Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente"
(Fernando Pessoa)
IX Capítulo
Sakura olhou ao redor e não viu nada mais do que uma escuridão. Não era possível a olhos humanos localizar onde estava... Apenas sentia as mãos doerem pelo fato de estarem atadas. Não podia nem ao menos enxergar o rosto de seu algoz, mas sentia a presença firme dele ao seu lado.
Desde do momento em que deixara a mansão de Eriol para trás, não ouvira apenas uma palavra vinda dele... era como se o fato de ele a ter seqüestrado, tivesse tirado o dom da fala dele. No momento, o único sinal que lhe dava era a respiração pesada que podia sentir em seu pescoço, pois compartilhavam do mesmo cavalo.
Estava em um pânico "controlado", pois nada adiantaria se gritasse ali. Naquele final de mundo, ninguém escutaria seu apelo. Se chorasse certamente daria motivo para ele ser agressivo com ela. E já lhe bastava um tapa na cara... naquele momento não conseguiria fugir. Infelizmente sua única salvação seria Eriol, que certamente viria resgatá-la assim que soubesse de seu paradeiro...
Porém, sabia que, no momento, seu único companheiro seria Deus e mais ninguém. Só ele poderia auxiliá-la... ele seria seu único amigo.
Naquele momento Shoran se sentia o pior homem do mundo. Era óbvio que ele não poderia ter cancelado o seqüestro... mas também poderia ter agido com mais tato, já que não era sua intenção assustar tanto aquela beldade.
"O que é isso Shoran Li, desde de quando você se importou com alguém, quanto muito menos com uma cristã?" - Pensou neurótico sentindo todos os pontos de tensão do corpo de Sakura, mas no momento estava mais preocupado com a reação que aquele contado causava em seu corpo do que com o medo e insegurança da jovem japonesa.
Só pelo o fato de sentir as curvas bem definidas do corpo dela, já o deixava desnorteado, mas o que o estava enlouquecendo era fragrância adocicada que invadia suas narinas conforme ela balançava a cabeça. Tinha que fazer um esforço sobre humano para não colocar as mãos naquele lindo cabelo.
Por mais que se sentisse atraído por ela, esse era um romance talhado para dar errado, pois além de chinês era seu seqüestrador, alguém que de agora em diante, ela devia respeitar e principalmente temer. E pela as regras do grupo seria um verdadeiro sacrilégio se envolver com aquela mulher... estaria infringindo uma regra básica do movimento e ele, como um dos líderes, deveria dar o exemplo. Aliás, no momento estava proibido de se envolver emocionalmente com uma pessoa seja ela qual fosse.
- Senhor...- a voz obediente da garota soou como melodia para seus ouvidos.- Para onde estamos indo...?
Sakura tinha o dom de surpreendê-lo e, por incrível que pareça, gostava disso nela. Mas infelizmente ele não poderia responder, pois nem ao certo sabia... O que lhe fora informado era de que deveria estar na taverna antes do dia amanhecer, pois assim que o primeiro raio de sol nascesse deveriam estar na balsa que os levaria até o pé da montanha... Depois seguiriam a cavalo até o seu chalé aonde suas irmãs moravam. Seria uma penosa viagem, mas certamente valeria a pena.
- Não é do seu interesse. - ele falou rispidamente.- Você saberá na hora certa.
Sakura respirou fundo por três vezes, tinha que se controlar para não dizer os maiores absurdos na cara dele. Quem ele pensava que era para tratá-la como um mero objeto... Droga! Independente de ser ou não noiva de Eriol, era um ser humano e de forma nenhuma merecia se tratada com tanta indiferença.
"Controle-se", disse para si mesma, ofegante.
Não era hora para enfrentar a ira de Shoran, pois ele já lhe provara com atos e palavras a verdadeira face dele... sua face era dura, cruel e profana. Capaz de cometer as maiores loucuras para conseguir aquilo que desejava... até seria capaz de matá-la.
- Fique tranqüila, princesa. - ele disse cinicamente. - Eu já falei e irei repetir novamente, não irei matá-la... não nesse momento, quem sabe mais tarde.
O tom de voz dele era tão ameaçador que a fez tremer toda... sentiu um medo terrível. Aquele não era o homem que havia conhecido.
- É melhor você relaxar, pois estará perdendo seu tempo pensando que irei ter pena da senhorita...-ele voltou a fala sentindo o copo dela inteiramente tenso.
