Olha um capitulo revelador ai gente! Kkkk Como estão todos? Primeiro quero mais uma vez agradecer a minha adorada beta Lara (bloodyrose), que dou um puxão de orelha, já que não me deixou review! Sei como está na correria, por isso não me sinto abandonada. Isso vale pra clarinha e pra Jujy. Estudem bastante meninas!

Quero agradecer ao reviews lindo que recebi:

Paulo23 (acredito que seja o guest que me enviou) e Naruh Lira (seja bem vindo)


"Nada melhor do que descobrir um inimigo, preparar a vingança e depois dormir tranqüilo". [Joseph Stalin]

...

O casal se sentou nas duas cadeiras oferecidas. Senna passou rápido as vistas para a sala muito bem decorada. Tinha a personalidade de Ishin em cada detalhe. Os quatro quadros que estavam atrás do advogado, um pouco acima da cabeça numa prateleira, mostravam a beleza de Masaki, o sorriso divertido das gêmeas, a família reunida para uma foto, e um garoto de cabelos laranja. Sentiu o coração apertar forte. Ver aquele sorriso bonito novamente a deixava sem alento. Renji percebeu o olhar parado de sua esposa, e sem querer, acompanhou o ponto fixo onde ela estava atenta. Fechou na hora o sorriso que tentava mostrar à Kurosaki. Ishin percebendo o desconforto gerado por aquela situação resolveu intervir para não criar um ambiente hostil novamente.

- Bem, podemos começar? Antes gostaria de dizer que estão diferentes de quando nos vimos pela última vez. Acho que eu também não fico atrás, não? Estou mais velho e acabado. Graças aos céus, minha Masaki-san ainda me acha charmoso!

Sorriu do próprio comentário e foi acolhido com o rosto mais relaxado do casal. Renji, que não sabia onde colocar as mãos, e ficou apertando e movendo-as sem rumo definido. Senna observou o ex-sogro e sorriu. Não havia nenhuma mudança nele, e sabia bem disso.

- Perdoe meu comportamento, Ishin-san! Sei que não deveria estar aqui te perturbando depois do que fiz a sua família... Mas não posso misturar duas coisas distintas. Meu trabalho e minha vida pessoal.

Pontuou nervosa. Os olhos pareciam arder querendo liberar lágrimas que jamais permitiria. Não podia negar que teria sido muito feliz com aquela família. Eram tão acolhedores e carinhosos com ela, que cada vez o aperto em seu peito ficava mais firme. Renji ouviu a voz quase embargada da esposa e se compadeceu. Sabia o quanto ela amava aquela família. Mais uma vez sua mente voou para aquele dia e percebeu o quão idiota foi em tirar a felicidade daquela garota. Se não tivesse deixado o calor da paixão assolá-lo, jamais teria se permitido fazer tamanha traição, não só com o amigo, quanto à mulher com que se casou.

- Sem problemas! Mas por favor, Kobayashi-san, mantenha-se longe de meu filho. Ele não está completamente livre da dor que sofreu. Da vergonha que viveu no dia que achava ser o mais feliz da vida dele. Por favor, não perturbe mais meu filho. Creio que agora seja Abarai-san, correto?

- Sim. – Renji respondeu no lugar da esposa que já não suportou mais as palavras de Ishin e chorou envergonhada.

Ishin tomou um lenço branco delicado, com bordado das iniciais K. M. e entregou a jovem para que se recompusesse. Avaliava a grande mudança no físico daqueles meninos. A magreza de Senna a deixou mais bonita e charmosa. Em seu coração sentia um carinho especial pela morena. A queria como nora na época, mas nem mesmo após o que ela fez conseguia sentir ódio dela. Depois de alguns minutos de choro, Senna se ajeitou na cadeira e olhou firme para o ex-sogro.

- Perdão! Não faz ideia do quanto me arrependo do que fiz com vocês e com Ichigo-kun.

- Tudo bem. Vamos esquecer o passado e continuar nossos caminhos. Por favor, comecem a entrevista.

Renji se sentia deslocado naquela conversa. Parecia que o laço criado no passado com o noivado ainda permanecia intacto. Isso o irritava profundamente. Não por ciúmes, ou talvez achasse ser assim. Mas porque Senna detestava a família Abarai. Não suportava ficar muito tempo sem brigar com a sogra e o irmão de Renji. Agora, com essa família Kurosaki, ela se transformava completamente. Até a voz saia mais suave e sem mágoas. Sem dúvidas estava arrependido de ter-lhe tirado a felicidade.


