Retratação: "Eu não possuo os direitos sobre Saint Seiya, ou sobre qualquer de seus personagens. Todos os direitos cabem ao Masami Kurumada, criador e desenhista do manga series. Apenas os utilizo para a redação de fanfics."
"Uma sombra de seu passado volta para atormenta-lo. Resistirá Afrodite e seu casamento a todo esta tormenta?"
As rosas não falam – fase dois
Capítulo 09 – Treinamento para vencer
'Miro,
Estou saindo por uns dias, vou ficar num hotel em Atenas. Não tente me procurar, nem conte para ninguém. Voltarei no dia das Olimpiadas para buscar meus filhos. Muito obrigada por tudo.
Cypria.'
"Ela foi para um hotel? Então conseguiu falar com Atena..." guardou o bilhete e se jogou na cama. Caiu rapidamente no sono.
xOx
Os últimos dias haviam sido muito duros para todos, contudo os preparativos para os jogos estavam quase prontos.
Em algum ponto do campo de treinamento, quatro figuras procuravam entrar em um consenso:
- Afrodite, você não treina comigo nesses trajes... – repetiu Miro.
- O que tem demais? Eu já estou aqui... não tem ninguém reclamando... só você... – falou com desdém.
- Certo... mas por que rosa choque, não tinha outra cor na loja foi? – passou a mão na testa. "Espero que ninguém me veja com esta aberração..."
- Não... – franziu as sobrancelhas. – Vamos ao que interessa...
Depois de feito o aquecimento, as crianças iriam observar o ensaio de luta dos dois e tentar fazer igual, tal qual uma coreografia. Em seguida deveriam refazer o mesmo mas em movimentos rápidos, enquanto seguiam essa seqüência, Miro e Afrodite treinavam o cosmo com uma luta simples.
- Sem agressões, Afrodite. – pediu Miro.
- Imagine... reclamou comigo, agora pague. – com a força do cosmo e várias rosas, ele criou um chicote cheio de espinhos. – Essa é uma inovação... heheheh
- Ahh! Não vale! – brigou Miro já afiando a unha. – Você sempre vai de encontro às regras do com treino...
- Não... é imaginação sua... – balançou o chicote em direção ao oponente que desviou rapidamente.
Esquecendo-se completamente dos discípulos, Miro entrou no ritmo de Afrodite e lutou de verdade. As crianças logo se abrigaram um pouco longe e apenas observaram a cena: Miro recebendo várias chicotadas e Afrodite com três furos de agulha. Pareciam se divertir, mas o nível dos golpes aumentava cada vez mais.
- Eles vão se destruir... – comentou alguém que chegou por trás das crianças.
- Tio Shaka! – exclamou Psique.
- Faz eles pararem... – pediu Eros olhando Miro jogar mais uma de suas agulhas em Afrodite.
- Esses dois babacas... – falou se aproximando e... – Tenma Ko fu ku!(1)
Miro e Afrodite caíram no chão... gemendo.
- Não faça isso sem que percebamos, Shaka... – reclamou Miro.
- Ai... machuquei meu pé... – reclamou Afrodite fazendo beicinho.
- A situação é séria, vocês deveriam estar ajudando a estas crianças e não brigando por um motivo idiota.
Ambos olharam para Shaka e apontando uns para os outros, exclamaram: - FOI ELE QUEM COMEÇOU!
- NÃO, FOI VOCê!
- VOCÊ! – exclamou o outro.
- NÃO! – replicou Miro.
- Buda... – Shaka mudou a posição das mãos. – Tenma Ko Fu ku!
- AAAHHHH!!!! – caíram mais longe.
- Crianças. – olhou(?) para elas. – Agora seu treino será por minha conta. – sentou-se na pose de lótus. – Façam o que eu disser, concentrem-se em seu cosmo e meditem para que este se revele e floresça.
- Tio Shaka... e o papai?
- Ele vai ficar bem, agora está descansando um pouco. Meditem.
xOx
O tão esperado dia chegou. O coliseu estava cheio como nunca esteve antes. Diversas categorias de cavaleiros, mestres e discípulos esperavam pelo início dos jogos. Era o maior evento do Santuário.
