N/A: Mais um capítulo. Por algum motivo estranho, eu tenho um prazer maligno em escrever conversas entre o Schu e o Nagi, quando elas têm por objetivo irritar o Nagi. 8DDD Go figure.

Dedicado à Paty (Maho)!

Disclaimer: Weiß Kreuz não me pertence.


Monopoly
Capítulo 09


Nagi batia a ponta de uma caneta contra sua mesa no escritório de Schuldig sem parar, a ligação misteriosa de sexta-feira deixando-o muito mais que intrigado; ele havia acabado de mudar de telefone, como seria possível que alguém tivesse descoberto-o tão cedo?
Pela lista telefônica? Era uma opção. Mas ele tinha praticamente certeza de que qualquer um da parte de Fujimiya Ran não havia tido acesso ao seu sobrenome. Nem mesmo seu nome figurava no cartão de visita de Schuldig.
Batendo a caneta com mais força e nem de longe lendo o documento que a tela do seu computador exibia, o adolescente moreno sentiu uma irritação crescente dentro de si. Não era certo, não era justo. O advogado pintava e bordava e depois quem sofria as conseqüências nada agradáveis era ele. Por que Nanase havia deixado-o sob a tutela de um irresponsável que esquecia do mundo e do trabalho quando perto de alguém bonito?
Suspirando, ele arregalou os olhos quando viu que havia quebrado a tampa da caneta. Piscando e bagunçando os próprios cabelos em um gesto claro de irritação, ele não ouviu a porta da sala do seu superior se abrir, o alto homem de cabelos laranja desabando na cadeira à sua frente.
- Nagi, Nagi. Você é um mistério. Quando sou eu que faço isso, você parece pronto a me arrancar o pescoço com seus dentes! - o advogado comentou, bagunçando o cabelo de Nagi novamente para ilustrar o seu ponto de vista.
O adolescente grunhiu, revirando os olhos antes de focá-los no alemão e presenteá-lo com um olhar mortífero.
- Tudo bem, tudo bem. Eu parei. - Schuldig ergueu as mãos e soltou os papéis que tinha nas mesmas na mesa, olhando a tampa quebrada da caneta - Eu vou descontar isso do seu salário.
- Schuldig.
- Ja?
- Você veio aqui exclusivamente para me irritar?
A voz do moreno soou perigosamente fria e calculada, parecido com o tom que Crawford havia empregado para com ele em um dos seus primeiros encontros. Piscando os belos olhos azuis, Schuldig desceu as mãos para o seu colo e olhou inocentemente para o seu secretário.
- Claro que não, Nagi-chan! Se eu quisesse irritá-lo, teria chamado você lá dentro. Só para fazer você se levantar e abandonar o seu jogo de campo minado por nada, sabe?
Schuldig começou a gargalhar de um jeito que beirava a histeria, Nagi sentiu o sangue subir para o seu rosto, sabendo que estava ficando vermelho e que decididamente não era por vergonha.
- Você sabe que se eu tivesse o poder de mandar as coisas voando pelas janelas, você seria o primeiro a ser defenestrado.
- Sei, mas você não pode. Então estou salvo. - Schuldig comentou com um último sorriso, rindo baixinho para si mesmo e pegando os papéis da mesa de novo, alinhando e batendo as folhas contra a superfície de madeira duas vezes - Nagi, preciso de você.
- Mesmo?
O alemão ignorou o sarcasmo.
- Muito bem, eu acabei de receber esse e-mail de Kobe. Eu acho que vou precisar viajar para defender Hidaka mais uma vez.
- Certo. - o adolescente murmurou, sentindo que entrava no seu modo operacional de negócios contra a sua vontade. Ele queria irritar o seu superior também, mas a vontade de ser perfeito no seu trabalho era mais forte - Hidaka Ken... - ele murmurou, minimizando o processo que revisava no computador e abrindo a pasta do outro cliente - Muito bem, quando você parte?
- No meio da semana, talvez. A audiência é na sexta-feira.
- Você não leva dois dias para chegar em Kobe, Schuldig.
- Ah, mas antecedência é sempre uma boa coisa, Nagikins.
- Nagikins? - o adolescente se virou para encarar o sorridente rosto do alemão, esquecendo da advertência que ia fazer sobre o fato do seu superior ir em busca de horas agradáveis com clientes de novo.
- Você precisa de um novo apelido!
- Eu não preciso de apelidos.
- Nagi. Só entre nós... - o advogado se inclinou para a frente, chegando o mais próximo possível do outro homem para murmurar de maneira quase confidencial - Você não teve infância, teve? Você é, na verdade, um alienígena muito mais velho infiltrado entre nós, não é?
Sentindo que aquela era a gota d'água, Nagi levantou-se resolutamente da cadeira, apoiando as duas mãos na mesa com barulho. Lançando um olhar assustador para o advogado, ele marchou para fora da sala, indo em direção os elevadores.
Schuldig piscou, vendo que tinha ido longe demais dessa vez. Levantando-se para ir atrás do menino, o homem de cabelos laranja quase trombou com outra pessoa que entrava no escritório.
Fujimiya Ran.

