pelos olhos de Remus.

-Ela não quer saber de mim. –ele falou em voz baixa.

Lily suspirou.

-Ok, Remus, deixe-me deixar uma coisa bem clara para você: -Lily começou como se falasse com uma criancinha –depois de dois beijos pra lá de incendiários naquela bendita sala de monitoria você acha mesmo que ela não tem interesse nenhum em você? Faça-me um favor. –ela falou revirando os olhos –Você não só é alguém por quem ela tem interesse como é alguém que ela precisa, Remus. Ela não precisa de um namorado como o Butler que segue todos os esquemas malucos e perfeitos da vida dela. Ela precisa de um cara que goste dela o bastante para tira-la da linha de vez em quando, mas que mesmo assim a lembre de que as vezes ela tem que ser responsável. Ela precisa de alguém que goste dela do jeito que ela realmente é, sem ter que oferecer mais nada do que toda a verdade e só. –Lily suspirou antes de prosseguir –A Katherine tem uma idéia sobre a vida que não é saudável, Remus. Ela precisa de alguém que mostre a ela como as coisas são e eu sei que você é esse cara.

Remus olhou para Lily meio em choque antes de conseguir se recompor.

-E o que te faz pensar que eu sou esse cara? –ele desafiou.

-Porque você já fez ela perder a linha, caramba! –Lily respondeu impaciente –Ou você acha que ela beija qualquer um na sala de monitoria? –ela completou irônica.

-E o que você quer que eu faça? –Remus perguntou exasperado.

-Eu quero que você prense ela numa parede na primeira oportunidade que tiver e a beije até ela perder todo o ar e concordar em namorar você. –Lily falou de um jeito tão intenso que Remus até corou.

-Lily...

-Eu to falando sério. –ela avisou.

-Eu... Eu... –Remus gaguejou sem saber o que falar.

-Só me prometa que você vai pelo menos pensar sobre isso. –Lily pediu.

Remus abaixou a cabeça, antes de levantar os olhos para Lily. A ruiva se sentiu indefesa diante dos olhos inquisidores dele.

-Ela sabe que eu sou um lobisomem, não é? –ele perguntou de um jeito tão ameaçador que Lily engoliu em seco.

-Bom... –Lily começou, seu cérebro tentando trabalhar uma maneira de desconversar.

-Lily, nem tente me enrolar. –Remus falou parecendo ler os pensamentos dela –Só me diga de uma vez. –ele pediu, parecendo até mesmo cansado.

Lily suspirou.

-É, ela sabe. –a ruiva respondeu sincera.

-Mas como? –Remus perguntou exasperado, agora ele podia entender porque ela sempre fugia dele. Claro, porque não pensara nisso antes? Era tão óbvio...

-A Katherine teve um caso de licantropia na família dela. –Lily falou –Não foi difícil para ela reconhecer os sinais em você. Ela percebeu antes mesmo de mim. Ela sabe desde o terceiro ano.

Remus olhou para Lily em choque.

-Como assim um caso de licantropia na família?

-Sinto muito, Remus, mas eu não tenho o direito de contar essa história. Vai agarrar a Kitty e convence-la a te namorar que cedo ou tarde ela te conta. –Lily falou na defensiva.

-Ela não vai querer me namorar, Lily. –Remus falou tristemente –Agora tudo faz sentido. Era por isso que ela sempre fugia. Porque ela tem nojo do fato de eu ser um...

A fala de Remus foi cortada pelo som seco de um tapa.

-Não se atreva a dizer isso. –Lily falou irritada –Você não é um lobisomem. Essa é uma condição pela qual você passa, mas não é o que você realmente é. E Katherine não liga para isso. Ela seria a maior hipócrita do mundo se ela ligasse e eu não seria amiga dela. O que acontece entre você e ela não tem nada a ver com isso.

Remus olhava para Lily com os olhos arregalados e a mão cobrindo a face atingida pelo tapa.

-Isso doeu. –ele informou.

-Que bom. –Lily retrucou –Você mereceu.

Remus deu risada.

-Por que vocês sempre querem resolver as coisas no tapa? –ele perguntou massageando a face.

-Quem seriam "vocês" ? –Lily perguntou curiosa.

-Você, Sirius e James. –Remus respondeu divertido –Outro dia o Sirius acertou um belo dum soco no rosto do James só pra fazer ele acordar para a vida.

-Bom, ele deve ter merecido. –Lily falou friamente.

Então Remus lembrou-se o que ele deveria estar fazendo ai e também lembrou que... Ai Merlin, James estivera la o tempo todo. Era capaz de ele apanhar ainda mais uma vez antes de a noite acabar.

-Lily, eu sei que você possivelmente não vai querer falar sobre esse assunto... –ele começou cuidadoso –mas eu sou seu amigo, e eu quero entender. Desde que você voltou você parece mais agressiva em relação ao Pontas. Por que? O que aconteceu?

-Remus, eu não quero mesmo falar sobre isso. –ela avisou de forma cansada.

-Eu só quero entender Lily. –ele falou sincero –Juro que se você me disser a razão eu vou te entender e não vou mais falar sobre isso, mas eu realmente quero saber o porque.

Lily respirou fundo, antes de contar a ele algumas histórias de seu quinto ano. Remus ouviu com atenção, enquanto Lily lhe falava sobre o presente de Natal e sobre o que ele lhe dissera nas escadarias no dia que ela deixou Hogwarts.

Quando ela terminou a narrativa Remus olhou para ela esperando mais alguma explicação, mas ela se limitou a fitar ao vazio.

-Então é isso? –Remus insistiu –Simplesmente porque ele roubou seu primeiro beijo e porque ele te disse aquilo? –ele riu levemente –Lily, o James só estava agindo como um pirralho mimado. –ele explicou –Não é algo que ele faria agora. Ele seria mais honesto, ele...

-Ele ainda é um pirralho mimado, ok? –Lily explodiu –Ele não tem feito nada de melhor desde que eu voltei para Hogwarts. Continua a agir como o mesmo babaca sem sentimentos.

-Lily, você não ficou tão ofendida por tão pouco. –Remus entendeu –O que houve de verdade?

-Eu acreditei nele! –ela explodiu –Foi isso que aconteceu. Aquela menina boazinha e ingênua que eu fui ha um ano e meio acreditou no que aquele idiota disse. –ela falou irritada –Eu estava disposta a... A sei la o que. A dar uma chance para ele, mas ele teve que me dizer aquilo, daquele jeito frio e tão... –ela parou frustrada –Que seja. Eu já não quero saber mais nada dele.

-Mas Lily...

-Sem mais, Remus. –ela falou –Acho que minha detenção já acabou né? Foi bom falar com você, Remus. –ela falou enquanto se dirigia para a porta –Não se esqueça de agarrar a Katherine assim que você tiver uma chance. –ela falou mais uma vez antes de sair da sala e deixar Remus ali quase completamente sozinho.

Ele esperou por alguns segundos e quando James não saiu de lugar nenhum brigando com ele por ter escondido o namoro com Lily ele achou que havia algo de muito estranho ali.

-Accio capa! –ele ordenou, levantando sua varinha.

