Autora: SouthSideStory
Tradutora: c4ndyx
Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem ao Kishimoto.
In times of Peace [ Em tempos de paz ]
[ Capítulo Nove ]
Naruto convocou tanto Sasuke quanto Sakura à torre do Hokage em uma brilhante manhã de terça-feira, e por um momento, Sakura chegou a achar que ele tinha, de alguma maneira, descoberto que seus colegas de time estavam dormindo juntos. Mas Sakura percebeu que suas preocupações eram infundadas assim que coloca os pés na sala de reunião e vê Ino, Shikamaru, Lee, Kakashi-sensei, Shino, Kurenai, Hanabi e outro jounin. Se Naruto queria confrontá-los não iria convocar uma corte de ninjas de elite de Konoha para testemunhar isso.
"Sobre o que você acha que é?" Ela perguntou para Sasuke.
"Provavelmente sobre o próximo exame chunin. Algo similar á isso aconteceu ano passado um pouco antes de partirmos para Iwa." Ele respondeu e franziu o cenho, as sobrancelhas se juntaram por cima dos olhos e aquela expressão era tão familiar, tão Sasuke, que Sakura sorriu ao ouvir a resposta.
"Porque você não fez parte da comitiva dos exames chunin ano passado?" Ele a perguntou,
"Tsunade não permitia. Ela dizia que eu era médica muito valiosa para ser afastada do hospital por tanto tempo a menos que fosse para uma missão que fosse acontecer um grande derramamento de sangue." Sakura revirou os olhos e se perguntou mais uma vez quando sua Shishou iria retornar para Konoha. "Acho que isso não passou pela cabeça de Naruto, então não o conte. Eu amaria ir para Kiri. Nunca fui até lá antes."
Sasuke deu de ombros e disse, "O País da água não tem nada de especial."
"Você já foi lá?"
Ele afirmou com a cabeça. "Eu viajei muito com o Orochimaru."
"Ah," Ela respondeu. Sakura sempre ficou sem saber como reagir quando algum assunto relacionado ao tempo que ele era um renegado aparecia na conversa.
"Só tem névoa, oceano e alguns shinobis estranhos com cara de peixe." Sasuke sorriu de canto e continuou a falar, "Como Suigetsu."
"Você sente falta deles?" Ela perguntou. "Quero dizer, de seu outro time."
Pelos conhecimentos de Sakura, Sasuke não tinha visto Juugo, Suigetsu ou Karin desde que a guerra havia acabado e ele voltado para Konoha.
"Na verdade não."
Apesar das expressões faciais dele terem permanecidas impassíveis, Sakura suspeitava que ele não estivesse dizendo a verdade. Ela estava aprendendo que existia um mundo de diferença entre as coisas que Sasuke dizia e que Sasuke sentia. Embora ele mantivesse uma fachada sempre fria, ele era, na verdade, um homem que sentia tudo com muita paixão. Podia ser amor ou ódio, luxuria ou ira, Sasuke sentia tudo com muita intensidade, mantendo essas emoções turbulentas em cheque o tempo todo.
Alguns outros jounin se juntaram ao grupo e então Naruto pediu que todos se sentassem para que a cansativa conversa matinal pudesse ser iniciada. A sala se encheu com o barulho das cadeiras de madeira raspando contra o chão enquanto uma dúzia de shinobis encontrava um lugar para se sentar na grande mesa retangular. Sakura sentou-se ao lado de Sasuke e se assegurou que aquilo não fosse chamar atenção. Ele ainda era seu colega de time, apesar de tudo.
Kakashi-Sensei se sentou à direita dela. Sakura não conseguia ver os lábios dele, mas podia dizer pela expressão dos olhos dele que ele estava sorrindo enquanto a olhava.
"Ouvi dizer que seus genins são tão complicados quanto os meus costumavam ser." Ele disse.
"Muito engraçado. E não, na verdade não." Seus alunos não tinham lhe dado nem metade da tristeza que o Time 7 havia dado à Kakashi. "Izumi é difícil de lidar, Saito é egocêntrico e Hachiro precisa de um pouco de atenção extra, mas ele irá se tornar um grande shinobi um dia."
