Por Toda a Eternidade

"'Cause lately you make me weaker in the knees

And race through my veins baby every time you're close to me

Take me away to places I ain't seen

They say you've got a hold on me'

And I Won't Disagree"

Kate Voegele - "I Won't Disagree"

Capítulo 9 – Goles e Balaços

Lily POV

Acordo com o barulho do meu despertador. Pela primeira vez desde que eu cheguei em Hogwarts, eu não sou acordada pelos gritos desesperados do James. Fico feliz em ver que ele realmente tomou a poção. Fiquei realmente com dúvidas se ele disse que ia tomar a poção, só para que eu deixasse ele em paz, ou se ele realmente iria tomar a poção.

Decido deixar o James dormir mais um pouco. Afinal, hoje o nosso primeiro período é livre, então podemos tomar café-da-manhã mais tarde, sem ter o medo de chegar atrasados na aula. E ele precisa descansar, ele está com olheiras imensas, e várias vezes ontem (em especial durante a aula de Poções), parecia que ele ia dormir durante a aula.

Me levanto e pego uma muda de roupa limpa, e vou para o banheiro tomar um longo banho quente. É tão bom não ter que dividir o banheiro com quatro outras garotas. Além de ser muito bom poder ficar meia hora relaxando na banheira, sem ter alguém batendo na porta sem parar, ameaçando jogar o seu dever de casa de Transfiguração na lareira da Sala Comunal. E eu tinha razão, James não é o tipo de rapaz que fica horas no banheiro. Então nessa parte o nosso convívio é bem pacífico. Tenho que me lembrar de agradecer ao Prof. Dumbledore por não ter colocado o Sirius Black como Monitor Chefe. Eu jamais poderia usar esse banheiro, caso ele fosse o Monitor Chefe. Além disso, a minha mente se recusa a imaginar o Sirius como Monitor Chefe.

Quando saio do banheiro, já pronta, decido que é hora de acordar o James. Eu duvido que ele esteja acordado, mas mesmo assim eu bato na porta antes de entrar. Como esperado, ele não responde. Eu abro a porta lentamente e me deparo com a bagunça do quarto dele. Como que ele está aqui a apenas três dias e já conseguiu fazer essa zona? É camisa para tudo quanto for lado, gravatas, meias no chão. Cruzes! Até mesmo uma cueca samba-canção com goles voadoras. Eu não precisava estar vendo isso! Mas é óbvio que são goles voadoras, afinal, James é o artilheiro do time de Quadribol da Grifinória, então eu esperava ver o quê? Pomos de ouro voadores?

Na verdade eu preferiria não estar vendo as cuecas do James...

Paro de olhar para as roupas íntimas dele, e olho para a cama dele. James está deitado de barriga para cima, sem camisa, com um braço cruzado apoiado embaixo do travesseiro e o outro esticado. O lençol está todo revirado na cama, cobrindo apenas parte das pernas dele. Só cobre de um pouco acima do joelho, até os pés.

E lá se vai a minha teoria que a cueca samba-canção dele tem goles porque ele é um artilheiro. A que ele está usando (o único item de roupa que ele está usando) tem balaços voadores. Tudo bem que ainda não estamos no inverno, mas também não estamos no verão. Ele deveria estar dormindo com um pouco mais de roupa...

Mas não consigo deixar de olhar rapidamente para as pernas dele, por motivos puramente científicos, óbvio, e vejo que as coxas dele também são musculosas, assim como o peito e os braços. Hmm, acho melhor então mudar aquela pesquisa para o desenvolvimento de todos os músculos dos jogadores de Quadribol. Na verdade, os da perna tem que ser os principais dessa pesquisa. Ele não anda, não corre, não pula, não faz nada disso em cima de uma vassoura! Então como que vai ter esses músculos na perna? Não faz sentido nenhum!

E não é porque eu estou atraída por ele... Mary maluca, colocando idéias loucas na minha cabeça. Como se eu já não tivesse preocupações suficientes na minha mente.

Me sento na cama, ao lado dele, e faço um pedido a todos os deuses possíveis, que ele não tenha sono pesado. Começo chamando ele pelo nome,

"James?... James?... James?"

Nada.

Cutuco o ombro dele.

"James?"

Nada.

Sacudo o ombro dele.

"James?"

Finalmente parece que ele vai começar a acordar. Ele pisca os olhos algumas vezes, e aperta os olhos como se não tivesse enxergando nada. Mas é claro que ele não está enxergando nada, ele é míope, sua imbecil!

Então ele estica o braço para a cabeceira, que está do outro lado da cama, pega os óculos e os coloca.

"Lily?" Ele pergunta, sonolento.

"Eu disse ontem que eu ia te acordar..."

"Ah, foi." Ele senta na cama, e esfrega os olhos com os dedos, por baixo do óculos. "Obrigado."

"Conseguiu dormir bem? Eu não ouvi nenhum grito essa noite." Eu comento.

"Muito bem. Aquela poção foi maravilhosa. Quer dizer, o gosto foi horrível, mas eu não sonhei."

"Que bom." Eu digo com sinceridade. Ele ainda está com algumas olheiras, mas não tanto quanto ontem.

"Você foi um anjo." Ele comenta do nada, olhando fixamente para mim, e eu fico toda vermelha.

