CAPÍTULO IX
"Algo mais"
Á noite, no Dojo dos Shinsengumi
Okita estava no seu futon, enquanto saboreava doces e ouviu algo estranho. Sentiu a presença de alguém a trepar pela janela. Empunhou a espada, esperando o intruso se revelar. Num flash apenas viu um vulto preto saltar da janela e um espada na sua garganta.
- Não sabia que os ninjas trabalhavam a favor dos revolucionários! – comentou Okita, afastando a catana da sua garganta.
- Sou eu, baka! – disse a rapariga, tirando a faixa preta que lhe tapava a cara, os cabelos ruivos caíram-lhe até ás ancas. – Não sou nenhum ninja!
- Battousai! – espantou-se Okita – O que raio estás aqui a fazer?
- Vim matar-te! – cuspiu Battousai.
- Sabes quantas vezes já dissestes isso …
- Agora vou mesmo! – irritou-se a rapariga – Por me teres violado!
- Eu não te violei! – corrigiu Okita – Tu também quiseste.
A rapariga tentou construir um argumento plausível, mas da sua boca não saiam palavras.
Okita sorriu e aproximou-se.
- Tu quiseste! – repetiu Okita, cofiando-lhe os cabelos carinhosamente – Eu conseguia sentir que tu querias! Que tu também que sentes atraída por mim …
Os lábios de Okita depositaram-se no pescoço dela, que o empurrou levemente.
- Pára! – pediu Battousai, numa voz pesada de desejo.
- Tu sabes que queres … - atacou novamente Okita.
- Pára com isso! – irritou-se Battousai, empurrando brutamente o capitão.
Battousai afastou-se do capitão, de braços cruzados e com a expressão carrancuda do costume. Bufou alto e furiosamente. Okita tinha um efeito estranho nela! Metia-lhe raiva e enervava-a, mas talvez fosse por ser o seu inimigo mortal, mas por qualquer razão não consiga magoá-lo. Simplesmente … não conseguia! Por mais que tentasse!
Sentiu umas mãos a invadirem-lhe a cintura e tentou libertar-se, com uma expressão de fúria e ódio no rosto
- Larga-me! – pediu Battousai – Deixa-me em paz!
- Quem me dera conseguir! – confessou Okita, ela olhou para ele carinhosamente.
- E porque não consegues? – perguntou ela, numa voz pesada de desejo.
- Não sei …
Foi a única coisa que o capitão do primeiro esquadrão conseguiu dizer antes de pegar no rosto dela entre as suas mãos e lhe invadir os lábios. A rapariga nem esperou uma segunda investida e correspondeu aquele beijo que se tornou cada vez mais apaixonado. Separam-se por aquele beijo que lhes causara falta de ar e uniram-se novamente segundos depois. Foi então que as roupas de ambos se soltaram do corpo deles e seguiram rumo ao futon, onde Okita iria mostrar novamente o maior prazer do mundo a Battousai.
- O que fizeste comigo? – perguntou Okita, sorrindo para a rapariga e cofiando-lhe os cabelos ruivos suavemente – Abanaste completamente o meu mundo.
Battousai limitou-se a sorrir para ele, que a olhava apaixonadamente. Estavam os dois deitados no futon do capitão, de frente um para o outro e apenas cobertos pelos lençóis. Ainda arfaram devido ao momento passado.
- Okita-san …
- Souji! – corrigiu Okita.
- Hum? – perguntou Battousai, olhando para ele carinhosamente.
- Chama-me Souji! – pediu Okita com um sorriso.
A rapariga limitou-se a sorrir e a olhar para ele, carinhosamente. Por mais que tentasse, não conseguia deixar de parte o facto de não conseguir deixar de pensar nele. E agora estar ali com ele, parecia tão certo, sabia tão bem. Nunca pensara poder alguma vez sentir-se daquele jeito. Tão frágil mas ao mesmo tempo como se nada do mundo a pudesse derrotar. Era um sentimento deveras estranho.
- Battousai … - chamou Okita olhando para ela, que imediatamente olhou para o capitão – Qual é o teu nome?
Ela olhou para ele e suspirou. Conseguia ler nos olhos Azul-Turquesa dele a sua pergunta. Ele realmente queria saber quem ela era. O seu nome. A sua identidade. Ponderou se devia dizer ou não. Mas porque haveria de lhe dizer? A ele? O rapaz que lhe invadia os seus sonhos sem permissão? Que a salvava a cada beijo? Baixou os olhos e sentiu as mãos dele a puxarem o seu queixo para cima, colocando-o á mesma altura dos seus olhos.
- Por favor … diz-me! – pediu Okita.
- Como é que eu não sei se isto não passa de um plano? De uma maneira de os Shinsengumi me apanharem numa armadilha e matarem-me?
- E como é que eu não sei se isto não é uma armadilha preparada pelos Revolucionários para me matarem?
- Não é! – respondeu ela – Ninguém sabe nem sonha do que se passa entre nós!
- E o que se passa entre nós?
- Isto! – respondeu, corada, a rapariga.
Okita limitou-se a sorrir e beijou os lábios de Battousai.
- Porque não me dizes o teu verdadeiro nome? – perguntou Okita.
- Ninguém o pode saber! – informou ela.
- Mas … ninguém precisa de saber que eu sei! – esclareceu o capitão.
- Está bem …
CONTINUA ... no próximo capítulo!
