Velas Negras
Capítulo 8 - Queimando por Dentro
Aquela luta estava simplesmente mais interessante que o normal. Seria o primeiro dia da transformação de Remus e este insistira em treinar, mesmo conhecendo as atuais circunstâncias e alegando que quanto mais cansado fisicamente estivesse, mais dócil o lobisomem ficaria a noite.
Mas aquele treino ao ar livre estava diferente, não sendo compatível com o desempenho do lobisomem semanas antes. Remus parecia ter sido possuído por algum tipo de espírito guerreiro, para não dizer demônio. Ele não desviava dos ataques como costumava fazer, e agora atacava sem piedade. Inúmeras vezes Sirius teve que abusar da própria agilidade para escapar. O licantropo unira luta física com sua própria capacidade mágica, reunindo na palma de ambas as mãos bolas de energia e lançando-as na direção do mago.
-Hum! Acho que alguém acordou inspirado hoje! - Sirius provocou, dando um salto para o lado para desviar de um ataque estranhamente rápido, que o fez ter que parar um pouco sem fôlego para só depois revidar.
- Com medo, Black? - o licantropo murmurou sorrindo de forma selvagem, os olhos dourados brilhando na luz da manhã.
O mago franziu o cenho diante daquilo e se atrasou alguns segundos ao lançar o seu feitiço, dando para Remus o tempo necessário para se desviar e desaparecer do seu campo de vista.
- Maldição! - o mago grunhiu girando rapidamente no próprio eixo, tentando a todo custo localizar o adversário por meio de sua sensibilidade mágica.
- Me procurando? - ele ouviu Remus murmurar de forma maliciosa na base do seu pescoço, sobressaltando-o. O licantropo estava muito próximo, ele podia senti-lo sorrir e por alguns instantes Sirius pode jurar que ele tivera claras intenções de lamber sua nuca, e isso o fez se arrepiar.
Mas ao contrário do que ele imaginara que iria acontecer, Remus riu suavemente e Sirius sentiu seu braço ser agarrado, para logo depois ser puxado e girado com uma força incrível, fazendo-o ser lançado numa moita alguns metros à frente.
- Wow! - Sirius disse balançando a cabeça para ver se o mundo ao seu redor parava de girar.
Com a visão mais focada ele olhou para frente, e foi aí que teve certeza de que Remus perdera o controle da fera dentro de si. Seus dedos estavam esticados de forma anormal, seus cabelos estavam bagunçados de forma selvagem e suas pupilas eram apenas riscos alongados em seus olhos dourados.
- Remus... - ele ofegou apressado, tentando pensar rápido em alguma coisa que contornasse a situação. Sabia que era impossível escapar, para qualquer lado que corresse o lobisomem logo o alcançaria.
- Ora, ora! E não é que as coisas estão ficando interessantes? - Remus fungou com a voz surpreendentemente dengosa, e Sirius notou como sua postura mudara.
- Eu não quero ser rude, mas acho melhor terminarmos essa luta amanhã, não? - o mago disse prevendo que as coisas iriam piorar ainda mais, e praguejando mentalmente, amaldiçoando sua sorte, ele tentou ser racional, apoiando uma mão na terra fofa para se levantar. Mas seu movimento pareceu despertar algo no lobisomem, que num salto suave caiu sobre ele, às mãos de cada lado de sua cabeça.
- Você acha que eu te deixarei escapar assim tão fácil? - e o mago arregalou os olhos ao ver o licantropo passar a língua nos lábios de forma sensual. - Hoje você é minha presa!
- Remus, por Deus, se controle! - ele murmurou ainda estático por causa do choque.
E diante disso o licantropo apenas sorriu, apoiando o peso no tórax do mago e guiando a mão direita na direção do rosto do outro rapaz.
- Simplesmente adorável! - rosnou numa meia voz sem esconder o próprio desejo, e o mago teve que fazer um movimento rápido para desviar de seus dedos. Isso pareceu deixar o licantropo furioso, e Sirius soube que estava encrencado.
O mago não sabia o que fazer para não ser tocado. Se ao menos não existisse aquela maldição... não se importaria nenhum pouco em ser prensado daquela forma por Lupin, mesmo que fosse sua parte selvagem que estivesse no controle.
- Grr... - ele ouviu o longo rosnar escapar da garganta do licantropo, que moveu-se de forma rápida, como um raio, agarrando seus cabelos e os puxando para trás, fazendo-o inclinar a cabeça com um pouco de dor. Pelo menos o lobo não havia tocado sua pele.
O lobisomem moveu-se languidamente sobre o corpo do mago e aproximou a face da garganta de Sirius, fechando os olhos e farejando a própria presa.
- Cravo! - fungou apreciando o odor. - Eu preferiria que estivéssemos em um quarto, com mais privacidade, mas já que isso prolongaria muito as coisas... façamos o que temos que fazer aqui...
- O quê? Do que diabos você está falando? - Sirius vociferou em voz esganiçada, sabendo muito bem que aquilo não envolvia nenhuma carnificina e sim uma luta corporal, mais uma luta muito diferente da que ele estava acostumado a ter com seus adversários.
- Ora, não precisa ficar com medo! Você sabe que eu nunca o machucaria, não é mesmo? Eu quero você para mim, Sirius Black! Para mim... - Remus murmurou numa meia gargalhada, divertindo-se com o esforço de Sirius para controlar o próprio choque e encontrar uma forma de escapar.