Ontem, pelo menos, estava escuro quando James ajeitou o meu cabelo, que estava cobrindo o meu rosto por causa do vento, na Torre da Astronomia. Nesse momento eu achei que o meu rosto fosse ficar em chamas, de tanto que eu fiquei vermelha. Mas, por sorte, devido a escuridão, ele não percebeu a reação completamente involuntária do meu corpo ao toque dele. Infelizmente, agora eu não tenho a mesma sorte. Ele vê o meu rosto vermelho como um pimentão e sorri. É realmente hilário como que eu fico vermelha com qualquer coisa.

Decidindo que eu já me ridicularizei o suficiente, eu me levanto.

"Já está pronta?" Ele pergunta, confuso em me ver vestindo o uniforme de Hogwarts. O que ele esperava? Que eu acordasse ele de pijama?

"Claro. Faltam só 30 minutos para pararem de servir o café da manhã. E, ao contrário de você, eu não sei aonde fica a cozinha."

"Se você quiser eu te mostro."

"Outro dia, eu quero ir na biblioteca fazer uma pesquisa no primeiro tempo livre." Eu respondo, me desviando da roupa espalhada no chão, até chegar na porta. Óbvio que eu não vou contar qual o assunto da minha pesquisa. "Até mais tarde."

"Até."

Eu olho para trás e vejo que ele está em pé, se esticando todo, para espantar o sono. Definitivamente eu tenho que fazer essa pesquisa. E vai ser agora!

Quando chego ao Salão Principal vejo que só tem o Remus do sétimo ano na mesa da Grifinória. É algo raro ver um membro do grupo dos Marotos sozinho. Me sento na frente dele, e falo.

"Bom dia, Remus."

"Bom dia, Lily."

"Aonde está o resto dos Marotos?" Eu pergunto, pegando um pedaço de torrada. Como cheguei tarde demais não tem mais bolo de chocolate. Droga.

"Bom, Sirius está dormindo. Eu tentei acordar ele, mas ele me azarou dizendo que eu era louco em tentar acordar ele, num dia que ele tem o primeiro período livre. E eu desisti de acordar o Peter no primeiro ano. Ele dorme tão pesado que precisa ter um desastre para acordar ele."

Eu sei. Eu me lembro muito bem do dia do ataque, que o Peter dormiu o tempo todo que eu estava na cabine, só acordando quando o vagão virou.

"E quanto ao James," ele continua sorrindo, "você sabe melhor do que eu."

"Acordei ele a uns cinco minutos. Mas acho que ele vai tomar café na cozinha."

"Você acordou o James?" Ele pergunta, incrédulo.

"Sim, eu prometi ontem a noite que eu iria acordá-lo hoje. Ele tem tido muitos pesadelos, depois do ataque e da morte do pai dele. Não tem dormido nada. Então ontem eu dei uma Poção do Sono Sem Sonhos para ele poder descansar."

"Ah, entendi. Foi muita bondade sua fazer isso por ele, Lily. Foi muito atencioso da sua parte."

"Que nada, Remus. Qualquer um agiria da mesma forma."

"Lily, você pode acreditar no que eu digo, nem todos agiriam da mesma forma. Você tem um grande coração."

Hoje é o dia de deixar a Lily vermelha? Primeiro o James, agora o Remus. Ainda bem que eu posso confiar no Sirius para jamais me deixar assim... eu acho...

Bebo o meu suco de abóbora rapidamente, e me levanto dizendo, "Te vejo na aula de Feitiços, Remus. Eu vou na biblioteca."

"Tchau, Lily." Ele diz.

Saio do Salão Principal imaginando como que eu vou pedir algum livro do tipo que eu preciso. Afinal, eu não posso virar para a Madame Pince e dizer, 'Oi, será que você tem algum livro que mostre os músculos dos jogadores de Quadribol?'. Provavelmente ela me expulsaria da biblioteca, e eu perderia o meu distintivo de Monitora Chefe. Acho melhor eu perguntar sobre livros de Quadribol em geral...

"Madame Pince," eu pergunto quando entro na biblioteca, "Será que a Senhora pode me informar aonde ficam os livros sobre Quadribol?"

Ela olha para mim com uma cara estranha. Afinal, eu nunca pedi nenhum livro sobre Quadribol. Já implorei para ela me deixar entrar na seção restrita, só para matar a minha curiosidade, mas livro sobre Quadribol, jamais pedi.

Ela sai da bancada dela de trabalho, e eu a sigo até a terceira estante de livros.

"Aí está."

"Tudo isso?" Eu falo baixinho, depois que a bibliotecária sai.

Tem uma estante inteira só de livros de Quadribol. O que tem de tão interessante assim nesse esporte, para ter tanto livro sobre esse assunto?

"Estou ferrada..."

Eu começo a olhar os títulos dos livros. O que tem mais exemplares é um livro chamado 'Quadribol Através dos Séculos'. Resolvo então pegar um exemplar desse, deve ter algo sobre esse assunto, já que tem uma premissa tão ampla.

Outro título que me chama atenção é 'Ai de mim, Transfigurei meu Pé', mas ao dar uma folheada rápida, vejo que esse livro é somente uma peça escrita no século XV por um francês chamado Malecrit. Óbvio que não vai ter nada do assunto que eu procuro, então o coloco de volta na estante.

Vejo então o livro 'A Bíblia do Batedor'. Hmm, James não é batedor, é artilheiro, mas será que esse livro é só sobre batedores? Mas também, os batedores tem que ser os jogadores mais fortes do time, para conseguir mudar a trajetória do balaço. Então talvez tenha algo de útil nesse livro, e o separo também.

