Capítulo 9

Faltavam três dias para o Natal quando eu presenciei meu terceiro terremoto desde que chegara a Carmel. Da mesma forma que os outros dois, esse foi bem fraquinho, mal conseguindo derrubar alguma coisa das prateleiras. O diferente desse era que eu estava sozinha em casa, perto de anoitecer e todas as luzes apagaram, me deixando quase no completo breu.

Estava no banho quando tudo começou a tremer. Me recostei à parede e deslizei até o chão para evitar uma queda e fiquei ali encolhida no canto do box do banheiro até que, quase um minuto depois, tudo parou. As lâmpadas piscaram algumas vezes antes de apagar por completo e eu dei graças à Deus por já ter tirado o sabonete do corpo.

Tateando no escuro, consegui achar a minha toalha e me sequei rapidamente, me enrolando nela antes de ir para o quarto. Ainda havia alguma luz natural do lado de fora e eu consegui me vestir sem problemas, pegando a primeira saia e blusa que achei no caminho. Já estava saindo do quarto quando um brilho no chão chamou a minha atenção. Me aproximei um pouco até conseguir ver que aquilo era um pedaço de vidro do meu porta retrato que tinha uma foto minha quando era bebê, nos braços do meu pai.

Com cuidado para não me cortar, me aproximei do porta retrato que estava quase debaixo da minha cama e deixei o resto do vidro cair no chão antes de colocá-lo em cima do colchão.

O problema é que eu não fazia ideia de como estava o restante da casa. Por via das dúvidas, achei melhor calçar uma das minhas botas para evitar cortar o pé.

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Desci as escadas com cuidado, me segurando no corrimão e fui direto para o telefone. Mas assim que o tirei do gancho, percebi que, assim como a energia, o telefone também estava inoperante.

— Droga!

Parei um pouco para tentar lembrar onde tinha deixado meu celular e depois de alguns segundos consegui lembrar de tê-lo usado pela última vez na cozinha.

Fui até lá tentando analisar o estrago que o terremoto tinha feito, mas não tinha sido assim tão grave. Ao menos o armário de porcelana da minha mãe parecia intacto. Mas algumas coisas tinham caído de algumas prateleiras da sala e da cozinha. Alguns porta retratos e objetos de decoração, e panelas e algum copos.

Forcei um pouco a vista para enxergar melhor naquela parte da casa que não recebia muita luz externa e consegui achar meu celular num canto do balcão.

Rapidamente liguei para a minha mãe, dando sorte por ela atender ao segundo toque.

— Suzinha! Graças a Deus, minha filha. Você está bem?

— Estou sim, mãe. O terremoto não foi assim tão forte.

— Como não foi? A torre de energia quase desabou. Os fios arrebentaram. E parece que caiu um poste em cima da central de telefone. Os números estão mudos. — Acho que eu já tinha percebido isso. — Acho que foi mais forte aqui. Tem vidro para todo lado das janelas que estouraram com o tremor.

— Credo, mãe! Vocês estão bem?

Minha mãe tinha saído mais cedo com Andy e David para ir ao shopping para as últimas compras antes do Natal.

— Estamos. Ninguém se machucou. Foi apenas um susto. Mas está uma confusão daquelas. Estão fechando o shopping para evitar saqueadores. Acho que não vamos conseguir ir para casa tão cedo. — Dava para ouvir o barulho de gritos do outro lado da linha e tentei imaginar como deveria ser apavorante estar dentro de um shopping no meio de um terremoto. — Andy está tentando falar com os meninos para ver se eles estão bem... Ah, só um momento, filhinha. — Esperei enquanto a ouvia falando com Andy, mas o barulho era tão grande que não conseguia entender nada. — Andy conseguiu falar com Jake. Eles estavam na pizzaria e estão bem. Vão ter que ficar por lá também porque o trânsito está uma loucura. Não dá para pegar a estrada agora.

— Tudo bem.

— Você vai ficar bem sozinha, filhinha?

— Vou sim, mãe. Não se preocupe. Vou procurar umas velas aqui e tentar arrumar essa bagunça.

— Cuidado para não colocar fogo na casa.

— Pode deixar, mãe — respondi com ironia, mas acho que ela nem percebeu.

