O famoso Leilão de York Shin era um evento organizado pelo do submundo (Máfia) é um realizado geralmente no início de setembro; todos os clãs da máfia enviam o seu alto escalão dos seus representantes para participar do leilão e alguns chefes da máfia costumam participar frequentemente, até mesmo porque é o lugar onde eles podem mostrar a sua riqueza para a comunidade e fazer um nome para si. Houve casos de clãs da Máfia ir à falência devido à licitação muito alto nesses leilões.

Sr. Bege, chefe principal de Naomi, fazia parte desse grupo da Máfia e estava confirmado nesse leilão. Descobrindo isso, Don se adiantou com os planos de derrubá-lo e mandou um agente que o auxiliava em particular tramar uma fraude no leilão que sujasse o nome de Bege. Porém, as coisas não aconteceram como o planejado, pois o infame Genei Ryodan agiu dentro de leilão, tendo como Franklin, Feitan e Shizuko os responsáveis pelas mortas dos presentes, inclusive o se Sr. Bege e do agente de Don. Isso apavorou York Shin toda, que ficou naquela noite sob o ataque do bando de Kuroro.

– Mas… o que houve, Don?

– … liga a TV. Nem sei como começar a te explicar… – Don realmente estava chocado. Não por Bege, mas sim pelo Genei Ryodan em si. E frustrado em perder um excelente agente, como também a chance de tomar aquela empresa para si. Bege tinha deixado a empresa para um dos filhos tomar conta e não tinha mais como prosseguir seu determinado plano.

Naomi ligou a televisão, ficando boquiaberta com o que os noticiários falavam. Genei Ryodan… novamente atacando York Shin. Sentiu uma leve sensação de incômodo por dentro.

– Eles… estão acabando com toda a cidade! – disse Naomi.

– ...assustador… e mais… nosso chefe está entre os mortos no leilão.

– O quê?! – Naomi levantou do sofá, sem sentir que Kuro estava em seu colo, fazendo-o cair no chão.

– É, Naomi… é lamentável isso…

– Não pode ser… e como vai ficar a empresa?

– A empresa já tem um dono herdeiro. Acredito que nenhum dos trabalhadores sofrerão nenhum tipo de dano em seus empregos. Confia em mim, Naomi. – disse ele, abraçando-a pelo ombro.

Pela janela do flat, dava para ver os brilhos de tiros e bombas. Naomi foi até a sacada.

– Não fica tão próxima aí! – pediu Don, indo atrás dela.

– ...está tudo bem. – disse Naomi, assistindo aquilo aterrorizada.

"Hisoka… será que você está envolvido nisso?", Naomi, pensou.

Após voltarem com os objetos, Kuroro e seu bando estavam se divertindo em uma bebedeira. Menos Hisoka, que se manteve afastado. Após ligar para Kurapika e revelar que todos estavam vivos – eles simularam que todos haviam morrido sob a ação da famosa família de assassinos Zaoldyeck –, ele ficou rondando os dedos nos números do celular, pensando nela. Não era o melhor momento para ambos se reencontrarem. Mas não poderia sair dali. E precisava muito saber como ela estava. Olhava Kuroro bebendo com os outros e perguntava para si se já havia esquecido Naomi de vez. Se todos ali se lembravam dela, ainda. Lembrar, lembrariam… mas ela era só um passado insignificante – menos para o mágico.

Mas resolveu arriscar em desbloquear seu próprio número com seu nen, fazendo-o aparecer também no smartphone que havia deixado com ela, para que se comunicassem. Queria ver se ela retornaria. Se ela ainda tinha aquele aparelho. Se ela… ainda sem lembrava dele.

– Naomi… será que você já me esqueceu? Ou você… ainda se lembra do que te prometi? – disse Hisoka, sozinho, para o seu celular.

E o smartphone que estava com ela sequer era mais tocado, porém guardado. Naomi já sentia falta de sua casa, precisava voltar para lá para organizar suas coisas. A semana que estava passando com Don era quase finita. No próximo fim de semana, já voltaria para sua casa.

– Acho que ainda é um momento delicado para voltar para aquelas bandas, Naomi! Olha como o destino é nosso amigo: fez com que você passasse comigo aqui essa semana. Já imaginou você sozinha em sua casa, lá… ainda mais perto daquele fogo cruzado?

