Capítulo 8 – Uma manhã indescritível na Cidade de NY
Tradução: NaiRobsten
~ Edward ~
Poucos dias atrás:
"Há!" Emmett gritou. "Eu peguei alguma coisa!" Seus grandes braços flexionaram enquanto ele cambaleava em sua linha e lutava com a criatura do mar que ele pegou, puxando-a com um sorriso enorme em seu rosto. Nosso pai deu-lhe um tapinha de congratulações nas costas antes de voltar sua atenção para sua própria linha.
"Bastardo sortudo." Eu ouvi Jasper rosnar do outro lado dele, franzindo a testa para a sua linha, que não tinha se movido durante toda a manhã.
Eu bufei e virei para observar a minha própria vara de pescar imóvel. Como Jasper, eu não tinha pegado nada a manhã toda. Mas eu não estava preocupado. Eu tinha coisas mais importantes em minha mente.
Era início de outubro. Os dias estavam ficando mais curtos, e as manhãs estavam mais escuras e definitivamente mais frias. Esta provavelmente seria a última vez neste ano em que estaríamos saindo de barco para nossas expedições de pesca. As mulheres da família tinham desistido de nos acompanhar esta manhã, queixando-se do ar frio do mar em Long Island nesta época do ano. Isso me serviu muito bem, eu preferia nossas viagens de pesca assim, só nós, os caras. Bem, exceto por ultimamente. Havia uma certa morena que eu teria amado ver sentada ao meu lado no iate da nossa família, fazendo-me companhia enquanto eu esperava que o peixe mordesse a isca.
Eu suspirei, olhando em volta do grande barco. Emmett, Jasper e meu pai estavam na frente, enquanto tio Aro e eu tínhamos tomado a nossa posição na popa do barco. Carlisle, como sempre, não estava muito feliz comigo esta manhã.
"Então, o que você fez para irritar seu pai agora?" Tio Aro, irmão mais novo de Esme, perguntou com um sorriso conhecedor.
Dei de ombros. "Eu comprei outro carro".
"Mais um?" Tio Aro riu. "O quê? Você está tentando bater Jay Leno, ou algo assim?"
"Eu comprei um Volvo. Eu preciso de algo seguro e confiável para dirigir." Acenei uma mão frustrada na direção de Carlisle. "Ele está sempre falando sobre como eu preciso ser mais responsável. Eu pensei que ele ficaria feliz".
Tio Aro franziu a testa, um sorriso curioso em seu rosto. "Desde quando você está preocupado sobre segurança e confiabilidade?"
Uma imagem de Bella sentada ao meu lado no Audi e Maddie dormindo no banco de trás surgiu na minha cabeça.
"Desde que eu descobri que há coisas neste mundo que merecem ser protegidas".
Com o canto do meu olho, eu vi tio Aro levantar uma sobrancelha.
Depois de uma pausa, ele perguntou, "Então, Vicki me disse que você e Tanya ainda estão 'separados de novo'?"
Eu sorri. Minha prima Vicki era, infelizmente, uma das melhores amigas de Tanya. "Tanya e eu terminamos, ponto final".
"Tenho certeza de que essa notícia, pelo menos, deve fazer seu pai feliz".
"Como o resto do mundo que lê a National Enquirer*, ele escolheu acreditar que a separação é apenas temporária".
*National Enquirer é definida como 'tabloide de supermercado'. Não precisa dizer mais não é?
"Bem, nesse caso, acho que só o tempo poderá dizer".
Tio Aro sempre tinha servido como um mediador entre meu pai e eu, especialmente nos meses seguintes à minha desistência da faculdade de medicina. Como um advogado corporativo, ele completamente compreendia o meu interesse no mundo dos negócios. Ao contrário do meu pai, que tinha visto isso como uma traição pessoal para a orgulhosa linhagem de médicos Cullen. Um homem de negócios, forte e poderoso, tio Aro não era o pior modelo de papel, ele era também um homem de bom coração. Mas, para grande desgosto do meu pai, ele tinha um talento especial para carros velozes e mulheres velozes. E quanto mais próximo eu ficava de tio Aro, mais eu imitava o seu comportamento.
"Então, quem é a mulher de sorte, ou talvez eu devesse dizer, mulheres, mantendo sua companhia nestes dias, Edward?" Tio Aro perguntou.
Novamente, o rosto suave de Bella surgiu em minha mente, mas eu apenas sorri e balancei a cabeça em resposta.
Sempre tinha sido fácil falar com o tio Aro sobre mulheres; ele se divorciou três vezes, então ele definitivamente tinha experiência. E Deus sabe que eu não podia falar com meu pai sobre as mulheres que eu namorava.
Mas eu não conseguia me ver discutindo Bella com o meu tio. Por um lado, não era como se ela e eu estivéssemos namorando, de qualquer maneira. Apesar da indescritível atração que eu sentia em relação a ela - e às vezes eu podia jurar que ela podia sentir o mesmo por mim - Bella sempre fez questão de manter distância suficiente entre nós para não deixar nenhuma dúvida de que - independentemente do que ela possa ou não sentir - o que ela queria era nada mais do que amizade. Portanto, não havia nada a dizer, além de uma obsessão unilateral da minha parte.
Pela primeira vez em muito tempo, eu me vi desejando que as coisas entre Carlisle e eu fossem diferentes, e que fosse mais fácil para eu falar com ele. Deixei escapar um suspiro de frustração.
Tio Aro me conhecia muito bem.
"Vamos lá, afilhado." Ele riu, batendo-me nas costas. "É óbvio que alguma mulher tem suas cuecas em um nó. Você espera que eu acredite que não há ação em seu campo agora?"
Eu ri, virando meus olhos para as ondas girando de Long Island Sound*. "Não há".
*Long Island Sound é um estuário localizado em Long Island, entre Connecticut (ao norte) e Nova York (ao sul).
"Edward, ler as pessoas é como eu ganho minhas quantias absurdas. Vamos, conte-me tudo sobre ela".
Eu balancei minha cabeça novamente. "Eu já disse a você, tio, não há nada para contar".
Ele sorriu e mudou de assunto, pelo menos por agora. "Então, como está a agência? Emmett e Jasper estavam me dizendo que vocês têm uma grande apresentação em um par de semanas".
"Estamos construindo uma nova campanha para um dos nossos maiores clientes. Nossa nova designer gráfica, Isabella Swan" - eu me encolhi internamente com a forma como a minha voz tremeu ao pronunciar o nome dela - "veio com essa ótima ideia para uma nova campanha, e os clientes saltaram nisso".
Aro ficou em silêncio por alguns segundos.
"Parece ótimo." Ele disse finalmente. "Diga-me mais sobre ela... a ideia".