"Parece bem familiar," Kakashi disse. "É uma pena que—"
O que exatamente era uma pena, Sakura não teve tempo de descobrir, porque Naruto gritou dentro da sala, "Ei! Todo mundo, prestem atenção em mim!"
Sasuke se inclinou e disse a ela, "Acho que algumas coisas nunca mudam."
Sakura tossiu por cima da risada tentando abafa-la e olhou para seu amigo. Naruto se sentou na ponta da mesa e continuou com sua fala, "Vocês provavelmente estão se perguntando porque estão aqui—"
"Na verdade não," Ino disse por entre um bocejo. "Os exames Chunin, certo?"
"Bom, sim, mas—"
O que quer que ele tentava dizer ficou abafado pelo som das conversas paralelas na sala. Kurenai ria de algo que Shikamaru havia lhe contado, Anko flertava com um homem sentado ao lado dela e Ino e Hanabi tinham começado a fofocar. Naruto ficou vermelho de raiva. Ele era o novo Hokage, o mais novo que Konoha já tivera, e tinha uma postura bem informal, por assim dizer. Algum tempo seria necessário para que ele estabelecesse sua autoridade, Sakura sabia disso, mas tudo que ela conseguia ver no momento era seu amigo com vinte anos de idade sendo ignorado mais uma vez pelas pessoas que ele desesperadamente queria o respeito.
"Ei!" Sakura gritou na sala. "Calem a boca! O Hokage está falando."
A sala ficou quieta e Naruto sorriu. "Obrigado, Sakura-Chan. Como eu ia dizendo, o exame chunin acontecerá em dez dias e eu escolhi vocês para me escoltarem até Kiri. Tecnicamente, vocês serão os meus guardas, mas são os genins que realmente precisam de proteção..."
/
Eles estavam na cama juntos quando Sasuke disse, "Eu acho que seria melhor não nos vermos enquanto estivermos em Kiri."
Sakura rolou na cama ficando por cima dos cotovelos e franziu a testa olhando para ele. "Porque não?"
Não havia duvidas que a administração do Mizukage fosse providenciar para todos os shinobis de Konoha instalações na mesma estalagem, assim como os assessores do Tsuchikage tinham feito no ano passado em Iwa. Ninjas ou não, seria complicado ficar indo escondido para os quartos um do outro com os todos ao redor. E isso foi o que Sasuke disse a Sakura como explicação, mas aquele raciocínio pareceu bem menos eficiente do que ele imaginou enquanto dizia em voz alta. Talvez pela própria falta de convicção que ele tinha.
"Você tem certeza? Nós vamos ficar em Kiri por semanas." Sakura corria os dedos para cima e para baixo sob o peito dele. Um pequena sedução— quer ela tenha tido tal intenção ou não—.
O toque dela permanecia por cima do coração dele até que ela ouviu a responda de Sasuke, "Sim, tenho certeza." Foi então que ela puxou a mão de volta para si.
"Você realmente se importa tanto com o que as pessoas iriam pensar?" o tom de Sakura era paciente e cuidadoso, como se aquela pergunta fosse muito complicada de ser feita.
"Não. Mas isso é algo entre nós e eu quero manter desse jeito."
"Tudo bem." Ela disse, mas era óbvio que Sakura não tinha ficado satisfeita com a resposta que ele lhe deu.
Eles passaram mais tempo juntos do que o habitual nos dias que antecederam os exames Chunin. As frequentes visitas noturnas no apartamento um do outro se tornaram diárias. E quando ele rejeitou uma curta missão Rank-A até a vila do som, Sasuke disse a si mesmo que estava cansado. Se ele nunca mais visse aquele lugar outra vez ainda seria cedo demais, e ele não queria perder o inicio do exame chunin caso essa missão até o som se tornasse muito longa.
Uma noite antes dos ninjas de Konoha partirem para Kiri, Sasuke foi até o apartamento de Sakura. Assim que ele entrou na sala, ela o empurrou contra a porta da frente e o beijou. Ela tinha um gosto quente que o lembrava de chá de canela. Sakura deslizou as mãos por baixo da camisa dele e o tocou nos músculos do abdômen com uma autoridade possessiva. E com apenas esses movimentos dela, ele já a desejava intensamente.