A capa de invisibilidade de James veio parar nas mãos de Remus, revelando o maroto de cabelos bagunçados parado num canto. Levou um minuto para que Remus entendesse o que havia acontecido. Ele se aproximou alguns passos do amigo e levantou a varinha mais uma vez.

-Finite Incantatem!

James finalmente se mexeu, parecendo ter se livrado de um grande estado de torpor.

-O que você fez com você mesmo? –Remus perguntou curioso.

-Quando eu vi a Lily entrando pela porta eu soube que não ia dar certo ficar aqui, então eu lancei um feitiço em mim mesmo que me impedia de falar e de me mexer. –James falou parecendo tentar recuperar o fôlego.

-Olha, até que você pensa de vez em quando, Pontas... –Remus falou brincalhão.

Foi ai que um alarme soou na sua cabeça e ele deu dois passos para trás um segundo antes do punho de James quase acerta-lo no rosto.

-VOCÊ NAMOROU A LILY E NUNCA CONTOU PRA GENTE? –James explodiu furioso.

Ah Merlin, la iam eles...

-James, por favor, se acalme... –Remus pediu num tom entediado, enquanto James tentava acerta-lo mais uma vez.

-Isso é traição em último grau, Remus! –James falou ainda enfurecido, indo para cima do amigo.

Remus desviava facilmente dos golpes de James. Os seus instintos de lobo o ajudavam muito nessa hora.

-James, vamos com calma, ok. –Remus pediu –Eu sei que você na verdade está com dor de cotovelo por eu ter namorado a Lily e você não.

-Isso não vem ao caso! –James respondeu –Você não contou pra gente! Isso é o que importa!

-Eu não contei porque eu não quis, ok? –Remus falou colocando uma mesa entre ele e James –Naquela época eu achava que era apaixonado pela Lily e achava que se contasse para vocês, vocês iam me encher até não poder mais. Daí eu optei por não falar nada.

-E você acabou de beija-la! –James falou ainda enfurecido.

-Um beijo de irmãos, James! –Remus falou impaciente –Eu não tenho mais nenhum sentimento romântico em relação a Lily.

-Ah, mas você já teve!

-No passado. Não tenho mais. –o maroto insistiu.

-Ok, que seja. –James falou se jogando no chão de forma pesada.

-James é sério. –Remus falou se aproximando cuidadosamente do amigo –Eu adoro a Lily, como amiga. Nada mais. –ele assegurou.

-Ta, eu só... Sei la, perdi o controle. –James falou, apesar de não parecer nada arrependido de ter tentado bater no amigo –Foi coisa demais para uma noite só.

-Pois é... O negócio com os seus pais... Quem iria dizer.

-Ah, mas eu vou escrever uma carta para eles você pode ter certeza. –James afirmou –Eles vão ter que se explicar direitinho.

-E quanto a Lily James? –Remus perguntou com cuidado.

-Cara, eu não sei. –o moreno falou frustrado –Mas não importa o que eu tenho que fazer eu vou ter aquela ruiva. Ou eu não me chamo James Potter.

XxX

Mais uma vez a reunião com os monitores havia sido um inferno graças aos Sonserinos. Lucius e sua gangue conseguiam ser realmente insuportáveis quando queriam. Lily também já deixara claro que não aceitaria mais ajuda nenhuma vinda dos Malfoy. Ficar fazendo acordo com o diabo não era a praia dela.

No fim da reunião, três dias depois da detenção de Lily, Katherine foi uma das primeiras a sair, chamada por uma das monitoras Lufa-Lufas. Gabrielle também saiu logo e pouco a pouco a sala foi esvaziando até que restaram apenas Lily, Remus, Kira e Lucius.

O sonserino parecia estar analisando uns papéis, totalmente alheio a presença dos outros. Kira e Lily conversavam com Remus de forma animada.

-Remus, por favor! –Kira pediu manhosa –O que te custa?

-Kira! –Remus falou vermelho –Você tem noção do que vocês duas estão me pedindo?

-O que? –Lily falou irônica –Para ser feliz e fazer nossa amiga feliz?

-Não! Caso você não se lembre eu devo lembra-la que não é exatamente isso que vocês duas estão me pedindo.

-Ah, fazê-la feliz, prensa-la na parede... –Kira falou revirando os olhos –Da tudo na mesma.

Remus pareceu corar ainda mais.

-Só me deixem em paz, vocês duas! –ele avisou se afastando.

-Reminhu, espera! –Lily pediu rindo e indo atrás do amigo.

Kira riu dos dois amigos e sentou-se numa das cadeiras, mas logo lembrou-se que não estava sozinha...

-A vida anda ocupada demais, Kira? –a voz fria e arrastada sussurrou em seu ouvido.

-Se for pra você, Malfoy, eu sempre vou estar ocupada demais. –ela respondeu levantando-se furiosa e ficando de frente para ele.

Lucius deu um passo para frente e num movimento rápido pegou o pulso de Kira puxando-a para perto até seus narizes se colarem.

-Fique se fazendo de difícil se você insiste Kira, eu sei como fazer você amolecer em dois segundos... –ele falou provocante.

Kira odiava isso, mas era verdade. Só de ouvir a voz dele ela já estava ficando mole. Cara, isso era ridículo demais! Ela tinha que se livrar disso. Ela imaginava que Sirius seria o bastante para faze-la esquecer Lucius, mas com o jogo que ela estava brincando com o moreno não ajudava em nada a libido dela.

Lucius estava se aproximando perigosamente e ela sabia o que vinha depois disso. Mas ela ia ser forte! Dessa vez ela ia! Se ela resistia ao famoso Sirius Black não seria o imbecil do Malfoy que ia dobra-la tão facilmente.

-Lucius. –a voz que veio da porta fez Kira afastar-se rapidamente de Malfoy. Ele por outro lado não parecia muito preocupado quando virou-se para a porta.

-Ola, Narcisa. –ele falou tranqüilo –Por que você voltou pra ca?

-Você estava demorando muito. –ela falou como se ver o noivo quase beijando outra garota fosse a coisa mais normal do mundo –Eu estava me perguntando se essas aberrações Grifinórias não tinham nada a ver com isso.

-Como se eles pudessem fazer algo contra mim.

Kira teve que se esforçar para segurar um riso de escárnio ao ouvir isso.

-Nos vemos depois, Narcisa. –Lucius falou passando pela noiva e deixando-lhe um frio beijo na testa.

Lucius deixou a sala e assim que a porta se fechou atrás dele Narcisa virou-se para Kira com olhos assassinos.

-Escuta aqui, sua traidora do sangue de uma figa! –Narcisa falou furiosa –Eu não estou nem ai se você esta de graça com o Sirius, ou se você sai com todos os meninos dessa escola. Só fique longe do MEU namorado!

Kira olhou em choque para a loira parada diante de si. Narcisa não era exatamente um gênio, e também era no mínimo vinte centímetros menor que ela, mas mesmo assim ela estava lá, fazendo frente com ela por causa de um imprestável como o Malfoy. E Kira não pôde não admirá-la nesse momento. Porque era impossível que ela não soubesse que Lucius também andava atrás dela, mas mesmo assim ela estava lá se humilhando por causa do noivo. E ai o pensamento atingiu ela. Ela acabara de sentir admiração por Narcisa Black. Tinha como ser mais ridículo? Mesmo sem querer e mesmo sabendo que o momento definitivamente não pedia ela não pôde evitar rir.

