Disclaimer: Naruto não me pertence.
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Capítulo nove
Sasuke POV - Parte 1
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Caos.
É o que pode resumir tudo que aconteceu depois da informação fornecida pelo ANBU.
Uzumaki Naruto está gravemente ferido.
Após o ninja aparecer na varanda do apartamento e corrermos em direção ao hospital, Sakura havia entrado na sala de cirurgia rapidamente enquanto escutava o relato fornecido pela enfermeira ao seu lado.
Enquanto a seguia discretamente pelo corredor, antes dela passar pela porta pude notar como a palidez de sua pele ficou mais acentuada conforme lia o relatório que possuía em mãos. Os músculos de suas costas estavam tensos e a mão que segurava o papel tremia levemente.
O que havia descrito ali que a deixava tão nervosa?
Diversas perguntas rodeavam minha mente, mas sabia que pressioná-la por respostas apenas atrapalharia sua concentração. Assim que entraram em cirurgia e a luz da emergência de acendeu, vermelha como sangue, virei as costas e fui em direção à torre do Hokage para exigir detalhes.
Quando passei pelo hall de entrada do local reparei, pela visão periférica, que os dois ninjas que acompanharam Naruto na missão estavam sentados com diversos curativos espalhados pelo corpo.
Imediatamente me transportei na frente de um deles e o agarrei pelo pescoço, apertando sua traqueia e dificultando sua respiração.
- Quero que me diga exatamente o que aconteceu na missão. – Ordenei com a voz baixa e ameaçadora.
Seu companheiro havia levantado da cadeira e estava em alerta, ao meu lado. Ele era esperto o bastante para não tentar encostar em mim. Cedi um pouco o aperto para que ele conseguisse responder.
- M-me solte, e-eu não fiz nada, juro! Foi tudo uma armadilha, p-por favor! – Implorou o homem, a voz tremendo pelo medo.
Armadilha? Por que iriam querer atacar Naruto e como sabiam que era ele quem iria seguir as pistas?
Apertei novamente seu pescoço, enfatizando minhas palavras.
- De quem era as pistas que vocês seguiam?
- S-seguimos as pistas que indicavam que o homem chamado Okasu estava circulando na Vila da Chuva novamente e ele iria se encontrar com alguns informantes em um ponto de encontro a alguns quilômetros dali! – Gaguejou o homem.
- Ele está dizendo a verdade Uchiha! Nós apenas seguimos as pistas discretamente e parecia estar correndo tudo bem, até chegarmos ao local combinado! – Defendeu o companheiro, com a voz aguda.
- O que quer dizer? - Indaguei.
- Seguimos o velho até o terreno, porém quando viramos em uma esquina o perdemos de vista. Ele evaporou no ar! Quando nos aproximamos, vimos que não havia ninguém naquele terreno exceto um pequeno bilhete no chão, no meio das folhas. Naruto pediu que aguardássemos onde estávamos, ele foi até pedaço de pergaminho e se agachou...
Nesse momento sua voz falhou e seus olhos abaixaram, mirando o piso branco do hospital.
Irritado com a lerdeza de ambos, joguei o moreno preso pelo pescoço em direção à parede do outro lado do corredor e mirei meu Sharingan para o segundo ninja a minha frente, dando um passo em sua direção.
- É melhor você terminar logo. – Rosnei, com os dentes trincados.
O ninja levantou as mãos trêmulas em defesa e disparou:
- E-eu não sei o que estava escrito, s-só sei que ele arregalou os olhos e levantou assustado em nossa direção! Mas quando ele fez isso um g-galho de uma arvore bateu em seu ombro e de repente... de repente t-tudo foi para os ares! É v-verdade Uchiha, depois disso só consigo lembrar que o encontramos muito ferido e o trouxemos para cá! E-eu juro! – Finalizou o homem, pálido e suando frio.
Soltei o idiota e caminhei em direção à saída, ignorando os olhares assustados das pessoas a minha volta.
O que havia naquele bilhete?
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Chegando na torre do Hokage, empurrei as portas da grande sala e encontrei Kakashi sentado atrás de sua mesa, recheada de pilhas de documentos.