Eles não chegaram até a cama, eles mal chegaram até o sofá da sala, onde ele a pressionou contra as almofadas azuis desbotadas. Ele arrancou a roupa dela e ela arrancou a roupa dele até que a calça de Sasuke estivesse no chão e a lingerie de Sakura torcida por entre os dedos de Sasuke. Quando ele não estava prestando atenção na mulher por baixo dele—os olhos verdes dela ficavam com uma coloração mais escura enquanto ela era tomada por desejo, uma mudança sutil que só ele poderia notar— Sasuke olhava para a peça que tinha nas mãos, uma calcinha de algodão listrada de rosa claro e branco.
Depois de fazer amor ambos permaneceram ali deitados com os corpos ainda unidos. Sakura sussurrou, "Vou sentir sua falta."
Ele podia dizer a mesma coisa pra ela, e seria verdade, mas Sasuke não disse nada.
Na manha seguinte eles saíram separados mesmo que estivessem indo para o mesmo lugar. Ele deu um tempo em casa e acabou aparecendo nos portões da vila cinco minutos depois que ela. Quando chegou Sakura estava dando risada ao lado de Ino, ela parecia tão jovem quando sorria que o lembrava da garota de sua adolescência. Ao olha-la de relance, ela quase parecia doce demais para ser uma kunoichi—uma ilusão que de dissipava ao vê-la no campo de batalha. Sakura sempre foi um poço de contradições, uma médica com força monstruosa, uma especialista em quebrar ossos tanto quanto uma especialista em remenda-los. Gentil em um momento e feroz no próximo. Uma mulher calma até que algo desperte seu temperamento impulsivo.
Ela colocou uma mecha do cabelo rosado atrás da orelha, olhou para outro lugar que não fosse Ino e acabou cruzando com o olhar de Sasuke. O sorrido de Sakura desvaneceu de brilhante para suave, do publico para o privado. Para um sorriso que era só para ele, para quando eles estavam na companhia um do outro.
O Hokage, trinta jounins e um bando de genins de Konoha, tão jovens quanto nervosos, deixaram a vila com o alvorecer no horizonte.
Levou quase o dia todo para que eles chegassem ao porto da cidade de Shizugata, onde um capitão peludo levou o grupo de shinobis para dentro do navio. O Ryujo saiu no final da tarde, enquanto o sol ainda permanecia no alto, mas já se encaminhava para o oeste. A chegava deles estava planejada para acontecer no País da água no dia seguinte durante a noite.
Sasuke não gostava de barcos, ele descobriu isso alguns anos atrás durante suas viagens com Orochimaru, e aquilo era verdade tanto em seus quatorze anos quanto agora. O interminável azul profundo do oceano não despertava nenhum sentimento, ele odiava quartos apertados e não suportava a forçada interação entre os passageiros que ocorria no deck. Pelo menos ele não ficava enjoado como Hanabi, que passou sua primeira noite no Ryujo esvaziando o estômago.
Sasuke encontrou Naruto na proa do navio de pé sobre o parapeito de uma forma que provavelmente não era nem um pouco segura. Ele estava sorrindo e apontando para o pelicano que voava por cima do barco. "Ei! Sasuke" Ele gritou, "Você tá vendo aquele pássaro? Ele pegou um peixe da água com a boca."
Sasuke agarrou Naruto pela parte de trás da jaqueta e o trouxe de volta para o deck, "Não transforme a Hinata numa viúva caindo do barco, dobe."
Naruto deu risada e disse, "Você está preocupado com a minha segurança, Sasuke?"
"Nós colocaríamos Konoha numa posição embaraçosa se nosso Hokage se afogasse caindo de um navio"
"Certo," Naruto respondeu ainda sorrindo. "Quer treinar?"
"E destruir o navio?" Sasuke perguntou. "Eu não acho que o capitão iria gostar disso."