-Do que você esta rindo? –Narcisa perguntou inconformada.

-Foi mal, Black. –Kira falou tentando parar de rir –Mas nesse momento eu não consigo não te admirar e foi isso que me fez rir.

-Do que você esta falando? –Narcisa perguntou confusa.

-Você, como sua irmã querida, esta exigindo que eu fique longe do "seu homem", mas ao contrario dela você veio pessoalmente defender o homem que você chama de seu. E sabe de uma coisa? Eu te admiro por isso. De verdade. Espero algum dia poder ter o mesmo orgulho que você tem nesse momento em defender alguém que você ama.

A cara de choque de Narcisa era enorme.

-Não se preocupe que eu não tenho o menor interesse no seu namorado. –Kira avisou –E vou me manter o mais afastada dele que eu puder. Nada me faria mais feliz nesse mundo. –ela completou com um sorriso antes de se dirigir para a porta –Um prazer falar com você, Black. –ela falou de forma sincera –Tenha uma boa noite.

Narcisa ainda ficou parada dois minutos sem entender metade do que aconteceu.

-Qual é a dessas garotas malucas? –ela perguntou para si mesma, antes de decidir sair de la também.

XxX

O dia da festa finalmente chegara. Aparentemente os alunos que podiam atender as festas haviam se acostumado rápido demais com elas. Eles não conseguiam se acalmar até descobrirem qual seria o tema da festa e depois não conseguiam se acalmar até que essa chegasse. Dessa vez não havia sido diferente.

O tema da vez era anos 20 e cabaret. O salão estava decorado num estilo romântico, um tanto sensual, com mesas redondas e cadeiras de estofado vermelho vinho. A luz estava baixa, dando um clima misterioso ao lugar, as paredes do salão principal haviam sido cobertas com um tipo de papel de parede carmim, que dava mais realidade ainda ao cenário. Quando a festa estava a ponto de começar já se ouvia de dentro do salão o choro de um saxofone solitário.

Os Marotos estavam parados próximos a uma mesa, enquanto o saxofonista ainda tocava as músicas que tinham um tom um tanto triste e melancólico, mas que estava fazendo muitas meninas suspirarem.

Mas os Marotos também estavam arrancando muitos suspiros. Vestidos como estavam, ternos de risca de giz, chapéu, coletes, eles pareciam gângsteres de verdade. E o quarteto junto parecia uma máfia daquelas bem perigosas o que só aumentava o charme deles.

-Cara, onde estão essas mulheres? –Sirius reclamou olhando em volta.

-Ta louco, Almofadinhas? –James perguntou –Olha o tanto de menina espalhada por ai.

Na verdade James sabia muito bem que a preocupação de Sirius era Kira, mas não custava nada provocar um pouquinho.

-É, que seja, Pontas. –Sirius respondeu, sem sequer parecer ter prestado atenção no que James havia dito, o que só fez com que o outro moreno risse.

-Bom, pelo menos ele esta mais animado... –Peter falou para Remus.

-Pois é, Peter. Acho que o James finalmente viu que ficar sofrendo não vai trazer a Lily para ele. Ele tem que tomar uma atitude. –Remus falou arrumando o chapéu na cabeça.

-Por falar em atitude... –Peter começou como quem não quer nada –A Gabrielle me disse que você vai agarrar a Katherine hoje. Grande Remus! –ele completou animado dando um tapinha nas costas do amigo.

Remus corou na hora.

-Ela o que? –ele perguntou indignado –Eu não acredito! Eu vou matar a...

O som de novos instrumentos cortaram a fala de Remus. A festa estava a ponto de começar de verdade... (n/a: Ain't No Other Man, Christina Aguilera)

Hey...yeah yeah

Um flash de luz foi para o palco se fixando na bela cantora loira, que vestia um vestido prata e o outro foi para a porta do salão, se fixando... Em Lily e nas amigas...

(Do your thing honey)

Elas estavam mais perfeitas do que nunca. A começar por Lily. Ao contrario de todas as meninas ali presentes ela não usava um vestido, mas sim um tipo de terno. (n/a: + ou – no estilo do que a Dulce Maria usou num show do RBD ) Este era negro, com finas marcas de risca de giz. Como conjunto com o blazer ela usava um short curtíssimo do mesmo tecido e botas 7/8 pretas, além do colete e gravata, e logicamente um chapéu, que lhe dava um ar incrivelmente sexy. Katherine estava segurando seu braço direito, como se fosse sua acompanhante. Os cabelos haviam sido modificados magicamente e ela agora tinha um corte estilo chanel e usava um vestido branco. Kira segurava o braço esquerdo de Lily, como outra acompanhante. Os cabelos também haviam sido modificados de forma mágica e ela os usava agora curtos e levemente ondulados. Seu vestido era negro. Gabrielle estava ao lado de Kira, como se estivesse apenas se divertindo com a brincadeira travessa das amigas. Os cabelos estavam cacheados e presos num penteado e por um acessório brilhante. O vestido perolado com um cinto alto a vestia com perfeição.

I could feel it from the start

Couldn't stand to be apart

Something 'bout you caught my eye

Something moved me deep inside

O caminhar delas parecia vir na batida da música, com muito balanço e muito provocante. Diante dos olhares atentos de todos elas fizeram seu caminho até o meio do salão, onde a pista de dança estava montada. Os olhares de todos acompanharam elas durante o curto trajeto. Garotas admiradas ou espumando de inveja e garotos morrendo de desejo por elas.

I don't know what you did boy but you had it

And I've been hooked ever since

Ao passar pelos meninos Gabrielle deu uma piscadela para Peter, mas não deixou as amigas brilharem sozinhas.

Told my mother, my brother

My sister and my friends

Told the others (others), my lovers (lovers)

Both past and present tense (alright)

That every time I see you

Everything starts making sense

(Do your thing honey)

Elas começaram a dançar juntas, bem próximas umas das outras, volta e meia Lily agindo como o cavalheiro da dança.

Ain't no other man

That can stand, up next to you

Ain't no other man

On the planet, does what you do (what you do)

You're the kinda guy

A girl finds, in a blue moon (hey)

You got soul (yeah), you got class (ooh)

You got style, with your badass (oh yeah)

Ain't no other man it's true (alright)

Ain't no other man but you

Remus sentiu um nó se apertar em sua garganta ao ver Lily rodar Katherine, antes de puxa-la para perto. Ele quase teve que afrouxar a gravata para conseguir respirar decentemente. Por Merlin, ele tinha que ir com calma, ou antes do fim da noite ele ia fazer o que Lily lhe pedia e o que seu corpo implorava e ia prensar Katherine numa parede.

