Dessa vez não demorei tanto, não é mesmo?
Muitas emoções nesse capítulo, gente! Ao menos foi assim para mim... :D
Se caso algo ficar confuso, por favor me avisem, eu conserto ou explico melhor num capítulo seguinte. Mas, qualquer coisa, deixarei nas notas finais o capítulo de Inuyasha em que me baseei para escrever algumas cenas, não digo agora porque quero que vocês adivinhem. Hohoho!
Boa leitura!
Capítulo 9 – Amarga descoberta.
— Onde pensa que vai, Annabelle Rose? — o babuíno apareceu de pé diante da mulher, com um objeto esférico parecido como o que dera a ela.
— Não vou mais ficar aqui esperando! Você viu aquilo?! — apontou o céu, ainda escurecido pela quantidade de presença maligna.
— Esqueceu-se do que seu jovem mestre disse outro dia? Seu lugar é aqui.
— Desculpe, mas terei que desobedecê-lo! — puxou as rédeas do cavalo e preparou-se para saltar por cima de Naraku se precisasse.
— Tiveram uma noite e tanto, não foi mesmo? — a indagação fez com que Annabelle freasse.
— Como sabe?! — o ninho de abelhas-youkai à mão do sujeito elucidou-a — Você estava nos observando? Como pode ser tão sujo?!
— Hu, hu, hu... como você é burra, mulher... — escarneceu — Acredita que depois de ontem, Hitomi Kagewaki irá querer alguma coisa com você?
— Não fale do que você não sabe!
— Você já deu a ele o que queria, não há razão para o jovem mestre vê-la novamente e ele mesmo me mandou dizer isso.
— Isso é mentira. — Annabelle afirmou confiante.
— Acha mesmo que ele se casaria com você, uma estrangeira sem berço e terras, sem nada a oferecer?
— Naraku, saia da minha frente. — ordenou severa.
— Ele me pareceu muito interessado em uma certa exterminadora de youkais que está sob os cuidados dele no castelo... Como era o nome dela mesmo? Oh, sim! Sango. — atiçou.
— Se não sair daí, farei esse cavalo passar por cima de você. — avisou, preparando-se para trotar.
Ele ficou. Annabelle cumpriu a ameaça, partiu com o cavalo sem se importar com o obstáculo à frente. Ágil, Naraku se esquivou e saltou num galho da árvore mais próxima.
"Ela é mais segura e determinada do que eu pensava" — concluiu. Alguns insetos venenosos saíram da toca e, por ordem dele, seguiram Annabelle. O babuíno sumiu como fumaça. Em seu lugar, um objeto de madeira enrolado por um fio de cabelo se cravou na terra.
Ela correu floresta adentro, subiu e desceu os desníveis de terra e rochas, fez o cavalo atravessar pequenos córregos, parava apenas quando o animal necessitava de comer e beber, depois a jornada persistia. Ao passar pelo primeiro vilarejo, percebeu que estava sem o capuz e se desesperou por segundos.
Não havia tempo a perder, que a vissem! Cansara-se de esconder suas feições para se proteger da ignorância das pessoas comuns...
E foi perseguida. Por homens, por mulheres, por idosos e crianças aos berros, com tochas às mãos. Ignorava-os durante as árduas perseguições, não olhava para trás, tinha a natureza a seu favor. Enfim seu dom serviu para ajudá-la. Os galhos fechavam-se, a floresta se tornava um labirinto ao bel prazer de Annabelle e ela era perdida de vista.
"Por que não consigo encontrar o maldito castelo? Eu tenho certeza de que era por aqui!" — queixava-se enquanto o tempo passava, noites tornavam-se dias e o nó na garganta ficava cada vez mais apertado.
— Keh! Lá vão vocês me fazer perder tempo com essa história de ajudar os outros! — o meio-youkai dos cabelos prateados e orelhas de cachorro resmungou.
— Inuyasha, precisamos de dinheiro se quisermos sobreviver. Infelizmente, parece que a busca pelo paradeiro de Naraku será mais demorada do que esperávamos. — o monge amigo bateu levemente na cabeça do outro com seu bastão dourado.
— Dizem que certa youkai já passou por outros vilarejos e agora está se aproximando desse... — a exterminadora comentou — as pessoas estão apavoradas...
— Dizem também que ela é deslumbrante — o monge devaneou inspirado.