Em poucos segundos a mão do licantropo que repousava no cabelo do mago escorregou com uma serpente para o lado do corpo de Sirius indo parar em sua coxa, ficando muito próxima do feixe de sua calça.
- Apenas relaxe! - o lobisomem suspirou brincalhão e foi com surpresa e horror que Sirius sentiu aqueles dedos longos em seu cinto.
- Deus, Remus, pare com isso. Afaste-se! - ele gritou numa última tentativa desesperada, recebendo em troca um meio sorriso e um apertão prolongado numa região extremamente sensível que não deveria ter sido tocada.
Isso definitivamente não pode estar acontecendo!, ele pensou com a mente nublada, tentando afastar com algum esforço os dedos matreiros do lobisomem de suas partes baixas, ouvindo-o rir de seus gemidos baixos e a forma lenta que ia perdendo a força necessária para lutar contra aquilo.
- Com medo de não resistir? - a fera grunhiu, e o silêncio que se seguiu foi corrompido por uma arfar de Sirius, que parecia estar cego agora que sua calça começava a ser desabotoada.
Mas o momento de tortura foi interrompido pelo som de passos, que fez o lobisomem parar de repente e erguer a cabeça, verificando o odor presente no ar para prever quem se aproximava.
- O que diabos você está fazendo com ele, Remus Lupin? - a voz de James soou como uma bóia de salvação em mar aberto, e pelo tom que o amigo utilizara Sirius sabia que ele estava bastante sério. - Você quer machucá-lo, é isso? Você sabe muito bem que não deve tocá-lo com as mãos nuas.
E isso foi o suficiente para que o licantropo despertasse de eu transe. Sirius assistiu a rápida mudança na face de Lupin, que em poucos instantes ficou mais pálida que o normal enquanto ele se dava conta da posição de suas mãos e o quão próximo seus lábios estavam dos do mago.
- Você está bem? - foi só o que Sirius conseguiu dizer, vendo o outro rapaz erguer-se num movimento rápido e arisco, ficando sentado sobre suas pernas por alguns segundos.
- Eu... Sirius... eu... me desculpe... eu... - ele começou a dizer parecendo descontrolado, afastando-se definitivamente do corpo de Black, ficando de joelhos na grama, as mãos cobrindo a própria face.
James olhou de relance para o amigo, interessado na sua possível reação, tentando ignorar num esforço tremendo a vontade de rir ao ver a visão cômica de Sirius com sua calça meio aberta. Nunca em sua vida pensara que flagraria o amigo numa situação tão constrangedora.
- Ei, Remus, acalme-se! - Sirius murmurou de forma carinhosa, posicionando-se na frente do lobisomem, as mãos em seus cabelos, acariciando-os na tentativa de consolá-lo.
- Me desculpe, Sirius! Ele foi mais forte que eu... eu perdi o controle... - Lupin dizia com a voz fraca desculpando-se sem parar, tremendo dos pés a cabeça, e o mago olhou com desespero para James, como se perguntasse o que deveria fazer.
Pontas revirou os olhos diante do olhar de cachorro perdido do amigo, pensando no quanto ele era lento quando se tratava de situações como aquela, e de má vontade fez um gesto com os braços movendo a boca numa ordem mais do que clara: "Abrace-o!"
E Sirius fez o que o amigo disse sem nem ao menos pensar direito. Passou os braços envolta do corpo trêmulo do licantropo de forma um pouco desajeitada, sentindo como Remus se colava a ele e agarrava sua camiseta com força.
- Isso foi tão doentio... o lobo... eu o odeio, eu me odeio... - ele continuava a balbuciar perdendo-se nos próprios pensamentos.
- Sh!Está tudo bem agora.
E durante dez minutos inteiros eles ficaram abraçados, Remus acalmando-se lentamente, com Sirius observando-o cuidadosamente, preocupado com seu estado.
- Melhor? - perguntou ao sentir Remus empurra-lo de leve, limpando o canto dos olhos com as pontas dos dedos.
O licantropo confirmou com a cabeça fazendo o mago abrir um sorriso satisfeito. Ele sentia-se tão profundamente envergonhado de seus atos. Sua mente alucinada o convertera numa aberração. Nunca imaginara que o lobo dentro de si tivesse coragem o suficiente para encurralar o mago e atacá-lo aquela forma. E ele não poderia ignorar o fato de que aquela criatura estava rindo satisfeita em algum recanto oculto de seu cérebro, murmurando de forma malévola que Sirius gostara de ser tocado, obrigando-o a reviver as memórias dos suaves suspiros que o mago deixara escapar, parecendo apreciar imensamente tudo o que acontecia.
Argh! Mas ele tinha que parar com aqueles pensamentos pervertidos imediatamente, no exato instante o mais indicado era uma boa ducha fria.
- Eu acho melhor eu entrar. Eu... hum... preciso me encontrar com meu padrinho depois... e... hum... você sabe... - ele tentou se explicar sem muito sucesso, dizendo coisas completamente sem nexo.
- Bem, é... - Sirius tentou responder, mas Remus simplesmente se levantou evitando olha-lo, para logo em seguida atravessar o jardim como se estivesse sendo perseguido pela morte.
O mago sentou-se na grama sentindo-se um pouco confuso. Piscou os olhos algumas vezes, observando Remus desaparecer, e só desviou a atenção da porta por onde ele passara quando sentiu que James soltava um longo suspiro e ocupava um lugar ao seu lado.