Relaxar? O que aquele homem era? Um assassino? Um lunático? Sakura se revoltou. Mas nada pode fazer, se não abaixar a cabeça e rezar para que Deus nunca a abandonasse.
- Não é possível...!-Eriol exclamou levando as mãos a cabeça.
Seu pior pesadelo havia se concretizado. Sua noiva fora seqüestrada... e a essa hora poderia esta até morta. Mas o pior fora ver seus homens serem humilhados por meia dúzia de macacos chineses. Isso jamais iria perdoar... No momento, a única coisa que vinha na cabeça era a sede de vingança. Para ele, pouco importava o bem estar de Sakura, pois em seu íntimo até a culpava por toda sua desgraça... se ela morresse pouco importava, pois não a queria mais sobre seu teto.
- Morreram vinte pessoas... isso é quase um genocídio. - praguejo Sir Claude sentado em uma poltrona .- Além do mais, a jovem senhorita está nas mãos deles.
"Vinte"... vinte de seus melhores homens foram abatidos em cinco, no máximo dez minuto. Isso era uma vergonha. Aliás, isso devia ser um pesadelo, pois estava em estado de semi-inconsciência.
- Isso foi o limite! - Lorde James falou agressivo esmurrando a mesa. - Eriol, temos que agir o quanto antes.
"Seus homens eram um bando de incapazes e, por isso, havia merecido a morte... pois nunca havia honrado o nome de seu superior". Eriol pensou para si mesmo levantando e indo até a lareira.
- Como assim reagirmos? - replicou cínico. - Eles já provaram que estavam mais preparados para uma guerra do que nós. Além do mais eles contam com a ajuda da imperatriz.
- Você tem razão. - Sir Claude protelou. - Embora, todos sabemos que nosso poder bélico é maior do que o deles...
- Isso de nada vai adiantar... meus homens eram os mais bem treinados de toda a China, ou melhor de toda Inglaterra, mas mesmo assim foram duramente atacados .- Eriol falou, se controlando quando, na verdade, queria matar todos os chineses que parecesse em sua frente. - Temos muitos a perder e eles não.
Eriol sempre fora frio e extremamente controlado, disso todo mundo sabia, mas era primeira vez que Sir Claude presenciava tamanha falta de consideração de uma pessoa. Pois se não estava surdo, Eriol queria abandonar a jovem japonesa nas mãos dos rebeldes. Isso era anti a tudo o que a Igreja pregava.
- Então você está sugerindo que é para deixarmos Lady Sakura nas mãos daqueles crápulas ?- Sir claude falou horrorizado.
Não estava em condição de responder. Só sabia que lutaria com todas as suas forças para limpar seu nome que fora manchado por aquele desgraçado. Estava disposto a tudo para pegar cada um com suas próprias mãos... o primeiro seria aquele maldito rebelde o qual ele, num ato de bondade, colocara dentro de sua própria casa, e que num gesto de burrice, entregara a própria noiva nas mãos.
- Não sei, sir Claude. - disse por fim acendendo um charuto.- A única coisa que sei é que quero vingança e terei isso mesmo que tenha que cometer um genocídio.- conclui decidido. - Sir John, o senhor já sabe se Lorde David já esta recuperado?
- Sim, senhor. - falou friamente o velho mordomo. - Já esta a sua disposição.
David merecia uma medalha pela sua bravura e determinação, pois fora o único que saíra sem nenhum arranhão do ataque suicida do Yijetuan.
- Então o chame.- ordenou sentado na poltrona. - E, em seguida, acorde Lady Tomoyo eu quero dar a trágica notícia para ela.
- Sim senhor. - disse cordialmente saindo da sala.
Durante longos minutos o único barulho que se pode ouvir na sala era a trilítera do relógio. Ninguém ousava abrir a boca. Sir Claude e lorde James estavam impacientes... Já não existia motivo para a presença deles ali, pois Eriol deixara bem claro que queria agir sozinho e, se era isso que o Lorde queria, era isso que ele teria.
- Bem, Eriol, eu só espero que esteja fazendo coisa certa .- Sir Claude falou olhando para ele. - Pois Deus não terá dó ou piedade se você errar.
Se Deus estivesse a seu lado certamente não precisaria da ajuda de ninguém. Ele teria que provar que era novamente o todo poderoso Eriol, que sozinho conseguira o território de Hong Kong para rainha.
