Atenção: este capítulo não segue a cronologia dos anteriores.
Recesso¹
(Las Vegas, 9 de agosto de 2008, sábado)
"Então" Draco sentou-se ao lado de Potter novamente, guardou seus dólares no bolso do casaco e alcançou sua bebida no balcão com tranquilidade. "O que você tem feito desde... o colegial, Potter."
Potter fez sinal para o barman, que chegou todo solícito, lançando olhares de esguelha para o casaco de Draco.
"Mais uma dose, por favor" Potter pediu.
"Duas" Draco esvaziou seu copo rapidamente e empurrou-o através do balcão até a mão ágil do barman. Ele até que não era feio, mas não parecia ser gay, ou já teria lançado olhares cobiçosos em sua direção. "Então?" Draco pressionou, voltando toda sua atenção para seu acompanhante enquanto suas bebidas eram servidas.
Potter rolou os olhos.
"Eu me formei e tenho um emprego. E você?" ele devolveu a pergunta, fazendo questão de não parecer interessado.
"O mesmo" Draco deu de ombros. "Em quê você se formou?"
"Tecnologia da Informação. Fiz pós-graduação na área também. Você?"
"Não, nada de pós-graduação para mim" Malfoy falou, esperando que Potter percebesse que se eximira de dizer em quê se graduara, porém ele não parecia estar prestando muita atenção àquela conversa. Estava olhando por trás de seu ombro, para a pista de dança, provavelmente procurando Weasel para lembrá-lo de quão infeliz estava por causa dele. Draco respirou fundo e molhou a boca na própria bebida, como vinha fazendo a maior parte da noite. O segredo era fazer com que as pessoas pensassem que tinha bebido tanto quanto ou mais do que elas. Aprendera aquilo com seu pai.
O pensamento fez com seu rosto se contorcesse involuntariamente numa careta e Draco girou o próprio corpo em seu banquinho para disfarçar, ficando de frente para a pista de dança, com os cotovelos apoiados no balcão. Potter hesitou um pouco antes de beber sua dose de um único gole e imitar sua posição. Draco sorriu, satisfeito.
"Você ainda está morando em Londres?" perguntou, quando ficou claro que Potter não colaboraria com sua causa. Normalmente, Draco ficaria satisfeito em evitar jogar conversa fora, mas tinha que entreter Potter se pretendia ganhar aquela aposta. E a perspectiva de arrancar duzentos dólares de Weasley era motivação suficiente para ele.
"Sim. Você?"
"Já pensei em me mudar, mas vivi minha vida toda lá. Não é fácil abandonar a cidade do rock".
Potter deu um risinho cínico e Draco pensou por um momento se os papéis não haviam se invertido sem que ele percebesse.
"Pensei que você diria que não é fácil abandonar a casa dos pais."
Aquelas palavras foram como um tapa em sua cara, porém Malfoy não estava disposto a deixar aquilo transparecer e disfarçou o ímpeto de emoção levantando-se de repente e fazendo um gesto convidativo.
"Que tal dançarmos um pouco?"
"Eu não danço" Potter falou, ainda evitando encará-lo. "Mas fique à vontade para ir, se quiser."
Draco respirou profundamente para conter a raiva, voltando a se sentar antes que alguém roubasse o seu lugar. Talvez houvesse subestimado seu desafio da noite, mas logo veriam quem era o mais teimoso dos dois.
"Para seu governo, moro sozinho há cinco anos" falou, com calculada despretensiosidade, ao que Potter deu de ombros novamente.
"Tenho morado sozinho desde os dezessete anos."
"Bem, tecnicamente, durante os últimos dois anos eu dividi o apartamento com meu namorado. Ex-namorado, na verdade" Draco acrescentou rapidamente, então levantou uma sobrancelha em direção ao seu companheiro. "Sabe... Achei que você estaria casado com a Weasel fêmea, povoando o mundo, a essa altura do campeonato. Lembro de vocês estarem namorando em nosso último ano do colegial" a segunda coisa que Draco havia reparado em Potter era que ele não usava nenhuma aliança. A primeira era como parecia estar ainda mais bonito do que antigamente. E não parecia ter consciência daquilo, como sempre. A maturidade simplesmente lhe caíra muito bem.
"Bem, também achei, pra dizer a verdade" Potter franziu a sobrancelha e Draco exultou internamente. Aquilo fez com que desconfiasse que o garoto impulsivo e de temperamento facilmente incitável ainda estava ali, debaixo daquela máscara de frieza - que, convenhamos, não combinava com ele. Tudo o que Draco precisava fazer era usar aquilo em seu favor.
"O que aconteceu? Você percebeu que namorar aquela garota era o mesmo que namorar a versão cabeluda de todos os irmão dela?"
Potter fez um muxoxo, mas pela maneira como seu corpo ficou tenso, Draco teve certeza que aquilo o atingira.
"Porque, honestamente, Potter" continuou. "Aquela menina é mais homem do que todos eles juntos."
"Então por que é que você não namorou ela?" daquela vez Potter não se conteve e encarou-o, com os olhos verdes intensos chispando faísca por trás dos óculos.
Draco aproveitou a atenção ao máximo, tomando mais um pequeno gole de sua bebida.
"Apesar da atitude, faltava-lhe o equipamento" Draco sorriu enviesado e Potter desviou os olhos, chamando o barman novamente. Ele poderia muito bem estar corando, porém as luzes da boate não ajudavam muito com aquele tipo de detalhe.
A estratégia já começava a se formar na mente de Draco. Ele se inclinou um pouco mais em direção a Potter com a desculpa do barulho, ciente de que teria que ser muito óbvio para que o outro percebesse.
