Capítulo IX
—Vamos! —Harry correu mais rápido. Os efeitos da poção polissuco estavam terminando. Já tinham o medalhão e só lhe fazia falta sair do ministério sãos e salvos. — Corram! —Lançou um feitiço para chegar a um dos elevadores. Ao sair, esperavam-nos dementadores. —. Expecto Patronum! Corram às lareiras. —Uma a uma, as lareiras estavam se fechando. Hermione foi a primeira em atingir uma. Ron puxou a Harry para fugir juntos enquanto ele desviava o feitiço que ia colar sobre Ron. Não ia suceder de novo, de nenhuma forma.
Apareceram-se em um lugar longínquo. Harry não recordava o nome nem também não se importava, só queria tomar um pouco de ar após tão caótica fugida. Ron deixou-se cair sobre a erva. Apesar dos esforços de Harry, mano-a direita de Ron tinha terminado algo lastimada.
—Temos que nos estabelecer e descansar um pouco. —Harry assentiu ante as palavras de Hermione. Apanhou o medalhão e suspirou. Teria que esperar para o destruir, não podia o fazer com o simples desejo. Precisava que Severus lhe enviasse a espada de Gryffindor.
Essa noite Harry não se separou do medalhão. Os pesadelos regressaram com mais força que nunca. Recordou à perfeição os crimes, os meninos arrancados dos braços de suas mães, as maldições escuras, a dor de ver morrido a Ron, de perder o último vestígio de inocência em sua vida. Estava-se retorcendo de dor, de impotência por ter caído tão baixo e sem deter-se, por ter estado tão cego de crer em uma ternura fingida, em um carinho que não existia. Acordou no meio da noite, sabia que não poderia dormir mais. Saiu da casa para respirar o ar fresco que a ele se lhe antojava asfixiante. Queria correr pelo bosque ou, melhor ainda, desaparecer para chegar a Hogwarts, diretamente à cama de Draco.
Fechou os olhos sentindo-se mais frustrado que nunca. Com Draco tinha-se refreado porque não queria lhe arruinar a experiência, no entanto, nesse momento se sentia idiota. Podia ter tomado a Draco, podia ter-lhe mostrado o caminho do desejo e a luxuria. Draco devia de ser virgem, Harry o intuía, e estava seguro de que era gay. E não era tão fácil encontrar certo tipo de desafogo quando se estava encadeado à sociedade e à linhagem rançoso aos que Draco pertencia. Harry teria conseguido fazê-lo vibrar de prazer e, no processo, se teria combinado com a virgindade de Draco.
—Foder, Draco. O maldito medalhão e você vão terminar por me voltar louco. Devia dominar-te quando pude. —Suspirou pesadamente sentindo que a pele baixo o horcruxe começava a queimar. Preferiu internar no bosque com o fim de encontrar algo de comer; se começavam a passar fome as coisas iam pôr-se pior.
Nos dias passavam demasiado lentos. Harry sentia-se a cada vez mais consumido pela escuridão do medalhão. Mais de uma vez Hermione tinha mencionado que deviam fazer turnos, mas Harry se tinha negado rotundamente. Sua experiência passada dizia-lhe que esses níveis de escuridão só deviam ser manejados por ele; não queria expor a Ron nem a Hermione. As noites eram o pior. A tortura causavam-na imagens e sons que não lhe deixavam tranquilo. Preferia dormir menos, pensar em outras coisas e caçar nas madrugadas.
—Que se supõe que é isto, Harry? —Potter colocou adiante deles um coelho e outra massa irreconhecível de polpa sanguinolenta que em vida tinha sido um pequeno cervo.
—Um coelho. —disse sombrio. Hermione levantou uma sobrancelha. Harry sabia que tinha problemas dantes de lhe ver a cara. Tinha lançado todo tipo de maldições sobre o pobre animal para descarregar sua ira e ao final só tinham ficado essa coisa e um Harry salpicado de sangue. A frustração seguia, a coragem seguia e as vontades de matar a alguém estavam mais latentes que nunca.
—Tens que te tirar esse medalhão, Harry. Olha-te, nem sequer dorme e isso… —Assinalou a pele. — Isso não é normal, Harry. Estou preocupada. Ron e eu estamos preocupa… —A fúria de Harry foi em ascensão e não pôde se deter.
