"É uma idéia muito idiota, House." - Ela gritou para ele enquanto passava delicadamente entre dois manequins despidos e se dirigia à seção de vestidos.

Ele surgiu de trás de algumas roupas, abraçando por trás, os braços espalmados pela cintura dela, apertando-a contra si. Ela deu um pequeno riso e ele sugou lentamente o lóbulo da orelha dela, fazendo o pescoço dela arquear-se em prazer.

"Será que você não pode me dar o benefício da dúvida nesse caso, Cuddles?"

Cuddy virou-se afim de olhá-lo nos olhos, mas algo manteve sua atenção por cima do ombro dele. Era o vestido perfeito. House percebeu que ela estava concentrada em outra coisa e lentamente girou a cintura para ver o que podia ser tão interessante. Ele viu o vestido, e seu semblante se tornou uma careta de total indignação.

"Ah não, Cuddy!"

"É absolutamente perfeito. Vou levá-lo!"

"Não! Não, vamos levar outro. Quem sabe um modelo novíssimo da Dior ou um Dolce? Ou um Valentino? Eu compro meia dúzia deles para você."

Ele adoraria vê-la naquele vestido, ele se ajoelharia aos seus pés ao vê-la daquele jeito, mas ele não conseguia lidar com a idéia de todos os homens presentes naquela festa tendo a mesma visão que ele. Era desconfortante. Era irritante.

"Eu quero levar esse." - Disse ela, enquanto retirava a peça do cabide.

Batalha perdida, tempo de pechinchar o empate.

"Então prometa que vai me ajudar com a minha pequena brincadeira."

Cuddy caminhou de volta até ele. Com o vestido nos braços, puxou-o pela jaqueta, beijando-o de modo lento e suave. Ela o sentiuele suspirar profundamente e relaxar em seus lábios.

"Não estrague a minha noite e eu farei tudo o que você quiser."

Flashback off


O elevador se abrira e apresentara um House todo elegante e sua acompanhante à festa. Ele vestia um smoking caríssimo com todas as suas nobres abotoaduras; cabelos ligeiramente bagunçados e um sorriso insuportável no rosto. Foreman estava próximo ao elevador e notou quando a deslumbrante loira que estava com House puxou-o pela lapela e sussurrou algo em seu ouvido.

House deu uma risada masculina e então piscou para Foreman enquanto conduzia sua elegante dama pelo salão. Foreman rapidamente fitou os olhos na lateral oeste do enorme salão, local onde Lisa Cuddy estava sentada, de costas para a entrada.

O perigo estava no ar.


Tiler West era o homem mais feliz da noite. Ele estava tão dignamente satisfeito em acompanhar a chefe que nem se preocupou em perguntar onde estaria o namorado dela. Se é que ela ainda tinha um. Na verdade, ele estava pouco se fudendo para House. O vestido que ela usava não permitia que ele tivesse tempo de odiar o rival.

Ele a despia com os olhos, desejando ardentemente fazer isso literalmente. Aquilo não era um vestido, era uma armadilha hedionda para levar os homens para o inferno.

Quando ela se debruçou para pegar a taça de vinho, a fenda subiu ainda mais na coxa definida e, Tiler sentiu todo seu corpo estremecer em resposta. Cuddy pegou a taça, derramou um tanto de vinho nela e deu um gole.

"Então, Tiler, o que você estava dizendo sobre aviação?"

Ele encostou-se na cadeira e puxou a cadeira dela para mais perto, enquanto sua mão corria lentamente sobre a nuca da mesma. Cuddy sorriu, consentindo com o ato.

"Eu estou no avançado. Um dia desses você poderia voar comigo. É um dos melhores prazeres do mundo. Meu professor disse que..."

"Por aqui, querida."

A voz familiar fez com que Tiler se calasse e Cuddy ficasse em estado de alerta. Ela se virou lentamente e deu de cara com House que puxava a cadeira para uma loira particularmente linda em um vestido verde. Cuddy fuzilou-o com os olhos.

"Ah, Pammy, essa é a minha chefe, Doutora Lisa Cuddy e seu acompanhante, o neurocirurgião meia-boca Tiler West."

Pamela Paradis sorriu para Cuddy genuinamente, os olhos puxados fazendo uma linha adorável. Ela era muito bonita, o que fez Tiler dar um sorrisinho de interesse; no entanto, seu alvo da noite era apenas um e estava sentado ao seu lado. Ele podia correr atrás dessa loira mais tarde.

Cuddy levantou-se e House teve que segurar uma ereção ao rever aquele vestido. Estruturado em apenas um ombro, o tecido vermelho corria pelo corpo dela e um detalhe em pele nua com bordas douradas direcionava o tecido para o abdômen, franzindo-o. Era um vestido longo, mas havia uma fenda tão profunda que subia até a linha superior do quadril dela, causando vertigens em qualquer um que insistisse em olhar por muito tempo.