— Quando as coisas melhorarem por aqui, nós voltamos. Fique bem, Suzinha.

Desliguei o celular e o coloquei no bolso, começando a vasculhar nas gavetas à procura de vela e fósforos.

Depois que achei um pacote aberto, procurei um suporte para colocar a vela, mas não achei nada, então a coloquei no balcão mesmo. Andy provavelmente não ficaria feliz de ver seu precioso balcão de mármore com cera de vela, mas não era como se isso não saísse, afinal.

Passei a meia hora seguinte varrendo o chão, jogando os vidros numa caixa que tinha achado na garagem, tentando deixar a casa ao menos um pouco mais organizada. A noite já tinha caído por completo quando acabei e me joguei no sofá, depois de acender duas velas na sala.

A impaciência por não ter nada para fazer estava começando a dar o ar da graça quando ouvi passos do lado de fora da casa. Cheguei a pensar que poderia ser Brad ou Jake que conseguiram voltar para casa, mas eles estavam de carro e eu não tinha ouvido barulho nenhum de um veículo.

Levantei alarmada, com medo de que fosse algum assaltante que se aproveitara da casa quase vazia e da falta de energia. Passei pela lareira nunca usada e peguei um daqueles atiçadores de lenha, me posicionando atrás da porta quando ouvi os passos subindo as escadas da varanda, e depois parando em frente à porta do lado de fora.

A maçaneta girou devagar e eu me posicionei melhor quando a porta abriu. Ergui o atiçador, pronta para desferir um golpe mortal de ninja na cabeça do invasor quando ele entrou no meu campo de visão.

— Suze? — Brad chamou, parado à minha frente, mas de costas para mim, olhando na direção da escada.

— Quer me matar do coração, Brad? — reclamei, abaixando o atiçador, soltando um suspiro de alívio.

Mas Brad, que não esperava me ver ali, se voltou num movimento rápido, soltando um palavrão pelo susto que eu tinha dado dele.

— Porra, Suze! Está querendo me matar de susto? — Foi a vez dele reclamar, levando uma mão ao peito. — Garota louca. Está fazendo o quê aí com esse atiçador?

— Pensei que fosse um ladrão. — Ele entrou na sala, ainda reclamando um pouco por causa do susto e se jogou no mesmo sofá onde eu estava antes. — Mamãe disse que você e Jake não iam poder vir para casa.

— Não dava mesmo para sair de lá com o carro. Está uma loucura e tanto. Os turistas desesperados no meio da rua sem conseguir se decidir se deixam a cidade ou não — ele falou. — Vim de bicicleta.

— E veio por quê?

— Como "por quê"? Papai falou que você estava sozinha aqui. Ele perguntou se tinha um jeito de alguém vir ficar com você... Sabe, por causa dos engraçadinhos que adoram aproveitar uma oportunidade assim. Então eu peguei a bicicleta de um dos caras do time e vim para cá.

— Ah... Não precisava.

— Tanto faz — ele murmurou, esfregando o rosto, então olhou na minha direção. — Senta, Suze. Eu não mordo. E larga esse atiçador.

Me senti meio idiota por ainda estar parada ao lado da porta e devolvi o atiçador ao suporte que ficava ao lado da lareira, antes de sentar no mesmo sofá que Brad estava, mas na ponta oposta, deixando um considerável espaço entre nós.

— Papai disse que tremeu mais lá em Monterey — ele comentou depois de alguns segundos em silêncio.

— É, acho que sim. Mamãe falou que estourou as janelas do shopping — lembrei.

— Deve estar uma loucura por lá.

— Deve mesmo.

Do nada, ele soltou um riso meio esquisito, me olhando de lado. Apenas franzi o cenho sem entender aquela reação.

— Conversa útil essa nossa, não? — ele falou, ainda rindo. — Falta de assunto é uma coisa grave.

Sem querer, acabei rindo também, mas o riso morreu depois de alguns segundos e mais uma vez caímos no silêncio. Acho que já estávamos quase cinco minutos sem falar nada quando Brad mais uma vez falou.

— Sabe o que é bom para se fazer quando falta energia? — ele perguntou, se voltando no sofá, ficando de frente para mim.

— O quê?

— Brincar de fazer sombra.

Ergui uma sobrancelha, esperando que ele falasse que estava brincando, mas ele continuou me encarando impassível.

