9. O despertar
Demorei muito a reagir aos acontecimentos da noite, a sensação de que o universo conspirou para me ajudar me paralisou de tal modo que não lembrei que estávamos no meio do nada e eram quase duas da manhã, por um tempo a única coisa que pensava era no que tínhamos acabado de vivenciar e na sensação de sua mão na minha.
Mas o ar estava frio, não podia controlar isto, de modo que o encanto teve que acabar quando a senti tremer ao meu lado e me dei conta de que eu também morria de frio. Pus meu paletó sobre seus ombros e a olhei por um instante, com a pele pálida e os lábios brilhantes.
- Vamos? – Perguntei.
- Só me dê mais um segundo...
Ela se levantou e deu uns passos ainda olhando o céu, sorria, era o melhor sorriso que via em dias; ficou em silêncio uns instantes e esperei, parado a alguns passos dela. Seu corpo contra a luz do céu era uma bela imagem, talvez por isto ficasse ali a admirando por tanto tempo, logo ela percebeu meu olhar e me sorriu.
Aproximou-se até ficar apenas a uns centímetros de mim, sem deixar de sorrir. Nossos olhos se encontraram por alguns segundos e logo me beijou, apaixonadamente, nos abraçamos e beijamos sem pensar em mais nada. E cada vez que ficava sem ar se afastava brevemente e voltava a me beijar.
- Podemos ir. – Disse finalmente soltando-se de mim e caminhando para o carro.
Não estava totalmente certo de que tínhamos nos reconciliado, ainda que a noite tenha sido mágica. Voltamos em silêncio, o sono ainda não nos alcançara, porém não demoraria. Seguíamos de mãos dadas, mas sem falar. Temíamos que as palavras destruíssem a atmosfera irreal que se criou com a chuva de estrelas.
Chegamos em DC quase as quatro da manhã, as ruas estavam vazias, o silêncio era notório e estávamos francamente cansados. Há meia hora Emily repousava a cabeça em meu ombro meio adormecida. Estacionei para deixá-la em casa.
- Ei, bela adormecida, chegamos. – Sussurrei em sua orelha.
- Hummm... Já vou. – sussurrou.
- Terei que te carregar?
- Tentador, mas já vou. – Respondeu bocejando.
Saímos do carro juntos, sem nos dar conta que nossas mãos estavam novamente unidas enquanto caminhávamos. Chegamos à porta sem pensar no que aconteceria depois, não tínhamos estabelecido nada; andamos de mãos dadas e nos beijamos, mas isto não era determinar o fim da briga. Não tínhamos voltado oficialmente. Abriu a porta e me convidou a entrar, a segui mantendo a distância, ainda não me sentia seguro.
- Quer beber algo? – Ofereceu.
- Não, é muito tarde ou muito cedo para beber, depende do ponto de vista. – Sorri.
- Tem razão. – Falou bocejando.
- É melhor que vá dormir, está tarde. Vou indo...
Ela pareceu se assustar com isto, como se tivesse dito algo estranho. Eram quatro da manhã, estávamos sozinhos e algo tinha mudado, mas parecia que era eu que não estava entendendo direito.
- Fique Hotch.
- Pensei que... Não estava certo de que...
- Não diga nada, - sussurrou se aproximando. – apenas fique, as coisas mudaram, não? Você fez algo incrível por mim esta noite, agora só quero que faça outra coisa incrível e nunca mais vá embora.
Não precisei responder, não precisou pedir novamente, não restava nada a ser dito, não havia mais desculpas a serem dadas. Demorou, mas voltamos a ficar bem, a estar juntos e isto era o mais importante. Dormi em sua casa, sem acordos extras e nem palavras, nos abraçamos e dormimos.
Acordamos quando o sol estava alto. Acordei primeiro e nunca esquecerei o quê senti quando a vi abrir os olhos. Não sabia que hora era, nem sabia quanto era sonho e quanto era real, talvez não existisse esta fronteira para o que estava acontecendo. Somente sabia que não procurava a felicidade porque já a tinha encontrado... Em seus braços.
FIM
N.A: Espero que tenham gostado, obrigada a todas as maravilhosas pessoas que leram esta história e mil graças aquelas que deixaram reviews. Beijos!
N.T: Está sendo um prazer traduzir as fics da Petit Nash! Todos os comentários deixados são repassados a ela, que está muito feliz com eles. Obrigada!