- Checou o que pedi?

O corpo magérrimo espreguiçou-se no divã daquele consultório moderno.

- Ainda nem sinal de minha pequena... Não faz ideia do quanto sinto falta daquele corpo delicioso... Hum...E o cheiro? Meu desejo aumenta cada vez mais. Não sei quanto tempo irei suportar essa distância.

O rapaz loiro de olhos claros sorriu com a careta que recebeu.

- Poupe-me desses detalhes, Geon-san! Preciso encontrar a pirralha, ou meus sonhos não se realizarão.

- Calma, Yuri-chan! Logo a encontraremos.

- Aquele Urahara não tinha que ter entrado no caso... Queria a Kia-chan presa até o fim dos dias dela!

- Não seja impaciente... Logo a teremos novamente, e dessa vez irei cuidar para que ela jamais esqueça meu amor!

- Amor? Só você mesmo pra chamar estupro de amor. Adoro esse seu jeito, Geon-san!

O casal sorriu deliciado. Cada um tinha seus próprios pensamentos, mas ambos com um só desejo em mente: vingança.

- Ela irá sofrer tudo o que passei por culpa dela! Ah se vai... Ah se vai...


- Alguma novidade, Kisuke-san?

Kuukaku sentou-se à mesa do companheiro. Várias folhas estavam espalhadas pela superfície envernizada. Fotos do casal Kuchiki estavam expostas de forma organizada, deixando ver as marcas avermelhadas e roxas no pescoço, ombro e barriga. Urahara observou uma que tinha uma marca mais leve; não era profunda ou violenta como as outras. Aquele tipo de marca estava em mais partes do corpo do casal, principalmente de Kuchiki Akemi. Parecia que o ódio era direcionado mais nela, já que as marcas se estendiam até as pernas. Algo que perturbava muito o perito.

- Essas marcas... Não foi feita pela mesma pessoa que matou o casal...

Parou pensativo. A Shiba levantou a fina sobrancelha com curiosidade. Sabia que havia algo errado, ou Urahara não ficaria pensativo daquele jeito. Todos o conheciam pelo modo brincalhão e deslocado daquele ambiente, mas quando se interessava por algum caso mudava completamente a feição divertida para uma séria e concentrada.

- Quem acha que fez isso?

- Uma mulher pequena...

A surpresa de Kuukaku foi percebida pelo perito.

- Mas era uns dez ou quinze centímetros mais altos que Rukia-san!

Emendou rápido para não haver confusões. Shiba relaxou um pouco e colheu uma foto de Rukia com a família. O sorriso enorme da garota mostrava a felicidade na qual o casal estava vivendo.

- Conversou com Kaien-san? – Cortou Urahara, tomando delicadamente a foto das mãos da Shiba.

- Não. Sabe que já não nos falamos faz anos... E sinceramente, não pretendo começar agora! Se puder fazer essa parte pra mim?

Olhou-o com tristeza. Aqueles laços estranhos com o caso estavam deixando a controlada Kuukaku sem forças. Faziam dez anos que não conversava com o irmão do meio. Ele abandonou a casa quando o pai estava para entrar em falência. Não o culpava por ter ficado nervoso com aquilo, mas eram uma família. Precisavam estar juntos para resolver esse tipo de situação. Brigaram muito, tanto ela quando Ganju, que idolatrava o irmão. Mas Shiba Kaien jamais aceitaria o fato de se tornar pobre. Sempre fora orgulhoso e altivo. Sonhava longe e desejava se sentar nas cadeiras de CEO das empresas em que trabalhava. Não estranhou quando ele explodiu ao saber que o pai consumiu todo o patrimônio da família em jogos e dívidas.

- Are, are! Assim eu acabo fazendo tudo sozinho. Mas vou fazer isso por você. Agora preciso que me faça um favor também!

Esperou a morena voltar sua atenção, já que ela divagava sobre seu passado triste.

- Peça!

- Preciso que leve Yoruichi-chan e a pequena para outro lugar seguro. Hoje de manhã recebi uma ligação, e ela me disse que não é um bom lugar para a garota. Parece que ela está mais perturbada do que pensou. Eu disse que isso era errado! Ela deveria ter permanecido na cadeia até tirarmos ela!

- Como farei isso sem chamar atenção da polícia?

Sorriu irônica para o rosto surpreso do loiro. Adoravam trabalhar juntos, e sentiam a adrenalina correr com força novamente. Aventurar-se era a forma mais natural para aqueles dois vencer os próprios demônios do passado.

- Tenho certeza que arranjará um jeito!