"Odiamos profundamente os tratados que prejudicam o país e trazem calamidades ao povo. Os altos funcionários traem a nação; os baixos os seguem no jogo. O povo é injuriado, mas não faltarão desagravos" ·
Sakura releu com atenção o cartaz pregado no muro. Era impossível não notar que estava na Taverna que há horas atrás estivera com Tomoyo. Fora li que pela primeira vez lera aquele anúncio, ou melhor, uma ameaça ao povo cristão que povoava toda China. Além de tudo, fora ali que quase havia sido molestada.
Agora tinha certeza de que era ali que aquele grupo de terrorista se reunira para planejar seu seqüestro. Só que desta vez o ambiente estava vazio e frio e, como a horas atrás, se sentia triste e com medo.
Para sua alegria, notou que a corda que lhe prendia as mãos afrouxava-se. Aos poucos, Shoran a libertava daquelas cordas que a prendiam a ele.
Ele como sempre a evitava fitá-la nos olhos, de uma certa forma sentia que ele hesitava muito em machucá-la... Talvez não fosse tão mal como imaginava.
Massageando os pulsos doloridos, Sakura encarou seu seqüestrado... Por longos minutos ambos apenas se fitaram. Tinha que admitir que havia um magnetismo entre ambos... Um magnetismo proibido, porém, incontrolável.
- Vamos subir...- ele falou desviando os olhos dos dela, ao mesmo tempo em que a pegava pelo braço e a obrigava a subir as escadas.
Shoran sentiu-se um pouco perdido. Quase havia atacado a garota ali mesmo na taverna... Havia perdido completamente o controle no momento que percebera que aqueles lindos os olhos verdes o fitavam. Por questão de segundos não havia beijado-a. O que não seria uma atitude exemplar.
Subindo a extensa escada, Shoran avistou Chao no topo... a sua atitude era digna de um líder. Sentia orgulho de ser um membro do movimento.
- Finalmente! - o homem exclamou feliz.- Já estávamos pensando que você tinha esquecido o caminho.
- Jamais esqueceria o caminho da minha casa, amigo. - Shoran devolveu alegre.
'Meu Deus", Sakura pensou assustada ao dar de frente com quem ela julgava o chefe. "Por que tenho que passar por isso?"
- Você fez um bom trabalho, Shoran. - Chao afirmou, confessando com um sorriso nos lábios.- Realmente ela é muito bonita como você mesmo afirmou.
- Estou feliz que tenha cumprido minha missão com extremo sucesso. - falou com um semblante frio e impassível que aprendera a exibir durante os longos e penosos anos de sua vida.
Sakura sentiu as pernas enfraquecerem novamente. O coração batia com tamanha intensidade que por um momento, pensou que teria um ataque cardíaco. Até aquele momento não tinha notado a gravidade dos fatos, mas agora tinha certeza de que seria morta.
- Bem, nosso plano deu certo e isso merece uma comemoração. - Chao falou em êxtase.
- Eu não acho o momento, adequado para festa...- Shoran tentou escapar . - Além de tudo, não posso arriscar e ficar aqui...
- Não há nada o que temer. - Chao rebateu com sucesso. - A senhorita Kinomoto estará em excelentíssima mãos...
Shoran não queria deixar Sakura um minuto sequer. Tinha muito medo de que algo viesse acontecer com ela. Não queria ter mais um peso nas costa, já bastava ter duas mortes na sua consciência; e jamais agüentaria a culpa da morte daquela menina. Mas, ao mesmo tempo, não poderia dar algum motivo para que Chao desconfiasse de seus sentimentos pela a garota, se caso isso viesse a acontecer, certamente ele passaria a guarda para outra pessoa. E de uma coisa tinha certeza: não iria agüentar isso... pois Sakura já era uma pessoa muito especial para ele e não suportaria a idéia de deixá-la sobre a guarda de outro homem.
- Então amigo...vamos para a farra? - falou ele malicioso.
Sakura sentiu o coração dar um sinal de alerta. No fundo não queria que Shoran a abandonasse, pois certamente ficaria sozinha ou nas mãos de uma pessoa desconhecida. Além da inesperada onda de ciúmes que invadiu todo o seu ser. Já não conseguia imaginar aquele homem nos braços de outra.