- Pela sua expressão, imagino que já soube o que aconteceu. - Comentou ele assim que me viu, com a voz grave e expressão séria.
Em poucas palavras, relatei todas as informações havia conseguido com os dois ninjas estúpidos.
- Vamos ter que esperar Naruto acordar para descobrir o que havia escrito naquele bilhete. - Acrescentei, ao finalizar o relato.
Kakashi me encarou com seu olho descoberto pela máscara e pude ver um brilho de preocupação que havia ali.
- Ele chegou em um estado bem grave, Sasuke. - Mencionou ele com a voz baixa.
- Sakura está no Hospital ajudando no tratamento, em poucas horas ele vai estar recuperado. - Contestei.
O brilho de preocupação foi substituído por diversão por alguns segundos, como se tivesse entendido alguma piada.
- Você tem razão, temos que ter fé nas habilidades de Sakura. - Respondeu ele. Pelo movimento do tecido, podia imaginar que ele estava sorrindo por debaixo da máscara.
- Temos que descobrir quem implantou as pistas falsas e porquê. - Retorqui com a voz fria, ignorando suas insinuações.
O Hokage voltou a ficar sério.
Empurrando a cadeira para trás, ele levantou e caminhou até um armário de madeira antigo que havia na lateral da sala e, com uma chave que estava em seu bolso, abriu a última gaveta do móvel. Ele tirou em torno de cinco pergaminhos e diversas folhas soltas, todas com a aparência de documentos antigos e papéis gastos.
- Ontem Naruto apareceu na minha sala solicitando uma missão desesperadamente. Percebi que ele estava nervoso, mas quando perguntei o que havia acontecido ele apenas gritou dizendo que não aguentava mais ver seus amigos sofrerem e ele não poder fazer nada, a não ser procurar informações em uma biblioteca. Eu sabia que havia algo errado, mas decidi não pressioná-lo.
Kakashi fechou os olhos, como se tivesse se arrependido de não o ter forçado a contar a verdade.
- Ele atirou em minha mesa esses pergaminhos e disse que tudo aquilo consistia em basicamente informações supérfluas sobre a organização que estávamos em busca. Porém em um dos pergaminhos ele reconheceu o mesmo símbolo que você havia visto tatuado no homem chamado Okasu - uma cobra envolta por uma corrente. As informações na imagem não esclareciam muita coisa, porém ali dizia que uma organização antiga era conhecida no mundo ninja por ter assassinos especializados em venenos e se auto denominavam Sarin. - Continuou ele.
Franzi a testa. Nunca havia escutado aquele nome antes, mesmo durante o período em que viajei por terras distantes.
- De que Vila eles pertencem? - Questionei.
- Essa é a parte interessante, em nenhum registro está descrito sua origem. Apenas dizem que é uma organização secreta que viaja pelo mundo e muda a localização do estabelecimento onde se alojam a cada ano. Após a Guerra, eles diminuíram a atividade para evitar levantar suspeitas, uma vez que estávamos em um período de paz e todos estavam atentos a qualquer tipo de sinal de que o mal estava se manifestando novamente. - Explicou ele.
- E agora que se passaram alguns anos, eles estão retomando as atividades. - Completei.
- Exatamente. A questão é: porque atacar tão diretamente? Sakura é uma ninja médica conhecida por todo o país e Naruto é o ninja mais forte que nos salvou na Guerra. Por que iriam atacá-los e chamar a atenção para si, sendo que descrição é o lema da organização? - Questionou o Hokage.
Ele tinha razão, não fazia sentido.
- Me de esses documentos, irei estudá-los e pensar em alguma estratégia enquanto Naruto não sai da cirurgia. - Solicitei, esticando a mão em direção aos pergaminhos.
- Tudo bem, tome. Assim que houver qualquer novidade, me avise. - Sacudiu a mão, me dispensando.
Enquanto voltava para sua mesa com o andar arrastado, pude ver que Kakashi parecia ter envelhecido alguns anos em poucas horas. O olhar estava cansado, olheiras marcavam seu rosto e suas costas estavam curvadas, como se levassem o peso do mundo nelas.
- Eu vou encontrá-los e matá-los por isso, Kakashi. - Prometi. Não sei porque disse isso, mas senti um impulso de tentar diminuir esse peso que carregava em suas costas.