— Quantos anos você tem, Brad?

— Ah, qual é? É divertido.

— Claro — murmurei com ironia.

— Uma vez, cerca de dois anos atrás — ele começou, abrindo um sorriso —, antes de você chegar, é claro, tivemos um terremoto um pouco mais forte que esse. Mais forte aqui em Carmel, eu digo. E faltou energia também. Minha prima estava passando as férias aqui e ficou apavorada, coitada. É do Texas e nunca tinha visto um terremoto de perto. Para acalmá-la, eu comecei a fazer figuras nas sombras das velas. Foi bem legal.

— Super divertido — resmunguei, ainda com ironia.

— Ela gostou — ele falou dando de ombros. — Claro que a melhor parte da falta de energia foi quando eu fui para o meu quarto tentar dormir e ela foi atrás.

Foi só nesse ponto que a minha atenção se voltou para ele e eu girei no sofá também, imitando a sua posição, ficando de lado.

— Não vai me dizer que vocês...

— Sem dúvida! — ele confirmou, abrindo um sorriso ainda maior. — Ela é dois anos mais velha que eu. Foi bem selvagem, sabe?

— Ela é sua prima! — exclamei sem conseguir esconder o choque.

— Ah, vai me dizer que você nunca pegou um primo seu?

— Não mesmo!

— Credo! Que fraca. Pegação entre primos é tradição de família, Suze.

— Pode ser na sua, porque na minha não é.

— Nossa, Suze! Nunca pensei que você fosse assim tão conservadora.

— Eu não sou conservadora — neguei, me sentindo ofendida.

— Claro que é — ele falou, erguendo uma mão, começando a contar nos dedos enquanto falava. — Não bebe, não fuma, raramente sai à noite, não se agarra com primos, fica chocada se vê um cara se masturbando, não se masturba...

— Eu me... — Me interrompi antes que falasse demais, mas Brad, que de bobo não tinha nada, rapidamente captou o meu tom de defesa e correção que eu tinha usado na minha quase frase.

Tanto que ele se interrompeu, me encarando com o olhar arregalado e um sorriso de surpresa agradável surgiu nos seus lábios.

— Você se masturba, Suze? — Abri a boca para falar algo, até mesmo tentar negar, mas nada saiu. E o meu silêncio foi o suficiente para ele. — Ora, ora. Veja só o que temos aqui. Aquele DVD serviu para algo, pelo visto. Ou você já fazia isso antes?

— Quer fazer o favor de mudar de assunto? — murmurei irritada, evitando seu olhar.

— Outra coisa a adicionar na sua lista: você não fala de sexo.

— Ah, me deixa em paz, Brad! — reclamei, levantando do sofá em um pulo, me afastando rapidamente dele.

Mesmo com a casa quase completamente às escuras — iluminada apenas pelas velas na sala —, eu subi as escadas apressada, chegando a pular alguns degraus. Mas antes mesmo que chegasse ao meu quarto, comecei a diminuir os passos.

Desde quando eu era do tipo que fugia da raia? Desde quando eu ficava com vergonha de Brad e fugia para o meu quarto porque não aguentava o que ele falava? Eu sempre respondi às suas provocações com palavras ainda mais afiadas, geralmente resultando nele recuando. E, apesar de certas coisas terem mudado entre nós, eu gostaria que as coisas continuassem como eram. Quando eu estava no controle.

Me voltei no meio do corredor, pronta para descer as escadas e dizer tudo que queria, falar até fazê-lo calar aquela boca enorme, quando me choquei contra algo. Alguém, melhor dizendo.

— Hey, cuidado — Brad falou, me segurando pela cintura quando meu corpo ameaçou cair para trás por conta do impacto.

Me segurei na sua camisa para ajudar a evitar a queda enquanto ele firmava ainda mais o braço em volta da minha cintura, colando completamente nossos corpos.

Ergui o rosto pronta para falar tudo que queria, inclusive mandar que ele me soltasse, mas as palavras ficaram entaladas na minha garganta quando seu olhar encontrou o meu. Apesar da escuridão que dominava o corredor, meus olhos já estavam se acostumando à penumbra, então não foi difícil distinguir o contorno do seu rosto, ou ver seus olhos brilhando enquanto ele me encarava de volta, de uma forma tão intensa e familiar. Aquele mesmo olhar da noite do baile, quando dançamos juntos. Um olhar que, como da outra vez, me deixou extremamente confusa e igualmente excitada.

