Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 8

Na manhã seguinte, Edward acordou com os sons que vinham do toalete.

— O que está fazendo? — indagou ele.

— Procurando um par de meias. Pode soar chocante para você, mas não sou uma das pessoas mais organizadas do mundo.

Edward piscou várias vezes para livrar-se do torpor do sono.

Ela já estava vestida e, com o curativo branco na cabeça, parecia pálida. Bella atou os cabelos em um rabo de cavalo frouxo, deixando algumas mechas lhe caírem pelos ombros.

— Aonde vai?

— Trabalhar.

Ele a fitou, incrédulo. Não se chocava com facilidade, mas aquela mulher, dona de um olhar no qual qualquer mortal poderia se perder e de um beijo que o tirava do prumo, conseguia atordoá-lo a todo instante.

— Não pode estar falando sério.

— Por que não?

— Por que não?! — repetiu ele. — Por que teve uma concussão e levou cinco pontos!

— Estou ótima. Apenas com um pouco de dor de cabeça.

— O médico recomendou que descansasse.

— Vou descansar.

Edward sempre teve pressão baixa, mas naquele instante a sentia ir às alturas.

— Está bem. Que tal começar não indo trabalhar, já que dá última vez que o fez, quase teve a cabeça arrancada? E um dia antes disso, alguém tentou praticar pontaria em você com uma arma de fogo?

— E errou — argumentou Bella. — Estive pensando sobre isso. Por que não acertaram? — O coração de Edward pareceu falhar uma batida, ante ao pensamento de a bala ter atingido o alvo, cravando-se em qualquer ponto daquele corpo que amava. — Acho que erraram de propósito. — Inclinando-se em direção ao espelho, aplicou o batom.

Pela cor devia ser sabor pêssego, pensou ele.

— Talvez tenha tido sorte. — A voz masculina soava um tanto rouca. Passara muito tempo sem envolver o maldito coração em suas relações e Bella o havia conquistado em questão de dias.

— Aí é que está. Não tenho tanta sorte assim. — Comprimiu os lábios para espalhar o batom. — Nunca tive. — O olhar de Bella se fixou no dele através do espelho. — Está acompanhando meu raciocínio?

— Alguém está querendo assustá-la. Mas temos um plano.

— Uma lista não é um plano.

— Conversar com todos que estão nela é.

— Conversar? Era isso o que estava fazendo quando ergueu Alan pelo colarinho?

Edward nunca fora do tipo valentão. Essa parte pertencia a Jasper e a Emmett também, quando necessário. Sempre fizera o papel do irmão do meio. O pacificador. Contudo, não se sentia daquela forma no momento.

— Eu o farei custe o que custar.

Bella o encarou, deixando escapar um suspiro exasperado.

— Está sendo um amigo e tanto.

— O que quer dizer com isso?

— Nada que alguém do sexo masculino entendesse. — Suspirou outra vez. — Acha mesmo que devo conversar com meus irmãos adotivos?

— Diabos, sim! Claro que nós devemos.

Bella continuou a fitá-lo percebendo o uso do nós.

— Tem algum voo marcado para hoje?

— Só uma ida a Vegas. Podemos partir depois dele.

Ela suspirou mais uma vez.

— Eu o encontrarei na Sky High mais tarde, então.

— Após ir trabalhar?

— Sim.

Edward sentiu uma veia lhe pulsar na têmpora.

— Bella...

— Escute, não deixarei que aquele bastardo, ou quem quer que seja mude minha vida. Não perderei minha promoção por medo de ir trabalhar.

— Está se colocando em perigo.

— Não estou. Confie em mim. Não serei como a mocinha idiota dos filmes de terror, mas vou viver minha vida.

— Sozinha.

— Parece a única opção no momento.

— Está brincando? Estou aqui, Bella e acho que tenho estado quando precisa, mas é como se tivesse construído uma barreira entre nós.