Kakashi sorriu e, enquanto admirava a vista de sua Vila pela grande janela que ficava atrás de sua mesa, disse:
- Arigatou, Sasuke.
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Analisar todas aquelas informações estava me dando dor de cabeça.
Páginas e páginas de relatórios inúteis, que não nos forneciam nenhuma pista que pudesse indicar algum membro da organização ou padrão nas mudanças de suas moradias. A única página que chamou minha atenção foi a que Naruto havia localizado, com a imagem do símbolo da organização Sarin.
Ao ler esse nome, meu sangue fervia.
Enfim podíamos dar nome à esses malditos, os assassinos que mataram os pais de Sakura.
Sakura...
Lembrar dela me causava sensações estranhas. O olhar assombrado e vazio que ela carregava com si nesses últimos dias me causavam desconforto, pois não pertenciam a ela. Seus olhos verdes sempre foram cheio de vida, amor e alegria, mesmo nas piores situações.
Vê-la sofrendo tanto era perturbador, mesmo porque despertava em mim lembranças de sentimentos já esquecidos e apagados com o tempo.
No dia no enterro, quando ela finalmente rompeu e chorou por toda a noite, eu havia ficado paralisado. Sua dor era tão palpável que acabou me lembrando de quando era criança e havia voltado do enterro de minha própria família.
O sentimento é indescritível, a dor é insuportável e o vazio é desesperador.
Eu me vi nela naquela noite e, por esse motivo, quando os primeiros raios de sol começaram a surgir no céu eu corri para fora de sua casa e fui direto para a torre do Hokage.
Eu sabia que não deveria deixá-la sozinha desta forma, mas a única coisa que eu conseguia pensar era em encontrar os vermes que haviam feito isso à ela e fazê-los pagar, da pior forma possível.
Quando retornei dois dias depois, Naruto me havia informado que Sakura estava internada no hospital porque havia trabalhado por muitas horas seguidas e gastado todo seu chakra. Nós a visitamos logo em seguida, porém a reunião não durou muito.
Tsunade a proibiu de voltar ao trabalho e isso a desestabilizou completamente.
Ela expulsou todos de seu quarto.
Vê-la dessa forma havia me incomodado. Estava pálida, magra e o rosto estava marcado pela tristeza. Mas o que mais me irritou foi o fato de que ela não me olhava. Toda vez que nossos olhares se cruzavam ela desviava rapidamente, como se estivesse com raiva. Eu não tinha a menor ideia do que havia feito para que ela ficasse desta forma, mas decidi não pressioná-la mais.
Quando todos haviam saído do ambiente, eu havia ficado para sugerir que ela ficasse em minha casa enquanto se recuperava. Eu sabia a sensação de voltar para a casa vazia e escura, sem o conforto daqueles que se foram, e não queria que passasse por isso. Mas ela havia me dado as costas - um sinal claro que não queria conversar - e cerrado os olhos, caindo no sono. A única coisa que consegui fazer foi suspirar e sair do quarto. Minha presença claramente a incomodava e eu não queria causar mais desconforto do que ela já sentia.
Quando passei o relatório para Kakashi com as novas informações, ele me enviou em uma outra missão para investigá-las melhor.
Sabendo que deveria avisar Naruto, apareci em sua casa na mesma noite e expliquei a ele toda a situação. Ele entendeu tudo e falou que iria me ajudar investigando pergaminhos enquanto eu não voltava da missão.
Na época decidimos que seria melhor um de nós ficar com a Sakura durante esse período, não poderíamos ambos sair em missão e deixar ela sozinha. Pela sua reação à minha presença na última visita, ficou claro que a pessoa mais indicada para isso seria Naruto. Por fim, antes de sair em direção aos portões da Vila, tomamos uma última decisão.
Esconder tudo de Sakura.
Nós sabíamos que era arriscado, mas vê-la daquele jeito no hospital só fez com que a vontade de matar aqueles criminosos - e todos os que o ajudaram - sozinho se fortalecesse. Ela era pura demais, boa demais para ser manchada com pensamentos de vingança.
