Guerreiros celestiais de Ártemis – Ikarus (2ª parte)

Estávamos de frente um para o outro, nos encarando há poucos segundos, a tensão era grande e a adrenalina borbulhava em nosso sangue. Ele parece surpreso, minha velocidade e percepção aumentarão em muito.

-- Parece que terei que me esforçar muito além do normal... Mas não se preocupe, Ikarus, eu não brinco em serviço.

-- Os humanos não podem vencer os Deuses. E você não pode me vencer.

-- Ora essa... Apesar dessa sua falta de sentimentos, a sua cegueira me lembra a de meu irmão. Pois bem... Eu não quero que você morra, porque sei o que é perder um irmão.

-- O que pretende fazer, então?

-- Ora... Abrirei seus olhos, como fiz com meu irmão anos atrás.

Marin gela ao ouvir minhas palavras, por debaixo da máscara, lágrimas brotam de seus olhos, escorrendo de seu queixo e pingando no chão. Mas será que ela devia apenas assistir? Se queria que seu irmão voltasse ao que era, talvez devesse ela mesma fazer algo para ajudar, assim como eu fizera com Milo. Bom, isso era o que se passava pela sua mente, mas há essas horas, a luta já ia adiantada.

Ele avança, envolto em raios, obrigando-me a desviar. Minhas garras cortam o ar. Um pouco de seu ataque me atinge durante a esquiva, eu me arriscara a isso para desferir meu ataque, e uma de minhas garras vincam sua vestimenta. Ele avança, girando no ar e me acertando um chute no rosto. Cai do outro lado, de costas para mim, que me esforço num mortal para cair de pé.

A batalha continua enquanto Ártemis encara a irmã que a enganara.

-- Atena, você sabe o que estou sentindo? O sofrimento de uma irmã que tem que matar a irmã mais nova.

-- Eu já me rebelei contra os Deuses. Se cheguei a este ponto, se for preciso, lutarei contra você.

-- Lutar comigo?

-- Eu sou a Deusa da Terra, e existo para proteger os que vivem nela.

O combate continua, avançamos ferozmente, meu punho passa raspando do lado de seu rosto, com o corpo ainda envolto em relâmpagos nascidos de seu próprio cosmo, aproxima as mãos de minha cintura, aumentando a potência de sua energia. O brilho é imenso, apesar da dor, elevo cada vez mais meu cosmo e ergo um dos braços, desferindo um poderoso golpe cortante que o surpreende. As energias explodem, ambos somos arrastados para trás, mantendo-nos, porém, nas posições de ataque, com os olhares combatentes e ameaçadores.

Ártemis ergue o braço, elevando seu poderoso cosmo, distorcendo a dimensão em que nos encontrávamos. Os longos cabelos de Atena voam com o poder emanado pela Deusa, mas ela se mantém firme, sem nada temer.

-- Atena...

-- Eu descobri algo mais nobre que o poder dos Deuses.

-- Isso não existe.

-- Nunca pensou nisso? – disse, sem se importar com as palavras da irmã – Por que os Deuses têm vida eterna e receberam um poder imenso? A força de um Deus... Não existe para os Deuses, mas para as outras existências além deles. Nunca pensou que os Deuses devem servir àqueles que têm vida?

-- Um Deus é um Deus. Humanos não passam de imitação dos Deuses.

Um arco surge diante de Ártemis, apontado para a irmã, a Deusa da Lua era também a Deusa da Caça, que nunca errava seu alvo. A jovem à sua frente apenas abre os braços, sem hesitar por um instante sequer.

-- Por favor, atire. Neste instante você compreenderá.

-- Você não teme a morte ou o seu fim?

Saori apenas avança calmamente, enquanto a corda do arco se estende com o poder da irmã mais velha.

-- Por que tem medo? – pergunta Saori – Será porque a humanidade é bela, acredita em seus sentimentos e une suas vidas? Você não é capaz de me matar.

Um relâmpago me atinge, propagando-se por todo o meu corpo. Entre a dor e os espasmos elétricos, avanço ainda contra meu adversário, tinha agora uma promessa para cumprir com Marin. Mas a explosão de seu poder me faz cair de joelhos. A Águia tremia, ainda sem ter saído do lugar, mas se corroendo pela vontade de tomar partido. Era seu irmão mais novo, era ela quem deveria abrir-lhe os olhos. Mas será que ela, que não tivera um quarto de minhas experiências, teria como lutar contra ele?

Meu olhar continua o mesmo, firme e desafiante, apesar da dor. Ikarus concentra sua energia cada vez mais, fazendo os raios em torno de si brilharem intensamente enquanto seu olhar mantinha-se sério, fitando o fundo de meus olhos. Tento me colocar de pé, meu cosmo se eleva numa aura laranja que parece queimar e se erguer em chamas à minha volta.

Marin salta para o meio do campo de batalha, pondo-se diante de mim, de frente para o Anjo e abrindo os braços.

-- Marin...?

-- Já chega, Nala. Eu vou lutar agora.

-- Mas ele é seu irmão. Eu sei o quant...

