Capítulo 8: Ciúmes

-Então, para esse semestre, - a voz calma do professor estava me deixando com sono. – Vocês terão de elaborar um projeto em dupla.

Eu estava tentando prestar um pouco de atenção. De verdade, mas eu não estava tendo muito sucesso.

Talvez eu tivesse algum distúrbio de falta de atenção.

-E vocês terão que se empenhar, o projeto valerá metade da nota. – o professor continuava tagarelando sobre algum projeto chato.

E toda essa distração tinha nome, e ate sobrenome.

Jacob Black. Era impressionante que, as aulas que eu tinha sem ele eram as que se arrastavam vagarosamente.

-Nessie? – Peter sussurrou meu nome.

-Sim? – eu disse baixinho também.

-Você quer ser a minha dupla? – ele abriu um largo sorriso.

Certamente ele falava do projeto que o professor explicava.

Não que eu fosse uma anti-social, mas eu realmente tinha de fazer os projetos sozinha.

Quando se tem uma família de vampiros e um namorado lobisomem, levar amigos na sua casa não é uma de suas atividades preferidas.

-Eu gostaria muito, mas eu ando ocupada, seria mais fácil se eu pudesse fazer sozinha. – eu disse sutilmente.

Ele não gostou da resposta e em seguida levantou a mão.

Esse garoto não era lá muito normal.

-Sim, Peter? – o professor o chamou.

-Esse projeto pode ser feito sozinho? – encarei-o. Ele definitivamente não tem nada de normal.

-Eu acabei de dizer, senhor Peter, que, o projeto será em dupla. – encarei o professor.

Agora era a minha vez de levantar a mão.

-Sim, senhorita Renesmee? – ele disse bufando.

-Professor, o senhor não entende. – eu comecei. – Realmente tenho muitas coisas para fazer, e prefiro fazer o trabalho sozinha. – terminei simpática.

-Que coisas? – ele quis saber.

-Ah, coisas. O senhor sabe, um monte delas. – ele arqueou uma sobrancelha.

Eu havia esquecido de um detalhe, eu nasci sem a capacidade de mentir.

Até uma bobeirinha dessas não funcionava comigo.

-Se a senhorita não mostrar um motivo que seja muito bom, não posso fazer nada pelo seu caso. – em seguida, ele desviou o olhar do meu e continuou a aula.

-E então? – vi Peter abrindo um sorriso torto.

Pobre garoto, ele definitivamente não sabia no que estava se metendo.

-Meus horários são mesmo complicados, mas se você ainda quiser... – eu disse vagamente.

-Ótimo, a gente marca a primeira reunião para logo, certo? – havia excitação em sua voz.

Que tipo de pessoa fica excitada quando recebe um trabalho?

Minhas teorias eram certas. Ele não era normal.

Mas o que eu sabia sobre ser normal?

Talvez devêssemos mesmo ser amigos.

--x—

-E como foi sua noite? – eu estava completamente distraída, e quase derrubei meu suco quando Alice falou comigo.

-Que susto, t-Alice. – corrigi rápido.

Não tinha quase ninguém por perto, mas eu não podia me dar ao luxo de estragar a nossa história.

-Você está mesmo em outro planeta. – ela disse prendendo o riso.

-Foi boa a minha noite. – eu disse quase sussurrando.

-Só isso? – ela disse desanimada. – Nenhum misero detalhe? – ela piscou seus cílios enormes para mim.

-Não aconteceu nada demais. – eu disse sutilmente.

-Nessie! – disse Suzannah se aproximando de nós.

-Olá. – disse Alice.

-Oi. – Suzannah parecia um tanto envergonhada. Não era culpa dela, até eu me sentia intimidada perto da beleza e graciosidade da minha tia.

-Que pena que você e Jake foram embora mais cedo aquele dia. – ela comentou.

-Ah, eu tinha umas coisas importantes para resolver. – comentei me forçando a beber um gole de suco.

Horrível.

-E então? – ela agora me encarava curiosa.

-Então o quê? – quis saber.

-Detalhes, Nessie. – ela disse me cutucando.

Minhas bochechas começaram a pinicar.

