Ia ser uma longa viagem.

Quando o carro partiu, apoiei a minha cabeça no ombro de Jacob.

Estava a ouvir muse, a minha banda favorita.

Knights Of Cydonia – Muse

Come ride with me

Through the veins of history

I'll show you a God

Who falls asleep on the job

And how can we win

When fools can be kings

Don't waste your time

Or time will waste you

No one's gonna take me alive

The time has come to make things right

You and I must fight for our rights

You and I must fight to survive

No one's gonna take me alive

The time has come to make things right

You and I must fight for our rights

You and I must fight to survive

No one's gonna take me alive

The time has come to make things right

You and I must fight for our rights

You and I must fight to survive

- O que estás a ouvir? – Perguntou Jacob, roubando-me um phone. – Muse? Ainda gostas de muse?

Anuí com um sorriso ligeiro e continuei com a minha cabeça no seu ombro. A música mudou. Agora estava ouvir hysteria.

Hysteria - Muse

It's bugging me

Grating me

And twisting me around

Yeah I'm endlessly

Caving in

And turning inside out

'Cause I want it now

I want it now

Give me your heart and your soul

And I'm breaking out

I'm breaking out

Last chance to lose controle

Yeah It's holding me

Morphing me

And forcing me to strive

To be endlessly

Cool within

And dreaming I'm alive.

'Cause I want it now

I want it now

Give me your heart and your soul

And I'm breaking down

I'm breaking out

Last chance to lose controle

And I want you now

I want you now

I feel my heart implode

And I'm breaking out

Escaping now

Feeling my faith erode

Já estávamos no Alentejo quando o telemóvel tocou. Era Edward. Atendi rapidamente.

- Edward, amor! – Exclamei.

- Olá! Como é que está a correr a viagem?

- Uma seca! E tu? O que é que estás a fazer?

- Estava a compor umas músicas!

- A sério? Quero ouvir tudo quando voltar! – Avisei.

- É claro! Tenho tantas saudades tuas!

- Também eu! Sinto tanto a tua falta!

- Aturar os meus irmãos sem a tua ajuda é tão difícil! É tão difícil estar aqui sozinho sem ti, sem poder agarrar a tua cintura e beijar-te!

E de repente vieram ao meu pensamento os nossos momentos. Esses momentos que iam matar-me de saudades.

- Margarida? – Chamou.

- Desculpa, estava só a imaginar… a relembrar! – Respondi.

- Quando chegares vou beijar-te TANTO! – Deu ênfase ao 'tanto'.

- Também eu, também eu! Mas pára de falar nisso, vou ficar com ainda mais saudades!

Ele riu e consegui imaginá-lo a revirar os seus olhos lindos.

- Onde é que estás? E não me respondas que estás no carro!

Ri-me e olhei para a rua.

- Estou a passar pelo Alentejo! Acho eu! Nunca fui muito boa a geografia.

Jacob riu e revirou os olhos. Abanei a cabeça e sorri.

- Não vais à praia? – Perguntei.

- Vou à praia sem ti? Não me parece! Quem é que me vai pôr o protector solar? Quem é que vai arrasar com a minha cabeça por causa daqueles mergulhos malucos? Quem é que vai por a cabeça na minha barriga?

- Estás a dizer-me que vais deixar de aproveitar os últimos dias de sol antes da escola, porque eu não estou aí?

- Acho que sim.

- Oh me Deus, vai com os teus irmãos…

- Para quê? Para ter de pagar os almoços? Para ter de fazer os favores à Alice? Para ter de jogar vólei com a Rosalie? Para aturar os comentários do Emmett?

- Por exemplo.

Ele riu bem alto.

- Não sei! Vou pensar nisso! Mas sem ti não é a mesma coisa!

- Eu sei! Achas que para mim é a mesma coisa sem ti? Tenho tantas saudades! Vou tentar despachar esta treta toda para ir ter contigo e… abraçar-te! – Retive-me no 'abraçar'.

Quer dizer… abraçar? Eu queria beijá-lo com todas as minhas forças. Ele riu, assim como Jacob.

- Pois, abraçar-me! – Disse ironicamente.

- Cala-te!

- Tudo bem! Mas tens de te concentrar ao máximo no tribunal. Eu não quero que vás para Lisboa! Não quero mesmo!

- E achas que eu quero? – Disse aborrecida. - Só queria… - Suspirei. – Só queria que estivesses aqui! – Disse nostalgicamente.

- Não penses nisso agora! Lembra-te daquilo que eu te disse: concentra-te naquilo que vais dizer no tribunal. Qualquer passo em falso e é o suficiente para nunca mais voltares para cá!

Suspirei, fechando os olhos. Ele tinha razão. Eu não queria viver com o meu pai. Queria viver com a minha mãe. Queria estar com Edward. Não queria ir viver com aquele que me fizera a vida negra. A minha vida já tinha se modificado e ainda só tinham passado três meses.

- Edward! Eu prometo que me vou esforçar! Não só por ti, mas também por mim! – Afirmei ainda com o tom nostálgico.

- Margarida! Eu não quero ouvir essa voz tristinha!

- Como é que queres que esteja?

- Tens o Jacob ao pé de ti! Ele é teu amigo há imenso tempo!

- Eu sei que o Jacob vai ser o meu grande apoio! - O rapaz sorriu e beijou-me os caracóis. – Eu sei isso tudo, mas não é a mesma coisa!

