Capítulo IX – Terceiras impressões
Draco caminhava despreocupadamente pelos corredores, pensando no bilhete que havia recebido. Quando estava a poucos metros da sala de DCAT, avistou Harry, Rony e Hermione, vindo da direção oposta. Brilhante, o trio de ouro, ele pensou.
Quando o loiro estava prestes a passar ao lado dos três, a bolsa de Hermione se rompeu, fazendo com que todo o material da garota caísse no chão, espalhando-se pelo corredor.
"Droga," retrucou a garota, abaixando-se para recolher seus pertences.
"Por acaso foi o Weasley quem te deu essa bolsa de presente, Granger?" Draco provocou. "Uma coisa resistente assim não deve ter custado caro, o que vai de acordo com as posses do seu amiguinho aí."
"Vai embora, Malfoy," Hermione resmungou, ainda recolhendo o material. Harry e Rony lançaram olhares assassinos à Draco.
"Caso você não tenha percebido, vocês entraram no meu caminho," ele disse, friamente. "E caso você também não tenha percebido, eu estou esperando que você recolha todo esse seu lixo para que eu possa passar".
"Por quê você não passa por cima então? Você nunca teve respeito por nada nem por ninguém."
"Na verdade Granger, eu estou muito educado hoje. E não quero sujar meus sapatos," ele finalizou, sorrindo irônico.
"Saia daqui," Hermione ordenou, levantando-se subitamente e ficando de frente para Draco.
"Como quiser, sangue-ruim," ele disse e continuou o caminho que fazia, não sem pisar em alguns dos pergaminhos de Hermione que estavam no chão.
Harry e Rony fizeram menção de partir para cima do garoto, mas Hermione lançou-lhes um olhar reprovador e eles continuaram a recolher o material dela.
Draco tinha caminhado poucos passos ao notar um pedaço de pergaminho jogado. O loiro apanhou lentamente e passou os olhos pelo papel. Logo depois, explodiu em risadas. Harry, Rony e Hermione viraram para ver o que tinha feito o garoto rir tanto, quando ele começou a ler o pergaminho que estava em sua mão.
"Talvez eu seja uma garota, talvez eu seja uma garota solitária que está no meio de algo que ela realmente não entende," Draco leu, caminhando de um lado para o outro, com voz de desdém. "Talvez eu seja uma e garota e você seja o único homem que pode me ajudar. Por quê você não me ajuda a entender?" Ele continuou, entre risadas.
"Larga isso, seu imundo!" Bradou Hermione, arrebatando o papel das mãos dele.
"É Granger, talvez você seja uma garota, eu não tenho certeza disso, é verdade, mas existe algo que você não entenda? E quem é esse homem que pode te ajudar? Não me diga que é o Potter!"
Hermione estava escarlate, mas nenhum dos garotos saberia dizer se era de raiva ou de vergonha. Rony, num impulso, puxou Draco pelo colarinho e o jogou contra a parede.
"Você não vai mais tratar a Hermione desse jeito, seu miserável!" Bradou o ruivo e fez menção de socar Draco no rosto, mas Hermione o impediu.
"Não, Rony! Você vai acabar se prejudicando!"
"Hermione, eu já cansei de ver esse imbecil te tratando como lixo, eu não vou deixar--"
"Por favor, Rony, não faz isso," implorou Hermione, fitando-o.
Rony a encarou, considerando o pedido e então soltou Draco. O garoto olhou de Hermione para Rony e então sorriu maldosamente.
"Mas é claro que não foi para o Potter!" Ele disse, soando vitorioso. "Você escreveu essa bobagem para o Weasley!"
Rony fitou Malfoy como se ele tivesse dito algo sem sentido, mas ao fitar Hermione viu que ela estava visivelmente envergonhada.
"Vamos embora daqui," disse Harry, tentando contornar a situação.
"Ah, tenha dó, Potter. Deixe os pombinhos se acertarem."
Hermione virou-se, recolheu as coisas que ainda estavam no chão em uma velocidade incrível e rumou apressada para longe dali. Harry lançou um último olhar de ódio à Draco e seguiu a garota. Rony ainda parecia estar assimilando a situação.
"De nada, Weasley," disse Draco.