House sentou-se enquanto Cuddy puxava Tiler pela gravata na direção do buffet.


Pamela já havia tomado duas doses de vodca e estava debruçada em House. Ele não tirava os olhos das mãos de Tiler, que percorriam sem vergonha nenhuma aquele corpo proibido, aquele corpo que deveria ser apenas dele. Cuddy estava rindo, absorta.

Pamela puxou House pela lapela, e grudou os lábios nos dele, num beijo voraz. Ele fechou os olhos e respondeu, segurando-a pela nuca. Segundos depois ele a soltou e ela deu um sorriso, piscando pra ele.

Cuddy encarou-o, os olhos formando a careta risonha mais maldosa que ele já tinha visto.


Tiler não acreditava no tamanho da sua sorte.

Com a mão presa na cintura da sua cobiçada chefe, e a outra depositada na linha de sua escápula, ele a mantinha tão segura na sua frente que mal podia respirar. Cuddy sorria para ele e ele pensou em emoldurar aquele sorriso, mas isso seria logo após deslizar sobre todo aquele corpo.

A banda começara a tocar algo parecido com um tango, e era a deixa para que ele avançasse sobre ela sorrateiramente. Puxou seu corpo com força, encaixando-a contra si e ela deu um leve gemido antes de rir. Eles deram um passo para frente, e mais um, seguindo o ritmo ardente da música.

A mão dele deslizou por trás da coxa dela, subindo pela perna nua exposta devido à fenda. Muitos olhos ao redor do salão seguiam seu gesto. Cuddy sussurrou no ouvido dele quando as mãos dele chegaram à linha do quadril.

"Não estamos no hospital, mas eu ainda sou sua chefe, Tiler."

Tiler a puxou ainda mais contra si, as duas mãos espalmadas sobre a cintura dela.

"Mas eu adoraria que você me desse algumas ordens na cama, chefe."

E com isso, os lábios dele desceram pelo pescoço dela. Cuddy apoiou os pulsos sobre o peito dele e tentou afastá-lo, no entanto, não foi preciso. Alguém deu uma leve batida no ombro dele, chamando-lhe a atenção.

Ele se virou e House armou um belíssimo sorriso enquanto perguntava:

"Posso tirá-la de você por um minutinho?"

E ele não teve tempo de responder. House a puxou para si e segurou-a pela nuca, os lábios caíram sobre os lábios dela num beijo faminto. Descontrolado. Ele virou o ângulo e aprofundou-se mais um pouco, deixando quem assistia com muita inveja e um Tiler bem desajeitado no meio da pista de dança. Talvez tivesse passado um minuto ou menos, mas era certo que havia muito mais desejo naquele beijo do que em toda a dança.

Cuddy afastou-se para enfim respirar, e estava ofegante quando sussurrou nos lábios dele.

"Até que enfim você tomou uma atitude."

Ela se ajeitou e o braço de House ainda estava firme em sua fina cintura. House tornou a se virar e limpou o vestígio do batom de Cuddy. Finalizando toda a sua cena teatral, ele se virou para Tiler e comentou, com a mais nobre das ironias.

"Procure outro foco de incêndio. Este daqui eu irei apagar."

Tiler o encarou, e só havia uma palavra para descrever um olhar tão puro, intenso e ardente: ódio. Ele poderia quebrar as pernas desse manco. Cuddy atravessou por trás dele, os olhos riam de maneira provocativa para Tiler. House debruçou-se sobre ela, sussurrando algo em seu ouvido e fazendo-a rir. Logo em seguida ela atravessou a pista de dança e caminhou em direção à cozinha, atraindo todos os olhares da festa para seu corpo estrutural.

House encarou Tiler pela última vez e saiu sorridente na direção oposta.


Tiler West estava furioso.

Sentado no bar, estacionado entre a quarta e a quinta dose de whisky, ele pensou como havia sido amador. Tanto House quanto Cuddy tinham lhe sacaneado, e em alto estilo. Ele acreditara que ela estava totalmente na sua e que House permitira isso. Quanta idiotice.

Vagabunda. Ele ainda se lembrava do olhar dela, zombeteiro, rindo da ingenuidade dele. E aquele filho da puta, se ele soubesse como era o diado. Tiler olhou pelo canto de olho para Cameron, que estava debruçada sobre o balcão, pedindo duas doses; ele teve uma idéia que lhe rendeu um meio sorriso.

"Aposto que eles já devem estar trepando um no outro há essa hora."

Cameron olhou para ele, confusa. Ele a fitou, então ela piscou lentamente, indicando que ele continuasse.

"Nossos chefes. House e Cuddy."

