9º Capítulo: Robin mergulha de cabeça, no caso das Barbies
Sara foi buscar as crianças na escola, como fazia, sempre que podia. Quando o trabalho não deixava, Jane ia, em seu lugar. Quando viu que Theo entrava em seu carro, ela perguntou-lhe se havia avisado em casa.
- Sim, tia Sara! Telefonei para casa! Meu pai vem me buscar, antes da janta!
- Que bobagem Theo! Por que você não fica e janta conosco?
- Ele não pode, mamãe! Tem de vigiar os pais!
- Vigiar? – Estranhou Sara.
- Sim, pra eles não fazerem besteiras! – Concluiu Ryan.
Sara conteve o riso a custo. De onde as crianças estavam tirando essas idéias? Robin estava muito séria e muito pensativa, ao seu lado no carro. Sara não pode resistir e quis saber, o que a estava preocupando. Robin contou que o "caso das Barbies" era oficialmente seu.[
- Não era o que você queria?
- Sim... Era... Mas quanto mais eu penso nele, mais embananada fico! – Titubeou a menina. – Nunca tratei de um caso assim tão grande! Preciso de ajuda! - Os olhos azuis cresceram e se tornaram pedintes. – Você me orienta, mamãe? Tenho medo de fracassar!
- Claro! E você não vai fracassar, meu anjo! Vou lhe dizer o que faremos: assim que chegarmos em casa, troquemos essas roupas, vocês comem um lanche e, atacaremos o problema. Nada de pensar em fracasso: você é uma menina inteligente...
- É o que sempre digo a ela, tia! – Disse Theo tão solene, que Sara achou dificílimo, conter o riso.
- O que teremos de lanche? - Perguntou Ryan, que pareceu se avivar com a palavra "lanche". Aparentemente ficando surdo para todo o resto.
Sentadinha muito direitinha no banco do carona, Robin revirou os olhos, pensando que o mundo podia se acabar; desde que o irmão estivesse com o estômago cheio, tudo estava bem. Sara disse que Jane havia feito um bolo de abacaxi, que era um dos favoritos do menino.
- Ora mamãe! TODOS são favoritos de Ryan – falou em cima, a irmã.
Então, demonstrando que era mais que um estômago, Ryan chamou a irmã e pôs suas mãos gorduchas sobre as dela. Disse apenas: "confio em você, Robin".Sara sentiu os olhos úmidos. Aquele gesto, lhe trouxera muitas lembranças. Quantas vezes, o homem que amava, e que como o filho, não era dado a grandes discursos, apareceu em momentos difíceis, com aquele gesto?Ela viu que tinha ali um grande garoto, e que ela e Grissom estavam acertando na criação dos dois.
Mais tarde com as crianças alimentadas e trocadas, Sara deu atenção à filha;
- Bem, a primeira coisa que vocês devem fazer, é ir até as cenas dos crimes, interrogarem as vítimas!
- O que queremos saber? – Perguntou Theo,
- Onde estavam guardadas as bonecas, quem teve acesso a elas, recentemente, fotografem as bonecas, para verificarmos algum padrão de feri... de danos, nas bonecas. Ah e tirem as digitais das vítimas, mães e empregadas, ou seja lá, quem manuseasse as bonecas, para excluí-las! – Explicou pacientemente, Sara.- E não se esqueçam de processar as bonecas, elas devem estar cheias de digitais – concluiu.
Robin dirigiu-se a sua equipe e perguntou se eles haviam entendido tudo diretinho. Theo era o fotógrafo oficial, assim sendo, levava uma máquina fotográfica pendurada no pescoço. Ryan levava uma maleta, cheia de bugigangas, quase maior do que ele. Robin deu uma lista ao irmão, das garotas que tinham tido as Barbies atacadas. Despachou-os; Ryan estranhou.
- Ué! Você não vem junto?
- Dessa vez não; quero fazer umas anotações, e quero fazer mais umas perguntas pra mamãe. Vocês vão sozinhos e sei que farão um bom trabalho!
- Será como se você estivesse lá! – Observou Theo, que não perdia uma chance de bajular a menina. Robin, muito séria, passou batido, pelos elogios.
Tinha um jeito todo seu, de receber elogios e insultos: ignorava-os igualmente. Era outra coisa que puxara a Grissom. A opinião dos outros, nunca invadia o seu mundinho.
Robin dedicou o resto do dia, a estudar a localização das "vítimas", e viu que todas estavam localizadas próximo a sua própria residência, ou à escola. Concluiu que "o criminoso" devia estudar na escola e morar nas cercanias. Lembrou também, do que o pai falou: "que aquele era um crime de raiva". Ficou confusa: quem teria tanta raiva?
Os meninos chegaram um pouco antes do jantar, e relataram a Robin o que haviam visto.
- As bonecas estavam em guarda- roupas, ou armários. Geralmente lugares fechados, todas nos quartos das donas, tirando as que foram mutiladas na escola; fato acontecido durante o recreio. – Reportou Theo.
- Ao examinar o armário do quarto de Nells, achei um band-aid, que não era de ninguém da casa. Eu pergunti!
- É "eu perguntei", Ryan! – Corrigiu a irmã. – Vocês perguntaram quem esteve na casa das meninas?
- Sim! - Respondeu Theo. - Eis a lista: Primas, amigas, e um nome que aparece sempre: Mary Lou Bennet. Ela estuda na nossa escola?
- Sim, só que está na classe da Sra. Nicholls. - Respondeu Robin pensativa.
- E qual interesse de uma aluna da terceira série, em meninas da primeira?- Indagou Theo.