- Inoue?

Schiffer questionou sem vida a porta de seu apartamento. A ruiva estava vestida belamente em seu vestido rosa claro, os seios avantajados muito bem delineados pelo decote quadrado, não muito vulgar. Orihime ficou nervosa por ouvir aquele tom ranzinza. Somente ela era capaz de saber quando Ulquiorra estava nervoso ou triste. E neste momento, ela percebeu desprezo.

- Ulquiorra-kun... E-u... Eu vim te ver e... Bem faz dois dias que não nos falamos... Eu achei que você estivesse doente, ou sei lá... Muito ocupado...

- Vá pra casa, Inoue!

- Mas...

- Não quero mais falar com você. Por favor, volte pra casa!

- Ulquiorra-kun?

A porta foi fechada bruscamente no rosto bonito da ruiva. Lágrimas já escorriam no rosto alvo. A dor que a consumia desde que voltou a dormir com Kurosaki a estava destruindo por dentro. Só a distância entre ela e o moreno, a fez perceber que não era um amor platônico como sentia por Kurosaki.

O que tinha com Schiffer. Era diferente. Especial. Mas ela não valorizou isso e agora estava sofrendo a dor da distância e desprezo do rapaz.


- Então?... Mas que história... Eu nem sei o que dizer, nossa!

Hirako não sabia como reagir a tanta informação de uma vez. Yoruichi e Ichigo estavam em silêncio. Kurosaki ainda tinha o corpo retesado de raiva. O silêncio voltou ao apartamento.

- O que irão fazer? – Hirako perguntou com um brilho estranho no olhar.

O rapaz loiro sempre foi muito prático no que fazia, mas estava nervoso por não saber como ajudar aquela garota que achava ser uma ninfa.

- Terei que sair um pouco para resolver uns assuntos pendentes.

Yoruichi quebrou o silêncio a falta de resposta ao loiro. Ichigo estranhou aquele comportamento.

- Como assim sair? Você também é foragida Yoruichi-san. Como pretende sair sem chamar atenção das pessoas?

Levantou-se indignado com aquelas palavras sem sentido de sua madrinha. Hirako só observava o casal discutir. Fazia anos que não os via juntos, e sentia falta dessa reação descontrolada dos dois.

- Se você não percebeu, ninguém falou meu nome ou mostrou minha imagem na mídia! Não sou uma fugitiva qualquer. Eles não querem que ninguém saiba que eu fugi. Posso passar despercebida sem problema nenhum.

Pontuou a gatuna sem se importar em levantar o tom de voz. Ainda estava preocupada com a pequena que jazia no quarto ao lado, mas também queria ver como estava sua sobrinha. Sentia falta dela, e ver Rukia daquela maneira a deixava ainda mais preocupada com a situação de sua menina.

- Não pode! Quem vai cuidar da Rukia quando eu precisar sair? O Hirako? Viu o que ele fez a ela?

- Espera, Ichigo. Eu não sabia que ela tinha esse problema todo. Jamais teria feito isso se soubesse...

- MAS FEZ! E não vou permitir você ficar perto dela sozinho, entendeu? Não vou!

- Quem te disse que você é alguma coisa pra cuidar dela ou me impedir de protegê-la?

- Meninos...

- EU SOU O ADVOGADO DELA!

- A TÁ! E ISSO TE FAZ SER MELHOR QUE EU EM QUE PONTO?

- Meninos, parem com isso...

Shihouin já estava quase prensada entre os dois rapazes exaltados. O nervosismo já estava tomando conta da morena.

- NÃO INTERESSA! FIQUE LONGE DELA! SÓ ISSO...

- ME IMPEÇA ENTÃO!

- CALEM A BOCA, VOCÊS DOIS! Parem de brigar que nem crianças. Rukia precisa de apoio e não dois marmanjos com cérebro de moleques pra atrapalhar. Se querem brigar, façam isso lá fora, longe de Rukia-chan.

- Desculpe!

O coro dos dois rapazes fez Yoruichi relaxar. Sempre acabava dessa forma desde que eram pequenos. Tinha que olhar os dois para não saíssem nos tapas. Mas isso não impedia serem melhores amigos.

- Vou precisar sair agora. Soi Fon está com problemas e precisa de mim.

Ichigo a olhou apreensivo, lembrando-se do que aconteceu com a ex-namorada.

- Irei com você, então! – Falou nervoso. Não queria deixar a morena sozinha naquele apartamento. Mas sentia vontade de reencontrar a antiga amiga para apoiá-la também. Agora estava compreendendo melhor o sofrimento daquela pequena fugitiva. Sentia que devia ser muito doloroso o que ela estava passando, e não sabia como ajudar em algo.