Ele sorriu por dentro quando viu algo parecido com raiva passar pelos olhos dela. Tão fácil. Era como tirar doce da boca de um bebê. Cameron mordeu o lábio e olhou em volta, e ela não encontrou nenhum dos dois no salão. Com isso ela se virou para frente e tomou a dose que pedira em apenas um gole.

Sem responder, ela se afastou indo na direção da cozinha, deixando-o para trás com um sorriso maléfico na face. Por trás dela, Pamela Paradis vinha em sua direção.
A noite não seria uma total perda de tempo.


Cuddy passou pela cozinha, tirando a atenção dos funcionários do buffet e caminhou até o gerente. Um homem caucasiano, olhos fundos e sorriso muito bem clareado, vestindo um terno mediano. Não era nenhum tecido barato, mas não era um Armani. Ela sorriu para ele e pediu, com delicadeza:

"Pode servir o champanhe."

Ele sorriu e assentiu com a cabeça, num belo gesto de servidão misturado ao breve toque do cavalheirismo. Ela ergueu a mão levemente, indicando que ainda tinha algo a dizer.

"Eu gostaria de ir até o jardim dos fundos, onde fica?"

"Por aqui..." Disse ele, enquanto apontava uma porta fechada que dava em um corredor estreito, cheia de outras portas. Quase um labirinto.

Cuddy sorriu, elegantemente e saiu.


House não pode segurar um sorriso ao vê-la caminhando até ele. Ele não poderia explicar, mas o movimento do quadril dela quando ela se movia era tão estranhamente simétrico, tão redondamente confortante que havia construído certa admiração nele.

Ela estava na frente dele com aquele sorrisinho safado, e ele não conseguiu fazer mais nada a não ser desencostar-se da parede e pressionar seu corpo contra o dela, prensando-a na outra parede e sentindo-a consentir delicadamente.

Ela encaixou seu corpo no corpo dele, e ele colocou as mãos ao redor dela, mantendo-a presa entre a parede e ele.

"Não devíamos estar aqui, você sabe."

Ela riu com o comentário dele, e puxou-lhe a gravata borboleta, derrubando-a no chão. Ele ainda consistia em admirá-la naquele destruidor vestido, e ela já estava na metade dos botões da sua camisa, expondo-lhe o tórax definido.

"Agora não é o momento de respeitar as regras, House."

Ela enfim terminara de abrir a camisa dele, e suas mãos se espalmaram sobre o peito dele, deslizando sobre cada costela, apertando-lhe os mamilos e fazendo gemer.

"Você vai gostar se eu fizer isso em você, sua bruxa?"

"Não tem nada lhe impedindo, você sabe."

Ele puxou-a pela nuca, os lábios caíram famintos sobre os lábios dela. Cuddy deixou que sua língua invadisse a boca dele, uma briga inversa, complementada por mordidas e chupadas, com ângulos incomuns e certeiros. As unhas dela escorreram pela barriga dele e foram parar em sua costa, pele contra pele, fazendo-o arrepiar com o contato. O beijo ainda estava longe de ser acalmado, mas House desceu lentamente os lábios pela linha do queixo dela, ele deu uma leve mordida no lóbulo da orelha dela e desceu gradativamente pelo pescoço, fazendo-a dar o primeiro gemido profundo.

"Cuddy, pare com isso."

Ela afastou-o levemente, os pulsos pressionados contra o peito dele e a cara em interrogação.

"Parar com quê?"

"De gemer desse jeito senão eu não vou conseguir me controlar."

"Gemer como? Assim?"- Perguntou ela, aproximando-se do ouvido dele e gemendo guturalmente, os lábios encostados de propósito na orelha dele, fazendo-o tremer - "Aaaaah, Hoo-u-see"

Ele apertou a cintura dela e ela riu, abrindo-lhe o zíper da calça, lentamente.

"Eu não trouxe você aqui atrás para manter o controle, amor."

Ele pensou em responder, mas um garçom passou de uma porta para outra, bem no fim do corredor. Ele fingiu não ter interesse nos dois, sozinhos no corredor, mas eles sabiam que tinham que sair dali. Ambos olharam ao mesmo tempo para a porta mais próxima.

Estúdio.

Ela sorriu e ele abriu a porta, puxando-a para dentro. Eles voltaram a duelar, as línguas se chocavam e acalentavam, e sentidos horários e anti-horários eram traçados, querendo ir mais fundo a cada segundo que passava. House tentou trancar a porta e desvencilhou-se dela quando percebeu que não havia fechadura. Merda.

Ele passou os olhos sobre a sala, e seus olhos brilharam quando ele encontrou um amplificador, aparentemente potente. Puxando-a pelo quadril ele a levou até o canto do estúdio, sentando-a sobre o amplificador e foi até a mesa, escolheu o tape do System Of A Down e voltou até ela.

