in.di.zí.vel
adj. m. e f. 1. Que não se pode dizer ou exprimir. 2. Extraordinário.
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Era um relacionamento diferente.
Isso era a definição, uma das melhores, sobre meu relacionamento com Ravena.
Com Ciborg, era um relacionamento de competição e maturidade de ambos os lados. Uma hora estávamos grunhindo no ouvido de um do outro sobre como éramos teimosos e outras falhas, e na outra estávamos discutindo seriamente sobre os vilões que assombravam nossa cidade e jogando conselhos um ao outro.
Já com Mutano eu era um tipo de irmão mais velho que sempre deveria aconselhar, puxar a orelha, e dar broncas no irmão mais novo. Foram tantas passagens desse tipo que eu até ria um pouco. Mutano amadureceu com o tempo e fatos acontecidos, mas sempre que houvesse os Titans, achava que haveria o Mutano dando desculpas pouco convincentes e eu lhe franzirei a testa dando algum tipo de sermão.
Estelar era... uma amiga, uma das minhas melhores amigas. Não era difícil de se lembrar os vários tempos em que ela foi à única que confiou em mim enquanto os outros viraram me as costas, não os culpava. Sua fé em mim era única e eu a admirava. Sempre que queria um pequeno gesto de amizade correria até ela e ela me daria um de seus belos sorrisos e palavras doces. Era ótimo ter um pequeno raio de sol em minha nublada vida.
Todos eles me faziam felizes de seus próprios jeitos, seus únicos jeitos.
Ravena era um tópico difícil, acho que desde o principio. Sempre tivemos fases.
No começo a falta de confiança era notável. Parecia que ela não conhecia o que era amizade e confiança. Era um ano de começos, todos estavam felizes por ter um novo caminho, uma nova esperança, um novo lar. Ela parecia estar feliz por ter um novo lugar para se esconder.
Ela era um mistério, fato. Um mistério que sempre me fazia perder noites inteiras de sono.
No segundo ano, confianças foram testadas. Nosso laço, mesmo que frágil e quase imperceptível começava a se tecer. Parecia mais forte depois da devastadora traição de Terra, parecia que nos apegávamos a algo para continuar firmes, continuar fortes.
O terceiro ano foi...conturbado. Nossa ligação foi feita em fim. Ela me viu totalmente por dentro. Minha mente e a dela foram uma só. Ela viu o que ninguém tinha visto. Ela me conheceu.
E eu, mal sabia uma coisa sobre ela.
O quarto foi tudo que eu não esperava ser. Slade, profecias, um demônio destruidor de mundos. Um abraço e o mais belo sorriso de todos. Sim, foi tudo o que eu não esperava e eu fiquei feliz que depois de tudo que passamos, aquele ano foi diferente.
O quinto e o sexto foram um verdadeiro turbilhão. Mas mesmo assim continuávamos os mesmos, ela meditava e eu olhava o horizonte lá longe.
Ela era diferente em todos os aspectos, e eu também. Porem tínhamos similaridades vistas aos olhos. E era isso que nos mantinha sempre nessa familiaridade não familiar.
Havia várias coisas não ditas entre nós, palavras perdidas em olhares firmes e sóbrios em sorrisos mornos e ligeiros. Mesmo que coisas e pessoas vieram em nossa direção, há coisas que nunca foram ditas que foram as mais ditas no mundo.
Eu espero por você, eu anseio por você, e eu amo você.