- Não quero saber! Vai ter com a Madalena, com os teus amigos todos! Eles vão apoiar-te! Eu só não quero ouvir-te nem ver-te triste!

- Só vou ficar bem quando estiver ao pé de ti! Não vou pensar em mais nada sem ser em ti!

- Não ouviste nada daquilo que eu disse pois não?

- Pára com isso! Eu oiço sempre tudo! Não te preocupes!

- Vá lá! Estou a pedir-te! Não te quero perder!

- E achas que quero?

- Por favor! Quero-te no Algarve o mais rápido possível… de preferência para ficares!

- Eu sei! Gosto de ti o suficiente para conseguir fazer um grande esforço e concentrar-me naquela sala!

- Assim já estou a gostar de ouvir!

Sorri e abri os olhos. Olhei para o relógio e já eram onze da manhã.

- Edward?

- Sim?

- O que estás a fazer?

- Sentado no puff! A ver as nossas fotos!

- Não acredito! Estás a gozar?

- Não! Estás realmente bonita!

Senti-me corar.

- Edward! – Repreendi.

- Que foi? Quem diz a verdade não merece castigo.

- Desculpa lá, então!

Ele riu-se sonoramente.

- Margarida? Onde é que vais ficar a dormir?

- Não sei! Talvez na pensão da minha tia, ou assim.

- Desconhecia essa tia.

- Ela é muito fixe. Conto-te tudo sobre ela quando chegar.

- Boa. Quero saber tudo! Escuta, vou ter de desligar meu amor! Ficas bem?

- Tirando o facto de que não consigo viver sem ti… sim acho que fico bem!

Ele riu.

- Não sejas assim! Ligo assim que puder! Amo-te!

- Amo-te mais!

Desliguei a chamada e por baixo dos meus óculos de sol correu uma lágrima.

Jacob olhou para mim e disse:

- Porque estás a chorar?

- Porque queria estar no Algarve, ao sol, na praia, com o Edward!

- Pensa naquilo que o Edward disse… tens de te concentrar… sabes que podes contar comigo!

- Sim sei!

Ficámos em silêncio até chegarmos à pensão. Entrámos a Susana estava na recepção. Susana era a recepcionista mais adorável e luminosa que eu alguma vez conhecera. Passávamos horas a fio a falar sobre tudo.

- Susana! – Exclamei, abraçando-a.

- Já não te via há tanto tempo, estás tão diferente!

Susana tinha mais três anos que eu. Jacob estava atrás de mim assim como a minha mãe. Susana já conhecia o meu melhor amigo. A minha tia Matilde também era bastante jovem, solteira, sem filhos e despreocupada.

- Olá Margarida! – Cumprimentou a minha tia.

- Tia! – Disse abraçando-a. – Estás cada vez mais nova!

Toda a minha família conhecia Jacob, era um facto. Hipoteticamente ele era meu irmão. Cumprimentámo-nos uns aos outros e subimos até aos quartos. Susana veio comigo até ao meu quarto habitual. Pretendia contar-lhe tudo sobre a minha nova vida no Algarve. Mostrei-lhe uma foto de Edward e dos seus irmãos. E contei-lhe todas as nossas aventuras. Eu podia passar horas a falar com Susana. Ela era como uma irmã, para mim. Quando a minha tia chamou Susana para a recepção, fiquei sozinha no quarto. Comecei a pensar naquilo que diria no tribunal. Não fazia ideia. Não tinha a mínima noção do que me poderiam perguntar. Não tinha ninguém que me pudesse dar umas luzes. Abanei a cabeça e pus as mãos no cabelo, puxando-o para trás. Comecei a pensar em Edward outra vez. Olhei para o ecrã do telemóvel. Já eram quinze da tarde. Não sentia fome, mas fui até à copa roubar um pacote de bolachas. As minhas preferidas que a minha tia tinha sempre dentro do armário só para mim. Voltei para o quarto e liguei a televisão. Mais de cem canais e nada de interessante para ver. Resolvi desligá-la. Voltei a olhar para o telemóvel. Tinha uma mensagem de Madalena.

From: Madaleninha

Message: Oi! Já sei que estás em Lisboa. Que tal encontrarmo-nos no Eduardo VII?

Respondi.

To: Madaleninha

Message: Olá, miss! Por mim encontramo-nos lá! Daqui a 10 minutos estou lá! Achas que posso levar o Jacob?

Recebi a resposta da minha amiga.

From: Madaleninha

Message: É claro que o podes levar! Encontramo-nos daqui a 10 minutos! Bjs.

Arranjei o cabelo e fui buscar Jacob. Peguei-o pelo braço e arrastei-o até à rua.

- Onde vamos?

- Eduardo VII! Vamos ter com a Madalena!

Quase corremos até lá. Quando chegámos, Madalena já estava à minha espera. Corri para os seus braços e abracei-a. Um abraço que nunca mais acabava. Olhei-a nos olhos e sorri. Tirei-lhe a franja dos olhos e beijei-a no rosto.

- Pensei que nunca mais te ia ver! – Disse Madalena. - Jacob! Há tanto tempo…

Abraçaram-se.

- Agora conta-me tudo! – Ordenou Madalena. – Conta-me sobre a tua nova vida no Algarve!

Contei-lhe tudo com pormenores. Mostrei-lhe fotografias. Contei-lhe TUDO. De repente o meu telemóvel tocou.