"Falando sério, o que deu errado? Ela falou que você não era o tipo dela, ou coisa assim? Talvez tivesse algo a ver com o seu equipamento?"
"Nós éramos muito novos, está bem?" Potter defendeu a honra de sua ex-namorada, como Draco adivinhou que faria. "Nós dois percebemos que tínhamos que pensar em nossas próprias carreiras antes que fosse tarde e culpássemos um ao outro por isso."
"Ah, muito maduro da parte de vocês. E o que ela queria fazer da vida, afinal?"
Potter bufou e resmungou alguma coisa.
"O quê? Não ouvi direito" Malfoy chegou mais perto, perto suficiente para sentir sua colônia.
"Ela é jogadora profissional de vôlei" Potter falou, contrariado, e Draco riu.
"Muito revelador."
"Cale a boca, Malfoy."
"Quer me fazer calar?" Draco falou numa proximidade calculada, fazendo com que Potter se voltasse para ele, confuso no início, as pupilas já um pouco dilatadas pelo álcool, mas a compreensão tomou conta dele lentamente e daquela vez Draco pôde ver o rubor tomando seu rosto.
Potter desviou os olhos, em choque, tomando sua bebida num único gole e Malfoy sentiu a satisfação preenchendo-o quase fisicamente.
-oOo-
Fazia cerca de meia hora desde a última vez em que vislumbrara as sardas de Weasley, e já passava da meia-noite quando propôs pela segunda vez.
"Que tal aquela dança agora?"
Potter tinha os olhos ligeiramente desfocados por causa do álcool, os óculos levemente tortos, e Draco já nem se dava ao trabalho mais de beber para encorajá-lo.
"Eu não danço" Potter falou um tanto arrastado, franzindo o cenho em concentração, porém daquela vez Draco não aceitaria um não como resposta.
"Vamos" ele segurou o antebraço de Potter.
"Senhores...?" o bartender se materializou em frente a eles e Draco estalou o dedo.
"Ah, claro. Potter, em qual quarto você está?"
"Trezentos e sete" Potter falou, depois de pensar por alguns segundos.
"Ponha na conta dele" Draco falou para o barman e o puxou para o meio da pista, ignorando seus protestos.
Potter dançou, afinal, e não tão ruim se considerasse o quanto havia bebido. Bem, ele provavelmente só estava dançando por causa da bebida. Draco tomou o cuidado de dançar longe o suficiente para não atrair olhares indesejáveis - afinal, aquilo não era uma boate gay - e perto o suficiente para não deixar que Potter se esquecesse de que estava tentando seduzi-lo.
Haviam feito aquele jogo até aquele momento e Draco desconfiava que, se Potter fosse tão imune às suas cantadas, já teria desistido havia muito tempo, mesmo que aquilo custasse duzentas pratas ao seu melhor amigo. De vez em quando, Draco se debruçava sobre ele para falar junto ao seu ouvido, por cima da música eletrônica, elogiando e encorajando, fazendo com que o outro se soltasse cada vez mais.
Em algum momento, duas garotas haviam se aproximado e tentavam chamar a atenção dos dois, o que deixou-o tenso, apesar de Potter não parecer estar notando. Draco queria se aproximar mais dele para poder passar uma mensagem a elas, mas já estavam próximos o suficiente para começarem a levantar suspeitas. Estava prestes a sugerir que eles fossem para outro lugar quando Potter se debruçou sobre ele.
"Preciso ir ao banheiro" ele deu o recado e começou a se afastar. Draco lançou um olhar desdenhoso às garotas e começou a segui-lo em meio a multidão, porém Potter não tinha dado nem dois passos quando parou, confuso. "Para que lado fica o banheiro?"
"Vamos" Draco aproveitou para segurar seu antebraço novamente enquanto o guiava em direção ao toalete.
A relativa quietude do banheiro depois de horas de som alto parecia etérea. Eles se aliviaram lado a lado e Potter tinha bebido tanto que parecia que nunca mais ia parar e Draco percebeu que ele evitava por tudo no mundo olhar em sua direção, ainda que vagamente.
"Minha cabeça está zunindo" disse Potter, e Draco se sentiu confiante para dar o próximo passo.
"Vamos para outro lugar" declarou ao deixarem o toalete, guiando Potter para fora do clube noturno, passando por alguns cassinos até encontrar o que procurava.
Não era à toa que ele e Blaise haviam feito as reservas naquele hotel, quando planejaram aquela viagem. Haviam se informado sobre estabelecimentos simpatizantes e descobriram que havia um clube com shows voltados também para o público gay. Quando Potter percebeu - e não demorou muito, uma vez que havia algumas drag queens dançando escandalosamente no palco -, fincou os pés no chão e murmurou, cambaleante.
"Malfoy, não sei se é uma boa ideia..."
"Ora, vamos... Ouvi dizer que eles fazem ótimas margaritas" Draco mentiu e Potter deu de ombros, após uma breve hesitação.
"Bem, mal não vai fazer."
"Sábias palavras."
Havia várias barmaids² servindo em um lado do balcão, portanto Draco optou por levá-lo ao lado oposto, onde foram servidos por um barman bem menos vestido que na outra boate. Potter evitou encará-lo, mas não parava de espiar pelo canto do olho, imaginando-se muito discreto. Porém, onde quer que Potter olhasse, havia pessoas vestidas de maneira provocante, com excesso de brilhos e pernas depiladas expostas, casais se beijando ou dançando sensualmente. Héteros, Gays, lésbicas, travestis, transsexuais... Draco ficou imaginando se seria possível que ele e Potter fossem expulsos por estarem comportados demais.