- É, e eu que pensava que vocês eram lentos - Potter provocou com um sorriso brincalhão. - Mas pelo visto estão mais para um casal em lua-de-mel, fazendo coisas indecentes em qualquer lugar. Tsc, tsc, tsc... eu esperava tudo de você, Sirius, meu camarada, mas um amasso no meio do quintal de casa? Sabe, existem outros lugares mais interessantes, tipo um elevador, uma banheira...
Black apenas grunhiu em resposta tentando não voar no pescoço de James e estrangula-lo até que sua alma tivesse sido carregada para o inferno.
- Eu não estava dando amassos no quintal, e por favor, me poupe dessa sua mentalidade mórbida. Isso é doentio, sabia?
- Bem, eu estou feliz! Eu pensava que você estava mais para o estilo voyerista, sabe? Quando eu te vi partindo para ação, quero dizer, sendo obrigado a agir, eu simplesmente fiquei emocionado. - e James fingiu enxugar algumas lágrimas. - Oh, mas você cresceu tanto. - fungou agarrando Sirius pelo braço.
- Maldição, James, você está parecendo a minha mãe! - o mago esbravejou.
- Ouch! Você é tão cruel! - Potter continuou com seu tom choroso, enquanto o outro rapaz previa mais uma leva de ladainhas, dessa vez recheadas com as costumeiras chantagens emocionais do amigo. - Eu vim aqui, preocupado com você, querendo te contar algo do seu interesse, e só porque eu interrompi sua seção tórrida de sexo você me trata assim?
Sirius lhe deu um olhar assassino que foi recebido sem receio por James.
- Se você acha que eu conseguiria fazer sexo sem envolver contato físico, acho que você é mais anormal do que eu imaginava!
- Hum... pensando no assunto... - James assumiu uma expressão pensativa.
- Não definitivamente você não irá refletir sobre isso! - Sirius exclamou levando uma mão a testa, completamente envergonhado.
- Ora, não é para tanto. Você e o lobinho podem muito bem utilizar outros métodos para uma satisfação mútua. Para isso existem luvas e mãos, heim? - Potter anunciou com uma piscadela. - E de qualquer forma, você tem que admitir, Remus é a pessoa mais sexualmente tensa que eu já conheci! Quando ele chega perto de você chega a sair faíscas. Não me surpreende ele ter te agarrado, talvez seja muito tesão acumulado por causa de anos de frustração... se bem que o seu caso não é tão diferente.
E Sirius se viu rangendo os dentes, completamente fulo com o rumo daquela conversa.
- Será que dá para você parar de falar da minha vida sexual como um sexólogo? Afinal de contas, você não tinha algo mais interessante para me dizer não, seu pervertido?
James soltou uma gargalhada e lhe deu uma piscadela.
- Não fique assim garanhão, da próxima vez em que tivermos que conversar sobre o assunto eu lhe darei uma camisinhas extras e quem sabe alguns conselhos sobre qual a melhor forma de...
- James! - Sirius urrou mais vermelho que um pimentão.
- Certo, certo! Eu já parei! - Pontas anunciou levantando as mãos como se estivesse se rendendo. - Deixarei as banalidades de lado para tratar de assuntos mais sérios.
- Acho que minhas preces foram ouvidas! - Black murmurou olhando para o céu agradecido, abraçando os joelhos.
James lhe deu um soquinho no braço, mas não continuou com suas brincadeiras, apenas assumiu uma postura mais séria e finalmente entrou no assunto que lhe trouxera até aquele local a princípio.
- Você se lembra que no fim de semana passado eu fui obrigada a ir para a casa dos meu tios, hum? - James começou entediado com esta parte da história.
- Se eu me lembro? - Sirius rosnou enquanto pegava seu maço de cigarro todo amassado no bolso da calça e apanhava um. Aquele era um hábito tão desnecessário na sua vida que ele mal se lembrara de fumar naquela semana, provavelmente o responsável por isso fora Remus. Analisando toda a situação até em seus hábitos diários o lobisomem vinha lhe influenciando. - Pontas, você ficou um dia inteiro pendurado no pé do meu ouvido, implorando para que eu o raptasse porque você estava indo para a forca, que ficar na casa de dois bicentenários era o fim da sua juventude... blá, blá, blá...
James abriu um sorriso sem graça e o mago aproveitou para acender o próprio cigarro tocando sua ponta com os dedos cobertos. O outro observou seu gesto com visível desgosto, sabia que o amigo só começara a fumar porque considerava aquele um jeito bacana de lentamente por um fim na própria vida .
- Pois é, eu tive que aturar por dois dias inteiros minha amada Tia Charlotte, contando como minha mãe gostava de roubar seus docinhos, tive ainda fui obrigado a beber o whisky mais nojento que eu já provei em toda a minha vida e para fechar com chave de ouro virei a celebridade da vila, o que no final das contas foi minha salvação contra os planos malévolos dos meus tios de me levar a uma festa de idosos.
- Sim, sim! Dá para você ir logo ao ponto principal dessa fantástica narrativa? A coisa toda deve ter sido tão chata que só de escutar eu já estou ficando sonolento. - Sirius observou dando um trago e soltando devagar a fumaça, o que obrigou o outro rapaz a abanar o ar a sua volta.
- Bem, na última noite eu fui parar num pequeno pub da cidade.
- Ah, agora as coisas estão ficam interessantes! Você vai me contar que finalmente arranjou uma mulher Sr. James Potter? - o mago começou a rir.