"Foda-se, Malfoy," Rony praticamente cuspiu as palavras e então seguiu na direção que Harry e Hermione tinham seguido.
"Ah Weasley, vai dizer que você não gostou de saber que a Granger é apaixonada por você?" Gritou Draco, sua voz ecoando pelo corredor.
"Você não devia ter feito isso, Malfoy," disse calmamente uma voz feminina, às costas dele.
Draco virou-se lentamente e viu Gina, parada ao lado da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, ostentando um olhar indecifrável.
"Não posso evitar, eles me divertem," ele disse, caminhando na direção da ruiva. No mesmo instante ela entrou na sala e ele a seguiu. "Por vezes eu achei que a Granger fosse apaixonada pelo Potter."
"Bom, inteligência não parece ser seu forte," Gina comentou vagamente, sentando-se em uma mesa. "Muito menos percepção".
"E você diz isso porque..." Ele disse, soando desinteressado.
"Você lembra de quanto tempo demorou pra perceber que eu era a garota que tinha feito o acordo com você?"
"Entendi o que você quer dizer," ele respondeu, secamente. "Mas vamos ao que interessa, qual é o teste de hoje?" Sorrindo maliciosamente, Draco aproximou-se dela.
"Claro, o teste," ela respondeu, sorrindo igualmente maliciosa. "Vamos conversar."
"Depois conversamos, Weasley, vamos começar pela parte mais divertida."
Draco parou em frente à garota, colocando-se entre as pernas dela e num movimento rápido, a puxou contra seu corpo.
"Malfoy," ela sussurrou, enquanto ele lhe beijava o pescoço. "Tire as mãos de mim."
"O quê?" Ele perguntou, encarando-a confuso.
"Isso mesmo que você ouviu," sem muito esforço, ela o afastou, cruzando as pernas e os braços e encarando-o seriamente. "Eu sei que a noite passada significou muito pra você, mas eu estava apenas me divertindo. Se você quiser sexo, corra atrás da Parkinson."
Draco encarou Gina num misto de ódio e admiração. Ódio por não conseguir acreditar que tinha realmente gostado da noite anterior, enquanto Gina simplesmente desprezava o fato e admiração porque, querendo ou não, ele tinha que admitir que aquela garota tinha uma personalidade difícil. Exatamente como a dele.
"Tudo bem então, Weasley," ele disse, friamente. "Se você quer bancar a difícil, problema seu, eu só queria um pouco de diversão. Embora eu não achasse que você faria comigo o que fez com o seu idolatrado Potter."
"O que Harry e eu fizemos é problema nosso," ela respondeu, seca. "Aliás, problema não é exatamente a melhor definição..."
Draco bufou, indignado com a petulância daquela garota. Ela sabia como provocá-lo. De todas as maneiras.
"Poupe-me dos seus comentários," ele retrucou. "Então, pra quê você me chamou aqui?"
"Eu já disse, vamos conversar."
"Você me chamou até aqui para conversar?"
"Para o que mais seria?"
"Pela maneira como eu te abordei, você deve ter percebido quais eram as minhas intenções."
"Entendi o que você quer dizer. Mas esse era o meu teste. Eu quero conversar com você, saber se você é realmente essa criatura desprezível que parece ser ou se existe algum resquício de humanidade no seu coração," Gina disse, sorrindo. "Supondo que você tenha um, claro."
"Lindo discurso," ele disse, desinteressadamente, rumando para fora da sala. "Agora se você me dá licença, eu preciso ir embora, porque--"
"Você não parecia ter compromisso quando chegou aqui," ela provocou. "O que foi, Malfoy? Eu não sabia que ser privado dos meus beijos te deixaria tão atormentado."
Draco, que estava quase na porta, virou-se e encarou Gina, numa expressão desafiadora.
"Você acha que é mesmo irresistível não é, Weasley? O que aconteceu na noite passada foi um lapso, uma estupidez, foi completamente sem sentido," ele dizia, numa voz perigosamente baixa, aproximando-se de Gina. "Eu me deixei levar porque sou homem e não tenho culpa se você ficou se insinuando pra mim. Mas você, você sabia o tempo todo da armação e deixou as coisas chegarem longe demais. Se alguém perdeu o controle aqui, esse alguém foi você."
