Saint Seiya não me pertence, infelizmente...

Isaac 5

Corriam rapidamente, mais que os olhos humanos poderiam acompanhar, em direção ao centro da cidade. Isaac estava melhorando em seu auto-controle e não tropeçava tanto mais. Camus, por ter se alimentado à pouco tinha o rosto corado, provavelmente fizera isso para parecer o mais humano possível para Hyoga, quando Isaac era humano ele estava quase sempre com essa cor que tinha agora, provavelmente não queria assustar seus filhos.

-Mestre, posso fazer uma pergunta?

-Sim.

-Porque não apareceu no hospital? Porque vi Kanon primeiro?

-Ao levantar fiquei impaciente, quiz achá-los rapidamente. Ao chegar em casa vasculhei todos os seres humanos ao redor e todos tinham certeza que você e Hyoga tinham sido levados ao mesmo hospital. Foi quando cheguei no de Hyoga que percebi que você não estava lá. Era tarde demais, Kanon estava em seu quarto.- seu tom de voz havia mudado no final da frase, era de um profundo arrependimento por não ter achado-o.

-Você o odeia por mim?

-Sim, mas isso não importa agora, o que foi feito não pode ser defeito.

A simplicidade e superficialidade de Camus indignou Isaac.

-Então você deixaria que eu morresse? Odeia Kanon por isso? Preferia que meu coração tivesse sido parado de uma vez?

-Porque me pergunta isso?

-Responda!

-Não sei, Isaac, não sei o que eu escolheria, só sei que odeio Kanon por isso. Por ter te transformado. Mesmo que você não estivesse mortalmente ferido, eventualmente ele voltaria por você, e talvez te tentaria com seu poder, e te convidaria para fazer parte do nosso mundo, por isso eu não queria que você se aproximasse dele, entende? Eu o conhecia muito antes de você e já o odiava, sei do que ele é capaz, por isso pedi para você não se aproximar. O que você faria no meu lugar?

Não respondeu, na realidade estava inconformado demais, e não sabia com o que. Mas achou que continuar discutindo, especialmente agora que iam ver Hyoga, não o levaria à nada. Não queria entrar no quarto furioso com Camus, Hyoga saberia e não ficaria nada feliz.

Chegaram ao local, era um hospital bonito e limpo muito longe daquele que haviam levado Isaac. Não pode deixar de sentir uma leve pontada de inveja ao saber que Camus estivera lá antes. Mas sabia que no fundo, se tivesse que escolher, Camus ficariam em dúvida e preferia morrer a deixar que qualquer um dos dois morressem. Mas mesmo assim, esse sentimento confuso era inevitável.

A recepcionista, uma bonita moça de cabelos presos castanhos estava sentada distraidamente digitando algo em seu computador, ao se aproximarem ela deu um pulo.

-Sou Camus du Verseau, pai do rapaz que chegou ontem do ataque da bomba em minha casa. Seu nome é Hyoga du Verseau.

-Espere um momento. Sim, ele está em cirugia agora, porque o senhor não apareceu hoje durante o dia?

-Estive atrás de meu outro filho, senhorita. Ele também sofreu um ataque, fui em um outro hospital.

Camus conseguia qualquer coisa, e conseguiu, talvez com seus poderes de persuasão, que ambos entrassem no quarto de Hyoga logo após a tal cirurgia. Isaac sentiu dor quando o viu em sua cama na unidade de tratamento intensivo. Parecia tão pequeno, frágil e delicado. O tubo em sua garganta o fez se lembrar de si mesmo, e de como aquilo era incômodo, não só o tubo, mas aqueles fios e bandagens pelo corpo todo.

Hyoga tentou gemer com dificuldades.

-As drogas são fortes- disse o médico quando conversava com Camus- ele vai delirar um pouco, mas acordará em alguns dias. É um rapaz forte e batalhador, me impressiona que ele tenha sobrevivido, creio que o irmão tenha feito muito por ele, ouvi dizer que ele cobria o corpo desse menino com o seu. Como ele está?O médico encarou as ataduras de Isaac, mas não poderia ser ele, provavelmente o outro rapaz estaria mil vezes pior que o Hyoga.

Isaac continuou ao lado da cama de Hyoga, segurando sua pequena mão entre as suas. Não virou o rosto.

-Ele sobreviveu, assim como este, meu outro filho é um batalhador.

