CAPITULO IX
— Este é meu mais novo amigo, Jacob Black — Rosalie apresentou.
Bella arrepiou-se, quando Jacob pisou no iate de Edward.
— Esta é a babá de Susie... — Rosalie franziu a testa. — Desculpe, mas esqueci seu nome.
— Isabella Swan.
Bella teve de fazer um grande esforço para estender a mão e cumprimentar Jacob.
— Estou encantado — Jacob declarou, segurando a mão delicada mais tempo do que o necessário, o que fez Bella puxá-la num movimento instintivo.
— Querem um drinque? — Edward ofereceu.
— Um copo de vinho seria muito bom — Rosalie disse, acomodando-se numa das espreguiçadeiras.
Bella ficou preocupada. Não conseguia desviar os olhos de Jacob. O que ele estava fazendo ali? Devia estar usando Rosalie como uma rota para chegar até Edward.
Bella trabalhara com Jacob inúmeras vezes e conhecia seu estilo. Ele usava qualquer pessoa, ou qualquer coisa, para conseguir uma matéria. Ela o fitou, pensativa.
Ele não mudara nada naqueles dois anos. Continuava com os mesmos cabelos escuros e com um corpo atlético que chamava a atenção de qualquer mulher. Estava com a câmera fotográfica pendurada no pescoço.
— Isabella?
De repente, ela percebeu que Edward falava com ela e que não escutara nem uma palavra sequer.
— Desculpe — murmurou, pestanejando.
— Perguntei o que desejava beber — ele repetiu pacientemente.
— Limonada.
Bella pousou o olhar em Jacob.
— Duas cervejas, um copo de vinho e...
— Eu pego, Edward. — Bella precisava ganhar tempo para se recompor. — Quero dar uma olhada em Susie.
Edward encolheu os ombros e sentou-se numa cadeira.
— Tudo bem — falou. — Obrigado.
Susie brincava com a mamadeirinha vazia. Bella disse a si mesma que devia ter contado a verdade para Edward na noite anterior. Agora, a presença de Jacob Black iria piorar o que já estava ruim.
— Parece uma babá de verdade — Jacob de clarou atrás dela, assustando-a. — Como está, meu bem?
Bella virou-se e encarou-o com frieza.
— Não me chame assim — avisou-o. — O que está fazendo aqui?
— Pensei a mesma coisa, quando a vi no carro de Edward Cullen.
— Era um dos repórteres na frente do portão! — Ela movimentou a cabeça negativamente. — Pensei que estivesse trabalhando na Alemanha.
— Voltei. — Jacob sorriu e deu um passo à frente. — Faz muito tempo. Você continua linda.
Fitou-a de cima a baixo. Ela olhou para a porta, apreensiva, com receio de que Edward aparecesse.
— Pare com essas gracinhas — ordenou.
— Estava falando sério. Dois anos, e aqui estamos de novo.
Ele estendeu o braço para tocar-lhe a face, mas ela deu-lhe um tapa na mão.
— Não me toque — ordenou. — O que quis dizer com "aqui estamos de novo"?
— Estamos trabalhando juntos de novo. Obrigado por ter deixado o portão aberto ontem à noite.
— Não o deixei aberto de propósito. Foi você que eu vi pela janela?
Ele sorriu.
— Devo dizer que o que vi foi muito íntimo — declarou.
Bella enrubesceu.
— Como ousa me espionar desse jeito?
— Oh, pare de bancar a vítima. Assim que a vi naquela tarde, liguei para o jornal e conversei com Mike. Ele contou como você entrou na casa de Edward Cullen. Bela farsa. Bom trabalho.
— Pelo que me lembro, você também é bom em enganar as pessoas.
— Não venha com agressões. Não agora, que somos parceiros de novo.
— Não somos parceiros em nada.
Isso não pode estar acontecendo, ela pensou. Deve ser um pesadelo.
— Bem, Mike ficou encantado, quando telefonei — Jacob gabou-se. — Disse que estava procurando um bom fotógrafo para trabalhar com você. Implorou pelos meus serviços. Mandou que eu fizesse meu preço.
— Eu não trabalharia com você nem que meu emprego dependesse disso.
— Pare de se mostrar magoada, não combina com você. Somos profissionais. O que aconteceu entre nós não deve nos influenciar agora. Juntos podemos publicar uma excelente reportagem.
Bella revirou os olhos.
— Não estou magoada — assegurou. — Mas não vamos fazer nada juntos. Essa matéria é minha. Não quero nada, nem ninguém no meu caminho.
Jacob ignorou-a completamente.
— Tirei uma boa foto de você e Edward Cullen beijando-se, ontem à tarde — declarou. — O que me diz?
— Digo que se não sair daqui neste instante vou gritar. Edward Cullen aparecerá e vai expulsá-lo do iate, talvez até entre com um processo contra você no tribunal. O que acha?