— Não. Eu permiti que entrasse em minha vida.

— Após eu bater insistentemente à porta, diga-se de passagem, mas estou cansado de insistir.

Bella congelou onde estava.

— Acho que tenho o hábito de me virar sozinha. Sempre foi melhor assim.

— É mesmo? Porque até onde sei não está sendo muito bom.

— Quer ir comigo a Tahoe? Quer mesmo fazer isso?

— Maldição, sim!

— Mesmo que sejamos quase estranhos?

O comentário o deixou aborrecido, porém, Edward conseguiu disfarçar com um sorriso cínico.

— Eu diria que nos conhecemos muito bem.

A face de Bella corou de pronto.

— Nossos corpos, talvez.

— Sim. Conheço seu corpo. Todos os detalhes sobre ele. Sei, por exemplo, que gosta quando sussurro em sua orelha. Quando lhe dou mordidas leves em seus seios e...

— Edward...

— Sei também como fazê-la estremecer e sussurrar meu nome quando está próxima de atingir o clímax. Sei exatamente... — Ele se inclinou, encostando os lábios à orelha de Bella, satisfeito ao perceber lhe a respiração alterada. — Como fazê-la se abrir para mim.

— Edward...

— E sabe qual é minha parte favorita? A forma como sussurrou meu nome. Excita-me toda vez que o faz. — Bella ofegou. — Mas conheço-a mais do que isso. Sei que se importa com as pessoas. Que é orgulhosa e vive de maneira frugal para manter o emprego que ama em vez de reclamar de sua herança. Sei também que tem um hábito exótico em relação às roupas íntimas, pelo qual sou muito grato.

— Isso não é verdade! — retrucou ela, com a face rubra.

Edward deixou escapar uma risada rouca e, com o dedo indicador, puxou a blusa de malha que ela trajava para baixo para que pudesse provar o que estava dizendo.

— Oh, extremamente agradecido.

Bella lhe arrancou a mão da blusa, porém os olhos grandes estavam repletos de sensações que o fazia ansiar por tomá-la nos braços.

— Conheço você, Bella. Sei que ama sorvete e filmes de aventura, que detesta voar, mas que pode abrir uma exceção para um certo piloto.

Bella virou de costas.

— Não tenho outra opção.

— Não esperava que você tentasse fugir.

Ela voltou-se para encará-lo, apontando um dedo em sua direção.

— Eu lhe disse que não queria isso. Sem compromisso, lembra?

— Apenas sexo.

— Isso mesmo.

Edward meneou a cabeça, não contendo o riso.

— Tem ideia de como é irônico para mim o fato de ser você a não querer se envolver? — E massageando as têmporas. — Isso seria um prato cheio para Jasper.

— Edward...

— Não, tudo bem. Entendi.

Bella deixou escapar um profundo suspiro e anuiu antes de pegar a bolsa. Em seguida, aproximou-se dele, colocou uma das mãos no peito musculoso e lhe depositou um beijo leve nos lábios.

— Até logo.

Quando Bella se voltou, Edward a segurou pela mão e a puxou de volta, antes de capturar lhe os lábios em um beijo profundo, quente e úmido, que a fez ofegar e cravar as unhas no tecido da camisa, enquanto deixava escapar gemidos de prazer. Só então, ele se afastou.

— Isto... é um até logo, Bella.

Levando as mãos aos lábios, ela o fitou com um olhar sonhador que o faria ganhar o dia não fosse o fato de aquela mulher o levar à loucura.

Com a bolsa em uma das mãos e os óculos de sol na outra, Bella relanceou o olhar à cama. Desejava voltar para lá em companhia de Edward, mas não o fez.

No caminho para a Sky High, Edward telefonou a Patrick que, como de costume, não foi de grande utilidade. A polícia não havia descoberto nada. Bella alegara ter visto um corpo em frente à Sky High, mas nenhum fora encontrado. Em seguida, afirmara ter o apartamento invadido e mais uma vez, nenhuma evidência. De fato, fora alvejada por balas, porém sem motivo aparente e nenhum suspeito.