"Nós podemos treinar na água. Seria igual ao Vale do Fim, exceto que dessa vez eu iria vencer e você não iria pra lugar nenhum."
Era uma ideia estúpida e precipitada, como geralmente os planos de Naruto eram. Eles teriam de correr atrás do barco no escuro quando terminassem o treino, e caso algum deles se machucassem em alto mar ninguém estaria lá para cura-los.
Mas Sasuke não conseguia recusar uma proposta de Naruto para uma luta, então ele suspirou e disse, "Tudo bem, vamos."
Ele levou chakra até a sola dos pés—uma técnica tão simples que ele se perguntou como aquela ação o tinha dado tanto trabalho um dia—e saltou para o mar. Sasuke caiu na superfície da água bem ao lado do navio, deu um impulso e ficou longe o suficiente do casco, se dirigiu até a popa e seguiu em frente até o amplo espaço aberto atrás do Ryujo. Naruto o seguiu e em seguida ambos já se encontravam prontos, parados um de frente para o outro sem nada entre eles além das azuis ondas do mar sob seus pés.
Sasuke desembainhou sua katana e correu na direção de Naruto, que puxou uma kunai. O barulho de aço conta aço preencheu o ar assim que eles se encontraram, se separaram, e se encontraram mais uma vez. Ele era melhor com as ferramentas ninja que Naruto, sempre tinha sido, e em minutos Sasuke tinha o grande Hokage de Konoha sendo empurrado para trás e fazendo o possível para se manter de pé.
Naruto soltou alguns grunhidos, embolsou suas kunais, e rapidamente executou os selos para o jutsu de clones das sombras. Uma dúzia de Narutos idênticos bombardearam Sasuke de todos os lados e ele teve que despertar seu Sharingan para manter o controle de todos eles. De repente, o mundo estava vivo, com novas cores e nova profundidade, agora ele enxergava até onde alguns momentos atrás não conseguia. Sasuke cortou um clone, chutou outro, cotovelou um terceiro e os doppelgangers desapareceram em baforadas de fumaça. Sasuke lutou com mais deles, mas eles continuam aparecendo de todos os lados. Ele saltou para longe e fez o jutsu de assinatura de seu clã, soltando uma grande bola de fogo pela boca. Os clones queimaram sob as chamas e vapor subiu da superfície do mar. O verdadeiro Naruto se esquivou do ataque.
Se essa fosse uma batalha verdadeira, Sasuke iria enfiar sua espada junto a um chidori em seu inimigo e executá-lo. Mas este era apenas um treino, e ele e Naruto estabeleceram regras básicas para suas lutas anos atrás. Sasuke não iria usar o chidori ou quaisquer poderes oculares além de seu Sharingan básico e Naruto iria evitar senjutsu, o rasengan e qualquer uma de suas habilidades como um Jinchuriki.
Agora eles começaram a lutar taijutsu. Naruto acertou um chute certeiro no estômago de Sasuke e ele caiu para trás sem fôlego. Este se obrigou a levantar e ignorar a dor contundente em seu abdômen. Sasuke ainda era mais rápido que Naruto e tinha a vantagem do Sharingan, ele avançou para frente e pressionou Naruto, sobrecarregando seu amigo de chutes e socos.
Sasuke atacou com confiança em seu movimento e ele sabia que dessa vez iria ganhar.
/
Sakura estava sentada no deck curtindo a brisa perfumada de sal e trançando o cabelo longo e loiro de Ino quando escutou o inconfundível som de Naruto e Sasuke gritando enquanto quebravam tudo ao seu redor. O navio balançou por causa da água turbulenta e ela teve de se agarrar no corrimão para não cair.
"O que diabos foi isso?" Ino perguntou.
"Idiotas," Sakura disse. Ela se levantou e olhou para o oceano. Seus colegas de time estavam, talvez, uns dez metros da popa, correndo na direção um do outro por cima da água.
Kakashi se aproximou dela sem pressa, como sempre, com as mãos nos bolsos. "O que você acha, Sakura? Deveríamos acabar com isso ou não?"