Cuddy sentiu o som vibrando por baixo dela e olhou para ele com as íris da malícia. Ele consentiu, sorrindo e eles voltaram a se beijar, tão violentamente quanto antes. House puxou a fenda do vestido até a cintura, tirando-lhe o obstáculo á frente e reparando que não havia nenhuma linha por baixo dele. Cuddy passou as pernas ao redor do quadril dele e puxou-o para perto.

"Se não tivéssemos que voltar para a festa, eu rasgaria esse maldito vestido em mil pedaços."

"Você vai ter essa oportunidade quando chegarmos em casa."

Ele sorriu e ela abriu o cinto dele, retirando e jogando-o no chão com uma habilidade impressionante. Ele tentou puxar a alça do vestido afim de retirá-lo, mas Cuddy segurou a mão dele.

"House, sem preliminares. Faça o que tem que fazer agora!"

House encarou-a, não tendo certeza do que ela estava pedindo; mas quando ela puxou-lhe a boxer preta até a altura dos joelhos, ficou muito claro. Ele estava aliviado em saber que ela precisava daquilo tanto quanto ele e que se eles não consumassem o fato tão rapidamente era provável que enlouqueceriam.

Ele enterrou-se no pescoço dela enquanto posicionava seu membro no âmago úmido dela, ela suspirou pesadamente, posicionando a pélvis contra ele. A batida por baixo dela fazia seu corpo vibrar e suplicar por ele. Ele penetrou-a rapidamente, as unhas delas apertadas contra o seu lombo davam a impressão de estar lhe rasgando a carne. Ela gemeu, daquele jeito que sabia que o eriçava completamente e ele teve que se segurar para não mordê-la.

Cuddy sentia-se tão maravilhosamente preenchida, mas não era o suficiente.

"House, alguém pode entrar a qualquer momento. Se mova."

"Você fez o que eu mandei?"

"Servir o champanhe? Sim, eu pedi a eles."

"É um champanhe francês caríssimo, você acha mesmo que os convidados vão dispensar a bebida para procurar a gente?"

House deu um meio sorriso, era adorável vê-la tão exigente. Ele queria aproveitar o momento, afinal já fazia tantos anos desde que eles haviam tido algum tipo de relacionamento sexual, mas aquela não era hora de amor e sentimentos. Eles precisavam de sexo, o mais bruto e forte possível para acalmar o tesão petrificado na veia de ambos.

House segurou o cabelo dela, prendendo-o com força contra sua mão e começou a mover-se, estocadas rápidas e precisas. Cuddy puxou-o para frente, pressionando-lhe o quadril e ele pisou na calça que estava arriada aos seus pés.

Seu celular começou a discar, e eles estavam ocupados demais para notar isso.



Wilson estava conversando com Foreman quando seu celular tocou. O que diabos House iria querer com ele agora?

"Fala, House."

"Ai meu Deus, House. Mais fundo... mais, não, pára, com força..."

Os olhos de Wilson percorreram o salão, arreganhados. Ele parou quando viu Pamela se atracando com Tiler no bar, então procurou pelo salão por outra pessoa. Mas não a encontrou.

"Pare de gritar, você quer que a festa toda venha pra cá, Cuddles?"

Wilson engoliu em seco e levantou-se, olhando em volta. Onde será que esses dois se enfiaram? Ele concentrou-se no som ambiente da ligação, o que era difícil com a Cuddy gemendo como louca.

Caixas de som. Eles estavam no estúdio.

Wilson desligou o telefone e se dirigiu à ala leste.


Cuddy já estava no ápice da sua força. Com um braço atrás da cabeça de House e outro delicadamente acariciando-lhe o rosto, ela tinha certeza de que não agüentaria muito. Entre um beijo voluptuoso, a língua deslizando sobre o céu da boca dele, trazendo-o de volta á realidade, ela sussurrou nos lábios dele que estava na hora.

"Mais forte."

House não podia mais segurar seu desejo. Ele estava morrendo, explodindo quase que literalmente por ela. Sem gentileza alguma ele a desceu do amplificador e virou-a de costas para ele, deixando-a de pé, na posição que ele certamente adorava. Subindo-lhe o vestido novamente ele penetrou-a lentamente, os cabelos enroscados na mão dele e sendo puxados para mantê-la sexualmente submissa. Era tão forte e violento que podia se ouvir o atrito de um corpo no outro, e parecia que o solo da guitarra estava tão longe deles embora não estivesse. House ainda a penetrava com fortes estocadas, o corpo dela tremia descontroladamente e ele acariciava lentamente seus seios. Mais forte. Bem mais forte. Muito forte. Mais, mais, mais, mais... Ele não tinha mais como continuar, então seus dedos escorregaram para o clitóris dela, onde ele teve tempo de apenas massagear levemente antes de ouvi-la gritar, os músculos vaginais tendo espasmos em volta dele, apertando-o e deixando gozar com toda a plenitude viril.