Tem diversos livros que pelo título eu sei que não vão me servir só pelo título, tais como 'Qual Vassoura?', ou 'Os Assombros Vagamundos de Wigtown'. Outros, como 'O Nobre Esporte dos Bruxos' e 'Como Evitar Balaços – Um Estudo de Estratégias Defensivas em Quadribol', eu fico na dúvida se podem ser úteis com o título, e resolvo separá-los.

Retiro os livros da biblioteca, e vou para a minha Sala Comunal para fazer a pesquisa. Afinal, James deve estar jogando Quadribol, ou se divertindo com os Marotos, então duvido que ele esteja no nosso dormitório. Desse jeito eu posso ficar muito mais a vontade do que na biblioteca.

Jogo os livros em cima da mesa e começo com 'Quadribol Através dos Séculos'. Dou uma olhada na Tabela de Conteúdos e decido pular direto para o Capítulo 6 – Mudanças no Quadribol a partir do século XIV, já que os capítulos anteriores só explicam sobre a evolução do jogo até chegar ao Quadribol. Estou começando a ler o item Jogadores (depois de ler tudo que eu nunca quis saber sobre Campo e Bolas), quando os quatro Marotos entram.

Que ingenuidade minha, achar que eu ia dividir esse dormitório somente com o James. Óbvio que todos os quatro Marotos são um 'pacote fechado'. Mas contanto que eles não atrapalhem a minha pesquisa...

"Oi, Ruiva." Sirius diz.

E lá se foi o meu pensamento positivo de não ser incomodada. Como que eu gostaria de ter uma capa da invisibilidade de vez em quando...

"Oi, Sirius." Respondo, sem tirar os olhos do livro.

"O que você está lendo?" Ele continua a me incomodar...

"Nada demais, Sirius."

"Não parece nada demais. Tem um monte de livro aqui."

"Sirius, pára de incomodar a Lily!" Remus grita. Sabia que eu gostava do Remus por algum motivo. "Vamos jogar xadrez..."

Mas ele não ouve o Remus, ou finge que não ouve. Ele simplesmente se senta em uma das cadeiras, coloca os sapatos imundos dele em cima da mesa, e pega um dos livros.

"A Bíblia do Batedor?" Ele pergunta confuso.

Eu não respondo. Será que se eu ignorar ele, ele vai embora? Acho que não, mas não custa tentar.

Ele pega outro livro.

"Como Evitar Balaços – Um Estudo de Estratégias Defensivas em Quadribol?" Ele pergunta, mais confuso ainda.

Finalmente eu decido olhar para o Sirius, e vejo que James está atrás dele olhando confuso para a minha pilha de livros sobre Quadribol. Peter pega outro dos livros, e assim como o Sirius, diz o título do livro em voz alta.

"Lily, por que você está lendo esses livros todos sobre Quadribol?" James pergunta, tão confuso quanto o Sirius. "Você nunca foi muito fã de Quadribol."

"Isso não é verdade. Eu nunca perdi nenhum jogo de Quadribol da Grifinória."

"O que o Pontas quis dizer, Ruiva, é que você nunca mostrou interesse no jogo. Acho que a única vez que eu te vi em uma vassoura, foi na aula de vôo do primeiro ano." Sirius comenta.

"E daí?"

"E daí que estamos curiosos do porque do seu interesse repentino." James diz, um pouco impaciente demais.

Óbvio que eu não posso dizer que eu estou pesquisando sobre os músculos dos jogadores de Quadribol (ou tentando pesquisar, porque até agora eu não achei nada de útil). Então eu chego a uma desculpa. Uma desculpa que eu não faço idéia de como que eu vou me arrepender de ter tido ela.

"Por que eu resolvi tentar uma vaga no time de Quadribol da Grifinória."

"O quê?" Os quatro marotos perguntam em conjunto.

"O quê?" Eu pergunto de volta.

Até que pode não ser uma má idéia. Fazer um estudo prático e não só teórico. Talvez se eu jogar Quadribol eu possa entender o porque dos músculos. Só que eu não quero ficar com muitos músculos... não é muito feminino... E não deve ser muito difícil. Só sobrevoar numa vassoura, pegar uma bola e jogar num arco. Qual a dificuldade? Eu posso fazer isso... Eu acho...

"Ruiva, deixe-me ver se eu entendi direto, você vai tentar uma vaga no time de Quadribol?" Sirius pergunta, ainda com uma aparência completamente surpresa e apontando o dedo para mim.

"É."

E todos os quatro caem na gargalhada. Inclusive o Remus. E eu que achava que gostava dele por algum motivo...

"Não entendo o motivo de tanta risada." Eu digo, me levantando e pegando o livro da mão do Sirius, que está chorando de tanto rir. Depois me sento de novo, e volto a ler do ponto aonde eu parei. Tento voltar a ler, pelo menos.

"Lily, desculpa, mas você não voa desde o primeiro ano, como que você acha que vai entrar no time?" James pergunta, ainda com um sorriso no rosto.

Óbvio que eu sei que eu não vou entrar no time, mas agora eu quero fazer essa experiência prática, e eu vou.

"Eu não estou dizendo que eu acho que vou entrar no time, somente que eu vou tentar entrar no time. Acho que vai ser uma experiência esclarecedora." Eles só não precisam saber em que sentido que vai ser esclarecedora.