Comecei a contar sobre a Campanha do Bumbum de Bebê, quando o celular dele tocou. Ele o puxou do seu casaco com um grunhido.
"Maldito seja o escritório! Não sabem que é domingo?" Ele apertou o botão e latiu ao telefone, "Aro Volturi!"
Com a atenção do tio de Aro em seu telefonema, minha mente derivou, ou melhor, re-derivou para Bella.
"Sim, é uma ótima ideia." Eu continuei, falando para mim mesmo. Olhei para o oceano. "Mas, realmente, isso não é surpresa. Ela é a mulher mais malditamente inteligente que eu já conheci. E ela é muito talentosa também. Seus desenhos são melhores do que qualquer um que eu já vi".
Eu roubo um olhar para o tio Aro. Ele estava rosnando algo sobre regulamentos anticonfiança. Com a certeza de que ele estava ocupado, eu continuei.
"Ela é realmente bonita também. E ela tem a filhinha mais doce. E ela tem aqueles olhos... ambas têm, na verdade. Mas os olhos de Bella... eles são como piscinas profundas de chocolate. Quero dizer, eles fazem você querer nadar neles. E quando você olha para eles, homem, é como se você pudesse se perder ali para sempre, como se ela estivesse olhando diretamente em sua alma. Mas você não se importa; você quer que ela veja tudo dentro de você. Tudo que você nunca sequer pensou em mostrar a ninguém. Merda, que você nem sabia que estava lá dentro".
A conversa do tio Aro ao telefone começou a desacelerar. Limpei minha garganta e parei minhas divagações.
Com uma carranca em seu rosto, ele desligou o telefone e se virou para mim. "Só na minha maldita sorte nós teríamos recepção de sinal no meio da porra do Sound. Estes abutres não me deixam em paz nem mesmo aos domingos".
"Como você disse," eu o lembrei, "é assim que você ganha quantias absurdas".
Ele bufou. "Sim, sim." Seu rosto se iluminou de repente. "Falando de quantias absurdas, daqui a uma semana e meia acontecerá o leilão beneficente da empresa. Você vem, não é?"
Eu não tinha perdido nenhum dos leilões beneficentes do meu tio em anos. Eu estava prestes a dizer sim, quando lembrei-me de algo.
"Eu não tenho certeza de que seria uma grande ideia, tio Aro. Pode haver algumas pessoas lá que seria melhor se eu não encontrasse agora".
Como uma das amigas mais próximas de Vicki, Tanya provavelmente estaria no leilão. Apesar da forma não tão agradável que ela e eu tínhamos deixado as coisas na última vez que nos vimos, ela começou a me ligar novamente. Eu ignorei suas ligações e apaguei suas mensagens sem ouvi-las. Mas Tanya era uma bruxa louca. Se ela me visse no Leilão de Caridade, ela tentaria falar comigo de novo, e eu teria um tempo difícil em não xingá-la completamente. Apesar do fato de que, nos últimos anos, eu tinha ignorado muitas das lições que eu tinha aprendido quando era criança, eu sabia melhor do que envergonhar uma mulher em público. Seria melhor simplesmente evitá-la por agora.
Tio Aro deu-me um olhar zombeteiro. Em seguida, ele balançou a cabeça como se uma lâmpada tivesse se acendido. "Ah, você quer dizer Tanya. Edward, filho, não me diga que você vai deixar uma mulher expulsá-lo do seu próprio parque infantil?"
Dei de ombros. Não era como se ela estivesse me mantendo longe de qualquer coisa que eu particularmente sentisse falta.
"Venha." Ele insistiu. "Você nunca perdeu. Vicki tem mais amigas que pode apresentar a você".
Tentei reprimir uma careta. Vicki e suas amigas eram apenas versões variadas de Tanya.
"Ou, você pode trazer sua nova amiga designer gráfica. Tenho certeza que ela ficaria impressionada ao ver como você é generoso, não só consigo mesmo e com seus carros, mas com os menos afortunados".
Meus olhos atiraram para ele em surpresa.
Ele riu. "Edward, eu não sou um dos melhores advogados corporativos do país por nada. É o meu trabalho ver tudo e ouvir tudo, mesmo que eu pareça estar ocupado com outras coisas. E então, depois de eu ver e ouvir, é o meu trabalho somar dois mais dois".
"É... não é assim. Ela não viu o carro ainda; não estará pronto até a próxima semana. E coisas desse tipo não a impressionam, de qualquer maneira. Não foi por isso que eu o comprei".
"Ah, vamos lá." Ele sorriu. "Todas as garotas ficam impressionadas com dinheiro e carros. Algumas apenas escondem isso melhor do que outras." Eram comentários como estes que irritavam meu pai, e eu suspeitava por que meu tio, embora no fundo uma pessoa decente, ainda não tinha encontrado a mulher certa.
Balancei minha cabeça. "Não importa, de qualquer maneira. Nós somos apenas amigos." Senti uma pontada aguda de decepção de repente.
Meu tio olhou para mim. "O que você diz, Edward, mas você sabe que se quiser conversar, eu estou aqui".
Eu não respondi. Os olhos do meu tio atiraram em direção ao meu pai antes de voltarem para mim. "E, Edward, você pode conversar com seu pai também, você sabe".
Eu sorri. "Obrigado, tio".
Dias Presentes
Desci a escada rolante no nono andar da Barney, sacudindo meu cabelo e meu guarda-chuva do tempo no início do outono lá fora. Baseado no quão rápido havia esfriado nas últimas duas semanas, este seria um inverno filho da puta de frio.
Olhando para cima, encontrei uma seta apontando para a seção infantil do andar e rapidamente a segui. Meus pés pararam abruptamente quando, tanto quanto os olhos podiam ver, deparei-me com filas e filas de roupas em miniatura.
Santo Inferno. Como eu deveria encontrar meias de balé no meio de tudo isso?
"Posso ajudá-lo?" Perguntou uma vendedora com cara de avó, vendo o olhar confuso no meu rosto.
"Sim, obrigado." Eu respirei de alívio. "Estou procurando meias de menina?" Agora eu senti meu rosto ficar quente.
A vendedora ou não percebeu, ou ignorou. "Eu certamente posso ajudá-lo a encontrá-las." Ela ofereceu com um sorriso. Ela começou a andar e eu a segui em silêncio.
"Temos todos os tipos de meias. Nylon, algodão, nervuradas, sem pés." Nós chegamos a uma parede cheia de pelo menos quatro dúzias de cabides cheios de meias de cada material, tamanho, forma e cor.
"Aqui está." Ela fez sinal para a seleção com a mão. "Meu nome é Lydia, se você precisar de alguma ajuda adicional." Ela disse e começou a se afastar.