Gina, que até então sorria, ficou séria de repente, mas não desviou o olhar.
"Pois bem então. Se você não se intimida, fique aqui. Não precisamos passar horas, alguns minutos serão mais do que suficientes".
Draco estudou a expressão e as palavras da ruiva. Por fim, decidiu ficar. Sentou-se em uma cadeira, de frente para ela, cruzando os braços atrás da nuca e apoiando os pés na mesa em que Gina estava sentada.
"Pronto. Converse," ele disse, simplesmente.
"Você tem algum assunto em mente?"
"Claro que não, Weasley. Eu não vim aqui pra conversar."
"Você não tem nenhuma pergunta? Nada que queira saber a meu respeito?"
Draco riu. Uma risada arrastada, sem alegria.
"Por quê eu me interessaria pela sua vidinha patética, Weasley?"
"Tem razão, Malfoy. A sua vida é provavelmente bem mais interessante do que a minha," ela respondeu, sorrindo. "Pode falar, eu estou escutando."
"Se você acha mesmo que eu vou falar sobre a minha vida, está muito enganada," ele disse, calmamente. "Aliás, nem sei porquê você faz questão de saber."
"Não é que eu faça questão de saber. Eu só achei que seria interessante te dar o benefício da dúvida. Talvez você não seja um idiota pretensioso como parece."
"E por quê Weasley, por quê você acha que não? Aliás, por quê você se importa com isso?" Ele perguntou, sentando-se normalmente e inclinando-se, as mãos apoiadas na mesa, aos lados de Gina. "Eu não dou a mínima pra sua opinião a meu respeito."
"Do que você tem medo, Malfoy?" Ela perguntou, quase num sussurro, inclinando-se e tornando mínima a distância entre eles.
Os dois passaram longos segundos daquela maneira, apenas olhando nos olhos do outro. Ambos com expressões indecifráveis. Draco foi o primeiro a se manifestar.
"Tudo bem, Weasley," ele disse, voltando a sentar-se descansadamente na cadeira, com os pés na mesa. "Pode perguntar."
"Qualquer coisa?"
"Qualquer coisa."
"Ok." Gina pareceu considerar um pouco. "Com quantas garotas você já dormiu?"
"Você quer dizer com quantas garotas eu já transei?"
"Você entendeu o eufemismo."
"Não gosto de eufemismos," ele retrucou. "É hipocrisia. Mesmo que você amenize as palavras, o significado delas é o mesmo."
"Só responda a pergunta," Gina disse, impaciente.
Draco fitou a garota, em silêncio. A expressão no rosto dele era neutra.
"Responde, Malfoy!"
"Se você me permite, eu estou contando," ele disse, maliciosamente.
"Por Merlin..."
"Por Merlin... Eu digo por Merlin! Que pergunta estúpida, Weasley. Por acaso você tem doze anos?"
"Tudo bem então, faça uma melhor!" Protestou Gina.
"Com prazer," o loiro a encarou por um bom tempo e então começou, em uma voz estranhamente amistosa. "O que aconteceu entre você e Voldemort, no seu primeiro ano aqui?"
Gina ficou visivelmente incomodada e surpresa com a pergunta. E permaneceu em silêncio.
"Vamos Weasley, foi há cinco anos. É uma pergunta simples, o que houve entre você e Vold--"
"Tom," interrompeu Gina.
"O quê?"
"O nome dele é Tom. Tom Riddle," ela respondeu, secamente.
"Desculpe, eu não sabia que vocês eram tão íntimos," Draco ironizou.
"Ele foi meu melhor amigo durante um ano," Gina disse, em tom sombrio, mais para si mesma do que para Draco.
"Você está falando sério?"
"Eu apenas respondi à sua pergunta."
"Foi uma resposta muito vaga."
"E a única que você vai ter," ela respondeu, de maneira cortante.
"Assim você me mata de curiosidade..."
"Ok então. Minha vez," Gina disse e Draco sorriu friamente, fitando-a. "Foi você quem denunciou o seu pai para o Ministério?"
O loiro adquiriu uma expressão dura e pensativa, desviando o olhar.
"Não sei do que você está falando."