- Edward! Tudo bem? – Perguntei.

- Claro e contigo?

- Tudo óptimo! Estou com a Madalena! Ela diz olá!

Edward riu.

- Olá também para ela.

Madalena sorriu, entusiasmada. Tinha o cabelo mais lindo do qualquer outro que eu alguma vez vira. Era volumoso, brilhante e com canudos.

- Onde é que estás?

- No parque Eduardo VII! E tu? Foste à praia?

- Não! Já te disse que não volto à praia enquanto não voltares!

- Edward Cullen! Que mania tão tola!

- Que foi?

- Eu não sei quando é que vou voltar! Não podes deixar de sair de casa só porque eu não estou aí! – Disse com voz séria.

- Ele não sai de casa sem ti? Que amoroso! – Disse Madalena numa voz quase inaudível.

Jacob abanou a cabeça e riu.

- Tudo bem! Imagina que eu saía de casa…num caso hipotético… Quem é que ia ficar ao pé de mim enquanto os outros anormais vão fazer as coisas deles?

- Ah e então o que é que ficas a fazer enquanto estás sozinho em casa?

- Estou a compor músicas para ti!

- Por favor, tens a vida toda para fazer isso!

- Não interessa! Liguei só para saber como estavas!

- Estou bem! Há bocado estive a pensar naquilo que ia dizer no tribunal! Não faço ideia daquilo que me perguntarão… vou entrar em pânico!

- Margarida, tu não podes entrar em pânico! Não podes! Desculpa estar a pressionar, mas sabes que tenho razão!

- É claro que sim!

- Vou parar de te chatear!

- Sabes que te amo?

- Sim! E tu sabes que te amo?

- Claro! Beijos. Amo-te MUITO!

- Amo-te mais!

Desliguei o telemóvel.

- Que amorosos! – Disse Madalena pegando na minha mão.

- Ui que amorosos! – Disse Jacob, fazendo voz feminina.

Rimo-nos e bati-lhe no braço. Começámos a andar até ao Rossio. Parámos na nossa pastelaria favorita e comemos os nossos croissants favoritos. Continuámos e fomos até ao elevador de santa justa. Fomos ver as montras da baixa. Entrámos na Zara e comprámos uns vestidos. Jacob andava atrás de nós. Que remédio tinha ele! Estávamos a ter conversas super fixes. Eu sentia tanta falta destas conversas. Madalena fazia-me muita falta. Voltámos para a pensão e Madalena foi para sua casa. Eu também sentia falta da tia Rita, a mãe da Madalena. E do tio Jorge, o pai. As suas maluquices momentâneas.

- Margarida! Conta lá da tua vida! – Disse a tia Matilde, quando cheguei à cozinha para espreitar o jantar. – Como é que têm corrido as coisas lá em baixo?

- Então, duvido que a mãe não te tenha contado tudo…

A tia Matilde tinha apenas 22 anos. Criara o seu negócio há pouco tempo. Mas estava a sair-se muito bem.

- Não, ela não contou nada, quis que fosses tu a contar!

- Então, tenho um namorado e muitos cunhados… - Sorri ao lembrar-me da nossa imagem.

- Muito bem! Conseguiste sair da miséria carnal!

- Tia! – Repreendi.

- Verdade! Ainda me encontro nesta desgraça! Sem namorado nem nada!

- Não és tu que perdes! Mas sim esses rapazes que não te ligam nenhuma!

- Quem disse que não me ligam?

- Ahhh, ou seja, tu é que te lixas para os rapazes? Então não te queixes!

- Eu não me queixo! Só que ainda não apareceu o rapaz! – Deu ênfase ao 'o'.

Sorri e revirei os olhos.

- Não te preocupes com isso, ele há-de aparecer!

Tirei o esparguete para o prato e comecei a comer. Jacob chegou à cozinha e começou também a jantar.

- A mãe? – Perguntei.

- Foi descansar! Amanhã vai ser um longo dia para vocês!

- A quem o dizes…

Jacob sentou-se ao meu lado e apoiou o seu queixo no meu ombro.

- Tens de ter força!

Anuí com um suspiro e acabei de jantar.

- Vou dormir! Amanhã tenho de me levantar cedo! – Murmurei.

Despedi-me e fui para o quarto. Enrosquei-me no lençol e na manta da minha cama e tentei adormecer. Tentei também cheirar a essência de Edward. Não conseguia. Estava demasiado nervosa. Olhei para o telemóvel e tinha uma mensagem de Edward.

From: Edward 3

Message: Olá amor! É só para te desejar boa noite! Não sei como vou conseguir dormir sabendo que não estás por perto! Amo-te.

Respondi.

To: Edward 3

Message: Olá! Estou a tentar lembrar-me do teu cheiro e matem-me, estou tão nervosa que não me consigo lembrar! Tenta dormir senão eu vou sentir que não estás bem, e assim fico nervosa! Amo-te muito! Beijo!

Pensei que já não ia obter resposta, mas quando estava quase a dormir quando a luz do telemóvel acendeu.

From: Edward 3

Message: Ahah! Não te preocupes! Em relação ao cheiro, bem, quanto a isso não posso fazer nada! Tem calma, amanhã vais ter um dia longo! Amo-te tanto! Vê se dormes! Beijão!

Respondi-lhe.