"Uhm, Lydia?" Eu chamei antes que ela pudesse ir muito longe. Ela se virou e, vendo a confusão no meu rosto, caminhou de volta para mim.
"Você sabe que tipo de meias você precisa?" Ela perguntou.
"As mais brilhantes?"
Lydia sorriu pacientemente. "Bem, para o que a sua filha vai precisar das meias?"
Eu estava prestes a corrigi-la, quando um sentimento inexplicável percorreu através de mim.
"Ela precisa delas para sua aula de dança." Eu respondi em vez disso.
"Ah, agora estamos chegando a algum lugar." Lydia brincou calorosamente. Ela procurou através dos cabides até que se deparou com algumas que pareciam satisfazer o que ela estava procurando.
"Ah, aqui vamos nós; meias de balé brilhantes. Temos em preto, branco e rosa. Qual cor você precisa?"
Eu pensei por um segundo. "Posso ter um par, na verdade, dois pares..." - e se Maddie acidentalmente as rasgasse novamente? - "de cada cor?"
"Claro." Ela concordou. "Agora, qual tamanho devo pegar para você?"
Merda.
Lídia sorriu gentilmente. "Quantos anos tem a sua filha?"
"Quatro." Respondi sem qualquer hesitação. No fundo da minha mente, eu me perguntava se talvez, eu estivesse sendo um pouquinho louco? Ah, foda-se, pensei. Quem poderia saber?
"Ah, essa é uma idade maravilhosa, não é? Eu tenho uma neta de quatro anos. Elas são princesinhas nessa idade".
"Sim, elas são".
"Elas crescem tão rápido. Melhor você e sua esposa desfrutarem dela enquanto podem".
Eu estava amando Lydia mais a cada minuto. Sorri muito e disse, "Obrigado. Nós vamos".
Ela sorriu novamente. Virando-se para classificar os diferentes tamanhos, ela perguntou, "Ela é uma grande de quatro anos, ou uma pequena de quatro anos?"
Coloquei minha mão até minha coxa. "Ela é uma menina 'até aqui' de quatro anos".
Lydia deu-me um olhar compreensivo. Ela pegou dois pares de cada cor e entregou-me. "Estas são tamanho 4-6. Devem caber nela muito bem".
Eu agradeci.
"Não há de que." Ela respondeu. "Espero que sua filha goste delas".
"Bem, ela solicitou especificamente brilhante, então estas devem ser exatamente as certas." Eu sorri. Eu poderia ter ficado ali conversando com Lydia por horas.
Ela deu um tapinha no meu braço e se moveu para dizer, "Sua menininha é muito sortuda. Não são muitos pais que compram meias de balé, muito menos se esforçam tanto para obter exatamente o que elas pediram".
Eu não pude evitar o sorriso orgulhoso que iluminou meu rosto.
"Boa sorte." Ela acrescentou antes de se afastar.
Quando chegou a minha vez de pagar, a mulher no caixa perguntou-me se alguém tinha me ajudado na hora da compra.
"Lydia me ajudou." Eu respondi imediatamente. "E ela deveria ter um belo de um aumento e uma promoção por ser a melhor maldita assistente nesta loja inteira".
Cheguei tarde em nosso escritório no centro, mas sentindo-me mais leve do que tinha me sentido em semanas, graças em parte a Lydia, mas, principalmente, graças ao olhar que Bella tinha me dado ontem à noite quando nos despedimos.
Nas duas últimas semanas, Bella tinha se tornado um grande enigma para mim. Houve momentos em que eu poderia jurar que ela se sentia tão atraída por mim quanto eu por ela. Especialmente naquele primeiro dia em que eu a levei para a aula de dança de Maddie. Tinha ficado tão difícil resistir a ela no pequeno confinamento do meu carro, e eu me encontrei movendo-me em direção a ela, consumido com apenas o pensamento de provar seus lábios macios nos meus. E a merda é, no início, eu poderia jurar que vi o mesmo desejo em seus olhos. Mas, de repente, um olhar de terror total havia atravessado seu rosto e eu tinha parado mortalmente em meu caminho, o que não tinha sido uma coisa fácil de se fazer.
Então, como se isso não fosse uma dica suficiente para ficar longe dela, ela tinha mencionado aquele maldito cara, Jake. A ternura em sua voz quando ela falou dele e o quanto ele se importava com ela e Maddie pareceu como um punhal no meu coração. E ela tinha ficado toda irritada comigo depois de eu tê-lo chamado de idiota. Eu juro que se a bunda dele estivesse na minha frente, então eu teria dado uma surra monumental nele. Eu nunca realmente me considerei o tipo ciumento. Eu não poderia ter me importado menos com Tanya ou qualquer das outras garotas com quem eu já saí, quando eu não estava por perto. Mas talvez essa fosse a chave: eu não poderia ter me importado menos. Esse não parecia ser o caso mais.
Mas quando eu me acalmei, percebi que se Bella tivesse sentimentos por Jake, minha forma de agir como um idiota não mudaria isso. Eu teria que aceitá-la como uma amiga e ser muito grato por isso, pelo menos, assim como pelo tempo que me fora permitido passar com Maddie. Eu esperava que, onde quer que estivesse esse desprezível do Jake, ele estava fodidamente agradecido por ter alguém como Bella. Mas isso não significava que não doeu pra caralho.
E Alice falando alto e delirando desde a noite do aniversário de Bella - quando eu a tinha levado e Maddie ao Porto – que ela tinha certeza de que Bella e eu éramos 'feitos um para o outro' - não estava ajudando em nada. Embora minha família e eu tivéssemos aprendido a raramente duvidar das 'visões' de Alice, eu ameacei enfiar um ferro quente através daquele terceiro olho proverbial cada vez que ela começava com isso. Tudo isso só servia para me lembrar do que eu não poderia ter.
Mas, então, ontem à noite, quando Bella tinha dito boa noite, ela olhou para mim tão... diferentemente, como se houvesse algo que ela quisesse dizer, mas não sabia bem como. No início, eu achei que tinha que estar imaginando coisas, pensamento positivo e toda essa merda. Mas quando eu perguntei a ela se eu a veria amanhã, eu não consegui disfarçar a esperança, o desejo inequívoco na minha pergunta. Que diabos, eu percebi. O que mais eu tinha a perder? Pelo menos dessa forma ela poderia tirar-me da minha miséria de uma vez por todas.
E a forma como ela respondeu, tão aberta, tão desprotegida, eu tive que fisicamente me impedir de dar um soco no ar e gritar "Sim!" enquanto eu calmamente entrava no meu carro.
Então, apesar de mais frio que a temperatura normal lá fora esta manhã, e toda a porra da chuva caindo, foi uma manhã muito boa, na minha opinião. E eu mal podia esperar para ver Bella.