– É verdade, Don. Mas já lhe disse que posso sempre passar aqui de vez em quando. E… sinto falta lá de casa, da minha vida independente…

– Entendo… mas e aí? Topa passar mais uma semana?

– Hmm não, agora. Em uma outra ocasião, prometo aceitar o convite. Ah… sei que é até estupidez de minha parte, mas sinto que devo retribuir o convite de, um dia, você passar lá na minha humilde casinha!

– Ahahahaha! Mas é claro! Tudo que é seu é glamoroso, nada humilde! – ele bateu de leve na cabeça da jovem.

Com isso, Naomi pode retornar tranquilamente com seu gatinho Kuro para aquele apartamento antigo de dois andares. Claro que se sentia temerosa em voltar para sua vida solitária depois daqueles ataques do Ryodan. Mas não poderia deixar Don criar expectativas em relação a ela. Respirando fundo e criando animação, começou a arrumar todo o apartamento, desde a faxina até a organização dos móveis. Era nessas horas que não apreciava a solidão. Seria tão bom se Hisoka estivesse ali ajudando a empurrar e afastar os móveis…

...Hisoka. Ele nem deve estar pensando nela. E ela ali, idiota, em recusar a chance de namorar um homem mais maduro e rico que está disposto a protegê-la para sempre. Quando terminou boa parte da reorganização de sua moradia, ela foi tomar um banho e se deitar. Queria dormir, mesmo ainda tão cedo. Não tinha ânimo nem mesmo para verificar suas tarefas do trabalho no computador. Quando estava inconsciente, não ficava pensando em sua vida, em seu futuro, nele… principalmente nele.

Lá fora, alguém novamente aproximava-se daquela janela dos fundos que davam acesso ao quarto dela. Kuro teve um pressentimento de alguém estranho no território e começou a chiar para janela. Hisoka pode perceber que sua amada tinha um amiguinho que a protegia. Naomi acordou aos poucos, com os miados ferozes do gato preto dela.

– Que foi, Kuro? Por que está chiando assim para a janela? – Naomi foi até lá, olhando para todos os lados, sem ver ninguém. Lembrou-se quando viu Hisoka pela última vez, na árvore que dava de frente para sua janela do quarto – ...não tem ninguém aqui, Kuro! Ai, não me assusta, pelo amor dos céus! – e fechou a janela em seguida.

Em um outro canto, às escondidas, Hisoka sorria feliz. Ela estava linda! Sadia, segura, falando com seu gatinho. Sim, poderia voltar para o esconderijo tranquilo. Temeu secretamente que Naomi pudesse estar sozinha na noite em que o Ryodan atacou os cidadãos fora do leilão. "Ah, Naomi… mantenha-se viva até que nos encontre!" pensou ele, saindo dali correndo entre os galhos das árvores.

Ainda naquela mesma final de tarde, Naomi recebeu uma ligação inusitada: da mãe. Sentiu uma leve felicidade nostálgica. Era bom falar com aquela criatura, por mais orgulhosa e esnobe que fosse. A simplicidade da morena era o oposto da vaidade fútil da mulher, mas ainda sim a tal não esquecia da filha.

– Mãe! Há quanto tempo… a senhora não me liga!

– Digo-lhe o mesmo, Naomi! Já se passaram anos que não nos vemos, não é?

– ...você quer vir me ver?

– Hmm… na verdade, queria que você nos visitasse. Não queria passar por estes bairros aí em York Shin. Ouvi no noticiário que a cidade está em caos! E queria muito que… você sabe…

– Não, mãe. Já disse que quero fazer minha própria vida! Não quero ficar para sempre dependente de vocês!

– Mas você não precisa lutar tanto, assim! Você tem de tudo aqui! E… você está morando... bem, ao menos?

– Estou sim, claro!

– Ah, vou me arriscar em vê-la aí... ai, ai!

– Será mais que bem-vinda! Meu pai virá, também?

– Seu pai está atarefado demais em negócios! Ele foi quem assumiu as responsabilidades do seu falecido padrinho, aí já viu, não é? Estou praticamente sozinha na vida. Seu pai nem me procura mais para nada. Nada mesmo, sabe?