Mas aquele era Brad, eu repetia a mim mesma. Bradley, meu irmão adotivo insuportável e nojento que fez dos meus primeiros meses em Carmel um verdadeiro inferno. Mas aí era que morava o problema. Esse Brad de antes estava mudando, chegando a ficar algo perto do aceitável para o seu padrão. E eu sabia que ele estava mudando por minha causa.

De alguma forma, eu não consegui recuar quando ele foi aproximando cada vez mais seu rosto do meu.

Sentia seu hálito quente contra o meu rosto, cheirando a cerveja e algo só seu que fez um nó se formar na minha garganta, ao mesmo tempo em que meu estômago dava um salto. Engoli em seco para tentar desfazer aquele nó, mas a cada centímetro que ele se aproximava, eu me sentia mais e mais envolvida naquela atmosfera.

— Suze? — Brad chamou e só então percebi que já tinha fechado os olhos.

— Hum? — murmurei, ainda de olhos fechados.

— Eu vou te beijar — ele avisou num tom baixo que era quase um sussurro.

Tudo que eu consegui fazer foi assentir, incapaz de articular alguma palavra que soasse coerente.

No segundo seguinte seus lábios estavam sobre os meus, fazendo meu estômago dar outro pulo.

O beijo de Brad não era nada do que eu já tivesse experimentado antes. Não que eu já tivesse beijado muitas pessoas. Mas beijar Brad era diferente. Ele era firme, decidido. Não era aquele roçar de lábios, como se testasse o outro ou tentasse descobrir a melhor forma de beijar. Ele sabia o que queria.

Apesar de, no começo, não haver língua nenhuma, eu me senti tão quente que pensei que iria pegar fogo. Seus lábios pressionavam os meus, chupando, mordiscando entre os dentes, passando a língua onde quase começava a doer, e só então ele começou a pedir passagem entre os meus lábios, com a sua língua quente e macia.

Ouvi um suspiro rouco ecoando, que não sabia se tinha saído de mim ou dele, quando nossas línguas finalmente se encontraram. Meu corpo amoleceu perigosamente, forçando Brad e me segurar ainda mais próxima ao seu corpo, e eu, que já estava completamente esquecida das minhas neuras de antes, envolvi seu pescoço com os meus braços, firmando mais meu corpo contra o seu.

O senti dando alguns passos para frente, me fazendo andar de costas, até que as minhas costas encontraram a parede e ele me prensou ali, exatamente como tinha feito na noite da festa de Halloween.

A cada minuto que passava, o beijo ia ficando mais e mais urgente, chegando ao ponto de eu quase não sentir mais meus lábios, tamanha era a força com que nos beijávamos, ele empurrando seu rosto contra o meu, e eu, como se aquilo não fosse suficiente, puxava-o ainda mais pela nuca.

Apenas o que nos fez interromper aquele beijo foi quando o gosto de sangue se misturou ao nosso. Brad recuou um mínimo passo, apenas o suficiente para nos separar, mas manteve uma mão na minha cintura enquanto a outra ia para a sua boca. Fiz o mesmo movimento, levando o dedo indicador aos meus lábios, mas seria impossível saber quem dos dois estava sangrando.

Escutei seu riso leve e ergui o rosto para encará-lo, vendo-o se aproximando novamente. Sua boca foi direto para o meu pescoço, mordiscando alguns pontos, chupando, passando a língua de forma bastante sensual, aos poucos subindo até o meu ouvido.

— Para alguém que é tão conservadora, você beija muito bem — ele sussurrou antes de mordiscar a ponta do lóbulo, voltando a descer para o meu pescoço.

— Eu não sou... conservadora, Brad — murmurei, sentindo meu corpo estremecer com o contato da sua boca na minha pele. — Existe uma diferença entre conservadorismo e simplesmente não gostar de falar certas coisas com certas pessoas.

— Falar de sexo comigo — ele falou, sem interromper os beijos. — Falar de sexo com a pessoa que você quase transou naquela festa.

— É... diferente.

