N.A.: Pessoas, vocês me fazem um ser feliz. Sério. Adorei as reviews, e peço desculpas se esqueci de alguém. Agradeço: Samara, Triele, Fabianadat e Miss Durden, pelos comentários lindos. Adoro todas vocês.

Esse é o último capítulo da segunda parte da Trilogia, agora só terá o epílogo e acabou-se, logo mais chega Cassé; a parte 3 da Trilogia Si Sombrio. Espero que gostem desse último capítulo e do epílogo. E espero vê-las na outra fic. ;D

Sem betagem, sorry!

Boa Leitura!


Capítulo 8 - Somehow

Severus sabia da morte de Molly Weasley. Sim, ele sabia. Não porque algum jornal como o The Daily Prophet tivesse noticiado; não, eles não noticiavam nada sobre mortes de 'traidores'. Lucius Malfoy como Ministro da Magia garantia isso. Não, Severus sabia que a matriarca Weasley estava morta porque vira. Vira quando o feitiço verde acertara o corpo da mulher de cabelos vermelhos. Vira quando aquela mãe carinhosa desabara ao chão sem vida. Severus estava ali para encontra-la. Severus estava ali para receber informações e para passar outras. Era sua culpa mais uma pessoa inocente morrer.

Ela fora para ouvir sobre o novo esconderijo de Voldemort. Mundungus falara novamente. Severus sabia exatamente onde ele estava, e queria, que de algum modo a informação chegasse a Potter. Queria que de algum modo o rapaz soubesse onde Voldemort estava. Mas não, Severus não tinha esperança alguma de que ele fosse conseguir matá-lo. Não, na verdade, Severus sabia que Potter poderia morrer assim que entrasse no esconderijo, mas alguém que fosse com ele poderia conseguir. Talvez a Granger pudesse terminar com isso.

Recostou-se na cabeceira da cama onde estava sentado há horas. Precisava fazer algo. Precisava, de algum modo, ajudar Potter a chegar até Voldemort. Precisava fazer algo que desse certo. Eram almas demais em sua consciência. Eram perdas demais para continuar aguentando.

Severus teve uma idéia.


Deitou-se. Porque era simplesmente mais fácil estar ali, sem pensar, sem sentir, do que em qualquer outro lugar. Era mais fácil imaginar que Potter estava a seu lado, apenas por estar ali. Apenas por existir também. Porque ele ouvira sobre a morte da matriarca Weasley. Ele soubera em detalhes. Draco recusou-se a escutar. A família Weasley – e por mais que Draco evitasse pensar neles como iguais – era dizimada. Era desfeita pouco a pouco. Morte a morte.

Observou Potter. Ele poderia desistir de uma vez. Fugir. Se matar. Jogar-se diretamente nas mãos de Voldemort. Porém, ele estava ali. Quebrado, vazio, sem salvação. Mas estava ali. E por quanto tempo, Draco perguntava-se. Por quanto tempo Potter conseguiria apenas existir, apenas deixar o mundo continuar girando, de alguma forma ao seu redor?

"Malfoy?"

Tempestade. Vazio. Verde.

"Potter?"

"Vou atrás de Snape."

Os olhos tempestade de Draco apenas fitaram pacientes os olhos de Potter. Que bem faria fazê-lo desistir daquilo? Snape fora encontrar Molly Weasley. Potter achava que Snape a matara. Que bem faria tentar mostrar que Severus não era o traidor que todos pensavam? Como ele conseguiria mudar a mente de Potter?

"Severus não a matou. Mas mesmo falando isso, você irá atrás dele. Você vai matá-lo. Contar-lhe que Severus apenas seguiu as ordens de Dumbledore, que já estava morrendo, seria falar sozinho." Olhou-o de canto de olho. A mão de Potter estava a meio caminho de seu rosto. Observou-a continuar o caminho após hesitar um segundo. "Parece que já estou falando sozinho."