- Sim, apenas quero ter certeza de que a Senhorita Kinomoto estará bem amparada. - ele falou olhando para ela.- Ela é muito preciosa para que nosso plano dê certo.
Sakura sentiu os olhos de Chao passar pelo seu corpo até chegar em seu rosto. O sorriso cínico dele deu lugar à expressão frio e calculista. Sentiu que aquele homem a odiava e que na primeira oportunidade não hesitaria em matá-la.
- Você tem razão...- falou ele chegando perto dela . - Bem, senhorita pode ficar tranqüila que nada irá acontecer com você, mas não posso garantir que será bem recebida por todos, pois aqui ninguém gosta de estrangeiros. Ainda mais japoneses que, para nós, são a praga do Oriente. Então espero que seja educada com todos, pois não controlarei a ira de meus empregados contra ti.
Shoran escutou as duras palavras de Chao sem emitir uma palavra sequer de protesto. Não poderia ficar contra o líder por causa da jovem, e só poderia interceder por ela se tivesse a plena confiança de Chao Fu-Tien, seu melhor amigo... O único dono de seu destino e, querendo ou não, dono da vida dela também.
- Entendeu querida? - perguntou erguendo a cabeça dela.
Tinha tanta vontade de matar aquele homem prepotente. Se ele odiava seu povo sem motivo nenhum aparente, não tinha por quê obedecer, as suas ordens simplórias. Mas estava bem claro quem mandava ali e ela não tinha força para combater contra eles. Seria pedir para morrer...
- Eu compreendo muito bem, senhor...- falou abaixando a cabeça.
Shoran sentiu uma tristeza invadir o corpo. Jamais vira uma pessoa aceitar com tanta facilidade a idéia de que, daqui em diante, teria que agüentar os maltratos que certamente viriam. Tinha que admitir que seria uma dura pena para ele presenciar aquilo sem pode fazer nada.
- Boa garota. - ele falou soltando o rosto dela. - Bem, espere um minuto que irei chamar Lin Soo.
"Não era possível... tudo que temia estava acontecendo". Praguejou ele para si mesmo. Lin tinha um ódio por qualquer mulher estrangeira que tivesse qualquer atributo físico que chamasse a atenção dos homens. O que era definitivamente o caso de Sakura. Tinha certeza de que aquela estranha mulher iria cometer horrores com a jovem...
- Sakura, sei que não estou no direito de dar algum conselho para você, mas não dê nenhum motivo para que Lin a machuque.- ele pediu chegando ao lado dela, que ainda permanecia com a cabeça baixa.- Juro que mais cedo do que imagina estarei de volta...
Sakura não pôde deixar de ficar surpreendida com a reação de seu seqüestrador, aliás, estava confusa... não sabia quem era amigo ou inimigo, mas de uma coisa tinha certeza, ele era um rebelde e por isso tinha seu próprio código de lei e certamente não a poderia proteger da morte.
- Por que de repente você está preocupado comigo, aliás, você devia estar satisfeito com o meu sofrimento .-disse cinicamente o encarando.
As palavras dela tiveram o poder de mil tapas em sua cara. Realmente não tinha o direito de demonstrar alguma preocupação com ela... não ele que até havia batido em seu rosto...deixado as marcas de seus dedos naquela pele. Ele não tinha direito nenhum realmente.
Não houve mais palavras até que Chao entrou no ambiente. Ao seu lado havia uma mulher tipicamente chinesa com os olhos frios e com as vestes negras. Sakura sentiu o pavor dominar seu corpo. Shoran tinha razão, se bobeasse a mulher iria fritá-la viva.
- Bem, Lin aqui está a garota. - falou Chao pegando Sakura pelos braços e mostrando ela para mulher.- Espero que a trate bem.
Lin olhou com um ódio mal contido para ela, seus dias não seriam fáceis ali... certamente seria humilhada mil vezes. Só rezava para que não a matassem.
- A Tratarei como se deve, Senhor Chao.- a mulher falou em chinês ao mesmo tempo em que a pegava pelos braços.- Vamos, anda sua vagabunda!
Enfraquecida e cansada, Sakura tropeçou no degrau e quase caiu.
- Ei, preste atenção não estou aqui para ampará-la! -Lin a repreendeu.
Sakura não se importou com a hostilidade da mulher, no momento, a única coisa que queria era deitar e dormir. Sentia-se exausta, mas não se rendeu... Jamais iria baixar a cabeça para aquela mulher. Respirando fundo subiu os degraus com a cabeça erguida.