"Ruiva, você finalmente enlouqueceu." Sirius diz. Depois ele olha para o James e diz, "Eu culpo os livros. É por isso que eu fico o mais longe o possível deles. Gosto muito da minha sanidade."

Sirius Black, são? Você está de brincadeira comigo.

"Lily, você está falando sério mesmo?" Remus pergunta.

"Claro que estou. Qual outro motivo que eu tenho para ter todos esses livros aqui?" Eu digo, apontando para os livros de Quadribol encima da mesa.

"Bom, Lily," James diz, e eu vejo que ele está se esforçando muito para não cair na gargalhada novamente. Pelo menos ele está rindo. O problema é que ele está rindo de mim. "Se você realmente quer tentar uma vaga no time, você primeiro tem que colocar o seu nome na listagem dos candidatos ao time, que está no Quadro de Avisos da Grifinória. E eu diria para você fazer isso ainda hoje, já que a seleção dos novos jogadores é amanhã."

"Amanhã? Já?" Eu pergunto surpresa. Achei que eu teria um pouco de tempo para treinar um pouquinho. Afinal, eu não monto em uma vassoura fazem 6 anos. Será que é que nem andar de bicicleta?

"Eu quero ter o time completo o mais rápido o possível para começar os treinos. Quanto mais rápido começarmos a treinar, melhores são as nossas chances." James diz. Se tem uma coisa que ele leva a sério, é Quadribol.

"Qual posição que você vai tentar, Ruiva?" Sirius pergunta.

"Ainda não sei. Quais as posições que estão disponíveis mesmo, James?"

"Precisamos de um goleiro, um batedor e um apanhador." Ele me responde.

"Nenhum artilheiro?" Eu pergunto.

"Não."

"Hmm..." Então eu penso que para a minha pesquisa, o melhor seria a posição de batedor, que é a posição que eu acho que tem a maior chance de ter os músculos mais desenvolvidos. "Batedor então."

E novamente todos caem na gargalhada. Sirius abaixa o rosto na mesa, e começa bater com o punho na mesa. James está sentado na minha frente, com o rosto jogado para trás, rindo sem parar também. Peter caiu no chão e está segurando a barriga de tanto que ri. Parece que ele vai se mijar de tanto que ri. Remus também ri, porém está sendo um pouco mais discreto que os outros três. Somente um pouco mais discreto. Ele está tapando o rosto com uma das mãos, tentando não mostrar que está rindo.

"Ai..." Sirius diz, limpando o rio de lágrimas do rosto dele, "Eu não perco isso por nada nesse mundo."

"Lily, sério, batedor?" James pergunta. "É a posição mais difícil de todas no Quadribol."

"E daí? É só acertar um balaço com um bastão."

"É muito mais do que isso." James explica, "Você tem que se manter na vassoura, enquanto bate no balaço, e o balaço é muito rápido e pesado. Você tem que ter muita força para desviar ele. Você não prefere tentar ser goleira? Ou apanhadora?"

"Não. Eu vou tentar uma vaga de batedora." Eu falo com mais confiança do que estou sentindo, e resolvo dar um fim a esse assunto. "Mas eu acho bom irmos logo para a aula de Feitiços, senão vamos nos atrasar."

Eu me levanto e pego a minha mochila. Mas deixo os livros encima da mesa. Agora todos já sabem que eu estou pesquisando sobre Quadribol.

Os quatro Marotos e eu saímos na direção da sala de Feitiços.

"Bom, Lily, já que você cismou com essa loucura, a seleção é amanhã a partir das quatro horas da tarde." James diz. Parece que ele não está mais achando isso tão engraçado, mas Sirius ainda solta algumas risadas no caminho.

"Eu vou estar lá."

Entramos na sala de aula de Feitiços com dois minutos de antecedência. Me sento ao lado da Mary. Essa é a única aula que Mary, os quatro Marotos, e eu, fazemos juntos.


James POV

Entro na sala de Feitiços e Almofadinhas senta ao meu lado em uma das cadeiras do fundo, como sempre. Aluado e Rabicho estão sentados na nossa frente.

"Pontas, sério, sua Ruiva enlouqueceu mesmo." Almofadinhas fala.

Eu decidi ignorar os comentários dele sobre a Lily ser a minha ruiva, quem sabe assim ele acha que esses comentários não me afetam, e pare de fazer isso. Eu duvido, mas não custa tentar.

"Realmente, essa história está muito estranha." Eu comento. Essa idéia louca da Lily de tentar uma vaga no time de Quadribol me pegou completamente de surpresa. Realmente, é difícil visualizar a Lily jogando Quadribol. Ela sempre preferiu os livros, nunca mostrou nenhuma vontade de jogar. Não entendo porque agora, de repente, ela surgiu com essa idéia.

"Se ela acha que vai aprender como ser uma boa batedora com livros, está completamente enganada." Almofadinhas diz. "Eu duvido que ela consiga acertar um balaço sequer. É mais provável que um balaço a atinja, quebre algum osso do corpo dela em menos de dois minutos, e ela caia da vassoura."

Eu olho espantado para o Almofadinhas. Ok, essa história perdeu toda a graça. Isso vai ser muito perigoso. Até mesmo alguns artilheiros, que treinam anos e anos, jamais tentam a posição de batedor, e agora a Lily cisma que quer ser uma, quando ela só montou em uma vassoura uma vez na vida dela?

"Não adianta olhar assim para mim, Pontas." Almofadinhas comenta. "Você sabe que eu tenho razão. Sua ruivinha amanhã vai virar alvo de balaço... E eu não perco isso por nada."