To: Edward 3

Message: Por ti faço tudo, meu amor! Um beijo grande e boa noite! Amo-te mais do que possas imaginar! Não respondas, senão vou pensar em ti a noite toda e, apesar de ser uma óptima visão, não me vai deixar dormir! Beijinho!

A luz já não voltou a acender. Virei-me para o outro lado e adormeci.

Ouvi o despertador tocar e levantei-me. Fui até à casa de banho tomar um duche. Voltei para o quarto e escolhi uma muda de roupa. Arranjei o cabelo e coloquei o creme na cara e no braço, por causa dos efeitos do escaldão.

Fiz a cama e peguei na minha mala e no telemóvel, descendo até à cozinha. A minha mãe estava lá a falar com a minha tia.

- Bom dia! – Cumprimentei.

- Olá!

Elas continuaram a conversar e eu pousei a minha mala em cima da cadeira. Fui buscar um pacote de leite com chocolate e olhei pela janela, vendo os carros a passarem.

Jacob entrou na cozinha e cumprimentou-nos. Continuei a preparar o pequeno-almoço e deliciei-me quando vi um croissant de chocolate como eu gostava.

- Lembraste-te que eu necessito de um croissant destes?

- Sim, eu lembro-me sempre daquilo que necessitas quando estás em Lisboa!

Comi o meu croissant e bebi o meu leite. Jacob estava a comer bolachas e sumo. Quando acabei de comer sentei-me e não conseguia parar de abanar o pé. Levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro. Peguei no telemóvel e pensei ligar a Edward, mas ele podia estar a dormir e eu não o ia acordar.

- Pára quieta por favor! – Pediu a minha mãe.

- Não consigo! Acho que vou vomitar!

A minha tia levantou-se e veio para perto de mim. Agarrou-me nos ombros e olhou-me severamente.

- Tem calma! – Ordenou. – Liga ao teu namorado, faz aquilo que quiseres, mas não te lixes!

Ela tinha razão, mas isso não me tirava a vontade de vomitar.

- Desculpem! – Pedi, correndo pelas escadas.

Entrei na casa de banho e fechei a porta. Vomitei violentamente e quando me acalmei minimamente, lavei os dentes e voltei à cozinha, onde estavam todos à minha espera. Jacob abraçou-me e eu não consegui conter as lágrimas.

- Eu vou estragar tudo, eu sei que vou estragar tudo! – Balbuciei.

- Tem calma! – Pediu Jacob. – Só vais para o tribunal daqui a cinco horas, vais ter tempo para relaxar.

- Vou só fazer um telefonema! Acalma-te! – Disse a minha mãe.

Saiu da cozinha e foi até à sala de convívio. Continuei agarrada a Jacob e a minha tia estava ao pé de nós.

Edward fazia-me tanta falta. Muita falta. A minha mãe voltou até à cozinha e eu estava em pânico. Jacob ajudou-me a sentar na cadeira da mesa e tentou, sem êxito, acalmar-me. A tia Matilde preparou-me um copo de água com açúcar e acariciou o meu cabelo.

- Se não te acalmares vais desmaiar! Não precisamos de ti morta! Vais deitar-te novamente! Estás cheia de olheiras! Jacob, vais leva-la para cima!

Jacob pegou-me no seu colo e levou-me para o meu quarto. Deitou-me na minha cama e a minha mãe aconchegou-me nos lençóis. Acabei por adormecer logo de seguida.

Senti um arrepio violento a abanar-me o corpo. Senti também uma mão na minha cara. Uma mão suave e grande. Eu não conseguia abrir os olhos – mas também não queria fazê-lo. Essa grande mão mexeu no meu cabelo e tirou-mo da cara. Calculei que fosse Jacob – ele era sempre tão incansável para mim.

Senti uma grande tensão no quarto e isso ainda me dava mais vontade de dormir novamente. Respirei fundo e entreabri os olhos. Ao início, o choque foi demasiado grande e eu nem conseguia acredita que ele estava ali.

- Olá, meu amor. – Saudou, num sussurro.

Dei-lhe um sorriso rasgado e agarrei-me ao seu pescoço.

- Meu Deus, o que fazes aqui? – Perguntei, tentando conter as lágrimas.

- A tua mãe ligou-me. – Afirmou, friccionando as minhas costas.

Agarrei a sua camisola e cheirei o seu pescoço. O seu cheiro. Aquele cheiro que eu já não me lembrava. Afastei-me dele e beijei-o. Beijei-o muito.

- Tinha tantas saudades tuas. Eu amo-te tanto! – Afirmei.

Voltei a abraçá-lo e beijei o seu pescoço. Quando me acalmei, ele afastou-me um pouco e olhou-me nos olhos, segurando nas minhas mãos.

- Preciso que te acalmes. Dentro de uma hora vais a tribunal. Lembras-te de tudo o que falámos? – Anuí. – Óptimo. Então vais fazer o que combinámos. Vou estar a teu lado!

Abraçou-me e levantou-me. Fui à casa de banho e arranjei o cabelo. Voltei para perto de Edward e ele colocou a mão a volta da minha cintura, beijando-me.

Oh meu deus, ele beijou-me tudo! Começou nos lábios, passou para o pescoço, seguindo para a orelha passando pelo nariz e pelo rosto. Ele arrastava os seus lábios pelo meu rosto. Eu tinha os braços no seu pescoço. Obriguei-o a deitar-se na cama.O que estava eu a fazer? Eu não conseguia parar e pelos vistos ele também não. Continuei a beijá-lo, quando de repente caí em mim.