- Sirius, para o meu horror, não tinha pessoas maiores de dezoito anos no local e sim maiores de setenta!
Black simplesmente teve um acesso de riso imaginando o amigo beijando uma velhinha e tendo que ampará-la desesperado porque sua dentadura saíra do lugar.
- Não acredito! Você andou catando uma vovozinha? - ele perguntou quase sem fôlego, vendo a cara de assassino de James. - Céus, você é mais pervertido do que eu imaginava, tudo isso era desespero?
- Para sua informação, a mente pervertida e doentia aqui é a sua. E não, eu não teria estômago para agarrar uma mulher que mal consegue ficar de pé sem reclamar das próprias câimbras, fora que um relacionamento sexualmente ativo com uma pessoa tão seria praticamente necrofilia.
Sirius tentou se controlar um pouco e lentamente parou de rir, enxugando as lágrimas no canto de seus olhos.
- Mas ignorando a faixa etária da vila será que dá para conversarmos seriamente sem envolver minha vida amorosa? - James continuou.
- Bem, Jamezito, foi você quem começou minutos atrás com aquele papo de dicas e camisinhas extras. - Sirius observou encurralando o amigo.
- Certo, então deixemos nossas vidas amorosas fora dessa conversa, sim?
- Tudo bem não vou mais dizer que você é um encalhado! - Sirius retrucou tampando a boca para não rir e fingir seriedade.
- Sir! Eu não sou encalhado, sou um solteiro bem resolvido por livre espontânea vontade. - Pontas respondeu estufando o peito.
- Ah, claro! Mas diz logo, o que é que sua visita ao pub-asilo tem haver com o interessante assunto que você tem para me dizer?
- Eu conheci um senhor lá, não sei se posso defini-lo como velho, mas ele me pareceu bem sábio. Na verdade a aura mágica dele era um tanto assustadora, um pouco semelhante a sua, mas um pouco mais fraca, e como nós dois éramos os únicos magicamente ativos no local acabamos compartilhando uma garrafa de bebida e ele me contou umas coisas muito interessantes sobre uma bruxa que mora em Devon.
- Certo, já temos um velho assustador e boatos sobre uma bruxa no sudoeste da Inglaterra. E o que essa bruxa tem de tão especial para que sua fama esteja se espalhando? - Sirius questionou apagando seu cigarro e olhando mais interessado para James.
- Hum, ela é uma vidente! Dizem que suas previsões nunca falham, e que além das visões ela pode ver o que quiser, como se todas as informações do mundo estivessem em escritas num livro e ela tivesse acesso a ele.
Sirius esperou que ele terminasse de falar e só ai demonstrou seu desapontamento com um gemido sofrido.
- Ah, não, Pontas, outra vidente não. Bella já se divertiu o suficiente as minhas custas me fazendo ir atrás até uma velha gagá que estava mais preocupada em falar do meu futuro casamento do que qualquer outra coisa.
James revirou os olhos.
- Certo, Sir! Mas dessa vez é diferente, essa bruxa é especial.
- Especial, heim? Especial porque? Ela descobriu o Triângulo das Bermudas? - Sirius ironizou.
- Não, idiota! - James retrucou impaciente. - E não é a primeira vez que eu escuto o nome dela. Muitas pessoas andam comentando suas habilidades.
- E você acha que eu devo ir consultá-la?
- Há uma grande chance dela ser capaz de te ajudar, certo? - o mago fez uma careta mostrando que não estava tão animado com a perspectiva de alimentar novas esperanças sobre aquele assunto. - E não se preocupe, dessa vez eu irei com você.
Sirius ficou sinceramente surpreso com a amabilidade do amigo, mas lá no fundo da sua mente sabia que havia segundas intenções por trás do gesto e não demorou muito para ele questionar o fato.
- Certo James, eu sei que você me ama, mas pode dizer, o que você quer com essa bruxa para estar disposto a sair da comodidade de Londres e ir se embrenhar em num maravilhoso pântano(1) no meio do nada?
As bochechas de Potter coraram um pouco e ele pareceu refletir entre dizer ou não o que queria.
- Bem... eu ouvi dizer que ela tem sangue de elfos... então eu pensei que... - mas Sirius o interrompeu.
- Por Deus, Pontas, você não pode estar achando que este rumor é verdadeiro. Elfos? Por acaso estamos vivendo na Terra Média sem eu saber e você quer confirmar se as orelhas dela realmente são pontudas? - Sirius bufou diante daquele absurdo, pendendo entre a irritação e a situação cômica em que James se encontrava por causa da vergonha em ter considerado de verdade o assunto. - Francamente, James! Daqui a pouco teremos aliens em Liverpool.
- Okay, okay, eu já captei a mensagem! Mas ela pode muito bem ter sangue dos antigos magos correndo em suas veias, certo? Ela pode ser descente de alguma linhagem famosa, ou quem sabe conhecer alguma coisa diferente sobre magia. - o rapaz tentou argumentar dando de ombros.
- Claro, se ela for descendente de algum mago famoso tenho certeza de que descobririamos rapidamente sobre isso. Você se esqueceu que os Black existem desde de não sei quantos centenas de séculos atrás? Como ela se chama? - ele perguntou por fim.
- Evans. Lily Evans! - James respondeu prontamente.
Sirius enrugou o nariz pensando por algum momento nas famílias tradicionalmente mágicas que já ouvira falar, mas não reconhecia nenhum sobrenome que lembrasse o daquela bruxa.