— Ai, Miroku, ninguém merece você! — um pequeno youkai raposa, acomodado no colo de uma adolescente com trajes escolares, o repreendeu.
Miroku riu desajeitado enquanto Sango o encarava reprovadora e de braços cruzados.
— Que estranho, não ouvimos dizer que ela fez mal a alguém... — Kagome mostrou-se pensativa — E se ela for como Inuyasha?
— Como assim, o que quer dizer com isso?! — os olhos dourados estreitaram-se mal-humorados.
— Ué, ela pode ser uma youkai boa. — o respondeu.
— Tá querendo dizer que sou bonzinho?! — estufou o peito, de orgulho ferido.
— Lá vem ela! — um senhor de idade gritou e apontou um cavalo cor de caramelo se chegando devagar na pequena aldeia, exausto. Sobre ele, uma mulher abatida e inexpressiva.
Inuyasha, impulsivo, puxou a Tessaiga e preparou-se para o combate. A valentia durou poucos segundos até ele perceber que a moça não provia de energia sinistra, além disso, o corpo dela, sem forças, escorregou do lombo alourado e ela caiu como uma folha de papel ao chão, desfalecida.
— Ela é humana, e não está nada bem. — Inuyasha guardou a espada e mirou os amigos.
Kagome correu até a garota e apalpou-lhe os ombros:
— Ei, o que você tem?!
A forasteira revirou os olhos orvalhados e fundos como resposta. Miroku foi até onde a viajante do futuro e a estranha estavam, pegou Annabelle nos braços e levou-a para dentro do casebre onde ele e os outros arranjaram hospedagem.
Os aldeões olhavam curiosos e confusos. Como ela não seria uma youkai?
— Há pessoas como ela em outros lugares do mundo, não se preocupem. Ela é só uma mulher, como eu. — Kagome, sorridente, explicou a todos. Em seguida, entrou na pequena propriedade onde estavam Miroku, Sango tomando conta das atitudes profanas do monge, e Shippou com Kirara nos braços. Inuyasha chegou por último, desconfiado. Kagome vislumbrou a desconhecida deitada sobre um amontoado de palha e lamentou compassiva: — Coitadinha... deve ter sido uma jornada e tanto pra ela.
Annabelle despertou devagar, o cheiro de uma comida suculenta a trouxe de volta ao mundo. Sentou-se ainda atordoada, havia uma bandeja ao lado de onde estava acomodada. Não pensou meia vez, pegou a tigela com uma espécie de ensopado e tomou-o esganada, como se não houvesse amanhã.
— Você está bem? — uma garota de vestes estranhas perguntou. Os outros a olhavam silentes, abismados com seu apetite e o modo rústico como ela devorava o alimento.
— Quem são vocês? — Annabelle largou a tigela na bandeja, limpou a boca com a mão, totalmente sem modos, e fitou-os acuada.
— Quem é você, isso sim?! Nem te conheço e já está me dando trabalho! — Inuyasha, como sempre, tinha de ser resmungão.
— Inuyasha... — Kagome ameaçou-o com o olhar e ele parou. Depois, tornou a dar atenção à mocinha sob sua cautela. Explicou a ela quem era cada um do grupo: — Meu nome é Kagome — sorriu amistosa – esse aqui é o Shippou, — suspendeu o pequenino em suas mãos, ele também sorria — aqueles são Miroku e Sango, e o mal-humorado, como você pode ver, é Inuyasha. — comentou, brincalhona, sem se importar com os orbes âmbares encarando-as birrentos e continuou a puxar assunto — Caramba, você está faminta mesmo hein!
— "Sango?!" – Annabelle reconheceu o nome assim que proferido. Cravou o olhar na figura feminina, imponente e bela. Sentiu frio no baixo-ventre e amargor na garganta. Respirou fundo, engoliu a saliva para desentalar-se da péssima sensação e, simulando-se natural, respondeu à garota que lhe era tão simpática: — Não como há quase cinco dias. — revelou, causando espanto.
— Então é melhor trazer mais comida para ela! — disse um Miroku de olhos arregalados.
— Você parece uma princesa da Disney, — Kagome comentou divertida — de onde você é?