Ela levou os olhos até seu sensei. Algumas linhas começavam a aparecer na pele ao lado dos olhos dele e ela imaginou se existiam outros sinais da idade escondidos por trás daquela mascara. Ele permaneceu calmo como sempre, mas Sakura tinha certeza que ele veria estar tão cansado de ficar correndo atrás de Naruto e Sasuke quanto ela.
"Eles se resolvem." disse Sakura.
O barco continuou seu caminho e ela observou a distancia entre ela e seus colegas ficar cada vez maior, deixando os homens—não, os garotos—para trás.
Ela não viu a sombra deles de novo até o sol se pôr. Sakura foi para seus aposentos cedo, cansada do longo dia de viagem. Sua pequena cabine tinha duas camas, mas a segunda permanecia vazia; Ino era sua colega de quarto, mas a amiga preferia dormir com Shikamaru.
Sakura já tinha colocado seu pijama quando ouviu a porta se abrir. Somente uma única pessoa seria corajosa o suficiente para entrar em seu quarto sem se importar em bater na porta e ela reconheceu o familiar som dos passos dele.
Sasuke.
"Você pode me curar?" Ele perguntou.
Antes que ela pudesse responder, ele fechou a porta e tirou a camisa e sentou-se na ponta da cama dela assumindo que ela não iria se negar.
"Eu não deveria." Sakura o repreendeu, ela colocou as mãos na cintura tentando mantê-las longe dos ferimentos frescos ao longo do torso dele. "Você merece cada machucado que tem."
"Hn." Sasuke a olhou pouco impressionado.
Ela suspirou e arregaçou as mangas do pijama. Sakura não conseguia recusar um paciente e não importava o quanto ela estava chateada com ele, ela nunca se recusaria a ajudar Sasuke. Então ela ficou de frente para ele, focou o chakra nas mãos e as colocou por cima das contusões no peito e abdômen. Ela procurou por costelas quebradas ou sangramento interno e não encontrou nada, nem mesmo uma pequena fratura. As contusões não eram profundas, o dano estava limitado apenas a pele, não chegava perto dos ossos ou dos músculos. Aquelas feridas eram realmente leves para uma batalha com Naruto.
"Você ganhou, não foi?" Sakura perguntou.
Os lábios de Sasuke se curvaram em um pequeno sorrido, "Sim."
Só levou alguns minutos para cura-lo e Sakura ficou surpresa por ele ter vindo até ela por ferimentos tão leves.
"Pronto, novo em folha."
"Obrigado," ele disse.
Essas palavras inevitavelmente a lembravam da noite que ele deixou Konoha, mas em vez de ficar zangada ou ressentida, tudo que Sakura sentiu foi certo contentamento. Sasuke raramente mostrava gratidão e ela era uma das poucas pessoas para as quais ele expressava esse sentimento.
"Não foi nada."
Ele se levantou e seus corpos ficaram tão perto que se fosse alguém além de Sasuke, ela sentiria a necessidade de dar um passo para trás e se afastar, mas ela não se mexeu e ele colocou as mãos na cintura dela a puxando contra ele.
"Ino pode voltar a qualquer momento." Ela disse,
Aquilo era muito improvável e Sasuke sabia disso. Ele trilhou seus beijos pelo rosto dela, queixo, pescoço, boca. Mordeu delicadamente a pele sensível por cima da garganta e começou a desabotoar o pijama dela.
"Eu pensei—" Sakura respirou fundo quando ele abriu sua camisa o suficiente para massagear seus seios. "Eu achei que não iríamos nos ver enquanto estivéssemos em Kiri."
Sasuke a pegou no colo, levantando-a em seus braços com facilidade e colocando-a no colchão sem a menor cerimônia. Ele tirou os sapatos, calça e cueca. Nu, esbelto e forte, ele se juntou a ela na pequena cama da cabine. Sakura não pode deixar de tocá-lo, ela não conseguiu evitar desejar aquele homem.
Sasuke a beijou e disse, "Nós ainda não estamos em Kiri."
Eles não dormiram muito naquela noite.
Sasuke saiu sorrateiramente da cabine dela antes do sol nascer e Sakura passou a maior parte do resto da viagem para o país da água na cama descansando. O Ryujo chegou nas docas ás sete horas e em seguida os shinobis de Konoha partiram para Kiri.