"Eu... sabia."

Para Malfoy, Harry assumir aquilo, pareceu espantador. Harry entendia isso. Ele pouco entendera como pudera aceitar quando lhe disseram a real situação de Dumbledore antes de morrer. Porém, acreditara. Acreditara no homem que tornara sua vida escolar um inferno. Acreditara no homem que tentara ajudar sua família a não ser morta. Acreditara no homem, que de algum modo distorcido, estava tentando ajudá-lo.

"Sabia que Severus..." Assentiu. Malfoy virou-se, apoiando-se no cotovelo, olhando-o descrente. "E nada fez?"

"O que eu poderia fazer?"

Harry olhava-o sem entender o que ele poderia querer.

"Poderia ter ajudado. Narcissa..."

Viu quando Malfoy parou de falar. As palavras mortas na garganta. Era difícil lembrar-se que no mundo – lá fora, longe daquele colchão, longe do vazio – ainda existiam mortes e pessoas amadas sofrendo. Seus dedos tocaram o rosto dele. Malfoy olhou-o. Poderia dizer que sentimentos demais subiam pelas feições dele. Emoções demais que corriam os olhos tempestade.

"Vou encontrá-lo. Ele poderá me dizer... algo."

"Potter, ele apenas lhe dirá o que eu disse."

"Não, ele me ajudará a morrer."

Draco observou como aquelas palavras eram iguais as outras para o moreno. Como dizer que morreria, era algo corriqueiro. Ele via. Ele via que Potter era um pedaço do que fora, e esse pedaço queria deixar de existir. Inclinou-se. Seus lábios roçaram os dele. Aonde ia sua razão? Para onde vagava aquela sensação de acreditar em sentimentos? Draco perguntava-se se algum dia realmente sentira isso. Se algum dia conseguira olhar sem procurar vantagens para si. Se algum dia, alguém, algo, importou de verdade.

Beijou Potter. Segurou seus cabelos. Guerra. Mortes. Dores. Medos. Liberdade. Vazio. Palavras. Palavras que perdiam sentido. Palavras que deixavam de fazer qualquer sentido em seu peito, em sua mente. Quem não tem mais o que perder, não tem o que temer. Draco encontrava-se sem ter o que perder. Potter também. Ambos já não temiam. Ambos apenas esperavam.

Passou seu corpo por cima do dele.

"Draco."

Sussurros perdidos dentro daquele novo quarto. Era a primeira vez. Seu nome fora dito pela primeira vez pelos lábios de Potter. Seu quadril empurrou-se contra o dele. Seus beijos tornaram-se mais urgentes. Era a necessidade de ter. Pertencer. Existir e deixar de existir ao mesmo tempo. Draco nunca tivera a necessidade de ter, Draco nunca quisera essa necessidade por entre suas veias. O desejo ardente de fazer algo, de deixar de existir em alguém. Dentro de alguém.

"Harry."

Existir. De algum modo existir agora significava. De algum modo o beijo, o toque da ponta dos dedos dele, da respiração entrecortada, do coração a bater rápido, significava existir. Significava mais do que deveria.

Draco desceu seu corpo, segurando Harry pelos ombros. Seus dedos apertando a pele clara dele. Suas unhas curtas cravando na carne. Sussurros. Gemidos. Sua boca trilhando caminhos pela barriga de Harry, sua língua encontrando o membro dele por cima da calça. Ele estremecia. Draco precisava das reações de Harry, mas precisava mais – muito mais do que esperava – do que tudo, ouvi-lo dizer seu nome. Ouvi-lo tornar a morte, o vazio e o existir, reais.

"Harry?"

Sua boca sugou o tecido. Sentiu os olhos dele em sua cabeça. Levantou os olhos tempestade para ele. Observou-o com o mesmo desejo que ele.