- Então eu fico aqui olhando ela até vocês chegarem.

Hirako sorriu tristonho ao amigo ruivo. Ichigo crispou as mãos, mas não se mexeu. Ela não poderia ficar sozinha naquele momento. Mas como a pobre menina reagiria quando soubesse que estava sozinha com um homem estranho?

- Não pode ir, Yoruichi-san. Rukia-chan não pode ficar sozinha agora. Vamos fazer assim... Eu trago Soi Fon até você, e assim poderão conversar! O que acha?

Aguardou a morena responder. A surpresa nos olhos amendoados da morena era enorme. Estava feliz por ver seu garoto se preocupar com a pequena.

- Então eu ajudo você! Soi Fon deve estar muito abalada com tudo o que está acontecendo. Sou psicólogo, posso ajudar em algo. E a partir de agora irei trabalhar o emocional de Kuchiki-san. Não vou deixá-la morrer nessa dor horrível. Ela precisa se levantar.

Hirako levantou-se de uma vez e sem pedir para acompanhá-lo se dirigiu até a porta. Ichigo só acenou rápido com a cabeça e seguiu o rapaz loiro. Shihouin sorriu com a determinação dos rapazes que ajudou a educar quando mais jovem. Olhou novamente para aquela porta trancada e mais uma vez a tristeza a acometeu. Precisava tirar aquela jovem daquele martírio. Sentia que havia algo muito errado em toda aquela situação. Não sabia bem o que era, mas logo o descobriria.


- Isso é ridículo, Urahara-san! Não tenho que prestar nenhum interrogatório. Já falei tudo o que tinha pra falar naquele dia. Não omiti nada. Portanto se não tiver um mandado judicial, não vou falar nada!

O Shiba já estava de pé frente a sua mesa e o loiro que o visitava naquele final de tarde. Estava irritadiço, já que seus negócios estavam de mal a pior. Sem o apoio da família Kuchiki, os grandes empresários já não o viam com bons olhos. As reportagens falavam de sua participação no dia do assassinato do casal Kuchiki. Como Rukia era declarada inocente, muitas conjecturas sobre a participação de Kaien no crime foram lançadas na televisão. Seu castelo de areia estava desabando.

- Não fique nervoso, meu caro! O único que quero saber é quem te mandou levar Rukia aquele restaurante. Ela foi dopada, e você foi à única coisa que estava com ela naquele momento!

Urahara não se perturbava com as ameaças do rapaz. Ele já estava mais do que acostumado com essas atitudes defensivas. Kaien estava à beira do desespero. Sabia que Rukia era inocente desde o início, mas ouvir que ela realmente era soava muito diferente. Estava furioso com as próprias atitudes.

- Já disse que não coloquei nada na bebida dela. Por que faria algo assim? Eu iria me casar com ela, teria direito aos bens e privilégios da família Kuchiki, por que faria algo tão idiota assim? Pense, Urahara-san! Eu jamais faria isso...

Parou nervoso e observou o loiro abrir um sorriso divertido. O pequeno leque estava preso no bolso o lembrava bem quando ele visitava a irmã mais velha para saírem de passeio. Nunca gostou daquele romance tolo. Um cientista renomado, mas cheio de frescura, era como taxava Kisuke desde o primeiro dia em que o conheceu.

- Concordo! Mas você deve ter visto algo estranho no garçom ou em algum atendente, não?

O sorriso ampliou quando o moreno passou a mão em uma gota de suor que escorria na testa. O nervosismo estava consumindo o Shiba de uma maneira vertiginosa.

- Não sei... Foi há tanto tempo... Mas o garçom me parecia um pouco... Sei lá... Parecia ser muito inteligente para ser um simples garçom, entende?

Sentou-se novamente enquanto via em sua máquina as poucas ações que tinha desvalorizar em apenas um dia.

- Inteligente? Curioso. Descreva o que se lembra dele, por favor.

O silêncio era cortado algumas vezes pelo barulho dos carros na rua. Estavam no sétimo andar, portanto ainda era possível ouvir o movimento de baixo. Os vitrais da sala estavam encobertos pela persiana branca. O Shiba já havia pegado vários repórteres tirando fotos dele do outro prédio vizinho ao dele.

- Bem... Ele era loiro... Não... Era mais pra ruivo mesmo. Os olhos eram amendoados e tinha um sorriso forçado. Sei lá, algo assim...