– Está bem, mãe. Mas diga a ele que sinto saudades e que será muito bom em revê-lo.

– Na verdade não sente nada! Senão, não saía de casa para querer ser independente! E lembra-se que você ainda tem família! Não nos abandone!– a mulher começaria a velha discussão de sempre.

– Acredito que… apenas quer me avisar que vai me ver, não é? – ela cortou o começo da discussão.

– Sim. E então? Você virá para cá?

– ...bem, pensei que você viesse me ver.

– Preferia não ter que pisar aí!

– Olha, eu posso ir até aí… mas é para visitá-los! Voltarei para cá!

A mulher bufou do outro lado da linha. Mas concordou.

– Está bem, minha filha. Pode vir nos visitar que ninguém vai te prender aqui.

– Certo. Mas e aí… o resto está tudo bem?

– É, vamos levando.

– Que bom. Na próxima semana visitarei vocês!

– Ah, que ótimo! Então, vou encerrar por aqui, tem todas as minhas bênçãos. Até mais e não esqueça, hein?!

– Pode deixar… beijos… tchau, tchau.

Era nostálgico e incômodo ao mesmo tempo falar com a velha. Mas ela precisava um pouco de atenção. Só tinha empregados em casa, os quais ela nunca tratava como pessoas normais. E só tinha essa de filha. O marido – sempre muito ocupado em seu trabalho – não lhe dava tanta atenção. Ambos eram gananciosos e ambiciosos. Naomi até tinha puxado esse lado ambicioso, mas ela apenas via como um benefício para seu futuro, e não como "adorno" para si, um fato para se sentir superior aos outros. Mas até que foi bom, por um lado, distrair-se com essa ligação da mãe. Fez a morena esquecer um pouco mais seus conflitos.

– Visitar seus pais? Ahh, que bom! E será que… eu poderia lhe fazer companhia? – ofereceu-se Don.

– Bem… não quero lhe causar incômodo… mas se quiser, posso aceitá-la.

– Assim, viajamos juntos novamente. E não passará tanto tempo entediada durante a viagem!

– Sim… claro.

Naomi nem se animou com isso. Mas como Don era sempre gentil com ela, não teve como recusar. Sentia que ele queria conhecer os pais dela e, talvez, agradá-los para ter total acesso a ela. Mas era justamente isso que o loiro queria.

Deixando Kuro aos cuidados da mesma empregada que cuidou dele antes, Naomi partiu com Don em direção aos bairros nobres de York Shin. Onde muitos dos ricos moravam. O loiro conhecia bem aquela área – de onde é originário.

– Não sabia que seus pais moravam por aqui!

– Sim… nasci neste lado de York Shin.

– … eu também! – comentou o fato rindo.

– Sério?

– Sim… meus pais falecidos me deixaram uma casa aqui. A que eu morei com eles está com a família de um primo meu, atualmente.

– Ah… sinto muito.

– Pelo quê?

– ...seus pais.

– Ah, relaxa! Isso faz muito tempo… é até bom rever essas bandas…

– Espero que esteja feliz em vez de triste.

– Naomi… dá para ficar triste com você ao meu lado?

Ambos trocaram um riso de boca fechada. Aquilo secretamente animava Don. Ela era de uma origem similar a dele. Rica? Parecia que sim…

A casa dos pais de Naomi não era tão luxuosa como o flat de Don, mas era bem sofisticada e tinha ares de classe média alta. Foram recebidos por uma empregada que Naomi não conhecia – diferente da outra que os pais tinham desde que ela era bem pequena. Em seguida, uma mulher praticamente extravagante, vestida com um conjunto chique de saia e blusa de vermelho vivo, de cabelos loiros, ondulados, armados e sustentados em uma boa quantidade de laquê.

– Naomizinhaaaa! – a mãe foi ao encontro dela, abraçando-a. Depois, começou a olhá-la de cima para baixo – nossa… como está diferente! Está mais assim… como dizer… mais mulher… mas está mais magra, já não gostei muito disso!

– Se não gostou, trata de me engordar com os quitutes da velha Dara! – em um tom brincalhão, Naomi se referia a cozinheira Dara, a qual se dava muito bem e era, de vez em quando, sua confidente.

