Título da fic: Golden Wings
Casal: MiloxCamus / ShakaxMu
Sinopse: Uma companhia aérea, dois pilotos competentes e experientes mas completamente incompatíveis, ou não? U.A./Yaoi/Lemon Camus/Milo, Shaka/Mu
Autora: Áries Sin e Athenas de Áries
Agradecimentos: A Nana Pizani pela betagem, a Kamui pelo apoio e a…Shyriuforever por… não sabemos bem o que…mas obrigada na mesma! XD
Golden Wings
(Capitulo 9)
Lisboa, Sacavém, Aeroporto Internacional de Lisboa
Pela enésima vez naquela viagem, Mu suspirava. Já era a segunda vez naquele dia que fazia a mesma viagem de ida e volta Paris/Lisboa. Uma das coisas que mais o enervavam era justamente andar sempre a correr de um lado para o outro tendo a certeza que não teria mais de hora e meia de repouso. Durante as três horas de voo, Mu mantinha um semblante carrancudo, fazendo tudo por obrigação.
Quando fora recambiado para voos curtos juntamente com Shaka, ainda mantinha a esperança de poder ficar pelo menos com o virginiano mas...
- Tire essa cara de carneirinho mal morto Mu... não sou loiro, nem guardo os olhos fechados dois terços do meu dia, mas posso ser uma boa companhia sabe?
Mu não conseguiu impedir um sorriso. Realmente estava sendo bem egoísta com o companheiro de voo. Afinal, devido a um lapso seu, Aioria também tinha sido separado do irmão mais velho durante aquela semana, sem ter culpa nenhuma.
- Desculpe Oria. Apenas não me conformo...
Passaram juntos pelos tapetes das malas, dirigindo-se ao local de espera.
- É só uma semana... além do mais, esta noite estarão de volta para os braços um do outro!
Mu riu do comentário. Era verdade... apesar de tudo tinha tido sorte com a companhia. Aioria era um óptimo co-piloto além de uma pessoa extremamente divertida e acessível. Conhecia-o bem, o que facilitava muito as coisas.
- Temos uma hora e meia antes do próximo voo. Lisboa é uma cidade belíssima, e temos a sorte do aeroporto estar dentro da cidade. O que me diz de lanchar num local aqui perto? Aproveitamos o sol de Inverno e comemos à beira mar!
- Você conhece bem a cidade... - Mu debochou - quem lha mostrou seu safado?
Aioria coçou a cabeça meio encabulado, gaguejando.
- Sabe... foi antes da Marin e...
- Sei sei... uma namorada em cada porto, como os marujos!
- Mas eu agora sou um homem sério.
- Sei... tão sério quanto uma anedota.
- Mu!!!!!! Não sou eu que estou de castigo...
Mu emburrou a cara de novo. Por que a toda hora lembravam a ele que estava de castigo como uma criança travessa? Já era um homem adulto. Soprou a franja irritado, andando com um pouco mais de pressa. Um café faria bem. Lembrou-se de Shaka, sem que percebesse seu olha foi longe. Sorriu.
- Admiro muito o amor de vocês. Lembrou-se de Shaka agora, não foi?
- Como sabes?
- Seu olhar, seu sorriso... Vai passar logo, Mu. Até eu estou me sentindo culpado por estar aqui, e não ele.
- Não fique meu amigo... Você está sendo até mais vítima que eu. Vamos. Vamos aproveitar e ver as belezas de Lisboa.
---oOo---
Helsinki, Vantaa AeroportNuvens e mais nuvens. Sempre soubera que naqueles países nórdicos o sol era escasso sobretudo no Inverno mas aquilo estava dando com ele em doido.
- O que vai querer Shaka?
Aioros mantinha o olhar fixo no painel que indicava o preço dos produtos, decidindo o que iria comer.
- Não quero nada Aioros. Obrigado.
A rapariga por trás do balcão interpelou-os sorridente, num inglês perfeito.
- Boa tarde senhores. Desejam algo?
- Sim senhorita. Queria uma omoleta de queijo com batata frita a acompanhar e um suco de laranja por favor. - a rapariga acenou, registando o pedido - para o meu colega aqui será uma salada César e um café BEM forte.
Shaka arregalou os olhos azuis, não acreditando no que estava acontecendo.
- MAS O QUE...
- Estamos na mesa do fundo sim? - fazendo pouco caso do virginiano, Aioros sorriu intensamente para a garçonete, piscando o olho. Esta assentiu, corando até à ponta dos cabelos.
Evitando fazer cenas, Shaka acompanhou o piloto. Tirou a carteira do bolso retirando o cartão da Sanctuary Airlines, para que o gasto fosse transferido para a companhia. Sentou-se calmamente, esperando que Aioros fizesse o mesmo.