- Desculpa! – Disse, largando-o de repente.

- Desculpa eu! Não sei onde estava com a cabeça!

Ao vê-lo nostálgico sentei-me perto dele.

- Edward, agora estou demasiado nervosa… não é por mais nada! Não quero que penses outras coisas! – Obriguei-o a olhar para mim. – Quero ver-te sorrir!

Ele sorriu e beijou-me.

- Eu não pensei nada disso. – Garantiu. – Fui apenas demasiado precipitado. – Beijou-me de novo e disse: - Agora vamos embora!

Edward levou-nos para o tribunal e entrei na pequena sala; ia ser a primeira a testemunhar.

Quando saí estava preocupada. Não conseguia avaliar se tinha corrido bem ou não. Atirei-me para os braços de Edward e beijei-o.

- Como correu? – Perguntaram.

- Acho que correu bem!

Tinha estado três horas fechada numa sala com 3 pessoas sem contar com o júri. Suspirei de alívio por já estar despachada. Estava cansada de responder a tantas perguntas. A seguir a mim, entrou a minha tia. Sentei-me no colo de Edward e esperei. Encostei a cabeça no seu peito e sorri. O seu cheiro, sim, o seu cheiro. Aquele cheiro que me invadia o espírito. Colocou o seu braço sobre os meus ombros, puxando-me mais para o seu corpo. Fechei os olhos e deixei-me relaxar. Estava farta de estar fechada ali dentro. Apesar de estar com Edward, o tempo parecia estar parado. A minha tia só saiu da sala às oito horas da noite. Voltámos para a pensão e fui com Edward até à cozinha, onde estava Susana, que me abraçou. Contei-lhe como tinha corrido no tribunal quando ela me perguntou como eu estava.

- Susana! – Repreendeu a minha tia. – Para a recepção!

Fui comer umas bolachas e um leite. Edward sentou-se numa cadeira e esperou por mim. Sentei-me no seu colo e comi devagar.

- Não tens fome? – Perguntei.

- Não. Ver-te nesse estado tira-me a fome. – Respondeu.

Beijei a sua testa e encostei a minha fronte na dele.

- Isso não está certo. Eu agora já estou… bem.

Ele abanou a cabeça, com os olhos fechados e as nossas frontes coladas. Acabei de comer e mantive-me no seu colo. Jacob tinha ido a sua casa buscar coisas para levar para o Algarve e só voltaris no dia seguinte. A minha mãe foi para o quarto e a minha tia estava a servir os jantares. Peguei na mão de Edward e arrastei-o até ao quarto. Beijei-o e abracei-o quando nos sentámos sobre a cama. Colocou o meu cabelo atrás da orelha e acariciou o meu rosto, puxando-me para o seu colo. Poderia ficar horas assim. Ouvi o meu telemóvel tocar e peguei nele. Era uma mensagem de Madalena.

From: Madaleninha

Message: então, como correu no tribunal?

Respondi.

To: Madaleninha

Message: não correu mal! Mas estava muito nervosa! Alias, ainda estou! O Edward veio ter comigo, agora sinto-me muito mais calma!

A resposta não demorou a chegar.

From: Madaleninha

Message: o Edward está contigo? Uhhh! Não estejas nervosa, tenta acalmar-te! Amanhã ainda vais a tribunal?

Respondi.

To: Madaleninha

Message: sim. Acho que ainda vou depor mais uma vez! Tenho de tentar descansar!

A luz do telemóvel não demorou a reacender.

From: Madaleninha

Message: sim, tenta descansar! Tem uma boa noite! Beijo!

To: Madaleninha

Message: boa noite! Beijinho!

Eu e Edward continuávamos em silêncio. Um silêncio tão agradável como qualquer conversa banal. Continuava aconchegada no seu colo, mas vê-lo triste por minha culpa, deixava-me desolada. Pus a minha mão no seu rosto e acariciei-o. Ele sorri e beijou-me delicadamente. Encaixei a minha cabeça no seu pescoço e passados uns minutos adormeci.

Acordei um pouco confusa. Não fazia ideia de nada. Levantei a cabeça e vi as horas no telemóvel. Eram apenas oito da manhã. Quando me virei para o lado oposto para tentar adormecer outra vez deparei-me com Edward. Sorri e mexi no seu cabelo ao de leve.

Tentei fechar os olhos e dormir, mas com ele à minha frente, tornara-se completamente impossível. Virei-me para o outro lado e fechei os olhos. Edward abraçou-me por trás, deixando-me assustada. Envolveu o meu tronco e inspirou o meu cabelo. Não sei bem, mas ele parecia estar a dormir. Fiquei envolvida nos seus braços durante imenso tempo. Peguei na sua mão e agarrei-a, até que consegui adormecer.