- Evans, eu não acho que exista alguma linhagem famosa relacionada a este nome, e você sabe que quando o sobrenome tem poder na sociedade mágica é muito raro que um casamento ou alguma espécie de acordo seja capaz de substituí-lo por outro.
James deixou escapar um suspiro cansado e balançou a cabeça em concordância.
- Tudo bem, você venceu, mas ainda assim eu irei te acompanhar. De qualquer forma eu estou bastante curioso para conhecer os métodos de adivinhação que ela usa.
- E quem disse que eu estou disposto a ir até Devon atrás dessa bruxa?
- E quem disse que você não vai? - James retrucou cruzando os braços sobre o peito indignado. - É da sua maldita vida que estamos falando, Sir. Não seja teimoso! Mesmo que tenhamos que visitar o mundo todo e descobrir que todas as pessoas que procurávamos eram farsantes eu não permitirei que você desista.
Sirius fechou a cara contrariado. Odiava ter que concordar com aquelas buscas infrutíferas. Sempre era a mesma coisa. Sempre era enganado e acabava se sentindo pior que antes.
James viu como ele ficou chateado e suspirou cansado. Sabia que era difícil ser iludido tantas vezes com promessas de possíveis curas, mas não poderiam desistir tão cedo.
- Veja por este ângulo, Sirius, você pode levar Remus com você. Aposto que ele será uma distração e tanto. - ele sugeriu sabendo que suas palavras teriam o efeito que ele desejava sobre o amigo, substituindo a tristeza pela irritação momentânea.
- E o que diabos você está sugerindo, James Potter? - o mago questionou se virando de um rompante e encarando o amigo com o cenho franzido.
- Nada, nada! - James balançou a mão na frente do corpo já preparando mentalmente uma rota de fuga. - Só acho que você deveria refletir sobre aquela conversa que tivemos hoje, sabe? Sobre lugares exóticos para se fazer sexo!
E isso foi o suficiente para que Potter tivesse que se levantar correndo antes que Sirius o apanhasse e o pendurasse de cabeça para baixo numa das árvores do jardim.
Sirius balançou a cabeça sentindo seu cabelo molhado respingar pequenas gotículas no chão do corredor de pedra. Já passava das onze da noite e logo mais começaria a pequena reunião na sala em que Andy mantinha seus experimentos e que atualmente era ocupada por Abel, o qual James insistia em chamar de Dr. Monstro, possivelmente em homenagem ao camarada Frankstein.
De qualquer forma Black não sabia pelo o que esperar, e foi com surpresa que ao atravessar o umbral da porta acabou se deparando com um recinto mal iluminado, cheirando fracamente a ovo podre e alguma outra coisa igualmente nojenta. Tentando acostumar os olhos a claridade, num canto ele pode presenciar Abel mexendo alguma coisa em um caldeirão, sendo acompanhado de perto por uma curiosa Andrômeda, que insistia em fazer perguntas sobre ingredientes com nomes estranhos e métodos de preparo.
Olhando ao redor ele também poder ver James recluso num dos cantos da sala, como se tentasse achar uma brecha para respirar algo melhor do que aquele ar estagnado, e mais a frente estava Remus, cabisbaixo e combinando perfeitamente com o ar de enterro da sala.
- Era para hoje, né Sirius? - Andy exclamou, finalmente dando-se conta de sua chegada e se virando enquanto Abel começava a servir uma pequena dose de sua poção cor verde-musgo num cálice de cobre.
- Que coisa é essa? - foi só o que Sirius conseguiu dizer, ignorando a provocação da prima e sentindo-se enjoado ao ver aquele líquido viscoso.
- Ora, isso? Hehehe. - Abel questionou olhando-o com seus minúsculos olhinhos de besouro. - Essa é a menina dos meus olhos, Sr. Black. A poção Mata-Cão!
E enquanto dizia isso caminhou lentamente na direção do afilhado, estendendo-lhe o cálice, que prontamente foi pego pela mão livre e trêmula de Remus.
- Peraí, você não vai beber isso, não é Remus? - ele perguntou surpreso.
O licantropo ergueu os olhos parecendo tão enojado quanto qualquer outra pessoa da sala, mas simplesmente meneou a cabeça num gesto displicente e entornou todo o líquido garganta abaixo em só um gole.
Ierc! Sirius pensou admirando a coragem do rapaz, principalmente quando a única coisa que poderia se comparada aquela poção era água de privada.
- Não é como se eu tivesse escolha! - Remus respondeu entregando o cálice novamente para o padrinho e escorando-se na parede, a cor da sua pele passando de pálida para um amarelado fraco.
Andy o olhou compadecida e emitiu um claro sinal de não o importune agora para Sirius, que só revirou os olhos e começou a caminhar para o lado de James que se mantinha incrivelmente calado e sério.
- Você acha que isso vai dar certo? - ele perguntou para o amigo, observando o estado lastimável de Remus que parecia estar prestes a vomitar.
- Levando em consideração a sabedoria dos antigos de que tudo o que tem gosto ruim faz bem? - Pontas argumentou. – É, ele vai sobreviver!
E aquilo pareceu dar mais confiança a Sirius, que neste instante observou com atenção Andrômeda caminhar na direção de Remus começando a guiá-lo carinhosamente até uma cadeira do outro canto da sala, centralizada num estranho círculo cheio de símbolos mágicos.
- Venha, querido! Logo, logo a transformação irá começar.