- Este tempo não ajuda a ninguém... -Aioros suspirou cansado.
- Eu não bebo café Aioros!
- A garçonete é bonitinha, não achou? - Aparentemente o sagitariano estava literalmente fazendo pouco caso do que ele dizia.
- Eu gosto de homens, Aioros...
- E? Eu também, tenho o melhor de todos como namorado, mas mesmo assim não deixo de ter gosto por mulheres!
- Não creio que Saga seja o melhor exemplo de 'melhor de todos'! -debochou sorrindo de canto.
- Pelo menos não somos apanhados no flagra no meio de um voo...
Shaka ia retrucar, mas a garçonete chegava com os pedidos.
Shaka olhou para o copo do líquido fumegante. Bufou. Aiolos riu. Parecia estar a ver Mu em sua frente, até mesmo os trejeitos de um e de outro estão ficando iguais. Amava Saga, mas admirava o relacionamento de Shaka e Mu. Shaka mexia na salada sem muita vontade. A insistência do olhar da garçonete o estava enervando.
- Será que ela não se cansa de me olhar?
- Ora, Shaka, o que é bonito é para se olhar.
- Vou tomar isso como um elogio.
- Mas é. Coma logo!
- Estou comendo... Não me aborreça.
Shaka bebe um gole do café. A todo momento Mu voltava a sua lembrança. Como ele estaria? O que estaria fazendo?
- Shaka, veja bem, é bom estar um pouco separado. Esse tempo logo acabará e a saudade fará bem para os dois.
- Eu não sei. Eu tenho medo.
- Medo?
- Existem muitas coisas que você não sabe, meu amigo.
Aiolos não entendeu exactamente o que Shaka quis dizer, mas fazia uma leve ideia. Muito antes de conhecer Shaka conhecera Mu e sabia o quanto ele podia ser cegamente ciumento.
- Shaka, não se preocupe, mais algumas poucas horas e estará no braço de seu carneiro.
- De carneiro, ele só tem o signo.
Aioros riu e se preocupou em terminar seu lanche.
---oOo---
Paris, Avenue de L'Opera, no 'Clair de Lune'
Finalmente a noite chegara, Shaka já estava saturado de levantar voo e aterrar repetidas vezes. Já havia esquecido como era chata essa rotina de voos curtos e não via a hora de rever Mu. Recebera um recado, entre um voo e outro, que Milo e Camus os esperariam em um bar conhecido no centro da cidade. Nem mesmo pensou em passar em casa para trocar de roupa. Do jeito que estava, dirigiu-se para o ponto de encontro.
Fora o primeiro a chegar. Checou novamente as horas no relógio de pulso. Será que Camus já estava pegando a doença de Milo? Riu sozinho. Os amigos não o preocupavam, mas Mu... Onde estaria Mu? O que acontecera? Olhou mais uma vez para o celular, conferindo se estava realmente ligado, se a recepção do sinal estava boa. Por que ele não ligava? Merda.
Levou o copo com o coquetel sem álcool que bebia aos lábios sorvendo mais um gole. Delicioso, mas não o suficiente para deixá-lo mais tranquilo.
Milo e Camus estariam de volta, não tardava para chegarem... mas Mu já lá devia estar...
Era impressionante a constante angústia na qual se encontrava quando não tinha o namorado por perto. Tinham sido tantos anos juntos que agora mal sabia como agir sem ele. Para Shaka, um relacionamento assim uns anos antes teria sido completamente impensável. O que o amor não fazia...
- Pensando no seu carneirinho?
A voz conhecida tirou-o dos seus devaneios, quase sobressaltando. Milo sentava-se no sofá à sua frente, dando leves tapas no lugar ao seu lado indicando a Camus que se sentasse. Este apesar da cara de 'eu mereço' acabou mais uma vez por ceder aos caprichos do grego.
- Bonsoir Shaka!
Shaka sorriu, acenando para o ruivo. Não pode deixar de perceber o quanto os dois pareciam já bem chegados, apesar das poucas viagens que tinham feito juntos. O que uma boa cabine de avião não fazia com duas pessoas destinadas a se encontrar.
Shaka sorriu para ambos.
- Chegaram cedo.
- Não, não chegamos cedo, para ser mais preciso estamos até alguns minutos atrasados.
- Milo!!! - Shaka arqueou uma sobrancelha surpreso - Camus, me conte, por favor, cadê o Milo? Este aí a minha frente não é o Milo que conheço.
- Não se preocupe, Shaka, este é o Milo que você conhece, só foram feitos alguns ajustes técnicos.
Shaka ficou mais surpreso ainda. Camus fazendo piadas? Alguma coisa realmente tinha fugido completamente da sua compreensão. Olhou novamente para ambos, a pergunta que desejava fazer estampada em seu rosto.