Eu sabia as consequências que uma vida vingativa poderia trazer e jamais deixaria que Sakura seguisse o mesmo caminho. Se eu contasse tudo, com certeza ela teria tentado se juntar a mim nessa caçada e essa era a única coisa que eu negaria a ela com todas as forças.
Não sei exatamente quando ou como, mas em algum momento eu mudei.
Ela me mudou.
Antes eu olhava para seu rosto e só conseguia ver uma ex companheira de time que tentava atrapalhar meus planos de vingança contra meu irmão e ganancia de poder, um obstáculo a ser superado.
Agora eu olho para ela e vejo esperança.
Esperança de voltar a ter um lar, de ter uma família... esperança de ser feliz.
Na época mais sombria da minha vida eu jamais poderia imaginar que um dia eu encontraria alguém que me trouxesse a paz que perdi junto à minha família, anos atrás. Só pensar isso já era absurdo, irreal.
Sorri discretamente com o pensamento.
Se o Sasuke adolescente soubesse que seria a irritante da Sakura que faria isso...
Um ruído na porta da sala chamou minha atenção e me trouxe de volta à realidade.
- Desculpe incomodá-lo, Sasuke. - Daisuke disse educadamente.
- O que você quer? - Retruquei.
Aquele imbecil parado a minha frente conseguia me irritar só com sua presença. Seu "pequeno discurso" em frente ao apartamento de Sakura ainda não havia sido esquecido, e a vontade de arrancar sua cabeça fora muito menos.
- Uma enfermeira saiu da sala de cirurgia à pouco e me avisou que Tsunade-sama nos aguarda em sua sala em cinco minutos. - Informou ele, ignorando meu tom grosseiro - Ela pediu que eu o chamasse, pois aparentemente ninguém queria realizar essa tarefa. - Completou de forma sarcástica.
Tsc. É só jogar um ninja estúpido na parede que as pessoas já ficam receosas.
Olhei o relógio pendurado na parede a minha frente e vi que já era 19h. Surpreso, percebi que estava analisando aqueles documentos por mais de cinco horas. Droga.
Juntei todos os papéis que estavam sobre a mesa e quando estava prestes a guardar em uma gaveta para estudá-los melhor mais tarde, percebi que estava sendo observado. Pela visão periférica notei que Daisuke seguia parado ao lado da porta observando tudo.
- O recado já foi dado, você pode sair agora. - Ordenei friamente.
- Vejo que você está muito ocupado com estes documentos, caso seja de sua preferência eu posso me encontrar com Tsunade sozinho enquanto você segue com suas tarefas, Sasuke. - Sugeriu ele educadamente, com um pequeno sorriso no rosto.
Eu tinha vontade de socá-lo até sumir com esse sorriso para sempre.
- O que eu faço não é da sua conta. - Retruquei irritado, enquanto enfiava os documentos dentro de meu casaco e seguia porta afora, deixando-o para trás.
Eu não confiava naquele cara.
Para falar a verdade eu nem sabia de sua existência até ontem.
Depois da reunião que tive com Kakashi e Naruto ontem pela manhã, assim que havia voltado da missão, fui direto para casa da Sakura. Naruto havia me contado da noite que havia passado na casa dela e sobre o pesadelo que a manteve acordada até o raiar do sol.
Ele havia ficado arrepiado só de lembrar os gritos de terror dela.
Mas quando cheguei lá, ela não estava. Naruto depois me informou que ela havia ido se encontrar com Ino, mas que ja deveria estar de volta em pouco tempo. O problema era que as horas passavam e ela não voltava. Pensando que havia acontecido alguma coisa, eu fui até a casa de Ino e, para minha surpresa, ela havia dito que Sakura nunca pareceu lá e não haviam combinado nada.
A partir dai foi virou tudo uma confusão. Naruto e eu reviramos a Vila e não a encontrávamos em lugar algum. Um sentimento assustador começava a dominar meu peito, mil idéias terríveis do que poderia ter acontecido invadiam minha mente, até que Naruto se lembrou de algo.
Ou melhor, de alguém.
Confesso que quando ele havia me contado da tarde que Sakura havia passado na casa de um vizinho ontem me deixou confuso.
Desde quando ela era amiga desse cara?
Como eu não sabia que o vizinho dela era tão próximo?