-- Por isso mesmo. – disse, fazendo-me arregalar os olhos de surpresa. – Eu sou a irmã dele, e como você fez uma vez, sou eu quem deve lutar contra ele para lhe abrir os olhos. Por mais que doa, eu tenho que fazer isso.

-- Entendi...

Meu cosmo se amenizou, Marin estava certa. Quando lutei contra Milo, não tinha ninguém para combater em meu lugar, mas se houvesse, eu não ia querer que interferisse. Seu cosmo se eleva poderosamente, uma bela aura azulada queima ao seu redor e ela avança confiante.

-- "METEOROS!!"

Os raios aumentam, ele dá um salto gigantesco, concentrando sua energia entre as mãos e avançando na direção da irmã. Ela lança o ataque na direção em que ele se aproxima, mesmo tendo ficado parada, ela conseguira estudar um pouco seus movimentos, e podia acompanhá-lo de certa forma. Mas a técnica adversária a atinge, ela se sente eletrocutar, e a explosão que se segue a derruba. Sua armadura está toda trincada e a máscara se espatifa. O Anjo, porém, não saiu ileso, sua armadura também se trinca com os meteoros que o atingiram, mas ele ainda está de pé para o combate.

Corro até Marin, ela quase não consegue se levantar, mas eu a encorajo.

-- Marin, você conseguiu, o atingiu com bastante força!

-- Sim... – e olhando na direção do garoto que desfere um olhar ainda mais bravio do que antes – Mas ainda não conseguimos nosso objetivo.

-- Ele é o Anjo mais poderoso de Ártemis, com certeza. Shiryu e Hyoga tiveram de unir forças para vencer o outro, então acho que nenhuma de nós, nestas condições, o vencerá sozinha.

-- Temos que poupar forças, pode ser que ainda tenhamos que enfrentar Ártemis. E todos os seus amigos devem estar no mesmo estado que nós.

-- Então vamos acabar juntas com isso.

Ajudei-a a levantar e ambas encaramos o guerreiro, em posição de luta, prontas para o ataque, nossos cosmos se elevam ao ápice, assim como o dele. Eu finalmente pensara em uma tática para defender seus ataques. Ele novamente avança, os raios cortam o ar e a energia elétrica vem numa grande esfera em nossa direção. Meu cosmo laranja se mesclou de branco, a temperatura cai bruscamente. "Sei que não estou acostumada a usar essas técnicas, e a situação está crítica para algo com pouca experiência, mas é minha melhor idéia."

-- "PÓ DE DIAMANTE!!"

Hyoga mal sentira meu cosmo se elevar poderosamente naquela aura gelada, e já estava num lugar alto, onde podia ver a mim e Marin em meio ao combate. Ele e Shiryu olham espantados para a cena.

-- Mas o que ela ta fazendo, Hyoga?!

-- Bem... Ela treinou comigo, mas nunca combateu com gelo de forma tão direta. É muito arriscado... – seus olhos estavam repletos de preocupação.

Shun e Ikki também chegavam ao local, ouvindo os comentários, igualmente pasmos.

O gelo envolve a esfera elétrica, a energia necessária para conter sua técnica é imensa e eu sentia todo o esforço que tinha que fazer, mas não baixava a guarda nem por um milésimo de segundo. Do alto da parede de pedra alva do interior do templo, Hyoga abria um sorriso de satisfação.

-- Não acredito... Toda essa energia, a temperatura deve estar incrivelmente baixa!

A esfera de energia estava congelada, eu ofegava, mas ainda abri um sorriso satisfeito. Marin já percebera minha tática.

-- Perfeito, Nala!

-- Mas como diabos ela aprontou isso? – perguntou Ikki.

-- Gelo é um ótimo isolante elétrico. – respondeu um Cisne cheio de orgulho.

Enquanto a esfera de gelo se espatifava e Ikarus elevava novamente seu cosmo, o gelo circunda meu braço. Aponto o indicador para ele, vários anéis de gelo dificultam a elevação de sua energia baseada na eletricidade, ele ficaria sem movimento por algum tempo.

-- Não posso segurá-lo muito. Agora, Marin!

Ela salta, tão alto que o garoto a vê sumir no céu por causa da claridade, seu cosmo explode com intensidade e ela retorna em incrível velocidade, num feixe de cosmo cheio de poder.

-- "LAMPEJO DA ÁGUIA!!"

Seu chute o atinge em cheio, ele voa longe uma vez mais, tentando se firmar no ar, surpreso e descrente de tudo o que estava acontecendo. Ainda não era o suficiente para derrubá-lo, por isso a Amazona salta o mais rápido que pode, abrindo o caminho para mim, que já estava atrás dela concentrando meu cosmo, com as mãos acima de minha cabeça, pronta para desferir meu ataque mais poderoso.

-- "TEMPESTADE E TYGRA!!"

Ele finalmente desfaz toda a resistência, deixando-se bater com as costas contra um dos pilares e cair. Aos pés deste, porém, havia um buraco, e se lá caísse, não havia como saber onde ia parar, estaria certamente morto. Sua armadura está completamente trincada, e com o olhar dolorido e cansado, ele se deixa cair.