— Não conheço esse reino... — referiu-se ao estúdio conhecido na era atual e arrancou uma risada de Kagome — vim da Escócia, Terras Altas. — respondeu a pergunta da menina ainda atenta à outra mulher ali presente. Naraku, no fim das contas, contou-lhe alguma verdade. A exterminadora de youkais existia. Acima da desconfiança, porém, jazia a lembrança de que a saúde do jovem mestre era extremamente frágil e não havia ninguém para ajudá-lo na ausência dela. — Como está my lord Hitomi Kagewaki? — perguntou direta, um pouco por ciúme, muito mais por preocupação.
— Oh! — Sango foi pega de surpresa — Você também o conheceu...
— Como ele está? — insistiu.
— Me desculpe, mas eu não sei... — respondeu lamentosa.
— Há dias tento encontrar o castelo, mas não consigo. — Annabelle confessou.
— E nem vai, graças a Naraku. — Inuyasha disse sem polidez alguma — Aquele cretino está se escondendo por trás de uma barreira.
— Vocês também o conhecem? — os olhos azuis expandiram-se.
— Ela conhece Naraku?! — Shippou caiu para trás.
— Mas é claro, estamos atrás dele! — o meio-youkai cachorro respondeu ao mesmo tempo em que sorria seguro de si.
— Por quê? — questionou atordoada.
— Naraku quer juntar os fragmentos da Joia de Quatro Almas para se tornar um youkai completo, quando isso acontecer, ele será invencível e suas atrocidades não terão limites. — Sango revelou rancorosa.
— Joia de quatro almas... o quê? — Annabelle, desorientada, massageou a testa, a cabeça latejava.
— Ele fez algo de mal a você? — Miroku perguntou, ajoelhado ao lado dela e segurando-lhe a mão.
— A mim? Não... mas, e se ele fizer a Hitomi?! — apavorou-se.
Sango quis falar algo, mas se calou e mudou de assunto:
— Você precisa descansar... quando estiver se sentindo melhor pela manhã, podemos conversar com calma.
Como ela conseguiria dormir com a suspeita de que Naraku fizera algo a seu Hitomi?
— Quem é Naraku realmente? — indagou nervosa. Era sensitiva, percebia nas expressões daquelas pessoas um conhecimento denso sobre o sujeito, via em seus traços aturdidos boa dose de mágoa, rancor e sede por justiça.
— Naraku... — Kagome começou, e Inuyasha a censurou — Qual é o problema? Acho que ela merece saber. — prosseguiu — Naraku é um meio-youkai que nasceu da fusão entre vários youkais e um bandido chamado Onigumo... — então, Kagome regressou aos tempos em que Kikyou era viva e narrou brevemente sua história com Inuyasha, comentou sobre o que era a joia de quatro almas e o que Naraku fizera há cinquenta anos para obtê-la. Enquanto a adolescente falava, Inuyasha mantinha-se à porta, de braços cruzados e rosto virado para fora, quieto. Aquele ser não poupava ninguém, deleitava-se com o sofrimento alheio. Por quê?!
Annabelle percebia que o conselheiro de seu noivo tentara jogá-la contra Sango e o próprio amado, e não só, Naraku, em outras circunstâncias, conspirara para que Hitomi pensasse o pior sobre ela. Sentiu o mesmo arrepio de tempos atrás percorrer toda a espinha. Os olhos tremularam, emocionados diante do conto de desencontros amorosos provocados pelo tal babuíno branco, indignados com a sádica conspiração do sujeito e, apavorados por em seu íntimo, ela saber que era mais uma vítima disso.
— Inuyasha e Kikyou não foram as únicas vítimas de Naraku... — Miroku afirmou a segurar a própria mão, sério de um modo que a estrangeira ainda não vira. O monge contou sobre a maldição de sua família — o buraco do vento —, relatou como viu seu próprio pai ser engolido pelo rombo na palma da mão, o negrume dos olhos tremeluziu. Sango baixou o olhar ao chão e manteve-se tácita. Diferentemente do monge cujo semblante parecia melancólico, o dela misturava tristeza à raiva.
Se tudo o que Kagome e Miroku contaram fosse verdade, a vida de Hitomi corria grave risco e cada segundo que Annabelle passava no pequeno cômodo com os desconhecidos era sagrado para ela tentar fazer alguma coisa. Levantou-se, brusca.
— Aonde você vai?! — Miroku perguntou.
— Procurá-lo. — decretou — Procurar my lord Hitomi.
— Acalme-se. Como se chama? — Sango sentou ao lado dela.
— Annabelle Rose. — apresentou-se.
— Que nome horrível! — Inuyasha gargalhou espontâneo.
