Nota: Saint Seiya não me pertence
Amor e Guerra
By Rafael1977born
Capítulo 9. Tudo fica pior após a tempestade...
Foi uma noite longa na Mansão Kido. Para os que dormiram, foi um sono pesado e turbulento. Saori despertou por volta das seis horas da manha, ainda sonolenta e se sentindo cansada. Tudo parecia um sonho, como se tivesse vivido a historia de outra pessoa. Mas não era. Era com ela. Era na sua casa.
Lembrou-se dos acontecimentos da noite anterior, mas uma lembrança lhe fez sorrir. O beijo no estúdio. Carinhoso. Doce. Intenso. Foi algo que lhe fez aceitar o sono e acordar mais relaxada. Demorou no banho, ainda mais para tirar a tinta do seu cabelo. Gostava de tingi-los de liláis, apenas por vaidade. Uma forma de se destacar das demais. Mas agora não tinha mais vontade mudar a cor deles. Voltou ao seu castanho quase loiro. Mas havia um motivo para isso. Era a cor que ela usava quando eles conheceram. Quando eram mais jovens. Colocou uma roupa casual. Vestido florido, cabelos soltos, uma sapatilha. Quando desceu, seus pais estavam tomando café. Alguns seguranças já estavam de prontidão, e viu que o clima da casa havia melhorado, desde a hora em que foi dormir. Sentou-se na mesa, deu bom dia aos pais e tentou se servir enquanto era observada por eles. Há tempos não à viam com seu cabelo natural.
- Querem me perguntar algo?
- Queremos saber se esta bem filha. – começou Mitsumasa.
- Estou pai. Desculpe pela maneira como reagi ontem. Muita coisa para processar em tão pouco tempo. Seiya me explicou tudo. Eu entendi a situação.
Mitsumasa se sentiu mais aliviado. Não queria que a filha se sentisse mal nessa situação.
- Saori olhou para os lados, e notou a falta de alguém.
- Pai, onde esta o Seiya?
Ele teve que sair filha. Disse que ia resolver uma questão oficial e que voltava mais tarde. – riu do interesse da filha pelo jovem. Olhou para a esposa como se desse ha entender que havia algo no ar. Ambos tentaram aproveitar o momento em família, pois sabiam que era apenas a calmaria antes da tempestade.
...
Seiya estava sentado na sala de espera do Departamento de Polícia Central de Tókio. Tivera que oficializar aquela investigação, isso era algo que detestava: burocracia. Passou no comando central naval, e pegou um uniforme para garantir que as coisas corressem mais depressa. O Japão era uma nação muito formal. E Capitães da Marinha usando o uniforme e com uma declaração assinada pelo Secretário Geral de Defesa, ajudavam a agilizar quaisquer processos. Uma policial pediu para ele entrar no gabinete. Antes estava acontecendo uma reunião entre o inspetor Sagawa e o detetive Amamya. Ao entrar, cumprimentou a todos e esclareceu a situação. Depois de lhe ouvir calmamente, o delegado geral falou.
- Bom capitão, o departamento de polícia de Tokio vai ajudar na sua investigação da melhor maneira possível. Só espero que essa parceria seja produtiva para ambos os departamentos.
- Não se preocupe Delegado. Garanto que todo o crédito de qualquer sucesso durante a investigação será creditado ao seu departamento. Afinal, somos o serviço secreto. A última coisa que desejamos é publicidade.
Saiu da sala com Ikki, e depois foram tomar um café.
- Em uma noite, você me fez ter mais agitação do que em cinco anos na polícia. Obrigado Seiya.
- Não tem de que. Fez o que lhe pedi? Vou entender caso não possa..
- Sim, eu fiz. Mas não entendo bem o porquê. Você poderia ter tido acesso a essa lista de maneira mais prática.
Ikki entregou a um pedaço de papel, com uma grande quantidade de nomes. Era a lista de convidados da festa da noite anterior.
- Às vezes, algumas pessoas aparecem em cima da hora. Cabe ao anfitrião decidir se devem entrar ou não na festa. De qualquer forma, esses nomes são anotados em listagens como essa. Como você estava no Buffet, essa lista deve ter passado para vocês. Imaginei que você teria acesso a ela, e tive sorte. – Sorriu, agradecendo ao novo amigo.
- Mas seria mais fácil ter pedido aos Kido. A não ser...Você não confia neles não é?
Seiya fez uma expressão de preocupação. Decidiu que precisaria da ajuda do detetive, e para isso precisaria ser honesto.