Never thought I'd be alright (no no no)

Till you came and changed my life (yeah yeah yeah)

What was cloudy now is clear, yeah yeah

You're the light that I needed, uh

Sirius mal conteve um suspiro deliciado ao ver o vestido de Kira escorregar um pouquinho mais para cima quando ela mexeu-se mais uma vez no ritmo da música. Aquela menina estava virando a cabeça dele, de um jeito que ele não achava possível. Agora ele não conseguia passar um dia sem pensar nela, sem falar com ela. E ele gostava de conversar com ela. Por mais ridícula que a idéia lhe soasse.

You got what I want boy and I want it

So keep on giving it up

Peter sorriu largamente ao ver Gabrielle fazer um gesto para que ele se aproximasse. Ela estava extremamente charmosa naquele vestido. E sua petit era tão pequenina que nem com salto ela passava ele de altura e isso porque ele nem era alto, mas mesmo assim, ele adorava aquela garota...

Tell your mother (mother), your brother (brother)

Your sister and your friends (your sister and your friends)

Tell the others (others), your lovers (lovers)

Better not be present tense (mmhmm)

'Cause I want everyone to know

That you are mine and no one else's, ohh, oh oh

As pessoas começaram a invadir a pista, já se deliciando com o som diferente, mas não por isso de menos qualidade que a banda fazia. Afinal se Lily e as amigas se divertiam tanto com aquilo a música tinha que ser muito boa mesmo.

Ain't no other man

That can stand, up next to you (to you, yeah)

Ain't no other man (ain't no other man, no)

On the planet, does what you do (do)

You're the kinda guy

A girl finds (a girl finds), in a blue moon (hey)

You got soul (soul), you got class (class)

You got style (uh), with your badass (yeah yeah yeah)

Ain't no other man it's true

Ain't no other man but you

James observou Lily ali no meio da pista. Ela trazia as garotas para perto, fazendo-as esquecer que havia garotos ali e se divertirem por si mesmas. E mesmo a ruiva vestida daquele jeito era como se ela mandasse uma mensagem para os homens dali. Embora desejosos nenhum deles se aproximava. Apesar de Lily estar oficialmente namorando (o mesmo cara com que ela fora no Ano Novo, Sam) nada mudava o fato de ela ser extremamente desejável. E os outros meninos não davam brecha, principalmente porque o tal namorado tivera um acidente de quadribol e estava na ala hospitalar no presente momento. O que, como era fácil concluir, não impedia Lily de se divertir na festa.

(Break it down now)

Ain't no other, ain't, ain't, no other, other

Ain't no other, ain't, ain't, no other lover (oh ooh)

Ain't no other, I, I, I need no other

Ain't no other man but you, ohh

Pois é, a noite mal começara e todos já estavam com os hormônios à flor da pele. Que Merlin ajudasse todos eles a chegarem ao fim daquela noite sem fazer besteira. Mas também... Podia ser que no fim eles fizessem um errado que desse bem certo...

You are there when I'm a mess

Talk me down from every ledge

Give me strength, boy you're the best

You're the only one who's ever

Passed every test...

-James... –Sirius começou hesitante –Você acha que pegaria mal se...

-Se você fosse lá para a pista abanar o rabinho para a Kira? –James provocou –De jeito nenhum, Almofadinhas.

-Haha. –Sirius riu irônico –Muito engraçado. E você? –o moreno acrescentou –Não vai atrás da Evans?

-Tudo ao seu tempo, Sirius. –James falou tranqüilo –A gente vê o que acontece até o fim da noite...

Ain't no other man (woo)

That can stand (yeah), up next to you (next to you, oh yeah, yeah alright)

Ain't no other man

On the planet, does what you do (ooh oh)

You're the kinda guy (you're the kinda guy a girl will find)

A girl finds, in a blue moon

You got soul (yeah), you got class (yeah)

You got style (ohh oh yeah), with your badass

Ain't no other man it's true (ooh)

Ain't no other man but you

-Eles estão olhando para cá? –Kira perguntou para Lily, de forma animada.

-Claro que estão. –a ruiva respondeu tranqüila –O Remus até já teve que afrouxar a gravata. –ela completou com um sorriso maroto.

Kira riu baixinho e então lançou um olhar para Katherine.

-Você acha que dá certo?

-O que? O Remus ter coragem de agarrar a Katherine ou ela aceitar namorar ele depois disso? –Lily perguntou despreocupada.

-Os dois. –Kira respondeu.

-Sei la. –a ruiva deu de ombros –Mas eu sinceramente espero que dê certo sim...

And now I'm telling you

Said ain't no other man but you, ohh...yeah, yeah yeah, haha

Ain't no other man

That can stand, up next to you

Ain't no other man

On the planet, does what you do (what you do)

You're the kinda guy (oh sheah)

A girl finds (baby baby baby, no oh), in a blue moon

You got soul (yeah), you got class (ooh)

You got style, with your badass (don't you know)

Ain't no other man it's true (ooh ooh)

Ain't no other man but you

XxX

As primeiras horas da festa passaram de forma tranqüila, ou o mais tranqüila que seria possível, levando em conta tudo.

Lily estava se comportando como uma perfeita dama compromissada e não estava dando bola para nenhum menino, o que vindo dessa nova versão da ruiva chegava a ser surpreendente.

Katherine e Gabrielle ainda não haviam saído da pista de dança nem por um minuto. Até Peter já havia se cansado e deixado a "namorada" para falar com os amigos, mas as duas estavam se divertindo demais para sair dali.

Os quatro Marotos estavam conversando entre si, se divertindo. Até que Sirius viu uma coisa irresistível demais para ele: Kira saindo do salão, sozinha.

-Se vocês me dão licença... –Sirius falou para os amigos –eu tenho um plano para por em prática com a Barton. –ele falou com um sorriso maldoso.

Os outros três marotos viram Sirius se afastar. James soltou um suspiro cansado.

-Quanta confusão você acha que isso vai dar? –ele perguntou para Remus.

-Muita. –Remus respondeu tranqüilo –Mas contanto que eu não seja a pessoa a ouvir as reclamações eu não to nem ai...

XxX

Kira andou por alguns corredores em silêncio. Pensando em nada e ao mesmo tempo em tudo.

Basicamente o plano que ela e Lily haviam traçado no começo do ano ia muito bem. A idéia de Lily era básica, mas aparentemente funcionara muito bem. A questão era uma só: não beijar Sirius Black. Não importasse o quanto ele implorasse, não importasse o quanto ela quisesse.

E o que ela esperava conseguir com isso? A atenção dele para outras coisas nela que não fossem seus atributos físicos, que modéstia a parte, ela tinha que admitir que não eram poucos.

A questão era que o caso dela com Lucius deixou uma marca muito profunda nela. Uma sensação de que ela sempre seria a garota "gostosinha" que os meninos gostariam de dar uns pegas, mas nunca a garota que eles respeitariam e iriam querer a sério. Afinal, ela nunca tivera um daqueles namoros sérios, que duravam mais do que alguns encontros. Parecia que todo menino que saía com ela vinha pronto para um encontro ou dois e nada mais. E daí veio Sirius...

A primeira vez que ela disse não para ele foi porque ela ainda estava com Lucius e naquela época nem passava pela cabeça dela que o caso dela com Lucius era uma coisa ridícula que nunca ia dar em nada. Então ela disse não porque... Oras, é bem óbvio que quando você esta saindo com alguém você não aceita convite de outras pessoas ao mesmo tempo.