Eu tinha a desculpa perfeita também. Quando eu tinha prometido a Maddie na noite passada que eu enviaria a ela um novo par de meias pela sua mãe, ela tinha segurado meu rosto em suas mãozinhas e sussurrado no meu ouvido, "Pode vocêtazer elas para casa pala mim? Pufavô?"
Como diabos eu poderia dizer não a isso?
Depois de fazer alguns telefonemas de manhã, liguei meu laptop e, incapaz de esperar mais tempo, digitei uma mensagem rápida.
Para: Isabella Swan
De: Edward Cullen
Bom dia, Bella. Como você está nesta bela manhã chuvosa? A previsão do tempo para todo o dia indica chuva e mais frio do que as temperaturas normais. Eu queria saber se você gostaria de uma carona para casa hoje?
Assim que apertei o botão 'enviar', rezei para que hoje fosse finalmente diferente, e ela não dissesse não a mim.
Fiz um par de ligações. Então eu revi alguns arquivos e preliminares. Verifiquei meu e-mail. Nenhuma resposta ainda. Eu saí e falei com Jasper sobre a conta da Springtime Organics. Voltei e verifiquei meu e-mail; ainda sem resposta.
Sentindo-me impaciente, eu andava de um lado a outro pelo meu escritório. Que desculpa eu poderia usar para ir lá embaixo para vê-la? Pensei no arquivo que Rosalie tinha me enviado esta manhã, com os mais recentes projetos de Bella para a Campanha Bumbum de Bebê. O problema era que, o protocolo do escritório dizia que eu deveria dirigir meus comentários a Rosalie, que então os discutiria com Bella. E, de qualquer maneira, os desenhos estavam perfeitos, não havia realmente muito mais que eu pudesse acrescentar a eles. Verifiquei o meu e-mail mais uma vez.
Nada.
Dane-se. Imprimi o arquivo e saí do meu escritório. Eu viria com alguma desculpa no caminho.
Muito ansioso para esperar o elevador, eu escolhi as escadas. Era apenas um andar. Meu coração começou a bater mais rápido, sabendo que eu logo falaria com Bella. Talvez esta fosse a manhã em que ela me deixaria lhe pagar uma xícara de chocolate quente...
Perdido em meus pensamentos, eu mal ouvi os sussurros baixos no andar abaixo até que minha mente registrou a quem a voz pertencia.
"Você tem certeza, Jake?" Bella perguntou. Sua voz tremeu. Como um homem preso na areia movediça, eu de repente não podia me mover.
"Não, Jake. Não diga isso. Não é culpa sua. Eu deveria saber".
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
"Eu não sei o que farei." Ela finalmente disse com a voz embargada. E então ela estava chorando baixinho. Minhas mãos se fecharam em punhos ao meu lado. O que estava acontecendo?
"Eu ficarei bem, Jake. Não se preocupe. Eu descobrirei o que fazer." Ela chorou em silêncio.
Incapaz de suportar por mais tempo, eu silenciosamente dei os últimos passos para baixo, até que eu estava no degrau logo acima dela. Bella estava sentada no degrau final, sua cabeça inclinada para baixo enquanto falava em seu telefone celular. Quando ela me ouviu atrás dela, ela virou-se rapidamente. Meu coração quebrou ao ver as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Seus olhos castanhos arregalaram e eu queria aquele filho da puta do Jake na minha frente para que eu pudesse surrá-lo até não poder mais. Ele tinha que ser o mais idiota imbecil do mundo para machucar Bella.
"Jake, eu tenho que ir. Ligarei para você mais tarde." Ela desligou e levantou, nunca tirando seus olhos de mim.
Nós dois ficamos em silêncio por um momento.
"Hum, desculpe." Ela murmurou finalmente. Ela parecia estar lutando, tanto pelas palavras quanto para manter sua compostura. "Eu estou, uh, uhm... eu... eu estou quase terminando com o último desenho para a reunião de hoje com Rosalie. Eu devo tê-lo pronto antes-"
"Bella, o que aconteceu?" Eu interrompi.
Ela parecia confusa. "Eu - uh, eu... eu vou terminar o último desenho." Ela fez um movimento para passar por mim, em direção à porta do seu andar. Instintivamente, eu envolvi minha mão em torno do seu braço e a puxei para trás gentilmente, querendo Pará-la e simplesmente fazê-la se acalmar antes que ela voltasse para o escritório. Ela parecia que estava prestes a ter um colapso nervoso.
Mas ela virou e jogou seus braços ao redor do meu pescoço e, de repente, Bella e seu corpo quente estavam envolvidos ao redor de mim. Ela segurava como se a sua vida dependesse disso e, sem um segundo pensamento, meus braços estavam em volta da sua cintura e eu me agarrei a ela com a mesma força.
Eu sabia que ela estava chateada. Eu podia sentir seu peito subindo e descendo com os soluços. Mas eu nunca tinha imaginado tal sentimento em toda a minha vida. Eu nunca soube que você poderia se sentir tão quente, tão seguro, tão... certo. Eu nunca soube que alguém poderia se encaixar em seus braços tão perfeitamente, como se tivesse sido feito exatamente para você.
Eu não me importava que, aparentemente, outro homem tinha acabado de quebrar seu coração. Eu não me importava que ela só precisasse de mim para confortá-la. Eu ficaria aqui por ela, não importa o quê aconteça. Sempre. E foi então que, na parte inferior da escada do 22º segundo andar, em uma indescritível manhã chuvosa de quinta-feira em Nova York, com Bella chorando em meus braços, que eu percebi o que ela realmente significava para mim.
Ela desabou, assim como eu esperava, e o som do seu choro penetrou meu coração.
"Shh." Eu murmurei, levantando um braço para acariciar seu cabelo. Deus, o cheiro era ainda melhor e mais suave do que eu sonhei. "Vai ficar tudo bem." E tanto quanto eu queria chamar aquele idiota do Jake de todos os palavrões conhecidos pelo homem, eu sabia que não era o que ela precisava ouvir.
Virei minha boca para o ouvido dela e sussurrei, "Bella, você merece alguém que vá apreciar o tesouro que você é. Alguém que vá acordar todas as manhãs e agradecer suas estrelas da sorte por isso-"
Ela se afastou de mim, e meus braços doíam fisicamente por ela novamente.
"O quê?" Ela perguntou com um olhar perplexo.
"Eu-eu sinto muito. Mas eu ouvi a sua conversa com Jake. Bella, se ele não vê o presente que você é... que ambas, você e Maddie, são..."
"O quê?" Ela perguntou de novo. Um som abafado escapou da sua garganta. Ela trouxe uma mão para cobrir sua boca antes de rapidamente sentar no último degrau da escada, como se temesse que suas pernas falhassem. Ela abaixou a cabeça em suas mãos e começou a chorar novamente.