- Não faça essa cara de "não estou entendendo nada". Cadê o seu carneiro?
Shaka bufou, afastando a franja da frente dos olhos.
- Primeiro: o 'carneiro' tem nome, e chama-se Mu. Segundo, ele está atrasado... e eu não sei o porquê...
- Hummmm - Milo sorriu de canto, percebendo o nervosismo do amigo - Aioria consegue ser bem convincente quando quer...
No momento em que Shaka ia responder, uma voz suave mas firme fez-se ouvir no recinto.
- E você bem inoportuno nos momentos errados!
Todos se viraram, percebendo o tibetano de pé, olhando fixamente para Milo. Os longos cabelos soltos, ligeiramente desalinhados pela correria até ali, o quepe por baixo do braço esquerdo, o casaco com o primeiro botão aberto. Tudo indicava que tinha corrido até ali.
- Mu! - Shaka levantou-se prontamente, chegando perto do namorado. - O que lhe aconteceu?
- O de sempre. Esses malditos voos curtos, passageiros com excesso de bagagem, funcionários de terra enrolados, conclusão: atrasos e mais atrasos. Desculpe-me. E você, senhor Milo... ainda vou pensar na sua prenda.
Camus sorriu tentando a todo custo conter a gargalhada. Milo cruzou os braços emburrado como uma criança contrariada. Shaka abraçou Mu, beijando levemente a sua face.
- Sente-se querido e deixe essa criança super nutrida.
Desta vez Camus não conseguiu conter-se rindo alto, chamando a atenção de todos sobre si.
- Isso francês arrogante! Ria da desgraça alheia!
Mu olhou interrogativo para o namorado, estranhando a afinidade entre os dois. Shaka apenas sorriu, dando um beijo leve nos seus lábios, indicando o lugar ao seu lado para que se sentasse.
Logo estavam de dedos entrelaçados, evitando dar demasiado nas vistas, tentando entender o que estava acontecendo com os outros dois.
- Camus Phillipe Lenoir je ne le crois pas! (1)
Bastou a nova voz para que o francês parasse instantaneamente de rir. Já esperava encontra-lo ali... lógico, visto que o estabelecimento era dele.
- Isso que estou vendo é mesmo uma gargalhada? - Misty voltou a se pronunciar, cravando mais as unhas na ferida.
Camus olhou para o primo com cara de poucos amigos, sem nada falar.
- Esse sim é o Camus que eu conheço. - Misty olhou para Milo - Você não é aquele piloto que voa com Camus?
- Sou eu mesmo. E o que você ouviu realmente foi uma gargalhada. Ele pode ter senso de humor, basta um pouco de paciência para descobrir.
- Milô!!!! Vocês tiram o dia hoje para implicar comigo?
Um coro de vozes pôde ser ouvido.
- SIM!!!!
- Não sei o porquê, mas achei mesmo que a resposta seria essa. Se eu sou sério vocês reclamam, se eu rio também, será que nunca ficarão satisfeitos?
Todos riram. O clima se descontraiu rapidamente. Misty puxou uma cadeira e sentou-se.
- Incomodo?
- Sim.
- Não.
- Sim ou não?
- Pelo visto sou voto vencido mesmo. Acomode-se logo.
Misty apenas lançou um sorriso vencedor a Camus, observando os dois desconhecidos. Eram realmente muito lindos, claro uma beleza diferente da de Camus ou Milo. Era mais suave... mais delicada.
- Pode ir esquecendo, dali não tira proveito nenhum!
Misty olhou constrangido para o primo. Camus não tinha dito aquilo... tinha?
Acabou corando, quando percebeu que os dois desconhecidos riam contidos com o comentário. Acabava de provar a teoria que se calhar não seria tão boa ideia permanecer ali.
- Deixa de ser tão rude Camyu! - Milo sorriu - Misty, apresento-lhe Mu e Shaka, os nossos queridos pilotos que descobriram uma recente queda por cenas duvidosas...em publico!
- Milo! - Mu começou, sendo apoiado pelo virginiano - ... não foi em publico... desde quando o cockpit é publico?
Shaka suspirou recostando-se no sofá. Não era possível entender qual dos dois era o mais inconsequente dos dois
Novas risadas encheram o bar. Aqueles pequenos momentos na companhia do grego começavam a ganhar grande importância na vida do francês, sem mesmo que esse se apercebesse disso.
---oOo---
O encontro de Shura e Shina foi rápido, o tempo de descanso entre os voos era curto e logo ele e Mask voltaram à Paris. Estava cansando, trabalhara com a cabeça nas nuvens, sonhando com o dia que sua casa ficaria finalmente pronta e poderia ter ao menos uma noite inteira ao lado da namorada.