O licantropo obedeceu cansado demais para sequer pensar que estava praticamente sendo puxado pela mulher. Sirius notou como ele tinha dificuldades para caminhar de forma ereta, e de repente todos se assustaram quando ele se curvou para frente, parecendo sentir muita dor.
- Oh, céus, levem-no para o círculo, depressa. A transformação está começando mais cedo do que prevíamos - Abel guinchou quase correndo na direção do afilhado e de Andrômeda, e tanto James quanto Sirius seguiram o mesmo trajeto.
Remus agora havia caído de joelhos a alguns metros distante do selo mágico, e o máximo que Andy podia fazer era se agachar e perguntar se ele estava bem.
Sirius aproximou-se do licantropo, unindo-se ao grupo que o rodeava, e foi assustado que assistiu Remus apoiar as duas mãos no chão começando a tossir sangue.
- Isso... quero dizer... é sempre assim? - James questionou ajoelhado ao lado do rapaz, horrorizado com o sofrimento que estava presenciando.
Abel que permanecia de pé estava um pouco lívido, talvez em choque, conseguindo apenas balbuciar uma resposta incompleta.
- Não, era para ser mais suave. - e enxugando a testa com um lenço acrescentou. - Temos que levá-lo para o selo imediatamente.
Sirius, ainda sem conseguir pronunciar uma palavra, foi o primeiro a reagir estando disposto a carregar Remus até o local indicado, mas antes que pudesse dar mais um passo o rapaz soltou um grito de dor. Tudo aconteceu muito depressa e num piscar de olhos braços humanos se transformaram em uma massa de pelos castanhos, que se moveram numa velocidade incrível e lançaram tanto James quanto Andrômeda na direção da parede.
Abel por breves segundos pareceu estar prestes a ter um enfarto, e mesmo que Sirius desejasse se aproximar de Lupin ele sabia que não poderia. A transformação de Remus estava acontecendo de forma muito rápida. Seu corpo não demorou nenhum vinte segundos para encolher um pouco e assumir uma forma definitivamente lupina, e mesmo que fosse possível ouvir seus gritos de dor, estes rapidamente foram substituídos por uivos.
- O que diabos você fez? - Sirius gritou furioso para Abel, sua percepção não falhando ao indicar que alguma coisa estava errada, muito errada.
- Eu... não... eu... - o velho começou a balbuciar, mas foi Andy quem acabou respondendo, começando a se levantar com dificuldade, sendo amparada por James que também parecia todo quebrado pelo impacto do braço do lobisomem.
- Nós colocamos um novo ingrediente na poção. Pensamos que talvez pudéssemos impedir a transformação física além do enfraquecimento da parcela selvagem de Remus.
- Vocês fizeram o quê? - Sirius vociferou levando as mãos a cabeça, tendo que dar um salto para trás quando o meio-lobisomem se moveu bruscamente na sua direção sofrendo com os últimos estágios da transformação.
Todos se encontravam praticamente prensados nos cantos da sala, impossibilitados de correr, principalmente James e Andy que estavam mais distantes da porta.
- Nós temos que por um selo nele, Sirius, ou então colocá-lo no centro do círculo mágico, ele não pode sair daqui. - James gritou para o amigo, abraçando Andrômeda de forma protetora.
Sirius sabia muito bem que deveriam tomar uma atitude, mas era praticamente impossível capturar um lobisomem transformado, até mesmo para a hábil magia com linhas de James, ele se lembrava muito dos incríveis reflexos que Remus possuía.
- Abel, saia daqui! - ele gritou para o velho que estava perto da porta.
- Mas, eu... - Abel tentou argumentar sentindo como se fosse sua obrigação como culpado de permanecer no local, mas a réplica feroz de Sirius foi mais eficaz.
- Saia! Nós três sabemos usar magia, você não! Saia!
E o alquimista concordou sumindo porta afora.
Neste exato instante a transformação de Remus terminou e os três assistiram sua forma lupina parar nas quatro patas, erguendo a cabeça e soltando um longo uivo. A poção com o novo ingrediente não só falhara em reter a transformação física, como também não enfraquecera o lobo.
- Sirius, o que faremos? - Andy gritou desesperada, vendo a fera olhar na direção dela e de James, os dentes agora arreganhados acompanhados de um rosnar baixo.
Sirius simplesmente não sabia o que fazer, só poderia atacar Remus, não havia mais nenhuma alternativa. Era doloroso pensar em machucá-lo, mesmo que ele estivesse transformado, mas a vida de sua prima e de seu amigo estava em risco.
Só que seus pensamentos foram lentos de mais em comparação aos instintos do lobo. E enquanto ele mal decidia o feitiço que lançaria, o lobisomem deu um salto para frente, dando-lhe tempo apenas de gritar desesperado.
Por uns instantes ele praticamente ficou cego, mas no outro ele sentiu o alívio percorrer seus nervos ao notar a forte barreira mágica de Andy agindo como um escudo contra as garras do lobo.
Ele respirou sentindo-se mais leve por alguns instantes, mas a calmaria foi curta, e num giro rápido o lobisomem pressentiu sua presença, farejando o ar e dando passos calculados na sua direção. Ninguém se moveu, ou sequer ousou pensar, era como se tivessem que se fingir de mortos para não serem atacados, e no instante em que Sirius pode jurar que teria a garganta estraçalhada pela mandíbula do lobo, este virou o focinho na direção da porta captando alguma coisa.