Mas o ponto é que ninguém sabia que ela e Lucius estavam saindo, então Sirius não entendeu o porque de ela não aceitar sair com ele e logo tirou a brilhante conclusão de que ela estava se fazendo de difícil. A partir desse dia ele passou a ser bem insistente nos convites, quase como James era com Lily, com a diferença de que James dizia gostar de Lily e Sirius deixara claro que só queria dar uns amassos com ela.

Pela primeira vez na vida ela entendeu todo o desespero de Lily para se livrar de James e sentiu simpatia pelo problema da amiga. Mesmo depois que o caso dela e Lucius terminou ela continuou se negando a sair com Sirius. Por puro orgulho mesmo, mas daí Lily voltou disposta a dar troco em James e ela viu a chance para dar tanto o troco em Lucius quanto pôr Sirius no lugar dele.

Mas as coisas mudaram um pouco de figura. A idéia original era só fazer Sirius ficar maluco por ela. Negando o que ele mais queria, os beijos dela, elas queriam que ele se esforçasse mais e mais para conquista-la. E até ai estava tudo bem porque era exatamente o que ele vinha fazendo. Mas não estava nos planos dela exatamente gostar disso.

Sirius podia ser um perfeito idiota as vezes, mas ele também conseguia ser surpreendentemente agradável e divertido quando ele queria. O tempo que agora eles passavam conversando era extremamente delicioso. Eles tinham dúzias de coisas em comum. Ela realmente se divertia conversando com Sirius.

Só que o problema não era esse. Ela estava começando a se apaixonar por ele. Pra valer. E a última vez que ela se apaixonara ela fora uma idiota nas mãos de Lucius e de jeito nenhum ela queria que isso acontecesse de novo. Então agora ela ainda ia seguir com o plano original, mas na esperança de que Sirius visse nela mais do que um pedaço de carne e que ele sentisse pelo menos algo mais por ela do que simples... Sei lá, tesão.

Ela encostou-se numa das paredes do corredor e soltou um suspiro cansado. O quanto faltava para que tudo isso acabasse? Ela puxou a presilha que prendia o seu cabelo, desfazendo o feitiço que os mantinha do jeito que estavam, sendo assim eles voltaram a cair longos e lisos pelos seus ombros.

-Você fica muito melhor assim.

Um sorriso de canto de lábio surgiu no rosto dela. Ele não parava mesmo, né?

-Obrigada, Black. –ela falou um tanto debochada.

-Eu to falando sério, Barton. –Sirius falou tranqüilo, colocando-se diante dela.

Kira deu de ombros. Estava meio cansada para agüentar os galanteios de Sirius essa noite.

-Algum motivo para você não estar na festa Black? Não estava se divertindo?

-A festa está ótima, Barton, como todas as outras estavam. –ele afirmou tranqüilo –Mas eu não pude deixar de ver você sair sozinha e decidi que não seria nada cavalheiro da minha parte deixar uma dama desprotegida sozinha por ai.

Kira, mesmo sem querer, riu.

-Eu corro mais risco ficando com você do que sozinha, Black. –ela falou tranqüila.

-Ah, agora você esta me ofendendo. –Sirius falou numa pose dramática, que mais uma vez fez Kira rir.

-O que você quer de verdade, Black? –Kira perguntou em meio as risadas que dava.

-Você sabe o que eu quero, Kira. –ele falou, mas não daquele jeito cafajeste que ele costumava falar. A voz estava mais madura, séria.

Kira sentiu o corpo enrijecer na hora.

-Claro. –ela falou irônica –O que mais você poderia estar querendo, não é, Black? –ela concluiu um tanto agressiva, antes de dar as costas para ele e começar a se afastar.

Porém não deu dois passos antes de Sirius puxá-la de volta.

-Eu quero entender, Kira. Isso é tudo. –ele falou sério, olhando no fundo dos olhos dela –Por que você nega tanto uma coisa que é mais que óbvio que você quer tanto quanto eu?

-Porque pra mim não é suficiente, Sirius! –ela falou exasperada –O que você quer e o que eu preciso são duas coisas completamente diferentes. E eu não vou dar nada a você sendo que você não pode retribuir a altura.

-Eu não posso retribuir? –Sirius perguntou, parecendo realmente chocado. O tom de voz dele fez até com que Kira recuasse um passo, só para então ver que ela estava presa entre ele e a parede.

-Sirius, você não entendeu o sentido que eu quis usar... –ela tentou, se espremendo contra a parede.

-Não, eu entendi sim. Mas eu vou te mostrar agora como você esta errada em tudo o que você pensa. –ele declarou se aproximando mais dela.

Ele postou as mãos uma de cada lado do corpo dela, deixando-a totalmente presa. Kira por puro instinto fechou os olhos e virou o rosto, esperando pelo o que quer que fosse.

-Não precisa se preocupar, Kira. –Sirius falou um tanto debochado –Eu não vou te beijar. Você vai me beijar.

A frase soou tão confiante que Kira acabou abrindo os olhos só para lançar um olhar debochado para Sirius.

-Ah eu vou, é? –ela perguntou debochada.

-Sim, você vai. –ele respondeu tranqüilo, antes de se inclinar mais na direção de Kira.

Ela congelou e não conseguiu se mover, mas Sirius simplesmente colou sua testa a dela. Ele prensou o corpo dela contra a parede, usando seu próprio corpo. Kira levou as mãos a barriga de Sirius para empurrá-lo.

-Sirius, para com isso. –ela pediu, com a voz fraca.

-Não, eu não vou parar. –ele avisou –Não até que você me diga a razão verdadeira de você se negar tanto.

Kira suspirou tentando se concentrar. Nenhuma das duas coisas podia acontecer. Ela não podia ceder e beijar Sirius e também não podia dizer a ele a verdade completa.

Antes que ela pudesse pensar em mais alguma coisa ela sentiu os lábios de Sirius passeando pro seu rosto de forma suave, como uma caricia, mas na opinião dela mais como uma tortura naquele momento.

As mãos dele estavam no segundo seguinte passeando pelo rosto e cabelos dela, de um jeito calmo que estava fazendo o ar sumir dos pulmões dela. Toda aquela exploração calma estava sendo demais para ela. Ela não era de ferro, por Merlin!

As mãos que antes estavam na barriga de Sirius na intenção de afastá-lo já estavam agarradas ao casaco dele, na intenção de não deixá-lo fugir de jeito nenhum.

E ai ela sentiu o lábio dele roçar suavemente no dela. Ele queria que ela se decidisse e tinha que ser agora.

Uma vez só, o corpo dela implorava. Uma vez só e não vai ter problema nenhum.

Era isso. Só um beijo, uma única vez...

-Kira, você sumiu. Eu estava te procurando.

Kira empurrou Sirius na hora. Lily estava parada alguns passos distante deles, e olhava a cena como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo.

-Ah eu só... –Kira gaguejou –Eu só vim tomar um ar.

-Por que você não arruma seu cabelo e volta para a festa? –Lily sugeriu animada.