"Ora Malfoy, me poupe!" Ela retrucou, impaciente, levantando-se. "Você quer mesmo que eu acredite que depois de anos vasculhando as milhões de propriedades dos Malfoy, o Ministro acordou num dia ensolarado de verão e, eu não sei, sentiu que tinha que procurar em determinados lugares pra provar que a sua família estava envolvida com Artes das trevas?"
"A minha família não estava envolvida com Artes das Trevas. Meu pai estava," ele respondeu, sua voz tremendo um pouco de irritação.
"Você não respondeu minha pergunta."
"Sabe Weasley," ele disse, tentando disfarçar sua irritação e claramente tentando mudar de assunto. "Essa conversa está ficando séria demais. Vamos lá, me diz qual o seu número mágico."
"Meu o quê?" Ela perguntou, confusa.
"O número de caras com quem você transou."
"Você não disse o seu número de garotas!" Ela protestou e antes que pudesse continuar, Draco a interrompeu.
"Três."
"Três o q—ah. Só isso?"
"Por quê? Você por acaso transou com todo o dormitório masculino da Grifinória?"
"Engraçadinho. Eu só achei estranho porque enfim... você é... você."
"Muito esclarecedor."
"Ora Malfoy, você pode ter quantas garotas quiser!"
"Posso é?" Ele perguntou, sorrindo maliciosamente, levantando-se e caminhando na direção dela.
"Pode parar por aí," ela respondeu, embora também sorrisse levemente. "Você entendeu o que eu quis dizer. E eu já te disse que você é um dos garotos mais interessantes da escola."
"Achei que isso fizesse parte da encenação," ele respondeu, sentando-se na mesa, onde até há pouco Gina estava sentada.
"De certa forma... mas é, é o que eu acho. Não pra mim, é óbvio, mas--"
"Como assim? Eu sou um dos garotos mais interessantes, mas não pra você? Não sabia que seu padrão de exigências era tão alto, Weasley."
"A questão não é meu padrão de exigências," ela disse, pacientemente. "A questão são os meus limites. Desde que eu te conheço você tem sido um completo idiota com meu irmão e com meus amigos e não perde a oportunidade de fazer piadinhas sobre o dinheiro da minha família."
"A falta dele, você quer dizer."
"Está vendo?" Ela disse, em tom triunfante e para a surpresa de Draco, sorrindo. "No meu caso, os seus defeitos se sobrepõem e muito sobre as qualidades."
"Entendi, entendi," Draco comentou, pensativo e então encarou Gina com uma expressão falsamente doce. "Mas sabe Weasley, você tem que me amar apesar dos meus defeitos e não pelas minhas qualidades," ele finalizou, fazendo bico e Gina o fitou como se ele fosse algum animal estranho.
Subitamente, os dois explodiram em risadas. Draco estava praticamente de pé, encostado à mesa e Gina se apoiava em uma cadeira. Aos poucos, as risadas foram cessando.
"Eu nunca imaginei que você tivesse senso de humor, Malfoy."
"Por favor, me chame de Draco."
E novamente os dois explodiram em risadas.
"Tudo bem, Weasley," ele disse, entre risadas. "Não fuja da pergunta. Qual o seu número?"
Gina o fitou, sorrindo e um pouco ofegante. Ela respirou fundo, tentando se recompor e sentou na cadeira em que Draco estivera.
"O mesmo que o seu," a garota respondeu, simplesmente.
Draco ficou sério de repente, mas seu olhar não era reprovador, apenas demonstrava o visível choque do garoto diante da revelação. O silêncio se prolongou, a expressão de Draco idem.
"Algum problema, Malfoy?" Perguntou Gina, num tom levemente desafiador.
"Não," ele respondeu, em tom casual. "E eles foram...?"
"Nada disso, agora é a minha vez de perguntar."
"Tudo bem, Weasley, pergunte."
"Quem foram as suas duas?"
Draco fez uma expressão de impaciência. "Que criativo."
"É a resposta que me interessa."
O garoto pareceu pensar um pouco e então encarou Gina demoradamente.
"Você não imagina?"
"Pansy e Cho, essas são as respostas óbvias," Gina respondeu, encarando-o também. "A terceira garota é quem me interessa."
"Tudo bem. Mas prometa que isso fica entre nós."