A viagem do litoral até a Vila Oculta foi curta e quando eles chegaram lá um dos assessores do Mizukage, um homem de cabelo verde chamado Noburu, os cumprimentou no portão da vila. Ele parecia ser metade um assistente atormentado, metade tubarão. Sakura se perguntou o que exatamente eles faziam para que o povo em Kiri tivesse essa aparência tão peculiar. A noite já havia caído a um tempo, e entre a escuridão e a sempre presente névoa, ela pouco conseguia ver da aldeia em que estava. Prédios com colunas de pedra, vegetação verde, shinobis e civis andando pelas ruas. O ar era úmido e frio, e Sakura não gostava nem um pouco daquela umidade toda contra sua pele, ela preferia o tempo em Konoha, ou até mesmo o calor árido de Suna.
Noburu os guiou através do coração da vila para um ryokan. A grande e tradicional pousada lembrava Sakura do minshuku que ela Sasuke compartilharam aquela noite em Kyobetsu. Ela se perguntou se Sasuke também estava se lembrando de sua última missão junto a ela: a chuva batendo na janela, aquela pequena cama apertada, o pesadelo. Ela não conseguiu evitar voltar a pensar sobre o que foi aquele pesadelo, quase tudo na vida de Sasuke o atormentava e ela não tinha ideia quais foram os demônios que bateram na porta dele aquela noite em Koybetsu.
É claro que desde então houve outras noites, outros pesadelos. Sakura sempre acordava Sasuke de qualquer que fosse o terror que ele estava passando em seus sonhos. O abraçava, o beijava, o prometia que tudo tinha passado e que nada era real até que ele se acalmasse. Eles nunca conversavam sobre isso nas manhãs seguintes, assim como eles nunca discutiam sobre o relacionamento deles.
Após terminar de desfazer a mala, Sakura preparou a água quente do ofurô, se despiu e entrou na banheira de madeira, ela observava o vapor subir pela superfície da água quente e se permitiu relaxar enquanto pensava em Sasuke. O quarto dele estava dois andares abaixo do dela, tão longe que ela não ia conseguir inventar uma boa desculpa nem mesmo para visitar o corredor dele, talvez ela pudesse convencê-lo a mudar de ideia, a visita-la durante a noite como ele tinha feito no Ryujo.
Sakura ainda não acreditava que ele tinha feito isso, ela tinha certeza que ele só havia ido até ela para curar suas feridas pós treino, mas ele era ligeiro e uma inocente visita se tornou uma noite de amor dentro de sua cabine. Independente de suas reais intenções, aquilo foi arriscado e irresponsável, completamente diferente de Sasuke, e ela não sabia quais conclusões tirar disso tudo.
/
Genins de todas as vilas ocultas concorrentes foram levados por examinadores de Kiri para que ficassem isolados e fizessem seus testes na manhã seguinte. A natureza das avaliações era mantida em segredo para que nenhum jounin encarregado de algum time tivesse como passar as informações corretas para seus genins antes da prova. Desonestidade e fraude sempre fizeram parte de qualquer avaliação ninja. Sasuke tinha certeza que Sakura havia sido a única que passou no teste escrito sem trapacear quando eles fizeram o exame juntos muitos anos atrás. Ele duvidava que as coisas fossem muito diferentes aqui, não importava quais precauções os examinadores tivessem tomado para que os jovens não trapaceassem.
O primeiro dia dos exames deixou os encarregados da escolta do Hokage com pouco a ser feito com relação aos assuntos oficiais, então todos se separaram para explorar a vila da névoa. Sasuke se juntou ao Time 7 no tour por Kiri, Naruto andava com passos rápidos á frente do grupo, apontando para pontos turísticos e parando em inúmeros shoppings que vendiam bugigangas, enquanto isso ele andava atrás de todos ouvindo Sakura e Kakashi discutir as chances que os alunos dela tinham nos exames desse ano.
