Quando eu era criança notei que todas as noites havia uma série de estalinhos estranhos no ar e, ao olhar pela janela e avistar somente o céu noturno, conclui que aquele som vinha das estrelas e que elas, muito gentis, enviavam beijinhos de boa-noite para nós, pobres mortais. Dois anos depois entrei para o colégio e descobri que o som era produzido pelos morcegos frugívoros que habitavam o telhado de nossa casa. Nunca perdoei a escola por essa desilusão.
"Essa história tem algo a ver com a fic?", a Cobaia pergunta num tom esperançoso. Não... e sim. Neste capítulo Loki revelará pequenas coisas sobre si, coisas que teria matado para manter ocultas... e coisas que até a mãe dele adoraria saber kkkkk.
Respondendo ao comentário:
Angela Prince Spane – Já é! XD
Prontos para o primeiro momento fofo do nosso querido príncipe? Já pegaram seus ursinhos/coelhinhos/sapinhos de pelúcia? Então lá vamos nós!
Tendo sobrevivido à Segunda Guerra, o bom Capitão conhecia em primeira mão os horrores dos campos de batalha; os gemidos dos moribundos, o cheiro inclemente de pólvora e sangue; o terror que vinha ao coração quando os bombardeiros se aproximavam; a loucura lenta que consumia a mente dos mais fracos. Ele perdera amigos preciosos e quase vira o mundo ser dominado pela ambição desvairada de um único homem.
Por sua vez, Tony fora um mercador de armas. Concebera algumas das ideias mais brilhantes em termos de destruição em massa e as negociara sem se importar com as consequências. No fim, acabou ferido por uma de suas criações e experimentara na carne o terror de perder o controle sobre sua própria vida. Descobriu do jeito menos divertido o quanto a traição era dolorosa e como era difícil remendar os erros do passado.
Ambos pensaram conhecer as piores facetas da vida. Esqueceram que ela gosta de guardar cartas na manga e surpreender as pessoas, jogar na cara delas coisas que as fariam terem pesadelos por semanas. Coisas como aquelas que liam no relatório de Jarvis.
Tony desistiu do copo, bebendo vodka direto do gargalo. Steve apoiou a cabeça nas mãos e tentou por tudo apagar aquelas imagens. Infelizmente elas pareciam gravadas em seu cérebro.
Em dois meses o cara fora reduzido a pouco mais que um pedaço de carne, uma sombra atrofiada e obscura de tudo o que representara no passado. O Loki orgulhoso, insano e absurdamente poderoso estava perdido, o que tinham diante de si era um homem cuja sobrevivência dependia da boa vontade de reles mortais. Era uma inversão de valores tão absurda que não conseguiam decidir se continuavam encarando o deus trapaceiro como inimigo potencial ou se deviam protegê-lo do resto do mundo.
Pigarreando para clarear a garganta Steve comentou:
– Se não fosse a magia asgardiana Loki estaria morto agora...
A risada de Tony foi desprovida de humor. Mais amarga que uma dose de Fernet.
– Spangles... você não entendeu a arte da coisa? A maldita magia asgardiana ia matá-lo. O feitiço ocultaria as feridas e ele ia definhar lentamente, e quando morresse não seria culpa nossa ou de Asgard. Menos um problema e todos ficam felizes. – tomou um longo gole. – Eles nos usaram.
Como Steve adoraria rir e dizer que Tony bebera demais, que a mente doentia do inventor elaborara uma história bizarra sobre torturar um prisioneiro para depois entrega-lo à própria sorte nas mãos do inimigo. Adoraria, mas não podia. E o pior era saber que ele, Steve Rogers, acreditando que Loki receberia um julgamento e punição justa o entregara sem hesitar a seus algozes.
A culpa ameaçava sufocá-lo.
Precisava concertar o estrago... a questão é: como?
"Um passo de cada vez soldado...", disse a si mesmo.
– Melhor informarmos Fury e Thor sobre isso. – declarou.
Tony engasgou com a bebida. Largou a garrafa, praticamente vazia, sobre o tampo da mesa de centro e franziu a testa. Começava a achar o sistema de raciocínio de Steve fascinante.