-Viu? Não sou a única pedindo por um pouco mais. – Alice agora entrava no assunto.

-Suzannah, - eu comecei olhando para ela. – Alice, - eu me virei para minha tia. – Não houve nada demais, quando acontecer, hum, eu conto. – eu disse querendo desviar logo daquele assunto.

As duas me encaravam e o sangue ainda estava acumulado nas minhas bochechas.

-Acho bom! E vocês formam um casal tão bonitinho. – Suzannah disse por fim.

-Er, obrigada. – eu disse incerta.

Bebi mais um gole de suco. Ótima desculpa para ficar quieta.

Olhei no relógio. O almoço havia começado há 10 minutos e nada do Jake aparecer.

Vasculhei o refeitório atrás dele. Sem sucesso.

Até Jasper já tinha chegado, e ele sim costumava demorar a se juntar a nós.

-Jake não está aqui. – informou Alice.

-Percebi. – eu disse um tanto grossa.

Mas eu não conseguia evitar, ele tinha poder sobre o meu humor.

-Nessie? – uma loira estava vindo em minha direção.

Eu nunca havia falado com essa garota, mas já tinha visto conversando com Jake.

E eu já havia visto o jeito como ela olhava para ele.

Motivos suficientes para não gostar dela.

-Sim? – eu disse ríspida.

-Jake pediu para eu lhe dar um recado. – precisei me controlar ao máximo para não arrancar sua cabeça do pescoço.

Jake? Eu o chamava de Jake, não aquela zinha.

-Ele disse que precisou sair para ir a reserva, algo com um tal de Sam. – ela tentava lembrar. – E disse para não se preocupar.

Encarei-a. Acho que deveria dizer obrigada.

Mas o simples fato dela ter falado com o meu Jake, e ainda estar toda íntima dele, fazia minha garganta queimar.

Eu tinha plena certeza que Jake não havia sido simpático com mais ninguém.

E justo a loira mais falsa e peituda da escola o chamava de Jake?

Eu estava mesmo surtando.

Jasper percebeu a mudança em meu humor e segundos depois eu estava mais calma do que nunca.

Era bom ter essa sensação. Mas eu sabia que logo acabaria. E quando eu desse por mim eu estaria com raiva da loira de novo.

-Obrigada. – eu disse cuspindo as palavras.

Ela sorriu – um sorriso BEM falso – e saiu dali.

-Você está bem? – quis saber Peter se aproximando da mesa.

-Melhor impossível. – eu disse sem ânimo algum.

-Não parece. – dei de ombros.

Jasper ainda estava mudando meu humor.

Eu não costumava ser possessiva com relação a ninguém. E muito menor ter instintos assassinos com humanos.

Sério, o efeito que ele tinha em mim era terrível.

--x—

O dia já estava se arrastando, depois do sumiço de Jake, cada minuto pareciam horas.

Fui para casa com Alice e Jasper, afinal, eu havia perdido a minha carona.

-Você quer ficar em qual das casas? – Alice quis saber.

Pensei em qual delas seria mais fácil ver Jacob.

E eu me odiei ficar pensando assim.

-Quero ver meus pais. – comentei. – Depois vou para lá.

Alice sorriu e logo estávamos parados na porta da minha casa.

Antes que eu tivesse oportunidade de entrar de fato, minha mãe estava na porta.

-Olá, mãe. – eu disse abraçando-a.

-Olá. – ela disse feliz. Alice deu um tchau de longe e ela retribuiu. –Onde está Jacob? – ela quis saber.

-Não sei ao certo. Ele teve de ir a reserva. – comentei. – Espero que esteja tudo bem.

-Ele avisaria. – ela disse sincera.

É, como ele avisou mais cedo. Eu estava rabugenta demais hoje.

-Mas isso tem um lado bom. – encarei-a. – Você passa tempo demais apenas com ele. Precisa ter uma vida.

Agora eu estava perplexa. Logo ela que, volta e meia esquecia que o mundo não era feito apenas por nós três.

-Ok, mãe. – o restinho do meu bom humor se dissipou.