"Izumi tem a melhor chance de se tornar chunin," ela disse, "Ela está bem na frente dos garotos em termos de ninjutsu e taijutsu. Além disso, o temperamento de Hachiro pode muito bem revelar o melhor dele na hora da batalha, mas você sabe que é muito difícil ninjas médicos como Saito conseguirem passar em um exame desse."
Kakashi balançou a cabeça e disse, "Ela ainda vai ter muito mais problemas pela frente que os garotos. Os examinadores pegam mais pesado com meninas. Existem vários desses velhos shinobis que pensam que mulheres não tem lugar no campo de batalha."
"E você acha que eu não sei isso?" Sakura perguntou, "Eu sou mulher E uma ninja médica. Eu entendo o quão difícil isso é, mas Izumki é aquela uma em uma dúzia de genins que realmente tem a habilidade necessária para passar no exame chunin logo de primeira."
Kakashi deu de ombros e falou, "Nunca subestime o poder da ignorância. Se ela for promovida eu ficarei surpreso."
"Você sempre fica surpreso quando alguém é promovido." Sasuke disse.
Kakashi soltou uma risada sincera. "Isso é verdade. Honestamente, essas crianças são muito novas, muito inocentes. Eu não passaria nenhum deles."
Sakura sorriu para Kakashi e disse, "Se nós fizéssemos do seu jeito, nós três seriamos eternamente genins."
"Bom, Sasuke e Naruto estavam no caminho, dezessete é uma ótima idade para ser promovido a chunin—"
"Ei!" Naruto gritou. "Eu estava meio ocupado tendo aulas com um velho pervertido e salvando a merda do mundo! Não deu pra fazer os exames no tempo certo."
"Sim, e Sasuke estava se tornando um criminoso internacional." Kakashi completou, "Sei disso."
Sakura e Naruto olharam para Sasuke, obviamente nervosos com a frase, esperando para ver como ele iria responder ao comentário. Mas se eles estavam esperando uma resposta temperamental, ficariam desapontados. Sasuke ficava ofendido com mentiras, não com a verdade.
Naruto farejou um restaurante que vendia ramen e os quatro almoçaram juntos ali. Era a primeira vez que Sasuke se reunia com o resto do Time 7 desde que ele e Sakura tinham começado a dormir juntos. Ele não estava preocupado com isso—Naruto era muito desligado e Kakashi era muito desinteressado para notar algo diferente— mas ele conseguia notar pelo jeito que Sakura evitava olha-lo nos olhos que ela estava um pouco ansiosa com a situação.
Kakashi se sentou ao lado de Naruto, deixando o lado oposto do balcão para Sasuke e Sakura. Não havia opção além de sentarem um ao lado do outro, e no tempo que a garçonete levou para servi-los, ele começou a perceber que aquilo seria mais difícil do que ele imaginava. Sakura era linda enquanto ria, era linda quando fazia cara feia para as besteiras de Naruto e Sasuke teve a súbita vontade de colocar o braço em volta dos ombros dela. Ele não o fez, mas ao longo da refeição tentou ignorar a necessidade de tocá-la. Ele precisou lutar contra o desejo de mostrar para todos ali que aquela mulher era somente dele.
Sasuke comeu pouco e falou menos ainda até que a conta chegou na mesa, ele havia percebido que as coisas estavam mais complicadas do que ele esperava.
Olá! Mais um capítulo postado, agradeço os reviews e espero que tenham apreciado mais essa parte da tentando acelerar a postagem dos capítulos pois quando minhas aulas voltarem posso ficar um pouco enrolada com a tradução e não quero deixar ninguem na mão, então logo o capítulo dez estará por aí! Beijos e até o próximo.
No próximo capitulo...
Como era típico no torneio, a segunda fase dos exames chunin era um teste de sobrevivência, times com três pessoas eram separados e soltos um por um em um campo de treinamento densamente arborizado, Sakura não pode deixar de notar que era muito parecido com a Floresta da morte. Izumi e Hachiru fizeram seu caminho para o forte central dentro do tempo permitido, mas Saito falhou ao chegar lá dentro de doze horas. Assim dois dos genins de Sakura estavam habilitados para competir no torneio final.