- Há quase quatro anos atrás, o Senhor Kido se envolveu em um incidente internacional. E nesse incidente, o Senhor e a Senhora Solo morreram. Ontem, quase que a família Kido foi morta, e Julian Solo, herdeiro de uma das fortunas mais abastadas da Europa, estava presente. Pode ser paranóia, mas aprendi na minha linha de trabalho que quando algo ocorre uma vez é coincidência. Duas, já é premeditação.
- Acha que Solo tem algo a ver com os atentados? O que ele ganharia com isso?
- Eu não sei. Mas não consigo deixar de pensar que haja alguma conexão entre os incidentes do passado, e os mais recentes. Uma ligação macabra entre essas duas famílias. E não posso argüir isso de maneira direta com o Senhor Kido. Acabei de ganhar sua confiança, e não posso abalar isso com conjecturas. Sem falar que tecnicamente, eu sou seu protetor. Seria estranho investigá-lo. Pelo menos diretamente...
- E aí que eu entro certo?
- Certo!
-E isso não tem nada a ver com o fato que você me quer investigando o jovem Solo, porque ele arrasta um oceano inteiro pela sua "namoradinha" certo?
- Exato! Não, como assim?
- hahaahah! Peguei você senhor "grande espião"! Eu servi aos dois na festa ontem. Solo é um escroto com "E" capital! Mas ficou claro que ele gosta, e muito, da Senhorita Kido. E não é aquele gostar de "friendzone". Ele realmente é bem agressivo em demonstrar que a quer, no sentido bíblico, se é que você me entende.
Seiya ficou nervoso, e se sentiu um idiota por ter baixado sua guarda dessa forma. Seu acesso de ciúmes foi bem honesto. Ele sabia que as duas famílias eram bem próximas, mas nunca pensou na possibilidade de Saori e Julian serem tão íntimos assim. Um frio lhe percorreu a espinha, algo que ele não sentia havia muito tempo: medo.
- Fique calmo Romeu! – fala Ikki, ao perceber que tinha tocado num nervo exposto. - Sua Julieta não quer nada com ele. E parece que depois de sua demonstração heróica de ontem, ela já tem um cavaleiro protetor para se atirar nos braços.
- Não é nada do que você esta pensando. Minha relação com a Senhorita Kido é...
- June me contou que ela está caidinha por você. – Cortou a fala do agente com um sorriso no rosto. Ikki era um excelente detetive, porque era um excelente jogador de pôquer. Sempre tinha um ás na manga, e no caso suas cartas eram informações de fontes seguras.
- Bom...não tenho tempo para isso agora! – desconversou.
Ikki riu da situação. O sujeito havia matado um assassino a sangue frio ontem a noite, mas hoje estava tremendo por causa de uma garota. Realmente, as mulheres são capazes de deixar qualquer homem, não importa quão bem treinado, sem reação.
– Você não respondeu minha pergunta? Confia na família Kido?
- Seiya olhou para o detetive e respondeu com convicção. – Sim. Confio neles (confio em Saori). Mas existe alguém próximo a eles que não é confiável. Preciso descobrir quem é.
...
Após o café, voltou a seu apartamento. Deu de cara com Kiki, sentado na varanda com um videogame portátil nas mãos.
- Demorou hein?
- Desculpe. Tive que para resolver problemas.
-Trouxe a sua encomenda, espero que pelo menos tenha comida ai dentro.
Entraram na casa e o rapaz atacou a geladeira do agente, pegando praticamente tudo que parecesse comestível.
- Descobriu o que do colar?
- Humphperaítocomendo... – falou com a boca cheia, engoliu tudo e depois bebeu um gole de água.
- Pronto...Bem, o homem que você matou se chamava Jamiel Mustapha. Codinome: Corvo de Prata. Ele era um assassino de aluguel, relativamente famoso. Serviu durante muito tempo para o exército do Iraque, e depois da queda do regime de Sadam Hussein, se tornou um "freelancer". A Interpol queria pega-lo, mas não era prioridade por ser um peixe pequeno. Achamos que ele era uma espécie de distração. Máscara da Morte o usaria para servir de isca. E pelo visto deu certo.
- Tem algo muito errado nisso. Ontem eu senti que os disparos não eram muito precisos. Se a família Kido era o alvo, como ele pode ter errado tanto?
-Acho que sei como te responder. Eu peguei os dados preliminares que você me enviou, e algumas fotos que a policia de Tókio fez da casa. Baseado nas suas declarações, e no vértice do ângulo dos projeteis, pude recriar uma animação da cena. Veja isso.
Kiki mostra a Seiya uma animação de computador que recriava em mínimos detalhes todos os momentos dos disparos. Percebeu pela animação qual era o erro que ele não conseguiu distinguir no comportamento do assassino.
