Capítulo IX – O rapto da Sabina –
"Não posso mais parar"
"É só correr atrás"
"Nem tudo mudou"
"Não quero mais pensar no que ficou para trás"
O mundo dá voltas – CPM 22
Os lábios ainda permaneciam colados quando o som de um trovão assustou a Haruno e fez com que ela empurrasse o jovem de cabelos escuros. Os olhos verdes pareciam assustados pelo momento vivenciado pouco instantes atrás e não encararam o rosto a sua frente. Sai apenas a observou em todas as suas ações. Assim que a kunoichi recobrou a coragem, o puxou para junto de si novamente e aprofundou o beijo.
Ela não entendia o porque de ter tomado a iniciativa, mas desejava tocar o dono dos olhos negros, fechou os olhos e deixou que ele a conduzisse. Enquanto envolvia-se no emaranhado de sensações, seu pensamento flutuava e só voltou a si quando a imagem de um par de olhos vermelhos pairou sobre sua mente.
Piscou os olhos na tentativa de fazer sumir tal pensamento em uma hora tão inoportuna. Falhou e o beijo que ela mesma desejara, já não tinha o mesmo efeito que surtira antes, o peso que saíra de suas costas parecia ter voltado ainda pior. Os pedidos de passagem de Sai começaram a serem negados um a um, até que ele parasse e a olhasse como se estivesse esperando por satisfações. O desviar dos olhos esmeraldas indicou que sua presença não era bem-vinda. Mesmo com uma tempestade caindo, afastou-se e não tardou em desaparecer da visão dela, que o observava encostada na porta ainda sentindo repulsa pelo que fizera.
Deixou que o vento que espalhava as gotas da chuva a molhassem ainda mais, gelando seu corpo e causando uma sensação que ela não sabia se podia considerar agradável ou não.
Levantou e usou da força adquirida para entrar. De acordo com ela, deveria ter usado desse artifício antes. A rosa que ganhara fora depositada dentro de uma gaveta qualquer, visando enterrar o que acontecera na porta de sua casa. Atirou as roupas pelo chão ainda caminhando pela casa, tomou um banho e fora dormir.
O toque dos lábios masculinos em sua boca ainda parecia ser real, mas não eram os lábios de quem realmente desejara ter saboreado pela primeira vez. E a imagem dos olhos vermelhos a fez recordar isso.
Desde sua infância o sonho com este momento não lhe saia da mente, ainda que tivesse se tornado menos presente, continuava a habitar seus desejos.
Desejos. E era exatamente esse o problema. Tudo que ela almejara durante sua infância e adolescência não passara de desejos que nunca se realizaram e que continuavam a fazer com que diversas possibilidades fossem negadas.
Evitar. Qual a razão para recusar o beijo que ela mesma pedira? Qual o motivo para estar se lamentando ainda? Porque seu estomago dava voltas ao lembrar do jovem lhe entregando a rosa?
Confusa. Nem mesmo ela saberia se definir. A única coisa que queria fazer era sumir. E em meio as suas angústias, o sono foi parecendo cada vez mais acalentador. A paz que consigo trazia a fez sonhar.
E neste sonho olhos negros a encaravam.
E estendiam as mãos convidando-a.
A camisa jogada por sobre o sofá e o corpo estirado nele mostravam que o sono já tinha acalentado não somente a kunoichi, mas que passara também pela casa do shinobi.
Um braço sobre os olhos e uma mão jogada indicava que segurava algo, e o que era segurado se achava jogado no chão. Um caderno e nele o esboço feminino de uma jovem com uma bandana no lugar de uma tiara.
Sakura.
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Naruto acompanhara Hinata até a sede da Souke. Mesmo após dançarem juntos por toda a festa, a presença dos dois apenas e uma possível oportunidade disponível, encabulava ambos e confirmava as dúvidas do Uzumaki, que se valia do avermelhar das maçãs do rosto da Hyuuga. A constante aproximação da sede do clã fez com que ele apressa-se e encabulasse a menina ainda mais uma vez na mesma noite.
- Hinata – começou ele, já cruzando as mãos atrás da cabeça.
- S-sim, Naruto-kun – respondeu, já batendo os dedos.
- Espero que tenha gostado da minha companhia essa noite e gostaria de saber se você gostaria de treinar comigo amanhã e depois tomar um sorvete – convidou esperançoso.
- C-claro! – sorrindo timidamente
Naruto apenas a acompanhou até mais alguns metros e logo se despediu com um beijo no rosto da jovem de olhos perolados e afastou-se deixando para trás alguém extremamente tremula.
"Talvez Sakura-chan tenha razão"
Com um sorriso cheio de satisfação, voltou a sua casa a fim de descansar após tanta diversão, afinal era necessário.