O médico deu um tapa leve nas costas de Camus enquanto apertava sua mão. Essa atitude intrigou Isaac, como era fácil enganar os mortais, como era simples e como as pessoas e até ele mesmo não enxergavam aquilo que estava em sua frente apenas por ignorância. Se lembrou de quando Camus lhes dissera que o conhecimento mostraria um mundo diferente e lhes abriria a mente. Era verdade, antes de se tornar o que era, esses pequenos detalhes como o leve sotaque antigo de Camus era algo quase invisível e agora, tão claramente diferente como o óleo e a água.

-Podem passar a noite aqui no hospital se quizerem, vou pedir para enfermeira arrumar um quarto para vocês dois. Normalmente não fazemos isso, mas o senhor é um grande colaborador do nosso hospital.

-Está tudo bem, doutor, partiremos logo, voltaremos amanhã a noite no mesmo horário. Durante o dia, estarei com meu outro filho.

-Certo. Boa sorte.

Camus virou-se devagar e andou até a direção de Isaac, beijou-lhe a cabeça com carinho e olhou para Hyoga.

-Tanto sofrimento- disse com sua voz rouca. Isaac pode ouvi-lo quase sussurrar para Hyoga quando abaixou-se para beijar sua testa.

-Podemos livrá-lo dessa dor.

Camus virou imediatamente para Isaac, tinha a mesma expressão furiosa que fazia quando discutiam.

-Jamais!-tentava se controlar em vão- ouviu, jamais faça isso com Hyoga, jamais o entregue a esse sofrimento. Já não basta você estar preso nessa vida. Não suportaria que isso acontecesse com Hyoga também.

Isaac silenciou, era cedo de mais, a dor era recente de mais.

Passaram-se duas noites até que Hyoga abrisse seus olhos pela primeira vez. Camus estava bravo por Isaac tentar invadir a sua mente, mas eufórico por ver que seu filho caçula ficaria bem.

Isaac sentiu um grande amor por Hyoga quando viu seu olho tampado. Odiava o buraco vazio que seria eterno em seu rosto, mas o amava demais e sua dor era tão comovente que não conseguiria sentir raiva de Hyoga. Vê-lo piscar e tentar se mexer fora a melhor coisa que sentira desde que fizera as pazes com Camus uma noite antes de quase morrer.

Acompanharam juntos, na medida do possível o recuperamento de Hyoga, todas as noites se alimentavam antes de ir para o hospital ou para ir buscá-lo, depois que ele voltava para casa.

A fragilidade de Hyoga comoveu Isaac, quando gemia a noite ao se movimentar, quando tomava as drogas que o impediam de sentir dor, ou eventualmente passava mal com as mesmas fazia-no se sentir mal também e temer por Hyoga.

-Não quero que ele morra...sussurrava enquanto assistia.

-O que acha que somos? Acha que estamos bem? Não, Isaac, não somos mais o que fomos, somos monstros, agora, assassinos.

-Mas tiramos vida daqueles que...

-Quem somos nós para julgar o certo e o errado? Quem somos nós para condenarmos essas almas perdidas. Qual a diferença entre nós e um louco que mata uma família inteira? Eles não sabem que matam, você viu em seus pensamentos, os loucos delirantes psicopatas, a única coisa que sabe é que gosta de ouvir seus gritos antes de morrerem, assim como nós.

-Mas..

-Não há mais, Isaac, não há discussão, Hyoga deve ficar como está, viver a vida como vive, pode parecer tudo muito bom agora, Isaac, mas sentirá o peso da eterniade logo, e desejará do fundo de sua alma ser humano novamente, e entenderá porque a dor de vê-lo assim é tão grande.

Tudo isso era terrível, apenas a idéia de perdê-lo como quase perderam o apavorava. Achava que ele poderia morrer a qualquer momento e passou a tentá-lo com frequência como Kanon fazia consigo. Isaac seduzia Hyoga com suas carícias e beijos violentos que tiravam sua respiração .

Camus ficava furioso e brigavam, não fazia sentido ele não querer que sua eternidade não passasse para Hyoga. Vê-lo ali no hospital e sofrendo a cada seção angustiante era doloroso demais.

Quando Hyoga saiu do hospital, evitava ficar em casa para não ver seu amado irmão tentando alcançar a porta ou gemendo baixinho quando se movimentava ou dormia.

Andava nas ruas e Paris, após uma pequena discussão com Camus quando não queria ficar em casa. Observou as ruas do centro vendo a sua beleza, uma mistura de antigo com novo, os ricos andavam pelas calçadas ladrilhadas, sentavam nos cafés e riam enquanto jogavam seus casacos de peles de algum animal morto sobre os ombros enquanto miseráveis moravam embaixo de suas pontes e morriam de fome. A arquitetura antiga era impressionantemente bem e mal conservada.