POV Edward

Envolvi-a nos meus braços, mas mantive os olhos fechados. Não queria que ela percebesse que estava acordado. Ela permanecia acordada e muito quieta. Pegou na minha mão e suspirou, adormecendo dois minutos depois. Fiquei a olhar para ela durante uma eternidade. Comecei a pensar em milhares de coisas ao mesmo tempo. Eu queria contar-lhe tudo, mas tinha medo. Ela podia acabar comigo, apesar de não ter sido o culpado directo do acidente. Quer dizer… não fui mesmo eu. De qualquer das maneiras, ainda tinha outro segredo ainda mais grave. Pelo menos, para Margarida, seria mais grave. Eu não queria arriscar tudo. Desde a Bella que não sentia algo tão forte por alguém. Margarida era a rapariga mais espectacular e compreensiva que alguma vez conhecera. Ela era minha, e eu era dela. E o cheiro do seu cabelo… o cheiro do seu cabelo era estonteante. Deixava-me doido. Desconcertava-me. Cheirava a pêssego. Enquanto me deixava levar pelos pensamentos, Margarida acordou. Virou-se devagar, pensando que eu ainda estava a dormir. Sorriu com ar sonolento e beijou o meu rosto.

- Bom-dia! – Cumprimentou-me, dando outro beijo nos meus lábios.

Aqueles beijos que eu amava. Que me levavam ao céu.

- Olá! – Disse-lhe, beijando-a no pescoço. – Dormiste bem?

- Lindamente! E tu?

- Também!

Sorri e acariciei o seu rosto. Era impossível não dormir bem, quando se está ao lado de uma rapariga como aquela. Sentou-se e voltou a beijar-me.

- Vou tomar um banho. Dez minutos.

Saiu da cama e foi até à casa de banho.

Sim, ela precisava do meu apoio. Eu não a queria perder. Já me bastava ter perdido Bella. Bella de cabelos ruivos estonteantes. A Bella desajeitada que precisava de ajuda para subir as escadas. Sorri, recordando-me dela.

Esperei por Margarida para ir tomar banho. Quando ela chegou, pousei as mãos na sua cintura e beijei-a.

POV Margarida

Quando cheguei ao quarto depois de um banho refrescante, Edward pousou as mãos na minha cintura e beijou-me. Ainda estava enrolada na toalha. Edward foi até à casa de banho para tomar um banho e eu aproveitei para me vestir. Vesti as minhas calças vermelhas e o meu top branco. Vesti o meu casaco de algodão também branco com travos vermelhos. Calcei os meus all star vermelhos. Coloquei os meus óculos vermelhos no cabelo. Quando Edward chegou ao pé de mim já vinha vestido com as suas calças de ganga escura, uns Berg e uma camisola da Pull and Bear. Voltei a abraçá-lo e a beijá-lo. Descemos até à cozinha e a minha mãe estava lá a tomar o pequeno-almoço. Comecei a comer o meu croissant. Edward bebeu apenas um iogurte.

- A que horas vamos? – Perguntei.

- Daqui a meia hora! Vais ter de falar outra vez, sabes disso, certo? – Questionou a minha mãe.

Anuí, desanimada.

Acabei de tomar o pequeno-almoço e, para descontrair, fui ouvir música. Dei uma olhadela no meu telemóvel. Tinha uma mensagem de Jacob.

From: Jacob

Message: Bom dia! Não sei se consigo ir ter contigo ao tribunal! Como é que estás?

Respondi.

To: Jacob

Message: Olá! Não te preocupes, eu estou bem! Estou muito mais calma do que ontem! E tu estás bem?

A luz voltou a brilhar.

From: Jacob

Message: eu estou bem, estou com os meus pais a preparar as minhas coisas! Boa sorte!

Voltei a responder.

To: Jacob

Message: obrigada =D

- Vamos? – Perguntei.

Estava a começar a ficar irrequieta e nervosa. Fomos no carro de Edward e quando chegámos a tribunal fui a primeira a ser ouvida. Questionei-me quais seriam as perguntas que ainda teriam para me fazer. Quando saí da sala encontrei-me com o meu pai. O olhar dele. Já não o via há tanto tempo. Fiquei a pensar naquilo que iria acontecer. Mas em vez de um escândalo, o meu pai cumprimentou-me cordialmente, sorriu e entrou na sala.

Fui ter com Edward que estava no outro lado do átrio.

- Acabei de me encontrar com o meu pai… e simplesmente… cumprimentou-me na boa! – Balbuciei.

Edward sorriu e beijou-me.

- Talvez ele esteja a mudar. – Murmurou; olhei-o séria. – Ok pronto! Talvez esteja sob o efeito de maconha!

Ri-me e aconcheguei-me nos seus braços. Pedi à minha mãe para ir dar uma volta com Edward e ela respondeu positivamente. Saímos do tribunal e fomos até à minha pastelaria favorita. Ameaçava chover. Entrámos dentro da confeitaria e sentámo-nos numa mesa perto da janela. Pedimos croissants e sumos. Quando acabámos de lanchar saímos e já estava a pingar.

Andámos a vaguear pelas ruas de Lisboa, que eu conhecia tão bem como a palma da minha mão.

Estivemos no rossio, no terreiro do paço, no parque Eduardo VII e em tantos outros sítios. Na verdade, não queríamos saber do sítio onde estávamos. Só queríamos saber que estávamos juntos. Só isso importava. Liguei para a minha mãe para saber como estavam as coisas em tribunal. Pelos vistos iam demorar. Estive a vaguear até que chegou a hora do jantar. Entrámos num restaurante mais modesto e um empregado guiou-nos até a uma mesa, dando-nos as ementas.

- O que achas que o júri vai dizer? – Questionou Edward, lendo a carta.

- Quem me dera saber! – Murmurei.

