Guerra dos Mundos
Todo ato impensado tem ou não tem as suas consequências. E Sasuke Uchiha teve o conhecimento do seu assim que pôs os pés em casa no domingo pela manhã. Abriu a porta e viu suas malas na antessala, assim como tudo o que foi considerado dele. Até o seu cachorro, um pug de nome Pakkun, estava no meio das coisas dele.
- É amigo... - fez um carinho na cabeça do animal – não perdoaram nem mesmo você...
- E tão cedo receberá esse tal perdão.
Sasuke nem se dá o trabalho de olhar para a pessoa que lhe falara.
- Hunf! Te deixaram aqui para se certificar que eu vá mesmo embora, Itachi?
- Não. E também não tem ninguém em casa. Voltarão mais tarde para terem certeza que se foi. Papai cancelou seus cartões de credito e é para você deixar as chaves do Jaguar.
- Não mesmo! Foi a vovó Naori que me deu de aniversário!
- Af! – Itachi levanta as mãos - Tudo bem! Já tem para onde ir?
- Tinha ideia que sucederia algo do tipo... – Sasuke aponta as malas - ... mas não pensei em lugar algum.
- Toma! – Itachi joga para o irmão um molho de chaves – Pode ficar no apê comigo, espaço é o que não falta.
- Tem certeza? Vai comprar uma briga feia com os velhos.
- Foda-se! – se aproxima do caçula - Eu que não vou deixar meu irmãozinho na rua da amargura! – e toca a testa de Sasuke com dois dedos.
Esse gesto é o que Itachi sempre fazia com Sasuke desde que ele era criança, como uma forma de expressar seu carinho pelo irmão. Também quer dizer com isso que sempre estará do seu lado não importa as circunstâncias e que para ele Sasuke será o seu querido irmãozinho.
- E a mamãe... como ela reagiu?
- Sabe como é a dona Mikoto. Sempre uma fortaleza, mas em se tratando de seus filhos, se desmancha inteira. Nos vemos a noite.
Sasuke foi deixado sozinho na mansão Uchiha. Após a declaração feita na festa de Gaara onde assumiu publicamente sua relação com Sakura Haruno, a notícia correu feito rastilho de pólvora e chegou aos ouvidos de seu pai, o chefe da família, Fugaku Uchiha. Pensou que enfrentaria a fúria dele quando chegasse em casa, mas pelo visto, ele não quer nem olhar para a cara do filho. Sentiu um nó no estômago, mas não estava arrependido do que fez. Amava Sakura e já tinha passado da hora de todos ficarem sabendo que estão juntos. Pegou suas coisas, o cachorro e pôs no carro. Tinha que ligar para saber como Sakura estava, pois ela também enfrentaria a fúria de seus pais e avô.
(...)
Ainda de madrugada, após o término da festa, Hinata foi deixada por Naruto em casa. Quando entrou levou o maior susto, pois seu pai estava sentado no sofá a espera dela.
- Papai...
- Sua mãe me disse que foi a uma festa com um amigo.
- Eu... – as palavras não queriam sair, de repente seu corpo todo travou - ... eu...
- Vai me dizer quem é esse rapaz!
- Agora não, Hiashi! – dona Himawari entra na sala – Hinata vai descansar e quando o dia clarear, vocês conversam.
O homem passa pelas duas mulheres de braços cruzados olhando feio para a filha e vai para o quarto. Só então Hinata respira.
- Nossa mamãe... pensei que ele fosse brigar comigo...
- Eu conversei antes com ele. Agora vá e durma.
Hinata beija sua mãe e vai para o quarto. Após ter trocado de roupa deitou-se, mas não dormiu. Pensou em como seria a conversa que teria com o pai, mas logo esqueceu, pois, seus pensamentos foram invadidos com os momentos que passou com Naruto na festa. A música, a dança, o beijo. Tudo magicamente lindo. Não via a hora de reencontrá-lo e quando isso acontecesse, também seria a noite em ambos dormiriam juntos, se tudo ocorresse bem. Ficou corada só de imaginar como é ir para a cama com quem se gosta. Hinata já nutria um forte sentimento pelo moço bonito. E faria como o amigo de Naruto fez. Teria coragem e enfrentaria o pai caso fosse necessário para ficar com ele. Não permitiria que nada estragasse a sua felicidade. E tinha o apoio de sua mãe que mesmo doente a defendeu do pai tirano.
(...)
Quando chegou no apartamento de Itachi, Sasuke tentou ligar para Sakura várias vezes, mas só dava caixa postal. Quando ele desiste, o celular toca e a chamada é de um número desconhecido, mas atende.