Eu fiquei lá parado, confuso e inseguro quanto ao que fazer. Após alguns segundos, ela olhou para mim novamente. Seus olhos castanhos se prenderam nos meus e me chamaram, do jeito que sempre faziam. Mas neles havia mais medo e agonia do que eu poderia ter imaginado, e, de repente, eu sabia que isso era mais do que apenas um coração quebrado.
Eu fui abruptamente tomado por uma dor aguda de medo.
Ajoelhando-me na frente dela, eu sussurrei, "Bella, o que está acontecendo?"
Os olhos de Bella procuraram os meus, como se procurassem por algo que pudesse guiá-la em sua resposta. Lentamente, ela levantou uma mão trêmula em minha direção. Ela estava segurando alguns papéis que eu não tinha notado antes.
"Eu recebi isto esta manhã, antes de sair para o trabalho".
Com minhas próprias mãos tremendo agora, eu peguei os papéis dela e os abri.
Tribunal de Família do Primeiro Distrito do Estado de Washington
Condado de Clallam
Em matéria de:
Paul Andrew Forrester, Requerente
Contra
Isabella Marie Swan, Ré
Documento Nº 99D-0010
Para: Isabella Marie Swan, Guardiã Legal de Madisen Grace Swan, menor.
Você está aqui ordenada, pelo Estado de Washington, a comparecer perante o Tribunal de Sucessões e Família em Port Angeles, no condado de Clallam, no dia 13 de outubro do ano de 2010 às 09hs.
Você está convocada para uma audiência sobre a questão de: Madisen Grace Swan (anteriormente Forrester) e os direitos de paternidade do Requerente sobre tal criança.
Você é obrigada a comparecer perante o Juiz do tribunal na data e horário agendados acima. Você deve trazer com você os resultados autenticados de um exame de DNA oficial e legal para determinar a paternidade da menor acima, altura em que todo e qualquer direito do Requerente será determinado, bem como arranjos de custódia da menor discutida.
É fortemente aconselhado que você traga um advogado com você para essa audiência. Se você não aparecer na hora e data acima mencionados, perderá todos e quaisquer direitos de audição e será obrigada a cumprir com todas e quaisquer determinações e/ou achados deste tribunal. Você também estará sujeita a tais dores e penalidades como a lei prevê.
Se você tiver alguma dúvida antes desta audiência...
Fechei meus olhos e respirei fundo. Era como se um peso enorme tivesse sido arremessado no meu peito a cem quilômetros por hora. Minha mente lutava para dar sentido ao que eu tinha acabado de ler.
Os soluços baixos de Bella arrancaram-me da enxurrada de perguntas que invadiram minha mente.
"Ele nem mesmo a quer." Ela sussurrou, suas mãos segurando a parte superior da sua cabeça. "Eu tentei falar com Jake durante toda a manhã. Eu finalmente consegui encontrá-lo agora. Ele me disse..." – a voz dela quebrou outra vez - "ele disse que não queria me preocupar, por isso ele não tinha me dito que Paul, meu ex-marido, voltou para Forks há algumas semanas".
Por alguma razão, eu senti minhas mãos se enrolarem em punhos aos meus lados.
"Ele esteve perguntando por mim. Querendo saber para onde eu fui, mas... eu só disse para algumas pessoas que eu estava vindo para Nova York. Nenhuma delas jamais diria a ele." Ela respirou fundo, como se o ato de falar estivesse fisicamente a machucando. "Jake não vai me contar todos os detalhes, mas, aparentemente, ele e Paul entraram em algum tipo de... briga, depois que Jake se recusou a dizer a ele onde eu estava." - Eu notei que ela continuava dizendo que seu ex-marido estava perguntando onde ela estava, não onde elas estavam, como onde Bella e Maddie estavam. "Ele disse para Jake que não importava, de qualquer maneira, se ele não dissesse a ele, porque ele sabia exatamente como me trazer de volta para Forks e me fazer ficar".
Ela finalmente levantou seus olhos para mim. Lágrimas silenciosas escorriam pelo seu rosto.
"Ele nunca a quis, Edward. Pelo menos... pelo menos se eu soubesse que ele realmente se importava com ela. Eu nunca teria separado a minha filha de um pai que realmente a amasse. Mas ele quase nem reconheceu a existência dela, ou olhou para ela. E ele nunca olhou para ela do jeito que você-"
Ela olhou para baixo, sem terminar sua frase. Suas mãos se moviam nervosamente em torno uma da outra.
"Ele só a está usando." Ela continuou. "Ele a está usando para-"
"Chegar até você".
Ela soltou uma risada dura, amarga. "A coisa é, ele realmente não me quer também. Ele é como um menino mimado que teve o pote de doces escondido dele. Ninguém diria a ele onde eu estava, então ele colocou os tribunais para me encontrar. E agora ele está fingindo querer Maddie".
Dois pensamentos, em separado, mas ainda relacionados, de repente passaram pela minha cabeça.
Elas são minhas. Proteja-as.
Eu dei outra olhada na carta ainda na minha mão.
... resultados de um exame de DNA oficial e legal para determinar a paternidade...
Eu suspeitava... eu meio que sabia que Maddie carregava o nome de solteira de Bella, em vez do de seu pai. Havia tantas perguntas...
"O que eu farei?" Bella gemeu baixinho, mais uma vez trazendo-me de volta para a prioridade real aqui. Ela parecia estar perguntando mais para si mesma do que para mim. No entanto, eu ansiava por puxá-la de volta em meus braços e dizer-lhe que tudo ficaria bem. Mas Bella precisava de ajuda, não garantias vazias.
"Você tem um advogado?" Perguntei gentilmente.
Ela deu outro suspiro profundo. "Eu usei esse homem que meu pai conheceu através do trabalho, Stan Michaels, para o divórcio. Eles costumavam pescar juntos." Ela sussurrou. "Ele foi bem, eu acho. Eu recusei quaisquer direitos a pensão alimentícia, e Paul... ele fez algumas acusações... eu não as contestei. Eu só queria que aquilo acabasse. Quando eu mudei o sobrenome de Maddie, Paul não contestou. Isso praticamente selou o negócio. Não houve necessidade de qualquer ajuda à criança. Fora isso, nós não discutimos muito." Ela bufou. "Foi um corte limpo e seco".
Cada palavra que ela falava fazia minha mente queimar com mais e mais perguntas. Mas eu tinha que manter o foco.
Elas são minhas. Proteja-as.
Não havia nenhuma maneira no inferno que o amigo de pesca do pai de Bella chegasse perto disso.