No início da tarde, Omi entrou na sala de espera de Brad Crawford, em uma ação coordenada com Ran; o ruivo deveria estar visitando o advogado naquele exato momento, e a sincronia de ambos era para conseguir forçar ainda mais a tomada de uma decisão favorável para eles por parte de Schuldig.
Piscando, o loirinho se sentiu confuso quando viu uma mulher diferente sentada atrás da mesa da secretária de Crawford. Não era possível que o executivo tivesse mudado de funcionária tão cedo, ainda mais quando a ajuda de Namie talvez fosse necessária, especialmente se ele precisasse entrar na sala novamente.
Mordendo o lábio inferior, Omi não teve tempo de sair, sendo chamado pela garota que ocupava o posto de Namie. Um sorriso imenso se abriu no rosto da mesma, e o funcionário da floricultura se assustou quando a reconheceu.
- Sakura-chan?
- Omi-kun! O que está fazendo aqui? - ela perguntou com um tom de voz particularmente alto e feliz, entrelaçando os dedos e apoiando a cabeça neles - Eu não esperava ver você aqui tão cedo! A propósito, muito obrigada pela entrega! - a jovem alargou o sorriso e corou, suspirando logo depois - Crawford-sama as recebeu e disse que guardou!
O outro menino inclinou a cabeça, olhando para cima antes de lembrar do dia da entrega. Sorrindo de volta para Sakura, ele colocou a mão nos bolsos do avental, concordando rapidamente com a cabeça.
- Fico feliz que tenha dado tudo certo! Naquele dia inclusive, eu tinha esquecido o recibo... Aliás, o papel assinado por Crawford-san está aqui. - ele retirou o papel dobrado do bolso, decidindo que estava na hora de mandar aquele avental para a lavanderia.
A garota do outro lado da mesa arregalou os olhos.
- Ele assinou esse papel?
Omi piscou.
- Anh... Sim.
- Ah, eu posso ver? - Sakura estendeu as mãos para a frente, como se o loirinho segurasse um autógrafo de um grande ator de cinema ou estrela do rock internacional. Piscando várias vezes, ele passou o papel para a menina, que quase deu um gritinho de felicidade.
Esperando que o ataque de felicidade repentina passasse, Omi trocou o peso do seu corpo de uma perna para a outra, olhando ao redor e notando detalhes que não havia visto antes, como o fato de uma réplica de uma pintura de Picasso estar pendurada em um dos cantos da sala. Acima da porta que levava para o escritório de Crawford, Omi viu um relógio que não mostrava as horas de acordo com o seu. Fazendo as contas mentalmente, descobriu que aquele deveria estar em um dos fuso-horários da América, no mínimo.
- Kami-sama 1... Eu nem fazia idéia disso.
Omi se virou para Sakura, esperando algum comentário sobre aquele ser a caligrafia mais elegante do mundo ou algo igualmente desprezível para ele, mas percebeu que a secretária lia o verso do papel onde o executivo havia assinado, sua expressão longe de ser uma das mais otimistas.
- Nani? 2
- Omi-kun... Você não tinha visto isso? - ela virou o papel para o garoto, mostrando uma folha impressa que envolvia alguns nomes e uma linguagem um tanto quanto rebuscada. No alto da página, havia um endereço e um nome em destaque que ele reconheceu: Schuldig.
- Não. O que é isso, Sakura-chan?
- É um documento... Informando que Crawford-sama está sendo processado! Por danos morais! E quem processa é... O antigo chefe dele, que contratou Schuldig. Schuldig? - a garota repetiu - Meu Deus. Crawford-sama está sendo processado por alguém representado por Schuldig-sama?
O loirinho aproveitou a oportunidade para extrair mais informações:
- Isso é sério?
- Muito! - a garota deu uma última lida no papel e o dobrou de novo, entregando de volta para Omi - Ele tem a fama de ser o melhor advogado por aqui, Omi-kun. Acho que nunca precisou de um para saber, ne? - ela sorriu, complacente - Mas isso é sério. Pode acabar com a carreira de Crawford-sama.
- Ele deve estar sabendo disso, não?
- Não sei. - ela mordeu o lábio inferior, parecendo em dúvida - Namie deve saber de alguma coisa, na verdade. Ela que trabalha para ele, não eu. - ela enrubesceu de leve.
- Ah, entendo. Eu encontrei a senhorita Namie quando entreguei as suas flores.
- Você disse que eram minhas? - ela arregalou os olhos, nervosa.
- Não! - ele tranqüilizou a garota - Nunca contamos quando o cliente pede segredo, Sakura-chan.
- Que bom! - ela bateu palmas e Omi guardou o documento no bolso, achando que aquele pedaço de papel tinha algum valor agora. Poderiam tirar algum proveito daquilo? Talvez sim, principalmente se Schuldig estava envolvido.
Naquele exato momento, a porta do escritório se abriu e Crawford surgiu, uma expressão de profunda irritação no seu rosto. Os dois jovens quase pularam de susto, ambos sentindo o olhar que praticamente queimava do outro homem.
- Senhorita Tomoe. Não notou os meus chamados?
A garota tremeu de leve e olhou para o telefone, uma pequena luz vermelha piscando sem parar indicando que, de fato, alguém a chamava no escritório. Corando furiosamente, ela negou com a cabeça, baixando-a logo em seguida em um ato de humildade e de desculpas.
- Não, senhor! Hontou ni gomen nasai 3, Crawford-sama.
O americano suspirou de uma forma nada contente, focando seus olhos escuros em Omi. Voltando a olhar para Sakura e novamente para o entregador da floricultura, seus lábios se curvaram em um sorriso enigmático.
- Outra entrega?
- Huh? Ah, não. Sem entregas. - Omi sorriu e apertou o papel que tinha no bolso - Na verdade, eu só vim fazer uma visita à Sakura-chan, somos amigos. - dando alguns passos para trás, ele sorriu de novo - Até mais tarde, Sakura-chan. Não quero interromper seu trabalho.
- H-hai, Omi-kun. Mata ne. 4 - ela olhou o loirinho se retirar e nem voltou a olhar para o novo diretor, mantendo sua cabeça baixa. Algo lhe dizia que ela jamais voltaria a trabalhar para a pessoa que mais admirava ali, nem se fosse apenas para lhe passar uma xícara de café.