– Primeiro você sugeriu que usássemos Hulk para dar uma mão ao Loki... bom, a ideia foi boa, admito... mas Fury? – estalou a língua, meneando a cabeça. – Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
– Eu sei, mas não podemos deixar Fury encarando Loki como uma ameaça! Já imaginou o que vai acontecer se a S.H.E.I.L.D resolver se meter? Ninguém lá perdoou a morte de Coulson. – "Nem eu sei se vou perdoar algum dia", pensou. – E principalmente não podemos permitir que Fury envie um homem ferido para o campo de batalha!
– Na verdade ele já enviou, lembra? Casa Branca, robôs...
– Tony!
O milionário dirigiu ao capitão seu sorriso mais sacana, acomodando-se ainda mais no sofá. Precisava de tempo para pensar e o melhor jeito de manter Steve calado era o irritando.
Sim, ele concordava que o melhor a fazer era informar Fury sobe o atual status de "semimorto" do deus trapaceiro. O problema é que aquele velho pirata iria desconfiar mesmo se enviasse o relatório completo, vídeo e áudio. Tony sabia disso porque ele desconfiaria se não estivesse atolando nessa bagunça até o pescoço. Isso significava que querendo ou não sua preciosa Torre seria invadida por uma centena de agentes uniformizados e Loki seria levado para sabe Deus onde. Se quisesse evitar isso precisava ser mais esperto que Fury.
"Devia ter bebido menos", recriminou-se. Bem, por hora deixaria a natureza seguir seu rumo. Pensaria nas possibilidades depois.
Com um sorriso satisfeito Steve viu o milionário pedir a Jarvis que enviasse uma cópia do relatório médico para o gabinete de Fury – "Para a conta particular, aquela que ele acha que ninguém mais tem".
– Agora, quanto a Thor...
– Thor que se foda!
Adeus sorriso.
– Mas...
– De jeito nenhum! O cara deixou alguém brincar de açougueiro com o irmão e não estava nem aí! Tudo bem, ninguém aqui realmente se importava, mas, porra! – ele grunhiu e bufou, irritado. Parecia alguém que acabara de descobrir o preço do PS4 no Brasil. – E Thor provavelmente vai largar a missão e vir correndo para cá, Fury vai querer nossas cabeças em estacas e Loki vai ter um ataque apoplético quando Break Point chegar.
Quanto a isso Steve tinha de dar o braço a torcer, principalmente no que dizia respeito à Loki. Duvidava que o trapaceiro estivesse em condições de lidar com o irmão agora. Ainda assim nada lhe tirava da cabeça que precisavam informar Thor... e ele podia ser tão teimoso quanto o milionário.
Cruzando os braços sobre o peito e empertigando-se, o Capitão olhou para o companheiro; Tony estirou-se no sofá, arqueando uma sobrancelha. Encararam-se até os olhos do moreno lacrimejarem.
– Inferno... – chiou zangado. – Jarvis, chame Tasha.
– Imediatamente senhor. Devo informá-lo que a Srta. Potts deixou um recado: "Continue bebendo e você é quem virá na próxima reunião".
Tony resmungou qualquer coisa, mas na verdade estava contente com o recado. Um raio de sol contra a geada que o aguardava.
Em poucos segundos a voz de Natasha encheu o ambiente. O tom gélido não escondia a impaciência.
– Estamos em uma missão, Stark. Faz ideia do que isso significa?
– É uma causa nobre. – e acenou para Steve tomar a frente.
Rapidamente, da melhor maneira que podia, o Capitão explicou os últimos eventos. Chegaram à conclusão de que enviar o relatório era desnecessário. Quanto menos informação fosse disponibilizada, nesse caso, melhor.
– E o que querem que eu faça? – ela perguntou num tom muito mais brando.
– Prepare o terreno. Você sabe. Fale uma coisinha aqui e outra ali... – sugeriu Stark.
– Ele está muito mal?
– Digamos que o fato de ele ainda estar vivo é um grande avanço.
Ж
O som ritmado do monitor cardíaco, o leve cheiro de éter e álcool no ar e respiração pacífica do paciente começava a deixar Ilsa sonolenta. Para se distrair pegou a tablete e começou a jogar Angry Birds. Tinha de manter-se acordada se quisesse cumprir a promessa feita ao Dr. Banner.
Relanceou uma espiadela para o deus.
Boa parte das fraturas foi imobilizada com bandagens e fibras rígidas, já que Loki entrava em pânico à simples visão dos moldes de gesso – "Se todos concordam, eu prefiro não saber o porquê", dissera Dr. Marco e todos anuíram. Para completar descobriram uma quantidade preocupante de água nos pulmões do deus, mas para fazer a maldita punção precisavam anestesiar a área... a menos que um deles fosse sádico o bastante para não se importar com os gritos.