Potter estava observando havia algum tempo o casal de homens ao lado se beijando quando um deles desgrudou os lábios do outro por tempo suficiente para dizer: "Quer se juntar a nós?"
Draco estava prestes a mandá-los cuidar de suas vidas quando percebeu a cara de espanto que Harry fazia e caiu na risada.
"Para a pista de dança. Agora" Draco comandou depois que Potter tomou sua margarita.
A pista de dança era o local menos iluminado do clube. Daquela vez, Draco não se conteve mais e dançou o mais sensualmente que pôde, não economizando nos olhares, umedecendo os lábios e encostando 'acidentalmente' sempre que possível, afinal o local estava lotado. Por duas ou três vezes teve que espantar um ou outro que tentava se juntar a eles, deixando claro que não estava disposto a dividir seu companheiro. Depois disso, os outros pareceram entender o recado. Em dado momento, percebeu Harry observando atentamente algumas garotas se beijando e foi obrigado a pegar mais pesado para atrair a atenção de volta para si.
Na terceira música, Draco já estava se esfregando deliberadamente no corpo firme de Harry. Este parecia quase entorpecido, completamente esquecido de todos ao seu redor, acompanhando seus movimentos como que enfeitiçado, as mãos começando a tocá-lo primeiro inseguramente, depois com mais confiança. Draco sorriu enviesado quando Harry deslizou a mão pelas suas costas até o seu traseiro, encarando seus lábios com os próprios entreabertos, olhos semicerrados, a respiração ofegante.
Draco beijou-o nada inocentemente e o sangue pulsava em seus ouvidos quando Harry retribuiu ardentemente, enroscando a língua na sua, segurando sua nuca com a mão que não estava em seu traseiro. Havia raras ocasiões em que Draco não se importava em ter seu cabelo bagunçado, e que ele morresse ali mesmo se aquela não fosse a melhor das ocasiões. Draco puxou-o pela cintura, desesperado por mais contato, deixando as mãos deslizarem pelas costas de Harry enquanto pensamentos ferozes cruzavam sua mente.
Subitamente pareceu vir tudo à tona. Tanta emoção que Draco achava ter esquecido e que ganhara vida novamente com aquele beijo. Se soubesse que aquilo aconteceria, provavelmente o teria evitado, mas já não conseguia se imaginar deixando-o ir.
Draco encarou-o nos olhos, ofegante, e empurrou para longe de seus pensamentos aquela vozinha irritante no fundo de sua mente que dizia que iria se arrepender daquilo logo, logo; que Potter estava bêbado e voltaria ao normal muito mais rápido do que ele gostaria.
"Venha" Draco puxou-o pela mão, mantendo-o próximo de si enquanto abriam caminho pela multidão.
Potter não parecia ter intenção de protestar, seguindo-o de perto, a respiração quente e rasa roçando seu pescoço e despertando ainda mais seus sentidos. Caminharam rente à parede da boate, onde Draco vira alguns casais desaparecendo em meio à penumbra. Exatamente como desconfiara, havia um dark room. Na verdade, não era bem o que tinha em mente. Queria levá-lo para seu quarto, mas temia que o encanto se desfizesse até lá e Harry lhe escapasse novamente. Não podia arriscar que aquilo acontecesse.
Porém, quanto parou em frente à porta, viu-se incapaz de entrar. A visão de vários corpos suados se entrechocando na parca iluminação fez com que pensasse no suor e no chão imundo e Draco percebeu que não seria capaz de entrar com Harry ali dentro. Além do mais, não suportava a ideia de ter que dividi-lo com desconhecidos.
"Maldição!" Draco praguejou.
De repete, Potter empurrou-o contra a parede, impaciente, e beijou-o novamente,com paixão. Não apenas com a boca, mas como o corpo inteiro. Draco se sentiu voltar no tempo novamente. Era com aquilo que havia sonhado durante tantos anos, que Harry pudesse beijá-lo com tanta intensidade quanto o odiava, e seus sonhos não faziam jus à realidade.
"Vamos!" Draco insistiu, quando eles se afastaram novamente.
Meio escondido num beco mais adiante, Draco viu o que parecia ser uma porta aonde se lia 'acesso somente para pessoas autorizadas'. Quando se aproximou, trazendo Potter ainda seguro pela mão, percebeu que se tratava de um abençoado corredor deserto. Puxou-o rapidamente até uma porta e testou-a. Emperrada. "Merda!"
"Espera..." Potter passou à sua frente e forçou a porta até que ela cedeu e eles entraram num armário escuro e cheio de produtos de limpeza.
Draco puxou-o para dentro e fechou a porta rapidamente ao mesmo tempo em que esbarrava no interruptor. A luz forte os cegou por um momento. Não era o melhor dos lugares, abafado, apertado, empoeirado e cheirando a água sanitária, mas pelo menos não estava nojento como o dark room.
Ambos se encararam por um momento e Draco pensou se aquilo já não teria sido suficiente para quebrar o encanto. No entanto, no instante seguinte Harry puxou-o e eles retomaram aquilo que era meio luta, meio beijo, o sangue entrando em ebulição como se nunca tivesse esfriado. Em certo momento, irritado com os óculos de Potter, Draco tirou-os e enfiou-os no bolso da camisa. Passou então a beijar o pescoço de Harry, que tinha as costas apoiadas na porta por onde eles haviam entrado, e ele jogou a cabeça para trás, apreciativamente.