Aliás, desde quando ela tinha um vizinho homem?
Ela me havia dito que sua vizinha era uma senhora insuportável que a vivia irritando com os barulhos dos dez gatos que ela criava.
Confusão foi substituída por irritação em questão de segundos. Quando bati na porta do suposto "amigo" e ele atendeu com o rosto tomado pela surpresa, Naruto estava segurando minha camiseta enquanto pedia que eu me controlasse.
Tsc. Como se eu fosse me descontrolar por causa de um parasita como aquele.
- Olá Naruto-kun. Você deve ser o Sasuke, suponho. Muito prazer. - Saudou ele sorrindo, ao mesmo tempo em que levantava a mão para cumprimentar-me.
- Aonde está Sakura? - O cortei, ignorando sua mão estendida.
O sorriso sumiu de seu rosto.
Ótimo.
- Desculpe, não tenho ideia de onde ela esteja agora. Está tudo bem? - Respondeu ele, preocupado.
- Você esteve com ela ontem. - Era para ser uma afirmação, mas acabou saindo mais como uma acusação. Eu podia ouvir a risada abafada de Naruto ao meu lado.
- Sim, estive. Ela ficou comigo durante toda a tarde, tomamos chá e por fim ela ligou para Naruto-kun ao anoitecer. - Explicou, apontando para o dobe para confirmar o que estava dizendo.
A única coisa que havia gravado da conversa era a palavra anoitecer. Ela havia ficado até a noite na casa desse imbecil?
Me recordo que fui embora irritado e continuamos a busca, até me lembrar de um riacho que corria perto do campo de treinamento que ela gostava de visitar.
Ao me lembrar de tudo que ocorreu depois que eu a encontrei, do olhar magoado e das palavras ácidas que ela havia dito, um sentimento de desconforto me invadia. Eu sabia que aquilo poderia acontecer e não me arrependia, mas isso não diminua o incômodo de saber que eu a havia decepcionado.
Saber que eu havia a magoado - mais uma vez - me deixava... desanimado. Pesaroso.
Mas tudo isso foi substituído por fúria quando ela vociferou que se vingaria dos criminosos sozinha, sem a ajuda de ninguém.
Eu nunca deixaria que ela fizesse isso.
Ela querendo ou não.
Quando ela foi embora correndo debaixo da pesada chuva que caia, tive o impulso de segui-la. E foi o que eu fiz, até ver que ela havia chegado em casa a salvo. Depois segui em direção a casa de Naruto e contei o que havia acontecido, que ela havia descoberto tudo. Ele não conseguia adivinhar como ela havia descoberto e sabia o quanto ficaria decepcionada com ambos amigos, portanto foi até a casa dela para tentar se explicar.
Eu sabia que ela estava com raiva e decidi aguardar até o dia seguinte para visitá-la e tentar me explicar melhor.
A surpresa - nada agradável - foi quando toquei a campainha de sua casa e quem havia me atendido era o loiro que eu mais gostaria de espancar até a morte - além de Naruto.
Daisuke estava parado na porta, com um pano de prato pendurado em seu ombro e o cheiro de comida se espalhando pelo ambiente, como se ele pertencesse aquela casa.
- Cade ela? - Questionei com os dentes trincados.
- Olá Sasuke. Ela esta deitada no momento, estava com uma febre muito alta e acredito que pegou um resfriado. Está dormindo à algumas horas, precisava descansar.
Eu conseguia sentir o chakra de Sakura dentro da casa, mas não a via. Ordenei que ele fosse embora para que eu pudesse cuidar dela, mas ele não quis sair. Não apenas se negou, mas deu um discurso sobre como ela estava sofrendo e como nós causamos isso, e que por fim eu deveria ir embora pois não reconhecia que ela estava machucada.
Por alguns segundos eu havia ficado parado, acreditando ser algum tipo de piada ou deixando um espaço de tempo para que ele saísse, pedindo perdão.
Mas ele ficou lá, parado como se fosse o protetor dela ou qualquer merda do tipo.
Quando vi, minhas mãos estavam em seu pescoço e meu Sharingan havia ativado. Planejava dar uma pequena lição para esse verme que achava que sabia qualquer coisa de Sakura porque a havia conhecido há dois dias.