- Por aqui.- Lin indicou-lhe mais uma escada.
Subiram ao andar de cima e, após atravessarem um corredor enorme, a mulher parou diante de uma porta que havia no final do corredor e a abriu.
- Aqui será seu aposento senhorita. - a mulher informou antipática. - Lembre-se, comporte-se bem e não a machucaremos. Caso contrário, terei muito prazer em vê-la morta.
Não era necessário repetir. Sakura via nos olhos de Lin que ela não brincava. A chinesa virou-se e saiu.
- Bem, durma com seu Deus, querida .- falou irônica fechando a porta. Logo em seguida, percebeu que o aposento estava trancado.
Sakura pode finalmente analisar o quarto, no qual ficaria até aquele inferno ter um fim, e se é que teria. Percebeu que o quarto estava mobiliado com móveis ocidentais, cheirava mofo, certamente estava trancado esperando pela chegada dela. Porém, era pequeno e abafado... havia um pequeno guarda roupa, a cama era pequena e o colchão fino demais. Olhando par sua esquerda viu que tinha uma poltrona e ao lado dela havia uma janela parcialmente coberta por tábuas de madeira.
- Meu Deus o que fiz para merecer esse inferno ?- perguntou pela milésima vez naquela noite.
Ninguém a respondeu, a não ser os barulhos dos grilos. Não conseguindo mais segurar o medo e, apavorada, sem saber como agir, sentou na poltrona e chorou como uma criança.
Porto de Vitória, Hong Kong.
- Não vejo a hora de rever nossa filha, Nadeshiko.- um senhor de meia idade sussurrou para a bela senhora ao seu lado .- Como me arrependo de ter deixado nossa única filha na mão daquele assassino.
A mulher sorriu passando os braços ao redor do marido. Havia sido uma longa viagem até a China e ainda tinham muito que andar até chegar e rever a filha, mas já era uma grande felicidade saber que estavam no mesmo solo que ela e, que cedo ou tarde, iriam poder abraçá-la.
- Você estava muito alterado naquele dia, meu amor... não se martirize tanto.- ela falou compreensiva.
- Temo nunca mais vê-la.- falou encostando as mãos da mulher nos lábios .- Tenho muito medo de não contar com o perdão dela.
- São temores bobos... Nossa filha é maravilhosa e te ama.- falou sorrindo doce.- Você vai ver que ela irá te perdoar.
- Espero, meu amor... Sinto que alguma coisa de muito séria aconteceu. - ele falou com a mão no coração.
Nadeshiko sentia o mesmo temor. Sua filha não estava feliz e, no momento, estava aflita, precisando de seu carinho e apoio. Mas não falou isso para o marido... não queria vê-lo mais triste e apreensivo do que já estava.
- Você vai ver que esse medo é idiota e que nada ele tem de verdade. - tentou disfarçar o nervosismo. No fundo sabia que estava mentindo para o marido. - Sakura está bem... eu sei disso.
Olá para todos.
Nossa, esse capítulo foi até agora o mais cansativo para eu fazer, embora tenha terminado ele em tempo recorde. Em menos de dois eu tinha quinze mil caracateres... (para mim isso já é suficiente, embora ache que ainda escrevo pouco, mas quando chegar no vinte mil já é o meu limite). Tive mais tempo para montá-lo, ao mesmo tempo que pouco tempo tive para pensar. Então me perdoem se alguma coisa não estiver batendo com a realidade.
Bem, o que acharam da inclusão de três novos personagens? Dois já são bem conhecido dos fãs de SCC, na minha opinião o casal mais fofo, lindo e mal aproveitado no anime... Fujitaka e Nadeshiko Kinomoto. Eles entraram para dar mais agilidade a trama. Juro que a presença de ambos não se tornará pejorativa.
A outra é a entrada de Lin Soo (uma mulher fria, despeitada e que será a principal inimiga de nossa querida Sakura). Confesso que não sei se vou ou não mandar Shoran e Sakura para as montanhas... isso vai depender do rumo do próximo capítulo. Então ele sim será tão ruim quanto Eriol.
Com o decorrer da história acho que as coisas irão se aceitar. Eu nunca tenho certeza em nada dessa fic, pois para mim está sendo uma surpresa escrevê-la a cada dia.
Bem, beijos a todos que me mandaram reviews