Tudo o que Ilsa via, nesse momento, era um cara comum... Certo, um cara comum que parecia ter sido atropelado por um trem, depois jogado num tanque de tubarões e então convidado para contracenar no filme A Múmia... O que ela queria dizer é que ele simplesmente parecia inofensivo demais. Até seus colegas de trabalho estavam preocupados e simpatizavam com o deus, embora jamais fossem admiti-lo.
Outra coisa que vinha atormentando o pessoal era a fisiologia do trapaceiro.
Um humano, quando torturado por um longo tempo, perdia a resistência física e consequentemente sua imunidade contra doenças também declinava. As condições sanitárias e os métodos de atormentar a vítima eram fatores determinantes para o grau de infecção... isso para não falar no estresse e todo aquele lance psicossomático.
Entretanto ninguém entendia como funcionava a fisiologia de um asgardiano. Sabiam apenas que eram mais resistentes e curavam mais rápido. E aí residia o problema. Seguindo essa linha de pensamento Loki levaria no máximo três dias para se curar, mesmo sem sua magia, e as infecções não deveriam ter tempo de se desenvolverem.
Então por que não estava curando? Por que seu processo de cicatrização empatara com o de um humano?
Essas perguntas mantiveram a equipe acordada a noite inteira, estudando as poucas amostras que ousaram tirar.
– Você provavelmente saberia a resposta, não é? – comentou para o homem adormecido.
– Falando com os mortos Ilsa?
A moça pulou da cadeira ao ouvir a voz de Marabel. A figura imponente e roliça da enfermeira chefe ocupava todo o espaço da porta.
– Tecnicamente as máquinas ainda fazem bip. – gracejou distraída.
Involuntariamente a mulher sorriu.
– Henry e Marco descobriram alguma coisa sobre aqueles vermes, mas precisam de você no laboratório.
– Eu?
– Você é a única criatura que consegue decifrar as mensagens do seu pai.
– Oh...
O pai de Ilsa tinha um sério problema de concentração, frequentemente divagando aleatoriamente sobre qualquer coisa. Apenas ela e sua mãe conseguiam acompanhar o raciocínio dele – e um tal de Wade, a quem jamais viram.
Mordeu o lábio, indecisa sobre deixar Loki sozinho. De qualquer forma era uma causa nobre e não demoraria muito.
– Jarvis, preciso sair. Qualquer emergência me chame ou chame Dr. Banner. Ele provavelmente saberá o que fazer.
– Sim, senhorita.
Marabel jogou o celular para Ilsa.
– Vamos garota, nos ilumine com sua sabedoria.
Ж
Embora o mostrador do relógio de cabeceira indicasse que dormira menos de quatro horas, Bruce se sentia bastante descansado. Teria acreditado que cobertores quentes, cama macia e cortinas fechadas operavam milagres são não soubesse que seu repouso só durara porque "o outro cara" permanecera quieto.
Saiu da cama com a incompreensível sensação de que esquecera algo. Imaginou ser por causa da barba de dois dias pinicando a pele. Daria um jeito nisso durante o banho.
Acabara de chegar ao banheiro quando a voz fleumática de Jarvis anunciou:
– O sr. Odinson acaba de acordar.
"Sabia que tinha esquecido alguma coisa", pensou vagamente enquanto desabotoava os botões do pijama. Sua mente ainda sonolenta desviou do assunto.
– O sr. Odinson está tentando levantar.
Agora Jarvis tinha sua atenção.
– E a enfermeira?!
– A presença da srta. Ilsa foi requisitada no laboratório. No momento não é possível interrompê-la.
As explicações do AI passaram em branco para o cientista. Sua cabeça fervilhava com a culpa. Eleprometera a Loki que voltaria. Como podia ter esquecido? Correu porta afora. Estava tão afoito que sequer notou quando Steve o cumprimentou. A ansiedade só piorou com a lenta descida do elevador.
As portas abriram e Bruce percorreu a curta distância até o quarto num piscar de olhos. Chegou a tempo de ver Loki arriscar dar um passo. O deus oscilou e o cientista correu para ampará-lo. O maldito podia estar magro, mas ainda pesava bastante.