Edward, contudo, não acreditava em coincidências.

Quanto ao acidente no trabalho de Bella, não existia nenhuma prova a favor dela. A polícia trabalhava com a versão de que Bella tropeçara sobre si mesma, além de mais uma vez não existir evidência do corpo que ela sustentava ter visto no armário.

Fim de linha. Para a polícia, o único perigo que Bella enfrentava era ela mesma.

Frustrado, Edward entrou na Sky High, pegou o programa de voo e se encaminhou à pista para proceder à verificação do avião antes da decolagem. Encontrou Jasper no caminho. O amigo estava atarefado e sujo de graxa, próximo a um modelo King Air antigo.

— Lindo! — elogiou Edward.

— Eu sei. Acho que me apaixonei — afirmou Jasper, acariciando a carcaça de metal como um amante. — O que acha?

— Está à venda?

— Sim. O proprietário está lá dentro.

Ambos volveram a cabeça para olhar através do vidro da janela para o lobby. Alice, parecendo esplendorosa, encontrava-se inclinada sobre a mesa, sorrindo para um homem bem-vestido que aparentava pouco mais de quarenta anos. Ele falava e gesticulava, sorrindo para Alice que segurava um bloco em uma das mãos.

O homem, evidentemente encantado, inclinou-se para frente e lhe disse algo que a fez dar uma gargalhada.

Jasper franziu o cenho.

— Que, diabos, aquele imbecil está dizendo a Alice?

— Algo divertido.

— Está flertando com ela!

— Nossa! É melhor fazer algo para acabar com isso, como por exemplo, beijá-la ou coisa parecida.

Jasper o fitou como se ele fosse insano.

— Por que deveria beijá-la?

Edward ergueu uma sobrancelha, mas quando percebeu a expressão de culpa estampada na face do amigo, concluiu o óbvio.

— Deus do céu! Você já a beijou.

Jasper enfiou as mãos nos bolsos e chutou o chão, como um adolescente pego em alguma traquinagem.

Edward deu uma risada.

— Você beijou.

— Não comente isso com ninguém.

— O que aconteceu? Alice o enfeitiçou?

— Não me faça socá-lo.

— Bem, você pode tentar, mas depois como irá explicar a Alice que socou seu piloto favorito?

— Não é o favorito dela.

— Sou sim.

— É um idiota, isso sim.

— Pode ser, mas o idiota que Alice prefere.

— Se ela o prefere por que me beijou? As sobrancelhas de Edward se ergueram de novo.

— Então aconteceu mesmo?

Jasper deslizou as mãos pelos cabelos e girou em um semicírculo.

— Acho que ela fez isso porque estava zangada comigo. Tentou apenas provar alguma coisa.

— E provou?

O amigo recostou a fronte ao metal frio do avião.

— Não sei.

Edward exibiu um sorriso largo e começou a cantar uma canção do tempo de escola:

— Alice e Jasper se beijaram...

— Cale a boca, seu bastardo! — repreendeu-o Jasper, empurrando-o.

Edward se deixou cambalear alguns passos para trás, rindo divertido.

— Quer comprar esta belezura? — inquiriu, volvendo o olhar ao aeroplano.

— O preço é exorbitante, mas acho que podemos baixá-lo.

Edward esticou a cabeça para dentro do compartimento do motor, observando-o de perto.

— Eu casaria com esta máquina.

— De jeito algum. Vi primeiro.

Edward encarou o amigo de todo uma vida. O irmão de coração.

— Por que fugimos de compromisso com mulheres como loucos e esse simples aeroplano consegue derreter nossos corações?

— Diabos! Não tenho ideia.

Edward anuiu e suspirou.

— Não prestamos.

Jasper deu de ombros.