- Viu o que eu vi? – pergunta o jovem cientista.
- Sim. Por isso que os tiros eram tão erráticos. Ele estava selecionando os alvos. Não queria acertar alguém em específico. Não queria acertar Saori!
- Exatamente. E isso não a colocaria como suspeita?
- Não! – grita e depois se acalma. – Ela não mataria os pais. O perfil dela não bate com alguém que tentaria eliminar a familia. - Apesar da sua confiança em Saori, tinha que pensar como um espião. Descobrir conspirações era seu trabalho, e geralmente os conspiradores eram pessoas acima de qualquer suspeita.
- Pense claramente Pégasus! Se os Kido morrerem, ela herda tudo. Milhões de dólares. Propriedades. Iates, Mansões...
- Iates...- Seiya pensa em voz alta. – Não foi ela. Mas existe alguma outra pessoa que se beneficiaria com a morte dos Kido. Kiki, quero que você faça algo para mim. Quero que você descubra todas as informações sobre os negócios conjuntos da família Kido e da família Solo nos últimos quatro anos. Tudo. Não importa como!
- Isso significa que você esta me mandando hackear à conta da família da sua namorada?
- Ela não é minha namorada! (ainda)
- Não foi o que o Aioria disse! – ri o jovem.
- Até ele está nessa? Aquele grego idiota não sabe de nada!
- Ok!Ok! Posso fazer o que você pediu. Mas vai levar tempo. Vou ficar por aqui e cuidar da sua geladeira enquanto isso!
-Mi casa, su Casa. – Deixou a chave no sofá com o rapaz, pegou o resto dos equipamentos e se dirigiu a Mansão Kido. Tinha que ter mais uma conversa com Mitsumasa. E precisava ver Saori novamente.
...
Nunca em toda a sua vida, Saori Kido teve que fazer tanta força para sair de casa. Seus pais não aceitavam que ela saísse depois dos acontecimentos da noite anterior. Apenas quando ela disse que iria para a fundação acompanhada de Shura e Aldebaram, que eles concordaram. E ainda assim com uma escolta extra. Estava irada. Não com os pais, e nem com os seguranças. Mas com a situação. Sempre tivera pouca liberdade, agora então, era quase que inexistente. Somente o fato de ter uma reunião de vital importância para a Palaestra a fez sair de casa. Não ia deixar um assassino ditar a sua vida.
Depois de mudarem várias vezes o percurso, o carro e a comitiva chegaram ao orfanato. Saori saiu do carro e como de costume cumprimentou os funcionários e falou com as crianças. Estava tentando fazer tudo transparecer de forma normal. Fora instruída pelos policiais e por Seiya a manter silêncio sobre o atentado. Restava a ela tentar voltar a sua rotina, mesmo que isso significasse se expuser um pouco. Mas julgava seu trabalho muito importante. Muitos dependiam dela, e hoje era um dia crucial. Tinha que convencer a junta administrativa que custear o ensino de mais de quinhentas crianças pobres não era perda de dinheiro, e sim investimento. Ser a filha de Mitsumasa Kido não adiantava de nada, se não fosse competente. Teria que dobrá-los, e não poderia fazer isso embaixo do cobertor em casa.
Estava com um conjunto executivo preto, com um decote azul discreto, porém quase transparente. Aprenderá algumas técnicas com June, como distrair e convencer os homens. Não gostava muito da estratégia da amiga, mas infelizmente era efetiva. Homens eram facilmente manipuláveis por uma mulher bonita.
Seus seguranças a acompanharam até o a sala de reuniões, de onde não podiam mais entrar. Pediram a senhorita Kido que evitasse se sentar próximo a janelas, e fizeram questão de colocar homens de prontidão em todo o complexo. Hoje, a o Orfanato Starborn podia ser considerado o lugar mais seguro do Japão.
Dentro da sala de reuniões, encontrou e cumprimentou cada um dos possíveis investidores do projeto. Notou que havia alguém novo. Foi apresentada a ele por um dos investidores sênior.
- Senhorita Kido, este é Giuseppe Fnotinelli. Ele é um investidor europeu, e está em contato conosco a alguns meses. Está muito interessado no seu projeto, e o convidei para acompanhar nossa reunião.
- Muito prazer em conhecê-la Signorita.
- O prazer é todo meu. Cavalheiros, podemos começar?
E assim todos se sentaram para a reunião, inclusive o novo investidor, o homem esguio com olhos de lâmina e terno risca de giz.
Fim do capitulo nove