"Desde quando você confia numa promessa minha?"
"Você tem caráter, Weasley, aposto que não quebra suas promessas."
Gina franziu a sobrancelha diante do comentário do garoto, mas não disse nada.
"Promete?" Ele perguntou e ela fez sinal afirmativo com a cabeça. "Lilá."
"Lilá como em Lilá Brown?" Gina perguntou, embasbacada.
"Exatamente."
"Lilá como em Lilá Brown, aluna da Grifinória?"
"É Weasley, deixa de ser estúpida."
"Por quê?" Ela perguntou, parecendo inconformada.
"Como assim por quê? Porque ela é uma garota divertida, fútil é verdade, mas divertida. A situação e o momento eram propícios e se eu tinha de perder a virgindade com alguém, que não fosse com a Pansy."
"Espera aí!" Gina parecia mais chocada a cada instante. "Você não só transou com a Lilá como ela também foi sua PRIMEIRA VEZ?"
"É Weasley, você vai querer que eu desenhe?" Ele perguntou, irritado.
"Ah Malfoy, você tem que admitir que esse é exatamente o tipo de coisa que surpreende."
"Por quê?"
"Como assim por quê? Você, Draco Malfoy e Lilá Brown? Um sonserino e uma grifinória? Ainda por cima um sonserino como você? Essa é difícil de acreditar!"
"Eu estou aqui com você, não estou, Weasley?" Ele perguntou, inexpressivo.
"Está, mas--"
"Você tem uma idéia errada a meu respeito."
"Você me faz ter essa idéia a seu respeito, Malfoy."
"Mesmo?" Ele perguntou, aproximando-se dela. "Quer dizer que agora que nós conversamos e até rimos juntos, você pode dizer que o que pensava sobre mim não mudou nem um pouco?"
"Eu não tomo conclusões precipitadas."
"Ótimo, Weasley," ele continuou, afastando-se e com uma expressão indecifrável. "Porque você não deve confiar em mim. Nesse caso sim, pois em questões como essas eu não minto. Mas nunca confie completamente em mim."
"Posso saber porquê você está me dizendo isso?"
"Eu não sei," Draco respondeu, simplesmente e sentou-se de frente para Gina. "Talvez porque algo me diz que você é o tipo de pessoa que eu talvez não gostaria de magoar."
Gina não conseguiu esconder sua surpresa. Mesmo que as palavras de Draco não parecessem fazer muito sentido à princípio, elas eram, de alguma forma, palavras gentis. E essa era a última coisa que Gina esperava vindo dele.
"Eu disse talvez, Weasley," ele adicionou, notando a surpresa dela. "Sua vez."
"Minha vez?" Perguntou Gina, ainda levemente surpresa.
"É, sua vez."
"Minha vez de quê? De me declarar pra você também?" Gina provocou.
"Engraçadinha. Diga quem foram os seus três. Exceto pelo Potter, não consigo adivinhar quem são os outros dois."
"Era de se esperar," ela comentou. "Bom, no final do quarto ano, eu comecei a namorar o Dino, nós éramos amigos e com o namoro ficamos ainda mais próximos, mas--"
"Eu não pedi detalhes," Draco interrompeu, despreocupadamente.
"Grosso," Gina retrucou. "Bom, Dino e eu terminamos antes que qualquer coisa acontecesse. Eu fiquei muito mal por um tempo e o Colin me ajudou bastante nessa época. Ele também estava mal por ter terminado com a Luna," Draco sorriu debochado, fazendo Gina lançar-lhe um olhar de desaprovação. "Numa noite, nós acabamos bebendo um pouco além da conta, uma coisa levou a outra..."
"Só uma pergunta," disse o garoto. "Quando você diz Colin, você quer dizer Colin Creevey, o maníaco da câmera?"
"Não, eu quero dizer Colin Creevey, meu melhor amigo," Gina respondeu, friamente.
"E que amigo..."
"Mas foi coisa de uma noite só. Eu e Colin somos só amigos. Nós dois estávamos passando por um momento difícil, tínhamos intimidade e aquela noite foi uma conseqüência disso."
"Disso e de algumas doses a mais de whisky de fogo..."
"Eu não me arrependo do que fiz," Gina continuou, ignorando o comentário de Draco. "Foi no momento certo e com a pessoa certa."
