Kurt estava desesperado nessa nova situação. Ele queria enxergar, queria ver como era Katie, como era Blaine... Queria sair dessa vida miserável em qual precisava da ajuda de todos.

– V-você quer tocar meu rosto?

– Sim, mas tudo bem se você não quiser. É que eu estava conversando com Katie e ela disse que eu tenho que desenvolver o tato já que vou ficar assim e eu acho que queria imaginar como você é porque já te conheço à um mês, mais... Mas tudo bem porque você não precisa... Você não tem que... - Kurt se atrapalhava com as palavras.

– Tudo bem.

– Tudo bem? - Estranhou o castanho.

Blaine se sentou ao lado de Kurt na cama como sempre, porém dessa vez um pouco mais perto do rosto do mais novo. Kurt sentiu a mão de Blaine puxar a sua até seu rosto, aonde agora estava repousada.

A mão trêmula de Kurt demorou alguns segundos até começar a tatear aquele rosto desconhecido. Começou a traçar o caminho pela bochecha. Os dedos delicados de Kurt agora desciam, e agora tocavam delicadamente a boca de Blaine. Tocou também o nariz, os olhos e chegou nas sobrancelhas, aonde Kurt deu um sorriso e Blaine não entendeu.

– O que tem de tão engraçado com as minhas sobrancelhas?

Kurt não respondeu, apenas suspirou e voltou a passar seus dedos pela pele macia de Blaine. Ficou mais algum tempo tocando seu rosto, até subir para o cabelo. Um cabelo cheio de gel. Ficou mais alguns segundos com a mão no rosto do médico, até perceber que estava tempo demais ali.

– Parece que te conheço um pouco mais agora... - Kurt desviou a atenção, tirando a mão de Blaine.

– Quão desesperado você está pra saber como eu realmente me pareço agora? - Brincou.

– Hm... Extremamente desesperado? - Kurt riu e jogou sua cabeça contra o travesseiro atrás de si. - Isso é horrível.

Blaine gargalhou baixo, e se levantou, pegando Kurt no colo para descer as escadas. Lá tomaram café e algumas horas depois, Blaine já havia trazido Kurt novamente para o quarto, aonde ele estava deitado. Katie estava sentada na cama junto com Kurt e Blaine estava em pé.

– Kurt, posso dar uma olhada na sua perna?

O castanho assentiu. Não sentiu nada, porém por alguns minutos sabia que Blaine estava tocando em si. Seu coração batia forte, cada vez mais. – Você consegue mover a perna? E os dedos? - Perguntou, enquanto ainda examinava o gesso.

– Sim.

– Então você já pode ir no hospital amanhã mesmo para tirar o gesso. Terá que andar de muletas por alguns dias, mas ficará bem.

Kurt assentiu com a cabeça.

– Está na hora de ir pra casa, pandinha. - Blaine falou olhando no relógio. Já estavam ali por um tempo enorme.

– Mas já? - Perguntou Kurt, fazendo cara de triste.

– Por mais que esse seu biquinho seja lindo, eu e Katie temos que ir. Amanhã nos vemos no hospital, e trarei Katie aqui mais vezes. Tudo bem?

O coração de Kurt havia parado no "por mais que seu biquinho seja lindo". Ele não tinha certeza se conseguia falar alguma coisa agora, então apenas assentiu com a cabeça.

– Vá ao hospital pela manhã, por que a tarde eu não estarei lá. E eu faço questão de ser o médico a tirar esse gesso.

Em poucos minutos a porta do quarto fora fechada e Kurt pode simplesmente soltar aquele suspiro que estava guardando desde que sentira o rosto de Blaine na ponta de seus dedos.

– Céus... - Sussurrou, jogando sua cabeça contra o travesseiro novamente. - O que é isso, Kurt? Você não pode... Esqueça isso.

E com a cabeça jogada no travesseiro, Kurt dormiu. Não é necessário dizer que ele sonhou com Blaine, é?

[...]