— Pelo menos reconhecemos nossos defeitos.

— Acha que as mulheres poderiam aceitá-los?

Jasper volveu o olhar a Alice e meneou a cabeça.

— Não se forem espertas.

Naquela tarde, Bella entrou no prédio da Sky High. O lugar não lembrava em nada aquele em que se dera a festa da mãe. Sem nenhum enfeite e, o mais importante, sem pessoas mortas, pensou com os nervos à flor da pele.

Como permitira que aquilo acontecesse? Detestava voar. Por que o deixara convencê-la? Aquele homem era um sedutor, e dos piores, mas não tardava muito e voaria para fora de sua vida e...

— Olá. Bella Swan, não?

Ela volveu o olhar à esplendorosa mulher atrás da ampla mesa da recepção e, de imediato, descobriu-se ajeitando os cabelos revoltos e alisando o tecido da blusa para abrandar as rugas, porém, ciente de que aquilo deixaria em evidencia a mancha de catchup abaixo do seio, um resquício do prato de batatas fritas ao qual não resistira no almoço.

— Sim, sou Bella Swan.

— Prazer em conhecê-la — cumprimentou aquela visão trajando calça preta, botas de cano alto e um suéter prata que parecia cobrir uma modelo. — Sou Alice, a assistente de Edward. Eu a vi na festa na outra noite.

— Oh! — Bella tentou se lembrar, mas aquela noite lhe vinha à lembrança como um nevoeiro e era inútil tentar.

— Com Edward — esclareceu Alice em tom neutro, porém, Bella percebeu que ela sabia que os dois tinham passado muito tempo no almoxarifado.

Ora, Edward, decerto, passava muito tempo com todo o tipo de mulher e em vários lugares. Alice já deveria estar acostumada.

Como que para confirmar o pensamento de Bella, Alice exibiu um sorriso indulgente.

— Ele mencionou que viria procurá-lo. Voarão para Tahoe esta tarde. Têm sorte de a tempestade ter se afastado. O tempo está bastante claro por lá.

— Ah, que ótimo.

Alice inclinou a cabeça para o lado.

— Você está bem? — questionou, percebendo o nervosismo de Bella.

— Oh, sim, estou.

— Tem medo de voar, não?

Bella deixou escapar um profundo suspiro.

— Pavor.

Alice lhe dirigiu um sorriso compreensivo no mesmo instante em que o telefone tocou.

— Sky High Air, em que posso ajudar? — atendeu, voltando o olhar à pista, gesto que Bella imitou.

Edward e outro homem estonteante belo estavam observando um avião.

Alice meneou a cabeça.

— Desculpe, Tânia. Edward está escalado para outro voo no momento, porém, Emmett está livre. Ele terá imenso prazer em levá-la. Sim, direi a Edward que telefonou. — E desligando o aparelho, completou: — Ou não. — Observando a expressão de Bella, sorriu maliciosa. — Não se preocupe. Costumo mentir apenas para pessoas obsessivas por um de meus chefes. Onde estávamos? Ah, sim. No seu pavor de voar. Se estiver interessada, tenho a cura para isso.

— Tem?

— Tenho. — Alice a conduziu até ao final do lobby, onde havia um pequeno lounge com um bar, tão sofisticado e elegante quanto o restante do terminal aeroviário. De lá, retirou uma garrafa e dois copos.

— Ajudaria se lhe dissesse que Edward é um excelente piloto?

— Ele é excelente em muitas coisas — murmurou Bella.

— Sim, é. Foi a influência dele junto aos investidores que projetaram a Sky High, sem mencionar o jeito que tem para lidar com os clientes. Envolve a todos com seu charme.

— Ele não é o bon vivant que aparenta ser, não é mesmo?

Alice exibiu um sorriso luminoso. — Que bom que consegue ver através daquele ridículo verniz de playboy do qual ele lança mão para se proteger.

— Proteger-se de quê?