—Podem guardar-se a preocupação para alguém a quem se importe! —Hermione engasgou. Harry estava seguro de que ela notava a escuridão em seu rosto, essa escuridão que ia para além do medalhão e que Harry tinha tentado manter a raia. — Não me interessa sua lástima! Só quero terminar com este maldito pesadelo, terminar com todo est…
—Desmaius! —O corpo de Harry saiu voando e caiu mancando ao outro lado da campana. — Vá, estava bastante pesadinho. Está bem? —Ron caminhou para Hermione, que começava a chorar, e a abraçou com força.
—Estava como louco, Ron. Não sei que lhe passa…
—É o medalhão. Essa coisa está-lhe voltando louco. —Hermione negou furiosa e escondeu o rosto no peito de Ron.
—Não, não é só isso. Está raro desde faz meses, desde antes de terminar o curso. —Hermione engoliu saliva. — Já estava diferente; sua mirada, seus sorrisos, nada parecia encaixar. Harry estava conosco, mas ao mesmo tempo se encontrava em outro lado. Note-o depois, durante o verão, quando estive em casa enquanto pensava na morte de Dumbledore. Até isso mudou. Harry parece confiar em Snape quando sempre disse que era um comensal.
Ron levitou o corpo de Harry para a cama sem soltar a Hermione. Estava-se preocupando para valer por todo o que estava passando. Ele tinha que se manter sereno e lhe custava muito. Quando tudo sucedeu? Hermione estava feita um mar de lágrimas e Harry parecia estar perdendo a razão. Sim, tinha que se manter sereno antes de que tudo se fosse à merda.
—Tudo vai estar bem, Hermione. Cedo destruiremos essa coisa e poderemos descansar. —Hermione negou.
—Como, Ron? Só me diga como o vamos conseguir? Temos tentado todos os feitiços que conhecemos e não há forma do destruir. —Ron mordeu-se o lábio inferior. Harry descasava na cama e por fim parecia dormir, ainda que em realidade estivesse desmaiado.
—Já veremos, se nos ocorrerá algo. Não se preocupe. —Separou-se dela pouco a pouco. — Vamos, façamos algo de comer e depois pensaremos melhor. —Limpou as lágrimas que ainda corriam pelas bochechas de Hermione, quem lhe presenteio um leve sorriso.
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Severus limitava-se a olhá-lo todo sentindo uma impotência terrível. O imbecil de Longbottom não podia manter a boca fechada. Tinha chamado covarde a Amycus Carrow e agora Neville tinha que suportar um castigo ao estilo muggle. Amycus tinha-lhe com as mãos amarradas enquanto dava-lhe seus melhores golpes. Severus contraiu os maxilares. Sabia que tudo isso lhe encantava ao doente de Carrow (os golpes, a dominação) e Neville só lhe estava dando mais prazer ao se resistir ao golpe. Severus não podia fazer nada, tecnicamente nem sequer estava vendo aquilo, mas ele era um espião profissional e todo o castelo estava baixo sua atenta mirada.
—Interessante método. —O barão traspassou a parede e colocou-se ao lado de Severus, quem olhava tudo desde o quarto da o lado. — Isso é uma ereção? —Severus evitou a arqueada de asco ao notar que, efetivamente, Amycus Carrow parecia estar desfrutando a mais a resistência de Neville.
—Onde está Peeves? —perguntou. Estava farto, não queria seguir vendo isso.
—Em algum lugar da torre de astronomia. —O barão olhava o quadro com curiosidade.
—Vá por ele. Quero que lhe faça algum escândalo a Amycus. O quanto antes melhor, Barão. —O fantasma negou e saiu do despacho de Severus.
Aos poucos segundos, Peeves apareceu no despacho de Amycus e golpeou lhe com um livro. Depois lhe pateou e revolveu todos seus papéis. Carrow pôs-se histérico. Ordenou a Neville que se marchasse ante a impossibilidade de controlar ao poltergeist.
Severus teve uns segundos de sã diversão vendo as tentativas de Amycus para expulsar a Peeves. Deixou o quarto para marchar a sua habitação. Sentia-se esgotado e mareado. Estava enojado em muitos sentidos.
—Esta maldita guerra vai voltar-me louco. Há a cada desquiciado e perturbado que dá medo. —Severus levitou uma garrafa de whisky de fogo, serviu-se uma boa quantidade e bebeu pausadamente. Desafortunadamente estava seguro de que essa não seria a última vez que teria que intervir para salvar a Longbottom ou a qualquer outro membro desse estúpido exército da luz.