O sino tilinta no ar, Marin salta novamente, com toda a velocidade que consegue, eu atento para o local, torcendo para que dê tudo certo. Ela o abraça no ar, pouco antes de chegar na abertura do buraco, e cai do outro lado, com o irmão nos braços. Caio sobre os próprios joelhos, suspirando de alivio. O rapaz finalmente mostra recuperar a humanidade que parecia perdida para sempre.

-- O sino que minha irmã me deu... Eu odiava aquele som. Eu queria me aproximar dos Deuses, e abandonei meu coração humano, mas o som do sino mostrava o rosto da minha irmã. Mesmo que eu tivesse abandonado tudo, eu sempre pensei que, um dia, eu poderia voltar para junto da minha irmã, e que a protegeria para sempre.

Meu coração se apertava dentro do peito, tínhamos conseguido, ele estava vivo, ficaria bem, e finalmente voltara a agir como, pensava eu, quando era um menino, e vivia junto com Marin. Uma lágrima escorreu de meus olhos, e um sorriso se formou em meus lábios. Hyoga chegava perto de mim, sorrindo docemente, como sempre, e com o indicador secou meu rosto.

-- Você foi incrível, Nala. Mestre Camus se orgulharia de você.

-- Mesmo? – respondi num sorriso envergonhado e cheio de felicidade.

Ao ver aqueles dois juntos, ao ver seus rostos, percebíamos o quanto eram parecidos, os mesmos cabelos, os mesmos olhos...

-- Tohma... – disse lacrimosa com o jovem em seu colo.

-- Por isso eu queria ficar forte. Achei que abandonar meus sentimentos para com minha irmã fosse o caminho para um Deus. Um dia acreditei nisso.

-- A culpa é minha. Porque não te procurei por estes anos. Você deve ter se sentido tão sozinho... Sou culpada pelo crime de quando você desejava amor humano, pois não tinha ninguém do seu lado.

Ele se levanta, cambaleando, e ficando de costas diante dela, dizendo.

-- Quando uma pessoa pensa em outra, é então que ela fica realmente forte, e queima seu cosmo infinitamente. Quando abandonei a vontade de pensar em alguém, eu perdi qualquer chance de vencer.

--

Atena e Ártemis ainda se encaram, com a flecha apontada para o coração da Deusa que se "corrompeu" pelos humanos. A Deusa da Lua a fita seriamente.

-- Atena... Você já se decidiu?

-- A diferença entre nós duas é o coração humano. Este coração me protege e me dá forças.

A corda é puxada com mais força, até o seu limite. Atena já lutara bravamente contra Hades no mundo dos mortos, tínhamos que confiar em seu poder, pois fora ela que dissera que enfrentaria a irmã. "Mas será que ela deixaria mesmo aquela flecha cravar em seu peito?" –era o que me perguntava.

-- Desapareça. Você não é uma Deusa. – sentenciou Ártemis.

A flecha foi disparada, junto com todo o cosmo da Deusa, não conseguíramos ver muita coisa, tão rápidos se tornavam os acontecimentos. Mas quando o sangue espirrou, e Atena envergou para trás, foi o nome do irmão que Marin chamou.

-- Tohma!!

Seus olhos se enchem de lágrimas, que transbordam e se espalham por sua face. Ela cobre os olhos, sem coragem para ver a cena. Levo a mão diante dos lábios, estava boquiaberta, quase caindo das próprias pernas, com o rosto novamente a se molhar. Os Cavaleiros estavam todos com os olhos arregalados de incredulidade. Diante dos olhos surpresos de Saori, que segurava seu corpo, Tohma tinha a flecha da Deusa a quem servia cravada em seu peito.

-- Tohma... Por que? – perguntou Saori.

-- Não sei... Por algum motivo o meu corpo se moveu.

O cosmo de Ártemis desaparecia do ar, quando esta, sem expressar sua real surpresa diante de tal ato daquele que a servia tão fielmente, finalmente lhe dirige a palavra.

-- Ikarus...

-- Isso é ser um humano? – perguntou o rapaz no fim de suas forças – Ártemis, você não deve matar Atena, não deve manchar suas mãos de sangue.

Ele tenta andar, mas está caindo. Marin o apóia novamente.

-- Tohma, não diga mais nada.

Suas lágrimas molham o rosto do guerreiro, o sino que segurava cai de suas mãos, tilintando uma vez mais no chão. Será que era o fim? Ou seria o som que o unia a sua irmã, pedindo para que agüentasse firme? Prefiro pensar na segunda possibilidade.

--

Nala: NHA!! Q TRISTE!! T.T

Hyoga: Calma... Calma... Vai acabar td bem...

Nala: Mesmo... ÇÇ

Hyoga: Tenho certeza... (abraça Nala)

Shun: O q ele num faz p/ reanimar ela... Espero q acabe td bem mesmo...

Ikki: É... Até eu fiquei de boca aberta...

Shiryu: Bom... Vamos logo ver q fim dá isso... Último capítulo do Prólogo, pessoal. Vamos logo antes q tenhamos um colapso...