"Oh, lindo," ele ironizou. "Aposto como essa foi parar no diário. Mas me diz, Weasley, você não preferia que tivesse sido com algum namoradinho seu ou, não sei, com o amor da sua vida, o Potter?"
"Não," ela respondeu, cortante. "Foi com alguém que é importante pra mim e aconteceu na hora certa. E o Harry não é o amor da minha vida."
"No que você quiser acreditar..." O loiro disse. "E os outros dois? Aliás, o outro, porque um deles eu sei que foi o Potter."
"Dino. Nós reatamos alguns meses depois e eu estava a fim, então transamos."
"Direto ao ponto."
"Mas eu terminei com ele um tempo depois."
"Por quê?"
"Falta de interesse. Além do mais, foi nessa época que a minha inexplicável paixão pelo Harry voltou. Devido às circunstâncias, claro, ele tinha salvado minha vida, enfrentado Voldemort de novo e toda a história que você já conhece."
"De fato. Mas eu sempre pensei que o Potter tivesse sido seu primeiro. E único."
"Você tem uma idéia errada a meu respeito."
"Você me faz ter essa idéia a seu respeito, Weasley. Ou melhor, fazia. Acabei me surpreendendo com você."
"Viu só, Malfoy? Você fez bem em me dar o benefício da dúvida."
"É o que você está fazendo por mim."
"Achei que você não desse a mínima para o que eu penso a seu respeito."
"Bem observado. É, pensando bem, você não precisa mais fazer isso," ele finalizou, sorrindo.
"Ótimo, então eu paro," ela comentou, também sorrindo.
"Perfeito. Não faço questão que você tenha outra opinião sobre mim."
"E eu também não faço questão de ter outra opinião sobre você. O estereótipo de canalha mimado te cai maravilhosamente bem."
"Correção: canalha sexy e irresistivelmente mimado."
E pela terceira vez naquela tarde, os dois explodiram em risadas. Após um breve momento, quando ambos obviamente não tinham mais o que conversar, eles limitaram-se a trocarem olhares. Uma troca de olhares cheia de cumplicidade, algo para o qual eles não estavam preparados.
"Pois bem, Weasley, por hoje é só, não é? Você já me fez perder tempo demais com esse teste."
"E você adorou, pode confessar," ela disse, brincalhona.
"Bem, não foi a pior das minhas tardes, mas..."
"Ah, cai fora, Malfoy!" Ela retrucou, rindo e empurrando-o pelas costas para fora da sala, mas repentinamente cessou o contato. "Desculpe, eu esqueci que não posso te tocar."
"Tudo bem, não precisa ser tão rígida," ele respondeu, sorrindo levemente e encostando-se na porta.
"Quer dizer que eu posso te tocar?"
"Eu sei que você adora fazer isso, então pode," Draco respondeu, maliciosamente. "Mas evite."
Gina sorriu e balançou a cabeça. "Você não tem jeito, Malfoy. Mas sabe de uma coisa? Talvez eu acabe mudando a opinião que eu tenho sobre você."
"Mesmo?" Ele perguntou. "Pois saiba que mesmo que você tenha me surpreendido," ele continuou, caminhando pelo corredor, de frente para Gina, que agora estava apoiada na porta. "Eu sempre vou te achar uma pirralha irritante e prepotente."
"Ah, não se preocupe, por mais que você tente, você nunca vai deixar de ser um canalha mimado."
"Um canalha sexy e irresistivelmente mimado, Weasley," ele disse, com um meio sorriso, agora de costas para ela.
Gina meramente sorriu, fechou a porta da sala e rumou na direção oposta a que Draco seguira.
Sem se darem conta, Draco e Gina pararam ao mesmo tempo, um em cada extremidade do corredor. Ambos tinham um sorriso nos lábios. E ambos concluíram que, por mais estranho que aquilo pudesse parecer, tinham passado um tempo agradável juntos.
E novamente, sem perceberem, os dois continuaram seguindo seus caminhos, que inevitavelmente, sempre acabariam sendo diferentes.
N/A: O poeminha da Hermione é uma tradução literal de um trecho da música "Maybe I'm amazed", cantada pela Jem.