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Neville caminhou uns quantos passos pelo corredor e depois derrubou-se sobre uma das paredes. Cuspiu o sangue que lhe enchia a boca e comprovou se ainda tinha a dentadura completa. Estava moído. Amycus Carrow tinha-o tomado como saco de treinamento. Moveu de um lado a outro a mandíbula e se estremeceu quando a escutou se acomodar.
—Merda. —Tentou não chorar de dor. Precisava uns segundos para acalmar-se de modo que respirou pausadamente e depois caminhou a passo lento para a Sala Precisa. Essa noite tinham uma reunião e não podia faltar. Queria demonstrar que, pese a tudo, era importante seguir lutando.
A sala abriu-se de par em par assim que chegou ali. Adentro já lhe esperavam muitos dos garotos. Quando o viram, a maioria se surpreenderam por seu estado. Luna acercou-se a revisar lhe os golpes. Neville sentiu-se um pouco incomodo, mas não a apartou.
—Neville, precisamos pó de runespoor para aliviar estes golpes. —Neville negou de imediato.
—Não, agora não. Primeiro tenho que falar com os demais, Luna. —Caminhou tentado evitar a cara de dor apesar de que se estava morrendo. — Dá-me gosto ver que estamos todos. Os murais têm tido sucesso. Agradeço-lhes que sigam aqui e que ainda confiem na ideia de libertar ao mundo do perigo que significa Voldemort.
—Sabe algo de Harry? —Neville entendia a inquietude de todos, mas tinha que lhes deixar em claro que, com ou sem Harry, a guerra teria que continuar até que o mago escuro desaparecesse.
—Não. O único que sei é que Harry segue vivo fazendo sua parte. E nós também temos que fazer a nossa sem nos importar o que passe ou deixe de passar. —Respirou profundamente. — A quem lhe toca manhã? —Dean e Seamus levantaram as mãos. — A professora McGonagall tem guarda. Não acho que tenham muito problema mas, mesmo assim, se cuidem. À gralha gosta de passear tarde pelos corredores. —Os garotos assentiram. — Acho que por esta noite é tudo. Obrigado por vir.
Neville esperou vendo-lhes sair de um a um. Algumas caras eram longas, mas a maioria parecia desfrutar de estar fazendo algo para combater os comensais. Quando por fim ficou só, fechou os olhos e se permitiu um som lastimoso de pura dor.
—Agora sim que podemos falar dos pó de runespoor. —Neville abriu os olhos e encontrou-se com o rosto sonhador de Luna bem perto do seu.
—Não acho que seja boa ideia… —A porta da Sala Precisa se abriu inesperadamente.
—Não pode ser, Longbottom. Sempre que venho por aqui tem que estar de galã. Em que se transformou isto? Terá que informar a Potter de que o lugar de reunião de seu flamante exército se converteu em um bordel. —Neville não estava de humor para tratar com essas tolices.
—Sabe, Malfoy? Ultimamente tenho aprendido muito sobre os muggles, sobretudo sua forma de usar os punhos. —Draco caminhou pela sala com um sorriso sarcástico nos lábios.
—Essas ameaças colam mais em Potter. Ele tem esse tipo de atrativo. E a ti te falta, meu querido Casanova de meio cabelo. —Draco levantou a varinha para Neville. — Episkey —O lábio de Neville sentiu o frio do feitiço e depois um ardor. Tocou-se e deu-se conta de que já não sangrava.
—Luna, pode deixar-nos sozinhos, faz favor? —Luna olhou a Neville e depois a Draco com verdadeiro receio. Não disse nada e abandonou a sala sem estar muito conforme. — Onde estava? Tem faltado a duas reuniões.
—Comove-me que o notasse, Longbottom. —Draco via-se cansado. — Pois nada, que enquanto você estava aqui jogando às casitas com a lunática de Lovegood eu estava no que antes era minha casa desfrutando a vista em um tipo revolcando-se em seu imundícia. É interessante como Voldemort consegue ter tanto talento para a tortura.
—Lamento que seja assim, Malfoy. —Draco mudou o semblante zombador por um sério. Deu-lhe um assentimento e estava a ponto de sair quando Neville o deteve. Quando Draco se girou viu que Longbottom lhe tendia a mão. — Quero ser seu amigo, Malfoy. —Draco levantou uma sobrancelha.