Na arquibancada principal estava Atena acompanhada de Nike na forma de cetro, ela daria a ordem para o início das competições. Os troféus jaziam ao seu lado.
Do outro lado do estádio havia dois homens sentados em uma pequena cabine transparente, Kanon e Saga iriam fazer a narração dos jogos. O irmão mais velho começou anunciando os confrontos do torneio, o premio para o vencedor das duas chaves era uma viagem para o caribe.
Na arquibancada, três figuras vestidas em roupas de treino simples aguardavam ansiosas pelos pares das lutas. Ouviam cada palavra com muita atenção.
- O prêmio é bom, mas não devemos nos desviar de nossos objetivos... – comentou Miro.
- Exatamente. – falou Shaka com seu tom costumeiro. – Escute! Miro, você vai enfrentar o Camus!
- Essa vai ser boa... vou acertar as contas com aquele iceman... – cerrou o punho.
- E quem disse que não vai se desviar do objetivo...? – perguntou Afrodite forçando para não sorrir da cara de Miro.
- Não enche. – mudou de expressão. – Shaka, você vai lutar com o Shura. Heheheh...
- Aquele mald... – respirou fundo. – Será bem proveitosa essa luta. Vou mostrar para aquele espanhol que não deveria ter cortado meu cabelo naquela batalha durante a guerra santa. Ainda nem cresceu direito...
Afrodite sorriu com o comentário de Shaka. Mas algo lhe chamou a atenção: - Adonis? Alguém conhece este cavaleiro? Esse nome não é estranho...
- Não.. e você vai lutar com ele... – observou Miro.
- Ele pode ser o inimigo, Afrodite. Tenha cuidado. – comentou Shaka. – As lutas irão começar em três horas... temos tempo para preparar alguma estratégia...
Agora era a voz de Kanon que todos ouviam ecoar pelo Coliseu. Ele anunciava as provas dos aprendizes.
Os filhos de Afrodite até conseguiram passar em algumas delas, mas foram eliminados na maratona. Agora era o momento da prova do combate corporal, e seus adversários são os discípulos de Shina e Marin.
Primeiro a luta de Eros com David, ambos tem a mesma idade e aspecto físico parecidos. A luta foi regular até o final. Golpes de defesa ataque...
Eros mais se defendeu do que atacou o que preocupou Miro da arquibancada, ele sabe que continuar nesse ritmo é partir para a derrota. Mas por um leve descuido do discípulo de Shina, Eros com conseguiu desferir um golpe, um chute certeiro que jogou seu adversário para fora da arena.
O mestre-orgulhoso e o papai-coruja pularam da arquibancada e no calor da emoção se abraçaram contentes, mas logo se afastaram olhando de um lado para o outro com expressão de poucos amigos. O menino apoiou-se nos joelhos e respirou ofegante. Foi uma vitória bem apertada, salpicada de uma sorte oportuna. Acenou para os 'pais'.
Depois das outras lutas dos outros pupilos, deu-se inicio a das amazonas. Agora, seria Psique que devia mostrar o resultado do seu treinamento. Ela estava bem nervosa, mas isso não era bem percebido pelos outros, pois pela primeira vez utilizava a máscara de amazona. Regras são regras.
Afrodite não parecia muito contente com isso, sabia que era um incomodo para sua menininha, com isso nada poderia fazer.
De frente uma para a outra, Psique e Ariane, discípula de Marin, cumprimentaram-se e deram início a luta.
Ariane mais rápida que Psique, acertou-lhe com um chute e fez a menina voar alguns metros. Afrodite pôs a mão no coração, ele não respirava. Na arena, a menina se levantou limpando a areia da roupa e por pouco não desvia de outro golpe.
Ela segue assim, tentando desviar e levando alguns golpes. Miro já estava a ponto de descer e bater ele mesmo em Ariane, mas isso seria motivo de expulsão para ele e sua pupila. Procurou se acalmar ou seria pior. Psique ainda resistia e conseguia manter-se de pé, mas em pouco tempo não conseguiria mais.