Draco enfiou a mão por baixo da camiseta de Potter, explorando, sentindo-se tão excitado que poderia explodir. Em seguida afastou o corpo do de Harry apenas o suficiente para desafivelar seu cinto e abrir o zíper de sua calça, acariciando-o em seguida e sorrindo em meio ao beijo quando Harry fez um som de aprovação. Sentiu as mãos dele tateando e retribuindo, ainda que um tanto inseguramente. Em seguida se ajoelhou, encarando os olhos turvos de Harry voltados para ele em expectativa.
Potter gemeu em deleite quando Draco o tomou em sua boca. Draco fez questão de não perder cada uma de suas mínimas reações enquanto o chupava e se acariciava ao mesmo tempo, chegando rapidamente no limite e transpondo-o ao mesmo tempo em que Harry agarrou seu cabelo e puxou sua cabeça para trás, meio segundo antes de atingir o clímax silenciosamente.
Draco apoiou a cabeça na coxa de Potter, sentindo o suor esfriar em sua nuca. Por um momento só se ouvia a respiração forte de ambos, acalmando-se a cada segundo. Com o fôlego, também vinha a realidade, corrompendo o sonho e deixando todas aquelas sensações intensas na lembrança, parecendo tão irreais quanto seus sonhos foram um dia. Finalmente Draco se pôs em pé, espanando a poera dos joelhos antes de se recompor. Já estava se preparando para a parte onde eles evitavam se encarar quando percebeu que Potter ainda estava com os olhos fechados, o cenho franzido.
"O que foi?" perguntou, apreensivo e Harry engoliu lentamente antes de dizer, com a voz pastosa.
"Acho que vou vomitar."
Draco hesitou por um breve momento antes de puxá-lo o suficiente para abrir a porta, em seguida empurrou-o para dentro do banheiro bem no momento em que o box mais próximo vagava.
"Cai fora" ele gritou se colocando na frente do homem que estava prestes a entrar e empurrou Harry para dentro no momento exato. Os xingamentos do homem minguaram tão logo ele percebeu o que estava acontecendo e Draco fechou a porta atrás de si, segurando os ombros de Potter e lembrando-o de não tocar em nada.
Potter pareceu escutar, pois apoiou-se nele depois de acionar a descarga, a testa coberta de suor e uma careta no rosto. De repente, Draco começou a rir histericamente. Potter ficou encarando por alguns instantes antes de se juntar a ele, parecendo ainda um tanto zonzo. O riso morreu lentamente e Draco permitiu-lhe um momento para se recuperar. Potter apoiou a testa em seu ombro e parecia estar fazendo muito esforço para se manter em pé.
"Vamos" Draco falou quando o silêncio entre eles ameaçou ficar incômodo e já ia abrir a porta quando notou. "Potter, não seria melhor se você fechasse a braguilha antes de sair?"
"Ah!" ele se atrapalhou um pouco em sua letargia e evitou encará-lo nos olhos. "Obrigado."
Draco arqueou uma sobrancelha para o homem que aguardava, porém ninguém disse palavra. Harry foi até a pia para enxaguar a boca e mergulhar a cabeça debaixo da torneira enquanto Draco se limitou a lavar as mãos, passar água no rosto e arrumar o cabelo despenteado.
"Merda" Draco falou ao notar uma mancha suspeita em sua camisa. Limpou-a o melhor que pôde com uma toalha de papel umedecida, resistindo ferozmente ao impulso que dizia para correr para seu apartamento e trocar de roupa imediatamente.
"Olha..." Potter começou após vestir os óculos novamente e Draco fez uma careta, se preparando para o que viria a seguir. "Desculpa. Eu não sei o que..."
"Eu sei o que aconteceu" Draco atalhou, abrindo a porta do banheiro e gesticulando para que ele saísse. "Você bebeu demais, ainda por cima de estômago vazio. Vamos, você precisa comer alguma coisa."
Potter seguiu-o sem reclamar.
-oOo-
Depois de avaliarem bem as opções, Potter acabou optando, ainda que contra a vontade de Malfoy, por uma lanchonete de aparência razoavelmente limpa próximo aos cassinos, onde ele pediu um hotdog. Foi bom darem um descanso aos seus ouvidos depois de toda aquela música.
À medida em que Potter se tornava mais sóbrio, o humor de Draco ficava mais negro. Tentava imaginar em que momento a ficha de Potter cairia e ele diria que sentia muito, que não devia ter feito aquilo, e coisa do tipo. Já havia ensaiado várias vezes recolher seu orgulho e ir embora antes que fosse rejeitado, mas de alguma maneira continuava sentado ali, tomando sua cerveja lentamente enquanto Harry finalizava seu segundo hotdog.
"Acho que estava mesmo com fome" Potter falou ao terminar, limpando os dedos engordurados.
"Acha mesmo?" Draco grunhiu e evitou encará-lo, como já estava fazendo havia algum tempo.
"Tem certeza que não vai comer nada?"
"Nada que venha dali, com certeza" Malfoy gesticulou para a lanchonete com desdém. "Além do mais, não fui eu quem esvaziou o estômago agora há pouco."
"Ei..." Potter começou e Draco se preparou para a punhalada. "Escuta... Se você quiser, pode ir. Eu digo ao Ron que você ganhou a aposta, se é isso que está segurando você."
"Certo" Draco falou, sentindo como se seu estômago afundasse de uma vez. A aposta. Tinha esquecido completamente a maldita aposta. "Certo" repetiu, experimentando um misto de decepção e raiva. De alguma forma conseguiu colocar a máscara de volta no lugar, levantou-se e pescou algumas notas da carteira, largando-as sobre a mesa. "Esqueça a maldita aposta. Pode dizer ao Weasley que eu perdi. Não poderia me importar menos."