-É exatamente o que eu vou fazer. –Kira anunciou, antes de caminhar na direção de Lily e então sumir pelo corredor.

Assim que Kira saiu de vista Lily virou-se para Sirius, com um olhar perigoso.

-Fique longe dela, Black. –Lily avisou –Ela não precisa de outro cafajeste na vida dela.

-Acho que a decisão não é sua, Evans. –Sirius falou irônico.

-No que depender de mim você não encosta um dedo nela. –Lily avisou, antes de dar as costas para Sirius.

Mas uma vez ele não permitiu que alguém lhe desse as costas. Ele puxou Lily pelo braço fazendo-a encará-lo.

-Não se meta no que não é da sua conta Evans. –ele exigiu –O que rola entre eu e a Kira é problema nosso.

-Vai ser problema meu quando você usá-la e descartá-la e ela vier chorar com a gente. –a ruiva retrucou agressiva.

-Francamente, eu não sei o que o James vê em você. –ele debochou –Nem o fato de você ser bonita compensa esse seu temperamento do inferno.

Lily ficou furiosa e se aproximou mais de Sirius, seus narizes quase se encostando.

-Não abaixe o nível só porque você não tem mais argumentos, Black. –ela avisou numa voz perigosamente baixa.

-Então deixa que eu cuido dos argumentos agora. –a voz de James soou do corredor.

Sirius e Lily olharam na direção do maroto e foi só ai que Sirius viu quanto ele estava segurando a ruiva próximo a si e pelo olhar do amigo era fácil ver que James não estava la muito feliz com a situação.

Sirius soltou Lily e empurrou-a para longe.

-Toma, Pontas. –ele falou com um certo desprezo –Só você para ver algo de interessante nessa garota.

Falando isso ele foi para o lado oposto ao do salão e desapareceu.

-Eu quero falar com você. –James anunciou de forma firme.

-Eu não quero falar com você. –Lily disse e se encaminhou para passar por ele e voltar para o salão, porém assim que ela passou ao lado de James ele segurou seu braço.

-Eu não perguntei se você quer falar comigo. Você vai me ouvir agora, querendo ou não. –James falou com um tom ameaçador que deixava claro que Lily não teria escolha nenhuma.

XxX

Remus viu com olhos preocupados Lily sair na mesma direção que Sirius e Kira e pouco depois ser seguida por James. Aquilo não ia acabar bem. Ele temia por azarações, mas uma parte mais realista da sua mente via maldições imperdoáveis voando por ai...

Ele se preparava para segui-los quando uma mão tocou seu ombro. Era Katherine.

-Não vá. –ela falou simplesmente –Uma hora eles têm que aprender.

Remus olhou para ela, antes de soltar um suspiro cansado.

-Você tem razão.

Eles se encararam no mais completo silêncio por um minuto. Nem parecia que tinha uma festa inteira acontecendo a volta deles.

-Rider... Eu preciso falar com você. –Remus pediu –É importante.

-Claro. –ela concordou com a cabeça –Vamos sair daqui.

Eles saem do salão no mais completo silêncio. Ele tinha que perguntar isso para ela. Estava entalado em sua garganta.

Eles andaram pelos corredores sem se falarem, até que Katherine abriu uma porta e entrou em uma das salas de aula vazias. Tão logo Remus fechou a porta Katherine encostou-se em uma das mesas e tirou o feitiço que mantinha seus cabelos curtos, fazendo uma cascata de fios negros caírem por seus ombros. Que vontade Remus tinha de tocá-los. Estava tão perto, bastava esticar a mão...

-O que você precisava falar comigo, Lupin? –a voz de Katherine o despertou.

-Ah é. –Remus respirou fundo.

Ele estava tentando encontrar as palavras na cabeça dele, mas estava difícil. Katherine lhe deu um sorriso encorajador. Ela estava começando a ficar preocupada com o silêncio dele.

-Você... –Remus começou –Você sabe... Bom... –ele respirou fundo –Você sabe que eu sou um lobisomem não é?

A pergunta caiu como um peso entre os dois e o silêncio tornou-se ensurdecedor. O choque de Katherine era óbvio e ela não ousava responder nada. O que ela devia responder numa hora dessas?

Remus observou cada traço de Katherine esperando ver se assim conseguia uma resposta, mas após o choque inicial da pergunta a queima roupa a expressão dela estava limpa de emoções.

-Sim, eu sabia. –ela respondeu por fim, mas sem ousar encará-lo.

-E isso... –Remus estava tentando controlar sua voz, a ansiedade que o consumia –Isso fez diferença para você em algum momento?

-Fez. –ela afirmou de leve –Me fez te admirar mais do que eu já admirava antes, me fez invejar sua força.

Ela levantou os olhos para ele e essa foi a primeira vez que Remus viu emoção, sentimento nos olhos de Katherine. Geralmente ela era limpa de sensações, nunca se podia ver nada expresso nela.

Apesar de ter medo de proferir as próximas palavras e das respostas que elas trariam Remus continuou.

-E alguma vez isso fez diferença quando nós... –ele engoliu em seco –quando nós estávamos juntos?

O olhar de Katherine foi mais uma vez de puro choque.

-O que? Remus, pelo amor de Deus! Claro que não! –ela afirmou.

-Então o que fazia diferença, Katherine? –Remus exigiu –Por que você sempre virava as costas e fugia? Se não era de medo, de nojo de mim o que era então? –ele tinha um tom de desespero de partir o coração.

-Remus, nunca foi a sua... condição que me afastou de você. –ela afirmou –Por Merlin eu seria a maior hipócrita do mundo se eu dissesse que era.

-Por que? –Remus quis saber.

-Isso eu não posso te dizer. –ela falou firme.

-Então só me diz por que você sempre foge de mim, Katherine. –ele pediu, quase implorou.

-Remus, eu só estou sendo realista. –ela falou, mas parecia que ela tentava convencer não só a ele, mas a si também –Nós somos muito jovens, namoros são distrativos. Eu não tenho tempo para...

No meio desse monólogo dela Remus já havia decidido que de fato o único jeito de fazê-la ouvi-lo era fazer o que Lily lhe dissera. Por isso ele não teve dúvida nenhuma em avançar até ela e cortar o discurso que ela fazia beijando-a.

O corpo de Katherine se inclinou sobre a mesa na qual ela estava apoiada, antes que ela conseguisse recuperar o equilíbrio, mas nesse ponto os lábios de Remus já estavam pressionando forte os dela e a sanidade dela já não estava mais por ali.

Remus passou a língua pelos lábios de Katherine e ela deixou, fazendo sua língua roçar na do maroto. As mãos dela que até o momento haviam se mantido distante dele foram parar nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, como se não quisesse soltar nunca.

Os corpos estavam totalmente encaixados, mesmo que sem querer. O chapéu de Remus já estava caído no chão e logo foi acompanhado pelo casaco. Uma das mãos do maroto estava na cintura de Katherine mantendo-a próxima a todo custo e a outra brincava com os cabelos dela.

Remus interrompeu brevemente o beijo e se separou minimante de Katherine.

-Eu quero que você seja minha namorada. –ele falou.