Jacob não pareceu nem um pouco preocupado.
— Se fizer isso, conto a ele quem você é, assim nós dois seremos processados juntos — falou.
— Não se atreveria.
Jacob ergueu uma sobrancelha, como se a estivesse desafiando.
— Você sempre foi impossível — Bella disse.
— E você sempre linda. Não é de admirar que Edward Cullen tenha deixado você entrar na casa dele sem fazer muitas perguntas.
— Ele acha que sou uma babá.
— Ele não a olha como se fosse uma empregada. Tenho algumas fotos que podem provar isso.
— Você é maluco. Edward Cullen ama Tania Denali.
— Quem está falando em amor? Falo de sexo. Tania Denali não está por perto, e você é uma mulher muito atraente.
— Não gosto do jeito como sua mente funciona. Diga-me, como conheceu Rosalie?
— Brinquei de detetive.
Ele sorriu, contente consigo mesmo, em seguida olhou para Susie.
— Esta é Susie, certo? — indagou, erguendo a câmera. — Tire a mamadeira da boca da menina, por favor. Isso estraga qualquer foto.
— Não vou tirar nada.
Bella colocou-se entre a câmera e Susie. Estava irritada com a atitude de Jacob, então lembrou-se de que tirara fotos de Susie, e ficou irritada consigo mesma.
— Suponho que Rosalie não saiba que você é fotógrafo de jornais — comentou, tentando desviar a atenção dele.
— Claro que não. — Jacob riu. — Como está sua investigação? Muitas fofocas "quentes"?
— Não vou lhe contar nada.
— Não seja assim. — Ele franziu a testa. — Ou trabalha comigo, ou não vai conseguir nada.
— Isso é uma ameaça?
— Quem sabe? — Jacob aproximou-se da geladeira e pegou duas cervejas e uma garrafa de vinho. — Não se incomoda por eu me sentir à vontade? Disse a Edward que viria aqui ajudá-la. Ele vai começar a desconfiar, se não subirmos logo.
— Pouco me importa o que ele pense.
— Ah, é? — Jacob começou a subir para o convés. — Bem, se pouco se importa, conte a verdade.
Bella não teve chance de replicar, porque Edward apareceu naquele instante.
— Pensei que tivesse se perdido — Edward comentou.
— Estava conversando com sua encantadora babá — Jacob disse com um sorriso, e em seguida olhou diretamente para Bella. — Estava dizendo alguma coisa?
Aquilo era um desafio. Jacob estava provocando-a, querendo ver se ela possuía coragem para contar a Edward toda a verdade, ou se aceitava trabalhar com ele.
Bella sorriu e olhou para Edward. Se contasse quem Jacob era, tinha certeza de que Jacob falaria quem ela era, consequentemente, os dois seriam expulsos do iate.
— Eu dizia que fiz um almoço light — ela declarou. — Devo levá-lo ao deque?
— Boa idéia — Edward falou. — Quer que eu a ajude?
— Não, obrigada.
— Vou levar Susie, então. — Edward tirou a menina da cadeira. — Acho que ela precisa de ar fresco.
Quando Edward virou-se de costas, Jacob lançou um olhar triunfante para Bella. A expressão dela era de total frieza. Jacob podia achar que estava vencendo o jogo, mas Bella não tinha nenhuma intenção de trabalhar com ele. Pelo contrário, de cidira contar a verdade a Edward, logo que ficassem sozinhos.
Durante o almoço, ela pouco falou, mas olhava Edward a cada momento, tentando imaginar a reação dele, quando soubesse de tudo.
Duvidava de que a perdoasse, e sentiu um forte aperto no peito ao pensar naquilo.
Edward fitou-a. Ela desviou o olhar, não sabendo lidar com as emoções que sentia. Jacob, por outro lado, mostrava-se confiante e à vontade.
— Aqui não é maravilhoso? — Rosalie comentou, pegando seu copo de vinho.
— Concordo — Jacob disse. — Mas não gosto de velejar, porque enjôo facilmente, só que quando o tempo está assim, ensolarado, é maravilhoso.
— O que faz para viver? — Edward indagou.
— Jacob está no ramo de seguros — Rosalie respondeu. — Está de férias aqui, e nos conhecemos ontem à noite, em minha festa.
— Entrei sem ser convidado — Jacob falou. — Ouvi sobre a festa, através do amigo de um amigo.
— Ah, não entrou assim coisa nenhuma — Rosalie protestou, batendo no joelho dele. — Convidei todo mundo. E como nos divertimos! Eu disse que deveria aparecer, Edward.
Pela primeira vez, ocorreu a Bella que Rosalie Hale não estava apenas atraída por Edward, como tentava fazê-lo sentir ciúme.
— Jacob chegou tarde e foi embora hoje de manhã — a empresária contou.