Pedimos e os pratos vieram bastante rapidamente. Jantámos igualmente rápido e quando saímos do restaurante, ainda estava a chuviscar. Peguei nas mãos de Edward e atravessei-me à sua frente. Estávamos a caminhar por uma rua que ia dar à baixa. Era uma ruela pouco iluminada. Se estivesse sozinha eu não passaria por lá. Mas estava com Edward e ele era a minha segurança. Atravessei-me à sua frente e disse:

- Apetece-me cantar!

- Estás a falar a sério? – Questionou, perplexo.

Anuí e comecei a cantarolar a música. Ele também não resistiu e começámos os dois a cantar

Rain - Mika

Is it really necessary

Every single day

You're making me more ordinary

In every possible way

This ordinary mind is broken

You did it and you don't even know

You're leaving me with words unspoken

You better get back because I'm ready for

More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this

Caught in a trap

I can't get by

Baby I hate days like this

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

More than this

Baby I hate days like

Trying to be ordinary

Was it me who was the fool?

Thought you found the man you wanted

Did he turn him into something new?

Well even if our minds are broken

There is something that I need you to know:

It's nothing like the life we wanted

You better move on cause I'm ready for

More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this

Caught in a trap

I can't get by

Baby I hate days like this

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

More than this

Baby I hate days like

I'm not angry at you

Don't know what to do

After all the years that I spent with you

Can't blame you

For the things you say

You were used to hide away

More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this

Caught in a trap

I can't get by

Baby I hate days like this

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

When it rain

And rain and rain and rains

(You're leaving me with words unspoken

You better move on cause I'm ready for)

More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like

Dançávamos no meio da rua e quando demos por isso, já estávamos em plena baixa. Ele agarrou-me e rodou-nos sobre nós mesmos. As pessoas passavam e olhavam; também comentavam. Mas eu estava com o rapaz que amava. Nada mais importava. Os antigos chuviscos tinham-se transformado em chuva torrencial. Continuávamos na rua e o cabelo de Edward escorria por todos os lados. Coloquei-me em bicos de pés e cheguei ao seu rosto. Limpei as gotas de chuva – ou pelo menos tentei e beijei-o, puxando o carapuço para a sua cabeça também. Agarrei-me ao seu pescoço e fiz-lhe um sorriso travesso, atirando-me para as suas costas. Ele agarrou nas minhas pernas e começou a descer a avenida comigo nas suas costas.

- Temos de voltar! – Alertou. – Ainda vais ficar doente.

- Mais doente que tu, não fico de certeza!

Saí das suas costas e começámos a correr de mão dada até ao tribunal. Entrámos lá todos encharcados. A minha mãe começou a rir e revirou os olhos.

- Onde é que vocês andaram? – Questionou.

- Por aí! – Respondi. – Novidades?

- Sim! És toda minha.

Fiquei completamente atónita e não reagi. Olhei para Edward e atirei-me para o seu pescoço.

- Ganhámos? Ganhámos mesmo? – Confirmei, largando o pescoço de Edward e olhando para a minha tia e para a minha mãe.

Elas anuíram em simultâneo. Voltei a olhar para Edward e ele lançou-me um sorriso terno.

Era uma sensação incrível.

- Obrigada! – Disse voltando a atirar-me para o pescoço de Edward. – Se não fosses tu não sei se o resultado seria o mesmo. – Sussurrei.

Larguei-o e dei-lhe a mão.

- Mas mãe… - Disse, com um sorriso. – Não sou só tua. Uma percentagem de mim, pertence-lhe. – Afirmei, apontando para Edward.

Ele riu-se e beijou o meu cabelo molhado.

- Acho que posso partilhar. – Confirmou. - Agora vamos para a pensão! Não vale a pena irmos hoje para o Algarve! – Constatou. – Já é tarde! Está a chover…

- Detesto conduzir com chuva! – Reclamou Edward. – Tia Sara, não se importa de levar o carro?

- Edward, eu posso levar o carro, mas é uma grande responsabilidade!

- Sem problema!

Olhei para ele, confusa. Edward gostava de conduzir. Em qualquer situação. Produziu um sorriso travesso e aí, entendi tudo. Encaminhámo-nos até ao carro e o nosso cabelo ainda pingava. Sentámo-nos nos lugares de trás e abanquei junto de Edward, apoiando a minha cabeça no seu ombro. Eram 23 horas e estava trânsito. Adormeci.

Abri ligeiramente os olhos, com um pouco de claridade nos meus olhos. Estava entrelaçada em Edward e ele ainda estava a dormir. Eram 9 da manhã e conseguia ouvir a chuva a bater na janela. Aconcheguei-me no meu namorado e no edredão. Sentia-me gelada. Recordei os momentos do dia anterior, nós abraçados à chuva a cantar e a dançar. Um arrepio percorreu-me a espinha. Aconcheguei-me mais. Edward estremeceu e suspirou. Peguei na sua mão e entrelacei os dedos nos meus. Reparei que tinha as mantas todas só para mim e ele devia estar a morrer de frio. Afastei os seus braços do meu corpo e sentei-me. Puxei os lençóis e a manta para cima de Edward e aconcheguei-o. Voltei a deitar-me e ele voltou a envolver-me nos seus braços. Eu podia ficar horas assim. Nos seus braços. Em contacto com a sua pele. E apesar de ele estar frio como gelo, devido à noite sem cobertor, continuava a quere-lo o mais perto possível. Sentir o seu cheiro e o seu toque. Fechei os olhos e ouvi a sua respiração. O som da chuva tornara-se relaxante. Edward envolveu mais os seus braços e beijou-me o ombro.