Estendi a mão lentamente e tomei uma das mãos de Bella. Ela olhou para cima, surpresa, mas não se afastou.
"Bella, deixe-me fazer algumas ligações. Eu posso conhecer alguém-"
Ela inclinou seu rosto molhado de lágrimas, intrigada com as minhas palavras. "O quê?" Ela parecia tão confusa, tão quebrada. Eu não a tinha ouvido fazer essa pergunta tantas vezes em um dia desde que a conheci.
Ela de repente fechou seus olhos e balançou a cabeça rapidamente, antes de abri-los de volta e olhar para mim como se tivesse acabado de perceber tudo o que ela me mostrou e me disse.
"Edward, não. Olhe, eu sinto muito. Eu não deveria ter-" Ela fechou seus olhos novamente. "Apenas - apenas esqueça tudo isso? Ok? Isso não é algo com o que você precise se preocupar." Ela olhou para baixo para a intimação judicial em minha mão e lentamente a pegou de mim.
Ela levantou e endireitou-se, limpando as lágrimas do seu rosto. "Eu tenho uma reunião com Rosalie e o resto da nossa equipe em dez minutos. Eu tenho que me preparar para isso. A última coisa que eu preciso agora é ficar sem emprego".
Levantei-me e a encarei. "Bella-"
Ela balançou sua cabeça novamente. Eu podia ver as lágrimas ameaçando nos cantos dos seus olhos mais uma vez. O medo era evidente em cada fibra do seu ser. Como diabos ela estava planejando passar pelos próximos dez minutos, quanto mais o resto do dia?
Peguei seu rosto em minhas mãos e a forcei a encontrar meu olhar. "Bella, eu farei alguns telefonemas." Ela começou a protestar, mas eu falei mais alto. "Vá para a reunião e eu ligarei para você." Meu tom não deixou espaço para argumentos.
Seus olhos encontraram os meus e o olhar derrotado dela me abalou até o âmago. Esta não era a Bella que eu conhecia.
Eu queria abraçá-la contra mim de novo e dizer a ela que só tirariam Maddie dela por cima do meu cadáver. "Bella, ninguém levará Maddie embora." Eu disse a ela, aumentando meu aperto em seu rosto, ao invés de puxá-la para mim como eu realmente queria.
"Você não sabe disso. Você não conhece... ele".
"Eu talvez não o conheça, mas eu conheço outras pessoas. Por favor, Bella. Deixe-me ajudá-la".
Ela deve ter visto algo nos meus olhos. Ela deu-me um pequeno aceno de cabeça e eu ofereci a ela um pequeno sorriso em troca. "Agora, vá. Tudo ficará bem, Bella".
Ficamos ali em silêncio por alguns momentos, o rosto dela ainda entre as minhas mãos, até que eu a senti começar a se afastar e eu automaticamente retirei minhas mãos do seu rosto. Sem outra palavra, ela se virou e caminhou para fora da escada.
Eu fiquei congelado no lugar por cerca de cinco segundos antes que meus pés viessem à ação e eu subi as escadas de três degraus por vez até o meu escritório.
Ignorando as mensagens de Ângela sobre as ligações que eu perdi enquanto estive fora do meu escritório, eu gritei, "Segure todas as minhas ligações. E se alguém vier me procurar, diga para voltar mais tarde," antes de entrar em meu escritório, fechando a porta atrás de mim.
Disquei o número do telefone celular do meu tio rapidamente, amaldiçoando quando ele não atendeu. Eu desliguei e liguei novamente, e novamente foi direto para a caixa de mensagens.
"Porra!" Eu rosnei, já discando o número do seu escritório. Sua secretária atendeu e me disse que ele estava em uma reunião.
"Você pode, por favor, chamá-lo e dizer que é seu sobrinho, Edward, e é uma emergência".
O silêncio preencheu a outra linha por alguns segundos antes da sua secretária responder, "Sr. Cullen, o Sr. Volturi tem ordens estritas para não ser incomodado quando ele está em uma-"
Deixei escapar uma rajada de ar, passando a mão pelo meu cabelo. "Olha, você tem duas opções. Ou diz a ele que eu estou na linha e preciso falar com ele AGORA, ou esteja pronta para me ver espancar as portas do seu escritório se eu tiver que ir até aí".
"Espere um momento, Sr. Cullen." Sua secretária rapidamente disse em uma voz irritada.
Exatamente quando eu estava me preparando para desligar e fazer valer a minha promessa, Aro entrou na linha.
"Edward?"
"Tio Aro. Desculpe por tirá-lo da sua reunião".
"Está tudo bem. Família vem em primeiro lugar, você sabe disso. O que está acontecendo?" Ele perguntou com uma voz preocupada.
"Eu preciso de ajuda".
"Claro. O que aconteceu?"
Hesitei por apenas uma fração de segundo. "Eu preciso do nome do melhor advogado de família que você conhece, de preferência alguém com experiência em casos de paternidade".
"O quê? Por quê? Do que se trata isso, Edward?"
"Ele precisa estar disponível imediatamente. Eu não me importo o quanto custe-"
"Ah, merda, Edward!" Tio Aro interrompeu. "Não me diga que você depositou dinheiro no cofre ontem à noite! Ah, merda! Filho, quantas vezes eu disse a você? Sem luva, sem amor! Cubra seu pedaço de tronco antes de transar! Se você não vai ensacá-lo, vá para casa e bata uma punheta!"
"Tio Aro-"
"Eu pensei que você fosse mais esperto do que isso, Edward!"
"Tio Aro! Não é de mim que estamos falando! Eu tenho uma amiga-"
"Uh, huh... uma amiga..."
"Aro, maldito seja, ouça-me!" Silêncio na outra linha.
"Eu tenho uma amiga cujo ex-marido está tentando conseguir a custódia da... filha deles".
"Custódia total ou parcial?"
"Eu não tenho certeza".
"Bem, se ele quer compartilhar a guarda, deveria ser direito dele, não deveria?"
"Aro, este homem... pelo que ela me disse... ele não é um bom cara, Aro. E ele não quer a menininha porque ele a ama, mas porque ele está tentando se vingar de B-, da sua ex-esposa".
Aro ficou em silêncio novamente. "Como você chegou a essa conclusão, Edward?"
"Eu disse a você. Ela é uma amiga minha".
Mais silêncio. "Esta amiga aconteceria de ser a muito nova Designer Gráfica?"
"Aro, você conhece alguém, ou não? Porque eu não tenho tempo a perder. Eu começarei a fazer outras ligações-"
"Relaxe, Edward. Relaxe." Eu o ouvi suspirar na outra linha. "O cara que eu usei para o meu último divórcio. Ele é top. Jeanine tentou dizer que o pãozinho que ela tinha no forno era meu, mas eu sabia melhor. Tive a certeza de que ele estava bem embrulhado antes de verificar o óleo dela." Ele riu. Tio Aro gostava de eufemismos. "Enfim, o cara me custou uma fortuna, mas valeu a pena, teria me custado mais suportar um pestinha que não pertence a mim".