Lá, parado na frente de uma das vidraças da frente da loja da Channel do centro da rua principal de Paris, vestindo um lindo terno de tweed cinzento com um corte perfeito feito sobmedida, e uma gravata vinho Kanon o encarava sorridente.

-O que o traz aqui, pelas ruas de Paris, meu filho de sangue? Onde está seu pretencioso companheiro?

Isaac apenas sorriu de volta, caminhou calmamente em sua direção deixando-se ser abraçado e beijado pelo seu criador.

-Está me seguindo?- Isaac não conseguiu esconder um sorriso de volta.

-Oh não, apenas gostaria de encontrá-lo, afinal fazem dias que não nos vemos, e Camus gostando ou não, estamos ligados agora. Vamos, venha, irei mostrar-lhe essa cidade magnífica. Não se iluda pensando que a sua existência agora é apena sangue, devemos ser admiradores da beleza.

Por noites Isaac e Kanon andaram pelas ruas de Paris, depois Marselha, Lion, Bordéus e outras grandes e pequenas cidades.

Três semanas depois Isaac estava de volta à sua casa, Camus estava sentado perto da lareira em sua biblioteca com a mesma expressão impassível em sua pose de príncipe. Isaac passaria apenas para ver Hyoga, sabia que ele e Camus brigariam.

-Onde esteve?

-Não é de sua conta.

-Pois é, Hyoga esteve perguntando por você, está sofrendo pela sua ausência.

-Pois que sofra, não posso fazer nada por ele, essa é a minha vida.

-Kanon, não é mesmo?

Não respondeu.

-Não quero você com ele, ele é o inimigo. Não podemos ter nenhum tipo de relações com Kanon.

-Por que?

Silêncio, ah doce silêncio, tão perturbador quanto uma tempestade no mar. Isaac odiava isso, não conseguia entender e Camus não lhe dava respostas. Não perguntara a Kanon por respeito a Camus, apenas por isso.

Três noites depois Kanon apareceu novamente quando Camus estava caçando. Levou-o consigo para Grécia, em uma mansão afastada da cidade. A mansão era incrível, como olhar para o passado e ver as grandes pilastras brancas erguidas de mármore, salões esparsados, estátuas de deuses gregos.

-Kanon, quero que conheça o meu mentor e grande amigo, Julian Solo.

Sob a estátua de Poseidon, o deus dos mares estava lá, Julian Solo, o dono dos mares como era conhecido. Seu nome mortal significava poder financeiro, comandava uma das maiores frotas de navios em todo o mundo, mas seu rosto, era um mistério.

E ele estava ali, em sua frente, cabelos azuis até o ombro, repicados, grandes olhos amendoados, sorriso misterioso, ombros largos, um terno branco. Sentado imponente.

Isaac o amou imediatamente, ele lhe parecia a própria encarnação do Deus dos mares atrás de si. Maxilar forte, nariz empinado, mãos grandes e fortes, alto.

Foi cumprimentado como um de seus, duas mãos em seu rosto e um caloroso beijo.

-Filho de Kanon, pode se considerar meu filho também, Isaac.

Existia uma grande diferença entre a vida vampírica que Kanon e Julian levavam e Camus. Camus caçava criminosos, vivia como humano, não hostentava nada e cuidava de duas crianças como se fosse um pai amoroso. Kanon e Julian tinham um palácio onde cuidavam de um grupo de seres humanos que serviriam posteriormente como alimento. Em um canto um pouco afastado de onde moravam, havia uma pilha de corpos de cheiro fétido deixados para apodrecer. As pessoas cultuavam os vampiros como deuses, faziam oferendas de seus irmãos, limpavam-nos e os amavam.

-Porque fazem isso?

-Diversão- riu Julian- não se preocupe com eles, gostam de me amar, e os amarão também. Para eles eu sou um Deus. Mas isso não tem importância, venha, escolha qualquer um para se alimentar. Foi conduzido pela mão para o salão onde um grupo de pessoas moravam, todos sorrindo e venerando Julian.

Um grupo de adolecentes se aproximou, uma moça foi entregue em suas mãos, deveria ter apenas quinze anos, vivera sua vida e crescera à serviço do Deus dos Mares, estava feliz, para eles a morte era a libertação da carne, se ele a escolhesse ela deveria ir para um plano maior.

