Capítulo 9

Foi no aniversário de Draco, que Gina contou-lhe a novidade: estava grávida novamente.

- É Draco, estou grávida novamente.

- É maravilhoso Gina! Outro filho ou filha. – Draco disse jogando-se na poltrona do quarto

- Draco, eu sei. É maravilhoso estar gerando outro fruto do nosso amor. – Gina concordou, fez uma pausa e continuou – Querido, isso quer dizer que teremos que comprar uma casa. O apartamento é pequeno para mais uma criança, não dá para criarmos três crianças nesse apartamento. – Gina parou novamente, olhou para Draco – Você tá me ouvindo?

- Se for menino será Benjamin mesmo? E se for menina será Catharine? – Draco perguntou

- Draco! Você não prestou atenção em uma palavra sequer que eu disse! – Gina repreendeu-o; Draco puxou Gina pelo braço, colocando-a em seu colo

- Querida, eu não precisei ouvir. Você com certeza falou de uma casa maior, você vem me atormentando com esse assunto há meses.

- Agora tenho um motivo concreto – Gina disse colocando os braços em volta do pescoço do marido

- Ai Gi! Será que vai vir mais um Weasley ou mais um Malfoy? – Draco perguntou acariciando a barriga pouco saliente de Gina

- Vai nascer mais um Weasley Malfoy! – Gina respondeu

- Quanto tempo tem?

- Três meses. – Gina respondeu – Em maio nasce.

- Que belo presente de aniversário, hein?

Quando Draco ia beijar Gina, Alexander e Rebeca entraram no quarto correndo chamando pelos dois; Gina abriu um sorrindo ao ver a cara insatisfeita de Draco quando os pequenos entraram. Alex e Bec subiram no colo dos pais e fizeram uma pequena festinha com os dois.

- Seu pestinha! – Draco disse para Alexander que agarrou o pescoço do pai

- Papai! – Alexander disse dando um beijo na bochecha do pai; Draco sorriu com o carinho e, logo depois Rebeca também se agarrou ao pescoço do pai

- E depois diz que não é um pai coruja! – Gina disse sentando Alexander em suas pernas e, Draco colocou Rebeca em torno do seu pescoço

Gina continuou trabalhando nos meses seguintes; Draco, Amy e Colin (esqueci de mencionar que ele também se tornou curandeiro) faziam de tudo para que Gina entrasse de licença, mas ela mantinha-se trabalhando.

- Eu estou grávida. E não inválida! – Gina retrucava toda vez que algum deles tocavam no assunto

Foi no oitavo mês de gestação de Gina, que Draco recebeu uma, ou melhor, duas visitas inesperadas em seu escritório.

- Sr. Malfoy, a Sra Crabbe está querendo falar com o senhor. – Marie Ann disse com apenas o rosto pra dentro da sala de Draco

- Pansy? – Draco perguntou para si mesmo – Diga que estou ocupado.

- Eu sei que não está. – Pansy disse entrando na sala, empurrando a secretária para um lado

- O que você quer? – Draco perguntou com pouco caso

- Ter uma conversa com você. – respondeu Pansy sentando-se na cadeira à frente da mesa de Draco

- Eu não quero conversar com você.

- Acredite, você quer. – Pansy disse em tom ameaçador... Draco levantou a cabeça subitamente e olhou-a furiosamente

- Sua mulher está grávida, não está? Pois é, você conseguiu esconder de seu pai os outros dois filhos. Mas esse não. – Pansy disse

- E?

- Seu pai quer a qualquer custo não permitir a vinda dessa criatura ao mundo. – Pansy disse

- Não se refira ao meu filho como criatura. – Draco vociferou – Saia daqui! – Pansy levantou-se, mas antes de sair, parou na soleira da porta

- Apenas mais uma pergunta... A vida da criatura ou da sua Weasley?

- Do meu filho e da minha mulher. – Draco respondeu, só então reparando na barriga meio saliente de Pansy – A propósito Pansy, pra quando é o trasgo júnior? – Draco perguntou, Pansy apenas o olhou com nojo e saiu da sala batendo a porta.

A segunda visita foi pior que a primeira, se Pansy já era intragável, Lucius Malfoy era mais... E acreditem, a conversa foi menos civilizada possível.

- O que você quer? – Draco perguntou, já de pé a frente do pai

- Trocar umas poucas palavras com você. – Lucius respondeu com aquela calma maligna de sempre

- Diga. Tenho mais o que fazer. – Draco disse

- Fiquei sabendo que sua mulherzinha está grávida novamente. – Lucius começou – Você conseguiu esconder perfeitamente os dois primeiros de mim, mas esse não. O pequeno Alexander e a pequena Rebeca estão bem? Eu espero que sim, e espero também que você saiba cuidar de crianças, filho.

- O que você quer dizer com isso? – Draco vociferou

- Apenas não quero permitir que nasça mais uma criatura indesejada por mim, e para que mais nenhum nasça, não permitirei a vida de sua querida Weasley. – Lucius disse malignamente

- Como ousas dizer isso? – Draco disse empunhando a varinha na direção de Lucius

- Ousando.

- Saia daqui agora! Eu não pertenço mais a sua vida e você não pertence mais a minha Lucius! – Draco disse, Lucius olhou-o mais ferozmente; era a primeira vez que Draco o chamava pelo nome.

Enquanto isso, no Saint Mungus...

- Tem algum paciente à minha espera ou para ser atendido, Dot? – Gina perguntou para a recepcionista

- Paciente nenhum, Madame Virgínia.