- E por que achou que ele não parecia ser garçom? – Instigou-o com firmeza. Não queria perder essa oportunidade importante. Muitas ideias estavam sendo formuladas naquela mente brilhante. E uma delas encaixava um comparsa masculino.

- Acho que era pelo porte altivo demais, mas sem a discrição dos outros garçons. Ele falou algo complicado na época, não me lembro bem, mas parecia ser a composição química do vinho tinto. Isso chamou nossa atenção!

- Ácidos graxos, Aminoácidos e compostos carbonílicos, Carbo-hidratos e Mono-terpenos?

O Shiba pareceu lembra-se surpreso daquelas mesmas palavras. Como era possível aquele homem dizer exatamente o que o garçom havia dito?

- Como?

- Então foi isso? Entendo sua preocupação. Claro que existem muitos garçons com conhecimento da enologia. Mas é realmente um fato curioso. Muito obrigado, Kaien-chan! Ah! Sua irmã te manda saudações! Deviam deixar o passado de lado e viver o presente. Afinal são família aqui, não?

E sem aguardar resposta do rapaz boquiaberto, Urahara saiu com um sorriso dançando em seu rosto. Lembrava bem a aversão do moreno com o antigo namoro que viveu com Shiba, e isso sempre o divertia.


- Não se preocupe Soi Fon-chan, Shihouin-san está bem e quer ver você! Vai ver como ela ficará feliz quando te encontrar!

Hirako tagarelava feliz, já que Ichigo não pronunciava nada desde que foram buscar a morena na casa dela. O casal estava nervoso com aquela proximidade, por razões diferentes. Ichigo não cabia em si de raiva pelo que aconteceu com a garota. E Soi Fon sentia vergonha de estar, a seu ver, impura perto do rapaz. Abriram a porta da sala e uma fumaça branca saiu do lugar fazendo os três tossirem. Kurosaki com receio entrou com a boca tampada pela camisa e encontrou próximo ao quarto onde Rukia estivera, uma Yoruichi desacordada. Pegou-a no colo e levou para fora do apartamento onde Hirako e Soi Fon esperavam. Aquela fumaça deixava o corpo mole e dava uma vontade imensa de dormir. Entrou novamente sem importar com a dormência que já acometia seu corpo, e procurou nos quartos, banheiro e cozinha, mas não encontrou a pequena Kuchiki. Saiu novamente e trancou a porta para não aspirarem mais daquele conteúdo gasoso estranho.

- O que diabos está acontecendo?

Hirako tossia com Shihouin no colo. Soi também tentava falar, mas ficava cada vez mais difícil respirar. Ichigo empurrou os amigos para um corredor afastado e logo tomou a madrinha e deu-lhe uns tapinhas leves na bochecha.

- Peça pra algum vizinho uma garrafa de álcool, rápido!

Hirako correu e bateu no apartamento vizinho. Não demorou em voltar com um rapaz hippie assustado com a cena. Ichigo tomou a garrafa e após retirar a camisa, embebeu-a com o álcool e colocou sobre o nariz da morena adormecida. A respiração começou a descompassar na agente.

- Tudo bem, Yoruichi-san? Onde está Rukia?

Ichigo desatou nervoso. Não podia deixar sua amiga sozinha, e somente por isso não correu de volta para o apartamento para procurar a jovem fugitiva.

- E-u... Meu Deus! Eu não sei! Mas quando vi, o apartamento inteiro estava coberto por gás do sono. Tentei me proteger e até bati um pouco naquele mascarado. Mas depois desabei. Ele estava com máscara de gás, e só consegui enxergar os olhos castanhos claros. Onde está Rukia? Ele a levou! ELE A LEVOU?

O desespero da morena foi visível, que nem mesmo percebeu a presença de sua estimada sobrinha que a abraçava com carinho.

- Quanto tempo acha que aconteceu?

Ichigo estava compenetrado e sequer estava preocupado com a reação nervosa da morena. Como bem treinada, Shihouin se acalmou e levantou com a sobrinha a tira colo. Olhou o relógio de pulso do hippie que não entendia nada do que ocorria, e espantou-se com o que leu.

- Faz meia hora. Já devem estar longe. Precisamos chamar Urahara-san, agora!

Os quatro correram para o carro de Hirako no estacionamento. O celular de Ichigo foi emprestado à morena que já contatava com o amigo cientista para socorrê-la. Soi só acompanhava o movimento de todos. Somente o hippie ficou no prédio.

- Que será que eles fumaram?