— Você se sente diferente comigo agora? Ou é como aquela noite? — ele perguntou, afastando um pouco o rosto do meu pescoço, para poder me encarar.

— Diferente — admiti, soltando o ar pesadamente. A interrupção dos seus beijos me deixou mais frustrada do que eu queria me sentir.

— Quer que eu pare?

Respirei fundo uma vez antes de parar para pensar naquela pergunta. Será que eu queria que ele parasse?

— Eu não sei — respondi honestamente.

— Por que sou eu? Por que você não se sente bem quando eu te toco? — Sua mão que estava na minha cintura, desceu um pouco, apenas para voltar a subir, dessa vez por dentro da blusa, tocando minha cintura de leve, diretamente sobre a pele. Foi impossível conter o arrepio que percorreu meu corpo. — Você gosta disso?

— Gosto — murmurei apenas, quando ele começou a subir um pouco mais a mão.

— Quer que eu pare? — ele tornou a perguntar, mas continuou antes que eu respondesse. — Se responder que não, eu não vou te deixar mais em paz, Suze. E não estou falando apenas por hoje. Então pense bem antes de responder.

Mais uma vez eu respirei fundo para tentar clarear as ideias, mas era um pouco difícil com a mão dele dentro da minha blusa, tão quente que era como se estivesse me queimando. E, céus, eu não queria que ele tirasse aquela mão dali.

Em resposta à sua pergunta, eu voltei a envolver seu pescoço, puxando-o para mais perto, antes de cobrir seus lábios com os meus. Brad imediatamente retribuía o beijo, voltando a prensar meu corpo contra parede. Sua mão não subiu mais como eu queria que ele fizesse, mas, de alguma forma, isso contou alguns pontos a mais para Brad.

— Vamos lá para baixo — ele sugeriu, interrompendo o beijo, sua voz soando arfante. — Podemos ficar mais à vontade no sofá.

— Se alguém chegar...

— Vamos ouvir — ele falou, me interrompendo, depositando um pequeno beijo sobre os meus lábios.

— Não acha melhor irmos para o quarto? — perguntei, sentindo meu rosto esquentar um pouco por fazer aquela proposta.

— Suze, a não ser que você queira transar agora, eu acho melhor ficarmos lá embaixo.

Nem precisei pensar duas vezes.

— Vamos lá para baixo — falei, já tirando sua mão de dentro da minha blusa, puxando-o pelas escadas, ouvindo-o rir atrás de mim.

Eu poderia estar me soltando com Brad, querendo muito mais do que apenas brigar com ele, mas transar não era algo que estava pronta. Ainda não.

Sentamos lado a lado no sofá e Brad logo me puxava novamente pela cintura, voltando a cobrir meus lábios. Suas mãos voltaram a entrar pela minha blusa, dessa vez nas minhas costas, subindo cada vez mais, até que um gemido seu interrompeu o beijo.

— Sem sutiã, Suze? Quer me matar? — ele murmurou, descendo os beijos pelo meu pescoço, inclinando o corpo para frente, me fazendo deitar no sofá. Quando estava completamente em cima de mim, nós dois deitados, sua mão desceu pela lateral do meu quadril, passando pela saia jeans até chegar à minha coxa. — Se eu subir mais a mão, vou sentir a ausência da calcinha também?

— Eu estou de calcinha, Brad — falei, puxando sua mão de volta para cima, repousando-a na minha cintura novamente. — E vamos devagar, ok?

— Devagar então — ele concordou, voltando a me beijar.

O beijo não estava tão urgente quanto o que trocamos lá em cima, mas me deixou tão quente quanto. Ainda mais tendo Brad completamente em cima de mim, me permitindo senti-lo por completo. Sentir, principalmente, o quanto ele estava gostando daquele beijo. Sentia seu membro ficando cada vez mais rijo contra o meu ventre e fazia o possível para controlar meu corpo, evitando que meu quadril arqueasse contra o dele. Mas quando sua boca desceu para o meu pescoço mais uma vez, beijando a pele sensível, foi simplesmente impossível não reagir. E quando meu quadril fez pressão contra o dele, a reação de Brad foi melhor do que o esperado.

Ele gemeu contra o meu pescoço, pressionando ainda mais seu quadril no meu, descendo um pouco o corpo para que seu membro ficasse exatamente em cima do meu sexo. Sua mão voltou a subir por dentro da minha blusa, e dessa vez eu não o impedi, deixando que ele cobrisse meu seio.