"O nome dele é Jay Jenks. Ele tem um escritório enorme no centro, não muito longe de você, na verdade. Quer o número?"
"Sim. Obrigado." Eu respirei, apoiando meu telefone entre a minha orelha e o ombro enquanto pegava uma caneta e papel. Eu rapidamente rabisquei o número que meu tio me deu.
"Agora, ouça, Edward." Tio Aro continuou depois de me dar o número. "Esse cara não sai barato. Eu acho que eu sozinho paguei pela sua casa de verão em Santa Lucia".
"Isso não é problema." Eu respondi.
Ele ficou em silêncio mais uma vez. "Eu espero que ela valha a pena, Afilhado".
"Obrigado pela informação, Tio." Eu respondi, ignorando seu comentário. "Falarei com você mais tarde".
"Sim, falo com você mais tarde, Edward".
Desliguei e rapidamente liguei para o número que Aro tinha me dado. A secretária de Jay Jenks anotou meu nome e colocou-me em espera por cinco minutos.
Uma voz rouca veio finalmente do outro lado da linha. "Edward Cullen, a que devo a sua ligação?" Eu já podia dizer pelo seu tom de voz que ele tinha chegado a uma conclusão semelhante à do meu tio sobre o motivo de eu precisar ligar para ele.
"Eu consegui seu nome com meu tio, Aro Volturi. Eu tenho uma amiga que precisa da sua ajuda".
"Eu estou ouvindo".
Expliquei o que eu sabia, o que não era muito.
"Se ela é esperada no Tribunal de Justiça no Estado de Washington em menos de uma semana, nós teremos que vê-la imediatamente. Eu provavelmente posso colocar um dos meus advogados juniores no caso".
"O quê? Não! Não. Meu tio disse que você era o especialista. Você precisa pegar o caso." Eu não o estava deixando entregar o caso de Bella para algum advogadozinho sem experiência. Pensei em Bella e na aparência dela na escada esta manhã. Então eu pensei em Maddie e na forma como ela se agarrou a mim ontem depois de ter caído, e como seus grandes olhos castanhos iluminaram quando eu disse a ela que iria em sua casa hoje à noite levar suas meias novas.
"Eu pagarei a você o triplo do que o seu maior cliente está pagando agora. E você passa ele para um dos seus advogados juniores".
Ouvi Jay Jenks suspirar no outro lado da linha. "Filho, eu tenho uma porrada de casos na minha mesa agora. Eu tenho um cantor de rap que tem três mulheres diferentes afirmando que ele é pai do seu bebê e-"
"Ouça-me Jay." Eu comecei, "Eu não dou a mínima para qualquer porra de cantor estúpido de rap do caralho que não sabe melhor do que cobrir o seu funil antes de entrar no túnel," - meu tio estava começando a me afetar - "eu tenho uma menininha aqui com apenas um dos pais, e a porra de um doador de esperma que quer levar essa menininha para longe da sua mãe apenas para provar um ponto. Eu acho que isso supera o seu rapper idiota em qualquer dia".
Eu podia ouvir Jenks respirando com dificuldade na outra linha. Fechei meus olhos.
"Mande-a para o meu escritório em uma hora. Temos muito trabalho a fazer".
Eu soprei uma rajada enorme de ar e abri meus olhos novamente.
"Obrigado Jenks".
"Não me agradeça ainda, Cullen. Eu não sei porra nenhuma sobre o caso ainda. E se a sua amiga quer meus serviços pessoais, é melhor você ter certeza que ela está pronta para pagar uma porra de prêmio por eles".
"Isso é outra coisa." Eu disse. Eu me sentei. "Eu preciso que você diga para a Srta. Swan que você vai tomar o caso dela pro bono*".
* Pro bono é uma expressão derivada do latim que significa "para o bem do povo", ou seja, trabalho voluntário – não sendo, portanto, remunerado.
"O QUÊ?" Jenks gritou ao telefone. "Pro Bono! Agora, espere um minuto. Eu não faço qualquer porra de pro bono-"
"Acalme-se, Jenks. Eu não estou pedindo que você realmente leve o caso pro bono. Apenas que diga a ela que você está fazendo isso. Você estará faturando em meu nome para tudo, até o último centavo. E não poupe nenhuma despesa, Jenks. Você faz o que precisar fazer para garantir que este idiota não foda com a Srta. Swan ou sua filha novamente".
Jenks riu. "Hey, agora eu estou vendo a semelhança entre você e seu tio".
Nós desligamos, concordando que Bella o encontraria em seu escritório no centro em uma hora.
Eu fiquei parado na frente da minha janela por um momento, observando enquanto as pessoas munidas de guarda-chuva corriam para lá e para cá lá embaixo. Táxis amarelos buzinando com raiva para os pedestres que se recusavam a parar com a visão deles. Esta era Nova York, não havia tal coisa como o direito de passagem.
Para todos lá embaixo, era apenas mais um típico dia chuvoso em Nova York. Eles não sabiam que em algum lugar acima deles, havia uma mãe com medo de perder sua filha. E em um grande escritório, olhando para fora das suas janelas do chão ao teto, estava um homem com medo de perder a sua...
Sua o quê? Passei a mão pelo meu rosto. Uma coisa era fingir com uma estranha no meio da área de vendas da Nordstrom. Mas os acontecimentos desta manhã não eram fingimento, esta era a vida fodidamente real.
Tomei uma respiração profunda. "Ok." Eu disse, forçando meu foco de volta para o que tinha que ser feito agora. Eu rapidamente caminhei de volta à minha porta e a abri, correndo do meu escritório.
"Edward, o vice-presidente da NBC já ligou duas vezes. Ele quer discutir-"
"Agora não, Ang. Diga a ele que eu ligarei de volta." Eu gritei enquanto corria para a escada novamente. Ouvi Ângela soltar um suspiro de frustração atrás de mim.
Bella estaria na reunião com Rosalie e o resto do grupo agora. Como diabos eu explicaria a interrupção da reunião e a saída de Bella? Eu suspirei. Bem, não havia realmente nenhuma outra escolha. Jenks precisava de Bella em seu escritório imediatamente. Eu não podia esperar pelo término da reunião.
A secretária de Rosalie, Margaret, franziu a testa para mim quando percebeu que eu estava indo ao escritório de Rosalie, mesmo que a porta estivesse fechada.
"Edward, Rosalie está em reunião".
"Eu sei, Margaret." Eu respondi e girei a maçaneta.