O mais delicadamente que podia empurrou Loki de volta para a maca. A respiração errática do deus chacoalhava o muco nos pulmões e uma mancha vermelha se alastrava nas bandagens do joelho. Sorte o IV continuar no lugar.
Bruce abriu a boca, pronto para repreendê-lo, mas encontrou tamanho pavor naqueles olhos verdes que a bronca se perdeu.
– Qual o problema? – perguntou mansamente.
Loki balbuciou alguma coisa, sendo interrompido por um violento acesso de tosse. Não havia muito que fazer, então simplesmente obrigou o trapaceiro a recolocar a máscara de oxigênio e manteve-se perto. Podia sentir o calor irradiando do corpo magro, a febre permanecia inclemente.
– Respire devagar. Isso. Vai ficar tudo bem. – ladainhava.
– Chitauri... – Loki murmurou através da mascara.
– Não há nenhum Chitauri aqui. – garantiu.
A tensão do corpo esguio desfez-se parcialmente. Estranho. Dava até para pensar... mas era impossível...
Nesse momento Ilsa surgiu à porta, seguida de perto pelo Dr. Henry. Os dois congelaram diante da cena, com Loki quase inclinado sobre Bruce e este ostentando nada além de um pijama amarrotado.
– Eu pensei que ia ser rápido. Sinto muito! – a enfermeira desculpou-se. Era difícil dizer se para Bruce ou Loki.
– Sem problemas. – tranquilizou.
– Dr. Banner, já que está aqui podemos reportar logo o que descobrimos. – Henry começou. – Aparentemente aqueles vermes – e Loki estremeceu ligeiramente – são inofensivos para humanos. Mas quando a saliva deles entra em contato com o sangue de Loki...
– Rola uma reação bem parecida com efeito da mordida do Dragão de Komodo.
O cientista franziu a testa, recapitulando mentalmente o que sabia sobre aqueles répteis. Moravam em algumas ilhas da Indonésia – Komodo, Rinca e mais outras duas cujos nomes não recordava –, rastejavam, colocavam ovos mais ou menos em setembro, e sua mordida lotada de veneno e bactérias podia provocar a morte lenta e inevitável de sua presa...
– Oh, Deus... – murmurou apertando ligeiramente o braço do deus.
Embora estivesse desperto Loki não parecia consciente do que acontecia. A febre provavelmente dificultava seu raciocínio.
– Então, é só suposição nossa, mas talvez seja culpa daquelas coisinhas a cura do Loki não estar em 100%.
– Quer dizer que o anestésico está fora de questão. – concluiu.
– Pensamos isso também. – o médico parecia animado. Aproximou-se, vistoriando o equipamento. – Mas descobrimos dentro dos vermes bolsas de enzimas diluídas. Seu efeito é menos agressivo sem alterar o valor anestésico.
– Daí injetamos uma dose em Charles e destilamos... – o cientista arqueou as sobrancelhas, incrédulo. – Ele não sentiu nada e está muito bem. – a garota apressou-se em dizer.
O médico pigarreou.
– Foi tudo o que conseguimos por hora.
E mostrou uma seringa com precisos 2 ml de uma substância amarelada.
Havia riscos impossíveis de serem ignorados. Na melhor das hipóteses a cura de Loki continuaria a seguir lentamente; na pior, o destilado provocaria uma reação alérgica generalizada e o mataria. E ainda assim como privá-lo, em sã consciência, da oportunidade de descansar por algumas horas sem dor?
Encarou o rosto pálido, vincado pela agonia, as fundas olheiras e os lábios crispados.
Assumiria o risco.
– Qual a dosagem?
– Pensamos em começar com 1 ml, no máximo.
Cuidadosamente Henry injetou a dose através do IV, enquanto Bruce e Ilsa tentavam deixar o malandro mais confortável e baixar a febre. Optaram por bolsas de gelo para diminuir a temperatura, e estavam terminando de examinar o joelho quando enfim o corpo de Loki relaxou visivelmente.
Um ligeiro suspiro de alívio escapou dos lábios descorados.
– Alguma dor? – Bruce perguntou ansioso.
– Não...
– Muito bom. – ele sorriu. – Logo, logo você vai estar pronto para um abraço de urso... – conseguiu omitir o "do Thor" a tempo. Não sabia como Loki reagiria ao nome do irmão e preferia não testá-lo.
– Eu gosto de abraços. – o malandro comentou.