"Malf... Ei! Malfoy!" Draco não lhe deu atenção, mas ouviu o arrastar da cadeira e no instante seguinte Potter estava à sua frente, obrigando-o a parar para encará-lo. "Espera, não foi isso que eu quis dizer. Quer dizer, você estava tão... diferente até agora há pouco, mais solto... divertido, até. E de repente você está agindo como se não quisesse mais nem falar comigo. Eu imaginei que... que você tivesse se cansado de... Droga" ele pareceu desistir de tentar explicar, passando a mão nervosamente pelos cabelos. "Merda. Esquece que eu disse alguma coisa, está bem? Pensa que é fácil para mim também? Ter passado mal daquele jeito depois de... de... Merda, eu bem que poderia fazer uso de outra bebida, agora."
Um sorriso se espalhou lentamente pelo rosto de Malfoy àquelas palavras.
"Eu não levei para o lado pessoal o fato de você ter vomitado logo depois" disse, dando de ombros. "Deveria ter?"
"Não, claro que não" Potter relaxou os ombros.
"Tudo bem, então. Vamos deixar você bêbado e eu mais... divertido."
"Hmm na verdade não sei se é uma boa ideia..."
"Não se preocupe. Eu continuarei sóbrio o bastante por nós dois" Draco se empertigou. Estava mais do que claro que Potter não costumava se embebedar e fazia bem para o seu ego ser melhor do que ele em alguma coisa, pra variar. Qualquer coisa.
"Acredito que isso seja seu" Potter devolveu seu sorriso e ofereceu-lhe o que vinha segurando na mãos aquele tempo todo. Seu dinheiro.
"Por enquanto" Draco deu de ombros, com aparente despretensiosidade, mas aceitou o dinheiro de volta rapidamente. Talvez até rápido demais. "Então. Algum pedido especial?" perguntou quando já se encaminhavam de volta para o hotel.
"Acho que vou de margaritas" Potter tentou soar desembaraçado, mas falhou. O sorriso de Draco se alargou ainda mais.
"Ótima pedida. Eu conheço o lugar certo."
-oOo-
Potter estava decididamente mais solto depois de algumas doses e eles estavam debruçados no balcão do bar, conversando. Estavam próximos o suficiente para falar sobre frivolidades por cima da música alta. Potter já não parecia tão espantado com os arredores, mas ainda evitava encarar o peito nu do barman.
"Foi difícil para você, morar junto com seu... namorado? Ex-namorado" Potter falou depois de uma pausa e Draco se surpreendeu pela intimidade da pergunta depois de todos aqueles assuntos seguros que haviam discutido. Seu impulso inicial era de evitar a pergunta, mas impediu-se em tempo.
"Não foi nada fácil" Draco respondeu, enfim. "Eu estava completamente relutante. Tinha gostado da ideia de morar sozinho e conhecia Blaise o suficiente pra saber que ele faria o possível para me tirar fora do sério, mas nós já estávamos juntos havia três anos e ele acabou me convencendo de que era o fluxo natural das coisas. Acho que acabei me acostumando, no final."
"Você sente falta dele?" Potter perguntou e Draco levantou as sobrancelhas, cético. Potter gaguejou "Desculpa. Claro que sente. Você disse que vocês dois moraram juntos por quanto tempo?"
"Quase dois anos."
"Uau, isso é bastante tempo. Ginny e eu não chegamos a três anos de namoro. Nem chegamos a cogitar morarmos juntos. Sempre imaginei que para ela era cômodo morar com a mãe, estudando e jogando, sem ter tempo pra mais nada. Por isso nunca cheguei a propor. Talvez, se tivesse proposto..." ele suspirou.
"Arrependido?" Draco manteve a própria apreensão longe da voz.
"Não, acho que não. Talvez isso tivesse feito com durássemos mais alguns anos, mas nós não teríamos dado certo, de qualquer maneira."
"Mas você teve outras namoradas depois dela, certo?"
"Nada sério" Potter encolheu os ombros. "Ron disse que dou muita atenção para o meu trabalho para o meu próprio bem e talvez ele esteja certo. Já faz mais de..." ele franziu as sobrancelhas. "Quatro anos... Caramba! Talvez eu tenha deixado a oportunidade passar simplesmente por não querer enxergar..."
"Ei, não é como se fosse tarde" Draco desdenhou. "Nem chegamos aos trinta ainda. Alguns dizem que a vida começa aos quarenta" zombou.
"Claro, claro. Talvez eu tenha antecipado minha crise de meia idade, então" Potter encostou seu copo no dele num brinde antes de esvaziá-lo.
Draco umedeceu os lábios, hesitando por um momento. Havia fugido completamente de sua zona de conforto naquela noite. Tanto que não conseguia sequer se reconhecer naquela pessoa comunicativa ao lado de Potter. Talvez fosse a aceitação de que dificilmente voltaria a se encontrar com Potter depois daquela noite, porém acabou se aproximando um pouco mais, com o intuito de falar mais baixo.
"Sabe... Blaise e eu compramos nossas passagens para cá há alguns meses. Ele até brincou sobre a possibilidade de voltarmos casados para Londres. É claro que fiz pouco caso do que ele disse, mas... a verdade é que me peguei flertando com a possibilidade. E então, um mês e meio depois, ele me disse que sentia muito, mas não era aquilo que queria da vida. Tinha encontrado alguém e... Bem, esse alguém era uma mulher, com quem ele poderia constituir uma família de verdade" Draco esvaziou sua taça, como Harry havia feito antes. Poderia ter culpado a bebida pelo desabafo, não fosse o fato de estar se sentindo mais sóbrio do que nunca.