— Nós nos divertimos muito — Jacob confirmou.
— Bem, estão com uma aparência ótima, para quem passou a noite em claro — Edward disse.
— Oh, você me conhece! Posso ficar numa festa até o amanhecer — Rosalie falou, olhando para Jacob. — Acho que deveríamos repetir tudo esta noite.
— Ótimo — Jacob concordou, sorrindo. — Que tal uma festa para nós quatro? Podíamos ir até Monte Cario, jantar e nos divertir no cassino. — Olhou diretamente para Bella. — Que tal?
— Não posso ir — Bella respondeu sem hesitar, encarando o ex-noivo. — Estou aqui para cuidar de Susie.
— Não pode tirar uma noite de folga?
— Não, até o final da semana.
Bella levantou-se antes que Edward a interrompesse e dissesse que podiam sair naquela noite. Não queria um passeio a quatro, muito menos estar onde Jacob estivesse.
— Com licença — pediu, pegando Susie de sob o guarda-sol. — Acho que Susie está pronta para tirar uma soneca.
— Então, Edward, Susie é sua filha? — Jacob perguntou.
Bella hesitou na porta de acesso aos camarotes, então sorriu ao ouvir Edward dizer:
— Ela é a luz de minha vida.
Durante o almoço, Jacob tentara inutilmente trazer assuntos pessoais para a conversa, porém Edward sempre fugira.
Bella caminhou o mais rápido que pôde para um dos camarotes. Não foi nada fácil deixar Susie no carrinho, pois a menina parecia cansada e irritada.
— Vamos, querida — murmurou. — Não está perdendo nada lá fora, pode ter certeza.
Os olhinhos de Susie abriam e fechavam, como se ela estivesse lutando contra o sono, até que perdeu a batalha. E foi naquele instante que Jacob apareceu.
Bella encarou-o e notou que ele não estava nada contente.
— Qual o problema? — ela indagou com sarcasmo. — Edward não respondeu a nenhuma de suas perguntas?
— Sabe muito bem que não.
— Perdendo o jeito?
— Não aposte nisso. Conseguirei o que quero a qualquer momento.
— Suba e consiga — ela retrucou com raiva. — E pare de me seguir como um cachorrinho. Edward pode suspeitar.
— Não vejo por quê. Você é uma mulher muito atraente. — Jacob abriu a geladeira e pegou outra cerveja. — De qualquer maneira, eu disse que vim buscar uma bebida.
— Não acha que já bebeu demais? Quanto mais bebê, menos cuidadoso fica com as coisas que diz.
— E daí? Com medo de que seu namorado descubra que você o engana?
— Edward não é meu namorado.
Jacob deu de ombros.
— Talvez — falou. — Mike disse que você tem de fazer de tudo para conseguir uma boa matéria.
— Está sugerindo que venho tentando seduzir Edward para conseguir uma matéria?
— Oh, não venha com moral para cima de mim. Estou me referindo ao fato de você não reclamar, quando ele a beija, ao modo como você o olhou durante o jantar de ontem à noite. Está apaixonada, ou utilizando-se de sua feminilidade para obter o que deseja?
— Não julgue os outros por si mesmo. Pode ter usado essas táticas com Rosalie, mas eu...
— Não está em posição de passar sermão. Está na casa de Edward falsas pretensões, não importa o que sinta.
Bella fitou-o. Jacob tinha razão. Ela não estava em posição de ensinar ética para ninguém.
— De qualquer modo, faça de tudo para que eu possa tirar fotos de vocês dois juntos — Jacob ordenou, tirando um minigravador da bolsa da câmera. — Vai precisar disso. Mike disse que você não tinha um.
Bella olhou para o pequeno aparelho com desdém, mas pegou-o. Era melhor fingir que estava do lado de Jacob. Se dissesse que não pretendia trabalhar com ele, que não tinha nenhuma intenção de gravar nada do que Edward dissesse, ele faria um escândalo, ainda mais estando bêbado. Colocou o minigravador na bolsa e olhou para o carrinho, onde Susie balbuciava no sono.
—É melhor voltar para o deque — murmurou a Jacob. — Além de estar perturbando, vai acordar Susie.
— Não se preocupe, já vou. — Jacob segurou a câmera. — Só vou tirar uma foto de Susie.
— Prefiro que não tire fotografias no meu iate — Edward falou com frieza.
— Edward, você me assustou! — Jacob protestou. — Não o ouvi descendo a escada.
Bella estava preocupada, perguntando-se quanto da conversa Edward teria ouvido.
— Não se incomoda se eu tirar uma foto, não é? — Jacob insistiu. — Dou o negativo, se quiser. Será uma grande recordação, num dia de chuva.
— Não temos muitos dias de chuva aqui — Edward disse. — Mas, por falar nisso, vim avisar que o tempo está mudando. Acho melhor voltarmos.