Eu abaixo a cabeça na mesa. Ele tem toda a razão. Mas não tem como dizer para a Lily que ela não pode fazer algo, ela é muito teimosa. Teimosa demais até. Quando ela coloca algo na cabeça dela, ninguém tira. Só espero que ela não se machuque muito...

"Pensa assim, Pontas." Sirius começa, e eu sei que lá vem merda, "Se ela ficar com o lindo rostinho dela deformado, pelo menos você vai ter menos competição."

"Vai a merda, Sirius." Eu respondo.

Pior que eu não posso mostrar nenhum favoritismo por ela. Eu não posso pedir para o Sirius pegar mais leve com ela, porque vai ser injusto com os outros candidatos a vaga. Além disso, eu duvido muito que ele realmente fosse pegar mais leve. É capaz dele pegar mais pesado ainda com ela, só para me contrariar.

Depois da aula do Flitwick vamos para o Salão Principal. Mary e Lily se sentam perto de nós quatro.

"Lily," ouço Remus falar, "você tem certeza que quer mesmo tentar uma vaga de batedora no time?"

Mary parece ficar completamente surpresa. Achei que garotas gostassem de fofocar, e que ela já soubesse da idéia louca da Lily. Mas aparentemente não...

"Como é?" Ela pergunta, olhando surpresa para Lily.

"Ah, é, eu esqueci de te contar, Mary. Eu vou tentar ser a mais nova batedora do time da Grifinória. Legal, não é?" Ela responde.

Não. Não é nada legal.

"Lily, você enlouqueceu?" Mary pergunta.

'Sim, completamente.' Eu penso.

"Não. Acho que vai ser esclarecedor." Lily responde.

"Ahh, não! Isso não é para a sua pesquisa não, não é?"

Que pesquisa?

"Sim, é sim."

"Que pesquisa?" Eu pergunto, curioso em saber o motivo dessa loucura toda.

"Nada importante." Lily diz bruscamente.

"Deve ser importante, para você se arriscar no meio de balaços loucos." Remus diz.

"Já disse que não é nada demais!" Lily diz, começando a ficar irritada.

"Lily, eu já te disse o resultado da sua pesquisa, então você não precisa fazer isso!" Mary diz, olhando fixamente para a Lily.

"Mas você está errada, Mary." Agora Lily olha fixamente para Mary também.

"Não, eu não estou."

"Sim, você está."

"Que pesquisa?" Sirius pergunta. Ele também está curioso. Todos quatro estamos.

"Nenhuma pesquisa, eu já disse." Lily responde, olhando para o Sirius, sem paciência.

"Amiga," Mary fala, "eu só espero que você não se arrependa disso. Os balaços podem ser bem perigosos."


Depois do almoço temos aula de Transfiguração, com todas as casas. Profa. McGonagall diz que vamos começar a fazer desaparecimento e conjuração de itens grandes, como cadeiras e mesas. Eu tenho muita facilidade em Transfiguração, então faço rapidamente o desaparecimento da aula de hoje. Todos temos que fazer uma cadeira desaparecer. Ela tem que desaparecer por completo, e se ficarem partes da cadeira, como o pé, ou o encosto, perdemos ponto.

"Será que a gente pode fazer o Ranhoso desaparecer?" Almofadinhas pergunta. "Pensa só, estaríamos fazendo um favor para o mundo. Deveríamos até ganhar pontos para a Grifinória por isso."

"Um mundo livre do Snivellus... Seria tão bom." Eu falo com um tom de brincadeira.

Mas estou falando sério. O Mulciber, que fez a Maldição Imperius na Lily, era um dos melhores amigos do Snape. Se é que pode-se dizer que Sonserinos tenham amizades. Eles tem 'amizade' somente com aqueles que eles têm algum interesse. Mas como Mulciber era do mesmo grupo do Snape, e sabemos que ele é um Comensal da Morte, nada me tira da cabeça que o Snape também é um Comensal, assim como o Avery. Não duvido que eles não tenham participado do ataque ao Expresso. E eu vou provar. Só preciso derramar 3 gotas do Veritaserum que estou fazendo com a Lily em alguma bebida dele... Pena que demora um mês para essa poção ficar pronta.

Os Aurores estão usando Veritaserum nos Comensais da Morte que eles capturam, então se eu utilizar no Snape, também vai ser válido. E eu vou poder provar que ele é um Comensal da Morte, e também que estava presente no ataque. E finalmente vou poder me livrar daquele adorador das artes das trevas.

Eu não quero matar ele. Eu não quero que ele morra. Se ele realmente participou do ataque, eu quero que ele sofra. Que ele vá para Azkaban, passar o resto da vida dele rodeado de Dementadores, e nunca mais se sentir feliz.

Depois do término da aula, Lily vai para a aula de Runas e Rabicho para aula de Estudo dos Trouxas. Aluado vai para a biblioteca, e Almofadinhas e eu vamos para a Sala Comunal da Grifinória. Eu quero dar uma olhada na listagem dos alunos que vão participar do treino de amanhã. Tem mais gente do que eu imaginava... Só espero que apareça alguém com talento. É o meu último ano aqui, e eu quero muito ganhar essa Taça.