— De ser magoado, claro.

Claro. Porém, não fora ela a se proteger? Não havia razão para Edward se proteger se não investira nada, pensou Bella, tentando convencer a si mesma.

— Sente-se — sugeriu Alice, colocando um dos copos em frente a ela.

— Este lugar é mesmo bastante agradável — elogiou Bella, olhando a sua volta. — Sofisticado, porém, acolhedor.

— Obrigada. — E ante o olhar inquisitivo de Bella. — Sempre tive uma paixão secreta por decoração de interiores. Os rapazes deixaram que dessa vazão a este meu lado inexplorado. — E erguendo a garrafa. — Irá ajudá-la quando estiver a bordo.

— Um duplo, por favor — pediu Bella.

— É o voo ou Edward o causador dessa expressão em seu olhar?

— O voo — mentiu Bella, sorvendo a bebida de um só gole. — Não. É Edward... o voo... Deus! — Cobriu o rosto com as mãos quando Alice soltou uma gargalhada. — Não tenho ideia. Os homens são como quebra-cabeças, não? E às vezes perdemos algumas peças.

Alice reabasteceu o copo de Bella.

— Gostei de você. Saúde!

— Quer que eu acredite que tem problemas com homens?

— Querida, você não tem ideia.

Bella estudou-a por alguns instantes, percebendo a dor refletida nos belos olhos. Alice ergueu a taça e brindou.

— Saúde.

Ambas olharam para a pista, onde os dois belos homens conversavam. Após suspirar, Alice tornou a encher os copos de ambas.

— Aos homens tolos e maravilhosos e às mulheres que os amam.

Bella se engasgou com a bebida.

— Oh, não, você não entendeu. Não estou apaixonada por Edward. Não é amor.

Alice se limitou a fitá-la enquanto ela sorvia todo conteúdo do copo, voltando o olhar mais uma vez à pista.

— Maldição. Isso dói.

Alice repôs mais uma vez a bebida no copo de Bella.

— Acredite, eu sei. Acabei de dispensar um excelente partido porque vivo babando por um idiota que nunca me convidou para sair.

— Sabe qual é o problema dos homens? — indagou Bella, sorvendo outro grande gole da bebida. Sentia-se aquecida. — É que eles não conseguem nos entender. Ui! — O mundo pareceu oscilar ao redor. Escorregando do banco, Bella caiu no chão.

Alice esticou a cabeça, preocupada.

— Você está bem?

Bella sorriu, ruborizada.

— Sim. — Ergueu-se e pegou o copo, estendendo-o em direção a Alice. — Mais uma dose, por favor. Talvez assim esteja preparada para o voo e para aquele piloto deslumbrante.

— Piloto deslumbrante? — inquiriu Edward, da soleira da porta, parecendo surpreso.

Bella deslizou as costas das mãos pelos lábios e deu um passo à frente, tropeçando no próprio pé. Todavia, antes que atingisse o chão, os braços fortes do deslumbrante piloto se esticaram para ampará-la.

Ela deu uma gargalhada e lhe envolveu o pescoço com os braços. Edward era tão alto, quente... sexy!

— Olá.

— Olá para você também. — E lhe sentindo o hálito, volveu um olhar furioso a Alice. — Ela está bêbada.

— Não muito — afirmou Bella em tom agradável. — Você é tão lindo — insistiu, emoldurando lhe a face com ambas as mãos. Edward não havia se barbeado. — Muito, muito, muito lindo.

— E você está muito embriagada. Por acaso, tomou a medicação para a dor hoje?

— Claro. O médico insistiu, lembra?

— Sim. Lembro-me também de quando disse que não podia misturá-la com álcool.

Bella piscou várias vezes para focá-lo.

— Não importa — garantiu ela, piscando para Alice. — Assim, estou pronta para voar. O que está esperando? Ou quer que eu pilote?

— Desta vez serei eu a fazê-lo.