—Isto é o que perde aos Gryffindor. —Draco suspirou exasperado. — Amigos? Para que quer que seja seu amigo? Somos aliados, Longbottom. Isso é suficiente, porque é o importante. Potter entendeu-o e por isso estamos aqui.
—Não me importo o que Harry tenha entendido e também não me interessa o que vocês sejam. Eu quero ser seu amigo. Se vamos estar no meio disso quero que as pessoas que estejam cuidando minhas costas sejam mais que meus aliados. —Draco permitiu-se soltar uma gargalhada.
—Já. E acha que por ser amigos não te vou trair? Que lógica tão tonta têm vocês. Não importa que tão amigos sejamos, sempre existirá a possibilidade de lhe pôr preço a sua cabeça. Grava-te, Longbottom.
—E se dissesse-te que acho que a ti te faz falta um amigo?
—Te diria que te fosses à merda. Não preciso nada. Bom, sim, preciso que Potter lhe corte a cabeça a Voldemort para que eu possa respirar tranquilo em minha própria casa.
—Está passando mau, Malfoy. Não gostaria de poder contar com alguém para falar? —Neville estava-o tentando e Draco até verdadeiro ponto agradecia-lhe.
—Falá-lo não vai solucionar nada. Se precisa histórias para dormir deveria de pedir-lhe à lunática. —O rosto de Longbottom se ensombreceu. Draco viu sua mão tremer um pouco, mas não a retirou. — Pensei que isso seria suficiente, Longbottom.
—Tenho aprendido a ter mais paciência com os Slytherin. Alguém me disse que nessa Casa se podiam encontrar amigos para toda a vida. Só quero comprovar se isso é verdadeiro. —Draco sabia que Longbottom não aceitaria um não por resposta. Apanhou lhe a mão para dar-lhe um forte apeto. — Sei que acha que isto não é importante, mas aqui vai ter a um amigo, a alguém para quem será algo mais que um aliado, inclusive após a guerra.
—O que diga, Longbottom.
Draco abandonou a sala sentindo-se algo mais ligeiro. Não queria pensar que se devia às palavras de Longbottom. Ele não precisava a ninguém.
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Girou-se na cama. Sabia que estava caindo na bruma do sonho e não queria se deixar levar; era perigoso além de aterrador. No entanto, seu corpo sentia-se tão cansado que não podia seguir lutando. Girou-se uma vez mais e gemeu ao sentir um corpo solido a seu lado. Abriu os olhos inesperadamente e olhou o corpo de Draco mal alumiado. Harry lançou-se sobre ele para beija-lo com fome. Deixou as mãos percorrer o corpo, marcou-o com as unhas e enterrou os dedos na morna pele até deixar-lhe impressões. Draco respondia-lhe e deixava-se marcar e beijar sem nenhum pudor. Harry colocou as mãos sobre as nádegas do loiro em um agarre possesivo. Quando notou os músculos tensarse deu um par de tapas que provocaram uns gemidos quentes por parte do loiro. Harry decidiu que queria que esses gemidos durassem toda a noite. Golpeou uma e outra vez a pele das nádegas. Não se deteve apesar de saber que seguramente já teria lastimado o suficiente a Draco. Levantou-se e colocou a Draco a quatro patas sobre a cama. Olhou sua obra de perto. Depois separou-lhe as nádegas para ver o cu virgem de Draco.
Harry estava duro e não ia esperar mais. Uso o líquido preseminal como único lubrificante e entrou no loiro de uma sozinha investida sem lhe importar o muito que seguramente o tinha machucado. Draco chorava sobre as cobertas e lhe suplicava que fosse mais lento, mas a Harry isso só lhe acendia. Lhe fodeu sem deter-se, rindo-se de seus suplicas. Harry só queria lhe possuir, se correr dentro desse cu virgem tão estreito e que tomava seu pênis com tanta cobiça. Começou a chamar-lhe puta. Sim, Draco era sua puta e o tomaria sempre, todas as vezes que quisesse e como quisesse. Essa noite não pararia até que seu leite se derramasse por entre as fortes pernas de Draco. Começou a dar-lhe fortíssimas tapas maltratando ainda mais a pele de Draco, que já estava vermelha e com alguns hematomas. Correu-se no mais profundo do cu de Draco. Toda a tensão do corpo lhe abandonou durante esses segundos. Saiu dele e rodou sobre a cama enquanto esperava que sua respiração se acalmasse.