— Muito rápido? — ele perguntou, erguendo um pouco o corpo para me observar, sem deixar de massagear o seio.

— Não — assegurei num tom baixo, levando as mãos ao seu rosto para afastar seus cabelos, querendo vê-lo melhor sob a fraca luz das velas. — Muito bom.

Um sorriso extremamente safado apareceu nos seus lábios e ele mordeu o lábio inferior enquanto descia o olhar para o meu corpo, subindo mais a minha blusa até que meus seios estivessem completamente expostos. Sua mão vagava entre um seio e outro, ora apenas alisando a pele, deixando meus mamilos ainda mais túmidos, ora beliscando os mamilos já sensíveis entre seu polegar e indicador.

Gemi baixinho, incapacitada de fechar os olhos, presa na sua expressão concentrada enquanto ele contemplava meus seios como se visse algo que exigisse sua total atenção.

— Nunca pensei que um dia pudesse achar os seus seios tão bonitos — ele murmurou com a voz baixa e muito rouca. — Ou que um dia pudesse ficar tão excitado só de te beijar.

— Você... já pensou em me beijar um dia? — perguntei, tendo um pouco de dificuldade para falar enquanto ele continuava a beliscar meus seios.

— Antes de descobrir que você era a Darth Vader sexy daquela noite, eu só pensava no que mais poderia fazer para te irritar até te fazer explodir.

Eu poderia até me sentir irritada por isso, mas não cheguei nem perto de sentir algo assim. Afinal, antes de descobrir que ele era o meu Homem Aranha, eu também só pensava nele como o porco asqueroso que me irritava profundamente.

— É estranho, não é? — murmurei, voltando a pegar nos seus cabelos, agora apenas pela vontade de acariciar seus fios. — Há um mês nós não nos suportávamos e agora... isso.

— É. Muito estranho — ele concordou sem desviar os olhos dos meus seios. — Muito melhor isso do que brigar, não acha?

Ah, sem dúvida eu achava, mas fui impossibilitada de responder quando o vi abaixando o rosto em direção ao meu pescoço novamente, pouco ficando lá, descendo os beijos para o meu colo e então pulou o amontoado que a minha blusa fazia acima dos meus seios, logo cobrindo um seio com sua boca.

Voltei a gemer baixinho, cravando meus dedos no seu coro cabeludo quando Brad passou a sugar meus seios, mordiscando o mamilo às vezes, me deixando ainda mais excitada.

Mas quando sua mão voltou a descer para a minha coxa, fazendo menção de puxar a saia para cima, eu tive que me esforçar para buscar algum resquício de sanidade.

— Muito rápido — sussurrei, detendo sua mão mais uma vez e ele se afastou arfando, deixando meus seios molhados e saudosos da sua boca.

— Muito rápido — Brad repetiu parecendo um pouco desnorteado e desceu minha blusa um pouco até cobrir meus seios, antes de voltar a me beijar, na boca dessa vez.

Ficamos ali nos beijando, sem pressa, apenas sentindo o gosto um do outro, suas mãos às vezes ousando um pouco para dentro da minha blusa, mas tocando apenas a minha barriga e eu agora também fazia o mesmo, sentindo mais do seu corpo, infiltrando minha mão sob a sua blusa.

Era engraçado senti-lo estremecendo quando minhas unhas roçavam seu abdômen, fazendo-o estremecer e resmungar contra a minha boca. Na primeira vez que isso aconteceu, pensei que Brad não estivesse gostando, mas quando tentei tirar a minha mão, ele interrompeu o beijo para colocar minha mão novamente dentro da sua blusa e pediu para eu continuar. Só depois da quinta ou sexta vez, eu percebi que seu resmungo era, na verdade, um gemido.

— Como vai ser agora? — perguntei quando diminuímos os beijos, passando apenas a distribuir pequenos beijos nos lábios e no rosto um do outro, por vezes também no pescoço. — Vamos continuar fingindo nos odiar?

— Espero que não. Sabe, machuca quando você me chama de porco mal educado — Brad falou e eu poderia até ter acreditado nas suas palavras se ele não tivesse com a cara tão sarcástica e a voz tão irônica.