Entrei em casa em silêncio. Precisava fazer algo que não envolvesse Jake.

-Olá, filha. – ouvi meu pai dizer. Sorri para ele.

Ler. Era isso, eu iria ficar a tarde toda lendo, com certeza não teria nada a ver com Jake.

Quando estava escolhendo o livro que me manteria longe de Jake, o telefone tocou.

-Alô? – eu perguntei ainda encarando a imensa estante.

-Por favor, a Nessie. – ouvi uma voz masculina dizer.

-É ela. – eu disse ainda distraída.

-É o Peter. – eu congelei ao lado do telefone.

Ótimo, agora ele me ligava também?

-Ah, Olá, Peter. – eu disse depois da surpresa.

-Oi, bem, eu espero você não se importar por eu ter te ligado, mas queria falar sobre o projeto. – ele começou. Sua voz estava trêmula.

-Hum, sem problemas. – eu disse tentando parecer normal.

-Então, o que você acha de começarmos essa semana já? – ele perguntou incerto.

-Por mim, - pensei nas coisas que teria fazer essa semana, e em Jacob é claro. – tudo bem, quer fazer hoje o trabalho? – quis saber.

Era uma boa oportunidade, eu mostraria aos meus pais que eu tinha vida além de Jake e não teria tempo para ficar pensando apenas nele.

-Hoje? – ele pareceu surpreso. – Acho perfeito. – ele disse um tanto excitado.

Ele realmente tem problemas.

-Certo. Onde você mora? – ele perguntou.

Merda. De jeito nenhum eu traria alguém para conviver com 8 vampiros.

-Nessie? – ele chamou. Engoli em seco.

-Bom, você não acha melhor fazermos em outro lugar? Como na biblioteca da escola? – quis saber.

-Ela já fechou. – ele disse rápido. – Algum problema com a sua casa? – nenhum, ah, tem o fato de minha família ter saído de histórias de terror, de resto, nada fora do normal.

-Não. – eu disse devagar.

-Então onde fica? – ele era louco.

Passei rapidamente o endereço e desliguei o telefone.

Eu tinha um problema. Eu sei que meus pais são as pessoas mais controladas do mundo todo.

Mas trazer humanos para cá poderia quebrar alguma regra. E isso era coisa que eu menos queria.

Causar problemas.

Suspirei. Subi as escadas rapidamente, precisava falar com meus pais.

-Pai? Mãe? – eu chamei entrando no quarto deles.

-Sim? – ouvi meu pai responder sabe-se lá de onde.

Contei resumidamente o ocorrido, mesmo sabendo que ele podia ver tudo pela minha mente.

-Nós somos bem controlados mesmo. – ele disse rindo.

-Pai... – agora eu encarava o chão.

-Filha, eu acho ótimo você ter contato com mais humanos, vai fazer bem a você. – ele disse levantando meu queixo.

-Você não acha arriscado ele vir aqui? – eu quis saber.

-De jeito nenhum, ele só não vai acreditar que somos seus pais. – Mas se você disser que somos seus primos, não vejo problema algum.

Às vezes eu me sentia uma idiota.

-Você não é idiota, gosto de ver que se preocupa com a gente. – ele sorriu para mim.

-Obrigada, pai. – eu disse por fim.

-E Jake? – meu pai perguntou.

-Não sei, ele avisou que teve de ir à reserva, mas mandou eu não me preocupar. – suspirei.

-E você esta se preocupando... – não respondi. E nem precisava.

Tenho certeza que, mesmo que ele não pudesse ler pensamentos ele teria adivinhado a resposta sozinho.

-Talvez eu devesse ligar para Billy. – eu disse mais para mim mesma do que para ele.

-Relaxe, Nessie. – meu pai disse naquela voz tranqüilizadora. – Se acontecesse algo ele teria ligado.

Concordei.

-Vou avisar minha mãe sobre a visita. – eu disse me recompondo.

-Vai dar certo. – ele sorriu.

Tentei sorrir de volta, mas não foi tão gracioso quanto ele.

--x—

Minha mãe adorou a idéia, segundo ela, era tudo o que eu precisava.