Pansy acabara de entrar na recepção do hospital quando avistou Gina, que estava ao lado do balcão da recepção.

- Como está gorda aquela pobretona! – Pansy disse para si mesma, pegou discretamente no bolso a varinha e a empunhou na direção de Gina; esperou apenas que o sangue-ruim do Creevey saísse da frente e, fez o que fora mandado – Crucio!

- Aaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiii!!! – Gina gritou caindo no chão – Amyyyyyyy!!! Tá doendo!!!

Colin saiu correndo de volta para a recepção acompanhado de Amy, pegou Gina no colo e levou-a para a sala de cirurgia. Amy segurava a mão da amiga que gritava de dor, de repente, Gina começou a sangrar.

- Façam de tudo, mas não me deixem perder meu bebê! – Gina pediu aos prantos, quando sentiu o sangue escorrendo em suas pernas

- Você não irá perder o bebê, Gina. Nós não deixaremos. – Amy prometeu lançando um olhar encorajador para Gina e Colin.

Draco aparatou na recepção do hospital desesperado...

- Onde a Madame Virgínia está? – perguntou desesperado para Dorot, a recepcionista.

- Passou mal, e foi levada para a sala de cirurgia. – Dot respondeu – Quem é o senhor?

- O marido dela. Como ela está?

- Nada bem. – Dot respondeu, Draco passou a mão pelo cabelo nervosamente; fez menção de entrar à procura de Gina, mas Dot o impediu – Será melhor que o senhor espere aqui Sr. Malfoy. Deseja alguma coisa? Um copo d'água ou um café?

- Não quero nada. – Draco respondeu secamente, fingiu dar-se por vencido; mas quando Dot bobeou na recepção, ele entrou no corredor. Ouviu ao longe, um choro de mulher... O choro de Gina.

- Gina, são gêmeos. – Amy disse em tom feliz para a amiga que chorava durante a cesariana

- Um menino e uma menina. – Colin disse, ele não podia ajudar muito, não era sua especialidade; mas estava olhando a saúde dos recém-nascidos.

- Amy, eu quero ver o Draco. – Gina pediu; Amy calmamente deu os pontos na barriga de Gina e, mandou que a levassem para um quarto

- Colin, o que as crianças têm? – Amy perguntou para o amigo, sabia que algo tinha dado errado, pela cara dele

- A menina está perfeita. – Colin respondeu – Mas o menino...

- O que tem o menino? – Amy perguntou aflita

- Nasceu com problema respiratório. É grave. – Colin respondeu, fez uma pausa – Pode até morrer se não for tratado.

Amy e Colin cuidaram das crianças e as levaram para o berçário; Amy saiu à procura de Draco, mas não precisou procurar muito, ele estava retido na recepção.

- Como está Gina? E o bebê? Eles estão bem? – Draco perguntou de uma só vez, os seguranças o seguraram

- Soltem-no. Ele está comigo. – Amy disse – Draco, precisamos conversar.

- Amy, o que houve com minha mulher e meu filho?

- Draco, Gina está ótima, graças a Merlin. – Amy disse quando entraram na sala dos curandeiros - A menininha está bem também, mas o menino não.

- São gêmeos? – Draco perguntou – O que tem o menino?

- Nasceu com problema no sistema respiratório. – Amy disse – Colin está o examinando mais detalhadamente. Vou avisando que ele pode morrer. – Draco ficou paralisado quando ouviu as três últimas palavras de Amy

- Vocês já contaram para a Gina? – Draco perguntou

- Ainda não. Foi tudo muito rápido. As crianças nasceram há apenas vinte minutos. – Amy respondeu, percebeu que Draco apoiara a cabeça numa das mãos – Venha Draco, Gina pediu para vê-lo antes de sair da sala de cirurgia.

Draco a seguiu pelos corredores do hospital, subiram pelo elevador uns três andares; ele não sabia como contaria para Gina que um de seus filhos poderia morrer a qualquer momento. Foi quando se lembrou de Alex e Bec (que estavam na creche do hospital), do momento em que eles nasceram, de como estavam felizes; de como eram para estarem felizes agora com o nascimento dos gêmeos, mas não. Seu pai e Pansy fizeram o que queriam, mas ele não permitiria que o filho morresse. Entrou sozinho no quarto, e encontrou uma Gina tranqüila em seu sono. "Não quero permitir que nasça mais uma criatura indesejada por mim", as palavras de Lucius ecoavam na cabeça de Draco quando ele se sentou na cadeira ao lado da cama de Gina; "ele pode morrer", agora as palavras de Amy ecoavam em sua cabeça. Gina deu um suspiro, abriu os olhos devagar e pegou na mão do marido que estava sobre a cama.

- Draco... Tem muito tempo que você está aqui? – Gina perguntou

- Na verdade, tem pouco tempo que você está dormindo. Eu acabei de chegar. – Draco respondeu forçando um sorriso – Como você se sente?

- Bem. Ainda não vi os gêmeos, você os viu? – Gina perguntou se ajeitando na cama com a ajuda de Draco

- Ainda não. – Draco respondeu, engoliu em seco e continuou – Gi, tem uma coisa que você precisa saber.

- O quê? – Gina perguntou inocentemente; Draco sentou-se ao lado dela na cama e agarrou-lhe a mão – Você está me assustando, Draco. Diga o que é.

- Gina, a nossa filha está bem. Mas o menino nasceu com problema respiratório. – Draco disse de uma vez – Ele pode morrer.