Cuddy debruçou para frente, cansada, ofegante e com a respiração quase escassa. Ela virou-se para ele e o beijou novamente, um misto de prazer, sentimentos, emoções, tudo envolto em um beijo calmo e delicioso.

"Não devíamos ter feito isso." Ele disse, olhando-a nos olhos e subindo as suas roupas, no ato de se vestir novamente.

Cuddy arrumou o vestido e puxou o cabelo para cima, fazendo um coque natural com as próprias madeixas. Ela ficou confusa, os olhos marejados torcendo para que ela estivesse errada.

"Você está dizendo que se... arrependeu?" As palavras saíram da boca dela misturadas a um medo desconcertante.

"Sim" Ele disse e percebeu que ela estava arrasada, ela não podia acreditar em como ele era canalha e frio e... "Eu me arrependo de termos feito isso tão rápido. Você não entende, Cuddy, que isso não diminuiu em nada esse fogo por você? Só piorou as coisas."

Cuddy sorriu e acenou com a cabeça.

"Eu sei disso. Foi insuficiente

Ele pegou o celular e viu que uma chamada havia sido feita para Wilson. Calculando o tempo de chamada e quanto tempo fazia desde que o momento que chamou, ele tinha a plena certeza de que eles seriam pegos se não saíssem dali agora. Ele entrelaçou os dedos nos dedos dela e falou sério.

"Precisamos sair daqui."


Cameron passou pela cozinha, irritada. Não havia muitas pessoas, mas havia um garçom sentado na bancada comendo um sanduíche, de modo que não havia saída a não ser abordá-lo.

"Hey, você viu se a doutora Cuddy passou por aqui?"

"Eu não conheço essa gente por nome, senhora."

"Ela está usando um vestido vermelho"

Juan, outro garçom, saiu sorridente de trás de uma pia e veio limpando as mãos em um guardanapo.

"Ah, a madame de vestido vermelho? Ela estava no corredor dos fundos, dando uns amassos em um cara."

"Um cara? Que cara?"

"Ah não deu pra ver muito sabe, nós pregamos a privacidade dos clientes, mas ele usava uma bengala, então..."

Cameron não queria saber detalhes. Saber que House e Cuddy estavam dando amassos pelos corredores já era demasiadamente humilhante. Era como fogo ardendo sobre a sua pele.

"Onde fica o corredor?"

"Ali, passando por aquela porta."

Cameron respirou fundo e caminhou até lá. Ela estava decidida a estragar a noite de alguém.


Wilson bateu na porta do estúdio antes de ter certeza que entraria. Ele não queria ver nada que não devesse e isso incluía o corpo da sua chefe. Mas o som alto não ajudava em nada e ele abriu lentamente a porta, mas não encontrou nada além de uma cadeira caída e o som ligado.

O perfume dela estava por toda parte. Era óbvio que eles estavam ali e que saíram fazia pouco tempo. Wilson discou o número de House e o celular tocou tão perto dele que quase o assustara.

Ali, sobre o amplificador, estava o celular de House, por cima de um bilhete com a caligrafia debochada do mesmo.

Não estrague a brincadeira, Jimmy Boy.

Mas é um grande filho da puta mesmo, pensou ele, rindo.


Cameron caminhou pelo corredor em silêncio. Ninguém lhe disse que havia várias outras portas no corredor e que os dois podiam estar em qualquer uma dessas salas. Ela continuou caminhando, certa de que ouviria qualquer som e viu algo no chão que chamara sua atenção imediatamente.

Ela debruçou-se e pegou o pedaço de pano caído. Correção, ela agora sabia que não era um pedaço de pano e sim a gravata de House. Seus olhos se contraíram numa faísca horrorosa de ódio.

Ela olhou para frente e viu Wilson saindo do estúdio, sorridente. Ele passou por ela e voltou para o salão pela ala leste, caminhando levemente. Ela olhara para dentro do estúdio e imediatamente sentira aquele perfume adocicado.

Vaca desgraçada.


Cuddy estava rindo quando House a abraçou, ela enlaçou o pescoço dele e eles ficaram se olhando por um tempo quase longo.

Ela o adorava de uma maneira tão doce e gentil como nunca havia admirado tanto um homem em sua vida. Ele não era sempre amigável ou bondoso, ele tinha seus acessos de grosseria, estupidez, de cruel sinceridade e ela sabia que se machucava quando encarava esse lado da personalidade dele. Mas por incrível que pareça, ela não se incomodava. Parecia estar plenamente satisfeita com ele, por pior que fosse.