"Draco." Suas mãos correram para o cós da calça. Seus dedos abaixaram o tecido. Sua boca encontrou o membro. Ouviu-o gemer. Ouviu-o sussurrar seu nome. Ouviu-o voltar a existir. Caíram naquele vazio que eram.

Queria-o. Queria demais as sensações. Precisava deixar a vida de lado e tornar-se apenas toques. Tornar-se apenas sussurros. Apenas exclamações de prazer. Segurou-o pelos ombros, trazendo Draco de volta para cima. Os lábios dele marcavam sua pele. Ele voltou a morder seu ombro onde mordera da primeira vez. Estrecemeu com isso.

Harry precisava daquela obscuridade de sentimentos. Afinal, sentir ou deixar de sentir, estavam tornando-se algo único. Chorara, beijara, sentira. Entendera perfeitamente como Mione sentia-se. Entendera como ela entregara-se, mesmo que já não houve quase nada a entregar. Ergueu o quadril para que ele tirasse sua calça, gemeu quando tocou-o com a ponta dos dedos.

Ele estava nu. Ele estava gemendo. Ele dizia seu nome. Repetidas vezes. Seu nome parecia contar coisas. A respiração dele acertava seu ombro. Seus pulmões protestavam, parecia que todo o ar do mundo seria pouco para o que precisava. O mundo pareceu pequeno. Ele morria a cada respiração, ele entendia a dor. O sofrimento. Eles eram o nada. Eles eram tudo.

Puxou-o para seu colo, separou as pernas dele enquanto sentava-se sobre seus próprios pés. Precisava do contato. Precisava de Harry. Estar dentro dele. Existir dentro de alguém. Ser alguém... para alguém. Entrou devagar em Harry, os gemidos de dor dele deixando-o inseguro. Porém, para Draco vê-lo olhá-lo nos olhos, o verde com um fogo estranho, com tonalidades que contavam coisas, que permitiam sentimentos estranhos, era o necessário para que voltasse a mover-se.

E precisava daquele movimento. Precisava daquele movimento insano de entrar e sair. Do movimento de existir em alguém. Do movimento que poderia mover terras, formar Guerras, destruir famílias, matar milhões. Movimentos de ambos corações e mentes. Era esse movimento que Draco tinha no momento, e sabia, acabaria por matá-lo. Talvez até antes de Harry.


Saiu da casa. As pernas tremiam. Os dedos quase quebraram a varinha de Remus. Precisava dela, a sua sabe-se o que poderia acontecer se usasse. Olhou para trás, Hermione observava-o séria, mas parecia incentivá-lo a sair. Pela janela lateral da casa viu Draco olhá-lo sério, os olhos preocupados. Como poderia preocupar-se se não dava a mínima para o que fosse acontecer? Ele havia perdido tudo, não havia o que importar-se; mas ele importava-se, porque?

Virou-se. Iria atrás da pista. Iria trás do que Bill Weasley dissera ser o paradeiro de Severus Snape. Iria atrás do homem que sempre odiara, e agora, agradeceria pela semi-vida que ele lhe ajudara a ter.


Por quanto tempo pode se pensar em matar alguém? Por quanto tempo pode se dizer que realmente desejamos a morte? O desaparecimento de uma vida? O deixar de alguém existir? Por quanto tempo podemos deixar um sentimento escuro, triste, doloroso, nos corroer por dentro e ainda assim, continuar existindo e vivendo? Ou isso nos faria apenas deixar de existir e apenas sobreviver?

Recostou-se na parede. O tal Garoto-Que-Sobreviveu tinha acabado de sair. Contara-lhe tudo. Todos os planos. Todas as sensações. Tudo. Snape sabia que mesmo com as palavras ditas, Potter morreria. Potter tentaria e falharia, era o destino dele. Era o destino dele virar o mártir que as pessoas sempre o fizeram ser. Agora já não lhe restava nada, apenas esperar.