O alemão estava surpreso ao ver o elegante ruivo no seu escritório, imediatamente conduzindo-o para dentro da sua sala com um pequeno sorriso no rosto. Schuldig estava na maioria do tempo sorrindo, e o gesto vinha para ele como natural e praticamente automático, sendo raro que um deles fosse genuíno.
No entanto, naquele momento ele usava seu sorriso para tentar esconder o espanto de encontrar Ran ali. Talvez a sua presença ali tivesse algo a ver com a misteriosa ligação que Nagi havia recebido.
Nagi! Ele teria de ir atrás do seu secretário em fúria silenciosa mais tarde também. Nanase nunca iria perdoá-lo se acontecesse alguma coisa com seu irmão menor, e pensando bem, Farfarello também não iria. E pelo que Schuldig se lembrava do seu colega de faculdade, lidar com a ira do irlandês não era nada agradável.
Sua atenção foi rapidamente desviada para o presente com o barulho de uma das cadeiras que ficavam em frente à sua mesa sendo arrastadas, a graciosa forma do professor de história se sentando em silêncio, ametistas examinando o escritório.
Schuldig não acreditava na cor da camisa social de Ran. O outro homem vestia preto da cintura até os pés, mas a sua camisa era violeta, um tom que ficaria estranho em qualquer outro homem, exceto nele próprio. Era o mesmo tom dos seus olhos, e o jeito que fazia com que seu olhar se intensificasse ainda mais beirava o assustador.
O professor não deveria ser tão bonito ou não deveria se vestir tão bem. A combinação das duas coisas era muito injusta, principalmente porque Schuldig estava acostumado a ser ele a única pessoa que também sabia combinar roupas e tirar proveito da sua aparência física até então.
- Muito bem, Fujimiya-san. A que devo a honra da sua visita?
Um curto suspiro se seguiu antes da resposta verbal do professor.
- Bom, eu acho que já sabe o que quero de você. Mas não estou disposto a esperar pelo dia do apocalipse para saber a sua resposta. Aliás, prefiro eu mesmo ser aquele que irá causar o apocalipse para Takatori.
O jeito que o outro homem havia falado soara profético, e honestamente, o homem de cabelos laranja não deveria esperar menos de um professor de história, que com certeza teria um palavreado com mais expressões históricas do que qualquer outro.
- Entendo. Sabe também que não sou obrigado a aceitar sua causa, certo?
- Sei. Mas sinceramente, não vejo motivo para agir dessa forma, Schuldig. - o advogado notou como seu nome era perfeitamente pronunciado pelo japonês, uma raridade e tanto no mundo nipônico. Ran inclinou-se para a frente, apoiando o rosto em uma das mãos que por sua vez era sustentada pelo seu braço, colocado elegantemente na mesa - Afinal, citando suas próprias palavras, o meu caso tem potencial.
O advogado sentiu sua garganta secar, seus olhos azuis imediatamente atraídos para o pequeno pedaço do tórax pálido e perfeitamente imaculado que aparecia por detrás do tecido fino lilás, descuido de um botão que não havia sido bem abotoado e tinha se soltado logo ali. Processando as palavras do ruivo, Schuldig se encostou na sua cadeira, suas mãos lentamente enrolando seu longo cabelo somente para deixá-lo cair logo depois.
- De fato. Inclusive, reafirmo que seu caso tem potencial. Mas ele também pode destruir a vida de muitas pessoas cujo trabalho é ligado a Takatori de alguma maneira.
Olhos violeta piscaram, mas nenhuma emoção foi detectada pelo alemão.
- O acidente que Takatori causou não afetou somente à minha irmã, afetou?