"No que você tanto pensa, Cuddy?"

"Em como viemos parar no jardim."

Ele não respondeu, apenas segurou gentilmente o rosto dela enquanto a beijava com delicadeza. House a mantinha presa a ele, e ela tinha que admitir que era uma sensação inesquecível. Ela estava tão absorta nos braços dele que nem percebeu quando ele a guiou até a parte posterior de um grande tronco, atrás das flores mais altas.

Deitando-a suavemente na grama, ela sorriu e ele a olhou tão fundo nos olhos que podia visualizar a sua alma inquieta. Encaixando-se sobre ela, ele puxou-lhe o vestido, dessa vez retirando-o por completo, de modo que ela só vestia o pequeno sutiã de pele falsa, imperceptível sob o vestido. Estava escurecendo e era improvável que mais alguém viesse para o jardim, então ela não ligou.

E eles se beijaram, pela milésima vez dessa noite. Mas dessa vez, havia algo diferente. Não havia pressa, não havia desespero nem urgência. O beijo era tão calmo e fervorosamente apaixonado, a perna de Cuddy ficou dobrada ao lado da perna dele, serena e tranqüila, afinal, eles não precisavam mais correr. Queriam tudo um do outro, na velocidade certa para eternizar cada segundo.

Cuddy deixou os braços enroscarem no pescoço dele enquanto as línguas duelavam e House lutou para tirar suas roupas, ficando gloriosamente nu para ela. Ele desceu os lábios pelo queixo dela, beijando suavemente com pequenos toques, mordendo sua clavícula e passando a língua afim de memorizar cada centímetro de pele. As mãos de Cuddy acariciavam seus cabelos, facilmente incentivando que ele continuasse o que estava fazendo.

House retirou o sutiã com uma das mãos, retirando-o do caminho e seus lábios enfim alcançaram o tão desejoso prêmio. Ele deixou que seus lábios cobrissem um mamilo enquanto ele massageava docemente o outro. Entre lambidas doloridas e massagens bucais relaxantes, ele alternava de um seio para o outro, sempre a mantendo no devido ritmo. Ele sugou um pouco mais, puxando o mamilo e Cuddy gemeu sensível com o ato.

"Ugh! House, sem torturas, amor."

Ele a olhou com a mais pura dedicação e amor, não negaria nada que ela pedisse naquele momento. Diminuindo a pressão dos seus lábios ele continuou descendo, mordendo divertidamente sua barriga lisa e deslizando a língua pelo seu umbigo, fazendo-a rir. Ele segurou os tornozelos dela, abrindo-lhe as pernas gentilmente enquanto deslizava as mãos desde os calcanhares até a parte interna da coxa, arrepiando-a.

Seus lábios chegaram á virilha dela e ele não teve capacidade de torturá-la, apenas de dar a ela o prazer que ela merecia.

"AI. MEU. DEUS."

Isso foi tudo que ela conseguiu sussurrar quando sentiu os lábios de House no seu núcleo molhado. A língua dele fez pequenas carícias nos grandes lábios, massageando-os, tirando-lhe todo o ar dos pulmões. Ela gemia palavras irreconhecíveis. Ele desceu ainda mais a língua, penetrando-a levemente e sugando, tantas vezes que foram incontáveis e sabendo pela maneira que ela se contorcia que não lhe faltava muito.

Cuddy sentou e pegou-lhe pela mão, aquela mão máscula e habilidosa, e penetrou um dedo em si mesma, retirando de si um gemido. Ela pretendia provar daquilo, mas House fora mais rápido e levara o dedo à boca, provando-a; ele deitou-a novamente na grama e continuou. Dois de seus dedos invadiram-na e ela gemeu alto, precisa. Ele começou movimentos ágeis de vai e vem, virando os ângulos quando percebia o prazer nos gemidos dela. Ela agarrou a grama com as frágeis unhas e gemeu alto, o corpo todo num grande espasmo.

House subiu lentamente pelo corpo dela, voltando a ficar com os lábios roçando os dela.

"Mandei bem, não é?"

Ela virou com força e o deixou por baixo. Era sua vez de brincar com ele. Ela desceu o tórax dele com beijos quentes e a língua ainda mais fervente, fazendo-o vibrar por antecipação. Sentando-se na altura do joelho dele, era previsível o que ela iria fazer a seguir, ainda mais que sua mão já acariciava o órgão petrificado dele, num vaidoso movimento massageador.