- Quem é?
- Sasuke...
- Sakura! Que bom ouvir sua voz. Por quê está ligando de um número desconhecido?
- Dei fim no celular pois podem me localizar através dele. Estou usando o número de um amigo. Bom... eu não paguei para ver! A essas alturas meu avô já declarou a terceira guerra mundial e já colocou gente atrás de mim.
- Mas se você estiver na casa da Ino vai ser o primeiro lugar que vão te procurar. Vão te localizar rastreando seu carro.
- É que, não estou... – ela olha para a amiga - ... não fui para a casa da Ino. Deixei meu carro em frente ao meu prédio, peguei um Uber e vim para um outro local.
- Onde você está Sakura?!- Sasuke fica preocupado.
Sakura conta onde está. Como tinha a exata ideia da reação que o avô teria ao saber da notícia da declaração feita pelo namorado, tratou de ficar longe do meteoro que com certeza atingiu o apartamento dos Harunos.
- Mas você está bem? Pode confiar nessa pessoa?
- Sasuke, se não fosse por ele, eu nem sei... – ela ameaçou um choro.
- Calma! Eu também saí de casa. Aliás, fui expulso. Estou no apartamento do Itachi. Precisamos nos encontrar!
- Deve ter gente na nossa cola. Se meu avô me pega vai me forçar a casar com o Naruto!
- Vamos pensar num jeito de nos encontrar sem que saibam. Assim que tiver uma ideia eu volto a te ligar.
- Sasuke... eu amei o que fez na festa... teremos que enfrentar as consequências, mas sei que não estou sozinha, tenho você e vou seguir em frente. Eu te amo!
- Eu sei... também te amo. E vamos sair juntos dessa.
O casal conversa mais um pouco e se despede, ambos sentindo um aperto no coração.
(...)
- Sejam bem-vindos!
Quem recebe Naruto e seus pais com um caloroso abraço é a senhora Mito, esposa do doutor Hashirama Senju, irmão de Tsunade.
- Tia!
- Minato! – a mulher o abraça – Quando fiquei sabendo que vinham para cá mandei preparar tudo!
- Não queremos dar trabalho, senhora Mito...
- Kushina. Imagina! Vocês são da família. Jamais deixaremos de ajudar ainda mais num momento como esse. E cadê o Naruto?
- Aqui, tia.
- Ah aí está a nossa alegria de viver! – o abraça e lhe beija o rosto – Mandei preparar aquele pão de centeio que você adora!
- Só a senhora mesmo!
Após a confusão na mansão Uzumaki, Tsunade ligou para o irmão Hashirama e relatou o acontecido. Pediu que amparasse o filho e a família. Então Hashirama ligou para Minato e insistiu que todos fossem para sua casa em Ebetsu. A princípio, o sobrinho não quis, mas acabou aceitando. Tomaram um café da tarde que a senhora Mito havia preparado. Depois, Minato e Hashirama conversaram a respeito do que Jiraya fez com o neto.
- Papai cortou tudo do Naruto. Não há como ele se manter.
- Não se preocupe com isso. Lembre-se que Naruto tem parte no Hospital Memorial Senju, como herdeiro de Tsunade, e já mandei providenciar um cartão de crédito e um carro.
- Nem dá para imaginar que meu filho viveu horrores todo esse tempo. Me sinto culpado por não ter sido forte o bastante para não perceber o que acontecia e o proteger. – Minato fala com a voz embargada.
- Que é isso, meu sobrinho? Agora o que importa é que todos vocês estão longe daquele louco. Só lamento pela minha irmã.
- Tenho certeza que logo mamãe o deixará também. Ela ama o neto e não vai ficar muito tempo longe dele.
Os dois se reuniram a família na sala, que conversavam assuntos aleatórios como distração. Depois disso, Naruto saiu usando o carro do tio.
(...)
Hinata não dormiu após ter chegado da festa. Esperou ansiosa pelo amanhecer e enfrentar o seu pai, e temia por isso. Quando saiu do quarto o encontrou sentado na sala com os braços cruzados e o olhar sério. Ela nem esperou que ele a chamasse. Respirou fundo e sentou numa cadeira próxima. A senhora Himawari sentou-se do seu lado.
- Eu quero saber quem é este rapaz. Fale!
Ela contou tudo, a forma como se conheceram, como a ajudou, não escondeu nada. Hiashi não disse palavra alguma. Até a dona Himawari estranhou a quietude do marido, geralmente ele já teria explodido sua ira por saber que sua filha saiu com um homem.
- Quero o cartão dele.