-Remus, eu não acho que seja uma boa...

Ele beijou-a mais uma vez, não deixando terminar a frase.

Ele separou-se dela mais uma vez, um sorriso maroto nos lábios.

-Com todo respeito eu acho que você devia pensar melhor na resposta. Eu não tenho a mínima intenção de ficar sem te beijar por tempo demais de agora em diante. Eu acho que se a gente namorasse isso seria mais fácil, mas se você prefere eu posso te agarrar de vez em sempre nos corredores.

O olhar de Katherine caiu nos lábios de Remus, que estavam perto demais para que o cérebro dela funcionasse propriamente.

Remus deu um sorriso malicioso antes de capturar a morena em mais um beijo lascivo, que, porém não durou muito.

-O que você me diz? –ele insistiu,

Katherine engoliu em seco.

-Eu acho que não vai dar certo. –ela falou, com a respiração entrecortada.

-Eu acho que vai ser perfeito. –ele falou confiante.

Katherine mordeu o lábio de forma nervosa enquanto tentava pensar de forma apropriada.

-Tudo bem, eu aceito, mas não diga depois que eu não avisei. –ela falou, antes de Remus incliná-la mais uma vez sobre a mesa e começar a beijá-la de forma faminta mais uma vez...

XxX

Peter havia ido buscar bebidas para ele e para Gabrielle, quando ele viu toda a excursão para fora do salão. Primeiro Sirius havia deixado os amigos para ir atrás de Kira. Pouco depois disso Gabrielle veio chamá-lo para dançar. Quando ela disse estar com sede ele foi buscar as bebidas e foi ai que ele viu James saindo do salão. Como Lily não estava lá, não foi difícil concluir onde o amigo estava indo. E por fim... Remus e Katherine. Bom, pelo menos ele esperava que Remus fizesse alguma coisa em relação a morena e ai seria um problema a menos entre eles.

Porque ele e Gabrielle estavam bem. Não estavam? Quer dizer já fazia quase dois meses que eles estavam juntos de boa e isso era algo de fato inédito entre os dois. No geral eles brigavam antes de um mês ou Gabrielle terminava com ele. Se eles estavam juntos por tanto tempo agora talvez quisesse dizer que era definitivo, né? Talvez ela finalmente havia se decidido a dar uma chance real para ele.

Só o pensamento o animou. Ele sempre fora apaixonado por Gabrielle. Desde que pusera os olhos nela pela primeira vez, quando ela fora chamada diante da escola inteira, no banquete de inicio de ano para ser selecionada para uma casa. A família dela era praticamente realeza, puro sangue, todos queriam saber em que casa ela cairia. E também ela era a princesinha dos pais, filha única, herdeira de um império absurdo. Por isso mesmo Peter nunca tivera muitas esperanças de que algum dia ela reparasse nele.

Mas ela olhou. Depois de um jogo de verdade ou desafio, onde Sirius mandou os dois se beijarem, só para provocar Peter. Ele achou que ela ia se negar, fazer drama, mas não. Ela sorriu para ele e disse que não tinha problema. Os dois se beijaram. Peter nunca contou isso a ela, mas foi seu primeiro beijo. E para a surpresa dele ela falou com ele depois disso. E eles ficaram de novo depois disso. E daí começou a tediosa rotina deles de terminar e voltar sempre.

Machucava muito quando Gabrielle terminava com ele. Porque ele gostava dela, de verdade. Mas talvez um rapaz qualquer como ele nunca seria o suficiente para uma menina como ela...

Ele pegou as bebidas e se encaminhou de volta para a pista. Gabrielle não estava ali. Ele olhou em volta procurando por ela e não foi difícil encontrá-la, sentada em uma das mesas conversando com um sonserino que Peter não lembrava o nome, mas que sabia que vinha de uma família tão poderosa e tradicional quanto a dela.

Gabrielle estava rindo de algo que o garoto havia dito ao seu ouvido e tinha uma das mãos pousadas no joelho dele. E foi ai que a verdade atingiu ele. Nunca. Ele nunca seria bom o bastante para ela. Sempre teria mais algum outro garoto de mais nome, de família mais importante que estaria ali para tirá-la dele.

Mas ele sabia o que fazer. Ele já tinha a resposta para isso.

Ele caminhou até a mesa em que Gabrielle estava sentada e pousou os copos sobre a mesa. Isso chamou a atenção de Gabrielle e eles levantaram os olhos para ele.

-Ei Pete. –Gabrielle falou sorrindo –Josh acabou de me perguntar por você.

-Tenho certeza que sim. –Peter falou, sem muita emoção na voz.

Então ele simplesmente deu as costas a ela e se afastou.

-Josh, eu sinto muito por isso. –Gabrielle se desculpou antes de sair atrás de Peter.

Ela alcançou-o e obrigou-o a encará-la.

-Que ceninha foi essa Peter? –ela exigiu.

-Não teve cena nenhuma, Gabrielle. –Peter falou cansado –Eu só decidi sair e deixar você conversar em paz com aquele cara. –ele completou dando de ombros.

-Ah Peter não vem se fazer de namorado traído pra cima de mim. –Gabrielle bufou impaciente –Porque caso você não se lembre você NÃO É meu namorado.

O olhar dela era um desafio. Sempre que ela brigava com ele, Peter dava um passo para trás mesmo que estivesse com a razão e implorava para ela não brigar com ela. Não dessa vez.

-É, você tem razão. –ele falou por fim –Eu não sou seu namorado.

Ele deu as costas e partiu. Não respondeu quando ela o chamou de novo. Ele sabia o que tinha que fazer para tê-la para sempre. Estivera sempre ali na sua frente, ele que nunca quisera ver.

XxX

Os olhos verdes dela brilhavam enfurecidos. Os olhos dele também chamuscavam de raiva e mesmo assim eles não conseguiam parar de olhar um para o outro. Os olhos travados um no outro.

Ali havia tanto rancor, tantos segredos não ditos, tantas pequenas mentiras que não serviam para nada a não ser aumentar o abismo entre eles. Eram erros tão banais...

Lily puxou seu braço, livrando-o de James que ainda a segurava. Ela deu dois passos para trás, antes de levantar o queixo de forma desafiante.

-Diga de uma vez o que você quer, Potter.

-Eu não acredito que você saiu da festa só para atrapalhar o Sirius com a Barton. –James falou, sério, aparentemente furioso.

-Não que isso seja da sua conta, Potter... –Lily começou irônica –mas eu estava simplesmente fazendo algo que a Kira me pediu para fazer.

James olhou para Lily de um jeito que deixava claro que ele não acreditava nela.

-E nem adianta me olhar desse jeito, Potter. –ela avisou –Eu não estou nem ai se você acredita em mim ou não. Não faz diferença nenhuma para mim.

Essa última parte pareceu despertar uma fúria que estava reprimida em James.

-Claro, por que eu não me lembrei disso não é Evans? –ele falou, as palavras saindo como facas de sua boca –Você não dá a mínima para o que vem de mim. Não te importa se eu acredito em você ou não, se eu me preocupo com você ou não. Eu não tenho peso nenhum na sua vida.