Bella começou a relaxar. A julgar por suas maneiras, Edward não tinha ouvido nada. Jacob, por outro lado, parecia inquieto.
— É mesmo? — indagou, fazendo uma careta.
— Enfrentaremos uma tempestade? Não sou bom marinheiro, com o mar agitado.
— Tempestade? Acho que não — Edward respondeu. — O boletim anunciou tempo bom, antes de sairmos.
Bella seguiu os dois para o deque. O céu ainda estava azul, mas a brisa soprava forte, fazendo o iate dançar sobre as ondas.
— Não me sinto bem — Jacob reclamou, encostando-se na grade.
— Não seja bobo, querido — Rosalie ralhou, rindo. — E só uma brisa. Aposto que não tinha notado, até que Edward avisou-o.
— Bem, acho melhor irmos, antes que as coisas piorem.
Bella tentou esconder um sorriso. Não via a hora de se livrar de Jacob. Rosalie vestiu uma camiseta por cima do biquíni e ficou na ponta dos pés para beijar Edward na face.
— Eu o vejo qualquer dia desses — murmurou.
— Apareça para jantar amanhã — Edward falou.
— Às oito?
Ele movimentou a cabeça afirmativamente. Bella não estava nada feliz. Ficou ao lado de Edward, observando Rosalie e Jacob voltarem para o outro barco.
— O convite inclui Jacob? — indagou.
— Acho que ela não levará Jacob, você acha?
— Não sei.
— Desapontada?
— Desapontada por ter convidado Rosalie para jantar, ou desapontada por Jacob não ir?
— As duas coisas.
— Não é da minha conta quem você escolhe para jantar em sua casa, e quanto a Jacob... Para ser honesta, não gostei dele.
— Não? — Edward ergueu uma sobrancelha, irônico. — Ele pareceu gostar dê você. — Acenou para Rosalie, então voltou-se para Bella. — De qualquer maneira, convidei Rosalie para jantar para falar de negócios. Quer um drinque?
— Achei que quisesse voltar para a baía. Não há ameaça de tempestade?
— Estamos a salvo, por enquanto.
Edward aproximou-se das espreguiçadeiras e pegou uma garrafa de vinho.
— Bem, eu estava tomando limonada, mas... — Bella encolheu os ombros. — Por que não?
— Por que não?
Ela franziu a testa. Sentia que Edward estava estranho, que havia algo de diferente. Ele verteu vinho em dois copos, entregando um a Bella. Quando seus olhares encontraram-se, ela ficou arrepiada.
Bella ansiara para que Rosalie e Jacob partissem para que pudesse ficar a sós com Edward e contar toda a verdade. Agora que o momento havia chegado, começava a achar que não era uma boa idéia dizer quem era.
— Ainda está bravo comigo? — perguntou, recordando que antes de Rosalie chegar, estavam discutindo.
Edward passou a mão no rosto e sorriu.
— Acho que mereci o tapa — disse. — E não estou bravo.
— Desculpe por ter feito aquelas perguntas idiotas a respeito de Tania. Eu...
— Não eram perguntas idiotas. Posso entender por que quer tanto saber sobre ela.
— Acho que não.
Bella passou a mão nos cabelos. Não sabia por onde começar a confissão. Estava com medo da reação dele. Edward afagou-lhe uma das faces.
— Não consigo manter as mãos longe de você — sussurrou. — Nunca me senti assim.
Bella estremeceu. Entreabriu os lábios para dizer alguma coisa, mas não podia deixar que as emoções a dominassem. Precisava dizer quem era, antes que se deixasse cair em tentação.
— Nunca me senti assim com Tania — Edward confidenciou.
— Não é de minha conta.
Bella tentou afastar-se, mas ele impediu-a.
— Quero fazer amor com você, Bella. Quero fazer amor com você agora.
— Precisamos conversar, primeiro.
Edward beijou-a.
— Podemos conversar depois — murmurou. — Prometo.
Bella tinha suas dúvidas. Desejava-o muito, mas sentia que era errado entregar-se.
— Não quero estragar uma família — disse.
— Não há nenhuma família para estragar.
— Não importa que não queira casar com Tania, mas há Susie, e vocês são uma família.
— Susie não é minha filha.
— Mas pensei...
— Sei o que pensou, mas estava errada.
— Quem é o pai de Susie? Por que ela está com você?
— Tantas perguntas... — Edward acariciou os cabelos marrons e sedosos. — Mas tudo o que quero agora é fazer amor com você.
Beijou-a com ardor.
— Podemos conversar depois — sussurrou. — Conto sobre Tania, e você me conta a história de sua vida, mas agora só consigo pensar em uma coisa.
Mais um capítulo postado!
Nesse feriadão eu posto o próximo.
Bjs.. e até lá!