Cuddy debruçou e deixou que sua língua circulasse a glande, chupando com delicadeza e depois deslizando a língua por toda a sua extensão... Subindo e descendo preguiçosamente. Ela enfim abocanhou-o, com a mentalidade de lhe dar o maior dos prazeres masculinos. Enquanto se divertia, House puxou o cabelo dela para o lado, assim ele podia ver o rosto dela. Seu olhar era de pura paixão, e a maneira suave que seus dedos tocavam o cabelo e o pescoço dela era, indiscutivelmente, uma enorme declaração de amor.

Ele já estava com o corpo curvado para trás e segurando a grama com força, urrando palavras desconexas, seu corpo arqueado e ele esforçou-se para formar uma pequena frase.

"Eu vou acabar antes de você se não parar agora"

Cuddy terminou subindo pela extensão dele e sugando a glande novamente, e riu da careta dele porque ela havia feito de propósito. Ele os girou e ficou por cima dela novamente, colocando as pernas dela abertas ao lado do seu corpo, mas apoiadas sobre o chão para ela tivesse algum tipo de controle. Ele tomou seus lábios com doçura enquanto a penetrava, devagar. Muito devagar.

Ele começou os movimentos lentamente, quase estaticamente. Gostava daquilo, era passional. Ele podia sentir os músculos internos dela adaptando-se à presença dele, abraçando-o, acalentando sua carne. Era quase romântico se não fosse tão carnalmente erótico. Ela o abraçou, os dedos acariciando-lhe os cabelos enquanto ela mergulhava no azul dos olhos dele.

O ritmo que ele propusera não estava mais servindo e Cuddy pressionou a pélvis contra ele, sugerindo que ele fosse mais rápido. E ele o foi. Ele começou a mover com rapidez e num ritmo acelerado, que aumentava a cada invasão. Mais e mais e mais e mais forte, levando-a no limite da dor e do prazer. Muitos homens teriam medo de fazer aquilo, medo de machucá-la, mas ele sabia que ela precisava daquilo, precisava que o controle fosse retirado das suas mãos para que pelo menos em algum momento ela fosse a submissa e não a dominadora. O corpo dele esmagava o dela contra a grama, cada vez mais fundo e ele começara a sentir que os gemidos dela subiram para um tom ainda mais elevado.

Cuddy agarrou as costas dele com as unhas, fazendo-o urrar e puxou-o ainda mais contra si, ela precisava de mais, muito mais. Ela já estava com os olhos cerrados e com a grama presa sobre os dedos, numa tentativa vã de calar a sensação arrebatadora que começara a se construir dentro dela.

"Greg, mais forte, eu estou quase... quase..."

E ele parou tão imediato quanto estático, fazendo-a abrir os olhos e apoiar-se nos cotovelos para indagá-lo. Mas ele apenas entrelaçou seus dedos nos dedos dela e levou-os ao alto da cabeça dela, mantendo-os ali.

"Você sabe quanto tempo eu esperei por isso?"

Ela se contorcia por baixo dele, tão agitada quando um pequeno peixe fora d'água. Ela moveu a pélvis contra ele, angustiada.

"House, mova-se agora!"

"Nada disso, Cuddy, nós vamos ficar aqui quietinhos. Eu esperei demais por isso e preciso que valha a pena."

Ela sorriu pra ele como uma felina manhosa e ele teve que beijá-la, ele estava totalmente fascinado por ela. Parado por cima dela, ele podia sentir a força com que os músculos dela tencionavam e ele sabia que ela estava tão perto de explodir que um sopro a levaria à loucura. Ela sabia também, por isso precisava tanto mover-se.

Cuddy entendia que não ia adiantar brigar com ele agora, ela precisava que ele terminasse o que começara. Ela acalmou-se por baixo dele e o encarou, fazendo-a encará-la de volta.

"Eu quis dar um soco na cara daquele seu amiguinho."

"O Tiler?"

"Esse mesmo. Ele é louco para te levar pra cama, sabia?"

"Claro. Quem não é?"

Cuddy deu uma risadinha convencida e ele moveu sobre ela, fazendo com que ela desse um pulo.

"Continue provocando, Cuddy."

"O quê? Você acha que eu gostei de ver aquela loira te beijando?"

"Eu acho sim."

"Pois você está certo."

Era ele que ria agora, tamanha a sinceridade cômica dela. Ela o fitara nos olhos e então enrubescera, mas antes que ele a investigasse já havia virado o rosto de modo que ele puxou-lhe o rosto lentamente, e perguntou:

"O que foi?"

"Eu... queria te fazer uma pergunta, mas não sei se é à hora para isso."

"Não há uma hora melhor que essa, Cuddles."

"Ok. Eu acho que está claro o quanto eu te amo, e que isso vem de décadas atrás. Não é mais nenhum mistério. Todos sabem que você é o único que me faz verdadeiramente feliz. Mas..."

"Mas?" Ele começara a ficar preocupado.

"Mas eu me pergunto quando é que você vai me entregar o seu coração, House. Eu preciso saber o que você realmente sente."