Potter encarou-o com algo parecido com pena e Draco já ia dizer algo para arrancar aquela expressão do rosto dele - algo cruel, de preferência - quando sua expressão mudou para confusão.
"Espere... Estamos falando de Blaise Zabini?"
"Primeiro e único" Draco concordou, adivinhando o que Potter estava pensando. "O pegador da escola. Tinha sempre alguma garota pendurada no pescoço."
"Mas ele... como...?"
"Nós éramos amigos, mesmo depois do colegial" Draco explicou. "Ele me disse uma vez que já tinha tido tantas garotas que nada mais era novidade, então nós começamos a sair juntos, meio que só por diversão. Não sei dizer em que momento as coisas ficaram realmente sérias. Mas então, imagino que ele se cansou de ser gay também" ele ficou em pé de repente e ofereceu a mão ao outro, incapaz de aguentar outro minuto que fosse daquela conversa deprimente ou dos olhares compadecidos que Potter lançava em sua direção. "Então, Harry, o que me diz de irmos logo para a pista de dança? Ou você ainda não bebeu o suficiente?"
Um sorriso se espalhou lentamente pelo rosto de Potter.
"Eu não danço" ele informou, aceitando a mão estendida. "E também não bebo."
"Logo se vê" Draco aquiesceu.
Daquela vez já não havia mais a urgência desesperada de antes, Draco pensou algum tempo depois, enquanto eles dançava sensualmente. Potter estava pressionado inteiramente às suas costas, seus quadris se movendo ao som da batida. A respiração dele logo atrás de sua orelha esquerda causava-lhe arrepios. As mãos de ambos exploravam, agarrando roupas e músculos com firmeza. No instante seguinte estavam de frente um para o outro, os corpos novamente colados e as respirações se encontrando. Seus lábios estavam a poucos centímetros, mas quando Potter fez menção de alcançá-lo, Draco desviou o rosto, fazendo com que ele beijasse sua bochecha. Aquilo não pareceu abalá-lo entretanto, conforme sua língua quente desceu tentadoramente por seu pescoço.
"Mais um drinque?" Draco sugeriu tão logo encontrou a própria voz. Não estava com pressa e queria aproveitar cada segundo antes de sucumbir e levá-lo para um lugar mais privado novamente.
Potter pareceu prestes a protestar, porém acenou afirmativamente com a cabeça.
-oOo-
Draco sorriu enquanto tentava recuperar o fôlego, a testa encostada na de Harry, que estava igualmente ofegante. Eles tinham encontrado o caminho de volta ao armário após longos minutos de provocação mútua e Draco não pode deixar de pensar que valera muito a pena prolongar. Quando abriu os olhos, encontrou os de Harry encarando-o, as pupilas novamente dilatadas pelo álcool e o olhar levemente desfocado. Os óculos haviam sumido novamente, mas Draco não se lembrava de tê-los tirado.
"Casa comigo?" Harry propôs com a seriedade dos bêbados e Draco jogou a cabeça para trás numa gargalhada que veio do fundo de seu estômago.
"Sou bom nisso, eu sei que sou" concordou, ainda rindo, se afastando para procurar a própria camisa enquanto levantava as calças. Encontrou a peça de roupa numa prateleira e verificou-a cuidadosamente, procurando por alguma sujeira, antes de vesti-la. A camiseta de Harry estava pendurada num gancho acima de suas cabeças. "Aqui."
"Ei!" Potter segurou seu braço, forçando-o a encará-lo novamente. "Estou falando sério! Vamos nos casar!"
Draco se segurou antes de fazer outra piada, o riso morrendo de repente diante do brilho esperançoso daqueles olhos. Arrepiou-se.
"Isso é o álcool falando, Potter" falou, bruscamente. "Vamos sair daqui, você precisa tomar um ar antes que passe mal novamente."
"Eu estou ótimo! Nunca estive melhor!" Potter continuou, empolgado. Sua fala estava levemente enrolada, mas não de um jeito cômico.
Draco limitou-se a arquear uma sobrancelha enquanto voltava a oferecer a camisa de Harry. Os ombros de Potter despencaram ligeiramente antes que ele começasse a se recompor, porém não parecia ter desistido.
"Ora, vamos, Malfoy... Você disse que ia se casar aqui, então nós podemos, não podemos?"
"Nós podemos fazer muitas coisas, Potter. Mas isso não significa que devamos. Acredite, você vai me agradecer por isso pela manhã" Draco não pôde deixar que uma ponta de desdém soasse em sua voz, porém não foi suficiente para desencorajá-lo. "Isso é loucura!" exasperou-se.
"Que seja! Quero fazer uma loucura hoje" então, para horror de Draco, Potter se pôs sobre um joelho e segurou sua mão. "Draco... Qual é o seu nome do meio mesmo?"
"Lucius" Draco respondeu, sua mente aparentemente incapaz de processar completamente o que estava acontecendo.
"Certo" Potter limpou a garganta, ajeitando os óculos sobre o nariz suado. "Draco Lucius Malfoy, você aceita se casar comigo?"
Seria cômico, se não fosse preocupante. Potter tinha os cabelos mais bagunçados que o normal, a camiseta amarrotada e as calças abertas, tornando tudo ainda mais irreal. Talvez o álcool estivesse começando a fazer efeito, afinal. Draco fechou os olhos com força, mas quando tornou a abrir, a cena não havia mudado em nada. Pensando bem, talvez a expectativa de Potter tivesse aumentado ainda mais.