— Inuyasha... senta! — Kagome perdeu completamente a paciência e usou o poder do kotodama. O pobrezinho caiu espatifado no chão de madeira, arrancando um riso descontrolado da estrangeira. Apesar de Annabelle estar à flor da pele, não resistiu à cena cômica. Inuyasha a encarou emburrado e fez mais uma de suas reclamações. Ela pigarreou, depois retomou a seriedade e a postura.
— Anna... erh, Anna, — Sango desistiu de falar o nome completo — Escute, eu preciso encontrar aquele castelo também. Meu irmão... ou o que deveria ser meu irmão está sob a tutela de Naraku lá. Então, descanse hoje, e a partir de amanhã o procuraremos, todos juntos — afagou-lhe o ombro bordado com pérolas e dedicou-lhe um pequeno sorriso compreensivo.
Annabelle desarmou-se mesmo agoniada e retribuiu aquele sorriso com outro. Sango possuía uma aura terna num corpo de guerreira, mesmo se a escocesa desejasse, não conseguiria alimentar sentimentos ruins em relação à donzela com gestos de heroína. Naraku falhou uma vez mais ao tentar manipulá-la.
Inuyasha desistiu de ser antipático, até porque a maioria do grupo estava decidida a acolhê-la ao menos por aquela noite. Um pouco acima do telhado, alguns insetos detestados por Annabelle sobrevoavam.
Dormiram no mesmo cubículo, todos espalhados. Sango arranjou os lugares de modo que Miroku ficasse bem longe de Annabelle, afinal, sabia-se muito bem o quanto o monge era safado.
Por mais que tentasse, a estrangeira não conseguiu se manter em alerta, estava muito cansada. Em seus sonhos, a aranha nigérrima apareceu para atormentá-la como sempre, e dessa vez abraçava entre as oito patas longas e peludas o belo filho do senhor do castelo. Annabelle quis alcançá-lo, e novamente estava atada à teia. Os fios brancos e trançados balançaram-se, alguém além dela estava ali, aproximando-se. Pelo peso, vinha pelo lado esquerdo. Afoita, ela virou o rosto e o viu — o focinho esverdeado do primata colado à sua maçã empalidecida de pavor, os olhos rubros cintilando incendiados de vileza.
Annabelle despertou aos berros. Apalpou o leito de palha, mirou os cantos da pequena casa. Estava só.
Barulhos intensos vinham de fora, bem como os ruídos de monstros, parecidos com os que ela ouvira no dia em que testemunhou uma horda de youkais sobrevoando o céu. Levantou-se abrupta e foi tropeçando sobre os outros leitos vazios até alcançar a porta e apoiar-se nela e conjecturar o que se sucedia lá fora. Havia um menino ajoelhado ao chão, os dedos alcançando as próprias costas. O lume lilás de um fragmento precioso depositado por trás do ombro do garoto refletiu nos olhos celestes, pela primeira vez ela teve contato com um pedaço pífio da tal pérola amaldiçoada.
Um bumerangue gigante – assim ela chamaria – acertou a robusta espada do sujeito dos cabelos esbranquiçados e jogou-a longe, transformando-a em uma simplória arma enferrujada. Annabelle correu até Sango e ficou ao seu lado.
"Esse deve ser o irmão dela!"
A exterminadora pegou a espada de Inuyasha, causando espanto em todos. Chamou seu youkai de estimação — Kirara em maior tamanho — e, então, o menino apontou o indicador para a dona dos cabelos de fogo.
— Naraku deseja vê-la. — os olhos amadeirados permaneciam inexpressivos. E assim ele partiu, montado em uma das gigantescas centopeias voadoras.
Annabelle não perdeu tempo e montou atrás de Sango no lombo do felino de várias caudas. Seu peito arfava, o sangue circulava célere por todo o corpo a ponto de ela senti-lo fluindo. A pele ardeu junto aos olhos em chamas, afoitos pela verdade.
As duas mulheres foram encobertas pelo fulgor. O caminho, repentinamente, nada mais era do que um extenso brilho sem direções certas. Quando, enfim, toda luz se dissipou, um castelo imponente se desvendou entre a vasta cortina púrpura de miasma.
Annabelle reconheceu sua antiga morada, outrora clara e enfeitada por um belo jardim, no presente lúgubre e sem vegetação alguma. Estava tudo morto.