- CARAMBA... POR QUE ELA NÃO ATACA!!!? – perguntou Afrodite nervoso.
- EU NÃO SEI, NÃO SEI! – respondeu Miro se levantando para observar melhor a cena. Percebeu que a menina olhava para ele com os olhinhos cheios de lágrimas, ela sabia que estava desapontando todo mundo. Ele teve uma idéia. Gritou bem alto. – Psique, faça o que combinamos!
- HÃ?!
- Ela sabe o que deve fazer... – falou para Afrodite. – Vamos... faça... faça o que eu te ensinei...
A garotinha limpou o sangue que escorria da boca e caminhou lentamente em direção a sua oponente. Seu olhar estava fixo nos da outra garota que arregalou os olhos sem esboçar nenhuma reação.
- Por Zeus... o que essa menina está fazendo..? – perguntou Marin do outro lado da arquibancada. Gritou: - Vamos Ariane, ataque! Aproveite que ela está sem defesa, ataque-a!
Psique continuou a se aproximar dela, parou a um palmo de distância. Seu olhar parecia quebrar a máscara e perfurar os olhos de sua oponente, ela segurou a menina pela roupa e deu-lhe um empurrão acompanhado de um belo chute. Resultado a menina caiu para fora da arena e sua máscara foi atirada ao longe, partiu-se em dois pedaços.
Marin correu para socorrer a sua pupila e cobrir-lhe o rosto, pois essa era sua maior vergonha.
Os expectadores soltaram gritos e aplausos a garotinha que tinha tudo para perder, e os surpreendeu com o final.
- O que diabos você disse para ela fazer?! – exclamou Afrodite incrédulo.
- Simples! Como eu percebi que ela não gosta de lutar, de bater, comecei a lhe ensinar algo parecido com o meu Restriction! – finalizou com um V de vitória.
O queixo de peixes despencou.
Enquanto isso, Psique foi até o mestre e o pai.
- É isso aí, garota! – a menina abraçou Miro. – Estou muito orgulhoso.
Afrodite observou a cena com os olhos marejados. A menina voltou-se para ele e falou:
- Já vai chorar, papai? – ele balançou a cabeça.
xOx
Um pequeno barco atracou na praia, estavam numa ilha com muitas pedras. Dois vultos saíram da embarcação e levaram um corpo envolto numa manta por dentro da mata. Depois de uma caminhada, eles encontraram uma imensa clareira com um templo grego em ruínas no centro.
- Chegamos. – respirou fundo e ordenou colocasse o corpo dentro do templo. O outro obedeceu.
- Vai deixa-la aqui?
- Sim. – olhou para o outro com cara de poucos amigos. – Ela está apenas dormindo. Não vai lhe acontecer nenhum mal.
- Não confio em você. Ficarei com ela. – o outro puxou a manta que cobria o corpo. – Veja, ela não parece dormir, parece morta.
- Mas está dormindo. Não discuta comigo... quer fazer companhia a ela? E estragar nosso plano? – cruzou os braços. Olhou ao redor com calma e atenção. O templo estava em ruínas e a sala onde estava era a mais conservada. Possuía uma porta de madeira meio desgastada, uma cama de pedra onde tinha um colchonete, algumas estátuas, um espelho e dois grandes incensários alimentados por duas chamas.
- Claro que não!
- Então, você deve voltar para o Santuário comigo. Ela continuará a dormir até a hora em você vier busca-la. – apontou para as chamas. – Aquelas chamas são eternas, ascendidas pelos deuses, nada as apagará. E os incensários soltam um aroma que não a deixará acordar até que a hora certa chegue.
O outro pareceu aceitar os argumentos. – Eu volto, até porque me inscrevi no torneio e não vou perder uma boa luta. Tem uma coisa que vem martelando na minha cabeça... por que a escondeu aqui? Adonis?
O outro mirou uma estátua de uma divindade feminina e falou: - Porque ela é minha irmã.