Mas eu havia sentido Sakura se aproximando e atirando a shuriken em minha direção. Surpreso, me virei para encontrar seu olhar, não acreditando que ela havia me atacado para defender esse idiota.
O maldito se aproveitou da distração e se livrou de meu aperto. Porém, uma coisa havia me deixado em alerta. O movimento que ele havia feito para se livrar de meus dedos e a agilidade com que ele realizou me deixaram inquieto.
Civis não sabiam se defender daquela forma.
Mas quando as questões começaram a se formar em minha língua, o ANBU chegou e tudo virou um caos.
Eu precisava investigar a organização secreta com urgência, mas também arranjaria um tempo para investigar esse vizinho "prestativo".
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Chegando ao Hospital, a enfermeira me guiou até a sala de Tsunade. Enquanto abria a porta, pude ouvir quando Daisuke chegava no mesmo corredor e se aproximava da sala. Entrei no escritório, onde a encontrei sentada atrás de uma grande mesa e sua expressão me fez congelar.
- O que houve? - Questionei rapidamente.
Medo gelou meu estômago. Naruto e eu passamos por muitas coisas, mas tudo serviu para mostrar que ele é e sempre foi meu melhor amigo, meu irmão. Ele era um idiota que quase sempre me irritava a ponto de querer espancá-lo até a morte, mas ainda assim era meu irmão. Ele sobreviveu a tudo que é possível, até mesmo a uma guerra, portanto não havia considerado a possibilidade de que ele não sobreviveria a uma bomba.
Pensar nisso agora era assustador.
Me fechar para o mundo e para as pessoas foi uma forma de proteger a mim mesmo. Quando tudo foi tirado de mim - minha família, meu irmão, meu lar - foi como se meu coração tivesse sido arrancado e um buraco havia ficado no lugar. Para conseguir sobreviver, bloqueei todos a minha volta e perdi a capacidade de sentir.
Eu não queria me aproximar de alguém que me fizesse sentir algo e depois correr o risco de perdê-la, como minha família.
Mas Naruto e Sakura nunca aceitaram isso e sempre insistiram em nossos laços.
Hoje sou grato por isso.
Tsunade pigarreou, pedindo que nós dois nos sentássemos.
- Naruto está vivo. Houve muitas complicações e os ferimentos eram muito graves, mas ele vai sobreviver. - Respondeu ela, com a voz tensa.
Alívio percorreu meu corpo, mas ainda fiquei em alerta pois algo estava errado.
- Então qual é o problema, Tsunade-sama? - Perguntou Daisuke.
Ela cerrou os punhos, abaixou o olhar e percebi que estava exausta. Fazia muito tempo desde que a havia visto tão esgotada.
- É a Sakura. Ela está em coma.
Oláááááááá minha gente!
Antes de mais nada, eu gostaria de dedicar esse capítulo à minha querida leitora lorena Anjos, que me acompanha desde o comeciiinho e me deu a ideia para fazer um Sasuke POV. Obrigada pelo apoio de sempre e espero muito que tenha alcançado suas expectativas! *-*
Gente, sei que esse capítulo ficou gigaante, mas eram tantas idéias e tantas coisas que eu queria explicar que acabei me empolgando e escrevi muito! Hahahaha Ainda vou fazer a Parte 2, pois ainda tem algumas coisas que acho importante desenvolver em relação ao nosso querido Sasuke. Mas se vocês não gostarem, é só me avisar!
Admito que escrever a história sob a visão dele foi um belo desafio já que eu estava com receio de representar algo que não fosse de sua característica. O que me fez gostar dele desde o início foi esse ar de mistério que existe em sua volta, a expressão neutra e até tediosa que nunca expressa o que ele realmente sente e essa forma sutil que ele tem de se preocupar com aqueles com quem ele se importa. Portanto escrever o que se passa em sua mente e não apenas suas atitudes foi bem desafiador, mas eu adorei! Hahaha
Espero de coração que vocês tenham gostado, e me digam o que acharam (críticas, elogios, sugestões, qualquer coisa!). O importante é melhorar sempre né! :)
Um suuuuper beijo no coração e até o próximo!