— Idiota.

— Nossos pais não podem saber disso — ele murmurou, abrindo um sorriso contra o meu pescoço, enquanto tentava me beijar naquele ponto ao mesmo tempo em que eu tentava me afastar.

— Brilhante descoberta, gênio — resmunguei, empurrando-o pelos ombros. — Eu sei disso.

— E por que perguntou como vai ser agora se já sabe que vamos ter que fazer as coisas às escondidas? — ele perguntou com o cenho franzido.

— Nós vamos... continuar?

Seu cenho franziu ainda mais e dessa vez ele se afastou completamente, saindo de cima de mim e sentou no sofá, me ajudando para que eu fizesse o mesmo.

— Você não quer continuar? — ele perguntou, mas não me deu tempo para responder. — Ou acha que eu só quero transar com você e partir para a próxima?

— Não sei. Me diga você — devolvi, apenas por não querer admitir que era exatamente aquilo que eu pensava que ele queria comigo.

— Você pensa sempre o pior de mim, não é? — ele murmurou com a voz um tanto seca, ficando em pé. — Acha mesmo que se eu quisesse só transar eu te procuraria? Caso você não tenha percebido, Suze, tem muita mulher aí fora querendo só transar comigo.

— Tão lisonjeiro ouvir isso — resmunguei, ficando de pé também e andei até a cozinha, sem querer encará-lo, mas ele me seguiu.

— Estou apenas falando a verdade — ele continuou, sua voz alterando um pouco. — Você é a filha da minha nova mãe. Apesar de não ser a minha irmã, é assim que as pessoas vão nos ver se descobrirem que estamos fazendo esse tipo de coisa. Então você acha mesmo que eu me arriscaria a ter meu couro arrancado só por causa de sexo?

Me voltei para ele sem saber se aquelas palavras ofendiam ou não, e acabei não encontrando nada para falar, me limitando apenas a encará-lo, mal conseguindo enxergar seu rosto com a pouco iluminação das velas que estavam quase no fim. Mas ouvi quando ele soltou o ar pesadamente e começou a se aproximar, quase encostando seu corpo ao meu.

— Não estou dizendo que quero casar com você ou algo do tipo — ele falou, erguendo uma mão para os meus cabelos e ficou brincando com uma mecha entre os dedos. — Se, por acaso, vier a rolar sexo entre nós, é claro que não vou me fazer de idiota e dizer que não quero, porque tenho certeza que você sabe que eu quero. Mas se não chegarmos a esse ponto, não vai ser o fim do mundo. Podemos fazer muitas coisas extremamente divertidas sem precisar transar ou nem mesmo tirar a roupa.

— Acho que eu sei mais ou menos como é isso — murmurei sem conseguir deixar de rir.

— Beijar é bom — ele continuou, aproximando o rosto do meu, depositando um beijo de leve nos meus lábios. — Tocar é ótimo. — Suas mãos foram para a minha cintura, subindo um pouco por dentro da minha blusa e então me puxou com firmeza contra o seu corpo. — Sentir é melhor ainda.

— Posso concordar com isso.

— Acho bom você concordar, porque lá em cima eu já te disse que, se você me desse carta branca, eu não ia largar do seu pé. E não pretendo fazer isso tão cedo.

Ainda estava rindo quando seus lábios cobriram os meus mais uma vez, e, novamente, deixei de lado qualquer neura e retribuí ao beijo.

Quando minha mãe chegou com Andy e David, nós dois estávamos, acreditem ou não, brincando de fazer sombras nas velas novas que tínhamos substituído pelas que estava quase no final. E quando Jake chegou, cerca de meia hora depois, a energia ainda não tinha voltado.

O jantar acabou sendo feito meio que de improviso, porque cozinhar sem energia era um pouco difícil, ainda mais quando Andy queria fazer creme de legumes e o liquidificador não poderia ser usado.

Depois do jantar – à luz de velas, mas nem um pouco romântico –, cada um acabou indo para o seu próprio quarto, por falta do que fazer. Cheguei a pensar que Brad daria um jeito de escapar para o meu quarto depois de um tempo, mas já passava da meia noite quando adormeci, e ele não tinha aparecido. E eu não sabia bem como me sentia a respeito disso.