A grande limusine preta estacionou próximo do prédio de Justiça. A tarde já estava terminando e a barreira criada para evitar os assaltos dos repórteres, protegeram os dois Kuchiki que desceram do veículo. O barulho de tiro foi tão rápido, que ninguém sabia de onde havia vindo.

- Jii-chan? Alguém me ajude... Aguente firme, Jii-chan...

Os policiais e seguranças cercaram os dois, e a confusão foi geral. Naquela multidão alguns puderam ver uma figura esguia e pequena fugir por alguns repórteres que tentavam filmar o evento. Nenhum policial foi capaz de pegá-la. Byakuya viu ao longe aquela pessoa deixar cair algo, mas voltou-se ao avô que sangrava muito.

Tudo foi acelerado demais. Quando deu por si, Byakuya estava sentado ao lado da cama onde o avô descansava com o ombro enfaixado. No lado de fora, uma verdadeira algazarra estava aumentando, mesmo com os protestos dos enfermeiros do hospital. Ninguém compreendia como um homem tão poderoso como Kuchiki Ginrei, saiu ferido por alguém misterioso, que a polícia ainda não havia conseguido pegar.

A porta abriu-se com um rangido, e Yamamoto e Sasakibe entraram para conversar com o velho líder.

- Já mandei nossos homens encontrarem o atirador. Logo eles o terão nas mãos. Como se sente?

Yamamoto repousou na bengala com a longa barba para frente. Aquela imagem imponente fazia até mesmo Byakuya ficar em silêncio. Naquela sala estavam homens muito poderosos e persuasivos. Sasakibe postou-se ao lado do juiz para não participar daquele embate de olhares.

- Parece que uma simples visita minha gera todo esse caos. Vocês têm alguma pista de quem foi?

Ginrei recostou as costas no travesseiro fofo. O quarto bem iluminado e com um perfume de lavanda era muito convidativo, mas o velho Kuchiki detestava ficar hospitalizado.

- Uma pedra com uma carta envolvida nela... Parece que era para Byakuya-san... Sasakibe-san? Mostre-a, por favor! -Mandou autoritário.

O ajudante e braço direito do juiz fez uma mesura e entregou no colo do líder Kuchiki a carta amarrotada. Byakuya arregalou os olhos ante aquela caligrafia perfeita.

- "Começa agora minha vingança, onii-sama!" K. R.? Isso é alguma brincadeira? Essa letra é de minha neta!

Ginrei sentiu uma fisgada no ombro. Aquilo era muito estranho. Era ele quem perseguia, e não estava nada satisfeito em ser a caça.

- Não pode ser... Ela jamais faria algo assim...

- Mas concorda que é a caligrafia de Rukia-chan? Certo?

O desespero nos olhos verdes já era palpável. Byakuya jamais imaginou que algo assim pudesse um dia acontecer. Tinha que ser mentira.

- Já enviamos a cópia para o grafólogo perito analisar a caligrafia. Estamos aguardando o resultado. – Sasakibe respondeu após Yamamoto terminar.

- Isso é algo realmente notável! Jamais imaginaria minha neta dessa forma.

- Parece que o rancor falou mais alto naquela pequena garota!

Yamamoto completou para desespero de Byakuya. Ele queria gritar que aquilo não era obra de sua amada. Mas sua voz não queria sair da garganta. Estava furioso. Sem pensar muito, escancarou a porta e saiu sem olhar para os inúmeros rostos que estranhavam aquela atitude dele. Queria correr e procurar sua irmã. Sabia que não podia ser ela a causadora disso. E faria de tudo para provar.


O corpo de Rukia parecia pesado. Os pulsos doíam e os tornozelos ardiam. Não conseguia enxergar nada, sentia os olhos amarrados com algo. Entrou em desespero, pois aquilo lembrava muito a solitária da prisão Sereitei. Mexeu-se tentando sair dali, mas percebeu que tinha o que parecia ser uma corrente prendendo seus pés e mãos sobre a parede. O lugar era frio e úmido, e não conseguia tirar aquela venda apertada dos olhos. O medo se apoderou da garota que agora tremia. Não conseguia sequer gritar.

- Olá, pequena! Sentiu minha falta?

Aquele tom de voz deixou o estômago de Rukia à beira do vômito. Não podia acreditar no que seus ouvidos escutavam. Era o guarda que costumava violá-la. O suor frio escorreu pelas costas geladas, o corpo inteiro sentiu-se alerta, e aquela escuridão só piorava todos aqueles sentimentos horríveis.