Óbvio que a Lily ainda não colocou o nome dela... Por que ela não pode, uma vez na vida dela, ser uma garota sensível, que nem as outras? Por que ela não tenta uma vaga de apanhadora, ou até mesmo goleira? Por que ela tinha que enfiar naquela cabecinha ruiva dela que ela quer ser batedora? E que diabos de pesquisa é essa que a Mary falou? Quantas porradas que um braço agüenta de um balaço, antes de quebrar?

É melhor eu parar de pensar nisso, senão enlouqueço até amanhã.

Vejo uma coruja batendo na janela, e a reconheço na mesma hora. É a Guinevere, a coruja da minha mãe. Abro a janela e retiro a carta da Guinevere, que vai embora. Minha mãe não deve querer uma resposta...

A carta diz que ela conversou com o Prof. Dumbledore, e que Sirius e eu vamos sair de Hogwarts na sexta-feira, depois das aulas. Vamos por Pó de Flú lá para casa, usando a lareira do diretor, e vamos voltar para o castelo, no sábado a noite, da mesma forma. Como que vamos conseguir pegar a moto do Almofadinhas?

"Almofadinhas, carta da mamãe." Eu falo, entregando a carta para ele ler.

Depois que ele lê, ele comenta, "Achei que fôssemos para lá aparatando, que nem você e a Lily fizeram para vir para cá."

"Eu também achei."

"Hmm... Vamos ter que arranjar um jeito de pegar a moto."

"É simples. A gente sai daqui do castelo uma noite dessas, vai até Hogsmeade e aparata para aonde você deixou a moto." Eu digo, me sentando na minha poltrona predileta.

"Quando você está livre para fazermos isso?" Almofadinhas pergunta.

"Amanhã tenho a seleção do novo time da Grifinória, então não faço idéia que horas acaba... Na sexta, nós vamos para casa, então também não dá e não sei que horas vamos voltar no sábado... Domingo é Lua Cheia... Então, segunda? Podemos sair depois da aula de Transfiguração."

"Mais uma semana sem o meu bebê..." Ele resmunga.

"Eu também sinto falta dela. Você a escondeu bem, não foi?"

"Claro! E também fiz um feitiço de desilusão nela."

"Ótimo."

"Não esquece da capa."

"De jeito nenhum."

Os alunos começam a entrar na Sala Comunal, já que o último período acabou. Resolvemos dar o assunto da moto por encerrado. Não quero correr o risco de alguém ouvir, então começamos a jogar uma partida de xadrez.

De repente ouço uma voz atrás de mim,

"James, posso falar com você?"

Olho para trás e vejo que é a Lily. O que será que ela quer?

"A sós?" Ela continua.

"Incrível! Não consigo terminar nenhuma partida de xadrez! Ou o James está completamente desligado, ou alguém interrompe." Almofadinhas reclama, guardando as peças do tabuleiro. Na verdade ele está satisfeito que fomos interrompidos porque ele estava perdendo, mas ele não vai admitir isso.

Quando ele entra no dormitório do sétimo ano, eu pergunto,

"O que houve, Lily?"

"Eu queria te pedir um favor."

"Fala."

"Será que você poderia me dar algumas dicas de como voar? Eu não quero parecer uma tola completa amanhã. Também não estou afim de levar muitos balaços no rosto..."

"Se eu disser que não, você desiste dessa loucura?" Eu não consigo deixar de perguntar.

"Não. Eu vou participar, quer você queira ou não. Já até assinei o meu nome."

"Droga. Mas não achei que você fosse desistir mesmo. Você é teimosa demais." Eu digo, me levantando. Mas por menos que eu queira que ela jogue amanhã, eu aceito em ajudá-la. Porém, não acho que míseras duas horas de treino vão fazer muita diferença amanhã. "Mas eu aceito. Mas tem que ser agora para não perdermos o jantar."

"Claro! Ótimo! Obrigada!" Ela diz sorrindo.

"Mas eu tenho que buscar a minha Cleansweep. Me recuso a voar naquelas coisas que eles ousam chamar de vassoura."


Depois que buscamos a Cleansweep e uma das vassouras menos piores da escola para Lily, assim como a caixa das bolas de Quadribol, vamos para o campo.

"Não preciso explicar as regras não, certo?" Pergunto, brincando com ela.

"Engraçadinho..."

"Agora, sério. Monta na vassoura. Você tem que ter um equilíbrio muito bom na vassoura, se quiser ser batedora, porque as vezes você tem que usar as duas mãos para bater o balaço."

Ela monta na vassoura e voa a uma certa altura. Nada mal por enquanto. Até que a postura dela não é ruim...

"Evans," eu digo montando na vassoura. "antes de eu liberar o balaço, vou verificar a sua reação. Pega um bastão, e eu vou atirar uma goles, para ver se você consegue rebater. Se você não conseguir rebater uma mera goles, você estará em grandes problemas amanhã."

Ela pega o bastão, se distancia de mim, e diz, "Estou pronta."

Eu jogo a goles na direção dela, e ela gira o bastão muito depois da goles passar. "Lily, o objetivo é você acertar a goles. Se isso fosse um balaço, ele teria virado e acertado as suas costas." Os reflexos dela não são bons para isso. Nem para goleira seria. Mas ela é teimosa, e não adianta eu dizer isso.

"De novo!" Ela diz, jogando a Goles na minha direção, mas ela passa a dois metros de aonde eu estou. Isso não é nada bom... Nada, nada bom.

"Lily, você não quer os meus óculos emprestados?" Eu não posso deixar de sacanear ela.

"Ha, Ha, Ha." Ela diz sarcasticamente.