Leia-se: Passar menos tempo com Jake.

Peter não demorou muito para chegar, logo estávamos na mesa de jantar com vários livros e cadernos abertos.

Para meu alivio, ele acreditou bem na história, e claro, achou meus pais, quer dizer, primos, um casal excepcionalmente lindo.

Peter era uma pessoa engraçada. Tagarela demais para um garoto.

Mas era muito bem educado. No fim, era bom, eu ficava quase muda, imersa nos meus pensamentos e Peter falava por nós dois.

-Achei que o grandão estaria por aqui. – ele comentou casualmente.

Ele devia estar se referindo a Jacob.

-Ele teve de ir visitar o pai. – eu disse querendo acabar logo com o assunto.

Eu ainda estava com certa raiva. Era o segundo dia consecutivo que Jacob sumia.

-Nessie? – Peter me chamou.

-Sim? – perguntei entediada. Passar a tarde inteira fazendo um trabalho não estava me animando.

-Acha que podemos deixar isso tudo para outro dia? – eu sorri em resposta.

-Trabalhamos demais hoje. – ele concordou.

Fechei os livros rapidamente, e vinda do nada, minha mãe apareceu.

-Vocês acabaram? – ela quis saber.

-Por hoje sim. – eu disse encarando-a.

-Ótimo, vou trazer o lanche. – e saiu dali feliz.

Corei de leve, não esperava ficar mais tempo com ele.

-Sua prima é bem atenciosa. – Peter disse assim que minha mãe voltou com muita comida.

Sorri.

Ele estava se deliciando com a torta.

-Você não vai comer? – ele perguntou olhando meu prato vazio.

-Estou sem fome. – eu disse tentando parecer educada.

Ele continuou comendo, comparado ao Jake aquilo não era nada.

Se Jacob estivesse ali, minha mãe teria que fazer o dobro de comida.

Depois do lanche, – e de tagarelar MUITO – Peter foi embora.

Corri para falar com meu pai. Precisava saber se ele havia suspeitado de lago.

-E então? – perguntei.

-Ele não suspeita de nada, como eu disse. – meu pai começou. – Só diz saber da onde veio toda sua beleza. – corei na mesma hora.

-Esse garoto gosta de você. – meu pai parecia se divertir com aquilo.

-Por céus, somos amigos, pai. – eu disse como se explicasse algo a uma criança de dois anos.

-Eu sei que você não o vê dessa forma, Nessie, mas é assim que ele a vê. – corei mais ainda.

Meu pai não podia ser mais inconveniente.

Eu estava tão distraída que não senti alguém se aproximar.

Mas quando aquele cheiro invadiu minhas narinas eu quase pulei de felicidade.

-Quem vê você de forma diferente? – ele perguntou se colocando atrás de mim.

Virei rapidamente para ficar de frente a ele. Ele estava com uma aparência cansada.

Queria perguntar o que aconteceu, porque a loira-falsa o chamou de Jake e queria soca-lo por me deixar dois dias sozinha.

Mas quando ele sorriu para mim, eu sei que é meio clichê, mas eu não pude deixar de sorrir de volta.

E claro, esquecer completamente que estava brava.

-JAKE! – eu gritei seu nome. Seu sorriso ficou ainda mais largo.

-Ham, ham. – levei um susto, por um segundo havia esquecido do meu pai ali.

Minhas bochechas pinicaram. Eu precisava ser cuidadosa com meus pensamentos.

-Peter veio aqui hoje. – comentei respondendo a primeira pergunta dele.

-Quem? – ele arqueou uma sobrancelha.

-O garoto da nossa escola, que foi com a gente ao cinema. Lembra? – ele confirmou.

- O que ele veio fazer aqui? – sua voz saiu áspera.

-Trabalho. – comentei sem emoção, eu não queria falar de Peter.

-Acho ótimo Nessie ter mais amigos. – meu pai falou casualmente.

-Eu também, mas por que ele veio aqui? – Jacob estava levemente irritado.

-Porque estávamos fazendo trabalho! – ele era surdo?

-Por que não fizeram na escola? – ele quis saber.

Bufei irritada.