- Bom dia! – Disse, com a sua voz melodiosa.

- Bom dia! – Cumprimentei, beijando os seus doces lábios.

Acariciou a minha cara e beijou-me de volta. Sorri e aconcheguei a minha cabeça no seu peito. Seria muito pedir para ficar ali até à eternidade? Edward beijou-me a nuca e disse:

- Tenho de ir tomar banho! Ficas bem?

Assenti e beijei-o de novo. Saiu da cama, escolheu umas roupas e foi para a casa de banho. Vesti um casaco e fui até à cozinha tomar o pequeno-almoço. A minha mãe já lá estava com a minha tia.

- Bom dia, meu amor! Já avisei o Jacob que vamos embora a seguir ao almoço! A Madalena ligou-me para saber como tinham corrido as coisas…tenho umas saudades daquela miúda!

- Também eu, também eu! – Sussurrei.

Comi o meu croissant e bebi o meu leite. Quando terminei voltei para cima, Edward estava no quarto a calçar-se. Corri a até ele aos pulinhos e sentei-me no seu colo, beijando-o. Riu-se e retriubuíu o beijo com apreço.

- Mal posso esperar para voltar para o Algarve… - Afirmei.

- Este fim-de-semana é o último. As aulas começam já na segunda-feira! Últimos dias de sol!

Anuí, desanimada.

- Vou tomar banho!

Escolhi umas peças de roupa e fui para a casa de banho. Quando terminei o banho vesti-me e fiquei cheia de frio. Corri até ao quarto e procurei um casaco, visto que tinha encharcado o meu no dia anterior. Nada feito! Não encontrei nenhum outro casaco. Corri até à cozinha e Edward estava lá. Eu tremia por todos os lados. Estava frio na pensão. Eu tinha apenas o meu top vermelho e as minhas calças pretas.

- Edward? Tens um casaco?

- Margarida? O que é que tens? Estás roxa! – Edward chegou perto de mim e abraçou-me.

- Estou cheia de frio! – Afirmei, encolhendo-me ainda mais.

Edward despiu o seu casaco e vestiu-mo. Fechou o fecho e colocou-me o carapuço, aconchegando-me novamente contra o seu peito.

- Melhor agora? – Perguntou.

Anuí e cerrei os dentes. Pegou em mim e levou-me para o quarto. Deitou-me na cama e aconchegou-me com o edredão. Saiu do quarto e voltou com um termómetro que coloquei debaixo do braço e aconcheguei a cabeça na almofada. Quando o aparelho tocou verifiquei a temperatura.

- 38ºC! – Afirmei.

Passou-me um comprimido e um copo de água. Tomei o medicamento e recostei-me nas almofadas.

- Veste um casaco! – Ordenei, sem tirar os olhos do tecto.

Vi-o ir à sua mala buscar um casaco de algodão e vesti-lo.

- Melhor? – Questionou.

Anuí com um sorriso e fitei-o. Era apenas meio-dia e o dia já estava a ser infernal. Sentei-me no seu colo e beijei o seu pescoço.

- Quero ir embora… - Pedi. – Quero sol, praia e os teus irmãos!

Ele riu-se e beijou-me.

- Vou falar com a tua mãe, volto já!

Regressei para debaixo dos lençóis e passados uns minutos, Edward voltou.

- Se tiveres as coisas despachadas, vamos pôr-nos a caminho. A propósito, acabei de conhecer a Madalena.

- Ela…

Anuiu com um sorriso e eu corri, dando-lhe um beijo nos lábios. Desci as escadas a toda a velocidade e abracei Madalena

- O Jake disse-me que vocês iam embora agora! Vim despedir-me.

Sorri nostalgicamente e continuei a abraçá-la. Madalena pegou nas minhas mãos e pediu:

- Promete que vais ser feliz…

- Prometo! E tu? Prometes?

- É claro!

Abraçámo-nos novamente e uma lágrima correu pelo meu rosto. Limpei-a ao casaco de Edward.

- Esse casaco fica-te muito bem! – Afirmou, escondendo as lágrimas no seu sorriso luminoso.

Sorri e voltei a abraçá-la. Edward desceu as escadas com as nossas malas, sorriu e levou-as para o carro.

- Quando quiserem ir é só avisar! – Informou, colocando a mão na minha cintura.

- Se me chega aos ouvidos que tu a magoas… – Avisou Madalena. – Eu desfaço-te em pedacinhos minúsculos!

Sorrimos e revirámos os olhos. Saltou para o meu pescoço e começou a chorar.

- Não chores, assim vais pôr-me a chorar também. – Disse eu, com as lágrimas nos olhos.

Madalena afastou-se e limpou as lágrimas.

- Amo-te! – Afirmou.

- Amo-te mais! – Limpei as minhas lágrimas e disse: - Vamos?

Edward anuiu. Despedi-me de todos os que estavam na recepção e fui embora. Edward veio comigo, no lugar de trás. Deu a mesma desculpa que tinha dado no dia anterior.

Pois, não gosta de conduzir com chuva e eu não o amo. – Pensei, com o meu sarcasmo a dar de si.

Jacob foi à frente com a minha mãe. Deitei-me nos bancos, com a cabeça em cima das pernas de Edward. Continuava com frio. Ligaram o aquecimento do carro, e, após uma hora de cafoné, adormeci.