Eu vôo até a goles, e a apanho. "De novo, mas dessa vez gire o bastão um pouco antes da goles chegar em você, ok?"

"Dá para você parar de implicar comigo, e jogar logo?"

Eu jogo a goles mais uma vez. Ok, dessa vez não foi tão ruim. Ela ainda não atingiu a goles por muito pouco. Mas ainda assim não conseguiu acertar.

Vão ser duas horas bem longas...


Depois de uma hora e meia jogando a goles, ela finalmente parece estar pegando o espírito da coisa, e eu pergunto, muito a contragosto, "Quer tentar com o balaço?"

Vejo a dúvida percorrer o rosto dela.

"Se não quiser, não tem problema." eu digo.

"Não, eu quero." Ela diz sem muita confiança.

"Você tem que prestar bem atenção agora. O balaço é enfeitiçado para não discriminar nenhum jogador. Mas quando eu o soltar, ele vai para o jogador mais próximo, ou seja, você. Ele é aleatório, e pode mudar a direção ou a trajetória. Não é que nem a goles que nós treinamos. Mantenha isso em mente." Eu aviso, sem acreditar no que eu vou fazer. Vou soltar uma bola de ferro enfeitiçada na Lily. Mas é melhor que ela treine agora, do que ser pega de surpresa amanhã.

Eu solto o balaço e vejo ele ir na direção da Lily. Vamos, Lily, rebata. Eu estou voando na minha Cleansweep com um bastão na mão, próximo a ela, mas não próximo o suficiente para mudar o alvo do balaço, mas pronto para qualquer coisa.

Ela erra, mas por pouco, e o balaço volta, acertando as costas dela. Ai! Isso deve ter doído. Eu vôo rapidamente até ela e bato no balaço, ele cai longe. Aproveito para pegar a minha varinha e enfeitiçar ele até a caixa das bolas, prendendo-o de novo.

"Você está bem?" Eu pergunto preocupado.

"Sim. Mas acho que chega por hoje."

Ainda bem.

"Como estão as suas costas?" Pergunto, enquanto aterrizamos, e desmontamos das vassouras.

"Não doem muito. Pelo menos não tanto quanto as minhas pernas. Jamais achei que fossem doer tanto, afinal só fico montada numa vassoura." Ela comenta, enquanto caminhamos na direção das enormes portas de carvalho do castelo.

"Muita gente não acredita como que os jogadores de Quadribol têm músculos, mas pensa assim... É similar a andar a cavalo. Não parece que tem muito esforço para o Cavaleiro, mas eles também tem músculos. No caso dos jogadores de Quadribol, os abdominais são trabalhados porque você tem que se manter em equilíbrio, os braços, não somente porque tem que acertar e jogar a goles, ou o balaço, mas também porque você tem que pilotar a vassoura. Tente jogar em um dia com muito vento, os músculos do braço ardem muito, assim como os das pernas, que você as usa para direcionar a vassoura, então você tem que pressionar muito os músculos da perna."

Ela olha para mim com uma cara de tristeza, e diz, "Droga! Agora eu já assinei o meu maldito nome."

Mas o que a fez desistir de participar tão de repente? A um minuto atrás ela estava cismando que ia tentar a vaga. Mas eu não vou deixar essa oportunidade passar.

"Lily, você não precisa participar da seleção amanhã se você não quiser. Não importa se você assinou o seu nome."

"Não, agora eu já assinei, então eu vou. Afinal, que exemplo de Monitora Chefe eu seria se eu fizesse isso?"

"Uma Monitora Chefe viva?" Eu falo seriamente, e ela ri.

"Mas muito obrigada pela sua ajuda, James. Acho que você aumentou em cinqüenta porcento as minhas chances de sobrevivência amanhã. Bom, eu vou tomar um banho, estou muito suada." Ela diz, com cara de nojo.

"Te vejo na hora da patrulha então." Eu digo, indo para o Salão Principal. Eu não me importo que eu esteja suado. Eu me importo que eu esteja com fome. E eu estou morrendo de fome...

Quando chego no Salão Principal, os outros três marotos já estão sentados comendo. Me sento ao lado do Sirius, que comenta.

"Nossa, Pontas. A Ruiva realmente te exercitou, hein? Você está todo suado, cara. Deve ter sido um bom exercício..."

"Cala a boca, Almofadinhas." Eu digo enchendo o meu prato de batata doce, bife e arroz. "Ela queria que eu desse algumas dicas para ela. Juro que não sei como que ela vai sair viva amanhã. Depois do treino ela pareceu ficar na dúvida se realmente vai participar da seleção amanhã."

"Ainda não entendo porque ela decidiu fazer isso." Aluado fala.

"Nem eu." Eu concordo com ele. "Mas mudando de assunto, e você e a Sophia, Almofadinhas? Vocês dois estão durando muito mais tempo do que eu achava que fossem durar."

"É. Eu concordo." Ele diz, "Acho que já duramos tempo demais. Ela é muito gostosa, cara... Mas acho que essa noite vai ser a última. Ela está começando a achar que estamos em um relacionamento." Ele treme, e continua a falar, "Além disso, ela é muito atolada. Não é a toa que é da Lufa-lufa, mas você tem que ouvir as merdas que saem da boca dela de vez em quando."

"Quando você vai tratar uma mulher com respeito, Almofadinhas?" Aluado pergunta. Mas é uma pergunta desnecessária, já que a resposta é bem óbvia.