"Você ficou louco!" Draco falou, meneando a cabeça primeiro com lentidão, depois com mais firmeza.
"Eu mereço ficar louco hoje. Nunca fiz nenhuma loucura na minha vida, já está mais do que na hora. Draco, há muito tempo não me sinto tão... vivo! Por favor, Draco..."
Draco abriu e fechou a boca algumas vezes, perdido no reboliço que aquilo estava lhe causando internamente. Estava assustado demais para se sentir feliz pela proposta. Ao mesmo tempo em que uma parte de si mesmo lhe gritava 'O que você está esperando? Aceite logo de uma vez, porra!' a outra gritava 'Não seja idiota, ele está podre de bêbado e vocês dois vão se arrepender muito amanhã. Isso não é coisa que se brinque!'. Mas então, Draco pensou, aquela noite toda havia sido uma loucura. Ele tinha plena consciência de que aquilo não duraria até o dia seguinte e definitivamente não tinha futuro. Então por que não aproveitar tudo o que tinha direito logo de uma vez? Se iria se arrepender pela manhã, melhor que tivesse valido a pena.
"Ah, para o inferno com tudo isso! Vamos nos casar" disse, por fim, e Harry se levantou de um rompante, atacando sua boca num beijo quase doloroso.
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Draco tinha certeza que não estava bêbado, mas as lembranças que guardaria da cerimônia eram pedaços aqui e ali, em meio a um turbilhão de emoções. Encontraram uma capela razoavelmente vazia há duas quadras do hotel. Lembrava-se de terem preenchido alguns formulários, escolhido as alianças mais simples - que, felizmente, Harry fez questão de pagar, ou Draco teria estourado o cartão de crédito novamente -, então esperaram sua vez. Sentados no banco aos fundos da pequena capela enquanto aguardavam o término da cerimônia em andamento - com cada um dos noivos em igual estágio de bebedeira - eles se viram incapazes de parar de se beijar ou se tocar.
A cerimonialista chamou-os em seguida e Draco tentou prestar atenção nas palavras, mas falhou. Harry estava um caos, e Draco imaginou que talvez não estivesse tão diferente. Mas a maneira como ele o encarava espalhava um calor reconfortante em seu peito, que quase fez com que esquecesse as circunstâncias. Deviam ter feito tudo certo, no final, pois logo a mulher deixou que se beijassem novamente, e Draco se segurou na roupa de Harry com força, como se somente aquilo impedisse seus joelhos de cederem.
"Você está bem?" Harry perguntou, parecendo genuinamente preocupado. Eles haviam acabado de sair da capela e caminhavam de braço dado, como se apoiassem um ao outro.
Draco balançou a cabeça afirmativamente, temendo passar mal se dissesse alguma coisa. Harry forçou-o a parar de andar e beijou-o como havia feito na capela, ao final da cerimônia. Devagar e tão intensamente que causou uma sensação difusa nas extremidades de seus dedos das mãos e dos pés e no fundo de suas entranhas. Quando eles se separaram, Harry estava sorrindo com os olhos e anunciou com uma felicidade quase infantil a um grupo de passantes que estavam em lua-de-mel.
De algum modo eles conseguiram chegar ao apartamento de Draco, na cobertura. Quando a porta se fechou deixando-os sozinhos novamente, Draco estava tremendo. As cortinas estavam abertas, revelando o contorno dos prédios através do vidro límpido, o azul escuro dando lugar ao violeta que precedia o amanhecer. Aquilo era, sem dúvida, muito mais íntimo do que um armário num corredor qualquer. Parecia tão irreal que chegava a doer. Harry, no entanto, não parecia estar em condições de pesar a profundidade da situação enquanto beijava seu pescoço e terminava de desabotoar sua camisa, tarefa que já tinha começado no elevador. Seus óculos haviam magicamente desaparecido novamente e Draco pensou em como é que ele não o perdia.
Draco fechou os olhos por um momento e finalmente se deixou levar, dizendo para si mesmo para parar de pensar em quando e como aquilo iria acabar e começar a aproveitar o momento. Ajudou Potter a despi-lo, depois ambos deram um jeito nas roupas de Harry, e o toque de pele com pele foi tão, tão bom. A perfeição daquele corpo chegava quase a ser frustrante. Draco imaginara que em algum ponto perceberia que havia superestimado sua paixão adolescente e que logo se decepcionaria com a realidade, mas já não tinha mais como se agarrar àquilo. Memorizou cada detalhe do corpo de Harry até que seus contornos estivessem gravados permanentemente em sua memória. Seria capaz de desenhá-lo praticamente de olhos fechados.
Draco beijou-lhe o pescoço e os ombros, deliciou-se com a textura dos pelos escuros que cobriam seu peito, nada exageradamente, a rigidez dos músculos de seu abdômen, traseiro e coxas... Então havia novamente aqueles lábios, ligeiramente ásperos e perfeitos.
Potter caiu sobre ele na cama e começou a distribuir beijos e lambidas em sua clavícula enquanto sua mão explorava, primeiro timidamente, depois com mais segurança. Foi a vez de Draco de fechar os olhos e aproveitar as sensações, segurando os cabelos macios e rebeldes entre seus dedos, mantendo-o no lugar quando aquela língua habilidosa alcançou um de seus mamilos. Em algum momento Harry começou a se esfregar em sua coxa, e Draco levantou a cabeça dele firmemente pelos cabelos, mas não sem um choramingo de arrependimento.
"Espera" falou e se esticou para alcançar o criado, onde convenientemente deixara um tubo de lubrificante. "Não economize" recomendou, ao que Harry assentiu.