– Dara? Que Dara, meu bem! Essa já foi embora há bom tempo!

– Ué, o que aconteceu com ela?

– Primeiramente… – ela soltou Naomi e se pôs diante de Don – diga-me quem é este seu acompanhante… – mas ela não olhava com maus olhos. Ao contrário. Até suspeitava que fosse rico.

– É meu colega de trabalho. Sr. Don.

Ele pegou a mão da mãe e beijou.

– Ao seu dispor, senhora.

– Madame. Prefiro que me chame assim. – corrigiu a outra.

– Certo. Madame… – Don queria saber seu nome.

– Madame Mosli. Chama-me assim, por enquanto.

Mosli era o sobrenome da família, logo o de Naomi também. Don teve que se conter em seu sorriso forçado. Seu clã e o de Naomi nunca foram tão amistosos assim, envolvendo até um caso de homicídio. Mas poderiam ser parentes distantes dos inimigos de sua família. Mas… ao ouvir aquela revelação… deixou-o com o pé atrás.

– Como queira… Madame Mosli.

Tanto Naomi e Don foram bem recebidos pela mãe dela. Esta mandou fazer um requintado jantar em celebração. Por telefone, ela avisou ao marido que a filha estava ali.

– Mas mãe… e a Dara? Notei que muitos dos empregados antigos não estão aqui.

– Essa morreu. E uma outra que tínhamos foi mandada embora.

– Ah… que pena…

– Se me permitem, minhas queridas… onde fica o toalete? Não tivemos acesso a um só durante a viagem.

– Ah, minha serviçal vai te mostrar… Luna! Acompanhe esse moço até o toalete, ensinando o caminho. Ah! Vou ter que ver um quarto de hóspedes para ele! Naomi, espera sua mãe na sala que eu vou preparar tudo para o jovem Don!

– Er… chama-me de Don, apenas.

– Certo. Don!

E assim, Naomi ficou na sala, sentada, como nos velhos tempos. Don, no banheiro, ligava para alguém, falando algo secreto, como se estivesse tramando algo. Depois, voltou para Naomi, sentando-se ao lado dela.

– Nossa, como é simpática sua mãe!

– Você achou?

– Sim, sim… e não imaginava que você tivesse uma família de ótima situação.

– Ah… mas não somos ricos, acredita!

– Não parece… – disse ele, num tom brincalhão.

No jantar, o pai de Naomi não compareceu, alegando que estava atarefado demais – porém viria no dia seguinte. A verdade era que o Sr. Mosli era um jogador compulsivo, que torrava seu dinheiro com jogos, prostitutas e bebidas. E naquela mesma hora, estava o velho se divertindo com as mais belas mulheres da vida e bebendo bastante.

Mas no dia seguinte, o homem foi ao encontro dela. Um homem moreno, de cara fechada, aparência sombria, ostentando uma cicatriz grossa e profunda na lateral da testa – fruto de uma briga em sua juventude – porém não desfazia a beleza do rosto do homem. Naomi tinha mais traços do pai.

– Naomi! Que saudades! – a carrancuda face mostrava um sorriso modesto de dentes pequenos.

– Digo o mesmo, meu pai! – disse ela, trocando abraços com ele. Sentiu um cheiro incômodo de tabaco e bebida, mas nada demonstrou ao pai em relação a isso.

Don foi apresentado ao pai e vice-versa. Nenhum daqueles dois lembravam os inimigos de sua família. Mas carregavam aquele sobrenome odioso para ele. Aqueles que mataram seu pai e levaram a mãe ao suicídio. Tentaria descobrir indiretamente se aquele casal tinha algum laço com os arruinadores de sua família. Por que Naomi tinha que ser descendente daquela gente?! - isso o incomodava bastante. Mas foi ótimo em saber disso. Mais uma razão para ter a morena ainda mais perto de si…

Hisoka sentia-se animado em ajudar Kurapika desintegrar a Aranha aos poucos. Isso ajudaria bastante a enfraquecer a moral daqueles que adoravam ser invencíveis, com isso ficando mais perto de abater Kuroro. Com a morte de Ubo, o grupo ficou acuado inicialmente, mas mudaram de opinião quando viram o líder ser sequestrado pelo tal assassino de Ubo. Mais fácil ainda de agir: pediu ajuda para Irumi, irmão mais velho de Killua, para lhe ajudar na tentativa de ficar frente a frente com Kuroro: propôs que ele disfarçasse dele mesmo por algumas horas, até que ele lutasse e matasse ele.