— Está bem — concordou Bella, bocejando. — Acorde-me quando chegarmos.

Alice observou Edward carregá-la para a pista, constatando o óbvio. O resistente Edward havia se apaixonado assim como Bella obviamente se apaixonara. Não pôde evitar uma pontada de inveja.

Sentindo a cabeça rodar, apoiou-a sobre a mesa do bar. Não tinha ninguém para carregá-la. Encontrava-se completamente só. Suspirando ergueu a cabeça e descobriu que não estava tão só quanto pensara.

Jasper se encontrava parado no mesmo lugar em que Edward estivera há pouco.

Observando-a. Alice ergueu o queixo, tentando parecer sóbria.

— O que posso fazer por você?

Não haviam se falado desde o pequeno "incidente". Na verdade, desde aquele dia, Jasper parecia evitá-la.

No momento, contudo, os olhos escrutinadores pareciam perceber a situação ao pousarem na garrafa de bebida quase vazia. Os músculos da mandíbula do piloto se contraíram.

— Pensei que não bebesse.

Sim, exceto quando a coragem parecia lhe faltar.

— Estou fora de meu horário de trabalho.

— Estou vendo.

Alice se ergueu, guardou a garrafa e lavou os dois copos, ciente do olhar de Jasper fixo nela. Começou a se encaminhar à porta para pegar a bolsa antes de chamar um táxi, mas deparou com um dilema. Jasper se encontrava recostado lá e não se moveu com sua aproximação. Se continuasse a caminhar teria de esbarrar nele.

Queria esbarrar nele, aliás, nele todo. Despido.

Porém, sabia que devia ser o efeito do conhaque que a fazia pensar daquela forma.

— Se me der licença — começou Alice se movendo em direção a ele, certa de que Jasper se afastaria para ela passar.

Ledo engano. O bastardo permaneceu onde estava e quando Alice ergueu a cabeça para fitá-lo, ele arqueou as sobrancelhas.

Em vez de recuar, Jasper deu um passo à frente, fazendo com que os corpos de ambos se tocassem. Da mesma forma que se encontravam da última vez em que se beijaram.

Um beijo como nenhum outro e que Alice ansiava por repetir.

— Você está em meu caminho.

— Não acha que deveríamos conversar sobre isso?

— Sobre Edward e Bella?

— Não — retrucou ele, encostando-a a porta e lhe emoldurando a face com as mãos. — Sobre o beijo — esclareceu, com os lábios a milímetros dos dela.

Alice umedeceu os lábios, fitando a boca tentadora.

— Acho que não é uma boa ideia no momento.

— Tem certeza? Somos patrão e funcionária — murmurou ele. — Acho que não é ético de minha parte deixar que isso aconteça.

Oh, Jasper temia que ela o processasse por assédio sexual! O que era curioso, pois fora ele a ser assediado.

— Não se preocupe. Não significou nada.

Ele a fitou diretamente nos olhos e Alice desviou o rosto, pois não se sentia capaz de lhe sustentar o olhar que suscitava uma miríade de sensações em seu corpo.

Praguejando, Jasper se afastou e virou de costas.

— Pegue suas coisas. Vou levá-la para casa.

— Não há necessidade de...

— Pegue suas coisas.

Alice obedeceu, passando pelo salão e observando o próprio reflexo no espelho. Olhos brilhantes, face corada e mamilos enrijecidos.

Ele notara, claro. Obviamente a reação de seu corpo o assustara. Decidida, pegou a bolsa e marchou à frente dele, desejando que Jasper estivesse observando suas curvas e amaldiçoando-se por ser tão estúpido.

Edward carregou-a pelo saguão. Uma mecha de cabelos de Bella se encontrava grudada em seus lábios. O corpo demasiado macio e quente contra o dele.

— Edward?

— Sim?

Bella sorriu e lhe envolveu o pescoço com as mãos.