-Não ia dar tempo, Jacob. É um trabalho enorme. Você iria saber se não tivesse me deixado sozinha no almoço. – soltei irritada.

-Hum, vou ver se Bella precisa da minha ajuda. – meu pai disse baixinho e saiu rápido dali.

Por um minuto havia esquecido que meu pai estava ali.

-Eu pedi para aquela garota te avisar. – ele também estava irritado. – Sam precisava falar comigo. – seu tom de voz estava um pouco mais alto.

-Certo, e por isso ela te chama de Jake? – já que estávamos lavando roupa suja...

-O quê? – agora ela parecia confuso.

-Ah Jake, ela está íntima de você. – soltei ríspida.

-Não, Nessie, ela simplesmente me fez um favor. Ou melhor, nos fez um favor. – arqueei uma sobrancelha.

-Certo, vou me ajoelhar aos pés dela de gratidão. – meu timbre também estava mais alto.

-Pelo menos ela não veio até aqui. – ele disse grosso.

-Era um trabalho, e ele vai vir aqui mais vezes! – eu estava mesmo irritada.

Jake tinha o dom de me tirar do sério.

-Ótimo, me avise antes, não quero interromper nada. – e depois disso ele saiu.

Sem dizer mais nada.

Fiquei atônita. Encarei o nada durante alguns segundos.

Meu pulso estava fechado e minhas unhas pressionavam a palma da minha mão.

Eu estava com vontade de socá-lo.

Queria sair correndo, mas meus pais viriam atrás de mim.

Sentei no chão e respirei fundo. Se tinha uma coisa que eu odiava em mim era: os meus canais lacrimais eram ligados a raiva.

Era terrível, sempre que eu sentia uma fúria imensa, começava a chorar.

E logo vinham os soluços. Pensei bem alto em querer ficar sozinha, e acho que meu pai entendeu isso.

Chorei durante longos minutos, e esses pareciam mesmo horas.

Aos poucos fui me acalmando e tentando controlar meu humor.

Eu odiava mesmo ele ter esse poder sobre mim. Eu não estava tão irritada há 1 hora.

Depois de me recompor, decidi que era hora de ir fazer algo, pensei em ficar em casa, mas meus pais iriam mesmo querer conversar.

E a última coisa que eu queria era pensar em Jake.

As coisas não eram tão simples quanto pareciam. Eu precisava mesmo aprender a me controlar.

Tudo que ele fazia tinha o poder de mexer comigo.

Resolvi ir para casa, conversar com algum tio meu com certeza iria me distrair.

--x—

Alice parecia ter notado o meu ótimo humor, então ela estava fazendo de tudo para mudá-lo.

Eu havia perdido as contas de quantas histórias malucas ela já tinha contado.

Emmet se juntou a ela em pouco tempo.

E no fim, eu estava mesmo me divertindo, os dois juntos me faziam rir e até esquecer de quem eu estava com raiva.

A noite passou rápida, e quando resolvi deitar notei que estava mesmo cansada.

Tentei não pensar em Jake e nesses dias loucos. Antes as coisas pareciam bem mais simples.

Soltei um longo suspiro. Eu estava morrendo de sono, mas queria muito vê-lo.

Pensei na possibilidade de ir em casa rapidinho, mas meus tios iam notar, e meus pais também.

Ter uma família de vampiros tem muitas desvantagens.

E mais uma vez, como se ele pudesse ler meus pensamentos, ouvi-o se aproximar.

Ainda estava em forma de lobo, engoli em seco.

Se eu, a meia-vampira, estava escutando, com certeza minha família também ouvia.

Pulei da cama, se algum deles abrisse a porta – leia-se: Rosalie – eu não iria falar com ele.

Quando desci as escadas ele já estava lá dentro de casa. E pude ver que Alice e Rose discutiam se me acordariam ou não.

-Ela tem aula amanhã, você não vai acorda-la. – minha tia disse irritada.

-Eu estou sem sono. – eu disse chegando perto deles.

-Ótimo. – Rosalie disse brava, ela não era muito fã de Jake.

-Podemos falar sozinhos? – ele perguntou um tanto nervoso.