Foi com um alívio que Sirius se viu sendo ignorado pelo lobisomem que saiu do quarto desembalado. Andy caiu de joelhos no chão exausta pela tensão, e Sirius permitiu-se ter um pensamento positivo antes de relevar toda a situação, mas foi com um choque que ele ouviu a prima gritar.
- Nymphadora!
E a gravidade do problema que ele tinha em mãos o atingiu-o na mesma intensidade em que o sangue escapou-lhe de sua face. Era isso o que chamara a atenção do lobo, o cheiro de sangue jovem. Não havia nada mais saboroso para um lobisomem do que carne de criança.
Sirius não pensou duas vezes, tudo em sua mente era um amontoado de idéias misturadas com seu desespero e pânico. Ele subiu as escadas do porão que dava para a cozinha com o coação praticamente na boca. Por onde passava havia rastros da fera, e mais acima ele pode ouvir os gritos de terror, provavelmente de suas primas. Ele não estava preocupado com elas, ambas sabiam se defender. O importante era sua sobrinha, o lobisomem já escolhera sua vítima, e esta era Nymphadora e seu atraente corpo jovem.
Correndo como um maluco, subindo as escadas para o segundo andar e mal dando importância para uma aterrorizada Narcissa jogada no chão do corredor, ele sentiu as lágrimas brotando no canto dos seus olhos ao ver que a fera já tivera tempo o suficiente para chegar até ali. O grito de frustração estava preso em sua garganta, ele podia ver a porta do quarto da sobrinha escancarada, a madeira provavelmente toda arranhada, e foi com um enorme peso nas costas que ele alcançou o quarto, já supondo que iria encontrar o corpo de sua pequena Nymphadora sendo devorado pela forma monstruosa de Remus.
Seu coração batia descompassado, seu ouvido zunia e ele podia ouvir a respiração da fera, aquela respiração pesada, e foi com um alívio tremendo que ele ouviu o fungar de Nymphadora, como se ela tentasse se controlar e chorar baixinho. Alcançando o umbral do quarto ele vislumbrou uma cena extraordinária. Parada na frente de Nym estava Bellatrix parecendo furiosa, a energia mágica que emanava de seu corpo intimidava completamente o lobisomem que receava atacar.
- Maldito! - ela disse entredentes, os olhos ficando nublados e Sirius sabia muito bem o que ela iria fazer. Ela usaria sua telecinese, se ela concentrasse sua força no final das contas ela acabaria sendo capaz de quebrar o lobisomem ao meio, de estraçalhar todos seus ossos, e foi num momento de desespero que ele gritou para que ela parasse.
- Bella, pare! É o Remus, Bella, pare!
E a aura de Bellatrix diminui consideravelmente com o choque ao ouvir a voz de Sirius pedindo para que ela se detivesse e isso foi o suficiente para que o lobo atacasse, obrigando o mago a agir por impulso, atingindo-o com uma bola de energia que acabou lançando-o contra um dos móveis com um ganido de dor.
Bellatrix agarrou a prima e carregando-a nos braços correu na direção do primo e da porta, aproveitando o tempo que o lobisomem iria utilizar para se erguer e se recuperar do ataque.
- Vá para o andar debaixo! - Sirius ordenou mal pensando no que dizia.
- Sirius, você... - Bella argumentou horrorizada.
- Eu disse para você sair daqui! - ele gritou furioso empurrando-a para fora do quarto ao mesmo tempo em que o lobo ficava firmemente de pé nas quatro.
- Seu idiota, maluco! - a Black gritou desesperada, largando Nymphadora que saiu correndo, tentando puxar Sirius junto com ela para o corredor. - Você vai ser morto! Morto!
Mas por mais que ela colocasse força nos braços isso tudo não foi o suficiente, e Sirius conseguiu se soltar e empurrá-la mais uma vez, fechando e trancando a porta atrás de si, se escorando nela enquanto a prima a esmurrava em desespero, chorando.
O lobo o olhou rosnando. Sirius se moveu na direção da pequena varanda, tentando caminhar lentamente, sem movimentos bruscos, mas a fera percebeu suas intenções e correu na sua direção. Ele tentou dar um passo rápido para trás, planejando fugir, mas seu pé pousou no chão de mau jeito e ele se viu tropeçando, caindo de costas. As patas do lobisomem imediatamente pousaram com força sobre seu peito, arrancando-lhe completamente o fôlego.
- Remus - ele sussurrou sem ar, o lobo rosnando para ele com os dentes a mostra. - Remus, sou eu, Sirius!
Mas parecia que nada daquilo tivera efeito, e a boca do licantropo começou a se abaixar de vagar, e o pulsar ritmado do coração de ambos envolveu e ensurdeceu Sirius. Ele não ouvia o clamar desesperado de todos do lado de fora, não ouvia nem um dos sons de socos e pontapés acertando a porta, só havia ele e Remus na sua forma monstruosa.
E talvez foi isso que o salvou, pois neste momento de silêncio o lobisomem trocou o rosnar por um uivo prolongado, e ele assistiu o animal se afastar dele balançando a cabeça, batendo a mandíbula na quina da cama e depois se lançando por livre espontânea vontade contra a parede.
Ele não podia ter certeza, mas ele sabia que a consciência humana de Remus estava lutando contra a selvagem. O lobisomem começara a se ferir por livre espontânea vontade, e agora ele se unhava, tentava se machucar ao máximo, e pouco a pouco inúmeras feridas que mal tinham tempo de se fechar eram abertas, o sangue escorrendo e pingando profusamente no chão.