— Já lhe disse que adoro quando me carrega? — Apesar do hálito de conhaque Edward ansiava por beijá-la. — Também gosto quando me olha como se eu fosse alguém especial.

— Você deve mencionar isso quando estiver sóbria.

— Por quê?

— Porque quando está em seu juízo perfeito não me aprecia tanto, a não ser na cama.

O sorriso de Bella desapareceu.

— Então devo ser uma estúpida quando sóbria.

Edward utilizou o pé para abrir a porta que dava para a pista. Uma rajada de vento os atingiu e ele se inclinou para protegê-la, o que fez a face de ambos quase se tocar. Bella suspirou, sonhadora.

— Muito estúpida.

Ele a carregou até o Cessna que estava pronto para decolar. Dentro do aeroplano, Bella deslizou o olhar a sua volta.

— É pequeno — comentou num fio de voz.

— E um avião de seis lugares — explicou Edward, estendendo uma manta leve sobre ela.

— O que está fazendo?

— Acho que nas suas condições é melhor que durma durante o voo.

Bella cobriu os olhos com as mãos.

— O que foi?

Ela retirou a mão, atingindo-o com toda a potência de seu olhar.

— Está preparado para a verdade? — sussurrou.

Não, pensou Edward, mas ao responder disse apenas:

— Sim.

— Está me assustando mais do que este voo.

— Eu? Por quê?

— Por que... — Bella meneou a cabeça.

— Acho que não estou preparada para isso.

— Continue.

— Por que não me disse que a Sky High só existe por sua causa?

— Porque não é verdade.

— Foi o seu dinheiro que a tornou possível.

— Sem ele teríamos encontrado outra coisa para fazer.

— E você que lida com todos os clientes e que os trouxe para a empresa.

— Sou o diretor operacional. Sabe disso.

— Você é a Sky High Air.

Edward meneou a cabeça.

— Por que estamos tendo esta conversa?

— Porque não é quem pensei que fosse. Um playboy boa-vida que dorme com qualquer mulher que tenha um sorriso bonito. É mais... muito mais e não sei como lidar com isso.

— Não está fazendo sentindo. A princípio não me queria por pensar que eu fosse esse tipo de homem e agora está furiosa porque não sou?

— Quer saber de uma coisa? — falou Bella, rolando para o lado. — Não me dê ouvidos.

— Combinado. — Erguendo-se, Edward se afastou, satisfeito por não ter de continuar aquela conversa. Estava prestes a se humilhar pedindo-lhe que aceitasse ter um relacionamento mais sério com ele. — Tenho de fazer a verificação da aeronave antes de decolar. Fique aqui.

Agradecendo a brisa fresca, desceu do avião e deparou com uma sombra se avolumando a seu lado. Era Tânia que se aproximava.

Ela possuía um jato particular que ficava estacionado no hangar da Sky High, portanto, era natural que estivesse ali.

O que não era normal era o fato de Tânia estar ali e Alice não tê-lo avisado com antecedência.

Todavia, não podia se esquecer de que Alice dividira a garrafa de conhaque com Bella.

Tânia exibiu um sorriso luminoso. Uma loira alta, esguia e esplendorosa que abandonara recentemente a carreira de modelo para alçar voos mais altos. Tão bela que fizera Edward sair com ela duas vezes e apreciar o tempo que passaram juntos.

No entanto, fora a ambição de Tânia em possuir um anel de diamantes no dedo anular esquerdo que o afastou. Além disso, não fora capaz de fazê-lo ansiar e, por certo, nunca lhe deixara a sensação de completa paixão como a mulher que se encontrava dentro do Cessna.

— Mudanças de planos — anunciou Tânia. — Tenho de voar para San Diego.

— Não posso.

Ela arqueou uma sobrancelha, tomada de surpresa.

— Não pode?

— Não. Não falou com Alice?

— Ela me disse que você estava escalado e que Emmett poderia me levar.