-Não tem mesmo! –Lily afirmou também enfurecida.

-E mesmo assim você bate na Bellatrix porque ela falou mal dos meus pais! –ele falou sem conseguir se controlar.

Lily não conseguiu esconder o choque ao ouvir essa.

-Como você...

-A escola inteira não falou de outra coisa, Lily. –James falou irônico, o que não era totalmente mentira –Vai, nega. Fala que é mentira. –ele desafiou.

Lily pareceu recuperar a autoconfiança diante do desafio.

-Não, não é mentira. Eu defendi mesmo os seus pais. –ela falou sem medo –Mas isso não tem nada a ver com você.

-São meus pais!

-Eu tenho pena deles. –ela retrucou agressiva.

-Por Merlin! –James quase gritou, frustrado –Por que você tem que ser assim? Tão fria, agressiva? A gente pode não ter se dado bem antes Lily, mas pelo menos você agia como alguém que tinha emoções e não só sarcasmo para se defender.

-Já faz um tempo eu decidi que era melhor matar qualquer emoção dentro de mim. –ela respondeu em voz baixa, por entre os dentes -E até hoje eu não me arrependi nem por um minuto dessa decisão.

-Eu acho isso triste, Lily. –ele falou, a voz dessa vez mais calma, mostrando uma certa pena dela –Eu acho realmente triste que você esteja se escondendo desse jeito, se fazendo de forte, se fazendo de uma pessoa que você não é.

O olhar dela brilhou com uma raiva que ele nunca havia visto antes.

-O que VOCÊ sabe de mim, hein Potter? –ela exigiu –Você é só mais um pirralho mimado que só dá atenção aos próprios desejos egoístas! Você não esta nem ai para como eu me sinto.

-Quem disse que não? –James exigiu, explodindo de raiva também.

-Ah Potter não me venha de novo com aquela conversa de que você gosta de mim de verdade. –ela falou dando as costas para ele e andando nervosamente de um lado para o outro –Você ainda não cansou de me fazer de idiota?

Á James não escapou uma certa dor na voz dela. Ele não estava mais no controle de si mesmo depois disso.

Ele cruzou os poucos passos que o separavam dela em questão de segundos e pegou-a pelo braço, forçando-a a virar-se e encará-lo.

-Eu não estou te fazendo de idiota, Lily. –ele afirmou sério –Se algum dia eu tive alguma dúvida do que eu sentia por você agora eu não tenho mais dúvida nenhuma de que eu te amo.

-Como você ousa? –o olhar de Lily era do mais puro desprezo –Como você tem a coragem, a cara de pau de usar uma palavra tão forte como amar? Eu te odeio, Potter, você é um idiota!

-Lily, não fale coisas assim. –ele pediu entre dentes tentando controlar uma certa raiva.

-O que? –ela provocou –Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te...

-Você não me odeia. –James falou firme de forma um tanto ameaçadora –E você sabe disso.

-Eu não sei de nada! –Lily retrucou.

-Então eu vou te mostrar. –ele declarou.

Os lábios dele esmagaram os dela de um jeito não muito delicado. Os dois estavam com a cabeça muito quente. Aquele não era o momento para beijos, mas o desafio dela fez o sangue dele ferver. Ele sabia que ela não o odiava e sabia que ela amava seus beijos, mas também sabia que não era assim que ele deveria estar beijando-a.

O beijo, porém não durou muito. Ao contrário do que geralmente acontecia Lily não cedeu. Ela empurrou-o e mais uma vez seus olhos tinham aquele brilho do mais puro desprezo.

-Da próxima vez é melhor você bater em mim. –ela falou passando a mão na boca, como se quisesse limpar qualquer vestígio dele que houvesse nela –Com certeza vai machucar bem menos.

Com isso ela deu as costas para ele e se afastou para voltar para o salão e para a festa dela. E James não tinha força alguma para impedi-la ou para ir atrás dela. Lily, porém, ao entrar no primeiro vestiário feminino que encontrou só teve forças para se encostar na parede e chorar.

XxX

Kira olhou para a cama ao lado onde Gabrielle estava dormindo. Ela voltara para o dormitório assim que fugira de Sirius. Gabrielle chegara uma hora mais tarde com uma expressão mais do que perdida, não disse nada, desabou na cama e só tirou os sapatos antes de puxar o cobertor por sobre a cabeça e dormir.

A festa já devia ter acabado por essas horas, Lily devia estar para chegar no quarto. O que teria acontecido entre a ruiva e Sirius quando ela saíra do corredor e deixara os dois ali?

Por Merlin não era assim que as coisas deviam estar sendo! Devia ser fácil, devia ser como nos filmes, devia ser... Ou talvez simplesmente não devesse nada. Não deveria haver um "ela e Sirius", ou um "Lily e James". Talvez as coisas fossem do jeito que fossem e não houvesse final feliz para nenhuma delas. Nenhuma delas...

A porta do dormitório se abriu e por ela entraram Katherine e Lily. A primeira tinha os cabelos sem o feitiço, caindo de forma bagunçada por seus ombros e tinha uma expressão um tanto estranha no rosto, como se tentasse acreditar em algo. Já Lily parecia arrasada. Kira só não saberia dizer se era emocionalmente ou psicologicamente. Ela trazia o casaco e o chapéu nas mãos.

-Como foi a festa? –Kira perguntou hesitante.

-Um sucesso, claro. –Lily respondeu sorrindo, mas o sorriso não chegava aos seus olhos.

-Que cara é essa, Kitty? –ela perguntou olhando para a morena.

-Eu estou namorando o Lupin. –Katherine avisou vagamente.

Kira olhou em choque para a morena.

-Quer dizer que...

-Ele me agarrou e me beijou até eu concordar. –Katherine falou como se estivesse tentando se defender de uma acusação que Kira não havia feito –O que eu deveria ter feito?

-Exatamente o que você fez. –Lily falou tranqüila –Aceitado.

Katherine bufou frustrada antes de entrar no banheiro e fechar a porta.

-O que você tem? –Kira perguntou quando seu olhar cruzou com o de Lily de novo.

A ruiva balançou a cabeça.

-Eu discuti com o Potter. –ela informou –Mas eu não quero falar sobre isso.

Kira deu de ombros. Elas ficaram em silêncio por uns poucos segundos, até que Kira teve coragem de fazer a pergunta que estava perturbando sua cabeça.

-Lily... Isso tudo vale mesmo a pena?

Lily olhou para o nada por alguns segundos e balançar a cabeça.

-Eu acho que não... Mas quem sabe? Talvez um dia eu ainda posso olhar para trás e ver que eu pelo menos me diverti um pouco.

-Eu não estou falando das festas. –Kira explicou.

-Eu também não. –Lily falou com um sorriso triste, antes de se dirigir para sua cama, se jogar no colchão e fechar as cortinas.

-Lily? –Kira chamou hesitante.

-Hum? –a voz da ruiva soou.

-Obrigada por hoje.

-De nada, flor... –Lily falou.

Kira sorriu. Não importava o que viesse depois. Elas pelo menos teriam umas as outras.

XxX

N/A: Sexta tem mais post!

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Até la!

B-jão