Ela entregou e o homem leu as informações contidas. Levantou-se pegou seu boné e sem dizer nada, saiu. Mãe e filha ficaram sem entender nada.
- Mamãe! Aonde o papai foi?!
- Não sei filha, mas vamos rezar para que não faça nenhuma uma besteira.
(...)
Com o cartão em mãos, Hiashi foi até a casa de seu irmão Hizashi, e pediu que o mesmo ligasse para o número impresso no papel, pois como era um homem avesso a modernidade não tinha um celular.
- Hinata tem uma namorada? Essa é boa! – perguntou Neji, sobrinho dele que estava perto.
- Se depender de mim, não!
Naruto está a caminho do apê de Konan e vê quando o aparelho toca, e atende.
- Alô?
- Senhor Uzumaki?
- Sou eu. Quem deseja falar?
- Sou o pai da Hinata e quero falar com você! Mandarei o endereço por mensagem e o espero em uma hora.
- Senhor Hyuuga, eu... – Hiashi desliga - ... nossa, nem deixou eu falar!
Em seguida recebe a mensagem do endereço de um bar perto do porto de Ishikari. Ele pensou se iria ou não, mas como se trata do pai da garota a qual ele está afim, achou por bem ir, pois mais cedo ou mais tarde teria que fazer já que tem intenções de ter algo sério com Hinata. E teria que pedi-la em namoro como manda o figurino para que não ter problemas no futuro. Se dirigiu ao local, estacionou o carro emprestado e perguntou por Hiashi Hyuuga e quem lhe respondeu com cara de poucos amigos, foi Neji.
- Na mesa do fundo. Ah! E fica longe da minha prima.
Naruto encarou sério o jovem que tinha a mesma estatura que ele. Quer dizer que além do pai, tinha o primo para ajudar a ferrar as coisas.
- Senhor Hyuuga?
- Sente-se.
Ele sentou. Hiashi olhou o jovem de cima a baixo, analisando-o.
- Soube que saiu com a minha filha.
- Ah... sim senhor...
- Cometeu um erro, rapaz!
- Errei?! Mas...
- Se estava interessado em minha filha, primeiro tinha que falar comigo! - o homem alterou o tom de voz atraindo a atenção dos presentes – Olha, seu Uzumaki, eu não sou um homem culto, cheio de sabedoria, eu sou um homem do mar!
- Eu jamais desmerecia sua condição, senhor...
- Mas eu prezo o que é certo! E no meu pouco conhecimento de vida, um homem quando quer algo com uma moça direita, ele tem que primeiro: - ele aponta o dedo indicador para cima – procurar o pai da moça e conversar com ele e dizer as suas boas intenções. Um homem honrado preza pelos bons costumes, e não avança o sinal, como o senhor fez!
- Eu não fiz isso, senhor Hyuuga...
- E como não fez?! – ele soca a mesa derrubando o copo de cerveja barata assustando Naruto – Saiu com a minha filha antes mesmo até de pedir permissão para a mãe, que foi outra coisa errada que fez, consultar a mãe antes do pai.
- O senhor está certo! Eu realmente comecei errado, tinha que primeiramente conversar com o senhor e ...
- Minha filha não é uma qualquer! Ela tem um pai, embora eu seja um borra-botas*, eu sou trabalhador, e se for necessário eu a defendo e respondo por ela.
- Eu acredito que o senhor seja exatamente assim como disse...
- Mas não foi o que pareceu! Só por que socorreu as minhas filhas, se achou no direito que querer se aproveitar dela.
- Essa nunca foi minha intenção!
- E qual seja a sua intenção, senhor Uzumaki, - Hiashi aproxima o rosto perto dele – não quero saber!
- Se o senhor me der a chance de me retratar, eu posso...
- Não! Fique longe da minha filha! Por que se eu souber que veio atrás dela, eu vou lavar a minha honra do meu jeito: na base da bala!
- O senhor não pode agir assim! A Hinata já é maior de idade* e pode fazer o que quiser!
Se Naruto queria irritar Hiashi, acabou de conseguir.
- Não se ela continuar dependendo de mim. E isso acaba aqui. Vai embora!
Naruto levantou-se da cadeira recebendo olhares nada amistosos dos homens ali naquele bar. Antes de sair, Neji o provocou.
- Esqueça a Hinata! Senão... – e o ameaça com um canivete.
Naruto não demonstrou medo. Aproximou o rosto, encarando o tal primo, assentiu com a cabeça e saiu. Não provocaria uma briga ali, isso não o ajudaria. Entrou no carro e seguiu para o apartamento de Konan.