Escorado na parede do quarto ele assistiu de olhos arregalados a todo aquele ritual macabro, imaginando a dor que Remus estava sentindo, apertando os punhos, furioso por não poder fazer nada. E quando num golpe mais forte o lobo se lançou contra a penteadeira de Nym, esta envergou e caiu sobre, fazendo com que a pequena caixinha de música da menina entalhada em prata caísse em cheio sobre sua cabeça.
Sirius ouviu o uivo de dor da fera quando um grande talho se abriu ao lado da sua orelha, ele viu o lobo cambalear completamente zonzo, e foi como num pesadelo sem fim que ele assistiu o lobisomem tombar sem forças no chão, sentindo os efeitos da prata em contato com seu corpo.
O lobisomem ficou vários minutos imóvel, estirado ao lado da penteadeira caída, parecendo estar morto, e Sirius, ainda ofegante conseguiu com muito esforço ficar de pé, aproximando-se cauteloso da figura peluda.
Um estalo em sua mente lhe indicou que não havia mais perigo, e antes mesmo que ele soubesse o que estava fazendo ele ajoelhou-se e simplesmente puxou o corpo do lobo na sua direção, sentando-se no chão e recostando-se na cama, apoiando o corpo do lobo em suas pernas. O lobisomem ganiu baixinho, fraco demais para qualquer outra coisa, e o medo nos olhos de Sirius lentamente foi substituído pela ternura. Ele acariciou a cabeça da fera, vendo-a piscar os olhos e sabendo com toda certeza que era Remus quem o observava por detrás daquelas pupilas.
Sem raciocinar ele levou a mão direita até sua boca mordendo a ponta da luva num dos dedos. Puxando o tecido com os dentes, ele rapidamente ficou com sua pele exposta, e sem nenhum receio a levou na direção do lobisomem, percebendo um pouco surpreso que tocá-lo não lhe feria. Ele estava esgotado e o máximo que conseguiu fazer foi sorrir ao saber que no final das contas ele era capaz de entrar em contato com Remus de alguma forma, sem sofrer os efeitos de sua terrível maldição.
Em meio a sensação de êxtase e satisfação, ele sentiu o teor de adrenalina diminuir em seu organismo, e finalmente, como se um desejo lhe houvesse sido concedido, ele desmaiou exausto.
(1)Devon – Condado da Inglaterra conhecido por ter um pântano. Hahaha! Alguém aí gosta do Tio Sherlock? Já leram o Cão dos Baskerville? Olha a onde Lily foi se meter! Hehehe!
N/A: Nhami! Vai ser muito indelicado da minha parte não responder devidamente as reviews das maravilhosas pessoas que lêem a fic, mas como eu estou com pouco tempo não irei me demorar muito, por isso me perdoem... hehehe! Afinal já são quatro da matina. Outra coisa que eu peço encarecidamente que ignorem são os erros, eu estou tentando postar este capítulo um pouco mais cedo, por isso ainda não o revisei, o que eu planejo fazer ainda hoje, se possível!
Paulili (E quem não quer agarram o Sirius desesperadamente? Mas não se preocupe, eu ainda vou deixar eles se divertirem um pouco, sabe? Hehehehe! Afinal, como diz Jamezito, é para isso que servem luvas! rs), usaqui no ashi (Aiaiaia! Vestibular é coisa do cão! sem ofensa ao Sirius Num agüento mais estudar! rastejando no chão! hehehehe), Sra. Kinomoto (Aí está o cap. Fofa, demorei dessa vez? Espero que não! ), Amy Lupin (Pessoa de Deus, sua fic Green Eyes é pior que chocolate! Hehehehe! Viciei! Hihihi! E sim, lily irá dar o ar da graça e vai colocar James no sue devido lugar. Hehehe, e você viu o quanto o lobinho anda tarado? Hehehehe! É TAFT Tesão Acumulado Faz Tempo o.O), Haruechan (Oie! Veja só onde eu fui me meter menina, to prestando para medicina! Há, eu estou simplesmente ferrada! Mas nem que eu morra em cima de um livro de física eu passo na Unicamp! Hehehe! Vou aí te fazer companhia!), Tata (Viu o tamanho deste cap.? Ah, e tomara, pessoa, se num der resultado vestibular a coisa vai ficar preta! Vão comer meu fígado aqui em casa! -.-), Athena (Você provavelmente deve estar xingando o Abel, não é mesmo? Hauhauahau! Aiaia! Remito só sofre com esse povo! Cambada de incompetente, viu! Mas espero que você tenha gostado do cap.!), watashinomori ( Oi, oi, oi! Você também quer tocar o Sirius, né? Eu sei que quer! Hihi! Pena que ele é do lobão! E não sem mechas brancas em Siriuzito! Talvez ele tenha alguns fios por causa da frustração sexual dele, mas nada além disso! Ahuahaua!), Moony Ntc ( A realidade é dura! Mas todos querem beijo destes dois! Ah, mas deu pra ver que Remus não se contenta com beijinhos não, né? Ele já tá é partindo pro ataque! E brigada, eu farei o possível pra passar! Acho que não terei paz enquanto num me ver numa universidade! Aiaia!)
Bem é isso aew gente! Espero que tenham gostado do capítulo e que ele não tenha demorado tanto. Na continuação teremos Lily quase mandando Sirius Black ir para o inferno, chazinho em Devon com James babando pela ruivinha e momentos cutes de Siren! Sugoi, hã?
Então até a próxima!
Kisses!