Schuldig estava ficando muito preocupado. O poder argumentativo de Ran era impressionante. Realmente, para um advogado dizer aquilo de alguém, a pessoa em questão tinha de ser dotada de incrível perícia na arte do falar.
- Schuldig. Já deixei claro meus motivos e que estou disposto, no sentido literal da palavra... - Ran se levantou da sua cadeira, dando a volta na mesa e notando com uma ponta de diversão que o outro homem parecia cada vez mais surpreso ou perdido cada vez que ele falava. A pressão estava positivamente funcionando - A fazer qualquer coisa para que você defenda essa causa e arruine a vida de Takatori Reiji. Não é tão difícil; sabemos que ele andou em velocidade maior que a permitida, não prestou socorro à vítima e essa, por sua vez, está em um coma que parece ser quase impossível de ser revertido.
O ruivo se sentou na mesa de tampo de vidro do alemão, cruzando as pernas sobre a mesma. O sorriso costumeiro do outro homem havia sumido há muito, e sua boca parecia ligeiramente entreaberta agora, olhos azuis piscando mais rápido do que nunca e evidenciando espanto crescente.
O golpe de misericórdia de Ran foi dado quando ele se inclinou ainda mais para frente, o perfume do seu shampoo podendo ser sentido pelo advogado dada a proximidade que eles estavam. Seus olhos praticamente enxergavam a parede atrás da cadeira alta do alemão.
- Você tem até sexta-feira para me dar a resposta, Schuldig.
Sem mais palavras, o professor saiu do escritório, fechando a porta silenciosamente atrás de si. O alemão continuou no mesmo lugar, sem praticamente se mover. Havia alguma coisa no professor de história que quase o amedrontava. A perda da irmã dele deveria ter sido traumática de fato.
Piscando e tentando em vão apagar a imagem sedutora que era Ran sentado na sua própria mesa, Schuldig se encontrou no primeiro dilema da sua vida profissional até então. Nunca, em toda a sua carreira, o advogado havia sido pressionado daquele jeito. Ou, se em qualquer vez anterior houvesse acontecido algum tipo de incentivo daquela forma, ele certamente não teve dúvida em escolher a causa daquele que era mais bonito e que prometia a maior soma de dinheiro também.
No entanto, não havia como escolher em matéria de beleza agora. O que Ran tinha de exótico, Crawford tinha em beleza masculina clássica. O jeito misterioso do ruivo era substituído por uma inegável eficiência e aura de poder no americano, que atraía o advogado de um jeito que nunca havia acontecido antes.
Ainda havia o fato de que Crawford conseguia dominá-lo, coisa que pendia para o lado do mesmo na balança que Schuldig tinha na sua cabeça. Suspirando, o alemão massageou a testa, surpreso ao ouvir a voz de Nagi ecoando na sua mente.
Por que ele se importava com o que acontecia com Brad Crawford agora?
Passando a língua pelos lábios assustadoramente secos, o alemão decidiu que era hora para um drink depois do expediente. Ele caçaria Nagi mais tarde e pediria desculpas, como sempre. Desligando tudo no seu escritório, ele decidiu sair mais cedo do que de costume, indo para o bar que freqüentava sempre que precisava beber, flertar com desconhecidos ou simplesmente ouvir pessoas ao seu redor falando em alemão.
München. 5 Curiosamente, o nome da sua cidade natal. Talvez o que ele realmente precisasse no momento era se sentir em casa e longe de problemas.

1 Meu Deus.
2 O quê?
3 Eu sinto muito mesmo.
4 Até mais.
5 Munique, importante cidade alemã.

Continua...



N/A²:
Adoro escrever o Ran. Principalmente com esse visual que ele tem em Glühen. Deve ser por isso que ele ganhou um papel tão maior do que eu previ inicialmente para ele. xD

Kissu kissu!
Mari-chan.