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Sakura sentia o corpo pesado, queria acordar, mas parecia que era impedida, acreditou que seria um reflexo da longa noite que tivera e então resolveu ceder. A todo momento parecia ver um jovem de olhos negros, mas não conseguia distinguir sua face e nem mesmo coordenar o que ele estava fazendo.
A curiosidade a fez desejar continuar o sonho, mas que após algumas horas, considerou um pesadelo. Acordou em local estranho e percebeu que estava amarrada por correntes de chakra. Desesperou-se. Não sabia como tinha ido parar naquele lugar e muito menos quem era o responsável.
Ou melhor, suspeitava devido aos constantes olhos negros que teimavam em oferecer-lhe as mãos mesmo não deixando com que seu rosto fosse totalmente mostrado.
Talvez Sai tivesse se revelado um tarado maníaco a ponto de amarrá-la, mas até onde sabia, nunca o tinha visto manusear técnicas de ilusões.
Genjutsu. Era uma técnica que nem todos podiam manipular, mas que estava bem presente nos conhecimentos dos portadores do sharingan.
"Sasuke?!" pensou, apavorada.
Tentou inutilmente soltar das correntes, mesmo tendo usado a monstruosa força que adquirira com o árduo treinamento que recebera da Godaime, desistiu ao perceber que de nada adiantaria. Mais cedo ou mais tarde, saberia a razão de ter ido parar naquele lugar.
Concluiu que esperaria algo ou alguém enquanto ajeitava as roupas de dormir. Tão logo ajeitou e recebeu a visita que lhe fizera tremer.
Depois de um longo tempo sem o ver, ele estava a olhá-la.
Frio, ameaçador e indiferente como sempre.
- Sasuke?!
Ignorando a surpresa dela, ele apenas a soltou, causando ainda mais calafrios e dúvidas naquela que o amara por toda a vida. Definitivamente, ela estava tendo mais emoções do que o necessário para apenas uma noite, e diante disso, o encheu de questionamentos esperançosos. De todas as respostas monossilábicas que recebera, a única que considerou explicativa foi a que lhe martelara a cabeça durante todo o tempo em que ele ficara no quarto.
"Preciso de você"
"Mas porque diabos ele precisa de mim?!"
Parou de levantar hipóteses e voltou a ouvir o que o Uchiha tinha a dizer.
- Achei que tinha matado Orochimaru, mas uma parte dele se instalou em Kabuto e ele, de alguma forma se usou de algum jutsu médico e me feriu.
"Então é para isso" concluiu, baixando o olhar.
- Precisava me trazer sob genjutsu?
- Você não viria de outra forma, não sem antes alarmar alguém.
- E porque me soltou? Posso tentar fugir e não te ajudar, e até mesmo te levar de volta, considerando o fato de você ter nos abandonado e ser considerado um traidor – exaltou-se, ao dizer.
- Você não vai fugir, nem mesmo me levar.
A certeza na voz de Sasuke chegava causar náuseas na kunoichi que esperara pelo dia que estaria com ele, o dia em que ela poderia desabafar todos os seus segredos e ser ouvida de modo diferente da primeira vez que o fizera, e receber seu amor ao invés de gratidão.
- E o que te faz ter tanta certeza disso?
- Seu coração– falou enquanto deu as costas e saiu, deixando uma pasmada Sakura para trás.
A jovem sabia muito bem que deveria fugir daquele lugar, mas era extremamente dificultoso deixar para trás o fantasma de seus devaneios, que a perturbara durante anos e que agora pedia sua ajuda.
Por mais amadurecimento que ela tivesse ganhado em sua vida, o seu ponto fraco era e sempre foi Sasuke, e agora que ele a tinha trazido para que pudesse ajudá-lo, sabia que tinha que voltar e trazer consigo o "traidor" de Konoha.
Mesmo sabendo disso, não moveu um dedo para tentar escapar, a sensação nostálgica tomou caráter e fez com que a médica-nin da vila da Folha simplesmente concordasse e recordasse com ainda mais furor seu sentimento.
E ainda teve tempo para olhar para a situação em que se achava e concordar com o velho ditado de que "o mundo dá voltas".
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Gomen pela demoraaa!!
Eu realmente to enrolada com trabalhos e resenhas para entregar! E também tenho outra fic e preciso entregar em dia com a minha beta, portanto desculpe-me novamente.
Sobre o titulo da fic, é uma lenda que contam sobre a fundação de Roma, duvidas?! Vide wikipédia, ok
As reviews vou tornar a responder assim que me sobrar tempo, mas isso não significa que eu não as leio, pelo contrario, apronto um escândalo qndo recebo uma!
Portanto, faça uma retardada feliz e contribua para a campanha "Faça um ficwriter feliz, mande reviews"
Onegai por todas que já recebi, amoooo demázzz
E obs: Os travessões que aparecem em branco não são diálogos não, só os uso para espaçar a fic e indicar mudança de assunto!
Kissus a todos e dêem GO!