- O QUÊ?!!? TÁ LOUCO! – surpreendeu-se. Logo abaixou o tom de voz. – Ela nem é da nossa família, Bartollo!
- A Cypria é uma das reencarnações diretas de uma das filhas de Afrodite. Assim como eu. – ele tocou a estátua levemente, acariciando o rosto dela. – Por que acha que meu nome de cavaleiro é Adonis?
- Mas... Adonis não é filho de Afrodite! – Máscara replicou. – Não estou entendendo mais nada... como você sabe disso?
Ele voltou-se para Máscara e começou: - Você já deve saber do que aconteceu entre mim e o cavaleiro de ouro, Afrodite, né? Eu perdi a armadura para ele e nesse momento eu fui mandado de volta para a Groelândia. Porém me perdi no meio do caminho e isso eu não sei explicar... acabei indo parar aqui, na Ilha de Chipre. Depois de algumas horas caminhando pela ilha afim de encontrar alguém, eu encontrei o templo. – ele suspirou. – O Templo de Afrodite.
- Isso eu sei... este templo é da deusa Afrodite...
- Aham! Não me interrompa... maskinha... ¬¬ - ele continuou: - Ao chegar aqui eu encontrei uma jovem senhora de cabelos loiros. Ela se apresentou como a deusa dona do templo e me contou sobre meu passado. Meu corpo é pertence a Bartollo, meu nome, mas minha alma pertence ao seu filho adotivo: Adonis, o mais belo entre os mortais.
- Hmm... E a Cypria?
- A jovem me falou da existência de uma garota grega que possuía alma de sua adorada filha, batizada com o seu nome: Cypria(2). E me falou que quando eu a tivesse, a trouxesse para cá... Eu prometi para ela. – olhou para Cypria. – Somos filhos de Afrodite, a mais bela deusa do Olimpo, será por isso que somos tão belos e nos apaixonamos pelo mesmo homem com o nome de nossa mãe...?
- Entendo, aqui ela estará protegida. – Máscara concluiu. – Depois que você o tiver, ela será minha, né?
- Sim. Como prometido. – ele a cobriu com o manto. "Tão bela quanto nossa mãe..." pensou deixando o lugar e fechando a pesada porta de madeira. Em seu rastro ficavam as mais belas flores: anêmonas encharcadas de sangue.
Logo os dois estavam no pequeno barco em direção ao Santuário, nas encostas do Cabo Sunion.
Estavam atrasados para a abertura das olimpíadas.
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No coliseu...
- Vamos para a terceira luta da chave dois! – gritou Kanon quase engolindo o microfone. – Afrodite de Peixes e Adonis de Máquina Pneumática! Entrem na arena! – "Onde encontraram essa armadura??"
A arquibancada estava inquieta, todos ansiosos pela luta e por conhecer o lutador misterioso, um cavaleiro de prata.
- Muito bem, é minha vez... – olhou para os filhos. – Já volto...
- Vai lá, papai! Acaba com aquele bobão! – exclamou Eros.
- Sim. – ele sorriu.
"Esse deve ser o inimigo, não tem como ser outro cavaleiro..." pensou enquanto se dirigia para o centro da arena.
Continua...
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Notas do texto:
(1) Tenma Ko fu ku: Tesouro do céu. (espero não estar errada... XD)
(2) Cypria: Afrodite para os micenos.
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Nota da Autora:
Ois! Espero que tenham gostado desse capítulo... eu preferi não descrever muito as lutas para não ficar um tanto cansativo... a ênfase maior é a luta de Afrodite...
A história ta chegando ao seu clímax, a parte que mais quis escrever, estou adorando! Espero terminar logo o próximo capítulo e publicar!
E perdão pela demora, mas a universidade voltou e com ela os incontáveis trabalhos das cinco disciplinas que estou pegando esse semestre...
Agradecimentos especiais a Flor de Gelo, Nelle-sama e Rodrigo por ter comentado no capítulo anterior.
Até o próximo capítulo!
Lady Kourin
- Março/2007 -
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