Quando chegaram ao apartamento de Mask e Dite, este já se encontrava em casa, o jantar já quente sobre o fogão.
- Chegaram atraídos pelo cheiro? Vão banhar-se rapidamente para que possamos jantar! - Dite expulsou os dois rapidamente em direcção aos banheiros antes mesmo que eles pudessem falar algo.
- Dite, você não sabe o que aconteceu hoje!
Mask falara a frase mágica. Dite estancou no meio da sala, em cócegas de curiosidade.
- Espera carcamano, conte-me tudo, não me esconda nadinha!
Mask sabia perfeitamente como atiçar a curiosidade do sueco. Eram muitos anos de convívio... e sobretudo de 'conhecimento de terreno'. Sorriu no limiar do sádico, dirigindo-se ao banheiro apenas acenando. Afrodite rogou inúmeras pragas na sua língua natal.
- Não esquenta Dite... ele vai contar tudo durante o jantar. - Shura divertia-se com a cena. Aqueles dois se não fossem feitos um para o outro...
- Shurinha... - Afrodite aproximou-se sensualmente do espanhol - mata a minha curiosidade, vai...
O sueco passava o indicador no peitoral definido, fazendo charme. Sempre funcionava, mesmo sabendo que Shura era hetero... mas ele, Afrodite, era bem mais que...
- Continua e quem mata a sua curiosidade sou eu! Mas é arrancando-lhe a cabeça!
A voz grossa vinda do quarto assustou ambos, fazendo o sueco afastar-se rapidamente.
- Mas... como ele ouviu? - perguntou chocado virando as duas orbes azuis na direcção do quarto.
Shura riu, dando um afago rápido nos longos cabelos loiros do sueco, dirigindo-se ao outro banheiro.
Mask sai do quarto, o corpo ainda húmido, vestido apenas com uma bermuda.
- Afrodite, você devia ser mais discreto nas suas tentativas, as paredes têm ouvido!
- E você deveria parar de me torturar tanto...
- Será que poderia servir o jantar, o cheiro está óptimo.
- Mais nem pensar!!!! Não antes de me falar t-u-d-i-n-h-o!
Afrodite sentou-se no sofá da sala, cruzando as longas pernas a esperar as notícias com cara de "nem pense em atacar a cozinha antes de abrir a boca". Mask sorriu, sentando-se ao lado de Dite beijando-lhe o rosto, começando então a narrar com voz falsamente tediosa a cena ocorrida no aeroporto. Antes mesmo que chegasse ao meio da mesma Shura já está de volta, limpo, cheiro e com semblante saudoso.
As gargalhadas começaram a tomar conta do ambiente, mas o espanhol continuava silencioso. Quando Dite finalmente conseguiu voltar a respirar, olhou para Shura intrigado.
- Shurinha, porque está com essa cara de enfado? Nossa companhia é tão ruim assim?
- No Dite... é apenas saudade! - deu um leve sorriso para o sueco. Todos ali sabiam perfeitamente o que era estar longe da pessoa amada, mesmo que fosse apenas durante o dia. Aquela vida de piloto não era simples no que tocava a relacionamentos, ainda mais quando os momentos juntos eram tão curtos.
- Não fica assim Shura... - Afrodite levantou-se do sofá, indo abraçar o capricorniano. - Shina tem data de regresso ja?
O espanhol negou com a cabeça suspirando. A italiana estava em Roma por questões de ordem familiar. E ainda não sabia quando tudo acabaria e regressaria finalmente a Paris.
- Vamos, venha comigo! Fiz cordon bleu como você gosta! - o sueco sorrio.
- Agora deu em apaparicar o Shura? - Mask mantinha-se sentado no sofá, uma sobrancelha levantada.
- Fofo! Ele é nosso convidado, tem que ser bem tratado, não acha?
- Fofo, não! Afrodite! Fofo não! E não acho que ele tenha que ser bem tratado não, afinal quem é o homem dessa casa?
- Ele, fofo! Ele! - Afrodite fala rindo, apontando para Shura.
Mask faz uma cara de falsa raiva, agarrando Afrodite pela cintura e beijando-o com ardor, até que ambos quase perdessem o fôlego.
- Ainda tem certeza que ele é o homem da casa?
- Acho que preciso de mais algumas provas para poder mudar de opinião, mas agora não... vamos comer. - Afrodite desenvencilhou-se de Mask e correu para a cozinha com o italiano atrás. Shura sentou-se novamente no sofá, zapeando os canais da TV.
- Algo me diz que esse jantar vai demorar... - falou consigo mesmo.
(1) Camus Phillipe Lenoir je ne le crois pas: Camus Phillipe Lenoir eu não acredito nisto !