– Ah... acho que não entendi... – na verdade o médico entendera muito bem, apenas não conseguia acreditar no que ouvira. – Você disse que gosta de abraços?
– Gosto. Mama... Frigga... me abraçava o tempo todo... Era bom. – a voz de Loki era quase sonhadora, com uma pontinha de saudade.
O médico fez um barulho estranho, entre o riso e o engasgo; a enfermeira tinha um "ownt" na ponta da língua; e Bruce ficou com a nítida sensação de estar ouvindo algo que ninguém mais no mundo ouvira.
– Loki, você gosta do Dr. Banner? – Ilsa perguntou antes que pudessem detê-la.
– É um bom homem. – respondeu simplesmente.
– E o Hulk? – dessa vez ela só falou porque conseguiu se esquivar das mãos de Henry.
– Eu não tenho muita certeza...
Henry arrastou Ilsa para longe do deus. Bruce pigarreou.
– Hum... Loki você realmente queria dizer isso?
– Na verdade, não.
– Então porque você disse?
– Você perguntou, eu respondi. – retrucou confuso.
O cientista baixou a cabeça, desconsolado.
– Vocês criaram um soro da verdade para asgardianos. – acusou melancólico.
Ж
Meia hora depois Bruce saiu da enfermaria deixando para trás um confortável deus adormecido acompanhado por uma enfermeira deslumbrada e um médico chocado. Sorte que, ao ministrarem o restante da droga, Loki adormecera pacificamente sem quaisquer reações adversas.
Quem diria que sob a fórmula de um inocente – ou nem tanto – anestésico estaria um potente soro da verdade?
Quando o elevador parou no andar principal Bruce deparou-se com Steve andando impaciente de um lado para o outro na sala espaçosa.
– Você vai estragar o assoalho. – reclamou Tony sentando numa poltrona.
Ironicamente os dois homens correram em sua direção assim que o viram.
– O que aconteceu? – perguntou o soldado.
– Nada grave. Loki acordou e tentou sair da cama, só isso. – encarou o milionário. – Falando nisso, aquela equipe médica merece um aumento.
– Vou pensar no caso. – desconversou. Não contaria, mas já depositara um bônus na conta deles.
Por alguns minutos o cientista realmente cogitou em encerrar a conversa por aí, mas eventualmente os outros dois descobririam sobre o efeito colateral. No fim acabou relatando os eventos de maneira resumida – omitiu a parte dos Chitauri porque queria pensar um pouco mais sobre isso.
Steve tinha uma expressão séria quando Bruce terminou de falar.
– Nas mãos erradas isso seria um desastre.
– Eu sei. Por hora Loki está a salvo, e o pessoal garantiu que vai tentar encontrar uma solução... até lá só podemos torcer.
Notou o quanto Tony estava quieto, bebericando uma xícara de café fumegante.
– Quanto a você, nem pense em aborrecer Loki com perguntas. – advertiu.
Tony levantou as mãos, pondo no rosto uma expressão de cachorrinho chutado.
– Uou... Não é comigo você devia ser preocupar. O lunático careca é que vai dar trabalho.
Ж
De todas as sandices sem cabimento que já vira na vida aquelas descritas no relatório enviado por Stark mereciam um prêmio. Trancafiando no escritório mal iluminado, Nick Fury conjeturava seriamente se devia ou não enviar seus agentes para uma visitinha à Torre.
Sabia que não dormiria em paz até esmiuçar cada pequeno canto sombrio daquela história. Parte dele temia que os três Vingadores estivessem sendo enganados, ou dominados mentalmente como Barton fora; a parte mais execrável se sua mente acreditava piamente que Loki planejava unir forças com Doom.
"Os dois são farinha do mesmo saco", dizia a si mesmo.
Sem suportar mais a infinidade de perguntas sem resposta, Fury arriscou uma discreta invasão ao sistema de segurança da Torre. Foi surpreendentemente fácil – "Você não é tão genial Stark!" – e em poucos segundos tinha total liberdade para acessar as câmeras, embora não se atrevesse a revirar as gravações mais antigas.
Viu a estranha cena de um homem coberto de bandagens deitado na enfermaria, sendo vigiado por dois enfermeiros, e assistiu Bruce Banner abandonar o elevador e conversar com Stark e Rogers. Falaram por um tempo... até finalmente Fury ouvir a parte realmente interessante.
E foi então que ele elaborou seu plano.