O cheiro da juventude era contagiante, ela sorriu e o beijou nos lábios, havia um colar em seu pescoço com um pingente em forma de dragão marinho. Haviam marcas de mordidas pela sua pele elástica que só as crianças possuem. Camus havia falado para Isaac sobre a bebida breve. Apenas uma mordida, alguns goles e deveria tapar o buraco que fez com seu próprio sangue, cicatrizando na hora. Apenas algumas gotas não transformariam ninguém em vampiro, mas deixavam os humanos apaixonados.

Mas não era isso que queria, não, ela queria ser possuída por ele, não na forma em que todos os humanos querem, ela queria encontrar a morte em seus braços, desejava isso com tanta força que Kanon conseguia escutar em seus pensamentos como gritos em seus ouvidos.

"Eu te amo, me mate, eu te amo, me leve consigo para o céu"

Ele a segurou pelo pescoço sentindo o cheiro de carne fresca, seu coração batia rápido, empolgado. Naquele momento havia se esquecido do aviso de Camus de jamais beber de um inocente. Ele viu a sua artéria pulsar, sua outra mão a puxou pela cintura e ela chorou sorrindo.

"Sim, ó irmão do deus dos mares, me leve com você para o paraíso"

Seu canino roçou de leve e os cabelos castanhos encaracolados e longos caíram sobre seu braço. Ele mordeu com delicadeza para não lhe arrancar a carne e bebeu com força. Isaac sentiu seu sangue vibrar, ela mandava uma torrente de imagens à sua mente.

Desde criança aprendera a cultuar o deus dos mares, seu pai se fora para servir de alimento, assim como seus irmãos, a vila toda era composta apenas por pessoas que o adoravam e amavam, sem nenhum contato com a verdade.

E ela amou Isaac com tanta força que ele sentiu em sua pele o sangue correr com uma quantia grande de felicidade letárgica. Até que finalmente ele caiu no chão, com ela nos braços, branca como o mármore e os olhos castanhos arregalados. E os outros jovens vibraram de alegria.

Dias depois estava de volta à França, Camus ainda não havia chegado de sua caçada e Isaac encontrou Hyoga na sala, lendo distraidamente.

Se aproximou deixando-se ser notado. Hyoga no sofá com seu pijama branco com cisnes estampados, infantil? Talvez, mas fora um presente de Isaac à um ano. Pés descalços, cheiro de Shampoo, sua pele branca, macia, suculenta..

Isaac chacoalhou a cabeça e os grandes olhos azuis o encaravam e finalmente um sorriso.

-Você voltou.

Isaac se aproximou, com todo cuidado que conseguiu o abraçou, cheiro de sangue, batidas de seu coração, seus ossos delicados como a de um pedaço de papel, seriam facilmente rasgados com sua força. Os cabelos brilhavam com a luz do grande lustre. Hyoga deixou sua cópia de "Grandes gênios da humanidade" sobre a mesa central e puxou seu irmão de criação para sentar-se ao seu lado.

Isaac passou um braço pelo ombro de Hyoga e acareciou seus cabelos, a outra mão segurava a mão branca.

-Como tem passado?

-Estou melhor, olhe, não vou mais à fisioterapia à semanas, e não tomo mais remédios.

Isaac beijou seu rosto, o cheiro de sabonete saía de sua carne macia.

-Por onde andou? Mestre estava furioso, ele disse que você estaria com Kanon e ele odiava isso, depois se fechou completamente, à dias não fala nada, as vezes senta-se ao meu lado, as vezes some e volta horas depois com o rosto abatido.

-Ele estava certo, estava com Kanon. Não sei porque isso o incomoda tanto. Isaac fechou os olhos, beijou-o novamente e seus dedos acareciaram sua nuca. Sua pele quente era tentadora- Kanon não me faz mal algum, apenas é diferente de nosso intolerante pai.

Hyoga virou o rosto sentindo os lábios de Isaac em si, as mãos de seu irmão de criação desceram, percorrendo o tecido de algodão e Hyoga gemeu de leve.

-Sente dores em suas pernas?

Hyoga virou a cabeça negativamente com os olhos cerrados e foi forçado a deitar-se no sofá.

-ISAAC!- gritou Camus. Estava na porta da sala olhando abismado.

...oooOOOooo...

Olá pessoas o/

Como passaram a virada de ano?

Eu passei uma virada no mínimo confusa XDD, looonga história, bem, resumindo, não tinha um relógio disponível e ninguém prestando atenção, então eu não sabia se já era ano novo XDDDDDDDDDDDD

Vou gambatera pra essa fict der certo XDD

Grazielle, nechan, arigato a vocês por lerem e comentarem aqui *-*

Obrigada a todos que leram e andam me aguentando por aqui o/ garanto que AMO escrever, mesmo ainda em aprendizagem.

por hoje é só