Mais cedo, mais tarde, alguém o encontraria. Bellatrix Lestrange o encontraria. Sabia que ela seguiria Potter, mesmo que não soubesse onde ele estava; afinal, seu aviso para a Death Eater teria que ter efeito. Sabia que de algum modo, ela estaria do lado de fora do prédio, talvez sozinha, talvez acompanhada. Sabia que Potter poderia por um fim na vida dela, e que então, ele se sentiria confiante para matar Voldemort. Porém, isso não aconteceria. Não, alguém o faria enquanto Potter morria. Era o destino desse garoto, e de algum modo, ele parecia saber.

Olhou pela janela quando um flash verde iluminou a rua muggle. Era isso. Potter estava sob ataque. Viu o capuz da Death Eater escorregar, viu os olhos insanos de Bellatrix mostrarem-se ainda mais insanos. Ela estava alucinada. Ela queria matar o garoto. Viu como Potter defendia-se. E então ouviu, aquele pequeno 'pop' característico de quando alguém aparata ao seu lado. Severus não virou-se, ele pouco importou-se com quem poderia ter aparecido ali.

"E veja se não é o nosso traidor mais querido."

Snape ouvira a voz de Fenrir atrás de si. Tudo era apenas um borrão. Tudo. Toda sua vida, toda sua trajetória. Vira seu recado para Weasley, e seu recado para Bellatrix darem certo. Vira o recado para o ruivo trazer Potter até si. Vira seu recado para a Death Eater, fazê-la atacar Potter. Vira que seu recado para Potter surtira o efeito desejado; descobrira sobre Draco. Vira seu recado para Bellatrix surtir o efeito desejado; ela acabara de ser derrubada.

Vira Granger esgueirar-se pela lateral do prédio que estava, empurrando alguns muggles para que se escondessem. O caos estava a solta com Bellatrix e Potter guerreando. Sabia que a Death Eater não viria sozinha, mas isso pouco importava. Fizera sua parte, poderia morrer – de certa forma – em paz.

"Avada Kedavra."


Vira o flash de luz verde em uma das janelas no prédio que Harry estivera minutos atrás. Ele não sabia de sua presença, ele não sabia que estava ajudando-o. Esgueirou-se pela parede lateral. Um casal muggle gritava assustado. Empurrou-os para longe, escondendo-os. Eles eram inocentes, não mereciam isso.

Correu. Correu com a varinha nas mãos. Correu e subiu escadas, contando janelas, encontrando o quarto. Duas pessoas. Uma morta. Uma viva. Seu coração parou. Sua respiração presa. Lá estava. Lá estava o homem responsável por parte de suas novas dores. Lá estava o homem que desgraçara sua chance de voltar a deitar-se com alguém. Lá estava o homem respirando como um lobo. E logo lá estaria o homem morto que um dia fora Fenrir Greyback.

Não hesitou. Não pensou. Abriu a boca, a varinha alta, as letras deslizaram de seus lábios. O lobisomem virou-se, devagar demais. A luz verde atravessou seu corpo. E fora assim. Assim fora o fim de um dos mais sangrentos, obedientes, fieis, e melhor assassino de Voldemort. Hermione não sabia como, nem mesmo se algum dia seria capaz de proferir novamente aquelas palavras, mas naquele momento ela visualizou todo seu futuro.

Naquele momento ela vira o mundo quebrado, pessoas mortas, dor, perda, Harry perdendo, seu futuro destruído, nenhuma chance para ter uma família, nenhuma vontade de continuar viva. Ninguém sobrevivendo ao fim da inocência. E assim, Greyback bateu no chão, o corpo próximo ao corpo morto de Severus Snape. Mortos.

Ouviu o grito do lado de fora do prédio. Os muggles estavam escondidos. O mundo estava em silêncio. Correu. Viu pelo vidro da janela – pela primeira vez – a verdadeira face de Harry Potter. A face que acabara de matar Bellatrix Lestrange. E então, iniciava-se o fim.


continua...