"Aluado, juro que você parece uma mulher quando faz esse tipo de pergunta." Almofadinhas responde. "Eu não vou nem me dignar a responder isso.

"Agora, se me derem licença," Almofadinhas diz, se levantando, "eu vou aproveitar a minha última noite com a Sophia. Ah, Pontas, faça-me um favor, fique longe da Torre da Astronomia hoje, ok?"

"Você sabe que é difícil não patrulhar a Torre da Astronomia, é a mais procurada pelos alunos." Eu tento argumentar com ele, mesmo sabendo que é inútil. "Por que você não me devolve o mapa, e eu vejo aonde os outros alunos estão, e vou atrás dele em vez de você?" Eu respondo.

"Por que, ao contrário de você eu não tenho uma capa da invisibilidade e um distintivo de Monitor Chefe, então eu preciso do mapa muito mais do que você."

E ele vai embora antes que eu possa falar qualquer coisa. É o jeito do Sirius de ter a última palavra, ele te deixa falando sozinho...

"Será que algum dia ele vai tomar juízo?" Aluado pergunta.

"Duvido."

Logo depois a Lily entra no Salão Principal, depois do banho, com o cabelo ainda molhado. Ela se senta ao lado do Aluado, como sempre, e diz,

"Estou morrendo de fome. Nunca pensei que Quadribol desgastasse tanto. Parece tão simples ver vocês voando, parece que não dá trabalho nenhum."

E ela coloca um monte de purê de batata, brócolis e bife no prato dela. Acho que nunca a vi comer tanto!

"Você ainda vai continuar com essa loucura, Lily?" Aluado pergunta.

"Sinceramente, não sei. Agora eu já sei o que eu queria, graças ao James." E ela sorri para mim. Eu não sei o que eu disse para ela mudar de idéia, mas contanto que ela mude, não tem problema.

"Já te disse que você não precisa ir, Lily." Eu falo, tentando fazer com que ela desista dessa história.

"É... eu acho que você pode -"

"Lily?" Alguém chama ela, e vejo que é Tim Smith, do nosso ano da Lufa-lufa. Ele é capitão do time de Quadribol desde o quarto ano dele (e tem muito orgulho disso). O que será que ele quer?

"Oi, Tim." Ela responde.

Então ele se senta ao lado dela, ignorando completamente o fato que ela estava conversando comigo, e que ele a cortou no meio da frase, e diz,

"Eu ouvi uns boatos por aí que você vai tentar entrar no time da Grifinória..." Ele diz, olhando fixamente para ela.

"É... loucura minha, não é? Mary, Remus e James não param de me dizer isso." Ela responde, sem olhar para ele, simplesmente continuando a comer.

"Eu não acho loucura não." Tim responde. "Nós não temos uma batedora mulher há muitos anos aqui em Hogwarts. Todos os rapazes da Lufa-lufa vão te assistir amanhã. Estão morrendo de curiosidade em ver uma mulher jogar como batedora."

E ele continua olhando fixamente para ela, mas parece não perceber que a expressão no rosto dela é de desespero completo. Ótimo, amanhã vou ter um monte de caras assistindo a Lily voar.

Então ele se levanta, e diz, "Vejo você amanhã no campo de Quadribol então, Lily." e vai embora.

"Aiii." Ela reclama, "Pronto. Agora mesmo que eu não posso deixar de ir amanhã. Todo mundo já sabe."

E ela empurra o prato de comida que ela mal tocou para longe dela.

"Lily, se você vai jogar amanhã, você tem que se alimentar bem. Ainda mais como batedora, Quadribol exige muito esforço." Eu falo, realmente preocupado.

"É, agora eu sei disso. Mas perdi a fome completamente. Amanhã todo mundo vai ver eu ser humilhada encima de uma vassoura." Ela diz, abaixando a cabeça na mesa.

Eu luto contra o impulso de acariciar o cabelo dela. Eu luto contra o impulso de tentar fazer com que ela se sinta melhor. Eu luto contra o impulso de confortá-la. Mas principalmente, eu luto contra o impulso de mostrar qualquer sentimento que não seja de amizade. E amigos não se acariciam. Mas eu posso falar palavras de conforto.

"Lily, você não deve nada a ninguém. Se você não quiser jogar amanhã, você não precisa."

"Enlouqueceu, James?" Ela diz, levantando o rosto para me olhar nos olhos, "Você mesmo ouviu o que ele disse, que todo mundo vai me ver jogar. Eu sou horrível! Você mesmo viu no treino de hoje. Se sozinha com você, eu não consegui acertar a porcaria do balaço, como que eu vou conseguir acertar amanhã, com todo mundo olhando?"

Realmente, as chances dela são mínimas. E enquanto patrulhamos os corredores de Hogwarts, ela fica tão desligada que nem percebe que não fomos na Torre da Astronomia. Ela me deseja boa noite com um tom de voz fraco, antes de entrar no quarto dela, fechar a porta, e provavelmente ir dormir.

E, pela segunda noite seguida, eu bebo a poção, quando deito na cama depois de tomar banho. E pela segunda noite seguida eu apago em um sono tranqüilo.


A/N: Não conseguimos bater o recorde de reviews no capítulo passado, mas chegamos perto com 12 reviews. Quantos vocês conseguem me dar por esse capítulo?

Mais uma vez, eu vou traduzir um capítulo da história "A Cada Outra Meia Noite", antes de postar um novo capítulo dessa história.