Ele tirou uma mecha de cabelo que lhe caía sobre a testa e roçou seus lábios nos dela. Mas não a beijou. Bem ali, tão próximo dos lábios que lha davam os melhores beijos do mundo, ele sussurrou:

"Para eu te dar meu coração eu vou precisar que você o devolva."

"Você me deu seu coração? Quando?"

"Há vinte anos, na noite mais importante da minha vida".

Cuddy estava espantada, emocionada, surpresa, incrédula, e talvez mais sensações mas ela não conseguia identificar todas. Ela acabara de ouvir a mais linda declaração vinda da pessoa mais improvável do mundo, e seu mundo parecia estar girando como uma aeronave descendo em parafuso.

"House..." - Infelizmente, era tudo o que ela conseguia dizer.

"Sempre foi você, Cuddy."

Ela estava chorando, mas de amor e felicidade. Nunca, em toda a sua vida, palavras a fariam despencar daquele jeito, mas essa situação estava fora das probabilidades possíveis. Eles voltaram a se beijar, o fogo de antes voltara a queimar tão fortemente em suas veias como nitrogênio líquido. House afastou-se um pouco e pegou sua calça, retirando um pequeno vidro do bolso.

"O que é isso?" - Ela perguntou, mas calou-se assim que vira de perto. Era uma daquelas bolinhas do prazer, famosas por se dissolver com a força do ato e o calor intra-vaginal. Ela sorriu.

"Um presentinho."

Ele penetrou-a com um dedo, levando a bolinha até um local mais fundo e então a beijou de modo forte e violento, enquanto a penetrava de uma vez só, uma entrada tão forte e violenta que estourou a bolinha dentro dela, e tudo que ele precisou fazer foi pressionar o clitóris dela com o polegar.

Neste momento, Cuddy perdera o controle do seu corpo absurdamente. Seus olhos se fecharam com força e ela teve que morder o lábio inferior para abafar um grito tão intenso que chegaria ao ouvido dos convidados no salão. Seu corpo se retraiu ao redor de House, e ele percebera que o líquido do brinquedinho sexual atingira a sua glande e a preenchera, tirando-lhe o ar e fazendo ter um orgasmo tão forte quanto o dela.

Não, não como o dela. Ela ainda estava se contorcendo, os dedos dos pés contraídos e seu corpo todo tremia, enquanto as mãos dela seguravam o chão com tanta força que parecia que ela ia arrancar o jardim de lugar. Ela não tinha noção de como gritava e o prazer ia e voltava como ondas rebeldes quebrando-se contra uma rocha à beira-mar. Parecia que todo seu corpo estava tendo um orgasmo e ela não conseguia controlar isso.

Quando enfim seu corpo começara a se acalmar, ele puxou-a para si, deitando-a no seu tórax. Ele estava sorrindo e ela ainda estava com os olhos fechados, pois ela tinha tentado abrir os olhos, mas a sua visão estava extremamente embaçada, assim como as suas terminações nervosas.

"Hum, mandei bem. Isso foi um orgasmo múltiplo, amor?"

"Cale a sua boca"

Ele a beijou e eles ficaram ali, esperando que o calma viesse e os relaxasse. Afinal, eles tinham que voltar para a festa.


Cameron e Wilson olharam com o canto do olho quando House e Cuddy saíram da cozinha, ambos com uma taça de champanhe nas mãos e com os dedos entrelaçados. Cameron deu uns passos por trás de alguns convidados e chegou um pouco mais perto, e sim, ele estava sem a gravata.

Wilson tomou mais um gole daquela mistura estranha que o garçom servira e então deu um meio sorriso quando viu House agarrando-a pela cintura e a beijando. Todos viram a cena, mas para eles parecia a mesma coisa que estavam acostumados a ver em qualquer outro lugar.

Não era como se House e Cuddy juntos fosse imprevisível para nenhum deles.


Cuddy estava abraçada com House quando se lembrou de ter deixado sua elegante bolsa-carteira sobre a mesa. Ela apertou a nuca dele e se desvencilhou rapidamente, indo até a mesa.

"Que horas são agora, Lisa?"

Pamela Paradis estava perfeitamente linda, arrumada e bem corada. Ela estava deitada sobre o colo de Tiler, que dormia tranquilamente. Cuddy pegou o celular e viu que havia uma nova mensagem.

"Agora são 03h25min da manhã."

"Obrigada" - Ela respondeu e Cuddy fez uma nota mental de que devia perguntar para House de onde ele conhecia uma mulher tão bonita.

Ela voltou sua atenção ao celular, e então, um arrepio horroroso subiu sua espinha.

De: Restrito
"Aproveite seu conto de fadas. Ele não vai durar muito."