- Não se preocupe. Ainda não iremos brincar... Ainda não! Agora seja boazinha, e abra a boca.

Rukia encostou-se mais a parede, como se aquilo pudesse protegê-la daquele pesadelo. Implorava para que aquilo tudo não passasse de um pesadelo cruel. Queria acordar e as lágrimas já banhavam o rosto alvo. Não abriu a boca: os lábios tremiam desesperados. Isso irritou seu sequestrador e algoz. Sentiu a mão fria e áspera tomar seu queixo e não suportando mais gritou.

- SOCORRO! SOCORRO! YORUICHI-SAN? KUROSAKI-SAN? POR FAVOR... POR FAVOR, ME AJUD...

Recebeu um soco forte na boca. Sentiu o gosto metálico de o sangue escorrer da boca pra bochecha e se calou. Sabia o quão violento era aquele homem.

- Sem barulho, minha pequena. Ok? Não quero te machucar agora. Sabe, não estou com tesão pra isso agora! Então seja obediente e mostre a língua pra mim... Tudo bem? Isso assim mesmo.

Obediente, Rukia mostrou timidamente a língua para aquele vulto que parcamente enxergava pelo canto da venda que descolocou com o soco. O rapaz pegou uma pílula do bolso e antes de colocar na língua pequena, sorveu-a com a própria boca, beijando vorazmente aquela garota. Rukia tentou lutar contra aquela intromissão nojenta, mas não tinha como reagir muito, já que as correntes não a deixavam se mexer muito. A saliva daquele homem misturou-se ao sangue e as lágrimas da Kuchiki. Depois ela sentiu um gosto amargo na boca. Era a pílula que agora descia em sua garganta. Engasgou um pouco, e sentiu aquelas mãos esfregar seu pescoço como se para ajudar a descer.

- Ela tomou?

Ouviu uma voz estranhamente familiar, mas não se lembrava de onde havia ouvido.

- Minha menina é um pouco desobediente. Mas nada que um bom beijo meu não a faça ficar quietinha! Certo, Tsuki?

Aquele apelido que recebeu dos pais naquela voz que achava imunda a fez querer vomitar. Fez menção para fazer isso, mas sentiu os cabelos serem puxados para cima. Uma dor terrível percorreu todo seu couro cabeludo. Sentia dor e muito medo. Desespero e pavor.

Tudo misturado naquela angústia que implorava para acabar logo. Um mormaço percorreu o corpo pequeno, e sentiu a língua queimar. As vozes e sons de goteiras estavam ficando estranhas. Sentiu tudo ao seu redor rodar num torvelinho. Despencou o corpo pra frente, com uma ardência na garganta. Ouviu aquela voz familiar sussurrar em seu ouvido confuso. Já não sabia mais se era externa ou interna aquela voz.

- Como se sentiu ao matar seu avô?

Aquela pergunta cortante a fez sentir enjoo e não suportando mais, vomitou. Imagens velozes açoitavam sua memória. Ouviu gritos desesperados; a voz de sua mãe lhe chamando incessantemente. Também ouviu seu pai gritar algo que não entendeu e assim que viu a si mesma encharcada de sangue naquele imenso espelho que tinha no closet, desmaiou e não ouviu mais nada. Não pôde sentir o roçar suave daquelas mãos ásperas em suas pernas descobertas. O vestido que usava era curtinho e deixava a mostra suas bem torneadas pernas. A mão subiu até cintura e apoiou-se num dos seios, fazendo uma carícia leve.

- Vamos, Geon! Leve-a para algum lugar longe daqui. Depois você terá seus momentos de prazer. Mas precisamos correr se quisermos que isso fique credível! Quero que ela sofra com sua própria dúvida.

- Ai como você á má, Yuri! Queria só uma rapidinha, mas como está me apressando não terei tempo de terminar. Deixarei para uma próxima vez! Como acha que estão aqueles lá? Afinal, aquela mulher me parece muito profissional. Doeram muito os socos que levei dela, viu? Ela quase quebrou uma costela minha!

- Deixa de choramingar, Geon! Não sei quem aquela mulher é. Mas quando a trouxeram e não encontrei nenhum documento sobre ela, achei estranho na mesma hora! Se soubesse que ela ficaria na cela da Kia-chan, não teria permitido ela voltar da solitária. Ela nunca teria conseguido fugir! Seja lá quem ela for, é muito boa. Viu a explosão que fizeram para ela conseguir fugir? Não, isso não me deixa sossegada! Só vou deixar a Kia-chan voltar pra rua, porque preciso. Senão eu mesma trancaria ela aqui! Ai, tantos problemas! Geon-chan? Pare de aliciar a pirralha e leve-a daqui, rápido!