Logo eles estavam se beijando novamente e se esfregando um ao outro, a sensação intensificada pela umidade.
"Vamos logo com isso" Draco declarou, quando já tinham se torturado o suficiente, vasculhou o criado em busca de uma camisinha e vestiu-a em Harry rapidamente. Depois dobrou os joelhos e guiou-o para o lugar onde o queria. Potter suspendeu o corpo acima dele com os braços, olhando-o de cima. Lá estava novamente aquela emoção intensa encarando-o de volta, tão vívida que chegava a dar um friozinho na barriga. Draco fechou os olhos por um momento, enquanto Harry o penetrava lenta e firmemente, sua boca se abrindo involuntariamente num gemido.
"Tudo bem?" Harry perguntou e Draco abriu os olhos, mantendo-os estreitos.
"Não. Preciso que você se mova. Agora."
Potter obedeceu ávidamente e as mãos de Draco se fecharam com força em seus músculos dos braços, conforme a tensão se intensificava em seu baixo ventre de maneira quase dolorosa. De repente já não conseguia mais encarar o rosto de Harry. Fechou os olhos com força. Quando já não conseguia mais se segurar. Levou uma mão entre seus corpos e estocou no mesmo ritmo das investidas de Potter... Então seu mundo explodiu.
Quando abriu os olhos com certa dificuldade, Harry ainda o encarava com apenas o som de suas respirações ofegantes ao fundo.
"Não se mexa" ouviu-o dizer, sua voz etereamente distante. "Você fica lindo desse jeito."
Draco tornou a fechar os olhos e escorregou para um sono profundo, repleto de sonhos angustiados.
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Acordou atordoado, demorando algum tempo para separar o que era sonho da realidade. Olhou para o lado e sentiu um friozinho no estômago. Harry estava completamente apagado, deitado de bruços, com a respiração ressonando e o rosto parcialmente enterrado no travesseiro. Sua pele parecia mais clara contra os lençóis negros. O rosto de Draco se contorceu numa careta involuntária enquanto ele o observava. Espiou o relógio. Ainda era cedo. Seria melhor daquele jeito.
Levantou-se com cuidado, escolheu uma roupa dentre as que pendurara na cômoda do hotel e foi para o banheiro. Tomou uma ducha rápida, tentando não pensar. Pensar era doloroso como a dor de cabeça que ameaçava tomá-lo, latejante. Vestiu-se sem pressa, concentrando toda a sua atenção na tarefa. Só quando pôs a mão na maçaneta para sair do quarto, foi que olhou novamente para a cama. Potter sequer se mexera. O arrependimento era amargo em sua boca, mas que ele morresse ali mesmo se não faria tudo de novo.
Draco respirou profundamente e colocou a máscara no lugar antes de sair.
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Notas: ¹A escolha do título foi tanto no sentido de uma suspensão ou interrupção, quanto no sentido de retiro, lugar íntimo ou escondido.
² Garçonetes. Já que escolhi usar o termo em inglês para garçom, nada mais justo do que usar o feminino também.
O Matthew andou estudando sobre o assunto e descobriu que o casamento gay em Nevada só foi permitido/legalizado em 2013 com a queda do DOMA. Portanto, tecnicamente eles não poderiam ter se casado em Las Vegas, mas vamos fazer de conta que sim xD
Então, como eu disse: diferente! Espero que tenham gostado. Eu estava doida pra contar para vocês desde o início, mas não queria estragar a surpresa. Fiz várias alterações de última hora nesse capítulo, então espero não ter deixado nenhuma ponta solta, mas se tiver acontecido, por favor me avisem!
O próximo já é o último!
Obrigada a todos que comentaram. Isis Coelho (Adorei suas análises dos dois. E sabe que eu cheguei a pensar em fazer um deles ficar gripado? Pena que acabou não cabendo na história... kkkk) Lais (Malfoy cherador de livros foi ótimo. E que bom que estou superando o filme xD) LilaMaxwellYui (Errr... desculpa por atrapalhar suas provas? x.x Mas muito obrigada por ler e comentar!) Pessoa que não se identificou (O Draco tá maltratando mesmo o Harry, mas acho que esse capítulo joga uma luz melhor sobre ele, espero que goste ;D) Brena (Caramba, eu realmente queria poder comentar melhor sobre a sua review, mas não posso dar spoillers aqui porque tem muita gente que lê as notas finais antes do capítulo ¬¬' Mas se você já leu o capítulo sabe do que eu estou falando rsss Quanto ao Harry passivo, você não tem o que se preocupar, aquele foi o único. Entendo que você não goste, mas acho que acabaria com a surpresa das outras pessoas se eu colocasse um aviso do tipo antes de acontecer...) Las (Ahh espero não ter matado ninguém de agonia com a demora x.x Obrigada por comentar!) Milla (Também achei que passou rápido demais. O Draco está sendo cretino, mas... bem, melhor eu ficar quieta auhuhauahuahua) Luma (Garanto que você não foi a única que ficou com raiva do Draco xD E não se preocupe, não tem mais Harry passivo na fic, mas se tivesse, acho que seria meio esquisito anunciar isso lá no começo, sério o.O) Thayne (Que bom que você gostou da Trelawney! Errr desculpa por aparecer de repente com uma fic tão curta, mas, mas... foi o melhor que consegui fazer T.T Mas espero que venham mais depois dessa, espero mesmo xD Obrigada!) carol (Continue torcendo! Não foi nesse capítulo, mas ou eles se acertam no próximo, ou... bem, vamos torcer para que não haja 'ou' kkkk)