"... precisa mover o ângulo da imagem cerca de vinte graus para a..." Rosalie parou, olhando para cima da tela na qual ela e o resto da sua equipe estavam concentrados. Ela franziu o cenho quando me viu parado na porta.
"Edward. O que é isso?"
Eu não conseguia pensar em nenhuma desculpa. "Uh, eu preciso falar com Bella por um segundo." Olhei para Bella. Ela parecia assustada e completamente fora de órbita, como se não tivesse sido capaz de focar em uma maldita coisa desde esta manhã.
Rosalie pareceu confusa. Ela abriu a boca para dizer alguma coisa e depois a fechou de novo. "Agora? Estamos no meio de uma reunião".
"Sim, tem uh - eu tenho alguém no telefone e uh - eu preciso..." Eu não tinha a fodida ideia do que eu estava dizendo. Olhei para Rosalie, implorando a ela com meus olhos..
"Bem, vá em frente, então." Rosalie concordou, para a minha completa surpresa. "Tente se apressar, porém, temos algumas mudanças para fazer com este quadro e eu preciso dela".
Eu balancei a cabeça rapidamente, olhando ao redor da sala. James me observava com curiosidade. Eu não poderia dar uma merda para o que ele pensava. Lauren, por outro lado, havia estreitado seus olhos suspeitosamente, um pequeno sorriso zombeteiro nos cantos da sua boca. Eu também não me importei com o que ela pensava.
Bella se levantou do seu assento, evitando os olhos de todos. "Com licença." Ela murmurou baixinho antes de sair pela porta. Eu a segui para fora e fechei a porta atrás de mim.
"Vamos." Eu disse a ela, uma vez que ela encontrou meus olhos. Ela parecia perdida. Nós caminhamos em silêncio para a escada e eu abri a porta para ela e a segui a meio caminho descendo as escadas, onde nós dois paramos.
"Eu encontrei um advogado especializado em direito de família, mais especificamente em casos de paternidade".
Os olhos de Bella arregalaram e suas bochechas coraram, como se o que eu disse a tivesse envergonhado de alguma forma.
"Eu disse a ele sobre a audiência. Ele precisa encontrar com você imediatamente, no entanto. O escritório dele não é muito longe daqui. Se você quiser-"
Bella franziu a testa. "Edward, como fez isso- o quê-" Ela fechou os olhos como se estivesse tentando organizar seus pensamentos. Ela respirou fundo e reabriu os olhos, franzindo a testa. "Quem é ele?"
"Ele é um amigo do meu tio. Seu nome é Jay Jenks." Retirei o papel em que eu havia anotado o seu nome, número de telefone e endereço e entreguei a ela.
Ela olhou para a minha mão por alguns segundos antes de lentamente tomar o papel de mim. Ela olhou para ele como se estivesse tendo dificuldade em entender o que estava escrito.
Uma única lágrima escorreu pelo seu rosto. Levou todo o meu esforço para não me inclinar para ela e enxugá-la com um beijo. Ou, para puxá-la em meus braços novamente, do jeito que ela tinha estado menos de meia hora atrás. Eu sabia que, em algum momento, eu estaria revivendo aquele momento novamente, mas agora não era hora para isso.
Quando olhou de volta para mim, ela tinha lágrimas em seus olhos novamente. "Edward, eu aprecio tudo o que você está tentando fazer. Mas..." Ela amassou o papel na mão. "Eu não posso pagar um especialista-"
"Ele se ofereceu para pegar o caso pro Bono".
Seus olhos arregalaram de novo. "O quê?"
"Sim." Eu menti sem problemas. "Meu tio... bem, ele deu a ele um monte de casos, então..." Eu dei de ombros.
Bella abriu sua mão e olhou para o papel novamente. Ela mordeu seu lábio, como se debatesse algo. Eu não queria dar a ela muito tempo para pensar sobre isso.
"Ele está esperando por você, nesse endereço".
Ela olhou para mim rapidamente. "Mas e o trabalho? A reunião? Rosalie está esperando por-"
"Eu cuidarei de Rosalie." Assegurei a ela. Eu lentamente estendi a mão e peguei a dela, dando-lhe um aperto suave. Era como se, tendo finalmente a sentido, tendo provado um gostinho do seu calor, eu não pudesse me impedir de tocá-la mais. Bella olhou para as nossas mãos, mas não se afastou.
"Bella. Tudo vai ficar bem. Eu juro para você".
Ela balançou a cabeça. "Há tanta coisa que você não sabe. Paul... ele não lutou muito contra o divórcio, ou a mudança de nome de Maddie, porque isso convinha a ele na época. Mas quando ele luta, ele luta sujo. Ele fará, ou dirá qualquer coisa... Ele está acostumado a conseguir as coisas do seu jeito".
Uma fúria queimando de repente tomou conta de mim. O que aquele filho da puta tinha feito para Bella e Maddie?
"Pode ser," eu comecei, "mas, infelizmente para ele, eu também sou assim".
Agarrei a mão dela e, com minha outra mão, levantei seu queixo com meu polegar e o dedo indicador até seus olhos encontrarem os meus. Eu olhei para ela atentamente. "E eu digo que ninguém levará Maddie para longe de você".
Na minha mente, eu emendei ligeiramente. De nós.
Nota:
Agora vc´s já sabem quem era o ex-marido de Bella e pai da Maddie. Edward já cuida das suas garotas como se elas fossem verdadeiramente dele. O próximo cap. continua em POV Edward...
Alguém perguntou sobre postar dois capítulos durante a semana... por enquanto é impossível isso, já que os capítulos são grandes. Até o cap. 20 a Nai já traduziu e eu tenho que traduzir os outros 19, então não vamos apressar as coisas agora.
E sobre a pessoa que teve a "brilhante" ideia de perguntar se eu tinha abandonando a fic... sério, se não tem nada útil pra falar, não perca seu tempo deixando review! Pq se não percebeu, eu tenho postado 1 cap. por semana dessa fic. E se eu "atraso" um dia, não quer dizer que eu abandonei a fic.
Aliás, a partir de agora, não tem mais dia certo para postar essa fic. Continuarei postando um cap. por semana, mas não vou colocar um dia pra ninguém ficar me cobrando se eu atrasar um dia.
Deixem reviews e até semana que vem!
Ju
Ah, minha amiga Lary começou a postar uma nova fic, chamada "Real Women Have Curves", passem por lá, leiam e comentem! O link da fic é:
www. fanfiction s/ 8438677/ 1/
(retirar os espaços)
E a Nai tb está postando uma tradução, chamada "A Betting Man", é uma história bem legal. O link da fic é:
www. fanfiction s/ 8385441/ 1/ A_Betting_Man_for_mybluesky
(retirar os espaços)