Girou-se para olhar a Draco, que ainda estava sobre suas mãos e joelhos e com o rosto afundado nas cobertas. Harry sentiu-se um pouco mau por ele. Quis passar-lhe a mão pelas costas, mas não o conseguiu; a pele de Draco parecia queimar lhe. O corpo de Draco retorceu-se e elevou-se no ar. Os olhos voltaram-lhe brancos e jogou a cabeça para trás enquanto das costas nasciam-lhe umas enormes asas de dragão. Draco Malfoy tinha-se transformado em um imenso dragão branco que destruía tudo a seu passo. Harry não pôde apanhar sua varinha a tempo e o fogo do dragão lhe impactou. Sentiu que a pele lhe começava a arder. Gritou de dor. Pouco a pouco a pele foi-lhe caindo a pedaços calcinada pelo fogo.
—Nãoooo! —Acordou-se inesperadamente, respirando entrecortado. Revisou-se de imediato. Estava inteiro, estava na campana e não tinha nenhum dragão à vista. Hermione olhava-o aterrorizada. Harry apanhou a roupa e colocou-lhe para sair da casa e tentar acalmar-se com o frio da noite. — Estou-me voltando louco.
Caminhou sem um rumo pelo bosque. Ainda podia sentir na pele o calor e a sensação de ser queimado vivo.
De repente, entre os arvores viu uma cerva e quase põe-se a rir histérico. Snape, sempre chega quando acho que já não posso mais, pensou. Seguiu ao patronus até que lhe mostrou a espada dentro do estanque. Harry rompeu o gelo e despiu-se sem pensar no inverno nem no perigo. Uma parte dele só queria afundar na água congelada para esquecer seu pesadelo. Nadou até chegar à espada, tomou com força a empunhadura e tentou nadar de regresso, mas tinha os braços e as pernas demasiado entumecidos. Era-lhe impossível regressar; seu corpo não respondia. Atingiu a ver a tênue luz sobre ele e redobrou seus esforços, mas não conseguiu chegar bem longe. Estava a ponto de soltar a espada e dar-se por vencido quando sentiu uma mão sobre a sua e uma força que o puxava para acima. Quando chegou à superfície estava quase congelado. Piscou um par de vezes para enfocar a Ron, que também estava molhado e tentando acalmar sua respiração.
—Há formas mais bonitas de suicidar-se. —lhe espetou sufocado. — Que demônios fazia dentro desse fodido estanque? Tens complexo de urso? —Harry arrojou-lhe como pôde a espada. — É a espada de Gryffindor. Com…?
—Sn… —Harry engoliu enquanto vestia-se de novo. — Snape. É para destruir o medalhão. Agora poderemos o fazer. —Harry deu um passe de varinha para secar-se e depois fazer sobre Ron. — Vamos. —Caminharam até encontrar uma árvore onde colocaram o medalhão. —. Vou abri-lo e você terá que o destruir. —Ron olhou-lhe.
—Eu? Melhor fazemo-lo ao revés. —Harry levantou uma sobrancelha. — Vale, vale, já o entendi, tio. —Ron apanhou a empunhadura da espada. — Venha, estou pronto.
Harry abriu o medalhão e uma bruma de escuridão envolveu lhes. Ron estava vendo seu medo mais profundo. Desta vez não era Hermione lhe preferindo a ele sobre Ron, desta vez o medo mais profundo de seu amigo era perder a guerra, era ver a Harry perdendo a razão, era ver a toda sua família morta.
—Fá-lo, Ron! Nada do que vê é real! —Ron pareceu recobrar as forças, fincou a espada no medalhão e destruiu-o. Harry pôde perceber a dor de Voldemort, mas de imediato fechou sua mente para evitar a conexão.
—Está bem, amigo? —Harry assentiu. — Um menos, colega. Um menos.
Harry engoliu saliva. Esperava que a escuridão se tivesse ido junto com o pedaço de alma de Voldemort ainda que, no fundo, se sentia consumido por algo pior.
Nota tradutor:
Mas um capitulo pronto pra vocês
Espero quem gostem
Ate breve
Fui…