Kurt chegou ao hospital acompanhado de Burt. Sendo empurrado de cadeira de rodas. Enquanto Burt preenchia a papelada, Kurt ficava encarando as memórias do dia anterior. Seus dedos tocando o rosto e conhecendo Blaine...

– Kurt!

Kurt estava tão demasiado que podia jurar ouvir a voz do moreno a todo momento.

– Kurt? - Blaine colocou a mão no ombro do castanho, que levou um susto. - Vamos tirar esse gesso?

Kurt assentiu que sim e foi levado até a um quarto. Burt ficou do lado de fora. O castanho não sabia mais o que fazer. Desde que Quinn falara aquilo e que Kurt descobrira que Blaine era gay, seu coração não parava de bater mais forte ao lado do médico.

– Prontinho. A lesão foi forte, mas parece que está tudo em seu devido lugar. - Blaine disse, finalmente libertando a perna de Kurt.

– Me sinto livre agora. - Brincou, sentando na cama.

– Você consegue ficar em pé sozinho?

– Acho que sim... - Kurt saiu da cama, mas assim que parou de se apoiar, foi em direção ao chão. Porém Blaine foi mais rápido e pegou Kurt no ar.

– Cuidado!

Seus rostos estavam perto. Seus peitos colados e os braços de Blaine circulavam Kurt. A única coisa que o castanho queria nesse momento era inclinar sua cabeça e capturar os lábios de Blaine.

– Você tem que tomar mais cuidado, carinha. - Brincou Blaine, levantando Kurt e separando seus corpos. - Vem, eu te ajudo.

O médico passou os braços pelo ombro do mais novo e o ajudou a andar até a cadeira de rodas. Tudo o que ele queria agora era pegar seu celular e mandar uma mensagem para Quinn, culpando a loira de ter colocado esses pensamentos em sua cabeça.

– Ei, Kurt. - Blaine começou então a empurrar Kurt pelos corredores do hospital. - Eu... Eu vou passar a tarde no centro de ajuda aos portadores de deficiência visual... Será que... Você gostaria de vir comigo?

Kurt não conseguiu pensar em uma resposta.

– Eu poderia te levar pra almoçar, e depois iríamos direto pra lá. O que você acha? - Kurt não podia ver, mas Blaine estava corando. O que tinha de mais convidar um amigo para passar a tarde fazendo serviço comunitário?

– T-tudo bem.

E ambos ficaram calados após isso. O corredor ficava cada vez mais comprido, e Kurt não aguentava mais esconder o sorriso de ter um encontro com Blaine. Encontro? Ele disse que seria um encontro ou Kurt estava pensando isso? Não deveria ser um encontro.

– Finalmente. - Disse Burt se levantando do sofá da sala de espera. - Vamos, Kurt?

– Pai, é que... Eu vou almoçar com o Blaine, tudo bem? - Kurt corou e Blaine sorriu com isso.

– V-você o quê? - Burt abriu um sorriso também. Ele não era bobo nem nada, e sabia o que estava acontecendo entre os dois rapazes. E ficou feliz. Gostava de Blaine. Por durante um mês e meio ele cuidou de Kurt muito bem. - É um encontro?

Kurt não sabia onde enfiar a cabeça. Se fosse possível corar mais, ele coraria. Antes que ele pudesse responder algo, Blaine respondeu em sua frente.

– Digamos que sim. Vamos a tarde no CPDV.

– Tudo bem então. Juízo, meninos. - Burt se despediu, deixando os dois jovens sozinhos.

– Então isso é um encontro? - Perguntou Kurt com um pequeno sorriso no rosto.

– É... Digo, a não ser que você não queira... Você escolhe. - Dessa vez era Blaine que tropeçava nas palavras.

– É um encontro. - E foi a primeira vez que Kurt se sentiu realmente feliz após o acidente. Era como se tudo aquilo tivesse um propósito, e esse propósito era Blaine.

Com certeza aquele ditado "o que os olhos não veêm, o coração não sente" estava errado, já que o coração de Kurt começou a bater mais forte quando conheceu Blaine.