— Ótimo. — Edward pegou o telefone celular do bolso. — Vou verificar como está o status de sua decolagem.

— Mas eu quero que você me leve... — Tânia deteve-se, inclinando a cabeça e focando algo atrás dele. — Olá. Quem é você? Uma funcionária da Sky High?

Bella enfiou a cabeça para fora do avião.

— Não. Eu não gosto de aviões.

Edward suspirou, exasperado e, quando Bella desceu para a pista, apresentou as duas.

— Então é uma cliente? — indagou Bella.

— Você é... — Tânia voltou a olhar a Edward. — Namorada dele?

— Acho que não — retrucou Bella. — Disse a ele que não queria namorar e Edward acreditou. Estamos apenas... bem... não estou certa do que somos.

Atordoado, Edward sentiu o olhar de Tânia cortar lhe a pele.

— Vou telefonar para Emmett.

— Não é necessário. — retrucou Tânia. — Eu o encontrarei. — E voltando o olhar a Bella. — Boa sorte com ele. Precisará — dizendo isso, girou nos calcanhares e se afastou.

De imediato, Bella se voltou para encará-lo.

— Tem um jeito especial com as mulheres.

Antes que Edward pudesse responder, ela subiu os degraus da escada do aeroplano e, tropeçando no último, esparramou-se no assoalho com um baque surdo.

Edward se precipitou pela escada e deslizou o olhar pelo interior da aeronave.

Bella se encontrava deitada de costas, acenando com uma das mãos.

— Fiz de propósito.

Deixando escapar um profundo suspiro, ele a ergueu, acomodando-a na poltrona.

— Gosto dele — afirmou Bella.

— De quem?

— Do homem que realmente é.

Edward se limitou a observá-la com o coração apertado.

— Devia mostrá-lo mais vezes.

Em seguida, soltou uma risada baixa e fechou os olhos, adormecendo.

Bella ainda dormia quando o jato pousou em Tahoe. Edward se encaminhou ao lobby, providenciou uma bandeja de comida da cafeteria e voltou ao Cessna.

Ao vê-lo entrar no avião, Bella ergueu a cabeça e fez uma careta, levando as mãos ao rosto.

— Já amanheceu?

— São sete horas da noite. Com está sua cabeça?

— Concussão e ressaca não é uma combinação agradável.

Pousando a bandeja ao lado dela, Edward observou um tanto divertido quando os imensos olhos castanhos se dilataram.

— Hambúrguer com batatas fritas?

— Todo seu.

Bella devorou a refeição. Ao terminar, inclinou-se para trás e suspirou, satisfeita.

— Obrigada. Tem talento para ser um namorado atencioso. — Nunca tivera, pensou ele. Sempre fugira de compromissos durante toda sua vida. — Oh, desculpe-me. Esqueci que é avesso a relacionamentos duradouros.

— Bella...

— Não, tudo bem. O que faremos agora? Alugaremos um carro?

— Alice já providenciou um para nós. Bella...

— Não há necessidade de explicações. Vamos embora — sugeriu ela, contornando a poltrona de Edward com cuidado para não tocá-lo.

Esses dois não tem jeito mesmo. Será que nessa viagem vão encontrar alguma pista?

Respondendo os reviews:

MandaTaishoCullen: Não é a Renée. Apesar de acusar a filha de ser maluca, ela não faria isso com a Bella. Beijos.

lais: Muito obrigada pelos elogios. Fico feliz que esteja gostando! Beijos.

ginamweasley: Não foram eles dois. Obrigada por comentar! Beijos.

lollita-san: Não é um inimigo da família, é apenas da Bella. Ela, sem perceber, se tornou alvo de alguém. Beijos.

Ninguém acertou nos palpites, e capítulo que vem já vai ser revelado quem é. Se alguém acertar, vou postar um capítulo a mais. Beijos e até quarta-feira.