O homem deixou a calcinha que já estava no meio das cochas da garota, e com sumo cuidado a recolocou. Limpou o sangue dos lábios da menina, e tomou-a no colo como se fosse uma boneca de louça. Sorriu ante aquela imagem delicada e fragilizada. Amava torturar aquele corpinho, e o desejo estava aparente em sua excitação. Yuri o reprovou com os olhos, e ele saiu bufando irritado. Sabia o que tinha que fazer, só não queria perder aquele calor infantil que desprendia de Rukia. Sua Rukia. Foi ele o responsável pela primeira vez da menina, e sempre que podia, arranjava uma maneira de ficar na ala dela só para saciar seu desejo incontrolável por aquele corpo pequeno.

Demorou alguns minutos até o carro estacionar próximo ao conjunto de prédios de onde a retirou no fim da tarde. A noite estava avançada e não viu nenhum movimento nas ruas próximas. Acomodou o corpo inerte da garota em cima dos sacos pretos de lixo com sumo cuidado. Acomodou uma mexa de cabelo e entrou no carro ajustando o espelho retrovisor para dar uma última olhada na menina. Pegou o celular e discou o número que havia conseguido horas antes com sua pesquisa no banco de dados de advogados da prisão. A única visita valeu a informação dos Kurosaki. Tinha o do mais jovem. Aguardou atender, mas teve que repetir a ligação por conta da demora.

- Sua menina está uma quadra, próximo da área de lixo do bloco B. É melhor vir buscá-la, antes que alguém mal intencionado lhe faça alguma maldade.

E desligou sem esperar o desesperado rapaz do outro lado da linha. Arrancou com o carro e sumiu daquela área. Aquele jogo estava ficando mais divertido a cada dia. Quando entrou nele a pedido de Yuri, achou que sua amiga estivesse ensandecida, mas logo se sentiu aproveitando daquela loucura. Amava tomar aquela garota e não permitiria que ninguém tocasse no corpo que o pertencia. Se deixou os dois companheiros participar naquele dia, foi meramente para não levantar suspeitas sobre si.


- Ichigo, dirija com cuidado...

- Cale-se Hirako, está me atrapalhando... Ali...

O ruivo apontou para um montinho escuro no canto do prédio do bloco B daquele conjunto habitacional. Largou o volante com os protestos do amigo, e correu até o corpo adormecido no chão. Rapidamente verificou os pulsos que pareciam machucados, e observou com cautela a mancha de sangue seca no canto do lábio inferior. Abraçou-a com ternura. Estava gélida e pálida demais. Tirou o casaco e cobriu-a com carinho e devoção. Hirako ficou espantado ao lado dele, ao ver o tratamento íntimo do rapaz. Isso não era bom sinal. Sabia onde aquilo iria dar. Ichigo estava se apaixonando sem medir as próprias consequências.

- Ela está bem?

- Parece que tem algumas escoriações e está desacordada. Ainda não posso dizer o que houve, mas parece fora de perigo. Precisamos levá-la pra clínica urgente.

- Ichigo? Mas sua família?

- Minha mãe é médica, Hirako, ela não irá fazer perguntas desnecessárias. Vamos você dirige agora!

Shinji observou o amigo abrir a porta do carona e acomodar-se com a menina no colo. Olhava tão compenetrado aquele rosto delicado, que não se importou em ser observado com receio pelo loiro.

- Vamos, cara! Não temos mais tempo a perder... Anda, nos leve pra minha casa, agora!

O rapaz suspirou e tomou a direção. Precisaria conversar sério com o ruivo. Lembrou-se do dia em que o rapaz conheceu Senna, e foi muito similar há esse dia. Não queria que ele se envolvesse sem usar a razão novamente. Precisava ajudar o amigo de infância a se livrar de um provável problema, já que Rukia, além de fugitiva, estava extremamente abalada psicologicamente.


Vocabulário

CEO: Diretor executivo (AO 1945: director executivo) ou diretor geral (às vezes designado pelo estrangeirismo Chief executive officer, ou pela sigla CEO, em inglês) é o cargo que está no topo da hierarquia operacional de uma empresa. [Fonte: wikipedia].

Enologia: Enologia é a ciência que estuda todos os aspectos relativos ao vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e venda. [Wikipedia].


Desculpem a demora! kkkk Nos vemos semana que vem, beleza? Quero reviews, viu? Kissus a todos,
JJ