-Claro, vamos para o meu quarto. – ganhei vários olhares fulminantes.

-Vamos estar prestando atenção. – minha tia informou.

Privacidade zero.

Assenti com a cabeça. Eu estava nervosa.

-E então? – meu tom era indiferente, ou ao menos eu estava tentando.

-Sobre hoje. – ele começou.

-Sim? – ele iria se desculpar? Nesse caso eu também precisaria, certo?

-Não quero brigar com você. – agora ele me encarava. – Não quero pressionar você. – ele soltou um longo suspiro.

-Eu também não quero brigar com você. – admiti. – Não me faz bem.

-Com certeza, mas em todo caso, preciso contar a você algo. – ele disse baixando a voz.

Esperei ele começar.

-O que você sabe sobre o imprinting? – encarei-o, onde ele queria chegar?

-O que a minha mãe me contou. – ele estava sério.

-O que exatamente? – ele estava apreensivo.

Ai meu Deus, será que ele teve o imprinting com outra pessoa? Eu iria vomitar.

-Que é um laço forte, você sente isso quando vê alguém, algo ligado a boa linhagem, certo? – eu estava tremendo.

-Quase. – merda. Eu não tinha certeza se queria ouvir o resto. – Quando você nasceu, meu mundo passou a girar ao seu redor, você é o meu sol. – suas mãos seguraram as minhas. – Eu passei a ficar disposto a ser o que você precisa, em qualquer fase da sua vida. – sorri com aquilo.

-Eu sei. E fico feliz com isso. – eu sorri.

-Mas tem uma coisa. – odeio mas, depois dele quase nunca vem coisas boas. – Você não precisa ficar preso a mim.

-Onde você está querendo chegar? – as palmas das minhas mãos já estavam mais do que suadas.

-Nessie, a questão é, você tem escolha, não precisa ficar presa a mim pra sempre, entende? – ele estava querendo que eu desse um fora nele?

Por Deus, será que era mesmo tão difícil de entender? Homens!

-Jake. – eu comece. Ele fitava o chão. – Olhe, eu já fiz a minha escolha. – ele olhou para mim.

-E? – ele perguntou.

-Tenho mesmo que responder? – suspirei e andei em sua direção.

Ele segurou firme minha cintura e me beijou.

Não me importei muito com o fato de 6 vampiros estarem no andar de baixo.

Ficar nos braços de Jake era incrível, eu estava segura e nada mudaria isso.

-Vamos ter que aprender a controlar nossos ciúmes. – ele disse soltando-se de mim.

Encarei-o.

-Eu não estava com ciúmes. – eu disse séria.

Ele começou a gargalhar.

-Teimosa. – ele disse por fim e me beijou rapidamente.

Escutei um rosnado vindo do andar de baixo.

-Não temos privacidade. – bufei nervosa.

-Está tarde. – ele comentou. – Vai fazer alguma coisa amanhã a tarde? – ele perguntou, seus braços ainda estavam em minha cintura.

-Pretendo ficar grudada em você. – comentei casualmente.

Ele sorriu.

-Billy vai pescar amanhã, você poderia ir comigo para a reserva. – tinha excitação em sua voz.

-Privacidade? – perguntei.

Ele sorriu maliciosamente.

- Com certeza. – sorri de volta.

Ele me deu um último beijo de boa noite e saltou pela minha janela.

Todo o meu sono havia se dissipado, mas eu me forçaria a dormir.

Precisava estar bem disposta amanhã.


N/a eu sei, sou uma grande vaca! Mas além da faculdade, estágio, espanhol, to estudando que nem louca pra um concurso público :p to quase sem vida! x.x E como eu disse, nem no trampo dá mais pra usar ;-;

mas ta ai pra compensar o atraso e prometo que no próximo as coisas esquetam hahahahaha (6)

bom, EU AMEI OS COMENTÁRIOS! E nãao seria nada sem eles, de verdae... vou responder a todos no próximo cap. ok?? comentem mais que eu me animo mais... BRIGADA MESMO, FLORES!!!!

BEIJONES:*

FLORA SLY