Pousaram sobre o telhado, em uma extremidade oposta àquela de onde uma voz sombria se anunciou, cobrando de Sango o gládio prometido. A exterminadora lançou o "bumerangue" sobre o teto acima e o babuíno se revelou, sentado aos degraus.
Primeiro, o sujeito encaminhou o olhar malfazejo à ocidental ansiosa e ela se sentiu empalada neles, ficou imóvel, olhos e boca abertos sem reação, em choque. Depois, Naraku tratou de cumprimentar a outra convidada.
Sango saltou do telhado. Annabelle, ainda nele, presenciou o conflito entre um hanyou perverso e uma humana assolada. Soube, finalmente, qual foi o destino dos exterminadores chamados pelo pai de Hitomi – parentes da oponente do babuíno branco – ao tentarem eliminar o aracnídeo que cercava a propriedade. Cada vez mais seu coração trepidava, a mão tremelicava enquanto apertava o pingente lunar. Tudo girou ao redor, e só parou quando Sango desferiu o golpe que rasgou a manta do conselheiro de seu noivo.
Os cabelos negros espalharam-se, a vestimenta nobre e arroxeada se desvelou, e, quando o vento acalmou, as cortinas onduladas e negras se abriram, revelando um rosto conhecido.
— Não é possível... — era para ser uma exclamação, todavia a voz saiu entrecortada e fraca, Annabelle largou o pingente, os braços balançaram na leveza da brisa, inativos. Os orbes rubros sorriam, mirando-a mergulhados em prazeres obscuros.
Ele queria despedaçá-la por dentro?
— Mas você é o jovem mestre desse castelo! — Sango, também aturdida, se pronunciou diante o aspecto do inimigo.
— Kagewaki, um grande líder... Ordenou um grande funeral para os exterminadores de youkais que morreram. — estreitou os olhos e alargou um sorriso — Ah, sim! Foi ele também quem ordenou que sua vida fosse salva.
— Você o matou?!
Annabelle, não queria ouvir a resposta de Naraku.
Dor – dor inexprimível a atingiu e a atravessou como uma flecha. As turquesas, no entanto, permaneceram secas e opacas.
— Hitomi Kagewaki... Agora eu sou o mestre deste castelo. — e com aquele decreto, ela soube...
Nunca mais veria o seu Hitomi.
O azul dos olhos branqueou por completo, os dedos esticaram-se rijos e a terra que sustentava a propriedade começou a tremer.
Sango e Naraku curvaram-se, tentando manter o equilíbrio. Ambos atentaram-se ao corpo rígido da mulher ruiva descer flutuante das telhas e pairar leve ao chão, como uma alma penada.
— Na...ra...ku! — a boca vociferou rangente enquanto raios ebúrneos desciam do firmamento escuro e tentavam acertá-lo.
"Quem é essa mulher?!" — Sango esbugalhou os olhos, atônita.
"Maldita!" — Naraku, despreparado para uma situação como aquela, saltava de um lado para o outro, desviando das setas de luz que o caçavam.
Sentia raiva dela, profunda, um desejo desenfreado de feri-la. Ao mesmo tempo, sentia forte admiração pelo poder desconhecido, o qual ele associou à pequena lua resplandecente enfeitando o pescoço dela.
Continua...
Muita informação para um capítulo? Talvez, mas acho que ficou digno. :D
Gente, o diálogo entre Naraku e Sango está todo em itálico, porque o retirei do episódio em que ela rouba a Tessaiga e leva para o nosso vilão "amorzinho". Tentei narrar aqui os momentos em questão: Kohaku surgindo na calada da noite, Sango atingindo a Tessaiga com o Osso Voador e sendo atraída até o castelo - claro que, tudo, sob a perspectiva de Annabelle. E o momento fatídico em que Naraku se revela com a aparência de Hitomi eu quis que fosse como uma bomba, então precisei usar as frases - da versão de dublagem - tais como elas eram. Isso deu um trabalhinho, mas gostei! O episódio aqui comentado e parafraseado é o 30, chama-se "A Tessaiga roubada e o Confronto no Castelo de Naraku". É, é isso mesmo.
Apesar das revelações fortes, fiquei empolgadíssima com a cena em que Annabelle interage com os outros personagens da série. Será a primeira vez que eles terão algum espaço em uma fanfic minha. Preparem-se para ver mais deles e de outros!
É isso, povo. Bom final de domingo!
Kissuuus!