Parecia que tudo estava acontecendo conforme a previsão de Nen que Kuroro havia roubado de uma famosa jovem vidente de York Shin. Com a negociação, Kurapika devolveu Kuroro e Pakunoda devolveu Gon e Killua que foram capturados imprevisivelmente para serem usados como ponto fraco para Kurapika.

Finalmente, Kuroro estava em sua frente. Pakunoda acompanhou os meninos que iam para dentro do dirigível deles e depois seguiu para o que ela estava usando, esperando que Kuroro viesse atrás com Hisoka; mas surpreendeu-se quando Hisoka pôs-se em frente a ele, com mar ameaçador. Kuroro não lhe falou nada, mas olhou-o de um jeito como se estivesse perguntando "O que está acontecendo com você, Hisoka?"

– Estou esperando há muito tempo, este momento.

E nada de Kuroro pronunciar uma palavra.

– Sabe por que me infiltrei na Aranha? Vai saber agora… – Hisoka tirou sua camisa, expondo o saudável tronco. Virou as costas para ele, em seguida – está vendo essa tatuagem? Não preciso mais dela! Eu fingi ser um integrante do Ryodan apenas… para lutar com você!

– ...entendo. Se não é do grupo, posso falar com você.

Hisoka o olhou confuso. E se fosse, por que não poderia lhe falar?

– Sinto dizer que… não posso lutar com você. – o moreno disse calmamente.

– O… quê?

– Isso mesmo, Hisoka. Aliás, não vale a pena sequer lutar comigo. O Desgraçado da Corrente acorrentou em meu coração a espada do julgamento de Nen. Com isso, todas minhas habilidades… estão limitadas. Se usar, simplesmente morrerei.

– Você… não está falando sério, não está? – uma veia na cabeça de Hisoka ficou alta.

– Exatamente. Não mentiria à toa.

– Kuroro… eu não tenho intenção nenhuma de ficar aqui ouvindo suas mentiras! – ele alterou um pouco sua voz – estou em busca do homem que é o único digno de ser meu inimigo… e não vou me conter, agora, depois de tanto tempo! – ele fechou os punhos, estralando os dedos em sua força anormal.

Hisoka fez aparecer uma carta na outra mão, mirando nele. Com seu ar sereno de sempre, Kuroro não se irritou com absolutamente nada com as confissões do ruivo. Sentiu até… pena dele. Um homem extremamente poderoso, que cultivou tanto tempo e força para lutar com ele, teve seu momento desperdiçado ali. Ele, Kuroro Lucifer, não era mais nada ali, sem seus preciosos poderes Nen. Talvez, ele fosse muito mais digno de pena que Hisoka. E o outro lançou a carta, para ver se ele esquivava. Mas nada. Hisoka não reconhecia aquele Kuroro tão inerte e fraco. Ele sequer usava sua aura. Parecia não mentir. Ele largou o resto de suas cartas, frustrado.

– ...não lutarei com alguém que não está mais no mesmo nível que eu…

– Bom que entendeu, Hisoka.

Hisoka ainda o olhou nervoso. A vontade era de dar um soco bem-dado na cara daquele que achava cínico.

– E mais. Não voltarei tão cedo para os outros. Pode explicar-lhes o que aconteceu…

– Não vou falar nada! Não sou membro legítimo do Ryodan.

– Tudo bem. – deu as costas para Hisoka, caminhando em direção ao final do penhasco isolado em que estavam – Mas… se um dia você ver de novo…

Aquilo chamou a atenção do ruivo, que olhou ficadamente para a figura sombria do Danchou.

– ...aquela garota… diga que não a esqueci.

Pronto. Aquele papo enfureceu Hisoka de vez.

Adieu, Kuroro! – ele entrou no dirigível onde estava Pakunoda.

Kuroro riu baixinho. Agora, só esperaria a morte tranquilamente. Ou… o caminho que o esperava para o Leste – pelo menos, é o dizia a profecia daquela jovem vidente.